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sábado, 12 de maio de 2012

«...numa sociedade que se deixou arrastar por um mercantilismo cego»


"De facto, estamos perante a superação de um entendimento já ultrapassado, segundo o qual as políticas de proteção, conservação e defesa do património se contrapunham às modernas políticas públicas da cultura, para as quais a economia e a coesão social têm tudo a ver com as ações dos criadores. A cultura não é um campo excêntrico no âmbito das políticas sociais. Está cada vez mais no centro da inovação e da criatividade. A crise financeira, cujos efeitos duramente sentimos, deve-se à especulação, à ilusão, ao imediatismo e à desvalorização da criação e da cultura. Compreendendo-se que aquilo que mais vale é o que não tem preço, numa sociedade que se deixou arrastar por um mercantilismo cego, pelo fundamentalismo do preço e pela lógica de casino, temos de entender que, longe de ser um luxo, a cultura (vista num sentido amplo, ligada à educação e à ciência) está no coração das políticas públicas contra a crise."
Guilherme de Oliveira Martins no Público de 18 Abril 2010
Foto: pintura a fresco no Palácio Pombal em Lisboa

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

«Perder Jardim Botânico põe em causa zona da Baixa»

O que se passa no Jardim Botânico? A pergunta deu nome a uma tertúlia que decorreu ontem no Centro Nacional de Cultura em Lisboa. Para os intervenientes a questão é fulcral, pois nem todos sabem bem para que serve ou o que se está a passar nesta zona verde da capital. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico acha que merece ser esclarecido que alterações no local podem trazer consequências físicas ao vale da Avenida da Liberdade e Baixa Pombalina.

«Se o plano de requalificação do Parque Mayer avançar no futuro podemos assistir a cheias mais frequentes na baixa. Isto porque a Avenida da Liberdade está situada num vale e na colina da Cotovia a água é escoada pelo jardim. Da mesma forma, o jardim condiciona as brisas que escoam a poluição do vale da avenida», explicou Margarida Cancela D’Abreu, Presidente da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas.

A opinião foi corroborada por Gonçalo Ribeiro Telles, arquiteto e antigo ministro e secretário de Estado do Ambiente. Ele que já em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se publicamente contra as políticas de urbanização vigentes. «Com a construção nos terrenos do Parque Mayer, sendo que os novos edifícios costumam ser feitos com vários metros subterrâneos, vai haver um problema de drenagem subterrânea das águas que vão para o rio Tejo. As construções impedem a circulação de água e ar», acrescentou dando como exemplo o vale da Ribeira de Alcântara, onde há uns anos houve afundamento de estrada.

Plano do Parque Mayer ilegal?

Durante o debate, numa sala repleta de interessados, criou-se alguma polémica com a declaração de Ana Paula Amendoeira, representante da secção portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios, o ICOMOS, devido ao facto de o Jardim Botânico ter recebido em 2010 a distinção como Monumento Nacional.

«O Plano de Pormenor do Parque Mayer é ilegal porque não respeitou a distinção do Jardim como Monumento Nacional. A partir do momento em que se soube que o jardim poderia integrar essa zona, a lei indica que o Plano se Salvaguarda se impõe ao Plano de Reabilitação urbana. A Câmara Municipal não cumpriu a lei, por isso o plano está repleto de ilegalidades», disse Ana Paula Amendoeira.

A declaração motivou resposta por parte de um arquiteto paisagista que estava na audiência e que fez parte do projeto do plano de pormenor. «Não houve nenhuma ilegalidade no plano. Há estudos desde os anos 40 para se pedir classificação como monumento nacional e se esta distinção tivesse sido dada há tanto tempo provavelmente agora já não a tinha. É preciso responsabilidade para manter o jardim. O plano procura fazer com que o jardim participe na revigoração da cidade», argumentou.

«Como foi possível que não tivessem tido em atenção o plano de salvaguarda? Este só termina a oito de agosto de 2012. Tudo o que se fez até lá foi contra a lei», disse a representante do ICOMOS.

À procura de uma solução

O reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, entidade responsável pelo jardim, fez-se representar na sessão transmitindo um apelo: «Se alguém tiver uma solução para o financiamento do jardim, o meu gabinete está aberto para o receber. Queremos construir um caminho para o jardim que possa ser trilhado e encontrar uma solução». in Jornal A Bola, 16 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Debate no Centro Nacional de Cultura: «O que se passa com o Jardim Botânico»?

O CENTRO NACIONAL DE CULTURA e a LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO convidam para mais uma edição do Jornal Falado com o tema:

“O QUE SE PASSA COM O JARDIM BOTÂNICO?”

CONVIDADOS:

Dr. Mário Soares

Prof. Cláudio Torres

Arqº Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles

Drª Ana Paula Amendoeira

Arqª Paisagista Margarida Cancela D'Abreu

Drª Luísa Schmidt

Representante da World Monuments Fund Portugal

Prof. António Sampaio da Nóvoa (a confirmar)

Dr. António Costa (a confirmar)

MODERAÇÃO: Dr. Guilherme d’Oliveira Martins

Dia 16 de Janeiro, 18h30 - ENTRADA LIVRE

CENTRO NACIONAL DE CULTURA

Largo do Picadeiro, nº 10 – 1º
(ao lado do Café No Chiado)
Tel: 213 466 722 Fax: 213 428 250
http://www.cnc.pt/

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Homenagem ao Arquitecto Ribeiro Telles

Justa homenagem ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e do Centro Nacional de Cultura