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quinta-feira, 24 de julho de 2014
LX GARDENS: apresentação dos resultados
Apresentação dos Resultados do Projeto LX GARDENS - Jardins e Parques Históricos de Lisboa:
Estudo e inventário do património paisagístico.
Research Project funded by FCT PTDC/EAT-EAT/110826/2009
29 de Julho de 2014 às 14h00 na Sala de Atos
Instituto Superior de Agronomia - Tapada da Ajuda - Lisboa
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sexta-feira, 18 de julho de 2014
Cinco grupos de cidadãos uniram-se contra a construção de mais um parque subterrâneo
Cinco grupos de cidadãos uniram-se contra a construção de mais um parque subterrâneo no centro de Lisboa e prometem não baixar os braços. Por Marisa Soares, Público de 18 Julho 2014
A Plataforma contra o Parque Automóvel, que junta cinco grupos de cidadãos de Lisboa, manifestou-se nesta quinta-feira contra a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, pedindo à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) que reprove o projecto. Caso contrário, avisam, será como enfiar “um elefante numa loja de porcelana”, com consequências “fatais” para aquela zona.
“A DGPC tem todos os instrumentos legais para dizer não a este parque, e se não o fizer vai ceder ao interesse privado em detrimento do interesse público”, afirmou Jorge Pinto, do Grupo dos Amigos do Príncipe Real, numa conferência de imprensa realizada à sombra dos enormes “braços” do cedro-do-Buçaco, um dos ex-libris do centenário jardim.
Em causa está a construção de um parque subterrâneo com formato em “U” a contornar a estrutura do jardim, com 300 lugares distribuídos por quatro pisos – mais um do que o previsto na versão inicial do projecto apresentado em 2001, ainda durante a presidência de João Soares na Câmara de Lisboa. Na altura, o projecto foi chumbado pelo ex-Instituto Português do Património Arquitectónico (actual DGPC) e esbarrou no protesto de moradores e ambientalistas. Mais tarde, em 2006, o instituto acabou por emitir um parecer favorável condicionado, mas a obra nunca avançou.
O presidente da câmara, António Costa, disse em Junho que é "negativo" construir ali um parque subterrâneo mas acrescentou que ele poderá ser “uma mais-valia” caso resolva o problema do estacionamento de residentes e não ponha em risco o jardim. Esta resposta “vaga” não satisfez os membros da plataforma – a qual reúne, além dos Amigos do Príncipe Real, o Fórum Cidadania Lx, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, a Associação Lisboa Verde e a Associação Árvores de Portugal – que prometem não baixar os braços.
Ambientalistas, urbanistas e arquitectos antecipam "impactos desastrosos" na estrutura dos edifícios da zona. Receiam, sobretudo, que a obra ponha em causa o Reservatório da Patriarcal, um núcleo do Aqueduto das Águas Livres (classificado como Monumento Nacional) que existe no subsolo do jardim. “Há muitos anos desejamos que seja apresentada a candidatura do Aqueduto a Património da Humanidade da UNESCO, se o parque avançar será mais um obstáculo”, afirmou Margarida Ruas, ex-directora do Museu da Água.
A discreta porta de entrada no Reservatório fica no centro do jardim e dá acesso a uma cisterna octogonal subterrânea, com capacidade para 880 metros cúbicos, sustentada por dezenas de pilares em pedra com cerca de dez metros de altura, com arcos de cantaria no topo. Dali partem as galerias que, no século XIX, levavam água até aos chafarizes da Baixa e do Bairro Alto. O Reservatório foi desactivado na década de 1940 e actualmente pode ser visitado em alguns dias da semana.
Os cidadãos consideram que a construção do parque “a um metro" das galerias terá “efeitos irreversíveis e imprevisíveis”. A DGPC também tem dúvidas sobre o impacto da construção no aqueduto - foi por isso que chumbou os dois pedidos de alteração para acrescentar o quarto piso, submetidos pelo promotor a 3 de Agosto de 2012 e a 14 de Janeiro de 2014. Na sequência do chumbo, a empresa encomendou um estudo hidrogeológico do local, sobre o qual a DGPC ainda não se pronunciou. “Está, assim, em vigor a aprovação condicionada de 23/11/2006 pelo ex-IPPAR”, esclarece este organismo ao PÚBLICO.
A plataforma destaca também os impactos do empreendimento no jardim, onde existem sete árvores classificadas. Em Maio, o responsável da Empark em Portugal, Paulo Nabais, disse ao PÚBLICO que “a obra não tem interferência com o jardim”, mas não convenceu os opositores. "O parque não vai ficar só sob o alcatrão, vai ficar sob os passeios e a orla do jardim", diz Jorge Pinto.
“Em qualquer cidade da Europa, este jardim seria considerado um monumento”, considera Margarida Cancela d’Abreu, presidente da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, avisando que a construção de uma “cofragem de betão” em torno daquela área verde vai alterar o sistema de drenagem e levar à morte das árvores - muitas já fragilizadas com obras de requalificação do jardim realizadas pela câmara em 2009.
A plataforma considera também que o parque não vai resolver o congestionamento de tráfego e a falta de estacionamento naquela zona central da cidade, defendendo em alternativa a reposição do eléctrico 24, que ligava o Largo do Carmo a Campolide. Existe já uma petição online contra o projecto, que tem quase três mil assinaturas.
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Petição contra construção de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real
«...Os abaixo assinados, moradores na zona do Príncipe Real, e demais cidadãos preocupados com a defesa e a preservação do património histórico, cultural e ambiental da cidade de Lisboa, alarmados pela notícia repentina e inquietante da retoma do projecto de construção de estacionamento subterrâneo no Jardim do Príncipe Real; Manifestam o seu repúdio pela construção de todo e qualquer parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, e apelam à Senhora Presidente da Assembleia da República, ao Senhor Presidente da CML, à Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Senhor Secretário de Estado da Cultura e aos Senhores Deputados da AR e da AML para que ARQUIVEM DEFINITIVAMENTE tal pretensão do promotor...»
http://www.gopetition.com/petitions/peti%C3%A7%C3%A3o-contra-a-constru%C3%A7%C3%A3o-do-parque-de-estacionamento-subterr%C3%A2neo-na-pra%C3%A7a-do-pr%C3%ADncipe-real.html
sexta-feira, 11 de abril de 2014
PROBLEMA? EU! SOLUÇÃO? NÓS!
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segunda-feira, 31 de março de 2014
«Colina de Santana. E a paisagem?»
As paisagens foram sempre alteradas ao longo dos tempos, ou por modelação da natureza ou para satisfação das necessidades e aspirações das populações. Com os conhecimentos, técnicas e políticas de participação de que dispomos, só é sério encarar as alterações, após o estudo das funções a desempenhar pela parcela a alterar, no todo de que faz parte. Este estudo deverá ser ainda mais profundo, quando se trata de uma área tão singular como a Colina de Santana. Ecologicamente identifica-se a Colina como uma cabeceira importante, de significativa permeabilidade, separando vales fundos que drenam directamente para a Baixa e estuário, afectada fortemente por "ilhas de calor", com vulnerabilidade sísmica e proporcionando vistas excelentes. Urbanisticamente, os espaços hospitalares dominam o espaço residencial consolidado, com um quarto dos fogos vagos, uma carência acentuada em espaços verdes e mobilidade suave deficiente.
A reconversão urbana da Colina constitui uma oportunidade excepcional para promover: o usufruto da qualidade patrimonial e cénica, a melhoria da acessibilidade, a regularização microclimática, a infiltração e retenção de água no solo e subsolo e a colmatação da carência em espaços públicos. Assim, deverão assegurar-se três processos essenciais. A recuperação do património edificado e paisagístico, promovendo usos contemporâneos em resposta às carências e aspirações identificadas, com contenção das volumetrias edificadas; o estabelecimento de uma consistente estrutura ecológica e de lazer, introduzindo: gradientes (circulações atmosféricas e hídricas fundamentais); espaços abertos; uma rede coerente de contínuos (plantados, pedonais e cicláveis); médias e vastas manchas de vegetação arbóreo-arbustiva, privilegiando áreas de cabeço, maior vulnerabilidade a riscos naturais e a ligação com os jardins, cercas, claustros e logradouros existentes; predomínio de pavimentos permeáveis e semipermeáveis. A valorização cuidadosa do sistema de vistas de e para a Colina.
in PÚBLICO, 12 de Março de 2014, por Margarida Cancela d'Abreu (Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas).
segunda-feira, 24 de março de 2014
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Projectos de Loteamento de 4 Hospitais Civis de Lisboa: contributo da LAJB
Dr. António Costa
Projetos de Loteamento do Hospital Miguel Bombarda, Hospital de S. José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta em Lisboa
Participação da Associação “LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO”
No âmbito da abertura da discussão pública relativa a quatro pedidos de informação prévia sobre a viabilidade da realização de quatro operações de loteamento nos hospitais da Colina de Sant’Ana – Hospital Miguel Bombarda, Hospital de São José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta, publicitada pela Câmara Municipal de Lisboa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) no cumprimento dos seus deveres enquanto associação cívica, considera que:
1-A escala dos sítios, a importância dos imóveis, e o facto de estarem em análise quatro projetos em simultâneo, não tem correspondência com o prazo de doze dias para os cidadãos se pronunciarem; doze dias é totalmente insuficiente, porque impossibilita logo à partida uma real participação e a defesa do bem comum; estamos perante uma transformação urbana inédita na história recente de Lisboa, seria pois uma grande irresponsabilidade decidir o futuro destes lugares em 12 dias.
2- No geral, a planeada transformação radical destes antigos 4 espaços conventuais reflete uma preocupante falta de consideração pelas pré-existências. Para além da preservação dos imóveis classificados, não é feito esforço significativo para integrar outras estruturas, adaptando-as a novas funções e usos. A lógica que guia as propostas é a de demolir tudo que não esteja classificado para assim cumprir com o objetivo primordial, e talvez único, da ESTAMO: fazer negócio de forma especulativa. Esta intenção de maximização dos terrenos não é escondida como facilmente se constata ao ler, por exemplo, a argumentação da autora do projeto para a demolição de estruturas arquitetónicas no Hospital de São José. No levantamento de dois interessantes edifícios da Arquitetura do Ferro, a antiga Central Térmica e a Lavandaria (1906), a sua destruição é justificada da seguinte forma:
«Considera-se que o relativo interesse arquitetónico deste conjunto industrial não justifica, por si só, a sua conservação. Uma vez que no estudo em curso se está a revelar a dificuldade de integração deste conjunto, propõe-se a sua demolição.»
Ou seja, é assumido que o projeto que a ESTAMO tem para este espaço é mais importante que a manutenção, restauro e adaptação a novos usos de edifícios que fazem parte integrante da história do lugar e que até se admite ter valor patrimonial. A palavra de ordem não parece ser a da sustentabilidade, reciclagem de edifícios, mas sim como conseguir libertar terrenos para novos edifícios – no caso da antiga cerca conventual de S. José são propostos 58.824m2 de construção nova. Não é esta lógica que esperamos ver aplicada numa cidade histórica na Europa como é Lisboa. Integração, reciclagem e reabilitação, deveriam orientar as propostas numa perspetiva de sustentabilidade ambiental, combinada com uma genuína apreciação e respeito pelas diversas realidades patrimoniais presentes (uma cozinha do séc. XIX é menos importante que um claustro do séc. XVII?).
Há uma clara ênfase na libertação de áreas de terreno das antigas cercas para criar oportunidades de construção nova. Para isso são sacrificados edifícios aparentemente menores e menos importantes, esquecendo que no caso de um “território hospitalar” cada peça conta uma história, e é o conjunto e não os “monumentos” isolados que constitui o valor destes territórios-cercas.
Um exemplo deste extremismo é o da proposta para o antigo Hospital Miguel Bombarda. Aqui se propõe a destruição de todos os equipamentos daquele único e raro complexo hospitalar do país, exceto 5 imóveis (3 deles protegidos por lei). O autor do projeto propõe, sem justificação, a demolição de edifícios notáveis como as Cozinhas (F1), a 1ª e 2ª Enfermarias/Cantina (E1), a 5ª e 6ª Enfermarias (E2), o Antigo Telheiro para passeio dos doentes (F1), as Oficinas (G1 e G2) e o Hospital de Dia (H1). Seriam removidos do conjunto um total de 16 imóveis, na sua grande maioria com interesse arquitetónico e histórico. Lembramos que muitos destes imóveis valem pelo seu conjunto pois exibem a lógica da medicina da época. Manter apenas 5 imóveis, isolados e descontextualizados, é apagar de forma brutal a história única deste sítio.
Notamos um tratamento um pouco antiquado dos imóveis classificados: parecem ser reduzidos a “monumentos”, objetos isolados – veja-se o caso do Pavilhão de Segurança onde se propõe um jardim e um lago na sua face poente. Mais importante do que embelezar a envolvente deste imóvel classificado seria manter os restantes equipamentos que lhe dão contexto. Em vez disso, e após demolição de um total de 16 edifícios, é proposto um brutal complexo de 6 torres de 12 andares. Os edifícios classificados ficam reduzidos a objetos decorativos, “enfeitando” o jardim do novo condomínio. Este mega edifício será o novo protagonista da antiga cerca conventual, um protagonismo conquistado por rotura com a longa História do Hospital Miguel Bombarda. Porque até o interior silencioso e perfeito do pátio circular no Pavilhão de Segurança será perturbado pela visão agressiva e desnecessária, das torres nº 3, 4, 5 e 6. Infelizmente não é apresentada nenhuma imagem/estudo que mostre o impacto negativo destas torres nos edifícios classificados.
3- As quatro propostas apresentam levantamentos patrimoniais e fotográficos claramente insuficientes do edificado existente e dos valores culturais dos lugares. Também mostram grandes inconsistências ao nível do investimento na caracterização e significação histórica dos sítios.
Por exemplo, a proposta para o Hospital Miguel Bombarda limita, inexplicavelmente, o levantamento fotográfico do local a uma página A4 com 7 imagens, não legendadas, ou seja omite deliberadamente a informação exaustiva sobre todos os edifícios. No caso de um cidadão que não conheça o sítio, como poderá elaborar uma opinião crítica e válida se a proposta da ESTAMO não fornece informação minimamente completa? Ainda neste projeto é de notar a chocante pobreza do «Enquadramento Histórico» na Memória Descritiva, reduzida também a uma página A4.
Se os restantes projetos parecem ter investido um pouco mais na caracterização histórica dos sítios, não podemos deixar de criticar o facto de não terem sido realizadas por profissionais independentes. Na verdade, em todos os projetos tais levantamentos/cronologias da História dos sítios não estão assinados por Historiadores mas sim pelas equipas de projetistas. É pois legítimo perguntar se é correto para a cidade e as gerações futuras, que a decisão sobre o que pode ou não ser demolido/construído fique a depender apenas da opinião de 4 arquitetos. Tamanha responsabilidade não pode, nem deve, ficar nas mãos de apenas um dos técnicos intervenientes neste processo. É essencial consultar Historiadores independentes, o ICOMOS e a ICOM, por exemplo.
4- Outra prova da falta de estudo e reflexão sobre o tema da integração dos edifícios existentes, independentemente da época de construção e de estarem classificados ou não, é o facto de não se apresentarem ideias coerentes para a sua futura ocupação – para além do fácil e já banal “hotel de charme”.
Com o encerramento destes hospitais a cidade está na iminência de perder milhares de postos de trabalho no centro histórico (com todos os pequenos negócios que durante décadas e até séculos se desenvolveram na sua envolvência) e tudo o que a ESTAMO parece imaginar é um cenário de habitação (que tudo indica será de luxo), hotéis de charme e pouco mais. Será este um cenário realista e desejável? Ou meramente especulativo e nefasto? Com o parque habitacional da cidade histórica a precisar de urgente investimento na reabilitação, e a diminuição da população nacional, não nos parece de todo viável nem aconselhável investir na demolição massiva de edifícios, únicos e recuperáveis, seguida de milhares de m2 de construção nova.
A regeneração urbanística da Colina de Sant’Ana talvez deva passar mais por uma estratégia de transferência de instituições culturais para estes antigos espaços conventuais/hospitalares. Por exemplo, porque não se equaciona a fundação do grande Arquivo Municipal no Hospital de São José? E em vez da construção de um novo edifício para a Biblioteca Municipal Central porque não pensar num antigo convento-hospital como se tem feito noutras cidades europeias? Universidades e Museus Nacionais, alguns deles ainda mal instalados, poderiam também habitar de forma bem mais sensível estes antigos complexos conventuais/hospitalares.
5- Na generalidade, com exceção da proposta para o Hospital de Santa Marta, as zonas verdes são praticamente assumidas como espaços verdes de enquadramento das novas construções ou dos imóveis classificados. De facto, apenas no projeto para Santa Marta se nota um esforço claro de recuperar os “vazios” da antiga cerca conventual, devolvendo assim à cidade uma grande zona de solo permeável e amplamente arborizada. Aplaudimos esta referência à memória da fundação conventual do lugar, com oportunas vantagens e relevância para a cidade do presente e os seus desafios ambientais.
Nos restantes projetos impera uma solução do tipo “urbanização” das cercas conventuais ocupando as sobras com espaços verdes. Estamos totalmente contra esta opção uma vez que não só faz tábua rasa dos vários níveis culturais que ao longo dos séculos se foram instalando mas também porque acaba por uniformizar, urbanisticamente, estas antigas cercas. Estes espaços fechados, cercados por altos muros e povoados por diversos edifícios de diferentes períodos históricos, estão agora em risco de se transformarem em novas áreas de ocupação urbana, com soluções do tipo quarteirões/edifícios. O sentido de cerca fica comprometido. Um exemplo desta “banalização” do espaço é a proposta para a cerca do Hospital de S. José onde se propõem cerca de 6 novos edifícios de grande massa para a área da antiga cerca conventual. Embora a cércea não ultrapasse a do antigo hospital, a excessiva volumetria compete claramente com a do hospital, retirando-lhe a proeminência e destaque que nos parece ser essencial manter e assegurar.
De igual forma, mas levado ao extremo, são as 6 torres de habitação de implantação violenta no coração da cerca do Hospital Miguel bombarda. Os novos edifícios não deveriam competir desta forma, um pouco desleal, com as pré-existências históricas.
A nosso ver a raiz do problema é que a ESTAMO não vê estes espaços como algo a tocar com mão leve e delicada, mas sim como áreas a lotear, a urbanizar.
Com o encerramento destas 4 unidades hospitalares, podemos recuperar espaço livre, com solos permeáveis e arborizados. Esta é de facto a última oportunidade que a capital tem de criar facilmente novas zonas verdes em pleno centro histórico, devolver os “vazios” tão essenciais a uma boa qualidade de vida urbana. Nunca é demais chamar atenção para esta oportunidade única que se oferece a Lisboa.
EM CONCLUSÃO
É bom recordar que todos estes espaços estiveram durante séculos ao serviço das pessoas, numa lógica do bem comum. Esta tradição deve ter continuidade. Mas para que possam servir o bem comum e as gerações futuras é necessário trabalhar com os lugares e não contra os lugares. Reciclar estruturas e não destruí-las. Acarinhar os testemunhos deixados pelos nossos antepassados.
O que é único e especial nestes espaços hospitalares é precisamente o se ter sabido adaptar para novas funções, sem destruir irreversivelmente, as cercas conventuais. Também é verdade que com o séc. XX, principalmente na segunda metade, se fizeram obras e construções em excesso, já sem grande respeito ou sensibilidade pelo património. Mas Lisboa tem agora a oportunidade de pensar bem, escolher bem, fazer bem - porque hoje a nossa grande vantagem é de sermos capazes de tomar decisões mais bem informadas. Ora é isso que no fundo falta nestas propostas: informação. Essa falha é devida em grande parte ao promotor destes projetos e menos aos arquitetos que afinal deram resposta ao programa da ESTAMO.
Concluimos pois que os presentes PIPs não reúnem condições para serem aprovados.
A LAJB solicita à CML uma promoção de facto do debate alargado e reflexão mais profunda sobre estes importantíssimos lugares históricos da nossa cidade. Porque o que vemos nestas quatro propostas é ainda demasiado pobre, banal e peca pela pouca ambição do bem comum. Lisboa merece muito mais e melhor.
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
12 de Julho de 2013
Foto: Hospital de Santa Marta, fachada principal - antigo convento de Santa Marta, Armando Serôdio, 1968, Arquivo Municipal de Lisboa,
sábado, 1 de setembro de 2012
DIA DO MANIFESTO, CORO DAS VONTADES
Para ouvir o manifesto da LAJB, no âmbito do interessante projecto DIA DO MANIFESTO / CORO DAS VONTADES do Teatro Municipal Maria Matos, ver o nº 26 aqui:
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
PARTICIPE NO PROJECTO: «LISBOA AMANHû
Se possível, peço que divulguem a nossa iniciativa pelos membros da vossa associação, para que eles conheçam o site e enviem as suas próprias propostas particulares. Podem também visitar a página do Facebook (www.facebook.com/LXAMANHA), onde podem acompanhar as novidades que pretendemos desenvolver. Com os melhores cumprimentos,
Luis N. Filipe
LISBOA AMANHÃ
A LAJB já contribuiu para este louvável projecto com duas propostas levadas ao Orçamento Participativo da CML: «Um Jardim no Largo Hintze Ribeiro», «Arborização da Rua Borges Carneiro» e «Arborização da Rua Nova de S. Mamede». Apresentem também as vossas propostas para a Lisboa de Amanhã através da plataforma www.lxamanha.pt
Luis N. Filipe
LISBOA AMANHÃ
A LAJB já contribuiu para este louvável projecto com duas propostas levadas ao Orçamento Participativo da CML: «Um Jardim no Largo Hintze Ribeiro», «Arborização da Rua Borges Carneiro» e «Arborização da Rua Nova de S. Mamede». Apresentem também as vossas propostas para a Lisboa de Amanhã através da plataforma www.lxamanha.pt
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Lawn need a trim? Start-up will rent you a sheep
Oberlin, OHIO, EUA
Back-to-nature firms take off amid shortage of white-collar jobs
In this verdant college town, most people keep their lawnmowers tuned up by oiling the motor and sharpening the blades. Eddie Miller keeps his in shape with salt licks and shearing scissors.
Mr. Miller, 23, is the founder of Heritage Lawn Mowing, a company that rents out sheep — yes, sheep — as a landscaping aid. For a small fee, Mr. Miller, whose official job title is ‘‘shepherd,’’ transports his ovine squad to the yards of area homeowners, where the sheep spend anywhere from three hours to several days grazing on grass, weeds and dandelions.
in The New York Times, 4 Novembro 2011, página 17
Foto: Eddie Miller takes Panda and Nerd to their next landscaping job. Agricultural enterprises like his Heritage Lawn Mowing are benefiting from interest in the sustainable businesses.
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domingo, 11 de março de 2012
O que Mudaria em Lisboa? João Belard Correia, Eng. do Território
Mudava o modo como se faz reabilitação. É preciso mais do que apenas deixar fachadas e destruir os interiores, e por vezes adicionar pisos novos com claras dissonâncias do edifício original. Também não podemos apenas reabilitar com projectos de gentrificação. É preciso que exista o cuidado de preservar a alma dos sítios, dos bairros e das diferentes Lisboas, e onde as pessoas são um activo fundamental. A regeneração urbana não visa apenas a vertente material ou socioeconómica, visa a concretização da ideia de qualidade de vida e sustentabilidade dos espaços adaptados às actividades humanas. Deve ser vista como um processo que concretize os diversos objectivos, nas várias dimensões e horizontes temporais, e não apenas a intervenção material. A maior parte destas operações serão complexas, por envolverem uma grande heterogeneidade de proprietários, sendo necessárias equipas multidisciplinares. É precisa uma conjugação virtuosa de soluções que permitam os diversos tipos de reabilitação e regeneração urbana, e que permitam que Lisboa seja alvo de verdadeiras reabilitação e regeneração. in PÚBLICO, 11 Mar 2012 Edição Lisboa
Foto: Chiado, epicentro da gentrificação. Rua Ivens, 1-15, um exemplo, entre muitos da pobre cultura de "fachadismo" cada vez mais incentivada pela CML.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Debate no Centro Nacional de Cultura: «O que se passa com o Jardim Botânico»?
“O QUE SE PASSA COM O JARDIM BOTÂNICO?”
CONVIDADOS:
Dr. Mário Soares
Prof. Cláudio Torres
Arqº Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles
Drª Ana Paula Amendoeira
Arqª Paisagista Margarida Cancela D'Abreu
Drª Luísa Schmidt
Representante da World Monuments Fund Portugal
Prof. António Sampaio da Nóvoa (a confirmar)
Dr. António Costa (a confirmar)
MODERAÇÃO: Dr. Guilherme d’Oliveira Martins
Dia 16 de Janeiro, 18h30 - ENTRADA LIVRE
CENTRO NACIONAL DE CULTURA
Largo do Picadeiro, nº 10 – 1º
(ao lado do Café No Chiado)
Tel: 213 466 722 Fax: 213 428 250
http://www.cnc.pt/
(ao lado do Café No Chiado)
Tel: 213 466 722 Fax: 213 428 250
http://www.cnc.pt/
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Parecer negativo da Comissão Permanente para o PDM
COMISSÃO PERMANENTE PARA O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO E ACOMPANHAMENTO DO PLANO DIRECTOR MUNICIPAL
PARECER
PARECER
Proposta nº 452/2011
I.
A Comissão para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal reuniu no dia 5 de Janeiro de 2012 para deliberar a emissão de Parecer sobre a Proposta nº 452/2011, relativa ao Plano de Pormenor do Parque Mayer.
Previamente, a Comissão teve a oportunidade de ouvir sobre esta matéria o Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e o Senhor Vereador Manuel Salgado, em reuniões realizadas nos dias 21 de Novembro e 14 de Dezembro de 2011.
A Comissão para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal reuniu no dia 5 de Janeiro de 2012 para deliberar a emissão de Parecer sobre a Proposta nº 452/2011, relativa ao Plano de Pormenor do Parque Mayer.
Previamente, a Comissão teve a oportunidade de ouvir sobre esta matéria o Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e o Senhor Vereador Manuel Salgado, em reuniões realizadas nos dias 21 de Novembro e 14 de Dezembro de 2011.
II.
Introdutoriamente, a Comissão notou que esta Proposta dá continuidade à metodologia que vem sendo seguida pela Câmara Municipal, qual seja, a da elaboração e aprovação de Planos de Pormenor e de Planos de Urbanização num momento em que está em fase de conclusão a revisão do PDM.
Além de considerar que os esforços da Assembleia Municipal e das suas Comissões se deveriam centrar na análise da revisão do PDM, a Comissão entende que esta metodologia contribui para uma indesejável indefinição normativa, já que os conceitos e parâmetros utilizados na elaboração da Proposta são os inseridos numa mera proposta de PDM, e que essa indefinição resultará seriamente agravada caso a proposta de PDM não venha a ser aprovada pela Assembleia Municipal.
III.
Já quanto ao procedimento da sua elaboração e ao seu conteúdo, o Plano em apreciação suscitou na Comissão, desde logo, um conjunto de reflexões sobre os seguintes aspectos:
- a relevância atribuída à classificação do Jardim Botânico como Monumento Nacional na elaboração do Plano e no seu conteúdo;
- a inexistência na Proposta de conteúdos documentais legalmente obrigatórios;
- a inexistência na Proposta dos conteúdos exigidos pela Proposta nº 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011.
Quanto ao primeiro destes aspectos, a Comissão assinalou que o Jardim Botânico se encontra classificado como Monumento Nacional desde finais de 2010, por efeito do Decreto nº 18/2010, de 28 de Dezembro.
Não obstante, constata-se a existência na Proposta de várias incongruências no reconhecimento dessa classificação.
Veja-se, como mero exemplo, que o Regulamento do Plano, no seu artigo 7º, identifica o Jardim com o acrónimo “MN” (o que se entende, embora o Regulamento não o explicite, como referente a “Monumento Nacional”), mas já o Relatório do Plano, a Planta de Condicionantes I e o Relatório Ambiental o qualificam como estando “em vias de classificação”.
Embora se possa entender que a classificação do Jardim na pendência da elaboração do Plano possa causar tais erros, a Comissão entende que os mesmos deveriam ter sido expurgados previamente à aprovação da Proposta pela Câmara e à sua remessa à Assembleia Municipal.
No entender da Comissão, não é admissível que se coloque à deliberação da Assembleia Municipal um documento desta natureza em que um Monumento declarado como Nacional surge qualificado como estando meramente em vias de ser classificado.
Também o facto de à data da classificação do Jardim Botânico se encontrarem aprovados os Termos de Referência não legitima que o estatuto de Monumento Nacional, atenta a sua importância, possa ser desconsiderado.
Além disso, o estatuto de Monumento Nacional do Jardim não parece, e a vários níveis, ter sido adequadamente tido em conta na Proposta.
Dessa classificação decorre um importante conjunto de consequências, previstas na Lei de Bases do Património Cultural (a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro) e detalhadas no Decreto – Lei nº 309/2009, de 23 de Outubro.
Destes diplomas resulta, desde logo, que os Monumentos Nacionais beneficiam automaticamente, e por mero efeito da lei, de uma zona geral de protecção, abrangendo uma faixa de 50 metros contados a partir dos seus limites externos.
Além disso, devem beneficiar também de uma zona especial de protecção. Esta deve ser fixada por Portaria mediante a iniciativa do órgão competente da Administração Central.
Esta zona terá a amplitude adequada à protecção e valorização do bem classificado, podendo inclusive determinar importantes condicionantes urbanísticas, como sejam, por exemplo, zonas non aedificandi e áreas declaradas como de sensibilidade arqueológica, com a consequente aplicabilidade das normas mais exigentes do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, aprovado pelo Decreto – Lei nº 270/99, de 15 de Julho.
Tanto quanto é do conhecimento da Comissão – e consta aliás da informação disponibilizada na Internet pelo IGESPAR - a Administração Central tarda em definir essa zona especial de protecção, sendo certo que dispõe para o efeito do prazo de 18 meses contados da classificação do Jardim Botânico, ou seja, até ao mês de Agosto do ano em curso.
A articulação dessa zona especial de protecção com o Plano agora proposto suscitou aliás à Comissão algumas dúvidas, nomeadamente quanto à possibilidade efectiva de aquela zona de protecção, caso venha a ser definida, poder impor de forma eficaz restrições ou condicionantes mais exigentes que as decorrentes de um Plano anteriormente aprovado.
Ainda no que diz respeito ao estatuto de Monumento Nacional do Jardim Botânico, a Comissão teve presente que, nos termos do artigo 53º da referida Lei de Bases, “O acto que decrete a classificação de monumentos (…) obriga o município, em parceria com os serviços da administração central (…), ao estabelecimento de um plano de pormenor de salvaguarda para a área a proteger”.
Este tipo de Planos – consequência obrigatória da classificação como Monumento Nacional – tem um objectivo específico: a definição de estratégias e de regras orientadas para a preservação e valorização do património cultural existente na sua área de intervenção, desenvolvendo os efeitos decorrentes das zonas de protecção.
Ora é por demais evidente que o Plano em apreciação não reveste essa natureza, mas sim a de um mero Plano de Pormenor.
Na verdade, e desde logo, o seu conteúdo material não se adequa aos objectivos acima referidos, nem dá cumprimento aos múltiplos requisitos previstos para os Planos de Pormenor de Salvaguarda no artigo 66º do Decreto – Lei nº 309/2009.
A Comissão verificou, de modo particular, a ausência dos seguintes conteúdos, obrigatórios num Plano de Salvaguarda:
- regras de edificação, incluindo o cromatismo e os revestimentos exteriores dos edifícios;
- regras específicas para a protecção do património arqueológico, nomeadamente as relativas a medidas de carácter preventivo para sua salvaguarda;
- regras a que devem obedecer as obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição;
- avaliação da capacidade resistente dos elementos estruturais dos edifícios, nomeadamente no que diz respeito ao risco sísmico;
- regras de publicidade exterior e de sinalética.
Além disso, a elaboração de um Plano de Pormenor de Salvaguarda tem, nos termos da lei, uma tramitação própria, já que obriga, para a sua elaboração, a uma parceria formal entre a Câmara Municipal, o IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura.
Ora tal tramitação, com a inerente intervenção reforçada de organismos com particulares atribuições e responsabilidades nas áreas da preservação do património, não foi seguida no caso desta Proposta.
Em síntese, a Comissão regista como aspectos negativos da Proposta a preterição pela Câmara Municipal da elaboração - porém obrigatória - de um Plano de Salvaguarda, a inexistência na Proposta de um conjunto de normas entendidas pela lei como relevantes para a preservação de um Monumento Nacional, bem como a ausência, no seu processo de elaboração, da intervenção reforçada do IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura
Quanto ao segundo aspecto, a Comissão constatou que a Proposta de Plano não contém qualquer Programa de Execução, nem tão pouco o respectivo Plano de Financiamento.
Ora tais documentos são legalmente obrigatórios, como decorre da alínea d) do nº 2 do artigo 92º do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).
No entender da Comissão – e indo além da questão fundamental da sua obrigatoriedade legal - estes documentos são materialmente essenciais a qualquer Plano.
De facto, neles se definem as modalidades e sequência concretas da execução das acções previstas, e se enuncia e demonstra a sua exequibilidade financeira.
Trata-se, em suma, de definir o “como” e o “quando” da execução do Plano, aspecto particularmente importante, nomeadamente no actual contexto económico do País.
Acresce que, no caso concreto, estes elementos, a existirem, revestir-se-iam de uma importância muito particular, uma vez que a indefinição relativamente a posse dos edifícios do Parque Mayer - dependente do desfecho da acção popular ainda pendente para declaração de invalidade da permuta com a Bragapaques – exigiria um especial cuidado na demonstração da viabilidade económico-financeira do Plano nos vários cenários possíveis e no faseamento das intervenções.
Deste modo, e em síntese, a Comissão constatou a inexistência na Proposta de conteúdos legalmente obrigatórios, e sublinha a particular importância de que os elementos em falta se revestem para a sua apreciação, dados o contexto económico-financeiro do País e as incertezas existentes quanto à titularidade de uma parte muito importante das existências.
Finalmente, no que diz respeito ao terceiro aspecto considerado pela Comissão, a Comissão registou que a Proposta de Plano não dá cumprimento ao regime da Proposta 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011, evidenciando-se a ausência dos vários conteúdos ali previstos, com ênfase para a inexistência de quaisquer normas relativas uma percentagem de fogos para habitação a uso acessível.
IV.
Os aspectos materiais da Proposta foram, também, objecto de reflexão por parte da Comissão.
A primeira nota nesta matéria prende-se com o facto de, no ver da Comissão, a Proposta consubstanciar um esforço por parte da Câmara Municipal de Lisboa de intervenção e regulação urbanística em duas zonas particularmente atingidas por uma dinâmica negativa e de abandono, como são o Jardim Botânico e o Parque Mayer.
Na verdade, é convicção da Comissão ser incontestável que o Jardim Botânico representa para Lisboa um valor ímpar, tanto do ponto de vista científico, como do cultural, do ambiental e do turístico.
Também o Parque Mayer faz indelevelmente parte da memória da Cidade, tendo sido, durante largos anos, o centro da actividade teatral na capital.
No entanto, regista-se que a Proposta não considera adequadamente o valor e a herança histórica inerente a estas realidades.
Neste ponto, a Comissão regista como positiva a prevista manutenção dos conjuntos edificados correspondentes aos Teatros Capitólio e Variedades, mas lamenta a demolição do ABC, e sobretudo a do Maria Vitória, pelo que representam de perda patrimonial, cultural e histórica.
Negativa também, é a indefinição que decorre da Proposta quanto à existência de um terceiro espaço de vocação cultural, vocacionado para a preservação e dinamização da memória histórica do local, apta a dotá-lo de um forte e inequívoco esteio cultural.
Quanto ao Jardim Botânico, entende a Comissão que o mesmo deveria ser afirmado como a peça central da intervenção, e, como tal, como condicionante principal das soluções urbanísticas propostas.
No entanto, alguns aspectos vertidos na Proposta suscitam dúvidas quanto à adopção desta prioridade.
A Comissão, sem prejuízo de outras, elenca os seguintes:
- o afastamento dos muros de suporte do Jardim Botânico, commumente referidos como Cerca Pombalina, relativamente às construções previstas;
- as fundadas dívidas quanto aos impactos da solução urbanística proposta no funcionamento do sistema natural do Jardim Botânico e nas dinâmicas hidrogeológica e meteorológica do local e da sua envolvente, e
- a inexistência de contributos do Plano de Pormenor proposto para a procura de um modelo viável de sustentabilidade para o Jardim Botânico.
Quanto ao primeiro aspecto, a leitura das peças desenhadas permite concluir que o Plano prevê e autoriza construção encostada à Cerca Pombalina, sendo a distância entre ambas de pouco mais de 1 metro.
Esta opção suscita à Comissão várias críticas.
Na verdade, não parece razoável autorizar-se qualquer construção a tão curta distância da Cerca Pombalina, já que esta - enquanto elemento estrutural de contenção e suporte - faz parte do Jardim Botânico, sendo por isso parte integrante do Monumento Nacional.
Além disso, esta solução, além de impedir a fruição pública daquela estrutura arquitectónica, suscita as maiores reservas quanto a possibilidade de, se necessárias, serem levadas a cabo intervenções de manutenção ou reparação num elemento estrutural da maior importância.
Além disso, considerando a presença nas zonas contíguas do Jardim Botânico de árvores de grande porte, afigura-se plausível que as obras de construção em subsolo afectem de forma grave os seus sistemas radiculares, problema que a proposta não equaciona adequadamente e para o qual não prevê quaisquer soluções.
No que diz respeito aos impactos da solução urbanística preconizada no funcionamento do sistema natural do Jardim e da sua envolvente, a Comissão registou as críticas formuladas por várias entidades e pessoas com reconhecidas competências na área, como sejam a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, ou o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.
As críticas centram-se fundamentalmente nas alterações que a construção prevista acarretará na circulação das massas de ar e na dinâmica hidrogeológica das zona, temendo-se que as mesmas possam trazer desequilíbrios no ecosistema do Jardim, mas também fenómenos de cheias e abatimento de pavimentos nas zonas adjacentes de cota inferior.
Quanto ao terceiro e último aspecto, a Comissão notou, nomeadamente em face dos esclarecimentos prestados pelo Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, que o actual modelo de gestão e financiamento do Jardim Botânico não assegura a sua sustentabilidade.
A Comissão relevou também o entendimento do Senhor Reitor de que a definição de regras urbanísticas na zona em causa poderia trazer à revitalização do Jardim Botânico.
Não obstante, a Comissão considera que a proposta de um Plano de Pormenor para a zona poderia representar uma oportunidade de excepção para que o Município assumisse um papel liderante na procura de soluções que pudessem contribuir para a viabilidade económico-financeira do Jardim.
No entanto, constata-se que a Proposta é, no essencial, omissa nesta matéria, não apresentado quaisquer soluções concretas susceptíveis de contribuir para a sua sustentabilidade.
V.
A Comissão sugere que as reflexões evidenciadas neste Parecer – digam elas respeito aos méritos da Proposta, ou aos aspectos em que a mesma é susceptível de crítica ou aperfeiçoamento – sejam objecto de amplo debate pelo Plenário da Assembleia Municipal
Na sequência e sem prejuízo do acima exposto, é parecer da Comissão Permanente para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal que a Proposta nº 452/2011 se encontra em condições de ser apreciada no Plenário da Assembleia Municipal de Lisboa.
O presente Parecer foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, do PCP, do CDS, do PPM e do Deputado Independente Filipe Lopes, e com a abstenção do PS.
Estiveram ausentes da reunião os representantes do BE, MPT e PEV.
Os Grupos Municipais presentes reservaram para o debate em Plenário a definição do seu sentido de voto.
Lisboa, 5 de Janeiro de 2012
O Presidente da Comissão
João Serra
Introdutoriamente, a Comissão notou que esta Proposta dá continuidade à metodologia que vem sendo seguida pela Câmara Municipal, qual seja, a da elaboração e aprovação de Planos de Pormenor e de Planos de Urbanização num momento em que está em fase de conclusão a revisão do PDM.
Além de considerar que os esforços da Assembleia Municipal e das suas Comissões se deveriam centrar na análise da revisão do PDM, a Comissão entende que esta metodologia contribui para uma indesejável indefinição normativa, já que os conceitos e parâmetros utilizados na elaboração da Proposta são os inseridos numa mera proposta de PDM, e que essa indefinição resultará seriamente agravada caso a proposta de PDM não venha a ser aprovada pela Assembleia Municipal.
III.
Já quanto ao procedimento da sua elaboração e ao seu conteúdo, o Plano em apreciação suscitou na Comissão, desde logo, um conjunto de reflexões sobre os seguintes aspectos:
- a relevância atribuída à classificação do Jardim Botânico como Monumento Nacional na elaboração do Plano e no seu conteúdo;
- a inexistência na Proposta de conteúdos documentais legalmente obrigatórios;
- a inexistência na Proposta dos conteúdos exigidos pela Proposta nº 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011.
Quanto ao primeiro destes aspectos, a Comissão assinalou que o Jardim Botânico se encontra classificado como Monumento Nacional desde finais de 2010, por efeito do Decreto nº 18/2010, de 28 de Dezembro.
Não obstante, constata-se a existência na Proposta de várias incongruências no reconhecimento dessa classificação.
Veja-se, como mero exemplo, que o Regulamento do Plano, no seu artigo 7º, identifica o Jardim com o acrónimo “MN” (o que se entende, embora o Regulamento não o explicite, como referente a “Monumento Nacional”), mas já o Relatório do Plano, a Planta de Condicionantes I e o Relatório Ambiental o qualificam como estando “em vias de classificação”.
Embora se possa entender que a classificação do Jardim na pendência da elaboração do Plano possa causar tais erros, a Comissão entende que os mesmos deveriam ter sido expurgados previamente à aprovação da Proposta pela Câmara e à sua remessa à Assembleia Municipal.
No entender da Comissão, não é admissível que se coloque à deliberação da Assembleia Municipal um documento desta natureza em que um Monumento declarado como Nacional surge qualificado como estando meramente em vias de ser classificado.
Também o facto de à data da classificação do Jardim Botânico se encontrarem aprovados os Termos de Referência não legitima que o estatuto de Monumento Nacional, atenta a sua importância, possa ser desconsiderado.
Além disso, o estatuto de Monumento Nacional do Jardim não parece, e a vários níveis, ter sido adequadamente tido em conta na Proposta.
Dessa classificação decorre um importante conjunto de consequências, previstas na Lei de Bases do Património Cultural (a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro) e detalhadas no Decreto – Lei nº 309/2009, de 23 de Outubro.
Destes diplomas resulta, desde logo, que os Monumentos Nacionais beneficiam automaticamente, e por mero efeito da lei, de uma zona geral de protecção, abrangendo uma faixa de 50 metros contados a partir dos seus limites externos.
Além disso, devem beneficiar também de uma zona especial de protecção. Esta deve ser fixada por Portaria mediante a iniciativa do órgão competente da Administração Central.
Esta zona terá a amplitude adequada à protecção e valorização do bem classificado, podendo inclusive determinar importantes condicionantes urbanísticas, como sejam, por exemplo, zonas non aedificandi e áreas declaradas como de sensibilidade arqueológica, com a consequente aplicabilidade das normas mais exigentes do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, aprovado pelo Decreto – Lei nº 270/99, de 15 de Julho.
Tanto quanto é do conhecimento da Comissão – e consta aliás da informação disponibilizada na Internet pelo IGESPAR - a Administração Central tarda em definir essa zona especial de protecção, sendo certo que dispõe para o efeito do prazo de 18 meses contados da classificação do Jardim Botânico, ou seja, até ao mês de Agosto do ano em curso.
A articulação dessa zona especial de protecção com o Plano agora proposto suscitou aliás à Comissão algumas dúvidas, nomeadamente quanto à possibilidade efectiva de aquela zona de protecção, caso venha a ser definida, poder impor de forma eficaz restrições ou condicionantes mais exigentes que as decorrentes de um Plano anteriormente aprovado.
Ainda no que diz respeito ao estatuto de Monumento Nacional do Jardim Botânico, a Comissão teve presente que, nos termos do artigo 53º da referida Lei de Bases, “O acto que decrete a classificação de monumentos (…) obriga o município, em parceria com os serviços da administração central (…), ao estabelecimento de um plano de pormenor de salvaguarda para a área a proteger”.
Este tipo de Planos – consequência obrigatória da classificação como Monumento Nacional – tem um objectivo específico: a definição de estratégias e de regras orientadas para a preservação e valorização do património cultural existente na sua área de intervenção, desenvolvendo os efeitos decorrentes das zonas de protecção.
Ora é por demais evidente que o Plano em apreciação não reveste essa natureza, mas sim a de um mero Plano de Pormenor.
Na verdade, e desde logo, o seu conteúdo material não se adequa aos objectivos acima referidos, nem dá cumprimento aos múltiplos requisitos previstos para os Planos de Pormenor de Salvaguarda no artigo 66º do Decreto – Lei nº 309/2009.
A Comissão verificou, de modo particular, a ausência dos seguintes conteúdos, obrigatórios num Plano de Salvaguarda:
- regras de edificação, incluindo o cromatismo e os revestimentos exteriores dos edifícios;
- regras específicas para a protecção do património arqueológico, nomeadamente as relativas a medidas de carácter preventivo para sua salvaguarda;
- regras a que devem obedecer as obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição;
- avaliação da capacidade resistente dos elementos estruturais dos edifícios, nomeadamente no que diz respeito ao risco sísmico;
- regras de publicidade exterior e de sinalética.
Além disso, a elaboração de um Plano de Pormenor de Salvaguarda tem, nos termos da lei, uma tramitação própria, já que obriga, para a sua elaboração, a uma parceria formal entre a Câmara Municipal, o IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura.
Ora tal tramitação, com a inerente intervenção reforçada de organismos com particulares atribuições e responsabilidades nas áreas da preservação do património, não foi seguida no caso desta Proposta.
Em síntese, a Comissão regista como aspectos negativos da Proposta a preterição pela Câmara Municipal da elaboração - porém obrigatória - de um Plano de Salvaguarda, a inexistência na Proposta de um conjunto de normas entendidas pela lei como relevantes para a preservação de um Monumento Nacional, bem como a ausência, no seu processo de elaboração, da intervenção reforçada do IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura
Quanto ao segundo aspecto, a Comissão constatou que a Proposta de Plano não contém qualquer Programa de Execução, nem tão pouco o respectivo Plano de Financiamento.
Ora tais documentos são legalmente obrigatórios, como decorre da alínea d) do nº 2 do artigo 92º do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).
No entender da Comissão – e indo além da questão fundamental da sua obrigatoriedade legal - estes documentos são materialmente essenciais a qualquer Plano.
De facto, neles se definem as modalidades e sequência concretas da execução das acções previstas, e se enuncia e demonstra a sua exequibilidade financeira.
Trata-se, em suma, de definir o “como” e o “quando” da execução do Plano, aspecto particularmente importante, nomeadamente no actual contexto económico do País.
Acresce que, no caso concreto, estes elementos, a existirem, revestir-se-iam de uma importância muito particular, uma vez que a indefinição relativamente a posse dos edifícios do Parque Mayer - dependente do desfecho da acção popular ainda pendente para declaração de invalidade da permuta com a Bragapaques – exigiria um especial cuidado na demonstração da viabilidade económico-financeira do Plano nos vários cenários possíveis e no faseamento das intervenções.
Deste modo, e em síntese, a Comissão constatou a inexistência na Proposta de conteúdos legalmente obrigatórios, e sublinha a particular importância de que os elementos em falta se revestem para a sua apreciação, dados o contexto económico-financeiro do País e as incertezas existentes quanto à titularidade de uma parte muito importante das existências.
Finalmente, no que diz respeito ao terceiro aspecto considerado pela Comissão, a Comissão registou que a Proposta de Plano não dá cumprimento ao regime da Proposta 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011, evidenciando-se a ausência dos vários conteúdos ali previstos, com ênfase para a inexistência de quaisquer normas relativas uma percentagem de fogos para habitação a uso acessível.
IV.
Os aspectos materiais da Proposta foram, também, objecto de reflexão por parte da Comissão.
A primeira nota nesta matéria prende-se com o facto de, no ver da Comissão, a Proposta consubstanciar um esforço por parte da Câmara Municipal de Lisboa de intervenção e regulação urbanística em duas zonas particularmente atingidas por uma dinâmica negativa e de abandono, como são o Jardim Botânico e o Parque Mayer.
Na verdade, é convicção da Comissão ser incontestável que o Jardim Botânico representa para Lisboa um valor ímpar, tanto do ponto de vista científico, como do cultural, do ambiental e do turístico.
Também o Parque Mayer faz indelevelmente parte da memória da Cidade, tendo sido, durante largos anos, o centro da actividade teatral na capital.
No entanto, regista-se que a Proposta não considera adequadamente o valor e a herança histórica inerente a estas realidades.
Neste ponto, a Comissão regista como positiva a prevista manutenção dos conjuntos edificados correspondentes aos Teatros Capitólio e Variedades, mas lamenta a demolição do ABC, e sobretudo a do Maria Vitória, pelo que representam de perda patrimonial, cultural e histórica.
Negativa também, é a indefinição que decorre da Proposta quanto à existência de um terceiro espaço de vocação cultural, vocacionado para a preservação e dinamização da memória histórica do local, apta a dotá-lo de um forte e inequívoco esteio cultural.
Quanto ao Jardim Botânico, entende a Comissão que o mesmo deveria ser afirmado como a peça central da intervenção, e, como tal, como condicionante principal das soluções urbanísticas propostas.
No entanto, alguns aspectos vertidos na Proposta suscitam dúvidas quanto à adopção desta prioridade.
A Comissão, sem prejuízo de outras, elenca os seguintes:
- o afastamento dos muros de suporte do Jardim Botânico, commumente referidos como Cerca Pombalina, relativamente às construções previstas;
- as fundadas dívidas quanto aos impactos da solução urbanística proposta no funcionamento do sistema natural do Jardim Botânico e nas dinâmicas hidrogeológica e meteorológica do local e da sua envolvente, e
- a inexistência de contributos do Plano de Pormenor proposto para a procura de um modelo viável de sustentabilidade para o Jardim Botânico.
Quanto ao primeiro aspecto, a leitura das peças desenhadas permite concluir que o Plano prevê e autoriza construção encostada à Cerca Pombalina, sendo a distância entre ambas de pouco mais de 1 metro.
Esta opção suscita à Comissão várias críticas.
Na verdade, não parece razoável autorizar-se qualquer construção a tão curta distância da Cerca Pombalina, já que esta - enquanto elemento estrutural de contenção e suporte - faz parte do Jardim Botânico, sendo por isso parte integrante do Monumento Nacional.
Além disso, esta solução, além de impedir a fruição pública daquela estrutura arquitectónica, suscita as maiores reservas quanto a possibilidade de, se necessárias, serem levadas a cabo intervenções de manutenção ou reparação num elemento estrutural da maior importância.
Além disso, considerando a presença nas zonas contíguas do Jardim Botânico de árvores de grande porte, afigura-se plausível que as obras de construção em subsolo afectem de forma grave os seus sistemas radiculares, problema que a proposta não equaciona adequadamente e para o qual não prevê quaisquer soluções.
No que diz respeito aos impactos da solução urbanística preconizada no funcionamento do sistema natural do Jardim e da sua envolvente, a Comissão registou as críticas formuladas por várias entidades e pessoas com reconhecidas competências na área, como sejam a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, ou o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.
As críticas centram-se fundamentalmente nas alterações que a construção prevista acarretará na circulação das massas de ar e na dinâmica hidrogeológica das zona, temendo-se que as mesmas possam trazer desequilíbrios no ecosistema do Jardim, mas também fenómenos de cheias e abatimento de pavimentos nas zonas adjacentes de cota inferior.
Quanto ao terceiro e último aspecto, a Comissão notou, nomeadamente em face dos esclarecimentos prestados pelo Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, que o actual modelo de gestão e financiamento do Jardim Botânico não assegura a sua sustentabilidade.
A Comissão relevou também o entendimento do Senhor Reitor de que a definição de regras urbanísticas na zona em causa poderia trazer à revitalização do Jardim Botânico.
Não obstante, a Comissão considera que a proposta de um Plano de Pormenor para a zona poderia representar uma oportunidade de excepção para que o Município assumisse um papel liderante na procura de soluções que pudessem contribuir para a viabilidade económico-financeira do Jardim.
No entanto, constata-se que a Proposta é, no essencial, omissa nesta matéria, não apresentado quaisquer soluções concretas susceptíveis de contribuir para a sua sustentabilidade.
V.
A Comissão sugere que as reflexões evidenciadas neste Parecer – digam elas respeito aos méritos da Proposta, ou aos aspectos em que a mesma é susceptível de crítica ou aperfeiçoamento – sejam objecto de amplo debate pelo Plenário da Assembleia Municipal
Na sequência e sem prejuízo do acima exposto, é parecer da Comissão Permanente para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal que a Proposta nº 452/2011 se encontra em condições de ser apreciada no Plenário da Assembleia Municipal de Lisboa.
O presente Parecer foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, do PCP, do CDS, do PPM e do Deputado Independente Filipe Lopes, e com a abstenção do PS.
Estiveram ausentes da reunião os representantes do BE, MPT e PEV.
Os Grupos Municipais presentes reservaram para o debate em Plenário a definição do seu sentido de voto.
Lisboa, 5 de Janeiro de 2012
O Presidente da Comissão
João Serra
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Manual de Crimes Urbanísticos
Eça de Queiroz escreveu na "A Cidade e as Serras" os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade". O que diria se fosse confrontado, na actualidade, com a progressiva desumanização a que as cidades do nosso país foram sujeitas por décadas de crimes urbanísticos? O presente manual, de extrema oportunidade, expõe de forma clara e objectiva, as principais causas da desorganização e desqualificação urbana - da incompetência técnica à corrupção e da demagogia política à especulação imobiliária. Enriquecido com ilustrações práticas, poderá ser um instrumento útil na consciencialização individual e colectiva dos cidadãos e no combate à passividade das comunidades perante os atentados ao património e à qualidade de vida nas nossas cidades. In Agenda Cultural da CML - Outubro de 2011
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domingo, 30 de outubro de 2011
O exemplo de Chicago: «A City Prepares for a Warm Long-Term Forecast»
CHICAGO — The Windy City is preparing for a heat wave — a permanent one.Climate scientists have told city planners that based on current trends, Chicago will feel more like Baton Rouge than a Northern metropolis before the end of this century.
So, Chicago is getting ready for a wetter, steamier future. Public alleyways are being repaved with materials that are permeable to water. The white oak, the state tree of Illinois, has been banned from city planting lists, and swamp oaks and sweet gum trees from the South have been given new priority. Thermal radar is being used to map the city’s hottest spots, which are then targets for pavement removal and the addition of vegetation to roofs. And air-conditioners are being considered for all 750 public schools, which until now have been heated but rarely cooled.
“Cities adapt or they go away,” said Aaron N. Durnbaugh, deputy commissioner of Chicago’s Department of Environment. “Climate change is happening in both real and dramatic ways, but also in slow, pervasive ways. We can handle it, but we do need to acknowledge it. We are on a 50-year cycle, but we need to get going.”
Across America and in Congress, the very existence of climate change continues to be challenged — especially by conservatives. The skeptics are supported by constituents wary of science and concerned about the economic impacts of stronger regulation. Yet even as the debate rages on, city and state planners are beginning to prepare.
The precise consequences of the increase of man-made greenhouse gases in the atmosphere are hard to determine, but scientists are predicting significant sea level rise; more extreme weather events like storms, tornadoes and blizzards; and, of course, much more heat. New York City, which is doing its own adaptation planning, is worried about flooding from the rising ocean. The Navy has a task force on climate change that says it should be preparing to police the equivalent of an extra sea as the Arctic ice melts.
Some of these events will occur in the near-enough term that local governments are under pressure to act. Insurance companies are applying pressure in high-risk areas, essentially saying adapt or pay higher premiums — especially in urban and commercial areas.
The reinsurance giant Swiss Re, for example, has said that if the shore communities of four Gulf Coast states choose not to implement adaptation strategies, they could see annual climate-change related damages jump 65 percent a year to $23 billion by 2030.
“Society needs to reduce its vulnerability to climate risks, and as long as they remain manageable, they remain insurable, which is our interest as well,” said Mark D. Way, head of Swiss Re’s sustainable development for the Americas.
Melissa Stults, the climate director for ICLEI USA, an association of local governments, said that many of the administrations she was dealing with were following a strategy of “discreetly integrating preparedness into traditional planning efforts.”
Second City First
Chicago is often called the Second City, but it is way out in front of most in terms of adaptation.
The effort began in 2006, under the mayor at the time, Richard M. Daley. He said he was inspired in part by the Kyoto international treaty for reducing carbon emissions, which took effect in 2005, and also by an aspiration to raise Chicago’s profile as an environmentally friendly town.
Chicago is often called the Second City, but it is way out in front of most in terms of adaptation.
The effort began in 2006, under the mayor at the time, Richard M. Daley. He said he was inspired in part by the Kyoto international treaty for reducing carbon emissions, which took effect in 2005, and also by an aspiration to raise Chicago’s profile as an environmentally friendly town.
As a first step, the city wanted to model how global warming might play out locally. Foundations, eager to get local governments moving, put up some money.
“There was real assumption that Chicago could be a model for other places,” said Adele Simmons, president of Global Philanthropy Partnership, a nonprofit group based in Chicago that helped bring in $700,000 at the early stages.
Climatologists took into account a century’s worth of historical observations of daily temperatures and precipitation from 15 Chicago-area weather stations as well as the effect of Lake Michigan in moderating extreme heat and cold to come up with a range of possibilities based on a higher and lower range of worldwide carbon emissions.
The forecasts, while not out of line with global predictions, shocked city planners.
If world carbon emissions continued apace, the scientists said, Chicago would have summers like the Deep South, with as many as 72 days over 90 degrees before the end of the century. For most of the 20th century, the city averaged fewer than 15.
By 2070, Chicago could expect 35 percent more precipitation in winter and spring, but 20 percent less in summer and fall. By then, the conditions would have changed enough to make the area’s plant hardiness zone akin to Birmingham, Ala.
But what would that mean in real-life consequences? A private risk assessment firm was hired, and the resulting report read like an urban disaster film minus Godzilla.
The city could see heat-related deaths reaching 1,200 a year. The increasing occurrences of freezes and thaws (the root of potholes) would cause billions of dollars’ worth of deterioration to building facades, bridges and roads. Termites, never previously able to withstand Chicago’s winters, would start gorging on wooden frames.
Armed with the forecasts, the city prioritized which adaptations would save the most money and would be the most feasible in the light of tight budgets and public skepticism.
“We put each of the priorities through a lens of political, economic and technical,” said Suzanne Malec-McKenna, the commissioner of Chicago’s Department of Environment. “What is it, if you will, that will pass the laugh test?”
Among the ideas rejected, Ms. Malec-McKenna said, were plans to immediately shut down local coal-powered energy plants — too much cost for too little payback.
For actions the city felt were necessary but not affordable, it got help again from a local institution, the Civic Consulting Alliance, a nonprofit organization that builds pro bono teams of business experts. In this case, the alliance convinced consulting firms to donate $14 million worth of hours to projects like designing an electric car infrastructure and planning how to move the city toward zero waste.
Mr. Daley embraced the project. He convened 20 city departments in 2010 and told them to weigh their planning dollars against the changes experts were predicting. The department heads continued to meet quarterly, and members of Mayor Rahm Emanuel’s administration have said he is committed to moving the goals of the plan forward, albeit with an added emphasis on “projects that accelerate jobs and economic development.”
Updating Infrastructure
Much of Chicago’s adaptation work is about transforming paved spaces. “Cities are hard spaces that trap water and heat,” said Janet L. Attarian, a director of streetscapes at the city’s Department of Transportation. “Alleys and streets account for 25 percent of groundcover, and closer to 40 percent when parking lots are included.”
Much of Chicago’s adaptation work is about transforming paved spaces. “Cities are hard spaces that trap water and heat,” said Janet L. Attarian, a director of streetscapes at the city’s Department of Transportation. “Alleys and streets account for 25 percent of groundcover, and closer to 40 percent when parking lots are included.”
The city’s 13,000 concrete alleyways were originally built without drainage and are a nightmare every time it rains. Storm water pours off the hard surfaces and routinely floods basements and renders low-lying roads and underpasses unusable.
To make matters worse, many of the pipes that handle storm overflow also handle raw sewage. After a very heavy rain, if overflow pipes become congested, sewage backs up into basements or is released with the rainwater into the Chicago River — an emergency response that has attracted the scrutiny of the Environmental Protection Agency.
As the region warms, Chicago is expecting more frequent and extreme storms. In the last three years, the city has had two intense storms classified as 100-year events.
So the work planned for a six-point intersection on the South Side with flooding and other issues is a prototype. The sidewalk in front of the high school on Cermak Road has been widened to include planting areas that are lower than the street surface. This not only encourages more pedestrian traffic, but also provides shade and landscaping. These will be filled with drought-resistant plants like butterfly weed and spartina grasses that sponge up excess water and help filter pollutants like de-icing salts. In some places, unabsorbed water will seep into storage tanks beneath the streets so it can be used later for watering plants or in new decorative fountains in front of the high school.
The bike lanes and parking spaces being added along the street are covered with permeable pavers, a weave of pavement that allows 80 percent of rainwater to filter through it to the ground below. Already 150 alleyways have been remade in this way.
The light-reflecting pavement is Chicago’s own mix and includes recycled tires. Rubbery additives help the asphalt expand in heat without buckling and to contract without cracking.
The new streets bring new challenges, of course. The permeable pavers have to be specially cleaned or they eventually become clogged with silt and lose effectiveness.
The new streets bring new challenges, of course. The permeable pavers have to be specially cleaned or they eventually become clogged with silt and lose effectiveness.
Still, the new construction is no more expensive than traditional costs, Ms. Attarian said. Transforming one alleyway costs about $150,000. But now, she said, “We can put a fire hose on it full blast and the water seeps right in.”
Reconsidering the Trees
Awareness of climate change has filled Chicago city planners with deep concern for the trees. Not only are they beautiful, said Ms. Malec-McKenna, herself trained as a horticulturalist, but their shade also provides immediate relief to urban heat islands. Trees improve air quality by absorbing carbon dioxide, and their leaves can keep 20 percent of an average rain from hitting the pavement.
Awareness of climate change has filled Chicago city planners with deep concern for the trees. Not only are they beautiful, said Ms. Malec-McKenna, herself trained as a horticulturalist, but their shade also provides immediate relief to urban heat islands. Trees improve air quality by absorbing carbon dioxide, and their leaves can keep 20 percent of an average rain from hitting the pavement.
Chicago spends over $10 million a year planting roughly 2,200 trees. From 1991 to 2008, the city added so many that officials estimate tree cover increased to 17.6 percent from 11 percent. The goal is to exceed 23 percent this decade.
The problem is that for trees to reach their expected lifespan — up to 90 years — they have to be able to endure hotter conditions. Chicago has already changed from one growing zone to another in the last 30 years, and it expects to change several times again by 2070.
Knowing this, planners asked experts at the city’s botanical garden and Morton Arboretum to evaluate their planting list. They were told to remove six of the most common tree species.
Off came the ash trees that account for 17 percent of Chicago tree cover, or more than any other tree. Gone, too, are the enormous Norway maples, which provide the most amount of shade.
A warming climate will make them more susceptible to plagues like emerald ash disease. Already white oak, the state tree of Illinois, is on the decline and, like several species of conifer, is expected to be extinct from the region within decades.
So Chicago is turning to swamp white oaks and bald cypress. It is like the rest of adaptation strategy, Ms. Malec-McKenna explains: “A constant ongoing process to make sure we are as resilient as we can be in facing the future.”
in NEW YORK TIMES, 22 de Maio de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
Avenidas Novas: «A sistemática destruição das árvores dos quintais»
Arq. Gonçalo Ribeiro Telles
in A Árvore em Portugal
Foto: Parece que estas sábias observações têm caído, na maior parte das vezes, em saco roto... Logradouro 100% impermeabilizado para a construção de caves de estacionamento na Av. Duque de Loulé, 86-88-90.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
«Intervenções no Parque Mayer não põem em risco o Jardim Botânico»
«Estudo conclui que as construções previstas para aquela zona não vão afectar o escoamento do jardim nem a permeabilidade dos logradouros
O estudo hidrogeológico encomendado pela Universidade de Lisboa e pela câmara para a área afecta ao Plano de Pormenor do Parque Mayer conclui que as intervenções previstas para a zona não vão ter impactos negativos no equilíbrio ecológico do Jardim Botânico. De acordo com o estudo, "as construções previstas para a zona do Parque Mayer, tal como preconizado no respectivo plano de pormenor, não afectarão com significância o escoamento natural definido para o Jardim Botânico". Isto porque, lê-se no documento, no jardim "não foi reconhecido um aquífero na verdadeira acepção do termo hidrogeológico". "Tivemos o máximo dos cuidados a fazer o plano e este estudo só veio confirmar isso", disse ontem o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, à margem da reunião da assembleia municipal. A versão final do plano vai ser hoje discutida em reunião de câmara.
"Dormir descansados"
"Os amigos do Jardim Botânico e o Fórum Cidadania Lisboa podem dormir descansados", afirmou, referindo-se aos movimentos que criticaram as intervenções propostas no plano de pormenor. Estes movimentos, que em 2010 lançaram uma petição a exigir a revisão do plano, sugeriam a criação de um mecanismo de perequação, através do qual todos os proprietários dentro da área do plano deveriam partilhar os custos e os benefícios pela requalificação do jardim. A sugestão não foi, porém, acolhida. "O mecanismo da perequação não faz sentido aqui", afirmou o vereador. Manuel Salgado garantiu que 30 por cento do acréscimo de imposto municipal sobre imóveis que resulte da reavaliação patrimonial dos prédios na zona envolvente vai reverter para a manutenção do jardim. O PÚBLICO tentou contactar a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e o Fórum Cidadania Lisboa sem sucesso. Sobre a permeabilidade dos logradouros, outra das questões apontadas pelos contestatários, um documento da autarquia esclarece que numa das áreas de intervenção a área de logradouro impermeável não ultrapassará os 20 por cento e nas restantes unidades será obrigatório prever poços de infiltração. O estudo hidrogeológico refere também que a área fortemente impermeabilizada "é diminuta ou quase nula". Quanto ao muro de suporte do Jardim Botânico, outro estudo conclui que o muro está estável, mas recomenda que seja monitorizado de seis em seis meses e durante um ano. » In Público (20/7/2011) Marisa Soares
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domingo, 29 de maio de 2011
Solos europeus perdem anualmente para o betão e asfalto, superfície do tamanho de Berlim
A expansão das cidades e das estradas – que impermeabiliza os solos - “compromete o legado de solos férteis e de aquíferos subterrâneos a deixar às gerações vindouras”, alerta hoje a Comissão Europeia em comunicado. De 1990 a 2000 perderam-se por dia na União Europeia 275 hectares de solos, o que representa mil quilómetros quadrados por ano. Metade desses solos está definitivamente impermeabilizada por edifícios, estradas e parques de estacionamento.
Esta tendência baixou para 252 hectares por dia nos últimos anos, segundo um relatório da Comissão apresentado hoje. Ainda assim, a taxa de perda de solos continua a ser preocupante. Entre 2000 e 2006, o aumento médio das superfícies artificiais na União Europeia foi de três por cento, tendo atingido 14 por cento na Irlanda e em Chipre e 15 por cento em Espanha.
Em Portugal, os autores do relatório sublinham que a expansão urbana massiva aconteceu, sobretudo a partir de 1990. O documento salienta a rede de estradas, “entre as mais densas da Europa, com o maior número de quilómetro por habitante e área”. As áreas mais afectadas pela impermeabilização ficam no litoral e nas regiões de Lisboa, Setúbal e Porto. No Algarve, o documento lembra que 30 por cento das habitações são casas de férias.
O relatório recomenda uma intervenção a três níveis: redução da impermeabilização do solo através de um melhor ordenamento, atenuação dos efeitos da impermeabilização – como por exemplo através da construção de coberturas verdes - e compensação da perda de solos de qualidade por acções noutras áreas.
“Dependemos dos solos para alguns serviços ecossistémicos fundamentais, sem os quais a vida na Terra desapareceria. Não podemos continuar a perder solos pavimentando-os ou construindo sobre eles. Tal não significa parar o crescimento económico ou deixar de melhorar as nossas infra-estruturas, mas exige maior sustentabilidade”, disse o comissário europeu para o Ambiente, Janez Potočnik.
Os resultados deste relatório serão incorporados num documento técnico da Comissão no domínio da impermeabilização do solo, que está a ser elaborado com a colaboração de peritos nacionais. O documento facultará às autoridades nacionais, regionais e locais orientações sobre boas práticas de redução da impermeabilização do solo e de atenuação dos seus efeitos, prevendo se que esteja concluído no início de 2012.
“A impermeabilização dos solos provoca a perda irreversível das funções biológicas do solo. Como a água não se pode infiltrar nem evaporar, aumenta a escorrência, originando por vezes inundações catastróficas. A paisagem fragmenta se e os habitats tornam-se demasiado pequenos ou demasiado isolados para sustentar determinadas espécies. Além disso, o potencial de produção alimentar das terras é perdido para sempre”, explica a Comissão. Segundo as estimativas do Centro Comum de Investigação da Comissão, a impermeabilização dos solos acarreta a perda anual de 4 milhões de toneladas de trigo.
23.05.2011 in "Público"
Foto: Av. Duque de Loulé 86-96 - mais um grave exemplo de impermabilização total de um logradouro autorizada pela CML. Isto não é sustentável!
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terça-feira, 12 de abril de 2011
LAJB pede alargamento do periodo de discussão pública do PDM
Dr. António Costa,
No âmbito da revisão do Plano Director Municipal de Lisboa (PDM) abriu no passado dia 7 de Abril um periodo de consulta pública com a duração de 30 dias. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), enquanto associação cívica, deseja contribuir para a versão final do mais importante documento de planeamento da nossa cidade.
No entanto, e face à complexidade e volume do documento posto em discussão, consideramos insuficiente o prazo de apenas 30 dias úteis para a participação dos cidadãos. Os Planos de Pormenor, com áreas e documentos mais pequenos, recebem 30 dias úteis para discussão pública. Notamos uma grande desproporção do tempo destinado à participação pública do PDM quando comparado com um Plano de Pormenor.
Vimos assim solicitar que considere o alargamento do periodo de discussão pública para pelo menos o dobro do tempo que é habitualmente destinado a um Plano de Pormenor. O alargamento do prazo de consulta pública deve ser dimensionado à escala, complexidade e importância do novo PDM. Estamos conscientes que o actual PDM está obsoleto e que a sua revisão já devia ter sido feita em 2004. Mas pensamos que é unânime que a fase de discussão pública não pode ser abreviada sob pena da visão dos habitantes de Lisboa não conseguir esculpir o seu próximo PDM.
Com os nossos melhores cumprimentos,
LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
Foto: Prédio oitocentista com logradouro na Rua de Gustavo de Matos Sequeira. A nova "Carta Municipal do Património", anexa ao próximo PDM, é um dos aspectos para os quais a LAJB estará atenta. Outro tema de enorme importância é a do futuro dos logradouros - não teremos uma urbe sustentável enquanto Lisboa for a capital da Europa com maior área impermeabilizada. O que propõe o novo PDM para reverter esta trágica estatística?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
PDM: «Futuro de Lisboa está em discussão pública a partir de hoje»
O documento de hoje já não é o mesmo que, em Outubro do ano passado, causou arrepios ao arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, que considerou "uma anedota em termos de planeamento" a ideia inicial de facilitar a construção nos logradouros lisboetas. Meio ano depois, a proposta de revisão está diferente. Não mudou nem de filosofia nem revolucionou as ferramentas, e manteve os objectivos estratégicos. Mas teve em conta os 31 pareceres legalmente previstos - 15 deles apontaram a necessidade de mexer na proposta inicial.
Houve uma reviravolta na questão dos logradouros, mas continuam no ar dúvidas e preocupações, como as que a própria vereadora Helena Roseta, do movimento Cidadãos por Lisboa, expressou, quando pôs em causa o modelo de compactação da cidade, que permite aumentar a capacidade construtiva nas áreas consolidadas. "Tenho dúvidas sobre esse modelo. Aceitá-lo-ia se houvesse contrapartidas ao nível da reabilitação urbana, mas não é isso o que vejo", disse Roseta, em Novembro.
Manuel Salgado, arquitecto e vice-presidente da câmara, deu a cara pela primeira versão da proposta de actualização do PDM, aprovada em Novembro pelo PS e PSD no executivo (um vereador "laranja" absteve-se) e continua a defender aquela que passou por reuniões de concertações com as 15 entidades que levantaram questões em relação à versão inicial. Salgado continua a defender o sistema de créditos que a proposta prevê considerando que "é inovador mesmo a nível internacional".
Créditos para recuperar
O também vereador do Urbanismo abriu mão de uma promessa eleitoral de peso: obrigar os promotores imobiliários a reservar uma parcela dos seus empreendimentos para habitação a custos controlados. Agora quer convencê-los a aderir a um sistema de créditos. "Se o promotor reabilitar um edifício antigo e se, depois das obras, mantiver lá a morar todos os agregados familiares que anteriormente lá residiam, tem direito a créditos para construir noutro lado." Isso significa que pode, nesse segundo local, urbanizar para além do que lhe seria permitido: numa zona da cidade onde o índice de construção de referência - ou seja, o quociente entre a área de construção e a dimensão do terreno - é de 1,7, por exemplo, passa a poder construir até um máximo de 2.
Os créditos para construir variam consoante a zona da cidade - "um crédito gerado na Av. da Liberdade não tem o mesmo valor do que um gerado na Ameixoeira" - e não se restringem à habitação. "Se o promotor imobiliário fizer três caves para estacionamento num edifício onde só é obrigado a construir duas, e se reservar a terceira cave para estacionamento público com tarifas idênticas às praticadas pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, também tem direito a um crédito", frisa Manuel Salgado. "O mesmo acontecerá se transformar um quarteirão com uma fabriqueta no meio num logradouro de uso público. Ou se restaurar um edifício que está integrado na carta municipal do património sem subir a cércea [altura]". Dotar os empreendimentos imobiliários de equipamentos sociais, como creches ou lares, também dará direito a créditos, o mesmo sucedendo com o reforço da segurança sísmica ou com a manutenção de lojas de comércio tradicional durante obras de restauro de um imóvel.
"Tudo o que pudermos fazer através de incentivos, em vez de imposições, tornar-se-á mais eficaz. Se assim fosse, parte dos edifícios da carta do património não estaria no estado degradado em que se encontra". E acrescenta: "Tenho andado a estudar o que se faz no Japão, na Holanda e noutros países, e este é um regulamento muito inovador". É, também, um dos principais pontos de discórdia com os partidos da oposição. A medida apenas beneficia os grandes construtores, dizem os comunistas. "Se a maioria das pessoas rejeitar este sistema, não terei outro remédio senão meter a viola no saco".
Contrariado, o vereador do Urbanismo também teve de ceder na questão dos logradouros. "Os logradouros de Alvalade, do bairro Lopes e da colina do Castelo ficaram todos defendidos, e isso acho bem. Mas noutros casos foi-se demasiado longe, ao fixar num máximo de dez por cento a área impermeabilizável. Uma regra cega como esta é errada, porque as pessoas têm direito a ter carro. Também é importante ter estacionamento para residentes na cidade".
Preencher o que está vazio
Quanto à possibilidade de a câmara construir silos automóveis, Manuel Salgado fala das dificuldades de o fazer nas zonas históricas: "Há poucos edifícios de grande porte e parte dos que existem não pode ser demolida porque tem valor patrimonial". O autarca rejeita as críticas que lhe têm sido feitas de que este PDM irá servir para expulsar os mais pobres para os subúrbios, por via do licenciamento de obras de reabilitação que aumentarão necessariamente o valor das rendas: "É exactamente o contrário", assegura.
"Vamos procurar ter habitação a custos acessíveis. Um T2 pode vir a custar entre 400 e 500 euros por mês, consoante a zona". O cenário nunca foi tão propício à recuperação das casas antigas: "Noventa por cento das obras licenciadas pela câmara já são de reabilitação urbana". Numa altura em que "82 por cento da cidade estão urbanizados", o objectivo é recuperar o que já está construído "e preencher o que está vazio" nos espaços urbanizados.» In Público (7/4/2011)
Nota: para a LAJB o grande equívoco do Vereador do Urbanismo/CML é a defesa que fazem de uma cidade em que cada municipe tem/terá o direito a uma viatura de transporte particular assim como a um lugar de estacionamento. Se os logradouros de Lisboa estão em perigo de extinção é apenas devido à perseguição obessesiva deste ideal insustentável e obsoleto.
Foto: O fim dos logradouros em Lisboa? Em primeiro plano vemos um antigo logradouro impermeabilizado para a construção de caves de estacionamento (a relva que vemos é só para disfarçar a laje de betão da cobertura da garagem); em segundo plano, atrás do muro branco, vemos logradouros originais, ainda permeáveis e repletos de plantas. Este PDM irá decidir qual destes dois modelos ficará consagrado para o futuro.
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