segunda-feira, 30 de julho de 2012

«Lisboa – única, genuína, nossa!»

Lisboa – única, genuína, nossa!
Por todo o lado, num teimoso absurdo, crescem novos empreendimentos, sempre “de luxo” com nomes impantes com Príncipes e Duques à mistura com Palaces, Places, Residences e Terraces.
A Baixa deserta, as grandes avenidas dia-a-dia destruídas; as lojas antigas dão lugar a assépticas cadeias, sítios de comer-a-correr; Lounges e Chill Outs, com ambientes importados que se dizem sofisticados.
Lisboa abafa, roubam-lhe o ar, roubam-lhe a luz, roubam-lhe o rio, roubam-lhe a memória e a vida. E agoniza perante uma modernidade bruta e parola que a ignora, que lhe é imposta.
É urgente travar a destruição desta cidade assombrosa e milenar.
É urgente protege-la e proteger quem aqui vive.
É urgente amá-la e oferece-la como ela é, única, genuína, nossa!

Ana Alves de Sousa
Nota: opinião chegada por email da parte de uma cidadã com olhar crítico sobre a situação actual da  nossa cidade - que bem se aplica ao nosso bairro aqui em redor do Jardim Botânico onde abundam cada vez mais os estrangeirismos. Novo riquismo? Complexo de inferioridade? Em Portugal uma "casa" é uma casa e não "home" ou "flat" (pior e mais perigoso ainda são os "luxury flats"!). Foto: Rua Rosa Araújo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Dia do Fundador do Jardim Botânico: Conde de Ficalho nasceu a 27 de Julho de 1837


CONDE DE FICALHO - Botânico português, Francisco Manuel de Melo Breyner nasceu a 27 de Julho de 1837, em Serpa, e faleceu a 19 de Abril de 1903, em Lisboa. Além dos diversos cargos que exerceu como Par do Reino e Mordomo da Casa Real, distinguiu-se como escritor e professor catedrático da Escola Politécnica de Lisboa, onde estimulou o estabelecimento de museus anexos. Apaixonado pela Botânica, foi director do Instituto Agrícola e fomentou o desenvolvimento e apetrecho do Jardim Botânico de Lisboa.

Como homem de letras, notabilizou-se como escritor, foi amigo de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins e pertenceu ao famoso grupo dos Vencidos da Vida.

As suas obras versaram não só sobre a botânica como também temas ligados à História de Portugal, como é o caso das Viagens de Pêro da Covilhã, publicadas em 1898, onde Ficalho relata a viagem do emissário de D. João II. Da obra ligada à sua especialidade maior, a botânica (num contexto histórico), destacam-se: a Flora dos Lusíadas, de 1880; Memória da Malagueta de 1883, que deveria ser o primeiro de muitos títulos da colecção Plantas Úteis da África Portuguesa, que infelizmente não continuaram; Garcia de Orta e o seu Tempo de 1886, que serviu de preparação aos dois volumes de Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, editados em 1891 e 1895.

Deixou uma única obra de ficção, Uma eleição perdida (1888), conjunto de uma novela e cinco contos integrável na tendência realista do conto regional.

Bibliografia do Conde de Ficalho: Flora dos Lusíadas, 1880; Memória da Malagueta, 1883; Plantas úteis da África portuguesa, 1884; Garcia da Orta e o seu tempo, biografia, 1886; Uma eleição perdida, novela e contos, 1888; Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, 2 vol., 1891 e 1895; As viagens de Pêro da Covilhã, 1898; As rosáceas de Portugal, 1899

No dia dos 175 anos do nascimento do Conde de Ficalho, os Amigos do Jardim Botânico prestam homenagem ao fundador.

FOTO: monumento na Classe do Jardim Botânico

quarta-feira, 25 de julho de 2012

uma mensagem da revista "The New Yorker"


O Plano de Pormenor do Parque Mayer, aprovado pela CML e AML, irá fazer algo de semelhante ao nosso Jardim Botânico. Mas será um cenário inverso ao que mostra esta imagem: o Jardim Botânico passará a ser uma espécie de "grande vaso" [como afirmou o Arq. Ribeiro Telles] com plantas exóticas para gozo visual do enxame de apartamentos e hotéis de luxo previstos dentro da zona Especial de Protecção (ZEP) do Monumento Nacional... e mais um estacionamento subterraneo (em jardim na R. do Salitre), muitas lojas e outros espaços comerciais a apenas 1,20m de distância da cerca histórica do Jardim. Talvez um dia o nosso Jardim Botânico seja capa da revista The New Yorker.

O Jardim Botânico de Lisboa foi seleccionado pela World Monuments Fund para o Observatório Mundial de Monumentos - WATCH 2012: www.wmf.org

segunda-feira, 23 de julho de 2012

The Jardim Botanico: A Hidden Gem in Lisbon

The Jardim Botanico: A Hidden Gem in Lisbon        
by Hansel Hernandez
Historic Preservation and Cultural Heritage Consultant
To be honest, when I came to Lisbon last summer to work on a conservation project, the last thought in my mind was to visit gardens. My priority was to discover the vast and rich architectural heritage of this capital city, learn about their rare and large museum collections, and of course savor the succulent Portuguese cuisine with an emphasis on desserts. The Jardim Botánico de Lisboa was not even listed in my traveler’s guidebook; something to be completely overlooked. But fate had something else planned for me.
I was living in the Rato neighborhood and to get to downtown Lisbon I had to walk down Rua da Escola Politécnica, which stretches one kilometer and borders the trendy neighborhoods of Principe Real and Barrio Alto. Today this up-and-coming streetscape is filled with bars, restaurants, pastry shops, boutiques, parks, and lookout terraces.
After several weeks of seeing the sign at the entrance gates, I decided to go in and explore. Entrance fee was only 1 Euro. I am glad I did. Behind the former university buildings fronting the street, the gardens are laid out in contained terraces following the slope of the hill—Lisbon is all hill crests and valleys—which winds down towards Avenida Liberdade, the Champs-Élysées of Lisbon. But the avenue is completely shut out: the depth of the topography and lushness of the gardens act as an invisible, magical screen. You find yourself in this very peaceful, verdant environment conducive to rest and quiet contemplation.
The history of Lisbon’s Botanical Gardens harkens back not to the nineteenth century, but to the sixteenth century. In Portugal history and heritage is made up of many, many layers. When you think something belongs to one era further research reveals a different story.
The garden makes up the former grounds of the Quinta do Monte do Olivete, a sixteenth-century estate founded by Dom Fernão Telles de Menezes, former governor of India and later of the Algarve region in southern Portugal. Dom Fernão ceded his estate to the Jesuits in 1589 so they could build their Cotovia Novitiate.
Between 1609 and 1759 the Jesuits undertook a thorough study of botany in the gardens of their novitiate. The research gathered for almost two centuries laid the groundwork for the eventual creation of a botany department at the school.
In 1837, the Polytechnic School of Lisbon opened in the former buildings of the novitiate, on what is now the Rua da Escola Politécnica. Its mission was to give scientific training to officer candidates to the national army and navy. In fact, the army school shared the space with the polytechnic for a number of years.
In 1843 the building burned to the ground and a new building was projected only for the polytechnic. Work began in 1857. In 1911 the University of Lisbon was created and it was decreed that it should have a school of science. The polytechnic became the new School of Science, and it operated as such until 1985, when the school moved to new headquarters at the University City.
I very much enjoyed coming to the gardens, this magnificent, peaceful, and open green space right smack in the middle of the city; I could not help but think of the same effect and feeling one has when visiting Central Park in New York. I returned to the gardens several times. There are fountains (in disuse), small greenhouses, some outbuildings, and even an elegant astronomical observatory building. And of course, there are old-fashion benches so you can take the weight off your feet, snack on something, perhaps nap, relax, contemplate while under a cozy bamboo screen, or a giant weeping willow. The gardens have a large variety of tropical plant species namely from New Zealand, Australia, China, Japan, and South America. These plants thrive here in Lisbon’s temperate climate and the many micro-climates found in the gardens.
Presently the former academic buildings on the site house the National History Museum, the National Science Museum, the National Natural History Museum, and the Teatro da Politécnica. The University of Lisbon has a big ambition to transform this place into an important scientific, artistic, and cultural center for the city. But the economic reality of Portugal, as in the rest of southern Europe, is a harsh one. Some government assistance the university had received for the maintenance of the buildings has ceased. An imminent threat has been temporarily halted: a out of scale condo development adjacent to the gardens which would have obstructed views and completely alter the open verdant surroundings has been nixed.
It is behind these historic buildings fronting Rua da Escola Politécnica that the Botanical Gardens are located. The 6 acres in the center of Lisbon are waiting for its inhabitants to re-discover it.

Nota da LAJB: apesar de pequenos erros, como por exemplo o equivoco do National History Museum, divulgamos este interessante texto de um profissional do Patrimonio (consultor da WMF) publicado a 31 de Maio: http://www.wmf.org/journal/jardim-bot%C3%A1nico-hidden-gem-lisbon

sábado, 21 de julho de 2012

O Jardim Botânico visto por Joshua Benoliel


Título: "Rua do Jardim: bambus e canas índicas começando a florir, com guarnição de 'Pyrethrum'" 
Imagem integrada na reportagem "Os jardins de Lisboa: na Escola Politécnica".
Ilustração Portuguesa. Lisboa: Empresa do Jornal O Século. N.º 88 (28/10/1907), p. [554].
Autor: Joshua Benoliel. Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Nota: os nossos agradecimentos à Maria João Torgal pela descoberta e envio desta imagem de arquivo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

CURSO DE GUIAS DO JARDIM BOTÂNICO 2012

CURSO DE GUIAS DO JARDIM BOTÂNICO 2012

O curso de Guias do Jardim Botânico do MNHN, ministrado por Alexandra Escudeiro, Bióloga do Jardim Botânico do MNHNC terá lugar de 3 de Setembro a 1 de Outubro de 2012.

O seu objetivo é a formação de Guias habilitados a orientar visitas temáticas ao Jardim Botânico.

As aulas, teórico-práticas, serão leccionadas segundas e quintas, das 18h00 às 19h30 e das 18h00 às 20h00, respectivamente.

Este curso é direccionado aos licenciados em Biologia e áreas afins ou aprovados em cadeiras de Botânica do Ensino Superior. Ainda assim, outros candidatos serão, previamente, sujeitos a entrevistas para admissão no curso. O período de inscrições no curso decorrerá a partir de agora até 17 de Agosto; os candidatos devem enviar o Curriculum Vitae com uma foto para geral@museus.ul.pt e preencherem o formulário de inscrição em:


O investimento na inscrição é de 110€ por pessoa.

Os melhores alunos deste curso serão laureados com o prémio «Brotero 2012». Este foi instituído pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico para comemorar o centenário da edição da primeira Flora de Portugal dos tempos modernos.

O Jardim Botânico situa-se no centro histórico de Lisboa e o seu ambiente constrói-se em torno de plantas repletas de significado e provenientes de todo o mundo.

Lisboa, 16 de Julho de 2012

Alexandra Escudeiro
Jardim Botânico da Universidade de Lisboa
Morada: Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa
Tel.: 213921896
E-mail: maescudeiro@museus.ul.pt

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Em Floração: ECHINOPS RITRO

A bela ECHINOPS RITRO L. está em floração num canteiro da Classe do nosso Jardim Botânico.

terça-feira, 17 de julho de 2012

LAJB: «coluna dorsal» e «coragem para defender o património natural e cultural»

À Direcção da Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Venho por este meio felicitar a Direcção actual da LAJB pela coragem, frontalidade e muitíssima competência com que tem defendido o Jardim Botânico!! Os meus sinceros parabéns!!

Num país onde, demasiadas vezes, as pessoas não defendem publicamente o que é correcto, por receio de represálias ou por qualquer outra razão, é um enorme prazer ver que ainda existem portugueses(as) com "coluna dorsal" que se levantam e apoiam o que é correcto, que têm a coragem para defender o património natural e cultural, i.e. a herança que os nossos antepassados, também com eles com visão e coragem, nos legaram!!

É para mim um enorme orgulho ser sócia de uma Liga que, simultaneamente, se preocupa com a biodiversidade - base da vida - e com o património cultural- base da memória social!

Lamento não poder ir à próxima Assembleia Geral, dado estar de férias, mas gostaria que esta minha mensagem fosse lida durante a mesma como forma de apoio à Direcção da Liga.

Os meus sinceros parabéns e o meu muito obrigada a todos os membros da Direcção!

Com os meus sinceros e respeitosos cumprimentos,

Cristina Girão Vieira (sócia nº 65 e madrinha de algumas plantas)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Jardim Botânico visto por Joshua Benoliel


Título: "Guarita de guarda, sob palmeiras"
Imagem integrada na reportagem "Os jardins de Lisboa: na Escola Politécnica".
Ilustração Portuguesa. Lisboa: Empresa do Jornal O Século. N.º 88 (28/10/1907), p. [554].
Autor: Joshua Benoliel. Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Nota: os nossos agradecimentos à Maria João Torgal pela descoberta e envio desta imagem de arquivo.

CRITICAL: LISBON. FALAR À CIDADE, FALAR COM A CIDADE (16 a 21 Julho)




Workshop coordenado por Lev Bratishenko, Frederico Duarte e Becky Quintal (inserido no programa Distância Crítica da Trienal de Arquitectura de Lisboa)

CRITICAL: Lisbon é um workshop de uma semana dedicado à expressão, discussão, escrita e publicação crítica sobre arquitetura. Concebido como um projeto editorial especulativo, este workshop confronta a noção de que o arquiteto e o público operam em universos ideologicamente díspares na sua procura e desejo comuns de melhorar a cidade.
 
Tomando a cidade de Lisboa como base de trabalho e inspiração, serão explorados os desafios e obstáculos que os críticos de arquitetura devem enfrentar, mas também as estratégias, táticas e ferramentas que utilizam para os ultrapassar.
 
No workshop serão analisados os muitos meios e mensagens disponíveis aos críticos de hoje: desde ensaios, vídeos, artigos de opinião, fotografias, entrevistas com arquitetos e outros agentes-chave da cidade até recensões descritivas de edifícios ou controvérsias atuais sobre espaços públicos. 
 
Este workshop destina-se a estudantes e jovens profissionais interessados em questões de design, arquitetura e assuntos urbanos. Os candidatos a participantes devem ter o desejo de exercitar e difundir as suas observações, análise e opinião junto de um determinado público, dos seus pares ao público em geral.
 
Aspetos práticos:
- O idioma de trabalho do workshop é o inglês. 
- Cada participante deve trazer o seu próprio caderno e material de escrita, computador portátil e máquina fotográfica ou câmara de vídeo digitais.
 
Horário do workshop: 09h30 - 18h00
Local do workshop: Sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa, Palácio Sinel de Cordes, Campo de Santa Clara, 142-145, 1100-474 Lisboa


FOTO: demolição integral de imóvel na R. do Monte Olivete, em zona histórica consolidada.


domingo, 8 de julho de 2012

Convocatória: Assembleia Geral Ordinária


CONVOCATÓRIA

Convocam-se os associados da Liga dos Amigos do Jardim Botânico para uma Assembleia Geral Ordinária que terá lugar no próximo dia 17 de Julho às 17H30, no Anfiteatro de Botânica Professor Aurélio Quintanilha, na Rua da Escola Politécnica, nº.58, em Lisboa. Não havendo quorum a Assembleia realizar-se-á 30 minutos depois com o número de associados presentes.

ORDEM DE TRABALHOS

1 – Leitura e aprovação da acta da Assembleia Geral anterior;
2 – Discussão e aprovação das Contas dos Exercícios de 2009, 2010 e 2011;
3 – Relatórios de Actividades de 2009, 2010 e 2011;
4 – Apresentação do Plano de Actividades para 2012;
5 – Informações.

Lisboa, 26 de Junho de 2012

A Presidente da Direcção

Maria Manuela Soares Correia, Drª.
Associada nº.149

Notas:

1 – No sentido de privilegiármos a utilização dos transportes público indicamos os seguintes meios: Metro – linha amarela/estação Rato; Carris – carreiras nºs 758 e 773.

2 - A fim de actualizarmos a nossa base de dados, agradecemos que nos seja indicado o endereço electrónico dos associados que o possuírem. 

Foto: Campsis radicans L. em floração na Classe

sábado, 7 de julho de 2012

CHORISIA SPECIOSA

Uma das "estrelas" do nosso jardim, esta maravilha da América do sul (Brasil, Argentina, Bolívia). Da família das Bombacaceae. Para ver no nosso Arboreto, junto da entrada do Borboletário.

Em Floração: Strelizia nicolai

Em floração desde junho no canteiro da escadaria do Arboreto do Jardim Botânico.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Nosso Bairro: R. do Monte Olivete 55-57

O edifício na Rua do Monte Olivete 55-57 foi totalmente DEMOLIDO no mês de Junho. Lisboa continua a destruir, de forma irresponsável, o seu património arquitectónico. Receamos também que neste caso o logradouro seja impermeabilizado com a construção de uma cave para estacionamento como é cada vez mais habitual. De ano para ano cresce a área impermeabilizada na envolvência urbana do Jardim Botânico. O novo PDM de Lisboa vai incentivar este tipo de intervenções, insustentáveis, com efeitos muito negativos para o futuro da nossa cidade. Porque razão continuamos a rejeitar a reabilitação e restauro em favor da construção nova? Nesta área o atraso de Portugal no contexto europeu é muito preocupante.