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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Rua Camilo Castelo Branco: plantemos as tílias!





Na Rua Camilo Castelo Branco há muitas caldeiras vazias que aguardam por novas tílias; também o pequeno jardim junto da Av. Duque de Loulé está muito abandonado e com os canteiros despidos, carecas, sem coberto vegetal. Já alertamos a Junta de Freguesia de Santo António e pedimos que se plantem as árvores em falta. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

«Regulamento para árvores de Lisboa vai ser aprovado, mas com fortes críticas»

















Depois de um ano cheio de polémicas, surge a esperança de que, a partir de agora, as coisas serão diferentes. O corte, a poda e os tratamentos das árvores da capital portuguesa, que recentemente ficaram sob a alçada das juntas de freguesia, estarão sujeitos a novas regras. Mas há quem ache que elas não serão ainda suficientes e, em alguns aspectos, pecam por falta de clareza. O que se poderá revelar contraproducente relativamente à tentativa de estabelecer uma actuação uniforme na forma de lidar com as árvores da cidade. [...]  
Às juntas de freguesia – cuja actuação tem sido, ao longo de 2015, muito contestada pelos frequentes abates e podas substanciais realizadas um pouco por toda a cidade – fica vetada, porém, a capacidade de decidirem sozinhas sobre o corte de exemplares para os substituir. Num dos pontos do artigo relativo ao “plano para substituição do arvoredo” (19º), é mesmo referido que “o plano de substituição de arvoredo é aprovado pelo presidente da CML ou pelo responsável com competência delegada”. Depois de apresentado à câmara, esta tem um prazo de 15 dias para se pronunciar sobre o mesmo. Mas todas as outras intervenções estarão sujeitas ao arbítrio dos serviços das juntas.  
E isso está a deixar preocupados os membros da Plataforma em Defesa das Árvores, que agrega diversos indivíduos e associações em torno de um mesmo propósito. “Algumas das nossas sugestões, que consideramos importantes, não foram consideradas, sobretudo no que se refere à falta da apresentação de um plano de intervenções a realizar pelas juntas”, critica Rosa Casimiro, porta-voz da plataforma, lamentando a inexistência de “regras claras” sobre que tipo de tratamentos e podas as juntas podem ou não fazer sem informar os serviços técnicos da CML. “Isso era essencial”, considera.  
Em todo o caso, diz este elemento do colectivo de cidadania, o aparecimento do regulamento – sobre o qual a câmara terá recebido uma dúzia de sugestões durante a consulta pública – é algo a celebrar. Mas isso não garante nada, se não se fizer um acompanhamento e fiscalização sérios da aplicação do mesmo. Rosa Casimiro diz-se apreensiva. “Em reuniões que tivemos na Assembleia Municipal de Lisboa, alguns presidentes de juntas disseram-nos que não estavam dispostos a cumprir com todas as regras do regulamento”, revela a activista, mostrando cepticismo sobre a capacidade de fiscalização da câmara face à actuação das juntas.  
Apesar das dúvidas, Rosa Casimiro saúda o aparecimento do regulamento, que ainda terá de ser apreciado pela assembleia municipal. E dá como um bom exemplo do que vai mudar o facto de, a partir de agora, ser obrigatório para a CML indicar um local para a recolha da madeira resultante dos cortes e podas nas árvores. “Isso é muito positivo. Tenho visto coisas inacreditáveis, com pessoas a levarem a lenha para casa”, diz a responsável da Plataforma em Defesa das Árvores, para quem “é imprescindível que o regulamento seja respeitado, caso contrário não haverá uniformidade na abordagem à macha arbórea da cidade”.» 
In O Corvo (15.12.2015) Por Samuel Alemâo

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Abate de tílias no Jardim das Amoreiras é um “crime ambiental”, dizem activistas

Mau serviço público
Decisões tomadas com base na ignorância, levam a acções criminosas e à perpetuação dos estereótipos nos cidadãos.
Os jardins históricos da cidade de Lisboa não podem depender das Juntas de Freguesia. Um Presidente de uma Junta de Freguesia, tem que ter, de preferência, ou fazer-se acompanhar, de alguém, que tenha conhecimento sobre o que é uma árvore, árvore de grande porte/monumental, um jardim histórico, como se avalia o estado de saúde de uma árvore, como se trata. Caso contrário não deve poder ter a ambição de um cargo público que é responsável pelo património que é de todos nós, os que cá estamos, e os que hão-de vir.

In O Corvo, 22-10-2015
O corte de três tílias no Jardim das Amoreiras, iniciado nesta terça-feira (20 de Outubro), está a ser fortemente criticado pelos membros da Plataforma em Defesa das Árvores, que vêem na operação um “crime ambiental”. O abate das árvores, realizado por uma empresa ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa (CML), a pedido da Junta de Freguesia de Santo António, acontece na sequência dos danos causados pelo vendaval ocorrido na noite de sexta-feira para sábado passados. O mau tempo fez com que a árvore de maior porte não resistisse às rajadas de vento, partindo-se e caindo em cima das outras, mais pequenas, que terão ficado com a sua estabilidade comprometida.

“A árvore grande tinha fungos no seu interior e, além disso, o piso onde estava encontrava-se remexido, logo sem a devida sustentação. Com os ventos fortes, torceu, partiu e caiu em cima das outras. Não podíamos, por isso, fazer outra coisa que não fosse o corte das árvores, que estavam a colocar em perigo a segurança das pessoas”, diz ao Corvo Vasco Morgado (PSD), presidente da Junta de Freguesia de Santo António, explicando que a situação causou ainda uns arranhões menores numa viatura ali estacionada. Não se registaram danos humanos, mas foi criada um quadro potencialmente perigosa. Foi por isso que a junta decidiu avançar para o corte das referidas árvores, por uma mera questão de segurança. Pediu então a intervenção dos serviços da CML, a quem reembolsará os custos.

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“Não posso arriscar numa situação destas. Não vou pôr em risco a vida das pessoas, sabendo que pode haver perigo de queda. Prefiro cortar as árvores e lidar com as críticas”, diz o autarca, ciente de que uma operação deste tipo causa sempre apreensão por parte de algumas pessoas. “Encaro isso com naturalidade. É sinal de que as pessoas estão preocupadas com a sua cidade. Mas prefiro receber um telefonema de alguém descontente com o abate das árvores, do que ter uma chamada dando conta de uma situação trágica”, afirma Vasco Morgado, lembrando que operações deste tipo são sempre sustentadas em pareceres técnicos.

Um argumento que não parece ser suficiente para os elementos da Plataforma em Defesa das Árvores – grupo formado, na primavera passada, por diversos cidadãos e associações, como a Associação Lisboa Verde, Quercus, o Geota, Fórum Cidadania LX, Grupo dos Amigos do Príncipe Real, entre outros, na sequência de um conjunto de podas realizadas um pouco por toda a cidade. “É muito, muito grave o que se está a passar no Jardim das Amoreiras, aquele que era um dos últimos refúgios para árvores na cidade de Lisboa, a alegada queda de um ramo não pode justificar o abate de árvores centenárias sem que se apresentem quaisquer justificações ou avisos e muito menos ser pretexto para que se abatam mais…”, lê-se num post colocado, na manhã de quarta-feira (21 de Outubro), no blogue da plataforma.

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No referido artigo, de apenas um parágrafo e escrito na primeira pessoa do singular – apesar de assinado pela Plataforma em Defesa das Árvores -, diz-se ainda: “Sinto uma tristeza imensa em viver numa cidade que nada faz para evitar crimes ambientais destes, e lamento que os moradores daquele jardim permitam atrocidades destas. São afinal eles também responsáveis pelo que se está a passar”. Mas um dos moradores de um rés-do-chão situado mesmo em frente a uma das árvores, ontem ouvido pelo Corvo, dizia concordar com o abate. “Quem faz essas críticas devia cá estar quando o vento derrubou a árvore”, afirmou, dizendo que os moradores se sentem agora mais seguros.

A forte contestação às operações de poda e corte do arvoredo levadas a cabo, na primavera passada, pelas juntas de freguesia – agora com competências nessa área, na sequência do processo de descentralização de competências -, mas também pela CML em alguns casos, originou não apenas o nascimento da plataforma como uma promessa de alteração de procedimentos neste campo por parte da câmara. O novo Regulamento Municipal do Arvoredo de Lisboa esteve em consulta pública até 30 de Setembro e deverá ser, em breve, conhecida a sua configuração final. Uma primeira versão havia sido levada a discussão camarária e retirada por não ter sido sujeita ao parecer das juntas de freguesia.

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O projecto do regulamento sujeito a discussão pública prevê que as operações de abate, transplante ou outras que possam vir a fragilizar a árvore sejam sempre alvo de parecer vinculativo da CML. A excepção a tal obrigatoriedade surge face a “árvores que representem um risco para pessoas e bens atento o seu estado de conservação fitossanitária”. Aí, as juntas de freguesia poderão sempre invocar tratar-se de uma emergência e procederem ao corte. Apesar de o regulamento não estar ainda em vigor, a intervenção agora realizada pela Junta de Freguesia de Santo António no Jardim das Amoreiras poderia ser justificada ao abrigo deste regime excepcional.

http://ocorvo.pt/2015/10/22/abate-de-tilias-no-jardim-das-amoreiras-e-um-crime-ambiental-dizem-activistas/

Abate de árvores no Jardim das Amoreiras em Lisboa gera indignação

Mais uma má intervenção dos responsáveis pela gestão e manutenção do arvoredo na cidade de Lisboa.
- Quem avaliou o estado das árvores abatidas?
- Onde está o relatório dessa avaliação que fundamenta a acção praticada?
- Onde está a informação devida aos moradores, lisboetas e cidadãos?...
- Qual a lei actualmente vigente, que regulamenta a gestão e manutenção do arvoredo na cidade de Lisboa?
- A quem devemos pedir esclarecimentos, baseados no conhecimento, para compreender, não para aceitar, o crime que se cometeu?


In jornal Público - Marisa Soares - 22/10/2015

O abate de três tílias no Jardim das Amoreiras, em Lisboa, iniciado na terça-feira por ordem da Junta de Freguesia de Santo António, deixou indignados os membros da Plataforma em Defesa das Árvores, que consideram estar perante um "crime ambiental". O presidente da junta, Vasco Morgado, argumenta que as árvores ficaram danificadas com o temporal no fim-de-semana e que estava em causa a "protecção de pessoas e bens".
"É muito, muito grave o que se está a passar no Jardim das Amoreiras, aquele que era um dos últimos refúgios para árvores na cidade de Lisboa", lê-se no blogue da plataforma que junta vários cidadãos em nome individual e organizações como o Fórum Cidadania Lx, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Quercus, entre outras associações ambientais. Os autores do blogue consideram que "a alegada queda de um ramo não pode justificar o abate de árvores centenárias" sem "quaiser justificações ou avisos". E sublinham a "tristeza" por nada se fazer para evitar "crimes ambientais destes", responsabilizando também os moradores da zona por permitirem estas "atrocidades".
Às críticas, o presidente da junta responde com a garantia de que a decisão visou unicamente a salvaguarda de quem frequenta o jardim. "Se tiver que optar entre a segurança de pessoas e bens e as árvores, eu opto pelas pessoas e bens", afirma. O autarca do PSD diz que os ventos fortes registados no fim-de-semana passado fizeram com que uma tília de grande porte partisse, caindo sobre outras duas mais pequenas, que ficaram também danificadas e instáveis.
Segundo Vasco Morgado, "a árvore maior já tinha uma proposta de abate porque tinha um fungo e estava oca no interior". "Aliás, foi por isso que partiu", pondo em risco a segurança naquele jardim situado na zona das Amoreiras, onde existe um quiosque e uma esplanada. O incidente provocou ainda alguns riscos numa viatura que estava estacionada nas proximidades. Nesta situação "de emergência", a junta quis "prevenir antes de remediar" uma situação mais grave e pediu por isso a intervenção dos serviços da Câmara de Lisboa, para que avançassem com o abate das três árvores.
Vasco Morgado garante que a operação se baseou em pareceres camarários e que está prevista a replantação. Mas avisa que "tem de haver uma mudança de paradigma na forma como se olha para as árvores na cidade", uma vez que "mais de 45% das árvores de Lisboa não estão em condições fitossanitárias e não podem estar onde estão".
O autarca, que tal como os restantes presidentes de junta de Lisboa assumiu a gestão de parte dos espaços verdes da cidade, no âmbito da delegação de competências do município, diz que são necessários 100 mil euros só para podar as ávores na Avenida da Liberdade, que se inclui no território da freguesia. "Nós não temos dinheiro para isso, é a câmara que tem de o fazer. Até porque muitas ávores têm datas para abate que já são de 2009, 2010 ou 2011", revela.
A culpa, prossegue, é de "anos de inércia por incapacidade de meios". "Herdámos árvores que não são mantidas há 40 anos."
Sobre o Jardim das Amoreiras, Vasco Morgado diz que não está previsto mais nenhum abate. Segundo o presidente da junta, apenas uma árvore que se encontra em frente às instalações do Ginásio Clube Português, e que "nunca foi podada", está a ser avaliada. "Estamos a ver se pode levar estacaria, para evitar o abate."
A Plataforma em Defesa das Árvores tem-se manifestado nos últimos meses contra várias operações de poda e abate realizadas por diversas juntas de freguesia de Lisboa, sobretudo na Primavera passada. A contestação levou mesmo a câmara a prometer a criação de um regulamento com normas para a manutenção do arvoredo da capital, que esteve em consulta pública até 30 de Setembro. O documento está ainda em análise nos serviços municipais e deve voltar a ser discutido na câmara.

Ler notícia aqui: http://www.publico.pt/local/noticia/abate-de-arvores-no-jardim-das-amoreiras-em-lisboa-gera-indignacao-1712015

sábado, 22 de agosto de 2015

«Regulamento para as árvores de Lisboa em consulta pública até ao fim de Setembro»

A Plataforma em Defesa das Árvores lançou uma petição, que recolheu 375 assinaturas, na qual se pede que nenhuma poda ou abate seja feito na cidade até este regulamento entrar em vigor.
 
O Projecto de Regulamento Municipal do Arvoredo de Lisboa já se encontra em consulta pública, podendo os interessados apresentar sugestões sobre o documento até ao dia 30 de Setembro, presencialmente ou no site da Câmara de Lisboa.
 
A versão agora sujeita a discussão pública prevê que qualquer “intervenção que implique o abate, o transplante ou outra operação que de algum modo fragilize as árvores” seja “previamente sujeita a parecer vinculativo” da câmara, “de forma a determinar os estudos a realizar, medidas cautelares e modo de execução dos trabalhos”. Há no entanto uma excepção: “as juntas de freguesia podem proceder ao abate urgente de árvores que representem um risco para pessoas e bens atento o seu estado de conservação fitossanitária”.  
 
No projecto de regulamento diz-se que essas situações devem ser “devidamente certificadas por técnico da freguesia ou do município, do laboratório público ou instituição de ensino superior ou de empresa com certificação para o efeito”. Acrescenta-se ainda que do abate se deve “dar nota” à câmara “com a maior brevidade possível”.
 
Na primeira versão do regulamento que foi levada a reunião camarária, e que a oposição criticou por não ter sido previamente sujeita à apreciação das juntas, não havia qualquer excepção à obrigatoriedade de os abates de árvores serem objecto de parecer do município.
 
Nas intervenções que tem feito sobre a matéria, o vereador da Estrutura Verde tem desvalorizado essa questão, frisando que “o mais importante do regulamento” é o facto de ele indicar “em que alturas se deve podar e plantar, seja a câmara ou as juntas” a fazê-lo. “É isto que no fundo interessa para a gestão do arvoredo”, afirmou José Sá Fernandes na última reunião do executivo, em Julho.
 
Particularmente crítico da proposta de regulamento tem sido o PCP, cujos vereadores consideram que a sua elaboração é um reconhecimento de que, ao nível da gestão do arvoredo, a transferência de competências da câmara para as freguesias “foi um falhanço”. “As juntas não têm em termos técnicos know-how nesta área nem capacidade de intervenção”, afirmou recentemente Carlos Moura.
 
Já o seu colega de bancada João Ferreira notou que o regulamento prevê “soluções incongruentes, susceptíveis de vir a perpetuar algum tipo de conflitos” entre os diferentes órgãos autárquicos. “Este regulamento surge perante a constatação dos efeitos negativos da passagem da gestão do arvoredo para as juntas mas não resolve os problemas da melhor forma”, concluiu o vereador comunista na reunião pública em que o assunto foi discutido.
 
O projecto de regulamento que está agora em discussão pública inclui dois anexos: um com as “normas técnicas para implantação e manutenção do arvoredo de Lisboa” e outro sobre as “árvores recomendadas para utilização nos arruamentos de Lisboa”. Em relação à poda, diz-se no primeiro desses anexos que “a poda de manutenção deverá ocorrer quando os serviços competentes da autarquia indicarem, sendo preferencialmente executada entre Novembro e Abril, podendo no entanto ocorrer noutros meses de acordo com circunstâncias devidamente justificadas”. Como se constata através das muitas notícias que sobre o assunto têm vindo a público nos últimos meses, esse período preferencial nem sempre tem sido respeitado pelas juntas de freguesia.  
 
À espera de ser apreciada na Assembleia Municipal de Lisboa está uma petição, entregue a 23 de Julho pela Plataforma em Defesa das Árvores, na qual se pede a “suspensão imediata das operações de poda e abate de árvores na cidade de Lisboa até à entrada em vigor do novo regulamento”. Para justificar esse pedido, os 375 signatários invocam “recentes e múltiplas operações de poda mal sucedidas e o abate mal justificado de árvores um pouco por toda a cidade de Lisboa” e elencam um conjunto de exemplos disso mesmo, entre os quais os do Jardim Cesário Verde (Arroios) e da Avenida Guerra Junqueiro (Areeiro).
 
Na petição, fala-se também na “forma desrespeitosa como são tratadas as árvores de Lisboa, sobretudo as de alinhamento e as de grande porte”, criticando-se igualmente a “falta de informação prestada pela autarquia” e a realização de “intervenções que em muito ultrapassaram os pareceres técnico-fitossanitários que justificavam/justificariam a sua poda ou abate”.  
Nos últimos meses, a Plataforma em Defesa das Árvores, que integra cidadãos individuais e várias organizações não governamentais, endereçou a vários presidentes de junta de Lisboa pedidos de informação escrita sobre as intervenções de poda ou abate que estão previstas para as suas freguesias. Face à ausência de respostas de 12 autarcas, a plataforma dirigiu em Junho uma queixa ao Provedor de Justiça, na qual alega ter sido violada a Lei de Acesso aos Documentos Administrativos. 
 
in PÚBLICO 14 Agosto 2015
 
Foto: Caldeira com cepo de árvore abatida na Rua Luciano Cordeiro

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ÁRVORES DE LISBOA: «Podas e decretos de abate inflamaram ânimos em Lisboa»

"Diz-me, minha alma, pobre alma enregelada, que acharias de ir viver para Lisboa? Deve lá fazer calor, deleitar-te-ias como um lagarto. É uma cidade à beira de água; dizem que é construída em mármore e que o seu povo tem uma tal raiva ao vegetal que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem de acordo com o teu gosto: feita de luz e de mineral, com o líquido para a refletir!" 

Poucas coisas agradam tanto aos portugueses como citar observações desagradáveis de estrangeiros, de preferência ilustres, sobre o seu país, e estas palavras do francês Charles Baudelaire, publicadas em 1869 em Le Spleen de Paris, parecem dar razão aos que veem na sequência recente de podas e abates o testemunho de uma aversão atávica. Cunharam até, para a caracterizar, o termo "arboricídio" - como em homicídio, ou genocídio, de árvores. 

A palavra não é usada na carta-aberta ao novo presidente da autarquia, Fernando Medina, que a recém-criada plataforma Em Defesa das Árvores - que congrega vários grupos e associações (incluindo Fórum Cidadania Lisboa, Quercus Lisboa, Amigos do Jardim Botânico, Plataforma por Monsanto, etc.) - tornou pública na quarta-feira. Mas fala-se em "onda de intervenções radicais e devastadoras que as árvores de Lisboa têm sofrido nas últimas semanas". A saber, "empreitadas de poda, abate e substituição de árvores de alinhamento e de jardim um pouco por toda a cidade, de Alvalade à Estrela, das Avenidas Novas a Arroios, da Graça à Ajuda, com menor ou maior grau de intensidade e número de árvores objeto das mesmas, com mais ou menos gravidade e grau de irreversibilidade, sob esta ou aquela justificação, não poucas vezes caricata, e outras tantas por razões que a razão desconhece". 

A ideia da plataforma, que pondera ações em tribunal para impedir abates anunciados, é de que as intervenções descritas não se devem a motivos sérios e ponderados, antes a caprichos e interesses talvez suspeitos: "Cultiva-se a ignorância, acenando com pragas e alergias, velhice excessiva das árvores (quando árvores com 60 anos devem ser consideradas jovens), cataclismos inevitáveis e a corrosão da chapa. Alimenta-se o ódio instalado ao choupo, cipreste, plátano, freixo e, quiçá a breve trecho, à tília, à tipuana e ao jacarandá! Não se percebe de onde vêm os novos espécimes que se plantam, mirrados e sem copa frondosa previsível que não por várias décadas, nem para onde vai a lenha que resulta de tudo isto. De uma assentada, como no caso recente da Guerra Junqueiro, destrói-se a imagem até agora inalterável de um arruamento histórico com 60 anos." in DN, 31 Maio 2015 por Fernanda Câncio

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Abate de Árvores na Ribeira das Naus em Lisboa





É com grande indignação que publicamos aqui estas imagens do horrendo crime perpetrado pela Câmara Municipal de Lisboa na Ribeira das Naus. Trata-se de uma visão horrenda, imprópria de uma capital da Europa do séc. XXI - imagens que deveriam correr todos os países do Mundo onde exista respeito e amor pela Natureza. Fotos: cortesia da Associação Lisboa Verde.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Arboricídio na cidade: Abate de um Lodão centenário no Bairro do Castelo

Mais uma perda perfeitamente evitável numa zona urbana carenciada de espaços verdes como são os bairros do Castelo, Alfama e Mouraria. Desta vez o crime aconteceu no Largo de Santa Cruz do Castelo:
http://cidadanialx.blogspot.pt/2012/05/abate-de-arvore-centenaria-no-bairro-do.html

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cipreste em risco no Palácio Silva Amado na Travessa do Torel?

Exmo Vereador do Espaço Público e Espaços Verdes

Lisboa, 12 de Março de 2012

Exmo. Sr. Vereador,

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) vem por este meio chamar atenção para uma notável árvore que poderá estar em risco no pátio do antigo Palácio Silva Amado na Travessa do Torel, Freguesia da Pena.

Recentemente deu-se início a uma grande operação urbanística neste palácio e, porque já é quase regra nestas situações, receamos que o dono da obra não tenha acautelado a protecção desta árvore. Estará este cipreste fisicamente protegido contra as actividades agressivas de uma obra desta natureza (grandes demolições em curso)?

Por último, receamos que a árvore seja abatida - atitude cada vez mais corrente, como infelizmente temos observado, em tantos outros logradouros de Lisboa quando o seu coberto vegetal é destruído para impermeabilização e abertura de caves de estacionamento.

Solicitamos assim que nos esclareça se os nossos receios são infundados e se este cipreste está protegido pelo PDM, sendo cuidadosamente integrado no projecto arquitectonico em desenvolvimento.

Enviamos em anexo imagens que mostram como esta árvore é um marco naquela zona urbana antiga de Lisboa.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

CC: Assembleia Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia da Pena, Associação Lisboa Verde, Quercus Lisboa, Fórum Cidadania Lx

domingo, 25 de setembro de 2011

Avenidas Novas: «A sistemática destruição das árvores dos quintais»

«Os logradouros interiores dos quarteirões de Lisboa constituíram pulmões verdes e áreas de inflitracção das águas, de grande importância na sustentabilidade ecológica e estabilidade da cidade. A sistemática destruição das árvores dos quintais constitui um grave erro urbanístico.»

Arq. Gonçalo Ribeiro Telles

in A Árvore em Portugal

Foto: Parece que estas sábias observações têm caído, na maior parte das vezes, em saco roto... Logradouro 100% impermeabilizado para a construção de caves de estacionamento na Av. Duque de Loulé, 86-88-90.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Resposta do Grémio Literário

Exma. Presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Assunto: Corte dos Plátanos no Jardim do Grémio Literário

Acuso e agradeço o e-mail de V. Exa., de 14 do corrente relativo ao assunto em epígrafe.

O corte dos dois plátanos referidos foi efectuado por um técnico que nos foi recomendado para o efeito e só agora ocorreu em virtude das adversas condições meteorológicas que se tem verificado desde o passado mês de Novembro.

Essa intervenção era urgente uma vez que já tinha sido reclamada pelos proprietários dos prédios vizinhos.

Em futuros cortes não deixaremos de contactar a LAJB, para que as intervenções no nosso jardim sejam feitas segundo as melhores práticas.

Com os melhores cumprimentos,

Pelo Grémio Literário

O Presidente

José Macedo e Cunha

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta da LAJB ao Grémio Literário


Exmo. Sr. Presidente do Grémio Literário

Dr. José do Egipto da Silva Macedo e Cunha

Assunto: Corte dos Plátanos no Jardim do Grémio Literário

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) da Universidade de Lisboa vem por este meio manifestar a sua preocupação pelo modo como foram tratadas duas árvores no Jardim do Grémio Literário na Rua Ivens.

Na manhã do dia 13 de Abril assistimos à destruição das copas de dois Plátanos. O corte foi incorrecto porque privou a árvore de todos os ramos que estavam já cobertos de folhas (ver levantamento fotográfico). Mesmo se houvesse uma necessidade, sempre pontual, de poda, a Primavera não é a estação do ano indicada para o fazer. A intervenção realizada nos dois Plátanos evidência uma preocupante falta de conhecimentos na área da Arboricultura.

Esperavamos, de uma notável instituição como o Grémio Literário, maior profissionalismo na gestão de um espaço verde da autoria do Prof. Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

Um dos objectivos da LAJB é colaborar com o Jardim Botânico estimulando o interesse pela cultura botânica assim como chamar atenção para o papel vital das árvores na melhoria do Ambiente Urbano.

Assim, gostariamos de oferecer a nossa colaboração para que no futuro as intervenções no Jardim do Grémio Literário sejam orientadas por boas práticas. Para já, é muito importante reflectir sobre o futuro dos dois Plátanos que foram severamente mutilados. Muito obrigado.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Liga dos Amigos do Jardim Botânico