segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LISBOA: Abriu primeiro parque hortícola

«Parque junto ao Colombo tem 38 talhões com 150 metros quadrados. Seguem-se os Jardins de Campolide

"Está muito melhor." Moisés Soares, morador em Carnide, não esconde a satisfação ao olhar para o parque hortícola ontem inaugurado na freguesia vizinha de Benfica. O espaço, às portas do Centro Comercial Colombo, é o primeiro da capital e tem 38 talhões com 150 metros quadrados, 20 dos quais atribuídos num concurso que contou com cerca de 350 participantes. Os restantes 18 talhões foram distribuídos por hortelões que cultivavam aquele terreno há vários anos - então sem condições. Um cenário bem diferente do actual, no qual todos os agricultores têm acesso a água potável e casas de arrumos, paredes meias com o resultado da primeira fase da intervenção no Parque da Quinta da Granja, que dotou a área de uma ciclovia, um quiosque e várias áreas ajardinadas. Inaugurados vão ser ainda um parque infantil (Março) e uma cafetaria instalada numa casa do século XVIII que está neste momento a ser recuperada (Agosto). "Este bocado foi arrumado", sintetizou na cerimónia de inauguração José Sá Fernandes (na foto), vereador do Ambiente Urbano e Espaços Verdes, sem esconder a sua satisfação por ver em funcionamento o primeiro parque hortícola da Lisboa.

A este, seguir-se-á outro nos Jardins de Campolide a inaugurar ainda este ano e cujas candidaturas aos 22 talhões (com áreas entre os 80 e os 100 metros quadrados) também já decorreram. Os candidatos foram mais de 150, o que significa um total de mais de 500 lisboetas a quererem cultivar os seus próprios alimentos nas duas primeiras zonas criadas para o efeito. "Isso demonstra bem a apetência que as pessoas têm e como, nesta época de crise, para muitas famílias a questão da sustentabilidade não é só teórica", considerou António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, frisando que "não há cidade sem alimentação e não há alimentação sem produção".

Já Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista e um dos maiores defensores, há já várias décadas, da existência de parques hortícolas em cidades, afirmou que a capital é agora "uma boa referência para o futuro" da área metropolitana que integra. De acordo com a autarquia, em 2011 e 2012 vão ser inaugurados, ao todo, 11 novos terrenos de cultivo, sendo os parques do Vale de Cheias e de Telheiras Nascente aqueles que estão em fase mais adiantada. Há ainda outras cinco localizações em estudo.» In Diário de Notícias, 31/10/2011

Manual de Crimes Urbanísticos

«Há uma mão suja sobre a cidade. São cada vez mais os mecanismos - lícitos e ilícitos - que violam as mais elementares regras de planeamento urbano”, escreve o autor Luís Ferreira Rodrigues, mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, que tem desenvolvido a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. O livro é editado pela Guerra & Paz e tem prefácio do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

Eça de Queiroz escreveu na "A Cidade e as Serras" os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade". O que diria se fosse confrontado, na actualidade, com a progressiva desumanização a que as cidades do nosso país foram sujeitas por décadas de crimes urbanísticos? O presente manual, de extrema oportunidade, expõe de forma clara e objectiva, as principais causas da desorganização e desqualificação urbana - da incompetência técnica à corrupção e da demagogia política à especulação imobiliária. Enriquecido com ilustrações práticas, poderá ser um instrumento útil na consciencialização individual e colectiva dos cidadãos e no combate à passividade das comunidades perante os atentados ao património e à qualidade de vida nas nossas cidades. In Agenda Cultural da CML - Outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

O exemplo de Chicago: «A City Prepares for a Warm Long-Term Forecast»

CHICAGO — The Windy City is preparing for a heat wave — a permanent one.
Climate scientists have told city planners that based on current trends, Chicago will feel more like Baton Rouge than a Northern metropolis before the end of this century.

So, Chicago is getting ready for a wetter, steamier future. Public alleyways are being repaved with materials that are permeable to water. The white oak, the state tree of Illinois, has been banned from city planting lists, and swamp oaks and sweet gum trees from the South have been given new priority. Thermal radar is being used to map the city’s hottest spots, which are then targets for pavement removal and the addition of vegetation to roofs. And air-conditioners are being considered for all 750 public schools, which until now have been heated but rarely cooled.

“Cities adapt or they go away,” said Aaron N. Durnbaugh, deputy commissioner of Chicago’s Department of Environment. “Climate change is happening in both real and dramatic ways, but also in slow, pervasive ways. We can handle it, but we do need to acknowledge it. We are on a 50-year cycle, but we need to get going.”

Across America and in Congress, the very existence of climate change continues to be challenged — especially by conservatives. The skeptics are supported by constituents wary of science and concerned about the economic impacts of stronger regulation. Yet even as the debate rages on, city and state planners are beginning to prepare.

The precise consequences of the increase of man-made greenhouse gases in the atmosphere are hard to determine, but scientists are predicting significant sea level rise; more extreme weather events like storms, tornadoes and blizzards; and, of course, much more heat. New York City, which is doing its own adaptation planning, is worried about flooding from the rising ocean. The Navy has a task force on climate change that says it should be preparing to police the equivalent of an extra sea as the Arctic ice melts.

Some of these events will occur in the near-enough term that local governments are under pressure to act. Insurance companies are applying pressure in high-risk areas, essentially saying adapt or pay higher premiums — especially in urban and commercial areas.

The reinsurance giant Swiss Re, for example, has said that if the shore communities of four Gulf Coast states choose not to implement adaptation strategies, they could see annual climate-change related damages jump 65 percent a year to $23 billion by 2030.

“Society needs to reduce its vulnerability to climate risks, and as long as they remain manageable, they remain insurable, which is our interest as well,” said Mark D. Way, head of Swiss Re’s sustainable development for the Americas.

Melissa Stults, the climate director for ICLEI USA, an association of local governments, said that many of the administrations she was dealing with were following a strategy of “discreetly integrating preparedness into traditional planning efforts.”

Second City First
Chicago is often called the Second City, but it is way out in front of most in terms of adaptation.
The effort began in 2006, under the mayor at the time, Richard M. Daley. He said he was inspired in part by the Kyoto international treaty for reducing carbon emissions, which took effect in 2005, and also by an aspiration to raise Chicago’s profile as an environmentally friendly town.

As a first step, the city wanted to model how global warming might play out locally. Foundations, eager to get local governments moving, put up some money.

“There was real assumption that Chicago could be a model for other places,” said Adele Simmons, president of Global Philanthropy Partnership, a nonprofit group based in Chicago that helped bring in $700,000 at the early stages.

Climatologists took into account a century’s worth of historical observations of daily temperatures and precipitation from 15 Chicago-area weather stations as well as the effect of Lake Michigan in moderating extreme heat and cold to come up with a range of possibilities based on a higher and lower range of worldwide carbon emissions.

The forecasts, while not out of line with global predictions, shocked city planners.

If world carbon emissions continued apace, the scientists said, Chicago would have summers like the Deep South, with as many as 72 days over 90 degrees before the end of the century. For most of the 20th century, the city averaged fewer than 15.

By 2070, Chicago could expect 35 percent more precipitation in winter and spring, but 20 percent less in summer and fall. By then, the conditions would have changed enough to make the area’s plant hardiness zone akin to Birmingham, Ala.

But what would that mean in real-life consequences? A private risk assessment firm was hired, and the resulting report read like an urban disaster film minus Godzilla.

The city could see heat-related deaths reaching 1,200 a year. The increasing occurrences of freezes and thaws (the root of potholes) would cause billions of dollars’ worth of deterioration to building facades, bridges and roads. Termites, never previously able to withstand Chicago’s winters, would start gorging on wooden frames.

Armed with the forecasts, the city prioritized which adaptations would save the most money and would be the most feasible in the light of tight budgets and public skepticism.

“We put each of the priorities through a lens of political, economic and technical,” said Suzanne Malec-McKenna, the commissioner of Chicago’s Department of Environment. “What is it, if you will, that will pass the laugh test?”

Among the ideas rejected, Ms. Malec-McKenna said, were plans to immediately shut down local coal-powered energy plants — too much cost for too little payback.

For actions the city felt were necessary but not affordable, it got help again from a local institution, the Civic Consulting Alliance, a nonprofit organization that builds pro bono teams of business experts. In this case, the alliance convinced consulting firms to donate $14 million worth of hours to projects like designing an electric car infrastructure and planning how to move the city toward zero waste.

Mr. Daley embraced the project. He convened 20 city departments in 2010 and told them to weigh their planning dollars against the changes experts were predicting. The department heads continued to meet quarterly, and members of Mayor Rahm Emanuel’s administration have said he is committed to moving the goals of the plan forward, albeit with an added emphasis on “projects that accelerate jobs and economic development.”

Updating Infrastructure
Much of Chicago’s adaptation work is about transforming paved spaces. “Cities are hard spaces that trap water and heat,” said Janet L. Attarian, a director of streetscapes at the city’s Department of Transportation. “Alleys and streets account for 25 percent of groundcover, and closer to 40 percent when parking lots are included.”

The city’s 13,000 concrete alleyways were originally built without drainage and are a nightmare every time it rains. Storm water pours off the hard surfaces and routinely floods basements and renders low-lying roads and underpasses unusable.

To make matters worse, many of the pipes that handle storm overflow also handle raw sewage. After a very heavy rain, if overflow pipes become congested, sewage backs up into basements or is released with the rainwater into the Chicago River — an emergency response that has attracted the scrutiny of the Environmental Protection Agency.

As the region warms, Chicago is expecting more frequent and extreme storms. In the last three years, the city has had two intense storms classified as 100-year events.

So the work planned for a six-point intersection on the South Side with flooding and other issues is a prototype. The sidewalk in front of the high school on Cermak Road has been widened to include planting areas that are lower than the street surface. This not only encourages more pedestrian traffic, but also provides shade and landscaping. These will be filled with drought-resistant plants like butterfly weed and spartina grasses that sponge up excess water and help filter pollutants like de-icing salts. In some places, unabsorbed water will seep into storage tanks beneath the streets so it can be used later for watering plants or in new decorative fountains in front of the high school.

The bike lanes and parking spaces being added along the street are covered with permeable pavers, a weave of pavement that allows 80 percent of rainwater to filter through it to the ground below. Already 150 alleyways have been remade in this way.

The light-reflecting pavement is Chicago’s own mix and includes recycled tires. Rubbery additives help the asphalt expand in heat without buckling and to contract without cracking.
The new streets bring new challenges, of course. The permeable pavers have to be specially cleaned or they eventually become clogged with silt and lose effectiveness.

Still, the new construction is no more expensive than traditional costs, Ms. Attarian said. Transforming one alleyway costs about $150,000. But now, she said, “We can put a fire hose on it full blast and the water seeps right in.”

Reconsidering the Trees
Awareness of climate change has filled Chicago city planners with deep concern for the trees. Not only are they beautiful, said Ms. Malec-McKenna, herself trained as a horticulturalist, but their shade also provides immediate relief to urban heat islands. Trees improve air quality by absorbing carbon dioxide, and their leaves can keep 20 percent of an average rain from hitting the pavement.

Chicago spends over $10 million a year planting roughly 2,200 trees. From 1991 to 2008, the city added so many that officials estimate tree cover increased to 17.6 percent from 11 percent. The goal is to exceed 23 percent this decade.

The problem is that for trees to reach their expected lifespan — up to 90 years — they have to be able to endure hotter conditions. Chicago has already changed from one growing zone to another in the last 30 years, and it expects to change several times again by 2070.

Knowing this, planners asked experts at the city’s botanical garden and Morton Arboretum to evaluate their planting list. They were told to remove six of the most common tree species.

Off came the ash trees that account for 17 percent of Chicago tree cover, or more than any other tree. Gone, too, are the enormous Norway maples, which provide the most amount of shade.

A warming climate will make them more susceptible to plagues like emerald ash disease. Already white oak, the state tree of Illinois, is on the decline and, like several species of conifer, is expected to be extinct from the region within decades.

So Chicago is turning to swamp white oaks and bald cypress. It is like the rest of adaptation strategy, Ms. Malec-McKenna explains: “A constant ongoing process to make sure we are as resilient as we can be in facing the future.”

in NEW YORK TIMES, 22 de Maio de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

As Árvores e a Cidade: Jardim 9 de Abril



Chorisia em flor no Jardim 9 de Abril, em frente da entrada principal do Museu Nacional de Arte Antiga.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Árvores para Lisboa! Aberta época de plantações!

Árvores para Lisboa! Outono, início da época das plantações!

As árvores ajudam a minorar os problemas das alterações climáticas de 3 maneiras:

1- as árvores absorvem o CO2 da atmosfera, acumulando-o sob a forma de carbono que é depois armazenado nas raízes, troncos, ramos, folhas e sementes.

2- as árvores ajudam a poupar até 10% do consumo de energia dos edifícios ao moderarem o micro-clima de um arruamento mantendo-o mais fresco no verão e mais quente no inverno.

3- as árvores reduzem o impacto das chuvas fortes e constituem uma alternativa barata e natural às infra-estruturas de controlo de cheias que são sempre obras de engenharia caras.

E claro, as árvores embelezam a paisagem urbana, filtram as partículas poluentes do ar, para além de criarem habitats vitais para muitos animais selvagens.

Se vive num arruamento sem árvores de alinhamento, solicite ao Pelouro do Ambiente e Espaços Verdes um estudo para arborizar o seu arruamento. Será sempre aconselhável que os munícipes de uma mesma rua/bairro juntem esforços, formem até uma comissão de moradores, para assim garantir que a CML se empenhe e execute o projecto de arborização.

FOTO: cepo na Rua Jacinta Marto junto ao Hospital da Estefânia (São Jorge de Arroios)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa is on the 2012 World Monuments Watch

O cartaz WATCH 2012 do Jardim Botânico de Lisboa. World Monuments Fund. Para fazer o download deste cartaz e saber mais informações sobre o "Observatório Mundial dos Monumentos", consultar o http://www.wmf.org/

Antiga Cantina no Jardim Botânico é Teatro da Politécnica

Teatro da Politécnica. Amarelo, preto e de todas as artes

«Desfalcados, exaustos, mas orgulhosos. Podia ser um grito de guerra, próprio dos tempos que correm, mas os termos são de Jorge Silva Melo, fundador e director artístico dos Artistas Unidos, que hoje inauguram uma casa nova, no Teatro da Politécnica, junto ao Jardim Botânico de Lisboa. Será a casa da companhia nos próximos três anos, nos termos de um contrato renovável com a reitoria da Universidade de Lisboa.

A entrada é feita pelos portões do Museu de História Natural ou do Jardim Botânico. Entre as árvores, por detrás do edifício que agora está pintado de amarelo forte, está um escritório ao ar livre – uma mesa, cadeiras e computador – onde Jorge Silva Melo responde a e-mails e trata das papeladas próprias antes da abertura do novo espaço. “Nada mau, hã?”, recebe-nos de sorrisos e boa disposição, olhos no seu recanto de trabalho.

Dentro do edifício, o espaço é amplo: à esquerda, a bilheteira, que está a ser montada quando chegamos. Além dos ingressos, o pequeno balcão vai armazenar livros e DVD para vender. Ao fundo, atrás da bilheteira, a sala de grandes janelões de vidro que vai ser palco de algumas peças, mas hoje veste outra das roupas para a qual foi pensada: a exposição de Ângelo Sousa (entrada livre) também inaugura o espaço. Quadros de fundo brancos e pinceladas de cores sobre as paredes pretas; esculturas metálicas no chão, também negro. É do lado de lá desta sala, na rua, que Jorge Silva Melo montou o escritório (itinerante). “A instalação foi, e ainda está a ser, muito dolorosa. Houve alguns erros técnicos e falta de conversa, além de uma espécie de demissão da Direcção Geral das Artes, que apesar de anunciar esta abertura em quase tudo o que faz, não a mostra no seu site.”, diz Jorge Silva Melo. As obras de adaptação do edifício e o equipamento custaram 140 mil euros e a companhia contou com apoios da Câmara Municipal de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian e do extinto Ministério da Cultura, actual Secretaria Estado da Cultura. A Reitoria da Universidade de Lisboa encarregou-se da reabilitação estrutural do edifício.

Dentro dos tais “erros técnicos”, está a concepção da primeira bancada do teatro – recorda-se da entrada, onde fica a bilheteira? Para entrar na sala de teatro principal, com 80 lugares de assentos vermelhos, basta virar à direita. Enquanto conversávamos com Jorge Silva Melo, e como é natural nestas andanças de novos costumes, chegava a vistoria ao Teatro da Politécnica, que inspeccionou também a tal bancada da sala principal: “A equipa tem estado a trabalhar das 8h às 01h para ter as coisas prontas”. Enquanto lá estávamos, a inspecção olhou de lado, de frente e provavelmente por baixo dos assentos e, apesar de uns acertos de última hora, parecia estar tudo encaminhado – e seguro – para a estreia de hoje à noite.

Números: O director artístico está satisfeito com a abertura do espaço. Mas apesar de sublinhar o estímulo que sente ao poder abrir um teatro num momento pouco dados a estes acontecimentos, revela estar preocupado com o futuro imediato: “O Ministério [da Cultura, extinto] prometeu comprar material, mas isso ainda não se realizou e temos comprado com os nossos ordenados. E também sabemos que não vamos fazer mais convites: se por cada um que faço tenho de pagar 23% do IVA, por amor de Deus, não me peçam convites que me sai caríssimo!”

Apesar de todas as preocupações que lhe possam rondar a cabeça, Jorge Silva Melo solta as palavras como o faz com o riso. Sem largar os sorrisos da mão, tanto fala sobre o bom que é haver muita oferta cultural como salta para o medo que pode sentir volta e meia:“Tenho receio que os espectadores, neste momento, só encontrem as respostas às ambições culturais nas grandes instituições. Quando vou ao Teatro S. Luiz ou ao Nacional, as salas estão cheias. Mas há muitos que antigamente tinham muita gente e hoje não vejo quase ninguém”. A preocupação de Silva Melo é mais marcada, quando se recorda que pode haver “um cansaço da curiosidade”. O que quer dizer que os espectadores podem preferir sair de casa sabendo aquilo que vão encontrar, “confortavelmente sentados, vendo um espectáculo de qualidade ou não, mas compreensível e esperado. Sentem-se confortáveis com essa saída à noite”.

De uma forma ou de outra, o Teatro da Politécnica arrisca. Além das peças, exposições e livros, os Artistas Unidos querem promover conversas com a plateia:“No outro dia falava com a Paula Rego e dizia-lhe que não teria sido mal pensado chamar A Casa das Conversas a este teatro. Porque um teatro é isso: uma casa onde se pode conversar”. É por isso que depois das peças haverá conversas e encontros entre actores, encenador e público no Teatro da Rua da Escola Politécnica. “O que eu queria muito é que isto fosse não a casa dos Artistas Unidos, mas a casa dos espectadores dos Artistas Unidos”.

Por agora, a companhia pode estar desfalcada (“muitos dos apoios financeiros prometidos não chegaram”), exausta (“a batalha para conseguir o espaço foi longa”) e orgulhosa (“por conseguirmos um sítio tão bonito, tão próximo da vida de tanta gente e ao mesmo tempo tão recatado”). E talvez se não fossem tantas as estrangeiras, de idade avançada, a parar volta e meia na secretária ao ar livre do encenador, querendo saber “where is bor-bo-le-tário?”, Jorge Silva Melo não teria apontado nenhum dedo.

ESTREIA Abrir o novo espaço da companhia com uma peça de teatro clássico podedar a ideia que os Artistas Unidos querem deixar uma mensagem de teatro clássico. Mas “Não se Brinca com o Amor”, escrita em 1830 por Alfred Musset não traduz segundas intenções:“A programação deste ano estava delineada e tivemos a hipótese de abrir o Teatro da Politécnica”, conta Silva Melo. “Calhou que nem ginjas”. A graça que Silva Melo encontra é dele ser esperado outra tipo de apresentação:“Peças destroy sobre a juventude de agora, drogando-se, suicidando-se, a morrer de amor. Mas eu gosto de me contradizer”. A peça de Musset fala da juventude que não é a de hoje: “Mas é de uma inovação extraordinária para a época. Começa como uma farsa, depois é uma comédia e acaba com tragédia. Um volte face permanente das emoções e da análise”.»

In I Online (19/10/2011) por Maria Catarina Nunes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

«Houve sinais de fogo no Jardim Botânico»

Houve sinais de fogo no Jardim Botânico
Durante horas o perigo foi aquilo que os jornalistas mais gostam que o perigo seja: iminente. Um incêndio que deflagrou num edifício devoluto em risco de ruína, na Rua da Alegria, na última quarta-feira, ameaçou a mancha vegetal do Jardim Botânico. A causa do incêndio ainda não é conhecida. O que se sabe é que os bombeiros sapadores fizeram os possíveis para que o jardim fosse protegido das chamas mas não conseguiram evitar que uma palmeira ardesse por completo. Coincidentemente, no mesmo dia em que correu risco de incêndio, o Jardim Botânico entrou para a lista de 2012 do Observatório criado pelo Fundo Mundial de Monumentos, instituição privada norte-americana, sem fins lucrativos, que tem como objectivo preservar lugares da herança cultural em todo o mundo.

In Time Out Lisboa, 18 outubro de 2011, pág. 9.

domingo, 16 de outubro de 2011

WATCH 2012: Press Release enviado à imprensa estrangeira

PRESS RELEASE - October 2011

Lisbon's Botanical Garden selected by World Monuments Fund for the World Monuments Watch 2012

Lisbon's Botanical Garden has been selected for inclusion in the World Monuments Watch list of 2012. The list was made public in New York on the 5th of October.

The World Monuments Fund (www.wmf.org) is the world's foremost private, non-profit organization dedicated to preserving important cultural-heritage sites around the world. Every two years since 1996, the World Monuments Watch has focused global attention on cultural heritage sites around the world that are endangered. Inclusion on the list helps to raise the funds needed for their rescue and often spurs local governments and communities to take an active role in protecting their cultural icons. The sites are selected from submitted applications by an international panel of leading experts in the field, including representatives from UNESCO and ICOMOS.

The Jardim Botânico da Universidade de Lisboa was established in 1873 and inaugurated in 1878. The Garden, which lies within the city centre, was set up to support teaching and research at the Faculty of Sciences of the university. Within the 4.2-hectare Garden are significant collections of mainly palms, ficus and cycas, as well as many endangered plant species. Furthermore, the luxuriant sub-tropical vegetation of the Garden plays an important role as a climate and pollution regulator for the city, and provides refuge for migratory fauna.

The Garden, the largest 19th-century Romantic garden in Lisbon, exhibits a great diversity of plants gathered from every part of the world. It is a living biodiversity bank of wild species. The Garden is a Grade 1-listed monument (Monumento Nacional).

The future of the Garden is now threatened by a proposed mixed-use development of surrounding and adjacent land parcels, which would have a severely negative impact on the Garden; the development will result in over 25,000 square meters of new built-up area in the garden’s buffer zone. The project was conceived by the City Council of Lisbon (a competition for the project was won by the architectural practice Aires Mateus) to enhance the Gardens’ neighbourhood. Other threats to the Garden include inadequate funding and staff, and the dilapidation of the Garden’s living collections and built heritage. In addition, the development of projects to engage Lisbon and Portuguese citizens with the mission of the Botanic Garden, and the campaigning for appropriate legal protection and respect of the integrity of the Garden’s heritage value need to be addressed urgently.

Friends of the Botanics is a non-governmental, non-profit organization established in 1986 for the safeguard, support and endowment of Lisbon’s Botanical Garden. The application for the Garden was submitted in March 2011 by Friends of the Botanics, supported by renowned Portuguese landscape architect, Dr. Prof. Ribeiro Telles.

With the help of WMF and a platform of 14 NGOs*, Friends of the Botanics will work towards reversing the threats facing Lisbon’s Botanical Garden. The group will call for the review of the current design of the urban Master Plan (Plano de Pormenor), and the implementation of projects that would respect the long-term needs of the Garden and which would help safeguard the Garden as a place of education, research and recreation for present and future generations.

For further information, contact the representatives of Friends of the Botanics:

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
+ 351 919256973 or +351 935587982
amigosdobotanico@gmail.com

*PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA:
Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
GECoRPA - Grémio do Património
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
ICOMOS - Portugal
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
Quercus - Núcleo de Lisboa
LPN - Liga para a Protecção da Natureza

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
Rua da Escola Politécnica 58
1250-102 Lisboa
PORTUGAL

T: +351 919256973 / +351 935587982


sábado, 15 de outubro de 2011

PATRIMÓNIO: World Monuments Fund de olho em Lisboa

PATRIMÓNIO World Monuments Fund de olho em Lisboa

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa está entre os locais enumerados pela World Monuments Fund (WMF) na lista bienal organizada pela organização privada, a World Monuments Watch. Isso significa que o jardim lisboeta do século XIX é um lugar de valor histórico, artístico e arquitectónico que está actualmente em perigo de destruição. A WMF é uma organização privada que trabalha pela preservação de lugares da herança cultural, alertando as autoridades locais e comunidades acerca do seu próprio património e da necessidade de o salvaguardar ou até mesmo trabalhando para angariar os fundos necessários para preservar esses locais de interesse histórico.

http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?art=14053&rev=2&zona=21

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jardim Botânico no WATCH 2012: Comunicado da Reitoria da Universidade de Lisboa

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa incluído no Observatório Mundial dos Monumentos 2012

por Filipa Alves (12-10-2011), NATURLINK

Uma iniciativa da World Monuments Fund, trata-se de uma lista de sítios que constituem herança cultural e que estão em risco de desaparecer. A candidatura ao Observatório foi submetida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico, que teme pelo futuro do Jardim, que considera ameaçado pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer e pela crónica falta de financiamento.

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa foi selecionado para o Observatório Mundial dos Monumentos 2012 (World Monuments Watch, WMW), juntamente com outros 66 locais carismáticos em todo o mundo, como é o caso da Catedral de St Michael (Inglaterra), as vilas piscatórias flutuantes na Baía de Ha Long Bay (Vietname) e o primeiro cemitério de Atenas (Grécia).

Uma iniciativa da Wold Monuments Fund, uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como objetivo a preservação de locais de herança cultural a nível mundial, o WMW Watch lista alguns destes sítios-património que estão em risco de desaparecer.

A candidatura ao WMW foi submetida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), entidade que integra a Plataforma em Defesa do Jardim Botânico, formada por 13 ONGs que se opõem veementemente à atual versão do Plano de Pormenor do Parque Mayer e do Jardim Botânico, por o considerarem uma ameaça para o Jardim, pondo em risco o seu futuro.

Em causa, estão os planos de novas construções nos logradouros do Jardim Botânico, a alteração radical da sua envolvente urbana, o reconhecimento de parcelas de terreno ilegalmente impermeabilizadas e a obstrução da cerca pombalina do jardim com a construção de duas novas frentes urbanas, explica a LAJB em comunicado.

A LAJB espera que a inclusão do Jardim Botânico no WMF convença a Assembleia Municipal de Lisboa a promover “uma genuína revisão do Plano de Parque Mayer” cuja atual versão “não reflete as visões e aspirações dos cidadãos”.

Inaugurado em 1878 com o objetivo de apoiar o ensino da Botânica naquela instituição, o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa é o maior jardim da sua época em Lisboa, encontrando-se classificado como Monumento Nacional.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ICOMOS na Plataforma Em Defesa do Jardim Botânico

Depois da solidariedade da Associação de Arqueólogos Portugueses - AAP, o ICOMOS - PORTUGAL, associa-se oficialmente à "Plataforma Em Defesa da Missão do Jardim Botânico". Já somos 14 organizações a pedir o chumbo deste PPPM/JB, na Assembleia Municipal de Lisboa. Cada vez mais a sociedade civil levanta a sua voz a pedir verdadeira protecção, requalificação e sustentabilidade a longo prazo deste jardim Monumento Nacional. Basta de especulação. Basta de imaginados benefícios. Basta de grandes planos que mais não serão do que uma pesada herança para as gerações futuras.

ICOMOS - PORTUGAL

COMISSÃO NACIONAL PORTUGUESA DO CONSELHO INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E DOS SÍTIOS (ICOMOS)


Obrigado ICOMOS - PORTUGAL!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Comunicado da conferência de imprensa no Jardim Botânico:11 de Outubro de 2011

COMUNICADO DA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA - JARDIM BOTÂNICO
Lisboa, 11 de Outubro, 14h00 de 2011

Das mais de 500 candidaturas de todo o mundo, para o Observatório do Fundo Mundial de Monumentos, apenas 67 foram seleccionadas, incluindo o JB da Universidade de Lisboa. Isto significa que aquela organizaçãao vê como uma séria ameaça para o JB a execução do PPPM que a CML quer fazer aprovar e que a actual situação de degradação, desleixo, abandono e desprezo a que chegou o Jardim Botânico, classificado como Monumento Nacional, o colocam em risco, tendo a sua inclusão o objectivo de chamar a atenção da comunidade internacional para os perigos que ameaçam este Jardim.

No dia 5 de Outubro, ao mesmo tempo que este anúncio era feito para todo o mundo pela WMF, em Nova Yorque, um incêndio deflagrava num edifício devoluto,"colado" ao JB, na Rua da Alegria, tendo ao contrário do que foi afirmado pelo Sr. Vereador da Protecção Civil da CML, entrado no Jardim, na zona do Arboreto, como poderão constatar no local, destruindo e danificando espécimes de grande porte, como por exemplo a morte de uma Palmeira Washingtonea bem como várias herbáceas, e danificando resinosas como a Aurocária Columnaris, que é emblemática na paisagem de Lisboa, identificando o Jardim de longe. Foi graças às favoráveis condições climatéricas, como a ausência de vento, à hora em que deflagrou o incêndio e à pronta e eficaz resposta do corpo de bombeiros, que este inêndio não teve mais graves repercussões. Mas este incêndio veio pôr a nu as graves deficiências e abandono a que o Jardim Botânico tem sido votado: um insuficiente financiamento, a crónica falta de funcionários, e a falta de manutenção. A ausência de bocas de incêndio em toda a zona do Arboreto, que é anterior ao incêndio de 1978, vem reforçar o que afirmámos anteriormente - Primeiro, que o não cumprimento da zona natural de protecção de 50 metros do JB, que não está contemplado no PPPM, com um excesso de edficado à sua volta põem e irão continuar a pôr em perigo o JB. Segundo, que a actual degradação deste Monumento Nacional, mantêm a grave ameaça à sua preservação, como a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Plataforma "Em Defesa da Missão do JB" têm incansavelmente vindo a alertar os decisores e os cidadãos em geral. Aguardamos relatório interno do rescaldo deste incêndio por parte da UL. Aguardamos informação por parte da CML, da responsabilidade civil deste incêndio.

Com esta nomeação para a WMF, fruto da candidatura efectuada pela Liga, há uma nova esperança para o JB. A Universidade de Lisboa tem agora a oportunidade de se aliar a um conjunto de organizações que são detentoras do saber técnico e científico para fazer uma candidatura para a recuperação do Jardim com entidades de reconhecido mérito internacional, aproveitando a abertura a financiamento que esta nomeação possibilita, com o apoio de especialistas mundialmente conhecidos e que obtêm resultados.

Hoje, dia 11 de Outubro, o PPPM irá ser apresentado a votação, na sessão ordinária da AML que se vai iniciar às 15 horas. Se este Plano fôr aprovado tal como está, ele irá ser combatido através da Plataforma "Em Defesa da Missão do JB" à luz dos compromissos europeus a que Portugal se veinculou, nomeadamente: a Convenção para a salvaguarda do património arquitectónico da Europa (1985); a Convenção Europeia da Paisagem (2000); e, a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro - Lei do Património Cultural.O PPPM que vai hoje ser sujeito a aprovação está praticamente inalterado desde a última revisão após consulta pública, não havendo consenso com as opiniões expressas por várias organizações credíveis nacionais e respectivos contributos no âmbito do período da discussão pública. Foram apenas introduzidas pequenas mudanças Como exemplo: foi feito o estudo hidrogeológico, e tiraramm os dois novos equipamentos dentro do JB (sendo um deles a "torre" de entrada pela Rua do Salitre).

Mais - O PPPM continua com deficiências várias:

1. A ocupação definida juntamente com a área de construção prevista induzem um afluxo de pessoas (não só trabalhadores mas também utilizadores) muito superior ao actual, sobrecarregando uma área que já tem as suas infra-estruturas a funcionar bastante acima da capacidade (isto acontecerá mesmo que sejam impostas restrições ao estacionamento);

2. Da ocupação essencialmente de comércio e serviços poderá resultar a criação de uma área sem ocupação nocturna significativa, com os consequentes problemas de insegurança (o que ainda é acentuado pela forma construtiva “semi-enterrada”;

3. O valor arquitectónico e urbanístico dos edifícios da Rua da Escola Politécnica, que não se reduz às suas fachadas, não parece estar devidamente salvaguardado;

4. Mantem-se o incentivo a uma crescente impermeabilização dos logradouros;

5. Continua a não ser respeitada a protecção associada a um Monumento Nacional ( zona de 50 metros );

6. Mantem-se a ausência de estudos completos e fidedignos para o todo da área do Plano, nomeadamente o impacte no sistema de vistas e o impacte na circulação do ar;

7. O Plano continua a não garantir as condições microclimáticas do solo, ventilação e insolação, assim como a sua estrutura verde, edificações e traçado.

Nada é proposto como alternativa ou como "rearrumar" os espaços existentes no JB. O vereador Manuel Salgado diz que vai usar parte da verba do IMI que resulte da reavaliação patrimonial dos prédios da zona envolvente, que será utilizado para financiar a recuperação do mesmo, mas não é dito nem como, nem quando, nem qual o valor estimado para isto. Por outro lado esta ideia não consta do PP, pelo que se ele for aprovado, nada garante que isso vá para a frente. Para além de todas as criticas que já constam de outros documentos da Liga/Plataforma. Perguntamos: quando e com que dinheiro irá a CML e a UL realizar a reabilitação/recuperação do JB? A resposta concreta a esta pergunta deverá constar no PP a aprovar.

A Plataforma "em Defesa da Missão do Jardim Botânico" faz daqui um apelo aos Srs. Vereadores da AML, para que este PPPM, não seja aprovado, propondo antes uma real revisão do mesmo, com a inclusão de um Plano de Salvaguarda para a área a proteger, como vem consignado no artº 53 da Lei do Património Cultural. ( Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro ).

A PLATAFORMA " EM DEFESA DA MISSÃO DO JARDIM BOTÂNICO
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa
QUERCUS-Lisboa
APAP - Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
APSJH - Associação Portuguesa dos Sítios e Jardins Históricos
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
OPRURB - Associação de Ofícios do Património e Reabilitação Urbana
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
GECoRPA - Grémio do Património
Fórum Cidadania Lisboa
Cidadãos pelo Capitólio

HOJE Conferência de Imprensa: JARDIM BOTÂNICO EM RISCO

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico organiza hoje, dia 11 de Outubro às 14h, uma conferência de imprensa no Jardim Botânico. Agradeçemos a todos a vossa participação e divulgação desta iniciativa. Contamos com todos os sócios para defender o nosso jardim.

Saudações Botânicas

A Direcção da LAJB

JARDIM BOTÂNICO EM RISCO - CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

TERÇA, 11 OUTUBRO, 14HOO, NO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Exmos,

Aos onze dias andados do mês de Outubro, pelas quatorze horas, junto à bilheteira da entrada do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, a Plataforma "Em defesa da missão do Jardim Botânico" concede uma conferência de imprensa destinada a esclarecer os senhores jornalistas das reais ameaças que recaem sobre o JB. Entre outras matérias que serão abordadas destacamos:

1 - Ponto de situação depois do sobressalto provocado pelo incêndio de 5 de Outubro, que também entrou no Jardim Botânico;

2 - Significado e consequências da inclusão do JB, na lista de 2012 do OBSERVATÓRIO criado pelo WMF ( Fundo Mundial de Monumentos).


O WORLD MONUMENTS FUND (WMF) é a mais importante organização mundial privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo; http://www.wmf.org/


3 - Anúncio de medidas a aplicar a nível Europeu, contra a ameaça representada pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer, JB, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente ( PPPM,JB ), nomeadamente, a proposta que prevê mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e parcelas de terreno em plena Zona de Protecção do Jardim Botânico.

Convidamos também todos os cidadãos interessados na salvaguarda do Jardim Botânico a juntarem-se a esta iniciativa.

PONTO DE ENCONTRO - Entrada do JB pela Alameda das Palmeiras, junto à bilheteira - Rua da Escola Politécnica, 58, Lisboa

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
TM: 935587982
amigosdobotanico@gmail.com

PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA:
Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
GECoRPA - Grémio do Património
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
Quercus - Núcleo de Lisboa
LPN - Liga para a Protecção da Natureza

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jardim Botânico no WATCH 2012: UMA HONROSA DISTINÇÃO E UMA SÉRIA AMEAÇA

UMA HONROSA DISTINÇÃO E UMA SÉRIA AMEAÇA

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (vulgo Jardim da Escola Politécnica) acaba de ser selecionado para a WORLD MONUMENTS WATCH, a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal, a WMF chama a atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com grande significado histórico, artístico e arquitetónico. A presença nesta lista estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel ativo na proteção do seu património cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda. Os monumentos são selecionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluindo representantes da UNESCO e do ICOMOS.

Na oportunidade desta honrosa distinção, a direção da Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) alerta para a séria ameaça que continua a pairar sobre o mesmo. Na realidade, o futuro do Jardim afigura-se mais do que nunca sombrio face ao Plano de Pormenor do Parque Mayer, propondo mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e outras parcelas de terreno em plena zona de proteção. De acordo com um comunicado difundido pela direção da LAJB, «este projeto municipal, embora iniciado com o objetivo de reabilitar o Jardim e o seu bairro, terá impactos negativos que ultrapassam em muito as imaginadas vantagens a curto prazo: alteração radical da envolvente urbana histórica do Jardim, parcelas de terreno ilegalmente impermeabilizadas no passado serão premiadas com a sua legalização, a cerca pombalina do jardim ficará obstruída com duas novas frentes urbanas de 1 a 3 pisos.»

A direção da LAJB destaca igualmente a «crónica falta de funcionários e uma grave falta de manutenção ameaçando há muitas décadas a sobrevivência e integridade do Jardim Botânico de Lisboa – como demonstrado recentemente pelo incêndio do dia 5 de Outubro.» Os nossos leitores que desejem obter informações mais detalhadas sobre estas matérias poderão aceder ao blogue: http://amigosdobotanico.blogspot.com/

Gratos pelo vosso interesse

CASAL DAS LETRAS

Tranquil flashpoint: Salvar um Jardim

Threatened with closure following a crisis at the National Trust for Scotland, Arduaine garden has become synonymous with the power of protest groups

In front of me sparkled seven islands of west Scotland in a sunlit sea and behind me shone white-flowered rhododendrons too tender to be grown in the rest of Britain. Beyond these islands with names like Luing, the next coastline is distant Labrador. The wind rustled in an undergrowth of rare Far Eastern flora, and I marvelled that two years ago the guardians of this heavenly garden, the National Trust for Scotland, had intended to give up on it, lock the gate and walk away.

Arduaine has become even more famous since the Trust published its summary decision. Cantankerous southern gardeners have learned how to pronounce its name, Are-doo-nee, the Gaelic word for a green promontory. It has become synonymous with the power of protest groups. Very senior heads have rolled at the National Trust for Scotland after their closure plans in a crisis enraged the 312,000 members and prompted a pugnacious look at the structure and financial woolliness of their institution. Arduaine became the flashpoint for incredulous discontent. Valiant donors maintained the garden’s costs for 12 months while the Trust reconsidered its plans. Activists formed a rival, In Trust For Scotland, and the need began to be specified for an endowment of up to £2m to take the garden out of danger.

Plans for closure had been precipitated by the stock market collapse of 2008-2009, but there are few better “buy” signals than a panic among charity trustees. Since March 2009, more has gone Arduaine’s way. The underlying endowment has gone up with the market by more than 40 per cent. Private donors have already given and pledged £650,000 for Arduaine’s future. The Trust has slimmed down its structure and brought in a new team, headed by the steady hand of Sir Kenneth Calman, previously chief medical officer in Scotland, England and Wales. This weekend the new-look Trust launches its Save The Secret Garden Appeal for Arduaine, with a target of £100,000.

The crucial point behind all the previous fuss is that the Trust is not funded by any public money. It depends on donations, investment income and gate-money and is separate from England’s mighty National Trust. Even before 2009 it had become overstretched by accepting too much in the past with little or no endowment. The new five-year plan makes overdue financial sense. The aim for each vulnerable property is to raise and invest a capital endowment whose income will then meet half of each year’s running costs and the whole of the cost of one year’s new projects. The other revenue will come from entrance money, but the endowment will cushion the risks of bad visiting-weather and economic storms. Arduaine’s visitors have already surged by 11 per cent since the rumpus, reaching 16,000 last year. The garden deserves to get every penny of the remaining balance even before the rhododendrons’ petals have fallen. For only £30, the first 300 donors can have their names carved as an Arduaine Guardian on a special garden gate.

There ought to be a rush of inscriptions. Wherever garden soils are acid in Britain, azaleas and rhododendrons are the country’s greatest living link with the Far East. Wild varieties from China began to enter Britain with the brave plant-hunters of the generation from 1840 to 1880, many of whom had Scottish connections. The link between mild Gulf-Stream Scotland and the forest shrubs of Burma and Sichuan turned out to be the happiest link between landscapes since the great painters of the Italian Renaissance transformed the image of the Holy Land into a dreamy corner of Tuscany.

Arduaine was not early on the scene, but it has some spectacular rarities, including our national collection of Maddenia rhododendrons. They are varieties which are too intolerant of frost for other gardens and yet are mostly white-flowered and exquisitely scented.

I asked the head gardener, Maurice Wilkins, to direct me to the defining quality of Arduaine. “Tranquillity,” he replied, and although the wind was sweeping boisterously off the nearby sea, I understood what he meant. Below the canopy of tall trees, the natural paths wind unobtrusively and there is that calm which is only gained by taking the long view. Arduaine’s boundary is within yards of the beach, but in 1897 its new owner, James Campbell, reckoned that with a shelter belt he could gain from the mild Gulf Stream and make the planting the equal of the big ducal woodlands in Scotland which were developing Oriental “gorges” and Himalayan trails. Soon he was in close contact with Osgood Mackenzie, owner of the most famous Scottish island garden, Inverewe. The woodland garden at Arduaine is now even better than Inverewe’s own.

Campbell’s money came from tea-planting in Sri Lanka. One of his rarest plants for a British collection is a wild Sri Lankan rhododendron of striking outline. It is a menace nowadays on Sri Lankan golf courses, but it only grows outdoors in Britain in west Scotland, 100 yards from the sea. Campbell and his family continued to plant boldly until the 1950s and the oldest of west Scottish garden-owners have recalled for me that Arduaine was at its absolute summit in the late 1940s. It then slumbered until 1970, in danger of the throttling embrace of mother Nature.

In 1971 the site was bought for less than £10,000 by two brothers, Harry and Edmund Wright, with roots in faraway Essex and experience as nurserymen. Their devotion saved the garden, extended the seasonal interest and gave the lower part a more “gardened” feel. It was they who gave the garden to the Trust in 1992 but soon added a blast of controversy. They lived on, as Edmund still does, within 50 yards of the garden’s boundary, and after a series of perceived slights, they put up signs to publicise their view of the Trust’s rudeness and incompetence. They are still visible.

Great woodland gardens depend on a fine balance between an upper canopy of trees and the flowering shrubs beneath. This may prove to be Arduaine’s next big challenge. Campbell planted many Japanese larch trees as a shelter above his rhododendrons and by now they are up to 100ft high, a thousand of them, in Wilkins’s wary opinion. Like other shrub gardens in public ownership, Arduaine is now vetted by scientists for the dreaded Phytophthora ramorum, a sickness which has already required the burning of 90 fine Arduaine specimens in the hope of containing it. Not only has the mature larch canopy begun to block out light from the shrubs beneath it. Larch trees activate the lethal Phytophthora and near Arduaine whole hillsides of larch trees have had to be felled.

On the far side of the garden I looked at a lovely white Rhododendron williamsianum, one of my favourites in a smaller garden, and marvelled at the Rhododendron decorum behind it, one of the first brought to Scotland by the great collectors Euan Cox and Reginald Farrer nearly a century ago. Beside it a tender cream-flowered Michelia was in bud. The garden needs a phased replanting, more magnolias, camellias and more labelling from its database. It also needs £100,000 to assure it a public future. It then will symbolise the power of a bad decision if overturned by independent protest and replaced by thoughtful new brooms. in Financial Times, 13 Maio de 2011 http://www.nts.org.uk/Home/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fundo Mundial de Monumentos elege Jardim Botânico de Lisboa como herança a preservar

Por Carlos Filipe in Jornal "Publico", 7 de Outubro de 2011

No dia em que escapou a um incêndio num edifício que lhe fica vizinho, o Jardim Botânico de Lisboa entrou para a lista de 2012 do observatório criado pelo Fundo Mundial de Monumentos, instituição privada norte-americana, sem fins lucrativos, que tem por objectivo a preservação de lugares da herança cultural em todo o mundo.

Foi na quarta-feira que o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, monumento nacional desde o final de 2010, após 40 anos à espera de classificação, passou a ser o sétimo conjunto patrimonial português identificado naquele observatório (http://www.wmf.org/), que através de escolhas bienais chama a atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com grande significado histórico, artístico e arquitectónico.

Entre os 686 locais, em 132 países, distinguidos por aquela organização desde 1996, também constam as pinturas de arte rupestre do Vale do Côa (1996), a Vila Romana do Rabaçal, concelho de Penela, Coimbra (2004), e o Teatro Capitólio, no Parque Mayer, em Lisboa (2006). Igualmente referenciados, mas ainda em avaliação, encontram-se a Catedral do Funchal, os Jardins do Palácio de Queluz e a Torre de Belém.

O fundo, sediado em Nova Iorque, que também participa financeiramente para a recuperação e/ou preservação de alguns daqueles monumentos, aceitou os argumentos da candidatura da Liga dos Amigos do Jardim Botânico - que engloba a plataforma em defesa daquele jardim, um conjunto de 13 organizações não-governamentais -, segundo a qual o espaço verde lisboeta, com uma área de 4,2 hectares, "sofre ameaça à sua integridade com o Plano de Pormenor do Parque Mayer que propõe mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e parcelas de terreno em plena zona de protecção do monumento". A mesma associação refere igualmente que "um insuficiente financiamento, a crónica falta de funcionários e a falta de manutenção ameaçam há décadas a sobrevivência e integridade do Jardim Botânico de Lisboa, como ficou demonstrado pelo incêndio de quarta-feira".

Entre dezenas de outras admissões na lista de 2012 do observatório, o fundo elegeu sítios tão díspares como a cidade de Walpi, no condado Navajo do Arizona, ou a arquitectura histórica da Cidade do Belize, na América Central.

Jardim Botânico seleccionado para o Observatório do Fundo Mundial dos Monumentos 2012

Associação internacional sem fins lucrativos, o World Monuments Fund (WMF) divulga, com uma periodicidade bienal, uma lista que integra monumentos e sítios espalhados pelo mundo que são considerados relevantes para a herança cultural da humanidade pelo significado histórico, artístico e arquitectónico associado e cuja preservação se encontra em perigo. A iniciativa pretende alertar e contribuir para que as comunidades e autoridades locais assumam um papel activo na salvaguarda do seu património cultural, promovendo simultaneamente a angariação de fundos para a causa.

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa foi seleccionado por um painel de peritos mundiais, incluindo representantes da UNESCO e do ICOMOS, que tiverem que ponderar entre várias candidaturas internacionais. A divulgação dos resultados decorreu no passado dia 5 de Outubro, em Nova Iorque, e da lista constam 67 monumentos e locais espalhados por 41 países e territórios.

Classificado como Monumento Nacional, o Jardim Botânico de Lisboa foi inaugurado em 1878 para servir o ensino da Botânica da Faculdade de Ciências. Reúne, em 4.2 hectares, espécies em perigo assim como importantes colecções, para além de desempenhar um papel fundamental na amenização do clima da cidade.

De acordo com a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), organização não-governamental integrada pelo GECoRPA e responsável pela candidatura à WMF, a polémica em torno do maior jardim do séc. XIX da cidade está relacionada não só com financiamento insuficiente que se reflecte na falta de manutenção e vigilância (apontada como estando na origem do incêndio que ocorreu recentemente), mas também com o Plano de Pormenor do Parque Mayer que propõe a utilização de terreno em plena zona de protecção do monumento. A Plataforma de defesa do Jardim Botânico de Lisboa exige a suspensão da actual versão do Plano de Pormenor e a sua substituição por uma solução mais consensual, menos intrusiva para o Jardim e para a cidade, acusando ainda a Câmara Municipal de Lisboa de se demitir de realizar uma reflexão mais conceptual e de fundo como era pedido pelas treze organizações que integram a LAJB. in Revista do GECORPA 10/6/2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comunicado de Imprensa: Jardim Botânico no WATCH 2012

WORLD MONUMENTS FUND COLOCA JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA NO OBSERVATÓRIO MUNDIAL DOS MONUMENTOS

Jardim Botânico de Lisboa seleccionado para a WORLD MONUMENTS WATCH de 2012. Lista anunciada publicamente em Nova Iorque.

A WORLD MONUMENTS FUND (WMF) é a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal World Monuments Watch, a WMF (www.wmf.org) chama atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com grande significado histórico, artístico e arquitectónico. A presença na lista World Monuments Watch estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel activo na protecção do seu património cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda. Os monumentos são seleccionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluindo representantes da UNESCO e do ICOMOS.

O JARDIM BOTÂNICO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA foi fundado em 1873 e inaugurado em 1878. O jardim, situado em pleno centro da cidade, foi criado para servir o ensino da Botânica da Faculdade de Ciências. Dentro dos 4.2 hectares do jardim existem importantes colecções, principalmente palmeiras, figueiras e cycas, assim como muitas plantas em perigo. A vegetação luxuriante sub-tropical do jardim desempenha ainda um importantíssimo papel na amenização do clima da cidade, no sequestro de CO2, para além de ser um refúgio para fauna. O JARDIM BOTÂNICO, o maior jardim do séc. XIX em Lisboa, exibe uma grande diversidade de plantas recolhidas em várias partes do mundo. É um notável banco vivo de biodiversidade.

O Jardim Botânico está classificado como Monumento Nacional. O FUTURO DO JARDIM ESTÁ AGORA AMEAÇADO com o Plano de Pormenor do Parque Mayer que propõe mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e outras parcelas de terreno em plena zona de protecção do monumento. Este projecto municipal, embora iniciado com o objectivo de reabilitar o jardim e o seu bairro, terá impactos negativos que ultrapassam em muito as imaginadas vantagens a curto prazo: alteração radical da envolvente urbana histórica do jardim, parcelas de terreno ilegalmente impermeabilizadas no passado serão premiadas com a sua legalização, a cerca pombalina do jardim ficará obstruída com duas novas frentes urbanas de 1 a 3 pisos.

Também um insuficiente financiamento, uma crónica falta de funcionários, e uma grave falta manutenção ameaçam há muitas décadas a sobrevivência e integridade do Jardim Botânico de Lisboa – como demonstrado recentemente pelo incêndio de ontem, dia 5 de Outubro.

A LIGA DOS AMIGOS DO BOTÂNICO (LAJB) é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1986 com a objectivo de defender, apoiar e promover o Jardim Botânico de Lisboa e a sua missão. A candidatura do Jardim Botânico para a WMF foi submetida pela LAJB.
Com a ajuda da WMF e a PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO* (formada por 13 ONG) a LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO continuará a trabalhar na protecção do Jardim. A Plataforma exige a suspensão da actual versão do Plano de Pormenor e a sua substituição por uma solução mais consensual, menos intrusiva para o Jardim e a cidade.

As pontuais alterações realizadas após consulta pública são mínimas e inócuas, não reflectindo a ampla e qualificada participação da sociedade civil. A CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA optou por retirar questões pontuais demitindo-se de fazer uma reflexão mais conceptual e de fundo como era pedido pelas 13 (treze) organizações não governamentais da PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO.

Fazemos votos para que a ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE LISBOA se junte à chamada de atenção da WMF e promova uma genuína revisão do Plano de Pormenor. A versão do Plano aprovado não reflecte as visões e aspirações dos cidadãos. O JARDIM BOTÂNICO e a sua envolvente merecem mais e melhor. Precisamos de um Plano de Pormenor mas não deste.

É uma responsabilidade de todos garantir que o JARDIM BOTÂNICO continue a ser um lugar do saber, da investigação e de recreio para as gerações futuras. A cidade não pode ser feita contra os cidadãos mas COM os cidadãos.

Para mais informações, por favor contactar:

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
TM: 919256973 ou TM. 935587982
amigosdobotanico@gmail.com

*PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA:
Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
GECoRPA - Grémio do Património
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
Quercus - Núcleo de Lisboa
LPN - Liga para a Protecção da Natureza

World Monuments Fund announces 2012 WATCH!

WORLD MONUMENTS FUND ANNOUNCES 2012 WATCH, ENCOMPASSING 67 THREATENED CULTURAL - HERITAGE SITES ACROSS THE GLOBE


Founding Sponsor American Express Grants $5 Million to Support ProgramFor Next Five Years.


For Immediate Release—New York, NY, October 5, 2011…At a press conference held at World Monuments Fund’s Empire State Building headquarters today, WMF President Bonnie Burnham announced the 2012 World Monuments Watch. Since 1996, the biennial Watch has drawn international attention to cultural-heritage sites in need of assistance, helping to save some of the world’s most treasured places. The 2012 Watch includes 67 sites, representing 41 countries and territories. Ranging from the famous (Nasca lines and geoglyphs, Peru) to the little-known (Cour Royale at Tiébélé, Burkina Faso); from the urban (Charleston, South Carolina) to the rural (floating fishing villages of Ha. Long Bay, Viet Nam), the 2012 Watch tells compelling stories of human aspiration, imagination, and adaptation. The 67 sites vividly illustrate the ever-more pressing need to create a balance between heritage concerns and the social, economic, and environmental interests of communities around the world. Moreover, in addition to promoting community cohesion and pride, heritage preservation can have an especially positive impact on local populations in times of economic distress, for example through employment and the development of well-managed tourism. Ms. Burnham stated, “The World Monuments Watch is a call to action on behalf of endangered cultural-heritage sites across the globe. And while these sites are historic, they are also very much of the present—integral parts of the lives of the people who come into contact with them every day. Indeed, the Watch reminds us of our collective role as stewards of the earth and of its human heritage. “I am enormously pleased to announce that American Express, founding sponsor of the World Monuments Watch, has made a generous new grant of $5 million in support of the program over the next five years. World Monuments Fund is deeply grateful for this new grant, and for the company’s steadfast support of more than twenty years.” in http://www.wmf.org/

Jardim Botânico de Lisboa no WATCH 2012!

The botanical garden of Lisbon was established by the former Escola Politécnica de Lisboa to complement teaching and research at the school, and was laid out between 1873 and 78. The garden contained plants collected from every part of the world to which the Portuguese had extended their influence, and it was held up as an important model for other botanical gardens around the world. In addition to significant collections of preserved specimens and seeds, the garden houses an observatory and the earliest meteorological station in Portugal, with continuous records going back to the nineteenth century. This enchanting enclave of exotic plants has long been open to the public, but it is frequently overlooked.

The botanical garden is both a vital urban open space and a significant cultural landscape; in 2010, it was designated a national monument. A new real estate development has been planned near the garden, and concerns have been raised regarding its potential impact on this historic resource. An important opportunity to concentrate renewed attention on the condition of the garden and on its long-term stewardship is now at hand. A number of civic groups, professional associations, and heritage and nature conservation organizations have mobilized to support this cause.

Jardim Botânico de Lisboa EM CHAMAS!

Mais imagens do desasatroso e vergonhoso incêndio no Jardim Botânico ocorido ontem à tarde no feriado de 5 de Outubro! A nossa famosa Araucaria columnaris envolta em fumo e chamas! E uma das palmeiras mais altas do jardim morta, consumida pelas chamas! Ao limite de degradação, desleixo, abandono e desprezo a que chegou o nosso Jardim Botânico! Em que outro país da Europa - ou do Mundo - seria possível acontecer um incêndio num Jardim Botânico?! LISBOETAS DEFENDAM O VOSSO JARDIM BOTÂNICO!

Incêndio em imóvel em ruína em Lisboa ameaçou Jardim Botânico

Causas do incêndio são ainda desconhecidas, mas no interior do edifício devoluto encontrava-se uma mulher sem-abrigo, estrangeira, que foi hospitalizada devido a inalação de fumo.

Um incêndio que deflagrou hoje ao início da tarde, num edifício devoluto que aparenta risco de ruína, na Rua da Alegria, em Lisboa, chegou a ameaçar a mancha vegetal do Jardim Botânico, mas a rápida acção dos bombeiros protegeu esta jóia verde da cidade, que apenas sofreu chamuscadelas. Uma cidadã estrangeira, sem-abrigo, encontrava-se no interior do imóvel e apenas sofreu intoxicação por fumo, tendo sido conduzida ao Hospital de São José. Não foi ainda possível aos bombeiros determinar a origem do incêndio, comunicado ao Regimento de Sapadores Bombeiros às 12h22 e dominado às 13h30, altura em que se iniciou a fase de rescaldo, disse ao PÚBLICO o comandante daquela força profissional, Joaquim Leitão. A segurança dos habitantes dos imóveis vizinhos e a protecção da mancha vegetal do Jardim Botânico constituíram as imediatas preocupações dos bombeiros que atacaram as chamas, prioritariamente, naqueles pontos. “Eles chegaram rapidamente, o que foi decisivo”, comentou o vereador que tutela a Protecção Civil, Manuel Brito, destacando a sensibilidade daquela zona da freguesia de São José, de ruas muito estreitas, com habitações antigas e a proximidade do Jardim Botânico, que tem acesso lateral para um beco da Rua da Alegria. Sem que tenha chegado a ser necessário proceder à retirada dos habitantes vizinhos, mas avisados pelos serviços da Protecção Civil municipal para estarem preparados para uma saída rápida, caso fosse necessário, apenas a mulher, de idade imprecisa, que se encontrava no interior do imóvel sinistrado, foi transportada de ambulância para o hospital, onde foi assistida, sem correr risco de vida. O encaminhamento para futuro alojamento da mulher será encontrado entre os serviços sociais naquela unidade e a Protecção Civil municipal. Apesar da prontidão dos Sapadores Bombeiros, que contaram com a colaboração dos voluntários de Lisboa e da Ajuda, o comandante Joaquim Leitão admitiu que o cordão de água projectado para o Jardim Botânico não foi o suficiente para o deixar completamente a salvo, pois algumas projecções de chamas atingiram duas palmeiras próximas. O interior do imóvel, bastante combustível, principalmente pelas madeiras ali acumuladas, ficou totalmente destruído. Um dos 41 bombeiros que ali prestaram serviço, apoiados por oito viaturas, também foi assistido no hospital, com queimaduras de primeiro grau num pé. in Público 5 Out 2011 http://www.publico.pt/

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa EM CHAMAS!

Hoje, dia 5 de Outubro, enquanto o país, Lisboa, celebravam os 101 anos da República, o Jardim Botânico ardia. O fogo começou num prédio devoluto junto ao Portão da Praça da Alegria e rápidamente as chamas passaram o muro, devoraram algumas árvores e plameiras do Arboreto. A situação não piorou graças à intervenção irrepreensível dos bombeiros. Bem hajam. O Jardim agradece. Quem paga os prejuízos no Jardim Botânico? O proprietário do imóvel abandonado onde se iniciou o fogo (Eastbanc)? Portugal não parecem merecer o Jardim Botânico de Lisboa. Este incêndio é a prova que construções não respeitando os 50m de protecção deste Monumento Nacional podem revelar-se fatídicas. Mais uma vez fica provado que a Liga dos Amigos do Jardim Botânico não pode dormir descansada. O Sr. Presidente António Costa pode? O Sr. Vereador Manuela Salgado pode? E contrariamente àquilo que foi referido pelo Sr. Vereador da Protecção Civil, Manuel Brito, o Jardim Botânico não ficou protegido e não está protegido. O Jardim agradece que venham visitá-lo e avaliar os graves danos. O Jardim Botânico, esteve, está, e, se o Plano de Pprmenor do PM fôr aprovado, vai continuar a estar ameaçado. Pela salvaguarda do nosso Património os portugueses, não podem nem devem dormir descansados. VAMOS DEFENDER O NOSSO PATRIMÓNIO CULTURAL!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O nosso Bairro: Rua Camilo Castelo Branco 25

Mais um imóvel Arte Nova (1908) ameaçado de demolição integral. Mais um logradouro ameaçado de impermeabilização total. A CML não está a executar aquilo que anda a pregar. Aprovar a demolição deste património cultural é «Reabilitação Urbana»? Não nos parece! Isto é pura e simples destruição da Memória da nossa cidade! Esta moradia é perfeitamente recuperável. Porquê arrancar mais esta página do livro LISBOA?!

Rua Camilo Castelo Branco 25
Processo: 621/EDI/2009
Freguesia: Coração de Jesus

sábado, 1 de outubro de 2011

O exemplo do Jardim Botânico do Porto II

No ano das comemorações dos 100 anos da fundação da Universidade do Porto, o Jardim Botânico está assim como mostram as imagens (Julho 2011): limpo, restaurado, com boa manutenção e em funcionamento. Os caminhos foram devidamente reabilitados, as estufas, fontes e lagos restaurados, os bebedouros oferecem água e a sinalética foi repensada e refeita. Está disponível e ao serviço da comunidade. Sabe bem qual é a sua missão no séc. XXI. Entretanto o nosso Jardim Botânico em Lisboa está não só em mau estado de conservação (algumas partes em completa ruína) como também ameaçado por um "Plano de Pormenor" mais preocupado em disciplinar e oferecer oportunidades para a ocupação dos solos na zona de protecção do monumento do que promover uma defesa efectiva e genuína a longo prazo. Será que o Porto aceitaria um anel de 30 mil m2 de construção na zona de protecção do seu Jardim Botânico? Pois é isso que quer fazer a CML com a capa diáfama de «coberturas verdes» em cima de lajes de betão armado como propõe o Plano de Pormenor.