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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Mais uma palmeira morta no Jardim Botânico: Brahea armata

















Mais uma palmeira morta pelo escaravelho-vermelho. Este exemplar era uma Brahea armata e estava na Classe, junto das estufas. Até à presente data o Jardim Botânico já perdeu 10 exemplares de palmeiras.

Mesmo atrás desta palmeira morta vemos uma grua de mais uma obra de demolição integral de interiores de um imóvel do séc. XIX - esta obra vai impermeabilizar uma grande parte do logradouro que confina directamente com a cerca do Jardim Botânico. A LAJB consultou o projecto e verificámos que o pedido que o proprietário fez à CML para avançar com o edifício sobre a área do jardim foi aprovada. Justificação? Para caberem mais uns carros na garagem... Este imóvel está localizado na Rua Nova de S. Mamede 62 a 68.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

OP: POR UM JARDIM NO CARACOL DA PENHA!

















A votação para o Orçamento Participativo de Lisboa já começou e decorre até 20 de Novembro. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico de Lisboa apoia a proposta nº 180 para a criação de um novo jardim no Caracol da Penha, em terrenos municipais. É muito fácil votar, não deixe de participar na concretização deste sonho! Agradecemos a divulgação! Precisamos de todos os votos possíveis! Lisboa vai ter mais um jardim público!
 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Plameiras de Lisboa a morrer: Rua do Salitre

Palmeira das Canárias morta pelo "escaravelho vermelho" num logradouro da Rua do Salitre, confinante com o nosso Jardim Botânico. 

sábado, 27 de abril de 2013

Visita Guiada ao Antigo Convento de Nossa Senhora da Encarnação em Lisboa


Visita Guiada ao Antigo Convento de Nossa Senhora da Encarnação em Lisboa

DATA: 28 de Abril - 10H (Largo do Convento da Encarnação, Lisboa)

GUIA: Historiador Anísio Franco

INSCRIÇÃO: amigosdobotanico@gmail.com

Organização da Liga dos Amigos do Jardim Botânico - LAJB

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Visita Guiada ao Antigo Convento de Nossa Senhora da Encarnação em Lisboa


DATA: 28 de Abril - 10H (Largo do Convento da Encarnação)
GUIA: Historiador Anísio Franco
ORGANIZAÇÂO: Liga dos Amigos do Jardim Botânico

O Convento de Nossa Senhora da Encarnação foi construído no reinado de Filipe II de Portugal, na sequência da disposição testamentária da Infanta D. Maria (1521-1577), filha de D. Manuel I, em criar um Covento em Lisboa da Ordem de São Bento, sob a invocação de Nossa Senhora da Encarnação, «em sítio que melhor conviesse».

A Infanta D. Maria foi, segundo as crónicas, formosa, muito culta, protectora das Artes e riquíssima - chegou a ser a mulher mais rica de Portugal e uma das mais ricas da Europa graças à grande fortuna que a mãe lhe deixou por via do seu segundo casamento com o monarca francês. Mas o cumprimento do seu testamento só se realizou 40 anos mais tarde com a primeira Prelada, ou Comendadeira Mestra, eleita pelo Rei, a prestar juramento a 5 de Agosto de 1617. Foram comprados terrenos para edificar o novo convento a D. Aleixo de Menezes, grande proprietário da encosta de Sant'Ana. O novo edifício encostava-se à muralha da Cerca Fernandina, ficando uma das torres a servir de mirante como hoje ainda. A inauguração foi no dia 15 de Setembro de 1630. Havia 25 freiras professas, comendadeiras de nomeação régia, sendo as restantes 37 religiosas «moças de côro». Também se recolhiam no convento viúvas de militares ou senhoras cujos maridos andavam em guerra. 

Um incêndio em 1734 queimou parte do edifício mas o Rei D. João V ordenou logo obras de remodelação com certa largueza. O terramoto de 1755 castigou o conjunto mas em 1758 já estavam executadas as reparações necessárias e as «nobilíssimas religiosas» voltaram a sua casa em coches que o Rei D. José I pôs à disposição. Depois de 1834 foram realizadas algumas readaptações funcionais dos espaços conventuais. A antiga igreja, cujo portal principal ostenta ainda as pedras de armas da Infanta D. Maria, é a parte conventual onde as reformas dos reinados de D. João V e de D. José I melhor se fazem sentir. Datam da primeira metade do século XVIII os azulejos azuis e brancos característicos do Ciclo dos Grandes Mestres lisboetas, o retábulo-mor, onde interveio João Frederico Ludwig e as pinturas da capela-mor. Da campanha pós-terramoto são as pinturas atribuídas a André Gonçalves ou oficina e parte da nova estrutura arquitectonica do Convento.

O carácter de Recolhimento de Senhoras é o que ainda hoje perdura na instituição, actualmente com gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Na visita da LAJB teremos o privilégio de ver a igreja, antigo lugar de cerimónias religiosas de grande fausto realengo, com os belíssimos «Coro de Cima» e «Coro de Baixo» e que constitui raro conjunto sobrevivente da Lisboa pré terramoto de 1755. Visitaremos a Portaria, escadaria nobre, corredores conventuais e o Claustro com as suas formosas capelinhas e oratórios. Vamos ainda ver a antiga Cerca com seu Laranjal, surpreendente espaço poético em pleno centro da cidade histórica.

Imóvel de Interesse Público (decreto nº 2/96, DR, I Série-B, nº 56, de 6-03-1996)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Árvores e a Cidade: plátano decepado

Imagem de mais uma vítima de poda violenta e incorrecta: um plátano que dava sombra ao logradouro nas traseiras da Igreja de São Domingos foi recentemente decepado.
 
Este crime contra as árvores aconteceu bem no centro de Lisboa, na Baixa, no cruzamento da Rua de Barros Queiroz e Rua da Palma. Faz muita falta uma pedagogia de boas práticas de arboricultura. Não podemos continuar a fazer isto às nossas árvores!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PATRIMÓNIO: Um projecto que contempla a morte de uma Árvore


No dia 19 de Março de 2012 a Associação Lisboa Verde escreveu à Autoridade Florestal Nacional a pedir a classificação de uma árvore num logradouro de um palácio no Torel em Lisboa. Esta foi a resposta recebida (ver documento original em anexo) e que nos faz pensar no futuro incerto dos logradouros/jardins em volta do nosso Jardim Botânico. Com processos muitas vezes mal instruídos pela CML e IGESPAR, os interesses dos promotores imobiliários acabam, facilmente, por se sobrepor ao interesse público. Parece que em Lisboa as árvores, o nosso património natural, é que se tem de «adaptar» aos projectos imobiliários e não o contrário. A leitura atenta desta carta dispensa mais comentários:


Ministério da Agricultura, Mar Ambiente e Ordenamento do Território
Autoridade Florestal Nacional

Data: 25 de Julho de 2012

Assunto: Indeferimento de pedido de classificação de Interesse Público de um Cipreste

Local: Palácio Silva Amado
Freguesia: Pena
Concelho: Lisboa

No seguimento do pedido de classificação de interesse público de uma árvore da espécie Cupressus sempervirens L., vulgarmente conhecida por cipreste, existente no local acima indicado, a após vista ao local constatou-se:

- O edifício é um antigo Chalet que está devoluto e completamente fechado, existindo no pátio um cipreste que, lamentamos informar, não vamos proceder à respectiva classificação de Interesse Público, uma vez que estão a decorrer obras de requalificação do espaço, cuja operação urbanística foi já aprovada pela CML e pelo IGESPAR.

- Qualquer plano para a salvaguarda desta árvore teria que passar por uma alteração ao projecto (já aprovado) o que traria consequências judiciais e monetárias muito elevadas a pagar ao promotor da obra.

- Foi constatado ainda que no decorrer das obras foi injectado betão no subsolo junto à árvore encontrando-se esta a viver com dificuldade. Foi-nos referido que a obra contempla o arranjo paisagístico do exterior com a colocação de outras árvores que se vão adaptar melhor ao espaço.

Os nossos cumprimentos,

O Director da Unidade de Defesa da Floresta

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CRITICAL: LISBON. FALAR À CIDADE, FALAR COM A CIDADE (16 a 21 Julho)




Workshop coordenado por Lev Bratishenko, Frederico Duarte e Becky Quintal (inserido no programa Distância Crítica da Trienal de Arquitectura de Lisboa)

CRITICAL: Lisbon é um workshop de uma semana dedicado à expressão, discussão, escrita e publicação crítica sobre arquitetura. Concebido como um projeto editorial especulativo, este workshop confronta a noção de que o arquiteto e o público operam em universos ideologicamente díspares na sua procura e desejo comuns de melhorar a cidade.
 
Tomando a cidade de Lisboa como base de trabalho e inspiração, serão explorados os desafios e obstáculos que os críticos de arquitetura devem enfrentar, mas também as estratégias, táticas e ferramentas que utilizam para os ultrapassar.
 
No workshop serão analisados os muitos meios e mensagens disponíveis aos críticos de hoje: desde ensaios, vídeos, artigos de opinião, fotografias, entrevistas com arquitetos e outros agentes-chave da cidade até recensões descritivas de edifícios ou controvérsias atuais sobre espaços públicos. 
 
Este workshop destina-se a estudantes e jovens profissionais interessados em questões de design, arquitetura e assuntos urbanos. Os candidatos a participantes devem ter o desejo de exercitar e difundir as suas observações, análise e opinião junto de um determinado público, dos seus pares ao público em geral.
 
Aspetos práticos:
- O idioma de trabalho do workshop é o inglês. 
- Cada participante deve trazer o seu próprio caderno e material de escrita, computador portátil e máquina fotográfica ou câmara de vídeo digitais.
 
Horário do workshop: 09h30 - 18h00
Local do workshop: Sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa, Palácio Sinel de Cordes, Campo de Santa Clara, 142-145, 1100-474 Lisboa


FOTO: demolição integral de imóvel na R. do Monte Olivete, em zona histórica consolidada.


terça-feira, 8 de maio de 2012

As Árvores e os Livros: Mary Hewitt

Yes, in the poor man's garden grow

Far more than herbs and flowers -

Kind thoughts, contentment, peace of mind,

And joy for weary hours.


Mary Elizabeth Hewitt (1807-1884) poeta americana nascida em Malden, Massachusetts.

Foto: quintal cultivado na Colina do Castelo em Lisboa

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cipreste em risco no Palácio Silva Amado na Travessa do Torel?

Exmo Vereador do Espaço Público e Espaços Verdes

Lisboa, 12 de Março de 2012

Exmo. Sr. Vereador,

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) vem por este meio chamar atenção para uma notável árvore que poderá estar em risco no pátio do antigo Palácio Silva Amado na Travessa do Torel, Freguesia da Pena.

Recentemente deu-se início a uma grande operação urbanística neste palácio e, porque já é quase regra nestas situações, receamos que o dono da obra não tenha acautelado a protecção desta árvore. Estará este cipreste fisicamente protegido contra as actividades agressivas de uma obra desta natureza (grandes demolições em curso)?

Por último, receamos que a árvore seja abatida - atitude cada vez mais corrente, como infelizmente temos observado, em tantos outros logradouros de Lisboa quando o seu coberto vegetal é destruído para impermeabilização e abertura de caves de estacionamento.

Solicitamos assim que nos esclareça se os nossos receios são infundados e se este cipreste está protegido pelo PDM, sendo cuidadosamente integrado no projecto arquitectonico em desenvolvimento.

Enviamos em anexo imagens que mostram como esta árvore é um marco naquela zona urbana antiga de Lisboa.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

CC: Assembleia Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia da Pena, Associação Lisboa Verde, Quercus Lisboa, Fórum Cidadania Lx

domingo, 25 de setembro de 2011

Avenidas Novas: «A sistemática destruição das árvores dos quintais»

«Os logradouros interiores dos quarteirões de Lisboa constituíram pulmões verdes e áreas de inflitracção das águas, de grande importância na sustentabilidade ecológica e estabilidade da cidade. A sistemática destruição das árvores dos quintais constitui um grave erro urbanístico.»

Arq. Gonçalo Ribeiro Telles

in A Árvore em Portugal

Foto: Parece que estas sábias observações têm caído, na maior parte das vezes, em saco roto... Logradouro 100% impermeabilizado para a construção de caves de estacionamento na Av. Duque de Loulé, 86-88-90.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Logradouro na Av. Duque de Loulé 86-96: 100% Impermeabilizado!

Av. Duque de Loulé 86-96 torneja R. Luciano Cordeiro 117

A imagem mostra mais um terrível exemplo de impermeabilização de logradouros em Lisboa. Até ao ano de 2010 existiu aqui um conjunto de três jardins, parte integrante de um dos mais notáveis conjuntos da Arquitectura do início do séc. XX em Lisboa. Os 3 prédios de habitação foram erguidos em 1908 e constituiram na altura o paradigma da habitação de luxo para a alta burguesia lisboeta. Apesar do seu elevado valor patrimonial, e dos pedidos por parte de cidadãos, o IGESPAR recusou em 2010 a sua classificação como "Imóvel de Interesse Público". Os imóveis ficaram deste modo sem protecção legal por parte do organismo estatal reponsável pela salvaguarda do património cultural. Apenas o PDM de Lisboa identifica este conjunto na carta do património da cidade. Mas isso não impediu que o Pelouro do Urbanismo aprovasse a destruição total dos 3 logradouros como se vê pela imagem (Fevereiro de 2011). Para se construir caves de estacionamento, a CML aprovou 100% de impermeabilização dos logradouros. É lamentável que a CML continue a premiar projectos que ainda assentam em estilos de vida insustentáveis. Assim Lisboa estará sempre na cauda da Europa.

terça-feira, 12 de abril de 2011

LAJB pede alargamento do periodo de discussão pública do PDM

Exmo. Senhor Presidente da CML

Dr. António Costa,

No âmbito da revisão do Plano Director Municipal de Lisboa (PDM) abriu no passado dia 7 de Abril um periodo de consulta pública com a duração de 30 dias. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), enquanto associação cívica, deseja contribuir para a versão final do mais importante documento de planeamento da nossa cidade.

No entanto, e face à complexidade e volume do documento posto em discussão, consideramos insuficiente o prazo de apenas 30 dias úteis para a participação dos cidadãos. Os Planos de Pormenor, com áreas e documentos mais pequenos, recebem 30 dias úteis para discussão pública. Notamos uma grande desproporção do tempo destinado à participação pública do PDM quando comparado com um Plano de Pormenor.

Vimos assim solicitar que considere o alargamento do periodo de discussão pública para pelo menos o dobro do tempo que é habitualmente destinado a um Plano de Pormenor. O alargamento do prazo de consulta pública deve ser dimensionado à escala, complexidade e importância do novo PDM. Estamos conscientes que o actual PDM está obsoleto e que a sua revisão já devia ter sido feita em 2004. Mas pensamos que é unânime que a fase de discussão pública não pode ser abreviada sob pena da visão dos habitantes de Lisboa não conseguir esculpir o seu próximo PDM.

Com os nossos melhores cumprimentos,

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO

Foto: Prédio oitocentista com logradouro na Rua de Gustavo de Matos Sequeira. A nova "Carta Municipal do Património", anexa ao próximo PDM, é um dos aspectos para os quais a LAJB estará atenta. Outro tema de enorme importância é a do futuro dos logradouros - não teremos uma urbe sustentável enquanto Lisboa for a capital da Europa com maior área impermeabilizada. O que propõe o novo PDM para reverter esta trágica estatística?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PDM: «Futuro de Lisboa está em discussão pública a partir de hoje»

«O que querem os lisboetas para a sua cidade, quais devem ser as prioridades urbanísticas? Quem tem respostas ou até perguntas para acrescentar a estas tem, a partir de hoje, oportunidade de pôr as cartas em cima da mesa. Dezasseis anos depois, a capital portuguesa volta a discutir o seu Plano Director Municipal (PDM), cuja proposta de revisão já passou pela câmara e está, desde hoje, em debate público. A cidade continua a desenvolver-se segundo o PDM de 1994

O documento de hoje já não é o mesmo que, em Outubro do ano passado, causou arrepios ao arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, que considerou "uma anedota em termos de planeamento" a ideia inicial de facilitar a construção nos logradouros lisboetas. Meio ano depois, a proposta de revisão está diferente. Não mudou nem de filosofia nem revolucionou as ferramentas, e manteve os objectivos estratégicos. Mas teve em conta os 31 pareceres legalmente previstos - 15 deles apontaram a necessidade de mexer na proposta inicial.

Houve uma reviravolta na questão dos logradouros, mas continuam no ar dúvidas e preocupações, como as que a própria vereadora Helena Roseta, do movimento Cidadãos por Lisboa, expressou, quando pôs em causa o modelo de compactação da cidade, que permite aumentar a capacidade construtiva nas áreas consolidadas. "Tenho dúvidas sobre esse modelo. Aceitá-lo-ia se houvesse contrapartidas ao nível da reabilitação urbana, mas não é isso o que vejo", disse Roseta, em Novembro.

Manuel Salgado, arquitecto e vice-presidente da câmara, deu a cara pela primeira versão da proposta de actualização do PDM, aprovada em Novembro pelo PS e PSD no executivo (um vereador "laranja" absteve-se) e continua a defender aquela que passou por reuniões de concertações com as 15 entidades que levantaram questões em relação à versão inicial. Salgado continua a defender o sistema de créditos que a proposta prevê considerando que "é inovador mesmo a nível internacional".

Créditos para recuperar

O também vereador do Urbanismo abriu mão de uma promessa eleitoral de peso: obrigar os promotores imobiliários a reservar uma parcela dos seus empreendimentos para habitação a custos controlados. Agora quer convencê-los a aderir a um sistema de créditos. "Se o promotor reabilitar um edifício antigo e se, depois das obras, mantiver lá a morar todos os agregados familiares que anteriormente lá residiam, tem direito a créditos para construir noutro lado." Isso significa que pode, nesse segundo local, urbanizar para além do que lhe seria permitido: numa zona da cidade onde o índice de construção de referência - ou seja, o quociente entre a área de construção e a dimensão do terreno - é de 1,7, por exemplo, passa a poder construir até um máximo de 2.

Os créditos para construir variam consoante a zona da cidade - "um crédito gerado na Av. da Liberdade não tem o mesmo valor do que um gerado na Ameixoeira" - e não se restringem à habitação. "Se o promotor imobiliário fizer três caves para estacionamento num edifício onde só é obrigado a construir duas, e se reservar a terceira cave para estacionamento público com tarifas idênticas às praticadas pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, também tem direito a um crédito", frisa Manuel Salgado. "O mesmo acontecerá se transformar um quarteirão com uma fabriqueta no meio num logradouro de uso público. Ou se restaurar um edifício que está integrado na carta municipal do património sem subir a cércea [altura]". Dotar os empreendimentos imobiliários de equipamentos sociais, como creches ou lares, também dará direito a créditos, o mesmo sucedendo com o reforço da segurança sísmica ou com a manutenção de lojas de comércio tradicional durante obras de restauro de um imóvel.

"Tudo o que pudermos fazer através de incentivos, em vez de imposições, tornar-se-á mais eficaz. Se assim fosse, parte dos edifícios da carta do património não estaria no estado degradado em que se encontra". E acrescenta: "Tenho andado a estudar o que se faz no Japão, na Holanda e noutros países, e este é um regulamento muito inovador". É, também, um dos principais pontos de discórdia com os partidos da oposição. A medida apenas beneficia os grandes construtores, dizem os comunistas. "Se a maioria das pessoas rejeitar este sistema, não terei outro remédio senão meter a viola no saco".

Contrariado, o vereador do Urbanismo também teve de ceder na questão dos logradouros. "Os logradouros de Alvalade, do bairro Lopes e da colina do Castelo ficaram todos defendidos, e isso acho bem. Mas noutros casos foi-se demasiado longe, ao fixar num máximo de dez por cento a área impermeabilizável. Uma regra cega como esta é errada, porque as pessoas têm direito a ter carro. Também é importante ter estacionamento para residentes na cidade".

Preencher o que está vazio

Quanto à possibilidade de a câmara construir silos automóveis, Manuel Salgado fala das dificuldades de o fazer nas zonas históricas: "Há poucos edifícios de grande porte e parte dos que existem não pode ser demolida porque tem valor patrimonial". O autarca rejeita as críticas que lhe têm sido feitas de que este PDM irá servir para expulsar os mais pobres para os subúrbios, por via do licenciamento de obras de reabilitação que aumentarão necessariamente o valor das rendas: "É exactamente o contrário", assegura.

"Vamos procurar ter habitação a custos acessíveis. Um T2 pode vir a custar entre 400 e 500 euros por mês, consoante a zona". O cenário nunca foi tão propício à recuperação das casas antigas: "Noventa por cento das obras licenciadas pela câmara já são de reabilitação urbana". Numa altura em que "82 por cento da cidade estão urbanizados", o objectivo é recuperar o que já está construído "e preencher o que está vazio" nos espaços urbanizados.» In Público (7/4/2011)

Nota: para a LAJB o grande equívoco do Vereador do Urbanismo/CML é a defesa que fazem de uma cidade em que cada municipe tem/terá o direito a uma viatura de transporte particular assim como a um lugar de estacionamento. Se os logradouros de Lisboa estão em perigo de extinção é apenas devido à perseguição obessesiva deste ideal insustentável e obsoleto.

Foto: O fim dos logradouros em Lisboa? Em primeiro plano vemos um antigo logradouro impermeabilizado para a construção de caves de estacionamento (a relva que vemos é só para disfarçar a laje de betão da cobertura da garagem); em segundo plano, atrás do muro branco, vemos logradouros originais, ainda permeáveis e repletos de plantas. Este PDM irá decidir qual destes dois modelos ficará consagrado para o futuro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

CCDR preocupada com logradouros de Lisboa

«A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo considera que a proposta de Plano Director Municipal da capital não assegura na totalidade os objectivos de salvaguarda dos logradouros e sugere que a autarquia clarifique algumas situações.

A CCDR aponta sobretudo as excepções previstas na proposta de Plano Director Municipal (PDM), que permitem a "ocupação significativa" dos logradouros, considerando que, em certa medida, "contradizem os princípios de salvaguarda das áreas permeáveis" e "interferem com a concretização da Estrutura Ecológica Municipal".

O parecer final da comissão de acompanhamento da revisão do PDM de Lisboa, da qual fazem parte mais de 30 entidades, entre elas a CCDR, foi elaborado na semana passada. O parecer foi globalmente favorável, condicionado a um conjunto de correcções e rectificações, tendo a comissão de acompanhamento recomendado à câmara que realize "reuniões de concertação com as entidades que formularam objecções".

Uma dessas entidades foi a CCDR, que alertou para o facto de a proposta de PDM permitir "novas intervenções" ao nível dos logradouros, sublinhando que não é evidente "se se encontram ou não permitidas novas construções, ampliação das existentes ou novas impermeabilizações". "Considera-se ser de dissuadir qualquer aumento de impermeabilização dos logradouros, em particular quando coincidente com a área identificada na planta da Estrutura Ecológica Municipal, devendo a regulamentação ser clara quanto a estes aspectos e não ficar-se por uma mera menção à sua salvaguarda", refere o parecer. Chama-se ainda a atenção para a necessidade de garantir a salvaguarda dos logradouros "nos espaços consolidados e a consolidar", realçando que "a respectiva regulamentação nada refere quanto à sua salvaguarda e requalificação".

Outra das matérias destacadas pela CCDR é o Regulamento Geral do Ruído, dizendo-se que o PDM deverá contemplar "disposições relativas a condicionamentos à construção de edifícios habitacionais e de alguns equipamentos em zonas de conflito".» In Público, 29/1/2011

Foto: logradouro do Palacete Ribeiro da Cunha, ameaçado com construção nova.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Agência Europeia de Ambiente: Lisboa entre as piores capitais europeias a cuidar do solo

Um relatório da Agência Europeia de Ambiente mostra que a capital portuguesa tem dos solos mais impermeáveis das capitais europeias. Pior do que Lisboa só mesmo as antigas capitais satélites do regime soviético: Bucareste, Tirana e Varsóvia.

Em comparação, Londres (Reino Unido) tem uma área impermeabilizada de 42,5 por cento e Estocolmo (Suécia), a capital melhor colocada no ranking, de 22,90 por cento.

No relatório, a Agência Europeia do Ambiente recorda que o solo é um dos recursos mais importantes do planeta, porque nos proporciona não só serviços fundamentais, como a produção de comida ou o armazenamento de água subterrânea, mas também protecção contra cheias e regulação microclimática, entre outros. in TSF

Esta notícia, mais uma vez, põe a nú a grave situação de Lisboa em matéria de política de solos. E é por a LAJB ter plena consciência deste facto que se tem batido sempre pela defesa dos solos permeáveis que ainda sobrevivem em Lisboa. Daí o não aceitarmos a iniciativa da CML, por via da actual proposta do Plano de Pormenor para o Parque Mayer, de construir mais de 22 mil m2 de novas construções que irão impermeabilizar cerca de 50% da área do plano - se excluirmos a área permeável do Jardim Botânico. A continuar assim, Lisboa será no futuro próximo a capital que mais despreza solos permeáveis.

Foto: logradouro na Rua das Portas de Santo Antão

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

LAJB: «Jardim Botânico ficará asfixiado por anel de betão»

Sociedade Civil

A Liga tem manifestado preocupação quanto à aprovação do plano de pormenor do Parque Mayer e da área envolvente do Jardim Botânico. Porquê? Segue um modelo obsoleto de cidade: visão mercantilista dos solos não construídos; favorecimento do privado em detrimento do bem comum; impermeabilização de jardins e quintais (logradouros) da zona de protecção do jardim; mobilidade centrada na viatura particular. Propõem a diminuição da área do jardim e novos atravessamentos com impacto negativo. É muito especulativo: não há estudos fidedignos nem Plano de Financiamento sustentado.

Que riscos corre o Jardim Botânico? Com a destruição dos solos da zona de protecção, para dar lugar a uma cintura de edifícios em caves, o jardim ficará asfixiado por um anel de betão. Cobrir este gigante edifício com coberturas ajardinadas é publicidade enganosa - é tentar «tapar o sol com a peneira».

Que tipo de alterações poderão afectar o ecossistema das espécies? A temperatura aumenta, o ar seca, as árvores entram em stress, morrem.

Como se tem comportado a autarquia em relação aos vossos receios? Nunca fomos convidados para reuniões de trabalho.

in "Domingo", Correio da Manhã, 14 de Novembro de 2010

Foto: Rua do Salitre. A construção - legal e ilegal - nos logradouros da Zona de Protecção do Jardim Botânico é um gravíssimo fenómeno que tem vindo a destruir a permeabilidade dos solos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sá Fernandes confronta Câmara de Lisboa e universidade com opções para Jardim Botânico

«O vereador dos Espaços Verdes da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, apanhou toda a gente de surpresa ao confrontar um colega seu de vereação e também o reitor da Universidade de Lisboa com as opções tomadas por estes para o Jardim Botânico.

Tudo aconteceu durante uma sessão de esclarecimento sobre o plano de pormenor do Parque Mayer que teve lugar no Teatro Maria Vitória nesta terça-feira. Sentado na plateia reservada ao público, o autarca disparou uma série de perguntas em direcção à mesa onde se sentavam o presidente da câmara, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, o reitor e por fim o autor do plano em causa, o arquitecto Aires Mateus.

Quis garantias de que nenhuma zona do Jardim Botânico será impermeabilizada e de que a circulação das águas subterrâneas se continuará a fazer como até aqui, apesar dos novo edifícios que vão ser construídos – tudo preocupações na linha das que têm sido manifestadas pelas associações cívicas que puseram a correr um abaixo-assinado exigindo a reformulação do plano de pormenor. “Não haverá impermeabilização”, garantiu-lhe o arquitecto Aires Mateus.»

In Público Online 17/11/2010

Foto: São cenários como este que cada vez mais vemos à volta do Jardim Botânico. Impermeabilização, em muito mais de que o máximo de 20% permitido pelo actual PDM, da área do logradouro do edifício da Rua do Salitre 151 a 157. Isto acontece em plena zona de protecção do Jardim Botânico. PORQUÊ?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Aires Mateus disposto a alterar plano para Parque Mayer e Jardim Botânico de Lisboa

"O arquitecto limitou-se a passar a desenho o que lhe foi pedido pela universidade. Quem sou eu para pôr em causa o que ela decidiu?", pergunta Manuel Salgado

O autor do plano de pormenor para o Parque Mayer e zona envolvente, Manuel Aires Mateus, está disposto a alterar algumas opções do projecto se for provado que são prejudiciais para o Jardim Botânico de Lisboa, ali ao lado.

É o caso do edifício de quatro pisos previsto para a futura porta de entrada do jardim, na Rua do Salitre, um centro interpretativo orçado em 6,7 milhões de euros que terá um elevador até à zona da Rua da Escola Politécnica. "Não fazemos finca-pé nele. Se a cidade o considerar negativo para o jardim... Até agora tanto a câmara como a Universidade de Lisboa [proprietária do recinto] sempre nos disseram que era um edifício interessante", diz o arquitecto. A ideia é que os autocarros com visitantes deixem de congestionar a Rua da Escola Politécnica e passem a estacionar na Rua Castilho. O elevador do edifício de acolhimento serviria os visitantes com mobilidade reduzida.

Outro aspecto que tem sido alvo de crítica é a possibilidade de aumento da altura dos prédios mais baixos da zona. A Liga dos Amigos do Jardim teme que a transformação crie um efeito de estufa que seria letal para determinadas espécies vegetais. "Os estudos que temos dizem que o alinhamento das cérceas não terá efeitos negativos. Mas se nos provarem que tem... Estamos empenhados em arranjar a melhor solução para o jardim, que é frágil e cuja preservação é central para nós", assegura Aires Mateus. O arquitecto sublinha que a subida das cérceas teria como contrapartida a demolição dos anexos construídos nos respectivos logradouros, parte dos quais clandestinos. "Isso aumentaria a área permeável do solo", explica. E nega que o seu plano implique danificar a cerca pombalina que rodeia o jardim, recentemente classificado como monumento nacional. "Nem sequer é tocada", garante.

Uma petição posta ontem a correr na Internet por várias associações cívicas (http://www.gopetition.com/petition/39771.html) defende a reformulação do plano, considerando-o "desajustado, desintegrado e altamente lesivo para a salvaguarda deste quarteirão histórico". O abaixo-assinado sugere que seja feita "uma verdadeira expansão territorial do Jardim Botânico para parte dos terrenos do Parque Mayer, com exposição de flora portuguesa". A solução encontrada por Aires Mateus para dar continuidade aos dois recintos, com a colocação de uma cobertura vegetal sobre os edifícios no Parque Mayer, não agrada aos autores da petição.

"O Jardim Botânico pertence à Universidade de Lisboa, e é a ela que cabe zelar pela salvaguarda deste património", declara o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, confrontado com as críticas. "O arquitecto Aires Mateus limitou-se a passar a desenho o que lhe foi pedido pela universidade. Quem sou eu para pôr em causa o que esta instituição decidiu?"

Tanto Aires Mateus como Manuel Salgado estão hoje numa sessão de esclarecimento sobre o plano, às 18h30 no Teatro Maria Vitória, ao abrigo da discussão pública do documento, que termina daqui a uma semana.» In Público 16/11/2010

Foto: Rua do Salitre. Entretanto a impermeabilização de logradouros na Zona de Protecção do Jardim Botânico prossegue. Se este Plano de Pormenor avançar, este cenário será aplicado a muitos mais logradouros confinantes com o nosso Jardim Botânico. É inaceitável defender este modelo de desenvolvimento, obviamente insustentável.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

«Câmara de Lisboa aprova proposta de revisão do PDM»

«O executivo liderado por António Costa (PS) aprovou nesta quarta-feira à tarde a proposta de revisão do Plano Director Municipal (PDM). PCP, CDS e o vereador Victor Gonçalves (PSD) votaram contra, tendo os restantes vereadores "laranja" aprovado o documento que agora segue para análise da Comissão de Acompanhamento da Revisão do PDM.

Compactação da cidade suscita dúvidas a Helena Roseta

Após acesa polémica em relação a algumas propostas e alterações de última hora negociada, nos dois últimos dias, entre o PS e o movimento Lisboa É Muita gente, do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, o executivo acabou por aprovar a proposta de revisão, já com nova formulação em relação à proposta de salvaguarda dos logradouros de habitações nas zonas históricas de Lisboa. Até à entrada em vigor, o documento ainda terá de percorrer um longo caminho, sendo a votação desta quarta-feira apenas a primeira de um processo que só terminará com a votação na Assembleia Municipal, órgão em que o PS não tem maioria. Porém, Pedro Santana Lopes, vereador do PSD e cabeça de lista derrotado nas últimas autárquicas, deixou a porta aberta à aprovação na assembleia.

A vereadora Helena Roseta, eleita pelo movimento Cidadãos Por Lisboa, votou favoravelmente a proposta, mas assumiu ter muitas dúvidas em relação a aspectos que, no seu entender, privilegiam e desregulam o sector imobiliário da capital nos próximos anos. Em causa está, nomeadamente, o sistema de créditos de edificabilidade proposto por Manuel Salgado (PS), responsável pelo urbanismo, através do qual um promotor pode ver-lhe ser autorizada mais construção em determinado local do que o inicialmente permitido se, por exemplo, ali tiver rendas a custos controlados. Este sistema suscita “as maiores dúvidas” a Helena Roseta, que mostrou igualmente desagrado em relação ao modelo de compactação de cidade , que dá preferência ao aumento de construção em altura nalgumas zonas para libertar algum solo para zonas verdes.

Já o social-democrata Pedro Santana Lopes anunciou que os seus vereadores votariam favoravelmente a proposta e assegurou que o mesmo vai acontecer com os deputados municipais do seu partido. “Este PDM vai ser com certeza aprovado e entrar em vigor”, declarou, apesar das divergências que tem tido com a bancada social-democrata da assembleia municipal .

A nota dissonante dentro do PSD foi o vereador Vítor Gonçalves, incompatibilizado com a vereação "laranja", que votou desfavoravelmente a proposta.» In Público Online (10/11/2010)

Foto: Rua do Arsenal