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sábado, 25 de junho de 2016

AS ÁRVORES E OS LIVROS - António Gamoneda

EXISTIAM tuas mãos.

Um dia o mundo ficou em silêncio;
as árvores, acima, eram profundas e majestosas,
e nós sentimos sob nossa pele
...
o movimento da terra.

Tuas mãos foram suaves nas minhas
E eu senti a gravidade e a luz
E que vivias em meu coração.

Tudo era verdade sob as árvores,
tudo era verdade. Eu compreendia
todas as coisas como se compreende
um fruto com a boca, uma luz com os olhos.

António Gamoneda

Tradução: Thiago Ponce de Moraes.

Foto: Jardim Teófilo Braga, Campo de Ourique, Lisboa.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

lançamento do livro: árvores na cidade


AS ÁRVORES E OS LIVROS - Eugénio de Andrade

Aos Jacarandás de Lisboa

São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.

Poema de Eugénio de Andrade, In Os Sulcos da Sede, 2001

Foto: Jacarandás na Av. 5 de Outubro, Lisboa

sábado, 23 de abril de 2016

As Árvores e os Livros: Verlaine

















Voici des fruits, des fleurs, des feuilles et des branches.
Et puis voici mon coeur qui ne bat que pour vous.

Verlaine

Foto: Rosa multiflora na Classe do Jardim Botânico

domingo, 20 de setembro de 2015

As Árvores e os Livros: Raul Lino

 
«Copiemos as Plantas. Elas tendem sempe para a claridade.»

Raul Lino

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ÁRVORES EM JAVA: ayem, ayom...
















Segundo a tradição da ilha de Java na Indonésia, as árvores são plantadas não apenas para sombra - mas também porque significam 'ayem' e 'ayom', isto é paz e protecção.

Foto: Ceiba pentandra, Jardim Botânico de Bogor, Java, Indonésia

terça-feira, 25 de agosto de 2015

As Árvores e os Livros: Raul Lino

Se tiveres de sobejo, sê liberal como a tamareira; se nada tiveres para dar, então sê um azad, ou homem livre, como o cipreste.

(Xeque Sa'di de Xiraz, Séc. XII, citado por Raul Lino no livro SINTRA)

Foto: Palmeira tamareira no nosso Jardim Botânico

sexta-feira, 9 de maio de 2014

As Árvores e os Livros: Eugénio de Andrade


"Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo"

Eugénio de Andrade

Foto: Aesculus hippocastanum em floração no Campo dos Mártires da Pátria

sexta-feira, 18 de abril de 2014

«ÁRVORE» folhas de poesia" (Lisboa: 1951-53)

«ÁRVORE» foi publicada na capital, reunindo apenas 4 números, datados do Outono de 1951 a 1953. Literariamente dirigida e editada por António Luís Moita, António Ramos Rosa,José Terra, Luís Amaro, Raul de Carvalho e Egito Gonçalves, e desenhada por Luís Moita, a Árvore apareceu para responder à necessidade, “sentida por alguns jovens poetas residentes em Lisboa, de criação dum amplo espaço de convergência e de diálogo e, simultaneamente, de abertura às tendências e propostas mais inovadoras que, ao nível da linguagem e da compreensão do fenómeno poético, chegavam da Europa e, particularmente, da França, contrariando o formalismo, o ‘conformismo piegas’, o ‘lirismo bem comportado’ e o esteticismo que ameaçavam a poesia portuguesa no início dos anos 50” (Albano Martins, colaborador). Defendeu, sem surpresa, “uma poesia autêntica mas não desinteressada do real, uma poesia que como a árvore mergulhe raízes na vida mas se erga para o alto” (Clara Rocha). A reler, agora na Hemeroteca Digital. in HEMEROTECA DIGITAL


domingo, 19 de janeiro de 2014

sábado, 7 de dezembro de 2013

As Árvores e os Livros: Manuel Gusmão

uma árvore é um anjo

um anjo lenhoso, altamente inflamável,
de alto a baixo prometido
a um incêndio que a si mesmo se combatesse

uma árvore é um anjo na terra
um anjo que está sempre a enraizar-se
e a erguer-se a poder de braços

Uma árvore conhece pouco
das nossas maneiras de lutar
e morrer; por isso:

uma árvore é e não é um anjo

Manuel Gusmão

Pequeno Tratado das Figuras

Foto: copa outonal de Ginkgo biloba no Arboreto

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Plantar árvores: Hô Chí Minh

«Para o bem da próxima década, plantar árvores. Para o bem do próximo século, educar crianças.»
 
Hô Chí Minh (1890-1969)
 
Foto: cartaz de propaganda política do Vietname (2010)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

As Árvores e os Livros: Carlos de Oliveira

Chamo
a cada ramo
de árvore
uma asa.

E as árvores voam.

Mas tornam-se mais fundas
as raízes da casa,
mais densa
a terra sobre a infância.

É o outro lado
da magia.

Carlos de Oliveira
Trabalho Poético

Foto: ramagens de Araucaria e Pinheiro no Arboreto

terça-feira, 23 de julho de 2013

As Árvores e os Livros: «PALMEIRAS»

As árvores a copa orvalhada de sol
Rectas. Dou ao meu sol a seiva evaporada.
O sol repousa sobre o mármore das folhas
Como a água do mar no fundo adormecido.

O céu é de um só bloco a terra é vertical
E as sombras das árvores continuam as árvores.

Paul Éluard França (1895-1952)
in Rosa do Mundo

(tradução de Manuel Bandeira)

quinta-feira, 21 de março de 2013

As Árvores e os Livros: António Vieira Borges


«O que seria uma Pátria sem Árvores? Um deserto sem fim, um corpo sem alma, um planeta sem luz solar, uma mãe desolada sem filhos! Mas... sabeis vós bem, meus meninos, o que seja a Pátria? A Pátria sois vós mesmos e os vossos jogos infantis, os vossos passeios à beira-mar e ao campo, é o vosso pai, a vossa mãe e os vossos irmãos; é este torrão do litoral, onde o mundo acaba e o mar começa.»

António Vieira Borges, Árvore e Pátria, 1914, pp. 12-13

Foto: Parque Eduardo VII. O que seria Lisboa sem Árvores? Para imaginar tal cenário basta passar por um dos muitos arruamentos sem árvores que Lisboa infelizmente ainda mostra... e são na ordem das centenas as ruas, largos, pracetas, praças e até avenidas sem árvores.

HOJE: DIA DA ÁRVORE!

«Mais encontrarás nos bosques que nos livros; as árvores e as pedras ensinar-te-ão o que nenhum mestre jamais te ensinará»

S. Bernardo

Foto: Lodão na Colina do Casatelo em Lisboa

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As Árvores e os Livros: Géo Norge

«Vi o carvalho sagrado, guardião da tempestade e da justiça, esconderijo de aves e de fadas, encobridor de auroras muito antigas; eu canto o velho carvalho das estradas de poeira nas noites do pino dos Verões nas alturas aonde sobem as trevas; Merlin fala ainda à sua sombra e Viviana tem palácios debaixo da sua ramagem.»

Géo Norge, Les Cerveaux Brûlés

Foto: Carvalho na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Árvores e os Livros: Ana Maria Matute

"Quando estou dentro de um bosque não estou a olhar para o bosque, transformo-me no próprio bosque. Na sua essência. Embrenho-me nos seus mistérios, e perigos. Na sua magia"

Ana Maria Matute

in entrevista no Ípsilon, 21 Outubro de 2011

Foto: Bosque de carvalhos na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

As Árvores e a Cidade: GINGKO BILOBA

A folha desta árvore que de Leste
Ao meu jardim se veio afeiçoar,
Dá-nos o gosto de um sentido oculto
Capaz de um sábio edificar.

Será um ser vivo apenas
Em si mesmo em dois partido?
Serão dois que se elegeram
E nós julgamos num unidos?

Pra responder às perguntas
Tenho o sentido real:
Não vês por meus cantos como
Sou uno e duplo, afinal?

J. H. Goethe
[versão de Paulo Quintela]

Fotografia © Maria João Torgal, Ginkgo biloba, Lisboa, outono 2012

Poema escrito por Goethe em 1815 sobre a árvore Gingko biloba

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As Árvores e a Cidade: Avenida João XXI


Árvores com história
São seres silenciosos que, a nosso lado, partilham quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima. A maior parte das vezes pouco mais somos capazes de dizer do que 'árvore', ou 'árvores', porque também as nossas palavras se foram, pouco a pouco, tornando silenciosas. E, no entanto, cada árvore, como cada um de nós, é um ser absoluto e irreptível, idêntico apenas mutantemente a si mesmo, uma vida única com uma história única, um passado para sempre atado, de forma única, ao nosso próprio passado. (...)

O que há, como dizia o outro, é pouca gente para dar por isso. E para deslumbradamente descobrir que o belo é útil por ser belo."

Manuel António Pina in, Por outras palavras


Fotografia: Maria João Torgal | Avª João XXI, Novembro de 2012