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sábado, 31 de maio de 2014

«Perfurações no Príncipe Real são para parque de estacionamento»

As sondagens que decorrem no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, estão a cargo da Empark, que pretende ali criar um parque de estacionamento. A autorização foi dada por três vereadores da Câmara de Lisboa. A empresa promete 90 lugares só para moradores e a preservação do histórico jardim.
"Os trabalhos que neste momento estão em curso no local são as sondagens com vista ao estudo e monitorização hidro-geológica do terreno", revelou, ao JN, Paulo Nabais, diretor-geral da Empark, após a notícia sobre a perfuração das laterais daquele espaço.  Segundo Nabais, este estudo conta com a aprovação e acompanhamento da Direção-Geral do Património Cultural. Há também um "acompanhamento permanente dos técnicos da Câmara", a quem a empresa "pagou as respetivas taxas municipais para efetuar as sondagens".  Além da empresa Geocontrole, cujos trabalhos deram origem à notícia do JN, a Empark conta com a colaboração um reconhecido especialista em geologia e o acompanhamento permanente de um arqueólogo.  "A Empark já fez milhares de estudos para a construção deste parque, incluindo o levantamento pormenorizado do aqueduto nesta zona que nenhuma entidade tinha feito até ao momento", realçou Nabais, frisando a enorme experiência da empresa em Lisboa nesta área e dos 27 parques de estacionamento que detém.  
Aprovação de Salgado, Sá Fernandes e Nunes da Silva

in Jornal de Notícias 30 Maio 2014

Nota: a LAJB estará solidária com outras associações e movimentos cívicos na defesa deste emblemático espaço verde da nossa cidade - NÃO ao estacionamento em caves no Principe Real!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

WATCH DAY 2012 video já está disponível!



Já está disponível online o vídeo sobre o 2012 WATCH DAY:
 
 
Lembramos que o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa foi selecionado para a lista de 2012 do Observatório Mundial de Monumentos - WORLD MONUMENTS WATCH. Esta lista é publicada de 2 em 2 anos pela organização internacional World Monuments Fund, líder mundial na defesa e salvaguarda de sítios históricos. O projecto para celebrar o WATCH DAY no Jardim Botânico, apresentado pela LAJB, foi um dos 30 a quem se atribuíu um subsídio de 1000 dólares para implementar e organizar actividades. Foi com grande orgulho que a LAJB recebeu este financiamento pois apenas os melhores projectos apresentados tiveram esse privilégio. As imagens do WATCH DAY no Jardim Botânico, que foi celebrado a 13 de Outubro de 2012, aparecem por volta do minuto 4.
 
A página do WMF dedicada ao nosso Jardim Botânico pode ser consultada aqui:
 
 
«Through international awareness raising and local action, positive change is happening at Watch sites around the World.
 
From Argentina to Poland and Madagascar to Japan, communities came together in 2012 to preserve, protect, and celebrate treasured places and local cultures.
 
Communities at 2012 World Monuments Watch sites on five continents created their own Watch Day events to advocate for the heritage that is central to their lives. Vibrant public engagement and media attention have raised awareness and support—locally and worldwide—for the stewardship of these irreplaceable places
 
For Watch Day, the group Friends of the Botanic Gardens organized an exhibition about the 2012 World Monuments Watch. Visitors participated in guided tours of the garden, learning about different Watch sites and the plant species surrounding each panel of the exhibition.»

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Jardim Botânico no 2012 World Monuments WATCH

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa está oficialmente no observatório internacional de monumentos em risco "2012 WORLD MONUMENTS WATCH" desde o dia 5 de Outubro de 2011. Para mais informação consulte o www.wmf.org

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Projectos de Loteamento de 4 Hospitais Civis de Lisboa: contributo da LAJB


Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. António Costa
 
Projetos de Loteamento do Hospital Miguel Bombarda, Hospital de S. José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta em Lisboa
 
Participação da Associação “LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO”
 
No âmbito da abertura da discussão pública relativa a quatro pedidos de informação prévia sobre a viabilidade da realização de quatro operações de loteamento nos hospitais da Colina de Sant’Ana – Hospital Miguel Bombarda, Hospital de São José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta, publicitada pela Câmara Municipal de Lisboa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) no cumprimento dos seus deveres enquanto associação cívica, considera que:
 
1-A escala dos sítios, a importância dos imóveis, e o facto de estarem em análise quatro projetos em simultâneo, não tem correspondência com o prazo de doze dias para os cidadãos se pronunciarem; doze dias é totalmente insuficiente, porque impossibilita logo à partida uma real participação e a defesa do bem comum; estamos perante uma transformação urbana inédita na história recente de Lisboa, seria pois uma grande irresponsabilidade decidir o futuro destes lugares em 12 dias.
 
2- No geral, a planeada transformação radical destes antigos 4 espaços conventuais reflete uma preocupante falta de consideração pelas pré-existências. Para além da preservação dos imóveis classificados, não é feito esforço significativo para integrar outras estruturas, adaptando-as a novas funções e usos. A lógica que guia as propostas é a de demolir tudo que não esteja classificado para assim cumprir com o objetivo primordial, e talvez único, da ESTAMO: fazer negócio de forma especulativa. Esta intenção de maximização dos terrenos não é escondida como facilmente se constata ao ler, por exemplo, a argumentação da autora do projeto para a demolição de estruturas arquitetónicas no Hospital de São José. No levantamento de dois interessantes edifícios da Arquitetura do Ferro, a antiga Central Térmica e a Lavandaria (1906), a sua destruição é justificada da seguinte forma:
 
«Considera-se que o relativo interesse arquitetónico deste conjunto industrial não justifica, por si só, a sua conservação. Uma vez que no estudo em curso se está a revelar a dificuldade de integração deste conjunto, propõe-se a sua demolição.»
 
Ou seja, é assumido que o projeto que a ESTAMO tem para este espaço é mais importante que a manutenção, restauro e adaptação a novos usos de edifícios que fazem parte integrante da história do lugar e que até se admite ter valor patrimonial. A palavra de ordem não parece ser a da sustentabilidade, reciclagem de edifícios, mas sim como conseguir libertar terrenos para novos edifícios – no caso da antiga cerca conventual de S. José são propostos 58.824m2 de construção nova. Não é esta lógica que esperamos ver aplicada numa cidade histórica na Europa como é Lisboa. Integração, reciclagem e reabilitação, deveriam orientar as propostas numa perspetiva de sustentabilidade ambiental, combinada com uma genuína apreciação e respeito pelas diversas realidades patrimoniais presentes (uma cozinha do séc. XIX é menos importante que um claustro do séc. XVII?).
 
Há uma clara ênfase na libertação de áreas de terreno das antigas cercas para criar oportunidades de construção nova. Para isso são sacrificados edifícios aparentemente menores e menos importantes, esquecendo que no caso de um “território hospitalar” cada peça conta uma história, e é o conjunto e não os “monumentos” isolados que constitui o valor destes territórios-cercas.
 
Um exemplo deste extremismo é o da proposta para o antigo Hospital Miguel Bombarda. Aqui se propõe a destruição de todos os equipamentos daquele único e raro complexo hospitalar do país, exceto 5 imóveis (3 deles protegidos por lei). O autor do projeto propõe, sem justificação, a demolição de edifícios notáveis como as Cozinhas (F1), a 1ª e 2ª Enfermarias/Cantina (E1), a 5ª e 6ª Enfermarias (E2), o Antigo Telheiro para passeio dos doentes (F1), as Oficinas (G1 e G2) e o Hospital de Dia (H1). Seriam removidos do conjunto um total de 16 imóveis, na sua grande maioria com interesse arquitetónico e histórico. Lembramos que muitos destes imóveis valem pelo seu conjunto pois exibem a lógica da medicina da época. Manter apenas 5 imóveis, isolados e descontextualizados, é apagar de forma brutal a história única deste sítio.
 
Notamos um tratamento um pouco antiquado dos imóveis classificados: parecem ser reduzidos a “monumentos”, objetos isolados – veja-se o caso do Pavilhão de Segurança onde se propõe um jardim e um lago na sua face poente. Mais importante do que embelezar a envolvente deste imóvel classificado seria manter os restantes equipamentos que lhe dão contexto. Em vez disso, e após demolição de um total de 16 edifícios, é proposto um brutal complexo de 6 torres de 12 andares. Os edifícios classificados ficam reduzidos a objetos decorativos, “enfeitando” o jardim do novo condomínio. Este mega edifício será o novo protagonista da antiga cerca conventual, um protagonismo conquistado por rotura com a longa História do Hospital Miguel Bombarda. Porque até o interior silencioso e perfeito do pátio circular no Pavilhão de Segurança será perturbado pela visão agressiva e desnecessária, das torres nº 3, 4, 5 e 6. Infelizmente não é apresentada nenhuma imagem/estudo que mostre o impacto negativo destas torres nos edifícios classificados.
 
3- As quatro propostas apresentam levantamentos patrimoniais e fotográficos claramente insuficientes do edificado existente e dos valores culturais dos lugares. Também mostram grandes inconsistências ao nível do investimento na caracterização e significação histórica dos sítios.
 
Por exemplo, a proposta para o Hospital Miguel Bombarda limita, inexplicavelmente, o levantamento fotográfico do local a uma página A4 com 7 imagens, não legendadas, ou seja omite deliberadamente a informação exaustiva sobre todos os edifícios. No caso de um cidadão que não conheça o sítio, como poderá elaborar uma opinião crítica e válida se a proposta da ESTAMO não fornece informação minimamente completa? Ainda neste projeto é de notar a chocante pobreza do «Enquadramento Histórico» na Memória Descritiva, reduzida também a uma página A4.
 
Se os restantes projetos parecem ter investido um pouco mais na caracterização histórica dos sítios, não podemos deixar de criticar o facto de não terem sido realizadas por profissionais independentes. Na verdade, em todos os projetos tais levantamentos/cronologias da História dos sítios não estão assinados por Historiadores mas sim pelas equipas de projetistas. É pois legítimo perguntar se é correto para a cidade e as gerações futuras, que a decisão sobre o que pode ou não ser demolido/construído fique a depender apenas da opinião de 4 arquitetos. Tamanha responsabilidade não pode, nem deve, ficar nas mãos de apenas um dos técnicos intervenientes neste processo. É essencial consultar Historiadores independentes, o ICOMOS e a ICOM, por exemplo.
 
4- Outra prova da falta de estudo e reflexão sobre o tema da integração dos edifícios existentes, independentemente da época de construção e de estarem classificados ou não, é o facto de não se apresentarem ideias coerentes para a sua futura ocupação – para além do fácil e já banal “hotel de charme”.
 
Com o encerramento destes hospitais a cidade está na iminência de perder milhares de postos de trabalho no centro histórico (com todos os pequenos negócios que durante décadas e até séculos se desenvolveram na sua envolvência) e tudo o que a ESTAMO parece imaginar é um cenário de habitação (que tudo indica será de luxo), hotéis de charme e pouco mais. Será este um cenário realista e desejável? Ou meramente especulativo e nefasto? Com o parque habitacional da cidade histórica a precisar de urgente investimento na reabilitação, e a diminuição da população nacional, não nos parece de todo viável nem aconselhável investir na demolição massiva de edifícios, únicos e recuperáveis, seguida de milhares de m2 de construção nova.
 
A regeneração urbanística da Colina de Sant’Ana talvez deva passar mais por uma estratégia de transferência de instituições culturais para estes antigos espaços conventuais/hospitalares. Por exemplo, porque não se equaciona a fundação do grande Arquivo Municipal no Hospital de São José? E em vez da construção de um novo edifício para a Biblioteca Municipal Central porque não pensar num antigo convento-hospital como se tem feito noutras cidades europeias? Universidades e Museus Nacionais, alguns deles ainda mal instalados, poderiam também habitar de forma bem mais sensível estes antigos complexos conventuais/hospitalares.
 
5- Na generalidade, com exceção da proposta para o Hospital de Santa Marta, as zonas verdes são praticamente assumidas como espaços verdes de enquadramento das novas construções ou dos imóveis classificados. De facto, apenas no projeto para Santa Marta se nota um esforço claro de recuperar os “vazios” da antiga cerca conventual, devolvendo assim à cidade uma grande zona de solo permeável e amplamente arborizada. Aplaudimos esta referência à memória da fundação conventual do lugar, com oportunas vantagens e relevância para a cidade do presente e os seus desafios ambientais.
 
Nos restantes projetos impera uma solução do tipo “urbanização” das cercas conventuais ocupando as sobras com espaços verdes. Estamos totalmente contra esta opção uma vez que não só faz tábua rasa dos vários níveis culturais que ao longo dos séculos se foram instalando mas também porque acaba por uniformizar, urbanisticamente, estas antigas cercas. Estes espaços fechados, cercados por altos muros e povoados por diversos edifícios de diferentes períodos históricos, estão agora em risco de se transformarem em novas áreas de ocupação urbana, com soluções do tipo quarteirões/edifícios. O sentido de cerca fica comprometido. Um exemplo desta “banalização” do espaço é a proposta para a cerca do Hospital de S. José onde se propõem cerca de 6 novos edifícios de grande massa para a área da antiga cerca conventual. Embora a cércea não ultrapasse a do antigo hospital, a excessiva volumetria compete claramente com a do hospital, retirando-lhe a proeminência e destaque que nos parece ser essencial manter e assegurar.
 
De igual forma, mas levado ao extremo, são as 6 torres de habitação de implantação violenta no coração da cerca do Hospital Miguel bombarda. Os novos edifícios não deveriam competir desta forma, um pouco desleal, com as pré-existências históricas.
 
A nosso ver a raiz do problema é que a ESTAMO não vê estes espaços como algo a tocar com mão leve e delicada, mas sim como áreas a lotear, a urbanizar.
 
Com o encerramento destas 4 unidades hospitalares, podemos recuperar espaço livre, com solos permeáveis e arborizados. Esta é de facto a última oportunidade que a capital tem de criar facilmente novas zonas verdes em pleno centro histórico, devolver os “vazios” tão essenciais a uma boa qualidade de vida urbana. Nunca é demais chamar atenção para esta oportunidade única que se oferece a Lisboa.
 
EM CONCLUSÃO
 
É bom recordar que todos estes espaços estiveram durante séculos ao serviço das pessoas, numa lógica do bem comum. Esta tradição deve ter continuidade. Mas para que possam servir o bem comum e as gerações futuras é necessário trabalhar com os lugares e não contra os lugares. Reciclar estruturas e não destruí-las. Acarinhar os testemunhos deixados pelos nossos antepassados.
 
O que é único e especial nestes espaços hospitalares é precisamente o se ter sabido adaptar para novas funções, sem destruir irreversivelmente, as cercas conventuais. Também é verdade que com o séc. XX, principalmente na segunda metade, se fizeram obras e construções em excesso, já sem grande respeito ou sensibilidade pelo património. Mas Lisboa tem agora a oportunidade de pensar bem, escolher bem, fazer bem - porque hoje a nossa grande vantagem é de sermos capazes de tomar decisões mais bem informadas. Ora é isso que no fundo falta nestas propostas: informação. Essa falha é devida em grande parte ao promotor destes projetos e menos aos arquitetos que afinal deram resposta ao programa da ESTAMO.
 
Concluimos pois que os presentes PIPs não reúnem condições para serem aprovados.
 
A LAJB solicita à CML uma promoção de facto do debate alargado e reflexão mais profunda sobre estes importantíssimos lugares históricos da nossa cidade. Porque o que vemos nestas quatro propostas é ainda demasiado pobre, banal e peca pela pouca ambição do bem comum. Lisboa merece muito mais e melhor.
 
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
12 de Julho de 2013

Foto: Hospital de Santa Marta, fachada principal - antigo convento de Santa Marta, Armando Serôdio, 1968, Arquivo Municipal de Lisboa,  

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Jardim Botânico no 2012 World Monuments WATCH

Faz hoje 21 meses que o Jardim Botânico de Lisboa entrou para o 2012 World Monuments WATCH

domingo, 5 de maio de 2013

O Jardim Botânico no 2012 World Monuments WATCH

O Jardim Botânico está no 2012 World Monuments WATCH desde o dia 5 de Outubro de 2011.

domingo, 14 de abril de 2013

Observatório Astronómico no Jardim Botânico!


O notável Observatório Astronómico, erguido para a antiga Escola Politécnica entre 1875 e 1898, está em perigo enquanto se espera por um Mecenas. Como é possível que o Estado Português seja indiferente à degradação e ruína deste Monumento Nacional? A LAJB só pode manifestar a sua profunda indiganação. A notícia aqui: 

quarta-feira, 13 de março de 2013

O Jardim Botânico no 2012 World Monuments WATCH

O Jardim Botânico está no 2012 World Monuments WATCH desde o dia 5 de Outubro de 2011.

sábado, 26 de janeiro de 2013

EUROPA NOSTRA: «The 7 Most Endangered»

European Investment Bank (EIB) teams up with Europa Nostra to save Europe's Cultural Heritage
 
The Hague/Luxembourg, 24 January 2013 - Europe's leading heritage organisation Europa Nostra has launched today its new flagship programmeThe 7 Most Endangered’ with the European Investment Bank Group, represented by the EIB Institute, as its founding partner. This programme will identify endangered monuments and sites in Europe and mobilize public and private partners on a local, national and European level to find a sustainable future for those sites. 
 
“Cultural Heritage is Europe's greatest asset: our crude oil, our gold reserve. Our heritage is Europe's bread and butter, as much as it is Europe's heart and soul. Together with the European Investment Bank, Europa Nostra is proud to launch ‘The 7 Most Endangered’ programme. If we all work together, we can stimulate a true renaissance of Europe’s unique cultural heritage “ said Plácido Domingo, President Europa Nostra.
 
“The preservation of the cultural heritage in Europe is a huge task and without any doubt a common responsibility for all of us. The European Investment Bank is therefore pleased to be the founding partner of Europa Nostra’s new programme of “The 7 Most Endangered”. Its contribution to this project via the EIB Institute will be to provide analysis and advice on how funding could be obtained for the projects selected within this programme.” added Werner Hoyer, President of the European Investment Bank.
 
The first list of ‘The 7 Most Endangered’ will be announced during Europa Nostra’s 50th anniversary Congress in Athens on 16 June 2013. An international Advisory Panel will prepare the short list of 14 most endangered sites and the final list of 7 will be selected by the Europa Nostra Board. Nominations of most endangered sites can be made by Europa Nostra member or associate organisations or Europa Nostra’s country representations, the full list of which is available on the Europa Nostra website.  Deadline for the submission of nominations is 15 March 2013. (For the nomination form click here)
 
After the selection of ‘The 7 Most Endangered’, the experts selected by the EIB Institute and the other associated partners will visit each of the 7 sites in close consultation with local stakeholders and will propose realistic and sustainable action plans for saving those sites. The Council of Europe Development Bank (CEB) based in Paris will be one of the associated partners for this phase of the programme. The plans would include advice on how funding could be obtained, e.g. by drawing on EU funds or, in appropriate cases, on EIB or CEB loans. Europa Nostra’s extensive network  of heritage organisations will mobilise local communities and public or private bodies to strengthen the ownership and commitment for the 7 selected heritage sites in danger.
 
‘The 7 Most Endangered’ is inspired by a successful programme of the US National Trust for Historic Preservation, based in Washington. It will however go one crucial step further – it will not only identify a priority list of heritage sites in danger; it will also propose concrete rescue plans indicating what could and should be done to save those sites. Besides generating public interest and enthusiasm the programme will bring people together to create sustainable solutions through feasibility studies, technical advice, capacity and funding assistance, project management support and wide-scale publicity. In this way, ‘The 7 Most Endangered’ will work as a catalyst for action.  
 
 
Press contacts:
 
EUROPA NOSTRA: Sneška Quaedvlieg-Mihailović, Secretary General, sqm@europanostra.org;
 
EIB and EIB Institute: Sabine Parisse, Deputy Head of Division, Press officer, T: +352 4379 83340,
 
Background information:
 
On Europa Nostra:
 
EUROPA NOSTRA - the Voice of Cultural Heritage in Europe - represents a rapidly growing citizens’ movement for the safeguarding of Europe’s cultural and natural heritage. It covers almost 50 countries in Europe and beyond. Together with its members, associates and partners, Europa Nostra forms an important lobby for cultural heritage in Europe. It also celebrates excellence through the European Heritage Awards organised in partnership with the European Union. Finally, Europa Nostra campaigns to save Europe’s endangered historic monuments, sites and cultural landscapes. Plácido Domingo, the world’s renowned opera singer, is the President of Europa Nostra.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Autoridade do património desiste de proteger Avenida da Liberdade


Director-geral do Património afirmou que não faz sentido classificar a principal avenida de Lisboa. Chovem críticas severas, mas há quem compreenda a posição defendida por Elísio Sumavielle

Manuel Villaverde aponta as varandas de fino rendilhado de um edifícios oitocentista da Avenida da Liberdade: "Será que isto é alcatrão?!". Mais adiante entra noutra imponente mansão e mostra o antigo elevador ainda no sítio, os tectos de estuque, os gradeamentos de ferro trabalhado a suportar o corrimão de madeira: "Este edifício também ainda está todo completo. Também é alcatrão?!"
No início de Agosto o director-geral do património, Elísio Summavielle, declarou numa entrevista ao PÚBLICO a sua intenção de abandonar os propósitos de classificação patrimonial da Avenida enquanto conjunto urbano. Os prédios construídos para os burgueses endinheirados que foram habitar a primeira grande avenida portuguesa têm desde 1989, ano em que foi aberto o processo destinado à sua classificação, uma protecção legal resultante de estarem em vias de classificação, que desaparecerá no final do ano. Isto porque a Direcção-Geral do Património tenciona deixar caducar este e outros processos (ver segundo texto). Para Elísio Summavielle, neste momento "é difícil justificar a coerência da Avenida como conjunto" patrimonial, e se alguma coerência existe "limita-se ao alcatrão". Por isso, a classificação seria uma "redundância anacrónica".
A afirmação chocou alguns defensores do património, mesmo tendo em conta que os especialistas que compõem o órgão de aconselhamento da Secretaria de Estado da Cultura nestas matérias, o Conselho Nacional de Cultura, tinha, há cerca de um ano, proposto o arquivamento do processo de classificação. Mas nem esta posição foi divulgada nem se promoveu uma discussão pública que possa fazer alguma luz sobre as consequências de semelhante decisão. Algumas das figuras cimeiras da arquitectura portuguesa desenharam para a Avenida: Norte Júnior, Pardal Monteiro, Teotónio Pereira.
A questão não está em que o património fique ali sem qualquer resguardo legal. Como refere o director-geral do Património, a meia dúzia de imóveis já classificados na Avenida - Diário de Notícias, cinema Tivoli e hotel Vitória, entre outros - tem na maioria dos casos uma ampla zona de protecção que obriga a que também os projectos para obras em seu redor, e não só nos próprios edifícios, tenham de ser submetidos à apreciação da autoridade patrimonial. "A maior parte do espaço da Avenida está hoje abrangido por zonas de protecção de imóveis classificados, o que lhe confere já uma protecção efectiva, o que não acontecia anteriormente", refere Elísio Sumavielle. Por outro lado, acrescenta, "o município possui já instrumentos de gestão territorial que garantem uma evolução mais coerente e ordenada para aquele espaço urbano", nomeadamente o plano de pormenor da Avenida.
O problema é que os especialistas não se entendem sobre se isto chega para evitar a descaracterização - e há os que declaram peremptoriamente que não. É o caso de Manuel Villaverde, um investigador do Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa que conhece as riquezas da Avenida quase como se fossem suas, ou não tivesse apresentado em 2007, em Berkeley, na Califórnia, um doutoramento sobre os boulevards ibéricos. "Aquilo a que estamos a assistir é a um lavar as mãos por parte da administração central, que assim se demite das suas responsabilidades no que respeita ao património", critica, explicando que a Avenida constitui "o primeiro elemento urbano da modernidade portuguesa".
Considerando as afirmações de Elísio Summavielle "lamentáveis", o investigador diz que elas "não têm qualquer rigor", uma vez que há ainda muito para salvaguardar na principal artéria de Lisboa. "Claro que não devemos ser ingénuos e achar que a classificação resolve tudo", reconhece. "Não vale de nada, se não houver uma estratégia de gestão". Para Manuel Villaverde, no entanto, o facto de o Estado desistir de dar esse passo pode até inviabilizar o recurso a fundos europeus de reabilitação patrimonial.
De indignação são também as palavras de Raquel Henriques da Silva, que estudou o trabalho de Ressano Garcia, responsável pelo surgimento desta e de doutras artérias da cidade. A historiadora de arte considera escandalosa a afirmação do director-geral sobre a falta de coerência fora do alcatrão. E explica porquê: "Trata-se de um belo traçado, com a pequena escala do melhor urbanismo lisboeta. Herdou e ampliou o Passeio Público de fundação pombalina. Foi e é palco de mais de um século de história, simbolizando, com euforia, a nova Lisboa nascida do liberalismo oitocentista, gerando uma nova imagem da cidade que até ao terramoto sempre crescera ao longo do rio". Estranhando que Summavielle "proclame a subalternização e a desqualificação daquilo que ele gere politicamente" - o património - Raquel Henriques da Silva admite, contudo, que um plano sectorial rigoroso defende com mais eficácia a Avenida do que uma mera classificação.
De preocupação são igualmente as palavras de Paulo Pereira, alguém que já ocupou funções idênticas às de Elísio Summavielle. Mesmo reconhecendo a descaracterização resultante de obras autorizadas nas últimas décadas do século passado, e que foram desde a pura e simples substituição de edifícios antigos por prédios com fachadas inteiras de vidro até à colocação de "chapéus" de mais três ou quatro andares em cima dos velhos prédios, o ex-vice-presidente do instituto do Património considera a classificação "um instrumento de trabalho muito importante para a Câmara de Lisboa", evitando situações menos dúbias e decisões casuísticas. "Mas cada vez mais a administração central se exime das suas competências de protecção do património", lastima. O argumento das zonas de protecção em redor dos imóveis classificados e do plano de urbanização não o convencem: "O plano tem uma intensidade legal baixa, e os imóveis inseridos nas zonas de protecção não têm o mesmo estatuto dos que estão classificados". Risco? "O de uma maior descaracterização, mesmo que a câmara não ceda facilmente a tentativas de desvirtuamento". Mas é natural que haja quem se oponha à classificação: "Significa menos receitas para o Estado, por via da isenção do IMI".
Membro do movimento cívico Forum Cidadania, Luís Marques da Silva não tem dúvidas sobre o objectivo de uma decisão como a de deixar cair a classificação: "Promover a especulação imobiliária". No entender do movimento, existem na zona 40 imóveis com capacidade para serem classificados. "Os edifícios mais caros das principais cidades europeias são aqueles que foram recuperados", assinala o arquitecto.
Autor do plano de urbanização da Avenida, Manuel Fernandes de Sá não se opõe à classificação. Mas pensa que as regras de intervenção que fixou são suficientes. O plano divide o património em três escalões: valor elevado, valor relevante e valor de referência. No primeiro caso, correspondente a edifícios classificados ou merecedores do prémio Valmor, não é permitida a alteração do número de pisos, sendo apenas admitidas obras de conservação e reabilitação. Nos restantes tudo depende da apreciação da câmara. Se a classificação fosse por diante a decisão final caberia ao instituto do Património, como sucedeu, aliás, no último quarto de século.
Especialista em conservação do património, Simonetta Luz Afonso mostra-se optimista: "As pessoas não são estúpidas ao ponto de não perceberem a mais-valia que traz este património". A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa pensa que existem instrumentos que salvaguardam a avenida das atrocidades do passado. "Há lá prédios que eu implodiria já amanhã", observa. Mais do que "congelar a Avenida", Simonetta defende a necessidade de a revitalizar, recriando o espírito do antigo Passeio Público e reduzindo substancialmente o trânsito.
Os mamarrachos deixados erguer nas últimas décadas levam igualmente o historiador Sarmento de Matos a defender que a classificação dificilmente é uma opção neste momento. O olissipógrafo levanta uma questão central: os encargos que a manutenção destes edifícios implica para os proprietários. "Não lhes podemos impor ónus brutais sem lhes dar compensações". Por outro lado, uma classificação massiva como a que estava prevista não é compaginável com um quadro de funcionários públicos cada vez mais magro, adianta. Quem analisaria os processos de obras? Quem fiscalizaria o cumprimento das regras?
Sobre esta matéria o PÚBLICO tentou ainda ouvir a Câmara de Lisboa, mas ninguém se mostrou disponível para prestar declarações.
Manuel Villaverde continua a subir a Avenida, imparável: "Aquela casa do outro lado da Avenida era do Alfredo Keil, o autor do hino nacional, que se mudou para aqui em 1870. Aqui morava o alfaiate da corte mais acima um grande fabricante de pianos..."


Dezenas de edifícios ameaçados
Por Ana Henriques in Público
Tal como a Av. da Liberdade no seu conjunto, há dezenas de edifícios de reconhecido valor patrimonial no resto da cidade - e também país fora - cujos processos de classificação caducam no final do ano, graças a uma lei do tempo em que Elísio Summavielle era secretário de Estado da Cultura.
O sucessor de Summavielle, Francisco José Viegas, tem garantido que não haverá património em risco a partir de 2013, mas nunca explicou se vai ser necessário proceder a mais uma prorrogação de prazos, como sucedeu nos últimos dois anos, uma vez que é impossível aos serviços despacharem a tempo as cerca de cinco centenas de processos ainda por resolver a nível nacional.
A estação do Cais do Sodré, de Pardal Monteiro, é um desses casos, tal como a estação fluvial de Sul e Sueste, de Cottinelli Telmo. Igualmente desenhado por Pardal Monteiro, o hotel Ritz - que chegou a ser alvo de um projecto de transformação de Siza Vieira que nunca foi aprovado, e que incluia a construção de mais duas torres no embasamento original - faz parte deste lote, tal como o antigo liceu Camões, que aguarda uma intervenção da Parque Escolar.
A sede do Instituto Nacional de Estatística, nas imediações do Instituto Superior Técnico, desenhado por Arsénio Cordeiro, é outro imóvel em vias de classificação, tal como o edifício da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, situado na mesma zona. Mais adiantada está a classificação do Palácio da Mitra, na zona do Beato, embora ainda não tenha sido publicada em Diário da República a sua protecção. A aguardar classificação e em risco de caducar o processoencontram-se ainda as gares marítimas de Alcântara e Rocha Conde de Óbidos, bem como a penitenciária de Lisboa. Elísio Summavielle tem dito que prioritário, mesmo, é o alargamento área classificada da Lisboa pombalina, também em risco de caducar no final do ano 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cidadãos de Banguecoque em defesa das grandes árvores: «BIG TREES»

A mensagem destes cidadãos de Banguecoque é muito simples: «You are what you breathe». Há cerca de 2 anos um grupo formado por professores universitários e jovens licenciados juntaram forças em resposta à onda de destruição de árvores e jardins privados promovida por empresas do ramo imobiliário. O grupo chama atenção para o património arbóreo urbano, organizando, por exemplo, visitas guiadas por toda a cidade de Banguecoque para ver árvores e jardins  ameaçados de desaparecimento. O grupo tem actualmente já mais de 16000 membros mas continua a crescer o apoio. O último projecto do grupo: salvar entre 100 a 200 árvores em Sukhumvit 35, um dos últimos oásis de vegetação no centro de Banguecoque. 


domingo, 5 de agosto de 2012

O Jardim Botânico de Lisboa no WATCH 2012

Faz hoje 10 meses que o Jardim Botânico de Lisboa entrou para a lista bienal 2012 WORLD MONUMENTS WATCH, ou seja, um "Observatório Mundial de Monumentos" em perigo. Este projecto é uma iniciativa da organização internacional WORLD MONUMENTS WATCH com sede em Nova Iorque: www.wmw.org

segunda-feira, 23 de julho de 2012

The Jardim Botanico: A Hidden Gem in Lisbon

The Jardim Botanico: A Hidden Gem in Lisbon        
by Hansel Hernandez
Historic Preservation and Cultural Heritage Consultant
To be honest, when I came to Lisbon last summer to work on a conservation project, the last thought in my mind was to visit gardens. My priority was to discover the vast and rich architectural heritage of this capital city, learn about their rare and large museum collections, and of course savor the succulent Portuguese cuisine with an emphasis on desserts. The Jardim Botánico de Lisboa was not even listed in my traveler’s guidebook; something to be completely overlooked. But fate had something else planned for me.
I was living in the Rato neighborhood and to get to downtown Lisbon I had to walk down Rua da Escola Politécnica, which stretches one kilometer and borders the trendy neighborhoods of Principe Real and Barrio Alto. Today this up-and-coming streetscape is filled with bars, restaurants, pastry shops, boutiques, parks, and lookout terraces.
After several weeks of seeing the sign at the entrance gates, I decided to go in and explore. Entrance fee was only 1 Euro. I am glad I did. Behind the former university buildings fronting the street, the gardens are laid out in contained terraces following the slope of the hill—Lisbon is all hill crests and valleys—which winds down towards Avenida Liberdade, the Champs-Élysées of Lisbon. But the avenue is completely shut out: the depth of the topography and lushness of the gardens act as an invisible, magical screen. You find yourself in this very peaceful, verdant environment conducive to rest and quiet contemplation.
The history of Lisbon’s Botanical Gardens harkens back not to the nineteenth century, but to the sixteenth century. In Portugal history and heritage is made up of many, many layers. When you think something belongs to one era further research reveals a different story.
The garden makes up the former grounds of the Quinta do Monte do Olivete, a sixteenth-century estate founded by Dom Fernão Telles de Menezes, former governor of India and later of the Algarve region in southern Portugal. Dom Fernão ceded his estate to the Jesuits in 1589 so they could build their Cotovia Novitiate.
Between 1609 and 1759 the Jesuits undertook a thorough study of botany in the gardens of their novitiate. The research gathered for almost two centuries laid the groundwork for the eventual creation of a botany department at the school.
In 1837, the Polytechnic School of Lisbon opened in the former buildings of the novitiate, on what is now the Rua da Escola Politécnica. Its mission was to give scientific training to officer candidates to the national army and navy. In fact, the army school shared the space with the polytechnic for a number of years.
In 1843 the building burned to the ground and a new building was projected only for the polytechnic. Work began in 1857. In 1911 the University of Lisbon was created and it was decreed that it should have a school of science. The polytechnic became the new School of Science, and it operated as such until 1985, when the school moved to new headquarters at the University City.
I very much enjoyed coming to the gardens, this magnificent, peaceful, and open green space right smack in the middle of the city; I could not help but think of the same effect and feeling one has when visiting Central Park in New York. I returned to the gardens several times. There are fountains (in disuse), small greenhouses, some outbuildings, and even an elegant astronomical observatory building. And of course, there are old-fashion benches so you can take the weight off your feet, snack on something, perhaps nap, relax, contemplate while under a cozy bamboo screen, or a giant weeping willow. The gardens have a large variety of tropical plant species namely from New Zealand, Australia, China, Japan, and South America. These plants thrive here in Lisbon’s temperate climate and the many micro-climates found in the gardens.
Presently the former academic buildings on the site house the National History Museum, the National Science Museum, the National Natural History Museum, and the Teatro da Politécnica. The University of Lisbon has a big ambition to transform this place into an important scientific, artistic, and cultural center for the city. But the economic reality of Portugal, as in the rest of southern Europe, is a harsh one. Some government assistance the university had received for the maintenance of the buildings has ceased. An imminent threat has been temporarily halted: a out of scale condo development adjacent to the gardens which would have obstructed views and completely alter the open verdant surroundings has been nixed.
It is behind these historic buildings fronting Rua da Escola Politécnica that the Botanical Gardens are located. The 6 acres in the center of Lisbon are waiting for its inhabitants to re-discover it.

Nota da LAJB: apesar de pequenos erros, como por exemplo o equivoco do National History Museum, divulgamos este interessante texto de um profissional do Patrimonio (consultor da WMF) publicado a 31 de Maio: http://www.wmf.org/journal/jardim-bot%C3%A1nico-hidden-gem-lisbon

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Nosso Bairro: R. do Monte Olivete 55-57

O edifício na Rua do Monte Olivete 55-57 foi totalmente DEMOLIDO no mês de Junho. Lisboa continua a destruir, de forma irresponsável, o seu património arquitectónico. Receamos também que neste caso o logradouro seja impermeabilizado com a construção de uma cave para estacionamento como é cada vez mais habitual. De ano para ano cresce a área impermeabilizada na envolvência urbana do Jardim Botânico. O novo PDM de Lisboa vai incentivar este tipo de intervenções, insustentáveis, com efeitos muito negativos para o futuro da nossa cidade. Porque razão continuamos a rejeitar a reabilitação e restauro em favor da construção nova? Nesta área o atraso de Portugal no contexto europeu é muito preocupante. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

«Concluída a primeira fase das obras de recuperação do Jardim Botânico»



Espaço, que é monumento nacional, tem a partir de hoje melhores condições para receber visitantes, diz a reitoria da universidade

As entradas no Jardim Botânico de Lisboa vão ser gratuitas até ao fim do mês. Para assinalar o termo da primeira fase das obras que ali foram efectuadas pela Universidade de Lisboa, realiza-se hoje, pelas 19h, uma cerimónia presidida pelo reitor António Sampaio da Nóvoa. Quem chega à Rua da Escola Politécnica, entre o Rato e o Príncipe Real, sabe que está prestes a encontrar um sítio que foge ao bulício da cidade de Lisboa. "Cria-se uma espécie de bolha neste jardim", diz Ireneia Melo, investigadora principal do Jardim Botânico de Lisboa. E essa bolha surge não só pela descida de temperatura que se faz sentir, mas também pelo ar idílico que se respira. Nos seus quatro hectares, o jardim acolhe plantas e árvores de todo o mundo."As pessoas vêm aqui para ver alguma coisa de exótico. Vêm ver como as plantas se adaptam aos vários ecossistemas. E depois vêm ouvir o silêncio", salienta.
E é essa calma que acaba por atrair os visitantes. Por ano recebe cerca de 75 mil pessoas. "Somos sobretudo visitados por grupos de crianças, alunos de Belas Artes e turistas. Os portugueses não visitam tanto, mas são os que mais criticam", comenta a investigadora, referindo-se às polémicas sobre as obras efectuadas.
Durante os últimos anos, o jardim foi alvo de muitas críticas, uma vez que a falta de financiamento se reflectia na deficiente manutenção e vigilância. O espaço estava cada vez mais degradado, pondo em causa a sua própria identidade. Mas, segundo Ireneia Melo, as mudanças foram poucas. "As coisas estão conservadas e mais limpas. Os arruamentos principais foram nivelados, colocou-se areão, taparam-se buracos, pintaram-se os bancos e arranjaram-se as pontes. Agora até se pode de ouvir a água a correr, o que não acontecia há mais de dez anos."
Jacinto Leite, responsável pelas obras, diz que "a base de saibro [areia argilosa] estava destruída e só se encontravam pedras". Fez-se uma limpeza e recuperou-se o aspecto original com saibro enriquecido com argamassas. "Não fizemos uma mudança significativa", garante. "Reabilitámos os regatos com materiais recentes e que lhes deram um suporte melhor para que a pressão da água não perfurasse". De forma a monitorizar a humidade do solo, Catarina Silva e Albino Medeiros, ambos professores na Faculdade de Ciências, desenvolveram um estudo hidrogeológico que levou à instalação de piezómetros para medir a água do terreno.
Segundo um comunicado da reitoria da universidade, as obras feitas foram "o primeiro passo para uma recuperação mais profunda". A partir do próximo ano haverá uma reabilitação das cisternas, um novo sistema de rega, a reabilitação da estufa, a reposição dos viveiros e ainda a construção de infra-estruturas de apoio ao jardim e aos visitantes.
"As pessoas têm de pensar que um jardim botânico não é um jardim de um hotel, onde só tem que ter flores bonitas, onde não pode haver uma ervinha fora do canteiro. No jardim botânico tem de haver tudo", conclui Ireneia Melo. in Público

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

«Duvido que a contratação de um super arquitecto resolva os graves problemas da barragem Foz Tua»

Ainda na escola secundária deixou-se deslumbrar pela História e pelo património do seu concelho, “em particular Monsaraz e o seu fantástico território”, hoje [Ana Paula Amendoeira] é uma das mais importantes especialistas de património em Portugal, presidente nacional do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), entidade a quem cabe fazer avaliação do estado dos monumentos de Évora e do Alto Douro Vinhateiro, que este ano cumprem 25 anos desde a sua classificação como património mundial.

Já há alguma avaliação preliminar do estado dos monumentos em Évora?

Não posso responder porque não tenho ainda a certeza se será possível fazer a avaliação devido a dificuldades internas do ICOMOS – poucas pessoas para muita coisa.

Qual é o património classificado, português, que se encontra em maior risco?

Em rigor, Portugal não possui nenhum dos seus bens constantes na lista do património mundial inscritos na lista do património em perigo. Outra coisa diferente é o estado de conservação do nosso património mundial e aí claro que há problemas, como de resto em muito do património português, muito para além dos 13 bens que contamos no património mundial – o recente caso da barragem do Tua é exemplar no tipo de dificuldades que podem começar a surgir neste domínio.

Há recomendações da UNESCO?

O caso mais recente de recomendação sobre um sítio português foi o relatório sobre a Barragem do Tua, no contexto da paisagem cultural do Douro, inscrita na lista do património mundial em 2001. Essas recomendações são do conhecimento público e as recomendações são muito claras e questionam seriamente o processo, o método, os fins e os meios deste projecto. O que pensa da barragem? O que penso coincide exactamente com o conteúdo do relatório do ICOMOS. É fruto de um trabalho e de uma investigação longa, muitas vezes de décadas para chegar a conclusões sérias, técnicas e científicas, ancoradas em ideais e princípios construídos ao longo do tempo e não das conjunturas efémeras dos ciclos políticos. Por isso, não se trata aqui de opiniões ou de gosto, mas de conhecimento e de respeito pelo trabalho, estudo e reflexão.

Que impacto teria a desclassificação dessa zona?

Os impactos seriam desde logo a má imagem do incumprimento a que o Estado Português está obrigado a partir da altura em que ratificou a Convenção do Património Mundial, no início dos anos 80. Esse seria, claro, um dos impactos imediatos e bastante penalizadores, sobretudo na vigência de um governo que preza tanto o cumprimento dos compromissos internacionais. Não é, repito uma questão de gosto ou de acordo, é uma questão de dever, de cumprimento de regras que se aceitaram livremente. Outro impacto seria obviamente para a paisagem do Douro vinhateiro e esse seria ainda o mais grave porque se trata de facto de uma “jóia da coroa” e já não temos muitas. As autoridades locais estão a fazer muita pressão para construir a barragem.

Acha que normalmente o poder local está preparado para ver a importância da preservação do património?

Eu penso que estão preparados. Quando se trata de apresentar as candidaturas para obter os títulos e as classificações, vemos claramente que todas as pessoas atribuem um grande valor à preservação e salvaguarda do património, às vezes até com uma atitude de culto, como se o património pudesse resolver todos os problemas do momento. O caso do Douro não foi excepção.

Como se convence um presidente de câmara que não construir uma barragem será melhor do que construí-la?

Eu gostaria de perceber é como é que se convence um presidente de câmara ou de freguesia de que construir uma barragem é melhor do que não construir. Sobretudo, quando a sua utilidade é questionada abertamente por muitos especialistas. O secretário de Estado já afirmou que o projecto terá de ser equacionado.

Acha que a cultura neste governo e com a conjuntura actual de crise tem peso suficiente para impedir o projecto?

Não sei, mas a cultura nunca tem muito peso, não é só agora – houve muito poucas excepções na nossa História recente. Temos que aguardar para ver o que vai ser decidido e respondido à UNESCO e ao relatório do ICOMOS. Mas tenho dúvidas de que a contratação de um super-arquitecto de prestígio mundial (Souto Moura), consiga, como que por magia, resolver os graves problemas apontados no relatório do ICOMOS. Mais uma vez elege-se como solução, o projectista, em vez da adequação do programa!

O que pensa do desempenho deste governo e de Francisco José Viegas no que diz respeito ao património?

Não conheço o suficiente para me pronunciar. Acho que o caso do Douro foi muito mal gerido pelo governo anterior apostando na política do facto consumado e este governo não inflectiu a atitude e o comportamento errados do anterior. Qual foi o melhor ministro/secretário de Estado em relação ao património em Portugal? É difícil, porque se trata de uma área onde verdadeiramente nunca estivemos em alta, mas creio que é consensual a nota positiva para o desempenho de Manuel Maria Carrilho e das suas equipas (Rui Vieira Nery, Catarina Vaz Pinto). Lembro alguns institutos coordenados por Luís Calado, Raquel Henriques da Silva, João Zilhão, o papel fundamental de Paulo Pereira e de muitos outros. Apesar de podermos discordar de muitas coisas que fizeram, trabalharam de forma séria para dar à cultura um lugar enraizado e estrutural para a progressiva evolução inteira e livre dos indivíduos e da sociedade portuguesa. Tendo em atenção o exemplo das gravuras rupestres de Vila Nova de Foz Côa.

Visto à distância, valeu a pena impedir a construção da barragem? Se medirmos tudo por dinheiro, penso que talvez sim, porque estão por demonstrar os lucros efectivos para a região se a barragem tivesse sido construída. Teria havido certamente muitos benefícios mas talvez não para o bem comum. Aliás a convicção de que o desenvolvimento e a qualidade de vida se conseguem com construção, é claramente uma ideia em contra ciclo. Se não medirmos tudo por dinheiro e se pensarmos, como penso, que nem tudo o que tem valor tem um preço, como bem diz o professor Adriano Moreira, então a minha resposta é claramente afirmativa. Sim, valeu a pena a decisão política de impedir a construção da barragem porque temos um dos sítios de arte rupestre mais importantes do mundo que prestigia o nome de Portugal nos meios culturais e científicos internacionais. E depois, os alegados prejuízos desta decisão comparados com o prejuízo do caso BPN são, como se costuma dizer “uns trocos” e não estamos perante um crime público, apenas perante uma decisão política a favor da cultura, uma das poucas da nossa História recente. Além disso, Foz Côa não pode ser vista de forma isolada, pois integra um dos eixos (Porto, Douro, Côa, Salamanca) de maior densidade e valor patrimonial mundial, tenho a certeza de que se houver bom trabalho nesse sentido a região poderá beneficiar desse enorme potencial e por muito mais tempo do que o tempo de vida de uma barragem!

Acha que os políticos se preocupam a sério com o património ou é apenas retórica?

Acho que para uma grande maioria é retórica, mas não são só os políticos. Eles também têm muitas vezes as costas largas. Estamos numa época de crise económica, normalmente, nestas alturas, o património sofre por dois motivos, por falta de verbas e por falta de capacidade argumentativa face a necessidades consideradas mais importantes.

Teme pelo que vai acontecer ao património em Portugal nos próximos anos?

Já está a acontecer, não começou agora. Apenas vai continuar e agravar-se. Eu não temo só pelo património mas pela nossa terra, que é muito mais do que património, e pela forma como a entendemos e como a queremos ou não cuidar.

Quais são neste momento as áreas mais problemáticas em termos de preservação do património?

É difícil dizer porque há tantos problemas, talvez as nossas cidades históricas sejam as que neste momento estão mais ameaçadas, sobretudo se a nova Lei da Reabilitação não regular consistentemente os tipos de intervenção adequados aos centros históricos de maior valor.

Tem uma posição crítica em relação à classificação do património, porquê?

A minha posição é crítica porque a classificação do património neste momento tem cada vez menos sentido, a lei não é cumprida em muitos e importantes casos, quer se trate de património mundial ou de monumentos nacionais. Dou-lhe o exemplo do Douro, como património mundial, e do jardim botânico de Lisboa, como monumento nacional, em que a lei do património não é pura e simplesmente aplicada. Hoje foge-se do acompanhamento e do controlo activo dos monumentos classificados, tal como a lei obriga, porque outros valores mais baixos se levantam.

(...)
O que pensa da escolha do fado como património imaterial da humanidade?

A minha área de estudo é o património mundial cultural, não o imaterial. Mas tenho uma discordância de fundo com a divisão entre património cultural e imaterial, feita mais por razões geopolíticas do que culturais, e que na minha opinião não favorece nada o entendimento da dimensão cultural, a qual não pode ser espartilhada por imperativos artificiais de convenções. Pessoalmente, gosto muito de fado e, como portuguesa, fiquei muito contente.

Fale-me um pouco da sua tese de doutoramento.

Estou a preparar, com uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, sob direcção da professora Françoise Choay na Universidade de Paris IV Sorbonne, uma investigação sobre a evolução da noção de património mundial e da lista desde a aprovação da Convenção do Património Mundial em 1972. O objectivo é fazer uma análise crítica e contribuir para uma avaliação para o futuro. Vou defender este ano, se tudo correr bem, quando passam 40 anos da aprovação da Convenção e se estão a debater as mais importantes questões para o futuro do Património Mundial.