domingo, 31 de maio de 2009

Bicentenário do nascimento de Darwin

O Museu Nacional de História Natural, em parceria com o Ciência Viva, organiza um conjunto de actividades comemorativas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, no âmbito da Geologia, Paleontologia, Física, Biologia, Zoologia e Botânica. Para mais informações, consulte o programa em


The many wonderful things about Jamaica – its extraordinary music-making, its physical beauty, its athletic prowess (six sprinting gold medals at the Beijing Olympics) – contrast harshly with the crime, violence and political corruption. Tourists rarely see anything of the twisted side of island life. Yet almost every Jamaican knows someone who has been threatened with a gun or knife – or murdered.

The island’s reputation for violence, however, is only part of the picture. Rural Jamaica especially has an alluring atmosphere that cannot be guessed at behind the walls of the tourist beach resorts. Hardly visited these days is Cinchona, a botanical garden due east of Kingston, the capital. To older Jamaica hands, Cinchona is a place of remarkable charm, and one of the best-kept secrets in the West Indies.

Cinchona Gardens began life in the 1860s as an experimental quinine station. The cinchona plants had provided quinine as an antidote to malaria. Competition from cinchona grown in imperial India, however, soon undermined the project and, a decade later in 1874, the quinine station was transformed into a pleasure garden and haven for orchid-fanciers. William Nock of the Royal Botanic Gardens, Kew, was summoned from London to oversee the transformation. Before long he was inviting fellow botanists to see the night-flowering shrubs and magical efflorescence of sub-tropical flora.

Situated 5,000ft up in the Blue Mountains, Cinchona is determinedly off the tourist track. I was advised to visit with Andreas Oberli, a Swiss-born botanist living in Kingston, who was keen to see how the gardens had fared after the assaults of a recent hurricane. Before setting off, we weighted Oberli’s pick-up with cement blocks for balance: the road to the gardens was not good, he said, and the ballast would help reduce the risk of skidding. By midday the nose of the concrete-heavy Mitsubishi was pointing permanently skywards, as the road edged along vaporous ravines with swirls of thin mist. Occasionally the rolling greenness was broken by the crimson flare of an African tulip; the same shrubbery, said Oberli, typified the Italian regions of Switzerland.

Not for the first time, Jamaica struck me as a place of voluptuous, overripe beauty. Waxy-leaved frangipani and outbursts of orange-white blossom enhanced the Blue Mountain road we were now on, a scene that cannot have changed since the 1680s when Sir Hans Sloane botanised his way across it (and subsequently gave his name to London’s Sloane Square).

However, as we approached Yallahs Valley, the landscape was not so lush. A couple of bridges were down, and landslip had washed out parts of the road. Twice our pick-up got stuck in rough ground. “Thank God it hasn’t rained,” Oberli said, “otherwise all would be mud.” In these devastated surroundings, sweat-soaked and covered in roadside dust, I caught my first glimpse of Cinchona Gardens. By the entrance was the melancholy spectacle of a tulip tree and a eucalyptus uprooted by the hurricane. Yet beyond the iron gates, Cinchona’s beauty, with its lilac hydrangeas and rivers of blue azaleas, was overwhelming. The place appeared almost theatrical – the creation of some rhapsodising set-designer. Once inside I was aware of a hushed, almost private atmosphere that felt remote from the world.

Oberli, camera slung round his neck, took photographs of a clump of Assam tea bushes planted by William Nock more than a century ago. He stumbled on a lone lily with an odd, crinkly bloom. “Oh, you are a beauty!” he exclaimed and, crouching low, photographed it too. Strange gold ferns – green on the outside, gold underneath – glinted exotically in the afternoon light. Oberli has been associated with Cinchona since 1982, when he was appointed the gardens’ project manager. His brief was to restore the botanical “Sleeping Beauty” to its Victorian state; it took him four years to accomplish the task.

The observatory house had been vandalised and the glass palm-houses imported from Kew had collapsed. In the mid-1980s, Jamaica’s then prime minister, Edward Seaga, wanted to develop Cinchona as his own private country club, complete with tennis courts and a helicopter-landing pad. Oberli, to his credit, helped to block the project.

As dusk fell, a bamboo scent reached into our lungs and the mountain mists began to clear. Half a dozen Rastas were lying among the rose beds outside the observatory house smoking ganja. The plantsmen seemed to be enjoying the beauty of the mountains in the fading light. “The more you smoke,” one of them eventually announced to me, “the more Babylon fall.” (Babylon, in Rasta-speak, means oppressive colonial society; more loosely, the police.) He took a long drag at his carrot-shaped cigarette and introduced himself as Lloyd Stamp, keeper of Cinchona Gardens since 1978. He was a big man whose belly hung off him like a dead weight. With a sigh he began to complain to Oberli of his employers, the ministry of agriculture, who for the past 30 years had failed to provide him with adequate security.

“Thieves creep up here at night, Mr Oberli, and steal the Bermuda Ladies and orchids,” Stamp said. “Man, I need some guard dogs.”

“Yah, dogs are good,” Oberli agreed. “Dogs keep you alert – and they alert you.” There seemed little likelihood that Stamp would get them. People mostly avoided Cinchona. Even the mountainside farmers, who were no strangers to solitude, kept away from the godforsaken loneliness of this outpost.

Nothing, though, could tempt Stamp or his staff to work elsewhere, especially not Kingston. The city was a “creation of the devil”, he said. What used to be considered a crime in Kingston is now judged a non-crime. “Is Satan take over now,” Stamp judged. It was almost dark and the air, not yet cool, had a tired end-of-the-day smell of damp earth.

I looked out across the valley to the Blue Mountain Peak in all its ethereal majesty and sapphire tinge. I felt lucky to be up here, enjoying the dimming view. “If life is fair,” Stamp looked at me, “you will have to come and see us again.” in Financial Times, 2/3 de Maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009


As obras de vídeo realizadas no âmbito do projecto “Biodiversidade em Estilo” serão apresentadas no dia 31 de Maio (Domingo), às 15h, no Cinema São Jorge, numa sessão integrada no programa da 3ª edição da Extensão do Cine’ Eco – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente (programa em anexo) onde estará presente o júri que seleccionará a melhor obra e que conta entre os seus elementos com um representante do CBA.

O 1º Prémio do Concurso de Vídeo – “Biodiversidade em Estilo” será anunciado no dia 04 de Junho (5ª-Feira) no Cinema S. Jorge, numa sessão com início às 19h15, que contará como oradores com representantes da CML e do CBA, com a equipa do CBA e CML responsável pela organização do projecto e com representantes do Cine’ Eco e da EPSON. Esta sessão incluirá o seguinte programa:

- Balanço do projecto “Biodiversidade em Estilo”

- Entrega do prémio ao vídeo vencedor

Resumo do Projecto: “Biodiversidade em Estilo” é um projecto de sensibilização ambiental coordenado pelo Centro de Biologia Ambiental da FCUL em conjunto com a Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental da Câmara Municipal de Lisboa, contando com a parceria e apoio de diversas outras instituições. O “Biodiversidade em Estilo” foi um dos 15 projectos seleccionados entre as 157 candidaturas apresentadas ao concurso AGIR-AMBIENTE 2008 da Fundação Calouste Gulbenkian que financia projectos relevantes na formação e disseminação de conhecimento para o desenvolvimento de uma cidadania mais ambiental.

Este projecto assentou no convite efectuado a estudantes do ensino profissional e superior para participarem num curso básico de formação sobre o tema “Biodiversidade e Estilos de Vida”, constituído por módulos temáticos (teóricos e práticos) que foram desenvolvidos na sua maioria por membros do Centro de Biologia Ambiental (Maria José Caramujo, Henrique Pereira e Vânia Proença).

O projecto encontra-se na recta final que consiste na conjugação entre a linguagem científica e a linguagem artística através da realização de obras de vídeo, por parte dos formandos, que constituirão suportes de difusão de informação e sensibilização de novos públicos sobre o binómio biodiversidade e estilos de vida.

As Árvores e a Cidade: Jacarandá na Rua do Milagre de Santo António

Mais um Jacaranda mimosifolia em floração, desta vez num jardim privado na Rua do Milagre de Santo António (Freguesia de Santiago).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

António Costa quer tirar 80 mil carros de Lx

O estacionamento em Lisboa pode vir a ficar mais caro. O vice-presidente da câmara de Lisboa, Manuel Salgado, considera que estacionar na cidade deve custar mais do que custa hoje e que essa pode ser uma ferramenta para um dos objectivos do Plano Director Municipal, que começa a ser agora discutido. Retirar carros da cidade e apostar nos transportes públicos é a ordem, nem que para isso seja necessário levar os locais de emprego para onde estão os transportes públicos. Esta é uma das apostas do executivo de António Costa na Câmara Municipal de Lisboa para a revisão do Plano Director Municipal (PDM), o instrumento de ordenamento da cidade. O plano em vigor foi aprovado há 15 anos e três dias na Assembleia Municipal.

O próximo planeamento da cidade vai ser feito em torno das grandes obras que estão previstas, como a terceira travessia do Tejo, a saída da CREL para Lisboa, a saída do aeroporto da Portela da cidade e a reestruturação do porto. E tudo numa época de crise que obriga a "pensar Lisboa no futuro, com a nova economia e com todos os problemas de criação de emprego", disse ao i o vice-presidente da câmara, Manuel Salgado, que tem o pelouro do Urbanismo e a tutela a revisão do PDM.

Uma das prioridades na mudança é a "recomposição social de Lisboa, evitando que as pessoas continuem a sair da cidade" e para isso há que mudá-la. O alvo a abater será o transporte individual, mas agora com uma mudança de estratégia. Mais do que campanhas para promover a oferta de transportes públicos, a equipa de António Costa quer dificultar a vida aos automóveis em Lisboa. Além das mudanças na circulação, Manuel Salgado defende que "o preço do estacionamento deve ser mais caro, porque é espaço público que está a ser ocupado". "Temos que reduzir a oferta de estacionamento. Actualmente, o PDM prevê um mínimo de dois lugares de estacionamento a cada 100 metros, mas queremos que o novo plano possa estabelecer um número máximo de lugares." No entanto, sublinha que esta possível subida de preços para o estacionamento à superfície "é uma responsabilidade da Empresa Pública de Estacionamento de Lisboa (EMEL).

As restrições à circulação aos automóveis na capital passam ainda pelo aumento do estacionamento condicionado na via pública a todo o concelho, introdução de limite máximo de velocidade de 30 km/h em todos os bairros - de forma a cortar o tráfego de atravessamento - e redução de segundas filas de trânsito no eixo-central (Baixa, Avenida da Liberdade, Fontes Pereira de Melo e Avenida da República) para metade das que existem hoje.

Para que não haja desculpas para não aumentar o uso dos transportes públicos em Lisboa, o vice-presidente da autarquia quer deslocalizar centros empresariais e comerciais para juntos dos principais terminais de transportes públicos: casos de Sete Rios, Alcântara e Parque das Nações. "Se os empregos estiverem mais perto dos transportes, não há por que não usá-los. E isso pode aplicar-se também aos equipamentos, como tribunais ou hospitais.

Manuel Salgado garante que não descura "o urbanismo de proximidade, que pode resolver os problemas do dia-a-dia das pessoas". "Temos que recompor socialmente a cidade", diz. Para isso, admite aplicar o PDM "em escalas de tempo e em escalas de detalhe", para resolver questões como o vale de Alcântara, a ligação com a embocadura do rio, os planos de pormenor na zona da Boavista, ou a intervenção na Baixa da cidade e Parque Mayer - projectos de curto prazo, mas com grande impacto em Lisboa. "Num momento de escassez de recursos, o que for feito tem de ser muito bem feito, tem de ter muita qualidade. E quer sejam iniciativas públicas quer sejam iniciativas privadas, terão que ir sempre no sentido de valorizar." Aqui, Manuel Salgado dá os exemplos da recuperação da frente rio e do projecto previsto para o Terreiro do Paço, que vão aumentar as áreas para peões e condicionar a circulação de carros - "que é, de facto, o que nos pedem".

Em discussão vai estar também o modelo da cidade: uma com pessoas a viver na periferia e que vêm trabalhar no centro, ao estilo norte-americano, ou uma com mais pessoas a viver e a trabalhar no centro, ao estilo europeu. A câmara inclina-se mais para a segunda opção.

Como exemplo de um caso pouco pensado para as pessoas, o arquitecto Eduardo Leira, autor do projecto da Alta de Lisboa (e que vai estar hoje presente na conferência "Uma Cidade para o Futuro. O PDM de Lisboa"), referiu ontem que a "mentalidade da prioridade ao carro está aplicada em toda a estrutura viária". As estações de Metro mais modernas são um exemplo: "São quimicamente puras. São bonitas, mas quase parece que as pessoas incomodam e têm de pedir licença para se sentarem. Estes são espaços que têm de ser desenhados para as pessoas, com cafés, locais para se sentarem e onde se sintam bem". Leira defende também que é necessário passar a mensagem. "Há uns anos o carro era um bem social, mas hoje todos temos carro. Só não o usem é para vir à cidade!".

A proposta de PDM que começa a ser discutida define como oportunidades a melhoria de acessibilidades e atractividade internacional de Lisboa por via da construção das ligações ferroviárias de alta velocidade ao Porto e a Madrid e determina que a cidade tem que assumir-se como porta de entrada na Europa para empresas e investidores do espaço lusófono. Isto apesar das ameaças do risco de centralização em Madrid (e Barcelona) de empresas vocacionadas para o mercado ibérico.Com o início da discussão, a oposição na autarquia de Lisboa já lançou alertas. A independente Helena Roseta lembra que esta é uma fase inicial da discussão. "Há muito trabalho técnico feito, mas falta a ligação com uma estratégia para a cidade, num modelo relativamente cego a nível social, porque Lisboa tem muita gente, população pobre e envelhecida, nos bairros críticos. O PDM devia incluir uma estratégia para estes bairros e não definir apenas as oportunidades imobiliárias. É preciso não esquecer que aqui estão também muitos jovens. Se melhorarmos a vida nestes bairros, melhoramos também a vida na cidade."De resto, Roseta espera "que realmente se consiga retirar carros de Lisboa, mas a cidade sozinha não consegue fazê-lo. O aumento de preços do estacionamento pode ser uma ideia, mas o que é preciso é que haja soluções para as pessoas, como passes familiares. As pessoas fazem contas e mesmo com o aumento de preços, uma família junta-se e pode ficar mais barato levar o carro.

PSD contra
Já Margarida Saavedra, vereadora do PSD, ataca a conferência de hoje, por considerar que "a câmara está a pagar a campanha de António Costa". Sobre a proposta de PDM, disse ao i que "não tem viabilidade" e defendeu a manutenção do aeroporto da Portela: "Lisboa não pode ficar sem aeroporto, precisamos de um que assegure pelo menos os voos domésticos". A vereadora laranja diz ainda que não quer uma terceira travessia do Tejo porque "o tráfego vai aumentar em 30%" e "os camiões TIR terão de passar pela rua do Arsenal, para atravessar o rio". Quanto ao porto, é necessário "mas não é preciso que triplique de tamanho. Lisboa não é uma cidade portuária".Apesar do início da discussão do plano, ontem o Conselho de Ministros aprovou duas suspensões parciais do PDM, por dois e três anos, para viabilizar a construção das instalações da Polícia Judiciária, na Gomes Freire, e uma subestação da Rede Nacional de Transporte de Electricidade, em São Francisco Xavier. in I

FOTO: O Tejo visto do Panteão Nacional

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As Árvores e a Cidade: Jacarandás no Largo do Correio Mor

Nesta altura do ano, quando o Jacaranda mimosifolia está em floração, alguns arruamentos de Lisboa transformam-se em abóbadas tingidas daquele azul distinto que os lisboetas bem conhecem e amam. Aproveitemos estes maravilhosos dias do espectáculo da floração dos Jacarandás. E sonhemos por mais ruas de Lisboa cobertas de copas azuis. Os Amigos do Jardim Botânico estão a colaborar com os moradores da Rua Borges Carneiro que a desejam ver arborizada com Jacarandás.

FOTO: Largo do Correio Mor/Rua de S. Mamede.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

As Árvores e os Livros: Anne Bradstreet

"If we had no winter the spring would not be so pleasant."

Anne Bradstreet (1612-1672)

NOTA: Anne Bradstreet, é uma das mais importantes figuras da história da Literatura Americana. Considerada por muitos como a primeira poeta americana. A sua primeira colectanea de poemas, "The Tenth Muse Lately Sprung Up in America, By a Gentlewoman of Those Parts", foi o primeiro livro escrito por uma mulher a ser publicado nos Estados Unidos da América.

FOTO: Mulher 'Jardineiro' no Rock Garden do New York Botanical Garden.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CINE'ECO - Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente

3ª Edição da Extensão do CINE'ECO

CINE'ECO - Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente


31 de Maio a 4 de Junho 2009

Pelo terceiro ano consecutivo a Câmara Municipal de Lisboa realiza a Extensão do CINE'ECO, trazendo ao Cinema São Jorge os filmes premiados no CINE'ECO - Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente.


Domingo - 31 de Maio

Mostra do Concurso de Video "Biodiversidade em Estilo"

Segunda-feira - 1 de Junho

Flow, for Love of Water de Irena Salina, EUA, 2008 (MH)

Die Wetterpropheten de Christoph Felder, Alemanha, 2007 (MH)

Terça-feira - 2 de Junho

Jalagam Vikas - Mitti Ke Bandh de Pinky Brahma Choudhury, Índia, 2007 (Prémio Água); Der Prater - Ein wilde Geschichte de Manfred Corrine, Áustria, 2007 (Prémio Pólis)

A Sense of Wonder de Christopher Monger, EUA, 2008 (Prémio Camacho Costa)

Quarta-feira - 3 de Junho

Los Ojos Cerrados de America Latina de Miguel Mirra, Argentina, 2007 (Prémio Antropologia Ambiental)

Jaglavak, Prince des Insects de Jerôme Raynaud, França, 2007 (Prémio Vida Natural)

Quinta-feira - 4 de Junho

Under Construction de Zhenchen Liu, França, 2008 (Grande Prémio Ambiente)
Wusten im Yormarch - Europa de Ingo Herbst, Alemanha, 2007 (Prémio Educação Ambiental)

No Penguin's Land de Barelli Marcel, Suiça, 2008 (Prémio Video Não Profissional)
Digital Cemeteries de Yorgos Avgeropoulos, Grécia, 2007 (Prémio Valorização Ambiental)

FOTO: campo de papoilas em Viana do Alentejo

Livro do Desassossego no Jardim Botânico

A série documental Grandes Livros, que visa contribuir para a promoção da leitura de grandes obras da literatura portuguesa, emitirá hoje, dia 22 de Maio, às 21h00, na RTP2, um episódio dedicado a Fernando Pessoa e à sua obra Livro do Desassossego, tendo o Jardim Botânico servido de cenário para a gravação de algumas cenas.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

«Evocative neglect» no JB de Odessa

Gardens do not have to be perfect to be rewarding. They are so often evocative, in ways which depend on their viewer, not on their level of care. No two people see quite the same when they look beyond the surface. Often it is easiest to see more in gardens abroad, not only because they lie beyond the flora that we buy and sow at home.

I have just been looking at Ukrainian gardening and found an interest that goes deeper than appearances. In the Black Sea city of Odessa, my first impressions are curiously familiar. The weather might be humid but horse chestnut trees line many of the central streets. Like their English brothers, they are already turning brown in a premature announcement of autumn. And the cause is shared with the UK. The chestnutinfesting insect that reached us recently was traced to the Skopje area in the Balkans. In the past 10 years it has spread as fast as the internet and its presence in southern Ukraine suits the view that its ultimate home lies further east, probably in China, where its natural predators have yet to pack their bags and fly in pursuit.

Under their browning chestnuts, Odessa's city-gardeners surprise me by planting lines of narrow-leaved hostas. They are plants that English gardeners reserve for richer soil and never plant right round tree trunks. In Odessa, they ignore our rules. I watched as an array of the plants was planted out and saw how their gardeners remove a spade's depth of the surface soil and replace it with rich compost, more in our style. In prominent places they also add leaking hosepipe below the surface to irrigate the new arrivals.

In the elegant main city square they must also, surely, irrigate their splendid cannas. From parks in the former Soviet countries, readers have often sent me postcards of truly hideous beds of cannas, sometimes with an exclamation mark on the back of the card. The sight of them made me glad to be living in the free west. Christopher Lloyd then began to champion the charms of cannas in his garden at Great Dixter in East Sussex, south-east England, but somehow I always pictured a bust of Lenin glowering over them when he took up their cause as if it was new.

In Odessa, gardeners have not, I think, been reading Lloyd's books. They simply and sensibly exclude the forms with purple leaves and rose-purple flowers. In the city's main square only clear scarlets and yellows are used in masses, and only in forms with clear green leaves.

What happens, I wondered, in the botanical garden marked as Botanchevsky Sad on my city map? In the Ukraine it is a worthwhile question. Up in Kiev the botanical garden is remembered for its fine display of the little-known flora of the Ukraine. In the Crimea, just outside Yalta, the huge Nikitsky Sad includes a yew tree that is more than 500 years old. The horticultural enclave became the vast experimental centre of Soviet era agriculture, extending over 600 acres with another 1,500 acres of outstations. It has remained almost wholly unknown to western lovers of plants.

Odessa's botanical garden has a very different air. Superb specimens of our beloved English oak tower above a garden of evocative neglect. In the zoo of Kabul in the 1960s, the prime exhibit used to be English foxes. In Odessa, a port, the pride of the botanical garden is the tree that made the English navy great. Under a few of the oaks were yet more hostas, freshly watered, as if somebody, somewhere was still trying to do their best. I recalled how the garden historian Edward Hyams had written of this very garden in 1969: "It consoled us for its neglect by producing hoopoes for our delight."

Instead of hoopoe birds among the acacias, it consoled me with its personnel. In the heart of the garden, I watched the only gardener, an elderly lady who was hosing the last of the hibiscus and the rose-pink gladioli. She was wearing a smock that had surely not changed in the last 100 years. An aged magnolia sagged in the background. Panes were missing in the nearby greenhouse, whose heating chimney had corroded. Inside, cacti and tender plants were jumbled in big clay pots. Outside, pear and plum trees overlooked the Black Sea and, with a shock of recognition, I realised I had been in such a garden before. It evoked for me the garden of the Bolkonsky family outside Moscow, to which Prince Andrei returns before battle in the matchless pages of Tolstoy's War and Peace.

Andrei, too, found panes gone from the greenhouse and plants lying on their sides in tubs. In his garden, too, there was a magnolia with broken branches and only one worker was visible: not a woman watering but an old man weaving a shoe from raffia-twine. He, too, was undistracted, as if life must simply go on. Above all, there were fruit trees in the Bolkonsky garden too. A group of young girls was pillaging them in their owners' absence. They ran unawares into their former master while carrying stolen fruit in the folds of their dresses.

Andrei had come to say farewell "from a characteristic desire", Tolstoy tells us, "to aggravate his own suffering". I had come to say hello, out of a gardener's curiosity. Amazingly there were sounds of a scuffle and fiction seemed to become fact before me. Three young girls appeared by a hovel, two of whom were carrying plums, just like the girls in Tolstoy's novel. The old lady went on with her work, watering not weaving, but equally unconcerned by a spectator's existence. The huge plane trees above the five of us were old enough to have existed in Odessa's garden when Tolstoy was writing his chapter.

Andrei returned to his men to prepare for battle. The girls in his garden ran away through the meadow, with their fruit and their bare, sunburned legs. My girls pushed the eldest to the front so that she could ask if I needed a guide to the garden. She was riding a western-made bicycle but I needed no guide because I could leave by following the English oak trees. One day, an oligarch might restore this garden's splendour but he will also destroy what its present neglect can evoke. in Financial Times, 6 de Setembro de 2008

FOTO: Jardim Botânico de Lisboa. Abandono evocativo? Ou desleixo?

segunda-feira, 18 de maio de 2009


«Aldeias de casas juntas, às vezes mais do que compactas, apinhadas, não raro alcandoradas em alturas e, por isso, dissociadas dos campos. Há uma visível preferência dos sítios de povoamento pelos rebordos de planalto, esporões rochosos, colinas isoladas, cabeços a cavaleiro de um recesso de litoral, ao mesmo tempo lugares altos e exíguos que obrigam as casas a apertarem-se, os espaços de circulação a reduzirem-se a ruelas muitas vezes íngremes e turtuosas.»

in Mediterrâneo, Ambiente e Tradição

Orlando Ribeiro (1911-1997)

FOTO: Vila fortificada de Monsaraz

sexta-feira, 15 de maio de 2009


Panorâmica do Parque Mayer e do Arboreto do Jardim Botânico tirada do número 5 da Rua do Salitre.

Imagem de autor desconhecido, da década de 50 do século XX - o edifício modernista do Museu Botânico, com projecto de 1940 do arquitecto Adelino Nunes, já pode ser visto no sector superior direito da imagem. No entanto, o Teatro ABC, erguido na década de 60, ainda não aparece na imagem (viria a ocupar o espaço precisamente atrás do Teatro Maria Vitória).

Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal

quarta-feira, 13 de maio de 2009

«a presença das formigas»

A presença das formigas
Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida

José Afonso

FOTO: formigas e outros seres no chão do Jardim Botânico...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

QUERCUS analisa e critica PUALZE

Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente

Considerações preliminares:

A elaboração de um Plano de Urbanização desta zona de Lisboa era não só um documento importante no quadro de ordenamento da Cidade, mas também algo há muito exigido pelas ONGA, uma vez que permite criar regras claras de ocupação do espaço, e promove a harmonização do urbanismo, numa zona que tem sido ao longo dos anos fortemente descaracterizada, impermeabilizada, e alvo de um crescimento de volumetrias e cérceas, que a tornou num espaço onde se cruzam de forma pouco harmoniosa vários estilos e estéticas, nem sempre com a melhor adaptação às condicionantes ambientais.

Por outro lado, nas zonas imediatamente adjacentes encontramos zonas habitacionais fortemente degradadas, com uma acentuada tendência de desertificação, com especial ênfase nas freguesias de S. José e da Pena.

A existência de importantes espaços verdes, tais como o Jardim Botânico, o Jardim do Torel ( ou o que resta dele, depois do recente abate de árvores levado a cabo pela CML ) ou o Jardim do Ateneu Comercial de Lisboa, bem como da Ribeira de Valverde, quer no seu braço pela Rua de S. José, Rua de Santa Marta e Portas de Santo Antão, quer pelo braço formado pela alteração da topografia do Vale, da Av. da Liberdade, implicam uma grande sensibilidade desta zona.

O facto de a Av. da Liberdade ser o principal eixo viário central de Lisboa, entrecruzado por uma série de outras importantes vias de ligação da cidade, terminando no grande centro distribuidor que é a Rotunda do Marquês de Pombal, coloca problemas acrescidos na planificação desta área, quer do ponto de vista do tráfego, quer dos pontos de vista da poluição atmosférica e sonora.

Por todos estes factores, conhecer as condicionantes, as aptidões, as visões de desenvolvimento estratégico da Avenida e envolvente é absolutamente fulcral quando se pretende aumentar a sustentabilidade ambiental da Cidade, sem comprometer o cumprimento das suas funções urbanas.

Criticas à definição da área do Plano:
Pese embora considerar que a área definida cobre o essencial da Avenida e zonas envolventes, questões como o polígono do Largo do Rato desde a Avenida Alexandre Herculano, seguindo ao longo da Rua da Escola Politécnica até ao Jardim Botânico, ficam em aberto, porquanto não se entende que espaços tão importantes como os Jardins do Palácio Palmela, não se encontrem integrados no Plano, principalmente porque são óbvias as ligações de natureza ecológica destes, do Jardim Botânico, Praça da Alegria, Avenida da Liberdade, essenciais para o desenvolvimento de um corredor verde transversal à Avenida que ligue o Príncipe Real ao Campo dos Mártires da Pátria.

A Impermeabilização:
A área da Avenida da Liberdade tem vindo a sofrer uma impermeabilização acentuada, situação que só tende a agravar-se com os novos túneis do Metropolitano, o túnel do Marquês, o alargamento do estacionamento da Praça dos Restauradores, a construção de parqueamento em caves, e a ocupação progressiva dos logradouros dos quarteirões. Estas tendências não só não parecem inverter-se com o Plano ora proposto, mas nota-se até um agravamento destas situações, como pode constatar-se dos licenciamentos entretanto realizados.

Transportes e Poluição:
A asserção da diminuição de trânsito nesta via, em virtude das alterações de circulação na Baixa, pode mesmo ser perigosa. Nada garante que tal aconteça, aliás os desvios previstos podem mesmo agravar as condições de circulação nas transversais, e no Marquês de Pombal, limitando fortemente a circulação dos transportes públicos, uma vez que já hoje se verifica um incremento de 32% do tráfego nesta zona, em função do Túnel do Marquês. É pertinente a interrogação relativa à poluição atmosférica e sonora acrescidas que se verificarão quando as transversais se encontrarem completamente congestionadas. A libertação das laterais da Avenida é uma proposta positiva, e consideramos que seria uma mais valia a reintrodução de eléctricos nestas faixas. Além de se promover uma mobilidade essencialmente pedonal e ciclável, investir-se-ia também em sistemas não poluentes de ligação à Baixa, com evidentes vantagens ambientais e de saúde publica.

Este descritor é grandemente subsidiário do anterior, uma vez que é o grande factor de poluição sonora. Presentemente os níveis de ruído da Avenida da Liberdade são altamente limitativos de um retorno aos usos habitacionais. Contudo tal poderia ser drasticamente alterado se o trânsito fosse confinado ao corredor central, e os laterais tivessem a ocupação de transporte público eléctrico, que acima se referia. Acresce que as indicações relativas a este descritor são baseadas em Mapas de Ruído, que não foram aprovados pela Câmara Municipal e cuja descrição da metodologia apresenta um erro grave a nível do material utilizado (modelo de sonómetro referido não existe).

Cérceas e Volumetrias:
Não obstante a subida das cérceas e aumento das volumetrias ter sido uma constante nesta área, não se pode preconizar que tal venha a permanecer o padrão da alteração do desenho urbano da área. A tendência de ensombramento das ruas a tardoz, cria situações de insalubridade, sobretudo na parte oriental, dada a orografia do terreno.

Muito embora consideremos seja globalmente positiva a elaboração do Plano em apreço, deixa o mesmo por resolver questões tão sérias como transportes, estacionamento, ruído, permeabilização do solo, ou ligação do corredor verde através da Avenida da Liberdade.

Lisboa 10 de Março 2009

O Presidente da Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Hélder Spínola

sábado, 9 de maio de 2009

Em Defesa da Reserva Agricola Nacional

Petição Em Defesa da Reserva Agricola Nacional

Foi publicado em 31 de Março o Decreto-Lei nº 73/2009, que altera o regime da Reserva Agrícola Nacional.

Estas alterações não constituem um (mais do que) necessário aperfeiçoamento do regime anterior, constituindo antes uma redefinição total do conceito de Reserva Agrícola Nacional.

As principais alterações introduzidas pelo diploma foram escamoteadas ao escrutínio público durante a preparação do diploma, como se pode verificar pelos textos dos comunicados dos Conselhos de Ministros de 27 de Novembro de 2008 e 29 de Janeiro de 2009.

Estes comunicados omitem quaisquer referências ao facto de o regime agora aprovado:

-permitir a incondicional florestação dos solos agrícolas;

-permitir excluir da RAN, àreas destinadas a habitação, actividades económicas, equipamentos e infra-estruturas, subalternizando a defesa dos poucos solos férteis do país a necessidades que podem ser colmatadas de outras formas;

-as numerosas utilizações de àreas da RAN para outros fins que viabiliza.

Acresce que sendo embora matéria legislativa que diz respeito à Rede Fundamental de Conservação da Natureza, nenhuma das organizações não governamentais de ambiente foi ouvida na respectiva elaboração.

Por essa razão os cidadãos abaixo identificados vêm pedir a todos os deputados que, em sede de apreciação do diploma pela Assembleia da República, nos termos da alínea c) do artigo 162º da Constituição da República Portuguesa, sejam introduzidas alterações que permitam garantir que o texto do diploma corresponde aos objectivos de preservação dos solos mais aptos para a actividade agrícola que nele estão identificados.

Compreende-se a necessidade de melhorar a articulação entre a florestação e a conservação dos solos agrícolas, mas a solução não pode ser a permissão de florestação, sem quaisquer condicionantes, em todos os solos agrícolas com o argumento de que não existe qualquer risco de destruição de solo agrícola seja qual for o tipo de florestação.

A opção do diploma, que consiste em considerar que a actividade florestal está incluída nas actividades agrícolas, tem ainda vários efeitos perversos na qualidade do diploma ao tornar incompreensíveis quer as normas técnicas de classificação de terras, quer várias disposições que foram claramente pensadas para as actividades agrícolas no sentido clássico e que perdem sentido ao incluir a florestação nas actividades agrícolas.

Compreende-se a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de ponderação de interesses quando exista conflito na prossecução de diferentes interesses públicos.

Mas não pode aceitar-se o príncípio de que é na delimitação técnica do que é a Reserva Agrícola que devem ser tidos em atenção outros usos do território, com muito mais plasticidade de localização.

Pelo contrário, é a materialização no território do interesse público ligado à resolução das carências de habitação, infra-estruturas, equipamentos e actividades económicas que deve ter em atenção não só a importância da conservação do solo agrícola como o facto da sua localização ser única, cada vez mais rara no contexto nacional, e insubstituível.

Nessas circunstâncias, somente a total ausência de alternativas de localização e a relevância do interesse público associadas a projectos específicos que visem resolver carências de habitação, infra-estruturas, equipamentos e actividades económicas, devidamente manifestadas em processos públicos, participados e transparentes, deveriam permitir derrogar o princípio da conservação dos solos agrícolas.

Assim sendo, os cidadãos abaixo identificados reiteram a necessidade de alargar o debate sobre a matéria, por forma a encontrar melhores soluções legislativas para a compatibilização dos diferentes interesses públicos afectados por esta revisão legal, a cuja imediata alteração apelam.

Os Peticionários

FOTO: Campos agricolas nos arredores de Viana do Alentejo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Visita: Grávidas Passeiam no Jardim Botânico

No próximo dia 16 de Maio (sábado), às 15h, vai decorrer nova visita orientada dedicada às grávidas.

Roteiro orientado por um Guia do Jardim Botânico e concebido pela Mar Energético exclusivamente para Grávidas, visa dar a conhecer tanto o Jardim Botânico como as espécies vegetais relacionadas com a gravidez e com o novo bebé que se avizinha.

Parte da receita desta acção reverte a favor da Liga dos Amigos do Jardim Botânico.

A todos os participantes é atribuído informação adicional e documentação comprovativa da participação.

Inscrição obrigatória através dos contactos:

Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa

FOTO: o céu do Arboreto do Jardim Botânico

quinta-feira, 7 de maio de 2009

VISITA GUIADA: Rota dos Mouchões

Estimado(a) associado(a),

No próximo dia 17 de Maio (Domingo) terá lugar o passeio Rota dos Mouchões

Partida: 8h00 - Sete Rios (em frente à porta de entrada do Zoo)

Duração do Passeio: dia inteiro

Almoço: piquenicar à beira rio ou restaurante na aldeia avieira de Escaroupim

Inscrições: limitadas a 22 pessoas (lotação do barco típico "varino" Vala Real)

Nota importante: Levar chapéu e protector solar, considerando que o barco típico "varino" não dispõe de cobertura e também não tem W.C.

Com os nossos agradecimentos, enviamos saudações botânicas!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jardins Botânicos de Lisboa, Porto e Coimbra querem funcionar em rede

Uma rede de jardins botânicos portugueses pode estar para breve. A ideia existe e até já tem adeptos. As responsáveis pelos jardins botânicos de Lisboa, Porto e Coimbra assumiram o compromisso e preparam-se agora para definir uma estratégia a longo prazo.

Tudo começou com uma ideia que surgiu espontaneamente de uma conversa. “A ideia foi suscitada pela arquitecta Teresa Andersen, do Porto, durante uma conversa. Começámos a pensar que seria interessante criar uma plataforma comum”, explicou Helena Freitas, directora do Jardim Botânico de Coimbra, ao PÚBLICO.

A responsável lembrou que estes espaços já prestam serviços comuns, como a educação ambiental, divulgação científica e bancos de sementes. “Já temos muitas coisas que partilhamos. A rede permitiria rentabilizar recursos, centralizar funções”. Como por exemplo a manutenção dos bancos de sementes. Helena Freitas considera que este projecto poderia ficar centralizado num Jardim Botânico. “Por exemplo, nós em Coimbra temos dificuldade em manter o nosso banco de sementes. Todos os anos recolhemos 1500 espécies de flora nacionais para o renovar e manter a sua viabilidade”. “Até podíamos criar uma plataforma de monitorização das alterações climáticas”, com uma base de dados, continuou Helena Freitas. Além disso, “os jardins podiam ser exemplos na área das energias renováveis ou até mesmo fontes geradoras de energia”. A responsável salientou ainda a importância de uma “ligação mais forte à administração das próprias cidades” onde se encontram. “De momento, estes espaços acabam por estar deslocados porque não pertencem à administração local” mas poderiam ser “novas centralidades urbanas”.

Uma das razões para esta plataforma é dar um melhor enquadramento administrativo, “o que poderia facilitar os financiamentos, por exemplo”.

O próximo passo será um encontro entre as responsáveis pelos três jardins botânicos – Helena Freitas, Teresa Andersen e Maria Amélia Loução (de Lisboa) – para esboçar um “plano de construção de um programa a longo prazo”, que vincule estes espaços. Helena Freitas salientou que a rede pode vir a incluir outros jardins botânicos. Actualmente, os Jardins Botânicos sofrem com a falta de recursos humanos qualificados. “É preciso alguém ter conhecimento muito rigoroso das espécies e isso pode demorar muitos anos a adquirir”, lembrou Helena Freitas. in Público 6/5/2009

FOTO: Avenida das Palmeiras no Jardim Botânico. A LAJB tem defendido uma “ligação mais forte à administração da própria cidade” onde se encontra.

Risco de colapso obriga ao encerramento da Estufa Fria

«Estrutura metálica da cobertura atingiu níveis de degradação perigosos, dizem especialistas. A sua substituição irá custar mais de um milhão de euros, e não haverá concurso público

A Estufa Fria vai estar fechada pelo menos nove meses, devido ao risco de colapso da sua estrutura metálica de cobertura. O espaço verde foi mandado encerrar pela Câmara Municipal de Lisboa no passado dia 29, depois de uma vistoria da empresa do reputado especialista em estruturas João Appleton. O relatório dos engenheiros que visitaram o local diz que, na parte da estufa fria do recinto - onde existe ainda uma estufa quente e outra doce, com plantas tropicais e equatoriais -, a degradação da estrutura que abriga as espécies vegetais ao longo de 8100 metros quadrados atingiu níveis perigosos. Há colunas e capitéis corroídos e vigas curvadas de forma pouco recomendável. Toda a estrutura vai ter de ser substituída, com o máximo de cuidado possível para não danificar as plantas.

A situação da estufa doce, que tem uma área de 3000m2, é semelhante, embora menos grave: em alguns locais, poderá ser possível o reaproveitamento parcial da estrutura. Só a estufa quente é recuperável, apesar de também ali terem sido encontradas algumas anomalias.

A empreitada e o respectivo projecto, que poderão custar mais de um milhão de euros, não serão alvo de concurso público. A Câmara de Lisboa vai socorrer-se da disposição legal que permite a adjudicação directa em casos de emergência. O director municipal do Ambiente Urbano, Ângelo Mesquita, explica que a singularidade e a delicadeza da obra também aconselham este tipo de procedimento: ao contrário da maioria das empreitadas, em que o preço e o prazo são habitualmente os principais factores de ponderação na adjudicação, aqui o que conta é, acima de tudo, o currículo da empresa que fará a proeza de substituir a estrutura antiga por uma nova.

Ponto turístico"Temos de garantir o mínimo de risco para os elementos vegetais, embora alguns exemplares de maiores dimensões possam vir a sofrer danos", diz o mesmo responsável. Os prejuízos para o turismo da cidade também justificam a pressa, refere. Mas o anúncio afixado à porta da Estufa Fria não dá qualquer pista sobre o que se está a passar: apenas diz que o local se encontra encerrado "por motivos técnicos", não estando prevista qualquer "data para a sua reabertura". Ângelo Mesquita diz que já informou quer os guias turísticos quer a Associação de Turismo de Lisboa de que não vale a pena rumarem a esta parte do Parque Eduardo VII. O director municipal do Ambiente Urbano vai agora contactar três empresas que considera capazes de levar a empreitada por diante para saber se alguma delas está em condições de fazer o trabalho e tem disponibilidade para tal. "O ajuste directo será depois auditado pelo Tribunal de Contas", frisa. O projecto será feito pela empresa de João Appleton, a A2P. A obra deverá começar daqui a três meses."

A estrutura encontra-se em risco de colapso há cerca de dez anos", conta o vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes. "Felizmente, não aconteceu nada até agora." O autarca já tinha planos para reabilitar o recinto. Mas a intervenção prevista era de menor monta e só deveria ocorrer em 2010. Dela faz parte a abertura de um centro de interpretação e de uma cafetaria entre a estufa e o jardim infantil do Parque Eduardo VII, ali ao lado, bem como a abertura de um ponto de venda de publicações e eventualmente de sementes à entrada do recinto. Sá Fernandes quer que a nova estrutura da estufa tenha acoplados painéis solares que forneçam energia eléctrica a todo o Parque Eduardo VII. Serão as verbas do jogo do Casino de Lisboa a que o município tem direito por lei a pagar esta intervenção, bem como várias outras previstas pela cidade fora. "Como nunca sofreu obras, a Estufa Fria encontra-se num estado lastimoso", lamenta José Sá Fernandes.

Segundo informações prestadas pela câmara, a Estufa Fria recebe uma média anual de 60 mil visitantes. Uma das suas espécies mais curiosas é um cacto que só dá flor uma vez por século - e que já floriu no ano passado, conta Sá Fernandes.» In Público 6/5/2009

FOTO: Estufa Fria em meados do séc. XX pelo fotógrafo Ferreira da Cunha (1901-1970). Arquivo Municipal.

Exposição na BN: «Estrelas de Papel»

A exposição «Estrelas de Papel: Livros de Astronomia dos séculos XIV ao XVIII» inaugurou no passado dia 29 de Abril na Biblioteca Nacional de Portugal. Estará aberta ao público até 31 de Julho.

Trata-se de mais uma exposição apresentada pela BN e comissariada por Henrique Leitão, do Centro Interuniversitário de História das Ciências e Tecnologia. Apresenta um conjunto excepcional de obras de astronomia só muito raramente expostos ao público: manuscritos medievais, os célebres livros de Copérnico, Galileu, Kepler e Newton, grandiosos atlas celestes dos séculos XVII eXVIII, e obras fundamentais da astronomia portuguesa (de Pedro Nunes, Manuel Bocarro, Castro Sarmento, Eusébio da Veiga, Monteiro da Rocha, etc.).

A exposição apresenta também dois instrumentos do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa que nunca foram expostos: um telescópio do séculoXVIII construído por Thomas Nairne & Edward Blunt, proveniente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e um extraordinário quadrante construído em Lovaina em 1573.

A Exposição «Estrelas de Papel» está integrada nas Comemorações de 2009: Ano Internacional da Astronomia.

Mais informações no site do CIUHCT:

e no site da BNP:

terça-feira, 5 de maio de 2009

Visita à Mesquita de Lisboa

Visita guiada pelo Sheik David Munir no dia 3 de Maio de 2009.







segunda-feira, 4 de maio de 2009

Câmara propõe expansão da área histórica

Câmara propõe expansão da área histórica e criação de nove pólos sectoriais

Proposta do executivo de António Costa quer estabilizar o edificado e a imagem urbana da cidade consolidada

Alargar o conceito de área histórica, consagrar cinco zonas da cidade ao sector terciário e a equipamentos de nível superior e quatro zonas a actividades económicas e de investigação e desenvolvimento são algumas das ideias da proposta preliminar de revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa.

A expansão das áreas consideradas históricas, que no PDM em vigor incluem apenas "a Baixa Pombalina e as áreas históricas habitacionais, compreendidas por núcleos urbanos anteriores ao século XIX", visa "criar um quadro de estabilização do edificado e da imagem urbana da cidade consolidada". Como? Através de "mecanismos que levem ao desincentivo do ciclo vicioso de degradação do edificado, na expectativa de geração de mais-valias, por aumento da edificabilidade potencial aquando do licenciamento do edificado de substituição".

A área envolvente à Estação do Oriente, o Parque Hospitalar Oriental (na zona de Marvila, onde vão ser instalados o Instituto Português de Oncologia e o Hospital de Todos-os-Santos), o eixo Entrecampos/Praça de Espanha/Sete-Rios, a zona de Amoreiras/Campolide e Alcântara são os "cinco pólos emergentes", que correspondem a "uma coroa de terciário ou de equipamentos de nível superior", além de assumirem "uma posição de charneira entre as áreas de expansão mais recente e o centro urbano tradicional". Já na Avenida Marechal Gomes da Costa, na área do Aeroporto da Portela, no Parque Tecnológico Lispólis (no Lumiar) e em Pedrouços, a ideia é apostar em "actividades económicas e de investigação e desenvolvimento". No caso do aeroporto, pretende-se, quando este for desactivado, conjugar a criação de "um novo pulmão verde da cidade" com o "aparecimento de novas tipologias de actividades económicas".» In Público 3/5/2009

FOTO: Av. Praia da Vitória, 43-47. Este prédio já tem projecto de demolição aprovado pela CML. Os bairros do séc. XIX e início do séc. XX são os que têm sofrido mais atentados contra a sua arquitectura. A LAJB aprova esta proposta de expansão da área histórica de Lisboa de modo a incluir as realidades patrimoniais da Lisboa Romântica e Arte Nova.

domingo, 3 de maio de 2009

Câmara quer retirar 15% dos carros de Lisboa

A autarquia lisboeta pretende reduzir em 15%, até 2020, o número de veículos que diariamente entram e circulam na capital. O objectivo é assumido na proposta preliminar de revisão do Plano Director Municipal (PDM), que será discutido ao longo dos próximos meses. A apresentação pública será na próxima quarta-feira.

Na política de mobilidade e transportes avulta ainda a meta de "estender o estacionamento condicionado na via pública à totalidade do concelho". Por outro lado, pretende-se "conter o estacionamento de longa duração" (acima das três horas) nas zonas centrais da cidade e assume-se o "preço como instrumento de controlo". Isto é: a factura a pagar será tão pesada que o melhor é utilizar os transportes colectivos. Está ainda prevista a criação de zonas com uma velocidade máxima de 30 kms/hora "em todos os bairros da cidade", para os "proteger" do tráfego de atravessamento.

A proposta preliminar, já do conhecimento dos vários partidos e movimentos com assento na Câmara, é o primeiro passo da caminhada de aprovação do PDM, o instrumento que define as linhas de forças da política municipal de urbanismo e de ordenamento do território.

O documento preliminar elege cinco "novos pólos emergentes" na cidade, com forte aposta no terciário e em equipamentos de nível superior: a área envolvente à estação do Oriente (beneficiando da gare do TGV e das ligações ao futuro aeroporto); o Parque Hospitalar Oriental (englobando o Instituto Português de Oncologia e o Hospital de Todos os Santos); o eixo Entre-Campos/Praça de Espanha /Sete Rios (com a desactivação da Feira Popular e a eventual reconversão das oficinas do Metro); Amoreiras/Alto de Campolide (salientando-se a reconversão do quartel da Rua de Artilharia 1 e o novo Campus da Universidade Nova); e Alcântara (com o novo nó rodo-ferroviário).

Como áreas especializadas de actividade económicas e de I&D (investigação e desenvolvimento), a proposta elenca quatro: a Avenida Marechal Gomes da Costa, para a instalação de um de informação e comunicação; o Aeroporto da Portela, no cenário da sua desactivação após a conclusão da pista de Alcochete, em que a aposta num "pulmão verde" deixaria, no entanto, espaço ao "aparecimento de novas tipologias de actividades económicas"; o Parque Tecnológico Lispólis, na zona de Lumiar-Telheiras, que será expandido; e a Doca de Pedrouços, em que ao Instituto das Pescas, da Investigação e do Mar se somará a Fundação Champalimaud.

Embora o documento seja de carácter genérico, com definição de linhas estratégicas, ele evidencia ou encaixa em opções do actual executivo - por exemplo: desactivação da Portela; modo rodoviário na terceira ponte; e alargamento do terminal de contentores de Alcântara - que permitem antecipar uma batalha política durante a discussão do PDM.

Mesmo que na Câmara o PS consiga a aprovação das actuais orientações, aqueles três pontos têm a discordância do candidato do PSD, Pedro Santana Lopes. E os social-democratas possuem uma confortável maioria na Assembleia Municipal, órgão responsável pela última aprovação (entretanto, o PDM será sujeito a uma discussão pública). Circunstância que torna muito provável o cenário em que a revisão do PDM (o que vigora data de 1994) vai iniciar-se, mas não ficará concluída no actual mandato. In Expresso 1/5/2009

FOTO: as pistas estéreis do aeroporto de Lisboa darão lugar a um grande parque verde segundo proposta do novo PDM. Imagem de 1953 do fotógrafo Kurt Pinto. Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

sexta-feira, 1 de maio de 2009


«O Mediterrâneo, (...) é o país da pedra. A juventude tectónica, o vigor da erosão por ela desencadeado, a concentração das chuvas que favorece o descarnar das rochas, o longo passado agrário e pastoril que degradou os arvoredos, fazem-na aparecer por toda a parte, quer como um pano de fundo montanhoso, quer como um elemento do solo que as culturas e a vegetação, esparsa e aberta, não chegam a ocultar. A civilização mediterrânea é assim uma civilização da pedra, consequência da intimidade do homem com este elemento, que ora elimina nas terras de cultura ora utiliza na maior parte das suas obras materiais, daí o carácter construído da paisagem mediterrânea, tanto nas formas de povoamento como na organização do campo.» in Mediterrâneo, Ambiente e Tradição

Orlando Ribeiro (1911-1997)

FOTO: Mosteiro de São Vicente de Fora e antiga cerca, Lisboa.