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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
quarta-feira, 30 de julho de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Cinco grupos de cidadãos uniram-se contra a construção de mais um parque subterrâneo
Cinco grupos de cidadãos uniram-se contra a construção de mais um parque subterrâneo no centro de Lisboa e prometem não baixar os braços. Por Marisa Soares, Público de 18 Julho 2014
A Plataforma contra o Parque Automóvel, que junta cinco grupos de cidadãos de Lisboa, manifestou-se nesta quinta-feira contra a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, pedindo à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) que reprove o projecto. Caso contrário, avisam, será como enfiar “um elefante numa loja de porcelana”, com consequências “fatais” para aquela zona.
“A DGPC tem todos os instrumentos legais para dizer não a este parque, e se não o fizer vai ceder ao interesse privado em detrimento do interesse público”, afirmou Jorge Pinto, do Grupo dos Amigos do Príncipe Real, numa conferência de imprensa realizada à sombra dos enormes “braços” do cedro-do-Buçaco, um dos ex-libris do centenário jardim.
Em causa está a construção de um parque subterrâneo com formato em “U” a contornar a estrutura do jardim, com 300 lugares distribuídos por quatro pisos – mais um do que o previsto na versão inicial do projecto apresentado em 2001, ainda durante a presidência de João Soares na Câmara de Lisboa. Na altura, o projecto foi chumbado pelo ex-Instituto Português do Património Arquitectónico (actual DGPC) e esbarrou no protesto de moradores e ambientalistas. Mais tarde, em 2006, o instituto acabou por emitir um parecer favorável condicionado, mas a obra nunca avançou.
O presidente da câmara, António Costa, disse em Junho que é "negativo" construir ali um parque subterrâneo mas acrescentou que ele poderá ser “uma mais-valia” caso resolva o problema do estacionamento de residentes e não ponha em risco o jardim. Esta resposta “vaga” não satisfez os membros da plataforma – a qual reúne, além dos Amigos do Príncipe Real, o Fórum Cidadania Lx, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, a Associação Lisboa Verde e a Associação Árvores de Portugal – que prometem não baixar os braços.
Ambientalistas, urbanistas e arquitectos antecipam "impactos desastrosos" na estrutura dos edifícios da zona. Receiam, sobretudo, que a obra ponha em causa o Reservatório da Patriarcal, um núcleo do Aqueduto das Águas Livres (classificado como Monumento Nacional) que existe no subsolo do jardim. “Há muitos anos desejamos que seja apresentada a candidatura do Aqueduto a Património da Humanidade da UNESCO, se o parque avançar será mais um obstáculo”, afirmou Margarida Ruas, ex-directora do Museu da Água.
A discreta porta de entrada no Reservatório fica no centro do jardim e dá acesso a uma cisterna octogonal subterrânea, com capacidade para 880 metros cúbicos, sustentada por dezenas de pilares em pedra com cerca de dez metros de altura, com arcos de cantaria no topo. Dali partem as galerias que, no século XIX, levavam água até aos chafarizes da Baixa e do Bairro Alto. O Reservatório foi desactivado na década de 1940 e actualmente pode ser visitado em alguns dias da semana.
Os cidadãos consideram que a construção do parque “a um metro" das galerias terá “efeitos irreversíveis e imprevisíveis”. A DGPC também tem dúvidas sobre o impacto da construção no aqueduto - foi por isso que chumbou os dois pedidos de alteração para acrescentar o quarto piso, submetidos pelo promotor a 3 de Agosto de 2012 e a 14 de Janeiro de 2014. Na sequência do chumbo, a empresa encomendou um estudo hidrogeológico do local, sobre o qual a DGPC ainda não se pronunciou. “Está, assim, em vigor a aprovação condicionada de 23/11/2006 pelo ex-IPPAR”, esclarece este organismo ao PÚBLICO.
A plataforma destaca também os impactos do empreendimento no jardim, onde existem sete árvores classificadas. Em Maio, o responsável da Empark em Portugal, Paulo Nabais, disse ao PÚBLICO que “a obra não tem interferência com o jardim”, mas não convenceu os opositores. "O parque não vai ficar só sob o alcatrão, vai ficar sob os passeios e a orla do jardim", diz Jorge Pinto.
“Em qualquer cidade da Europa, este jardim seria considerado um monumento”, considera Margarida Cancela d’Abreu, presidente da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, avisando que a construção de uma “cofragem de betão” em torno daquela área verde vai alterar o sistema de drenagem e levar à morte das árvores - muitas já fragilizadas com obras de requalificação do jardim realizadas pela câmara em 2009.
A plataforma considera também que o parque não vai resolver o congestionamento de tráfego e a falta de estacionamento naquela zona central da cidade, defendendo em alternativa a reposição do eléctrico 24, que ligava o Largo do Carmo a Campolide. Existe já uma petição online contra o projecto, que tem quase três mil assinaturas.
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Petição contra construção de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real
«...Os abaixo assinados, moradores na zona do Príncipe Real, e demais cidadãos preocupados com a defesa e a preservação do património histórico, cultural e ambiental da cidade de Lisboa, alarmados pela notícia repentina e inquietante da retoma do projecto de construção de estacionamento subterrâneo no Jardim do Príncipe Real; Manifestam o seu repúdio pela construção de todo e qualquer parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, e apelam à Senhora Presidente da Assembleia da República, ao Senhor Presidente da CML, à Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Senhor Secretário de Estado da Cultura e aos Senhores Deputados da AR e da AML para que ARQUIVEM DEFINITIVAMENTE tal pretensão do promotor...»
http://www.gopetition.com/petitions/peti%C3%A7%C3%A3o-contra-a-constru%C3%A7%C3%A3o-do-parque-de-estacionamento-subterr%C3%A2neo-na-pra%C3%A7a-do-pr%C3%ADncipe-real.html
sábado, 31 de maio de 2014
«Perfurações no Príncipe Real são para parque de estacionamento»
As sondagens que decorrem no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, estão a cargo da Empark, que pretende ali criar um parque de estacionamento. A autorização foi dada por três vereadores da Câmara de Lisboa. A empresa promete 90 lugares só para moradores e a preservação do histórico jardim.
"Os trabalhos que neste momento estão em curso no local são as sondagens com vista ao estudo e monitorização hidro-geológica do terreno", revelou, ao JN, Paulo Nabais, diretor-geral da Empark, após a notícia sobre a perfuração das laterais daquele espaço. Segundo Nabais, este estudo conta com a aprovação e acompanhamento da Direção-Geral do Património Cultural. Há também um "acompanhamento permanente dos técnicos da Câmara", a quem a empresa "pagou as respetivas taxas municipais para efetuar as sondagens". Além da empresa Geocontrole, cujos trabalhos deram origem à notícia do JN, a Empark conta com a colaboração um reconhecido especialista em geologia e o acompanhamento permanente de um arqueólogo. "A Empark já fez milhares de estudos para a construção deste parque, incluindo o levantamento pormenorizado do aqueduto nesta zona que nenhuma entidade tinha feito até ao momento", realçou Nabais, frisando a enorme experiência da empresa em Lisboa nesta área e dos 27 parques de estacionamento que detém.
Aprovação de Salgado, Sá Fernandes e Nunes da Silva
in Jornal de Notícias 30 Maio 2014
Nota: a LAJB estará solidária com outras associações e movimentos cívicos na defesa deste emblemático espaço verde da nossa cidade - NÃO ao estacionamento em caves no Principe Real!
sábado, 8 de março de 2014
sábado, 2 de novembro de 2013
Por uma Lisboa com Jardins de relvados limpos!
Finalmente, e após muitas reclamações/sugestões de cidadãos (onde se inclui a LAJB!) a Câmara Municipal de Lisboa procedeu à colocação de sinalética nos parques e jardins públicos alertando os cidadãos para os seus direitos e deveres enquanto proprietários de animais de estimação, nomeadamente o cão. A sinalética está bem feita, é clara e agora só resta esperar que haja mais civismo nos jardins públicos por parte de quem passeia com o seu cão! Obrigado CML! O exemplo na imagem foi fotografado no Miradouro do Torel.
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
«Lisboa – única, genuína, nossa!»
Lisboa – única, genuína, nossa!
Por todo o lado, num teimoso absurdo, crescem novos empreendimentos, sempre “de luxo” com nomes impantes com Príncipes e Duques à mistura com Palaces, Places, Residences e Terraces.
A Baixa deserta, as grandes avenidas dia-a-dia destruídas; as lojas antigas dão lugar a assépticas cadeias, sítios de comer-a-correr; Lounges e Chill Outs, com ambientes importados que se dizem sofisticados.
Lisboa abafa, roubam-lhe o ar, roubam-lhe a luz, roubam-lhe o rio, roubam-lhe a memória e a vida. E agoniza perante uma modernidade bruta e parola que a ignora, que lhe é imposta.
É urgente travar a destruição desta cidade assombrosa e milenar.
É urgente protege-la e proteger quem aqui vive.
É urgente amá-la e oferece-la como ela é, única, genuína, nossa!
Ana Alves de Sousa
Nota: opinião chegada por email da parte de uma cidadã com olhar crítico sobre a situação actual da nossa cidade - que bem se aplica ao nosso bairro aqui em redor do Jardim Botânico onde abundam cada vez mais os estrangeirismos. Novo riquismo? Complexo de inferioridade? Em Portugal uma "casa" é uma casa e não "home" ou "flat" (pior e mais perigoso ainda são os "luxury flats"!). Foto: Rua Rosa Araújo.
Por todo o lado, num teimoso absurdo, crescem novos empreendimentos, sempre “de luxo” com nomes impantes com Príncipes e Duques à mistura com Palaces, Places, Residences e Terraces.
A Baixa deserta, as grandes avenidas dia-a-dia destruídas; as lojas antigas dão lugar a assépticas cadeias, sítios de comer-a-correr; Lounges e Chill Outs, com ambientes importados que se dizem sofisticados.
Lisboa abafa, roubam-lhe o ar, roubam-lhe a luz, roubam-lhe o rio, roubam-lhe a memória e a vida. E agoniza perante uma modernidade bruta e parola que a ignora, que lhe é imposta.
É urgente travar a destruição desta cidade assombrosa e milenar.
É urgente protege-la e proteger quem aqui vive.
É urgente amá-la e oferece-la como ela é, única, genuína, nossa!
Ana Alves de Sousa
Nota: opinião chegada por email da parte de uma cidadã com olhar crítico sobre a situação actual da nossa cidade - que bem se aplica ao nosso bairro aqui em redor do Jardim Botânico onde abundam cada vez mais os estrangeirismos. Novo riquismo? Complexo de inferioridade? Em Portugal uma "casa" é uma casa e não "home" ou "flat" (pior e mais perigoso ainda são os "luxury flats"!). Foto: Rua Rosa Araújo.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
O Nosso Bairro: «Príncipe Real Live»
Esta é já a 6.ª edição deste evento que promete criar o conceito de bairro “cool” em época natalícia
Desde a Praça do Príncipe Real, passando pela Rua da Escola Politécnica, até à Rua D. Pedro V, animação não irá faltar na cidade de Lisboa. Nos dias 8, 9 e 10 de Dezembro cerca de 30 lojistas irão ter as portas abertas até às 23 horas, ao mesmo tempo que estarão a decorrer diversas iniciativas de cariz cultural. Esta iniciativa tem como principal objectivo dinamizar a zona, promovendo-a como o melhor bairro para passear, fazer compras e viver.Nas ruas estará montada a iluminação nos troncos das árvores do Jardim na Praça do Príncipe Real, onde também será colocada uma árvore de Natal de grandes dimensões, que pretende ser um sinal de esperança, esculpida pelo artista plástico Alexandre Bobone. Para celebrar esta época – conotada tradicionalmente com família, partilha e união – será realizada uma angariação de peças de vestuário para bebés e de bens de primeira necessidade, como produtos alimentares para a associação sem fins lucrativos RISO (Rede Integrada de Solidariedade Social), que apoia a população da freguesia de Mercês.
Nas principais lojas e galerias destas ruas, irão decorrer exposições de arte, pintura, jóias, música ao vivo e momentos de degustação. Por exemplo, na loja Same Same Silver, na Rua da Escola do Politécnica, estará patente a exposição fotográfica “Caxemira – vida tecida” acompanhada de Masala Chai (chá de especiarias). No Orpheu Caffé, na Praça do Príncipe Real, irão decorrer diversas exposições de arte, enquanto que no espaço Munete – Interiores, Lda. será inaugurada a loja de mobiliário e objectos vintage de nome Sótão, com um serviço de cocktail e música jazz, no dia 8, às 19 horas.
Esta acção surgiu em 2008 com o evento “D. Pedro V está vivo”, realizado na Rua D. Pedro V, tendo sido uma ideia de Marcela Brunken, dona do Fabrico Infinito. A Eastbanc (promotora do evento actual), estendeu esta criação até à Rua da Escola Politécnica e criou então o conceito “Príncipe Real Live”.
A iniciativa decorre duas vezes por ano e, nesta edição em específico, a organização pretende voltar às raízes dos habitantes de Lisboa, recordando o Natal de épocas passadas, quando as compras eram feitas em comércio de rua e quando ainda mal se ouvia falar de centros comerciais.
Nestes dias, os visitantes poderão participar em actividades nos mais variados tipos de negócio, desde lojas de moda, design, livrarias, joalharias, lojas de decoração, floristas, garrafeiras, chocolatarias, casas de gelados, antiquários, uma casa de chá francesa e uma farmácia.
(in jornal «i»).
(in jornal «i»).
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
AS ÁRVORES E OS LIVROS: Ruben A.
(26 de Maio de 1920 - 26 de Setembro de 1975)
Foto: A casa onde nasceu Ruben Alfredo Andresen Leitão tinha vista para estas árvores do Jardim do Príncipe Real. E quando, muito provavelmente, os Jacarandás estavam em flor como estão hoje, 90 anos depois...
domingo, 8 de agosto de 2010
«Anthony Lanier - Um novo conceito urbano para Lisboa»
Nascido no Brasil, educado na Áustria, casado com uma portuguesa e residente nos EUA, o empresário Anthony Lanier, presidente da Eastbanc, tem uma visão muito peculiar do que é um empreendimento imobiliário em qualquer lugar do mundo. "A minha ideia é criar um brand, trazer valor para os empreendimentos. E é o ambiente que dá valor. Para o Príncipe Real quero trazer a ideia da cidade vivida de volta, a ideia de aldeia, de lugar de encontro numa sociedade global", diz Lanier, que desde 2007 tem em mãos um projecto revolucionário para esta área de Lisboa - o Príncipe Real Urban Project.
Considerado um visionário nos EUA e não só, Lanier ganhou uma reputação de distinção na sua carreira de empresário imobiliário ao recuperar Georgetown, em Washington (uma área da cidade que estava completamente degradada), transformando-a numa das zonas mais trendy da capital norte-americana. "Eu tento aproveitar o que está no local e fazer melhor. Os edifícios antigos são a verdadeira alma de uma cidade", comenta ele, que já recebeu a alcunha de "alquimista urbano".
A ideia central do Príncipe Real Urban Project envolve um mix de detalhes contemporâneos e estruturas históricas, com a recuperação e revalorização de 20 edifícios históricos e respectivos jardins, especialmente o Palacete Ribeiro da Cunha, o encantador edifício oitocentista em estilo neo-árabe defronte à Praça do Príncipe Real, que será o centro de todo o projecto."Inicio sempre um projecto com uma ideia grande, daí ter adquirido os 20 edifícios mais emblemáticos do bairro.
A minha abordagem na renovação urbana, seja em qual cidade for, é sempre de continuidade, é um processo que não tem fim. É esta a nossa especialidade e disto que gostamos", revela Lanier, dizendo que os lucros virão a seu tempo, não no curto prazo.
Com 50 milhões de euros já investidos na compra dos imóveis, Anthony Lanier prevê um investimento total de cem milhões de euros e espera arrancar com os trabalhos já em 2011, altura em que terá todas as licenças necessárias. "O vereador do urbanismo da CML, e também arquitecto, Manuel Salgado, entendeu o projecto desde o início e apoiou a ideia. Como as ideias são grandes, os processos são complicados, especialmente por causa da nossa peculiaridade de trabalhar em continuidade, num work in progress", disse ainda Lanier, mencionando que os arquitectos Eduardo Souto de Moura, Frederico Valsassina e Falcão de Campos também adoptaram esta nova visão de reurbanização.
"Queremos trazer as pessoas de volta para a cidade, oferecendo não só imóveis de alto nível mas também serviços variados e uma vivência urbana nova, onde a tradição convive lado a lado com a contemporaneidade", acrescenta ainda o empresário, que já está a apoiar a divulgação do bairro, com os eventos Príncipe Real Live, e a criar um cluster de artistas jovens das mais variadas áreas, que já se sediaram no bairro graças à estratégia de arrendamento temporário por ele criada. (in Diário de Notícias)
Foto: Palacete Ribeiro da Cunha - os seus jardins serão preservados ou impermeabilizados?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
«Obras no jardim começaram sem pareceres»
Obras no jardim começaram sem pareceres. Árvores abatidas substituídas por espécies ilegais
Meia centena de árvores desapareceu no jardim do Príncipe Real. Assim, de repente, em apenas três dias de Novembro. Sabe-se depois que a obra começou sem aprovação escrita do IGESPAR e da Autoridade Florestal Nacional. O projecto prevê o abate de mais 13 árvores e a plantação de uma espécie proibida. Os moradores estão cansados. Ontem, o grupo Amigos do Príncipe Real reuniu mais de 60 pessoas para uma visita. Todas repetiam a intriga palaciana e um nome: José Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes da CML.
No meio da pequena multidão, está Rui Pedro Lérias. Um céu de chumbo carrega a paisagem. O botânico começa a falar e estamos de repente ao século XVII: um milionário excêntrico quer construir um palácio, vai à falência e o espaço torna-se a lixeira do Bairro Alto. A terra treme em 1755 e instala-se ali um aquartelamento militar. Começa então o projecto da Tesouraria Central do Reino, mas, à falta de dinheiro, opta-se por uma basílica (há até uma missa da Patriarcal). Um incêndio destrói tudo. Só a construção do enorme reservatório de água - de que o lago é só o respiradouro - desfaz a maldição.
Em 1869 começa a nascer o jardim. Chegam espécies de todo o mundo. "O cedro do Buçaco mente duas vezes: é um cipreste e vem do México", ironiza o botânico sobre o nome de uma das árvores classificadas. "Estiveram todas em perigo quando uma máquina gigantesca, um monstro de várias toneladas, arrancou o pavimento", conta. Uma palmeira foi transplantada e morreu. O local foi logo calcetado. Nenhum vestígio. "São árvores muito grandes, ficam fracas dos joelhos, têm artrites, acabam por morrer e precisam de ser substituídas." Mas a espécie que o projecto prevê está proibida. "Que árvores classificadas teremos daqui a 50 anos?", questiona o botânico.
Os moradores dizem que "o jardim está transparente". "Está a transformar-se num terreiro, como o miradouro de S. Pedro de Alcântara." Rui Pedro explica que "as novas árvores vão precisar de pelo menos 20 anos para cumprir a função de protecção que as anteriores tinham". "Esta obra podia estar embargada", lembra Tiago Taron. "Podíamos ter interposto uma providência cautelar. Não o fizemos porque recebemos garantias do vereador José Sá Fernandes - nenhuma foi cumprida."
Rui Cordeiro, deputado do PSD na Assembleia Municipal, diz que o partido está do lado dos moradores. "Não vale a pena parar a obra quando as árvores já estão cortadas." Mas os preceitos legais terão de ser cumpridos e o desejo dos moradores de manter as restantes 13 árvores tem de ser respeitado. Caso contrário, ameaçam embargar a obra.
O grupo cresceu, são já mais de 60 pessoas. "Que podemos fazer?", perguntam. "Podem juntar-se ao Facebook, onde já somos 4519 membros", informa Taron. São também sugeridas queixas no IGESPAR, na autoridade florestal ou na Câmara. Garcia Pereira, ex-candidato presidencial, dá mais ideias. Uma folha circula, para recolher nomes e endereços de email que permitam combinar novas formas de luta. Todos assinam. É Lisboa a ganhar raízes numa folha de papel.
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