quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

«A história de um cedro que o vento levou»


O "cedro de São José", na verdade um cipreste que é parte da história da mata do Buçaco, resistiu a tudo até durante mais de 300 anos. O mau tempo de sábado deixou-o à beira do fim.
 
Os últimos dias têm sido de uma grande agitação, e tudo por causa do mau tempo deste fim-de-semana. Pela mata do Buçaco, no Centro do país, andam dezenas de pessoas atarefadas a tentar resolver os estragos causados. Preocupam-se com milhares de árvores derrubadas, mas com uma em especial. É o centenário cedro do Buçaco que mais os comove, e isto porque se agarra a uma réstia de vida.
 
Plantado em 1644, ou talvez antes, o cedro do Buçaco já viveu muito. O seu nome científico – Cupressus lusitanica – sugere tratar-se de uma espécie portuguesa. Mas, na verdade, estima-se que a Ordem dos Carmelitas o tenha trazido das regiões montanhosas do México, da Guatemala e da Costa Rica.
 
Foi o naturalista Philip Miller quem descreveu a espécie, em 1768, a partir de exemplares que viu no Buçaco, quando lá esteve nessa altura. Daí o engano quanto à origem da árvore.
 
Apesar da sua classificação como um cipreste, a árvore foi popularmente reconhecida como um cedro e lá ficou no coração da mata do Buçaco, ao lado da Ermida de São José e, em honra deste santo, partilhou com ele o nome. Chamam-lhe "cedro de São José".
 
Ao longo de quase quatro séculos, resistiu a muitas chuvas e ventos e até a um ciclone, em 1941 – data das maiores rajadas de vento de que há registo em Portugal. Viveu situações que apenas os livros podem contar e neste fim-de-semana ficou com a vida em risco.
 
Restou o tronco
"É apenas um tronco e um pequeno ramo de pé", descreve Milene Matos, investigadora do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Milene trabalha na Fundação da Mata do Buçaco há dez anos e há dez anos que estava habituada a ver os cerca de 5,5 metros de perímetro do tronco castanho-avermelhado do cedro de S. José rodeados de crianças em visitas escolares.
 
Foram dez anos – e muitos outros antes – de boas recordações e, por isso, no sábado do temporal, não resistiu quando olhou para a árvore. "Chorei baba e ranho. É quase como perder uma pessoa. É uma perda irrecuperável e um sentimento de impotência perante um acidente fortuito como este", explica a investigadora, que conhece quase de cor os 105 hectares e as mais de 250 espécies de árvores e arbustos da mata.
 
Helena Mergulhão é voluntária desde que a fundação abriu portas, em 2009, e também ela anda agora na luta para devolver ao Buçaco a tranquilidade que os carmelitas tanto apreciavam no século XVII. "Quando se entrava na mata do Buçaco, era um paraíso para quem gosta da natureza", conta, comovida, numa entrevista por telefone. "Estou a dizer-lhe isto e as lágrimas correm-me pela cara abaixo", acrescenta. Ouvem-se. De repente, param e dão lugar à indignação: "Quando cheguei à mata, entrei em pânico e chorei. Andámos nós anos a lutar sem meios, recebemos centenas de turistas, e não temos apoios. Os meios são os nossos braços e pernas."
 
Ao longo dos anos, o "cedro de S. José" sempre foi alvo de curiosidade de turistas e visitantes nacionais que, em excursões à Mealhada, na mata do Buçaco, eram apresentados a uma árvore verde de grande importância: a primeira espécie exótica introduzida no Buçaco, o cedro mais antigo de Portugal e, provavelmente, da Europa.
 
Às crianças, em vez de se falar no bispo de Coimbra D. Manuel, que, em 1628, entregou a mata aos carmelitas, contava-se a história do duende Alcino, um heterónimo inventado para atrair os mais novos. O nome era diferente, mas a bondade e o amor pela natureza eram os mesmos.
 
Acesso difícil
Agora, depois de milhares de árvores terem sido derrubadas pelo vento, o acesso ao cedro tornou-se difícil. Difícil de mais para as pernas de Henrique Gonçalves, que, passados 82 anos, já tiveram outra força. Entrou pela primeira vez na mata do Buçaco em 1945. "Ajudei a plantar os fetos e árvores e arbustos do jardim", conta. Em 1960, passou a guarda-florestal e viveu cinco anos na mata. "Aquilo marca uma pessoa e deixa saudades". Por isso, volta todas as semanas, geralmente aos domingos, e também ele não conseguiu conter as lágrimas ao saber que a relíquia da mata pode estar perto do fim.
Até esta quinta-feira, a fundação vai continuar fechada ao público e, nos próximos meses, o cedro não poderá ser visitado. "Já foram técnicos especializados ao local para ver o que se pode fazer, como sarar as suas feridas", diz o presidente da Fundação da Mata do Buçaco, António José Franco, acrescentando que talvez em Março se possa ver o ex libris natural do Buçaco.
 
A incógnita permanece sobre a mata do Buçaco, embora todos estejam confiantes de que um cedro que já viveu mais de 300 anos poderá viver outros tantos. "Ele sempre esteve de saúde, nada disto se previa", diz Milene Matos, referindo-se ao efeito, na árvore, das fortes rajadas de vento que fustigaram a mata neste fim-de-semana. "Eu acredito que ele vai dar a volta por cima e voltar a ser a nossa jóia", considera António José Franco. O quadro clínico poderia ser melhor, mas, enquanto existirem folhas verdes, há esperança. in PÚBLICO, 23 de Janeiro de 2013
 
Foto: Cedro do Buçaco, ou Cedro de São José, fotografado em Novembro de 2012

O Jardim Botânico no Inverno

A ilusória paisagem primaveril no inverno do nosso Jardim Botânico de Lisboa... Canteiro coberto de Acanthus mollis no Arboreto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MONUMENTO: Ficus macrophylla






As Árvores e os Livros: Géo Norge

«Vi o carvalho sagrado, guardião da tempestade e da justiça, esconderijo de aves e de fadas, encobridor de auroras muito antigas; eu canto o velho carvalho das estradas de poeira nas noites do pino dos Verões nas alturas aonde sobem as trevas; Merlin fala ainda à sua sombra e Viviana tem palácios debaixo da sua ramagem.»

Géo Norge, Les Cerveaux Brûlés

Foto: Carvalho na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga

sábado, 26 de janeiro de 2013

EUROPA NOSTRA: «The 7 Most Endangered»

European Investment Bank (EIB) teams up with Europa Nostra to save Europe's Cultural Heritage
 
The Hague/Luxembourg, 24 January 2013 - Europe's leading heritage organisation Europa Nostra has launched today its new flagship programmeThe 7 Most Endangered’ with the European Investment Bank Group, represented by the EIB Institute, as its founding partner. This programme will identify endangered monuments and sites in Europe and mobilize public and private partners on a local, national and European level to find a sustainable future for those sites. 
 
“Cultural Heritage is Europe's greatest asset: our crude oil, our gold reserve. Our heritage is Europe's bread and butter, as much as it is Europe's heart and soul. Together with the European Investment Bank, Europa Nostra is proud to launch ‘The 7 Most Endangered’ programme. If we all work together, we can stimulate a true renaissance of Europe’s unique cultural heritage “ said Plácido Domingo, President Europa Nostra.
 
“The preservation of the cultural heritage in Europe is a huge task and without any doubt a common responsibility for all of us. The European Investment Bank is therefore pleased to be the founding partner of Europa Nostra’s new programme of “The 7 Most Endangered”. Its contribution to this project via the EIB Institute will be to provide analysis and advice on how funding could be obtained for the projects selected within this programme.” added Werner Hoyer, President of the European Investment Bank.
 
The first list of ‘The 7 Most Endangered’ will be announced during Europa Nostra’s 50th anniversary Congress in Athens on 16 June 2013. An international Advisory Panel will prepare the short list of 14 most endangered sites and the final list of 7 will be selected by the Europa Nostra Board. Nominations of most endangered sites can be made by Europa Nostra member or associate organisations or Europa Nostra’s country representations, the full list of which is available on the Europa Nostra website.  Deadline for the submission of nominations is 15 March 2013. (For the nomination form click here)
 
After the selection of ‘The 7 Most Endangered’, the experts selected by the EIB Institute and the other associated partners will visit each of the 7 sites in close consultation with local stakeholders and will propose realistic and sustainable action plans for saving those sites. The Council of Europe Development Bank (CEB) based in Paris will be one of the associated partners for this phase of the programme. The plans would include advice on how funding could be obtained, e.g. by drawing on EU funds or, in appropriate cases, on EIB or CEB loans. Europa Nostra’s extensive network  of heritage organisations will mobilise local communities and public or private bodies to strengthen the ownership and commitment for the 7 selected heritage sites in danger.
 
‘The 7 Most Endangered’ is inspired by a successful programme of the US National Trust for Historic Preservation, based in Washington. It will however go one crucial step further – it will not only identify a priority list of heritage sites in danger; it will also propose concrete rescue plans indicating what could and should be done to save those sites. Besides generating public interest and enthusiasm the programme will bring people together to create sustainable solutions through feasibility studies, technical advice, capacity and funding assistance, project management support and wide-scale publicity. In this way, ‘The 7 Most Endangered’ will work as a catalyst for action.  
 
 
Press contacts:
 
EUROPA NOSTRA: Sneška Quaedvlieg-Mihailović, Secretary General, sqm@europanostra.org;
 
EIB and EIB Institute: Sabine Parisse, Deputy Head of Division, Press officer, T: +352 4379 83340,
 
Background information:
 
On Europa Nostra:
 
EUROPA NOSTRA - the Voice of Cultural Heritage in Europe - represents a rapidly growing citizens’ movement for the safeguarding of Europe’s cultural and natural heritage. It covers almost 50 countries in Europe and beyond. Together with its members, associates and partners, Europa Nostra forms an important lobby for cultural heritage in Europe. It also celebrates excellence through the European Heritage Awards organised in partnership with the European Union. Finally, Europa Nostra campaigns to save Europe’s endangered historic monuments, sites and cultural landscapes. Plácido Domingo, the world’s renowned opera singer, is the President of Europa Nostra.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Palmeiras que não temos no nosso Jardim: OREODOXA REGIA

O Nosso Jardim Botânico não tem nas suas colecções vivas um exemplar desta magnifica palmeira, vulgarmente conhecida como «Royal Palm». Esta, assim como tantas outras plantas extraordinárias dos trópicos, só a poderiamos ter se já houvesse uma nova estufa, pensada e projectada para exposição de plantas que não podem sobreviver ao ar livre em Lisboa/Portugal. O exemplar na imagem foi fotografado numa ilha da Malásia. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Árvores e os Livros: Ana Maria Matute

"Quando estou dentro de um bosque não estou a olhar para o bosque, transformo-me no próprio bosque. Na sua essência. Embrenho-me nos seus mistérios, e perigos. Na sua magia"

Ana Maria Matute

in entrevista no Ípsilon, 21 Outubro de 2011

Foto: Bosque de carvalhos na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga.

As Árvores e a Cidade: plátano decepado

Imagem de mais uma vítima de poda violenta e incorrecta: um plátano que dava sombra ao logradouro nas traseiras da Igreja de São Domingos foi recentemente decepado.
 
Este crime contra as árvores aconteceu bem no centro de Lisboa, na Baixa, no cruzamento da Rua de Barros Queiroz e Rua da Palma. Faz muita falta uma pedagogia de boas práticas de arboricultura. Não podemos continuar a fazer isto às nossas árvores!