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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ribeiro Telles contra urbanização na Caparica

O arquitecto paisagista Ribeiro Telles é o primeiro signatário de uma petição contra a urbanização dos terrenos com hortas que existem nas chamadas Terras da Costa da Caparica.

A Câmara de Almada quer prédios de habitação social nesta faixa de mais de 200 hectares de terra cultivada que abastece de produtos frescos todo o concelho de Almada, sustenta a petição, que tinha ontem à tarde 373 assinaturas. "Numa altura em que os produtos hortícolas sobem de preço todos os dias, estamos a destruir as fontes de alimentação da área metropolitana de Lisboa", indigna-se Ribeiro Telles. "É escandaloso."O documento assegura que as Terras da Costa detêm "a maior produção de produtos hortícolas por unidade de superfície da Europa", graças às condições particulamente favoráveis de que beneficiam: uma falésia que funciona como barreira natural, protegendo as culturas de batatas, cenouras, couves e outros géneros das agressões meteorológicas, e ainda a existência de lençóis de água no subsolo, a pouca profundidade. "E agora querem fazer habitação social defronte da praia da Caparica, com uns quadradinhos de relva entre os prédios?! É uma aldrabice", alega o arquitecto.

O texto da petição diz o mesmo, embora de forma mais branda: "A Câmara de Almada pretende expropriar esses terrenos por uma soma irrisória a fim de implementar um projecto Polis de habitação social, com edifícios de seis a sete pisos com frente para a praia da Caparica, mas que tem vindo a ser denunciado como fachada para condomínios de luxo".

O mesmo documento relata como uma providência cautelar interposta pelos produtores agrícolas no Tribunal de Almada já não foi a tempo de evitar que a GNR arrancasse o sistema de rega. Desde o tempo do marquês de Pombal que as Terras da Costa são cultivadas por uma população vinda de vários pontos do país. "Por volta de 1830, a ocupação foi legalizada mediante arrendamentos. As dezenas de agricultores actuais são bisnetos e trinetos dos rendeiros originais, a que se juntaram outros", refere ainda a petição.


in Público 7-7-2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Petição em Defesa do Jardim Botânico: 5000!

Já atingimos as 5000 assinaturas! O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, agradece a todos os cidadãos que de uma forma clara, no exercício de um direito que lhes assiste, disseram NÃO a este Plano de Pormenor para o Parque Mayer e Jardim Botânico (PPPM). Esperamos agora que os representantes do Poder Nacional e Local, possam estar à altura deste desafio, para repensar o PPPM, e transformá-lo num Plano de Pormenor de excelência à altura da MISSÂO de um Jardim Botânico.


PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Chamaerops humilis (Palmeira das Vassouras)

terça-feira, 29 de março de 2011

Plataforma em Defesa do Jardim Botânico recebida hoje no Parlamento pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura

Esta audiência, pedida pela LAJB em Julho de 2010 à 13ª Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, terá lugar amanhã dia 29 de Março às 14horas, no Parlamento.

Serão apresentados pelos representantes da "Plataforma" os vários problemas e desafios que o Jardim Botânico enfrenta actualmente. Assunto central a debater será o Plano de Pormenor, de iniciativa municipal, que apesar de bem intencionado apresenta uma tendência geral para a amputação da Missão do Jardim Botânico. Este Plano de Pormenor é rejeitado por 11 (onze) organizações não governamentais de âmbito local e nacional, representando a área do Ambiente, profissionais da Arquitectura, da Conservação e Restauro ou simplesmente movimentos de Cidadania. Quase 5000 cidadãos já assinaram a petição:


A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Arboreto, vista da Avenida das Palmeiras

quarta-feira, 23 de março de 2011

Plataforma em Defesa do Jardim Botânico reúne hoje com Presidente da AML

A "Plataforma Em Defesa do Jardim Botânico" reúne hoje, dia 23 de Fevereiro, às 15horas, com a Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), Drª Simonetta Luz Afonso, para apresentar as questões que ameaçam o futuro deste Monumento Nacional e de toda a zona envolvente, alvo de um polémico Plano de Pormenor de iniciativa municipal. Será também entregue uma cópia da "Petição em Defesa do Jardim Botânico" que foi lançada a 12 de Novembro de 2010 e que já conta com quase 5000 assinaturas:


A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Quercus libani

terça-feira, 1 de março de 2011

Petição em Defesa do Jardim Botânico: Audição na Assembleia da República

No seguimento da entrega a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia da República, no passado mês de Janeiro, da "Petição em Defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente" (www.gopetition.com/petition/39771.html), informamos que amanhã, dia 2 de Março, pelas 11h, iremos ser recebidos pelo Exmo. Sr. Deputado Relator daquela petição e membro da Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico será representada naquela audição por:

Gonçalo Ribeiro Telles (Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas)

Manuela Correia (Liga dos Amigos do Jardim Botânico)

Paulo Ferrero (Fórum Cidadania Lx)

Joana Morão (Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico).

Foto: Arboreto do Jardim Botânico, com a Cerca Pombalina em primeiro plano, visto de um logradouro na Rua do Salitre.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

«Jardim Botânico deve ir a plenário»

Petição entregue na Assembleia da República

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico entregou ontem na Assembleia da República uma petição com mais de quatro mil assinaturas com vista a pedir a revisão do Plano de Pormenor do Parque Mayer. E alertou para os malefícios das construções previstas.

"Há-de haver bom senso e acima de tudo o que interessa aqui é preservar o Jardim Botânico, se possível alargá-lo e não permitir de maneira nenhuma atentados ao jardim", afirmou ao JN Paulo Ferrero, do movimento Cidadania LX, uma das dez associações que lançaram a petição em Novembro.

Com mais de 4170 assinaturas, o texto foi entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que, segundo Paulo Ferrero, "estava dentro do problema, estava bem informado e mostrou-se interessado".

Os signatários defendem que proposta de Plano de Pormenor do Parque Mayer deve ser revista tendo em conta aspectos e elementos que "devem ser melhorados, aprofundados e rectificados". Em causa estão as construções previstas em volta do recinto do Parque Mayer, como, por exemplo nos logradouros da rua do Salitre, da Rua da Alegria ou do Príncipe Real.

"É importante que não haja esventramento desses logradouros pelo menos com a imensidão que está anunciada com quatro caves de estacionamento que põem em perigo as raízes das árvores do Jardim Botânico", alerta Paulo Ferrero.

"É preciso diminuir ainda mais o índice de construção", prosseguiu, referindo que "mesmo que seja de dois andares e tenha uma cobertura vegetal de relva não é muito apropriado para ali".
O representante do Movimento Fórum Cidadania LX manifestou ainda receios com a intenção de se construir um edifício de quatro andares no cruzamento da rua do Salitre com a Rua Castilho. "É uma falta de senso completa", considerou, antes de tecer críticas a um outro projecto que prevê "uma estufa dissonante com o jardim".

Na sua óptica, a Universidade de Lisboa, responsável pela gestão do Jardim Botânico, "é um bocado culpada porque lava as mãos, diz que não tem dinheiro e qualquer coisa que apareça é bem-vinda".

Paulo Ferrero lamentou ainda o estado actual do Jardim Botânico. "Neste momento tem apenas um jardineiro", criticou, defendendo que um espaço com aquelas características devia, e merecia, ser acompanhado por mais profissionais.

O representante do movimento de cidadãos alertou ainda o facto de "não haver dinheiro para pagar a água" nem "um folheto promocional do Jardim Botânico". E concluiu que "há um misto de falta de dinheiro e de desinteresse das instituições".

Na Assembleia da República, a petição segue agora para a Comissão de Educação - uma vez que o Jardim Botânico é da gestão da Universidade de Lisboa. Depois de nomeado um deputado redactor, dar-se-á início a um processo de audição a todas as partes envolvidas. Posteriormente será feito um relatório e, só mais tarde, deverá ser discutida em plenário.
in Jornal de Notícias 2011-01-12

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Petição em Defesa do Jardim Botânico entregue ao Presidente da Assembleia da República

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico informa que a "Petição em defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente" foi entregue presencialmente a Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, hoje, pelas 11h. Na audiência com o Dr. Jaime Gama, que durou cerca de 1 hora, estiveram presentes representantes do GECoRPA, QUERCUS, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Associação Lisboa Verde, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Cidadãos pelo Capitólio e Fórum Cidadania LX.

A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Entrega da Petição em Defesa do Jardim Botânico na Assembleia da República

Atingidas as necessárias 4.000 assinaturas, a Plataforma em Defesa do Jardim Botânico informa que a "Petição em defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente" (http://www.gopetition.com/petition/39771.html) será entregue presencialmente a Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, amanhã, dia 11 de Janeiro de 2011.

No acto da entrega estarão presentes representantes da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Quercus, Liga para a Protecção da Natureza, Fórum Cidadania Lx e Associação Lisboa Verde.

A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Cedrus libani

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Centro Nacional de Cultura divulga Petição em Defesa da Missão do Jardim Botânico

O CENTRO NACIONAL DE CULTURA colocou on-line a divulgação à Petição em Defesa do Jardim Botânico:

http://www.e-cultura.pt/NoticiaDisplay.aspx?ID=2956

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico agradece este importante apoio de mais uma instituição da cidade de Lisboa.

A petição está disponível aqui:

http://www.gopetition.com/petition/39771.html

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Participação na Discussão Pública do Plano de Pormenor do Parque Mayer

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Vem apresentar junto de V. Exa., ao abrigo do artigo 77.º n.º3 do Decreto-Lei n.º 380/99,de22 de Setembro, no âmbito do período de Discussão Pública do Plano de Pormenor do Parque Mayer, as seguintes reclamações, observações e sugestões:

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES:

1 - É de louvar a iniciativa de elaborar um Plano de Pormenor para o Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente. Aplaudimos também a abertura de um Concurso Público de Ideias e a auscultação dos cidadãos promovida pelo Município de Lisboa.

2 - A cidade de Lisboa está perante uma oportunidade única para finalmente colocar este macro quarteirão em sintonia com o Jardim Botânico que é, sem dúvida, o elemento mais valioso deste conjunto, razão porque foi reconhecido pelo Estado Português como Monumento Nacional.

3 - Ao longo deste processo sempre oferecemos contributos para que a versão final do Plano de Pormenor se afirme pela mudança de paradigma do planeamento urbano da capital.

4 - Preocupa-nos que, de uma forma geral, esta versão do PPPM apresente uma tendência para se centrar em estilos de vida convencionais, insustentáveis, sob uma capa de consciência ambiental. Há uma tendência para a uniformização económica e social do tecido urbano.

5 - Vemos com preocupação a falta de humildade perante a cidade histórica consolidada. Características intrínsecas ao lugar (variedade de cotas, personalidade reservada do jardim, logradouros) são classificadas como problemas em vez de valores a cuidar e desenvolver.

6 - Este Plano de Pormenor deve ser um autêntico instrumento de protecção do Jardim Botânico, evitando novas construções, reciclando e reutilizando ao máximo os seus imóveis já existentes.

7 - O argumento de que para “dar vida ao Jardim” ou “ligar o jardim à cidade” é necessário criar novos atravessamentos e edifícios para o terciário é uma ideia que desvaloriza o património e a missão de um Jardim Botânico.

8 - Estranhamos que desde o início deste processo nunca tenha sido exigido um Plano Especial para o Jardim Botânico ao qual este PPPM se devia submeter. Questionamos também que se esteja a elaborar este PPPM sem esperar pela ZEP – Zona Especial de Protecção que será obrigatoriamente elaborada no seguimento do Decreto de classificação do Jardim Botânico como Monumento Nacional. A ZEP e o PPPM poderão conflituar.

Conclui-se que a proposta de PPPM deve ser revista e detalhada nos diversos aspectos, justificados no presente texto, nomeadamente:

1 - A urgência de resolver a decadência do Parque Mayer, não pode destruir ou pôr em risco a área envolvente, nomeadamente o Jardim Botânico;

2 - Alguns aspectos e elementos devem ser melhorados, aprofundados e rectificados de modo a que o PPPM cumpra a legislação e tenha o conteúdo normal de um Plano de Pormenor

3 - O PPPM propõe e incentiva a uma crescente impermeabilização dos logradouros. O índice de impermeabilização deste PPPM é de 53.59% correspondendo a mais de metade da área total do PPPM - mas este valor inclui a grande área permeável que é o Jardim Botânico. Se retirarmos a área permeável do Jardim Botânico o índice de impermeabilização será ainda maior. Este valor proposto é inaceitável quando comparado com o estabelecido no PDM em vigor, onde se diz que a impermeabilização dos logradouros nas áreas históricas habitacionais não deve ser superior a 20%. Alertamos ainda para este valor constituir uma excepção ao princípio de logradouros permeáveis descrito no PDM em vigor. Mas a actual proposta do novo PDM, indica que a impermeabilização não deverá ultrapassar os 10% nos logradouros em zona histórica. Como pode este PPPM desrespeitar o princípio do máximo de 10% de impermeabilização proposto para o próximo PDM? Acresce ainda que estamos a elaborar um Plano de Pormenor para uma zona histórica da cidade, com um Jardim Botânico classificado Monumento Nacional. É recomendável que o índice de impermeabilização seja igual ou de preferência menor a 10%.

4 - A eventual mais-valia dos novos arruamentos, com as suas áreas terciárias, não compensa a maior impermeabilização e edificação, trazendo um ganho marginal a esta zona da cidade. Opomo-nos à abertura dos dois novos arruamentos na zona de protecção do Jardim para a construção de quatro frentes urbanas com edifícios de 1 a 3 pisos destinados ao terciário. Estas edificações serão contíguas ao Jardim, criando uma pressão inaceitável.

5 - Não é respeitado o grau de protecção associado ao património classificado como Monumento Nacional. A Zona de Protecção de um monumento vivo, neste caso, o Jardim Botânico, tem exigências específicas ao nível do território envolvente, nomeadamente a permeabilidade dos solos. As boas práticas mandam que nos 50m a contar da cerca pombalina do jardim não se promova a impermeabilização nem a alteração radical da paisagem urbana.

As propostas edificações junto da cerca pombalina do Jardim Botânico resultaria em mais uma impermeabilização maciça e contínua em quase toda a envolvente de logradouros confinantes com o Jardim - isto inviabilizaria as recomendações de manter um anel de protecção ecológico do jardim. Esta zona tampão não pode ser destruída pois é um garante do regime hídrico, da saúde do sistema radicular e da circulação de ar. Esta alteração radical na zona de protecção degradaria irreversivelmente o ambiente e os exemplares deste Monumento Nacional.

A afirmação que os novos edifícios para o terciário junto à cerca pombalina são “um aumento da área do Jardim Botânico” é abusiva porque um edifício com uma cobertura em laje de betão revestida de plantas nunca cumprirá a função na ecologia urbana de um logradouro ou jardim.
É dito no PPPM que todas as coberturas destes novos edifícios prevêem “uma espessura, entre a laje e o limpo, que, no mínimo, terá cerca de 70 cm e que chega a atingir, pontualmente, 3,0 metros, o que permite um enchimento correspondente com composto de plantação e a instalação de um dispositivo de drenagem adequado à viabilização de sistemas vegetais”.

É dito ainda que estes sistemas serão predominantemente herbáceo-arbustivos, admitindo-se a presença de pequenas árvores. Mas ao analisar a “listagem mínima orientadora” do elenco de espécies vegetais para as coberturas ajardinadas encontramos árvores de grande porte como é o Pinus pinea (Pinheiro Manso) e Quercus suber (Sobreiro).

Assim, o conjunto de novos edifícios que se propõe para a zona de protecção do Jardim não pode ser considerado um “coroa de protecção” como tem sido vinculado. Apesar das coberturas verdes, será sempre uma nova coroa de construção. Criticamos também o facto das novas coberturas, de lajes de betão com jardins em terraço, acabarem por alargar a extensão da cota alta, acentuando desníveis na área deste PPPM.

Esta profunda “artificialização” da envolvente do Jardim Botânico é intrusiva, desnecessária e arriscada. Concluindo, o “contínuo” proposto é apenas visual e não ecológico ou funcional.

6 – Novo parque de estacionamento subterrâneo no logradouro da Rua do Salitre 61-63. Esta obra pesada, de impermeabilização com abertura de caves, implicaria o abate de várias árvores e palmeiras que formam, há muitas décadas, importante zona verde em plena zona de protecção do Jardim Botânico. O recente parque de estacionamento à superfície instalado neste logradouro tem de ser visto como um erro urbanístico e como tal não deve ser perpetuado no PPPM. Os eventuais direitos adquiridos por um privado não devem colidir com a conservação de um Monumento Nacional conforme está consagrado na Lei do Património. Se a actual semi-impermeabilização já é negativa, então o proposto futuro estacionamento subterrâneo comprometeria ainda mais a conservação do Jardim Botânico.

7 - Não é reconhecido o valor patrimonial da Cerca Pombalina do Jardim Botânico. As novas construções para o terciário, propostas para os novos arruamentos, constituiriam uma barreira visual para a fruição total da cerca. Não se fala neste impacto negativo que iria impedir que este elemento patrimonial de grande valor para a cidade fosse plenamente valorizado. Os novos edifícios, com coberturas em jardim, por ficarem à cota alta da cerca pombalina, impedem a ligação física e visual entre esta estrutura monumental e a cidade.

8 - Desafectação de terrenos e demolição de infra-estruturas vitais a um Jardim Botânico

a) Nova rua pública de atravessamento do Jardim Botânico

A proposta do novo percurso pedonal que ligaria a Rua da Escola Politécnica à Rua do Salitre/Parque Mayer retira área ao Jardim Botânico, nomeadamente o trecho inicial proposto - Alameda das Palmeiras até ao topo Norte. Esta solução subtrai um corredor de jardim, com espécies internacionalmente protegidas, apenas para dar acesso a um novo edifício (ocupação terciária) em lugar da Estufa. A desafectação deste corredor de jardim obrigaria ainda a construção de um novo gradeamento para proteger, e definir, o novo limite poente do Jardim. Quais são os benefícios para o Jardim Botânico perante estas significativas perdas patrimoniais?

Devido aos impactos negativos já enunciados, esta proposta não é essencial para uma relação funcional entre a cota alta e baixa. Se analisarmos a distância que seria necessário percorrer entre a Rua da Escola Politécnica, através da Alameda das Palmeiras, descendo para o novo corredor a tardoz da Rua do Salitre, até chegar ao Parque Mayer, chegamos à conclusão que o novo percurso é mais longo, com complexas diferenças de cota para resolver e mais tortuoso que a ligação funcional já existente entre o Portão Sul do Jardim na Rua da Escola Politécnica que desce directamente para a Rua da Alegria através do Portão da Praça da Alegria. Por esta razão, estranhamos que o PPPM não preveja a abertura do Portão Sul do Jardim Botânico.

b) Estufas e viveiros retirados dos locais onde estão desde a fundação do Jardim em 1873

As estufas de exibição e as estufas viveiristas, os herbários e laboratórios e todas as oficinas de carpintaria, mecânica e armazéns de máquinas e alfaias (tractores, etc.) são propostos para demolição para darem lugar a novos imóveis que não servem a missão de um Jardim Botânico.
Como resultado destas perdas de território e equipamentos, o PPPM propõe a implantação de novos edifícios de substituição, dentro do jardim, sacrificando assim espaços de plantação.

Com que argumentos se vira do avesso a organização de um jardim botânico, histórico, classificado Monumento Nacional? Fundamentar a perda de território e do local onde existem Estufas de Exibição desde 1875 na necessidade de “ligar o jardim à cidade” é o mesmo que dizer que o Jardim Botânico não consegue atrair públicos nem ser financeiramente mais sustentável no cumprimento da sua missão. O princípio que está subjacente à construção de um novo “edifício de acompanhamento” na nova rua pública assenta no equívoco de que o património e as actividades ligadas a um Jardim Botânico não são suficientemente atractivas ou lucrativas. Mas pela análise de jardins botânicos em todo o mundo, verificamos que a existência de Estufas constitui importantíssima atracção e fonte de rendimento. Assim, não se compreende que se proponha sacrificar o local destinado para estufas desde a fundação do jardim para implantação de novo edifício, para o terciário, cuja ocupação nem sequer está definida.

Mantemos que a alienação da área das Estufas (para comércio/ocupações fora da missão do Jardim Botânico), bem como dos canteiros contíguos da Classe (para circulação da nova rua pública de atravessamento) no prolongamento da Alameda das Palmeiras não é aceitável.

9 - Novo Edifício de entrada no Jardim Botânico pela Rua Castilho. Esta nova construção com 4 pisos, no alinhamento da Rua Castilho, ocuparia e impermeabilizaria a área dos actuais Viveiros do Jardim. A concentração de um Centro de Interpretação, Viveiros e Estufas num edifício de 4 pisos, é incompatível com as especificidades de três funções tão diversas.

Por exemplo, o plano propõe que as estufas passem para cima deste edifício. Esta solução não é viável porque as diferentes estufas de um Jardim Botânico têm características arquitectónicas e exigências de localização muito diversas. As estufas de investigação e viveiristas devem estar longe das entradas e circuitos de visitantes. As estufas de investigação devem estar junto dos laboratórios. Já as Estufas de Exibição, onde se incluem plantas de grande porte, precisam de pé direito alto e localização nobre e central. É uma das marcas mais constantes em jardins botânicos apresentarem a sua principal Estufa de Exibição como equipamento central, regulador do traçado do espaço, verdadeiro ícone da paisagem.

Quanto ao Centro de Interpretação do Jardim Botânico, deverá ficar em zona mais nobre, preferencialmente perto de uma das entradas históricas do Jardim: junto de um dos portões da Rua da Escola Politécnica ou do Portal monumental da Rua da Alegria.

10 - Ligação entre a cota alta e a cota baixa. Embora muito se fale da suposta falta de ligação entre a Av. da Liberdade/Parque Mayer e a Rua da Escola Politécnica/Jardim Botânico a verdade é que existem vários arruamentos centenários que ligam precisamente a parte alta e baixa da cidade. A Rua do Salitre/Rua Nova de São Mamede, a Rua da Alegria, a Calçada da Patriarcal, Rua da Mãe d’Água, o Arco do Evaristo e a Rua das Taipas são antigos arruamentos que só não são mais usados pelos cidadãos porque se encontram degradados e deprimidos nos seus vários aspectos urbanos. Lembramos ainda a existência da Calçada da Glória, com o seu Elevador, importante canal de comunicação entre a cota baixa e a alta desta zona da cidade. Assim, mais do que promover a abertura de duas novas ruas que duplicam no fundo a Rua do Salitre e a Rua da Alegria, julgamos ser mais recomendável estudar e investir na qualificação dos arruamentos históricos existentes e que definem o macro quarteirão do PPPM. A viabilidade financeira dos milhares de m2 de terciário propostos para os dois novos arruamentos é demasiado especulativa e portanto uma aventura pouco aconselhável para a cidade histórica.

11 - O Plano de Financiamento é inexistente, e deve ser desenvolvido o sistema de execução e métodos perequativos que distribuam as mais-valias propiciadas aos privados por este PPPM. Apesar do PPPM reconhecer, em teoria, que o Jardim Botânico é o elemento mais valioso da área objecto do Plano de Pormenor, em demasiados aspectos força o Jardim Botânico a servir interesses alheios aos da promoção da cultura científica, posicionando o monumento nacional como grande logradouro fragilizado pela sujeição às agendas de interesses privados (unidades hoteleiras, habitação de luxo, actividades terciárias, estacionamento).

PROPOSTAS:

Tal como já enunciado na petição lançada pela Plataforma em Defesa do Jardim Botânico, vimos requerer que a proposta do PPPM, seja revista e detalhada contemplando a inclusão das seguintes garantias:

1 - Sustentabilidade a longo prazo. Queremos que este PPPM seja uma referência na área da preocupação ambiental, social e económica, transversal em todo o Plano.

2 - Respeito integral pela Zona de Protecção do Jardim Botânico classificado como Monumento Nacional, criando uma verdadeira zona tampão do Jardim, que permita o adequado desafogo, e prevenindo que sejam propostas e edificadas novas construções permanentes junto à cerca pombalina, mesmo que a cotas mais baixas que este, pela defesa do património arbóreo e permeabilidade do solo nos logradouros existentes na zona envolvente do Jardim (Rua da Escola Politécnica, Rua do Salitre, Rua da Alegria e Calçada da Patriarcal).

Para garantir a correcta preservação e conservação da colecção viva do Jardim Botânico é essencial libertar o máximo de solos actualmente impermeabilizados com estacionamento à superfície e/ou ocupados com construções permanentes com consequências graves para os recursos hídricos (Rua do Salitre 61-63 e Rua do Salitre 121-123). Não vemos como justificar índices de impermeabilização que ultrapassem os 10% já previstos como limite no novo PDM.

3 - Reconhecimento da Cerca Pombalina como elemento patrimonial inseparável do Monumento Nacional e como tal, uma estrutura monumental a preservar e valorizar possibilitando a sua efectiva fruição pública.

4 - Apresentação de estudos completos e fidedignos para o todo da área do Plano:

a) Hidrogeológicos
b) Impacte no sistema de vistas
c) Impacte na circulação do ar

5 - Necessidade do Plano garantir as condições microclimáticas e de solo, ventilação e insolação do Jardim e área envolvente, bem com a sua estrutura vegetal, edificações e traçado histórico.

6 - Justificação funcional, técnica e financeira - São propostas diversas demolições e alguns edifícios novos no interior do Jardim, em que as supostas vantagens não compensam a destruição causada e mudam, desnecessariamente, o funcionamento do Jardim:

a) Para a construção de raiz na localização apontada (Rua do Salitre/Rua Castilho) e com a volumetria pretendida (4 pisos) de um Centro Interpretativo, Estufas, Viveiros;

b) Para a construção de mais equipamentos culturais (11 Milhões €), face à oferta e procura existentes e a recuperar no Parque Mayer (Capitólio, Variedades) e nas imediações (São Jorge, Tivoli, Odéon); e também face ao comprometimento da continuidade e coesão da estrutura verde.

c) Para a construção de “Galerias Comerciais” em local nobre onde sempre existiram Estufas.

8 - Novas Estufas de Exibição - Construção de uma nova grande Estufa de Exibição no local estabelecido para esse equipamento desde a fundação do jardim em 1873. Deve ser também estudada a implantação de pelo menos uma segunda Estufa de Exibição noutro local do Jardim. Quanto às Estufas Viveiristas e de Investigação, devem ficar localizadas dentro ou junto do actual Viveiro. Equipar o Jardim Botânico com novas Estufas de Exibição, com projecto arquitectónico e museológico de qualidade, é uma questão vital não só para o cumprimento da sua Missão mas também para a sua sustentabilidade financeira. As Estufas de Exibição minimizam as circunstâncias negativas da sazonalidade, trazendo mais visitantes durante a época baixa do Outono e Inverno.

9 - Actualização e modernização dos actuais Viveiros. Este equipamento é vital para qualquer Jardim Botânico não podendo ser secundarizada a sua importância neste PPPM.

10 - Verdadeira expansão territorial do Jardim Botânico, para parte dos terrenos do Parque Mayer, com exposição de flora portuguesa, inexistente actualmente no Jardim Botânico.
Lembramos que Lisboa ainda é uma das capitais da Europa com menos m2 de espaços verdes por habitante.

A CML tem no Parque Mayer a última oportunidade de criação de uma estrutura verde no centro histórico da capital. Desde 1886 que o município de Lisboa tem tomado iniciativas com vista à criação de um jardim público no espaço do actual Parque Mayer.

Num projecto datado de 22 de Novembro de 1886 a CML propõe um “Projecto de Ligação da Avenida da Liberdade com o Jardim Botânico da Escola Polytéchnica” através de um novo espaço verde que aumentava a área do Jardim Botânico em 13.000 m2. Em Janeiro de 1888 o município apresenta o “Projecto d’ajardinamento do terreno confinante com o Jardim Botânico e pertencente ao prédio nº 95 e 97 da Rua do Salitre.” Este recomendável projecto ainda foi defendido pela CML até à década de 20 do séc. XX mas acabou por não vingar simplesmente porque não foi disponibilizado a tempo os “vinte e dois contos e 450 mil reis” necessários para a compra do terreno e construção do jardim.

O assunto foi objecto de atenção, desta vez por parte do Estado, em 1962. Por diploma legal de Julho de 1962 (D.G., II Série Nº 158:4798) foi definida a zona de protecção do Jardim Botânico, onde se mostram os seus limites futuros, duplicando praticamente a área actual, o que permitiria abrir o Jardim para o eixo da Av. da Liberdade. No entanto, esta velha aspiração de Lisboa não seria materializada.

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico aplaude a renovação do interesse nos terrenos do Parque Mayer por parte da CML. Embora o Parque Mayer tenha uma história de oito décadas enquanto espaço de Teatro e Cinema, a cidade de Lisboa pode voltar a nutrir a ideia de um espaço verde de ligação entre a Av. da Liberdade e o Jardim Botânico - mas desta vez pontuado de teatros, em diálogo com outros equipamentos para a Cultura Artística e Científica.

11 - Inclusão de um Programa de Execução, um Plano de Financiamento e mecanismo de perequação e/ou métodos de distribuição dos custos e benefícios entre todos os proprietários dentro da área do Plano, motivando-os para que partilhem de uma nova visão e invistam em princípios de vida e de negócios sustentáveis. Por exemplo, a criação de um Fundo de Requalificação do Jardim Botânico, de modo a garantir que haja um verdadeiro contributo de todos os proprietários que terão claras mais-valias, para os melhoramentos e gestão do Jardim Botânico, criando um compromisso cívico para com a comunidade onde estão inseridos.

JARDIM BOTÂNICO

Lisboa, 23 de Novembro de 2010

As críticas e propostas apresentadas neste documento desenvolvem os pontos já enunciados na petição lançada pela PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO:

Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
QUERCUS - Núcleo de Lisboa

Foto: Cerca pombalina do Jardim Botânico junto aos logradouros da Rua do Salitre 61-63. Esta estrutura histórica terá a sua face exterior totalmente obstruída devido aos novos edifícios propostos com a altura da cota do muro.

domingo, 14 de novembro de 2010

Petição em Defesa da Missão do Jardim Botânico e pela Revisão do Plano de Pormenor

Petição em Defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente.

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Exma. Sra. Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa
Exmo. Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Exma. Sra. Ministra da Cultura
Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa
Exmo. Sr. Presidente da CCDR-LVT
Exmo. Sr. Presidente do IGESPAR
Exmo. Sr. Director Regional de Cultura

No seguimento da abertura pela Câmara Municipal de Lisboa do período de discussão pública do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente (PPPM), os cidadãos a seguir assinados e identificados, vêm por este meio, requerer a Vossas Excelências a reformulação do mesmo, por o considerarem desajustado, desintegrado e altamente lesivo para a salvaguarda deste quarteirão histórico, que se quer exemplar e que seja uma referência em termos de cultura científica, ambiental, social, cívica, económica, cénica e lúdica e que assegure a sua sustentabilidade a longo prazo.

Só com a inclusão destas intenções e de um trabalho conjunto de grande determinação e com objectivos muito claros, este Plano de Pormenor se poderá afirmar pela sua diferenciação.

Conclui-se que a proposta de Plano deve ser revista e detalhada nos diversos aspectos, justificados no presente texto, nomeadamente:

· A urgência de resolver a decadência do Parque Mayer, não pode destruir ou pôr em risco a área envolvente, nomeadamente o Jardim Botânico;

· Alguns aspectos e elementos devem ser melhorados, aprofundados e rectificados de modo a que o PPPM cumpra a legislação e tenha o conteúdo normal de um Plano de Pormenor

· O PPPM propõe e incentiva a uma crescente impermeabilização dos logradouros;

· A eventual mais-valia dos novos arruamentos, com as suas áreas terciárias, não compensam a maior impermeabilização e edificação, trazendo um ganho marginal a esta zona da cidade. Especialmente quando estas edificações são contíguas ao Jardim Botânico, criando uma pressão inaceitável;

· Não é respeitada a protecção associada ao património classificado como Monumento Nacional, como é o caso do Jardim Botânico;

· Não é reconhecido o valor patrimonial da Cerca Pombalina do Jardim Botânico;

· O Plano de Financiamento é inexistente, e deve ser desenvolvido o sistema de execução e métodos perequativos que distribuam as mais-valias propiciadas aos privados por este PPPM.

PROPOSTA:

Os signatários requerem que a proposta do PPPM, seja revista e detalhada contemplando a inclusão das seguintes garantias:

1. Sustentabilidade a longo prazo. Queremos que este PPPM seja uma referência na área da preocupação ambiental, social e económica, transversal em todo o Plano.

2. Respeito integral pela Zona de Protecção do Jardim Botânico classificado como Monumento Nacional, criando uma verdadeira zona tampão do JB, que permita o adequado desafogo, e prevenindo que sejam propostas e edificadas novas construções junto ao muro do Jardim, mesmo que a cotas mais baixas que este, pela defesa do património arbóreo e permeabilização do solo nos logradouros existentes na zona envolvente do JB, i.e., Rua da Escola Politécnica, Rua do Salitre, Rua da Alegria e Calçada da Patriarcal.

3. Reconhecimento da Cerca Pombalina como elemento patrimonial inseparável do Monumento Nacional e como tal, a preservar e valorizar possibilitando a sua fruição.

4. Apresentação de estudos completos e fidedignos para o todo da área do Plano:

a) Hidrogeológicos;
b) Impacte no sistema de vistas;
c) Impacte na circulação do ar.

5. Necessidade do Plano garantir as condições microclimáticas e de solo, ventilação e insolação do JB e área envolvente, bem com a sua estrutura vegetal, edificações e traçado.

6. Justificação funcional, técnica e financeira - São propostas diversas demolições e alguns edifícios novos no interior do JB, em que as supostas vantagens não compensam a destruição causada e mudam, desnecessariamente, o funcionamento do Jardim:

a) Para a construção de raiz na localização apontada (Rua do Salitre/Rua Castilho) e com a volumetria pretendida (4 pisos) de um Centro Interpretativo do Jardim Botânico;

b) Para a construção de mais equipamentos culturais (cerca de 11 Milhões €), face à oferta e procura existentes e a recuperar no Parque Mayer (Capitólio, Variedades) e nas imediações (São Jorge, Tivoli, Odéon); e também face ao comprometimento da continuidade e coesão da estrutura verde.

c) Para a construção de “Galerias Comerciais” no local onde sempre existiram Estufas.

7. Verdadeira expansão territorial do Jardim Botânico, para parte dos terrenos do Parque Mayer, com exposição de flora portuguesa, inexistente actualmente no JB.

8. Inclusão de um Programa de Execução, um Plano de Financiamento e mecanismo de perequação e/ou métodos de distribuição dos custos e benefícios entre todos os proprietários dentro da área do Plano, motivando-os para que partilhem de uma nova visão e invistam em princípios de vida e de negócios sustentáveis.

9. Criação de um Fundo de Requafilicação do Jardim Botânico, de modo a garantir que haja um verdadeiro contributo de todos os proprietários que terão claras mais-valias, para os melhoramentos e gestão do Jardim Botânico, criando um compromisso cívico para com a comunidade onde estão inseridos.

Lisboa, 12 de Novembro de 2010

A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa.

sábado, 9 de maio de 2009

Em Defesa da Reserva Agricola Nacional

Petição Em Defesa da Reserva Agricola Nacional

Foi publicado em 31 de Março o Decreto-Lei nº 73/2009, que altera o regime da Reserva Agrícola Nacional.

Estas alterações não constituem um (mais do que) necessário aperfeiçoamento do regime anterior, constituindo antes uma redefinição total do conceito de Reserva Agrícola Nacional.

As principais alterações introduzidas pelo diploma foram escamoteadas ao escrutínio público durante a preparação do diploma, como se pode verificar pelos textos dos comunicados dos Conselhos de Ministros de 27 de Novembro de 2008 e 29 de Janeiro de 2009.

Estes comunicados omitem quaisquer referências ao facto de o regime agora aprovado:

-permitir a incondicional florestação dos solos agrícolas;

-permitir excluir da RAN, àreas destinadas a habitação, actividades económicas, equipamentos e infra-estruturas, subalternizando a defesa dos poucos solos férteis do país a necessidades que podem ser colmatadas de outras formas;

-as numerosas utilizações de àreas da RAN para outros fins que viabiliza.

Acresce que sendo embora matéria legislativa que diz respeito à Rede Fundamental de Conservação da Natureza, nenhuma das organizações não governamentais de ambiente foi ouvida na respectiva elaboração.

Por essa razão os cidadãos abaixo identificados vêm pedir a todos os deputados que, em sede de apreciação do diploma pela Assembleia da República, nos termos da alínea c) do artigo 162º da Constituição da República Portuguesa, sejam introduzidas alterações que permitam garantir que o texto do diploma corresponde aos objectivos de preservação dos solos mais aptos para a actividade agrícola que nele estão identificados.

Compreende-se a necessidade de melhorar a articulação entre a florestação e a conservação dos solos agrícolas, mas a solução não pode ser a permissão de florestação, sem quaisquer condicionantes, em todos os solos agrícolas com o argumento de que não existe qualquer risco de destruição de solo agrícola seja qual for o tipo de florestação.

A opção do diploma, que consiste em considerar que a actividade florestal está incluída nas actividades agrícolas, tem ainda vários efeitos perversos na qualidade do diploma ao tornar incompreensíveis quer as normas técnicas de classificação de terras, quer várias disposições que foram claramente pensadas para as actividades agrícolas no sentido clássico e que perdem sentido ao incluir a florestação nas actividades agrícolas.

Compreende-se a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de ponderação de interesses quando exista conflito na prossecução de diferentes interesses públicos.

Mas não pode aceitar-se o príncípio de que é na delimitação técnica do que é a Reserva Agrícola que devem ser tidos em atenção outros usos do território, com muito mais plasticidade de localização.

Pelo contrário, é a materialização no território do interesse público ligado à resolução das carências de habitação, infra-estruturas, equipamentos e actividades económicas que deve ter em atenção não só a importância da conservação do solo agrícola como o facto da sua localização ser única, cada vez mais rara no contexto nacional, e insubstituível.

Nessas circunstâncias, somente a total ausência de alternativas de localização e a relevância do interesse público associadas a projectos específicos que visem resolver carências de habitação, infra-estruturas, equipamentos e actividades económicas, devidamente manifestadas em processos públicos, participados e transparentes, deveriam permitir derrogar o princípio da conservação dos solos agrícolas.

Assim sendo, os cidadãos abaixo identificados reiteram a necessidade de alargar o debate sobre a matéria, por forma a encontrar melhores soluções legislativas para a compatibilização dos diferentes interesses públicos afectados por esta revisão legal, a cuja imediata alteração apelam.

Os Peticionários


FOTO: Campos agricolas nos arredores de Viana do Alentejo

terça-feira, 28 de abril de 2009

Petição: "Parque Urbano Carnide-Telheiras"

Petição: "Parque Urbano Carnide-Telheiras"
Destinatário: Câmara Municipal de Lisboa

Caros vizinhos e concidadãos,

Foi com enorme preocupação que li a notícia da página 24 do Expresso do passado dia 04/Abril/2009. O Estado Português, que deveria cuidar do bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos, está a pressionar a C.M.Lisboa para alterar o PDM, de forma a que o terreno junto ao Lar Maria Droste, frente ás Torres de Lisboa e à 2ª Circular, adquira capacidade construtiva.

É do conhecimento público que, nos últimos anos, este terreno foi à praça por várias vezes, mas a licitação ficou sempre deserta porque o valor base de €45 milhões era totalmente desajustado em função das possibilidades de construção. Porém, se o PDM for alterado para possibilitar a construção de edifícios com utilização mista (habitação e escritórios), apesar da crise e da actual conjuntura, este terreno com cerca de 6 hectares, passará a ser muito apetecível para o sector imobiliário. No actual PDM, este terreno destina-se instalação de equipamento colectivos que já não serão construídos, pois tratava-se das sedes da RTP e RDP, que entretanto passaram para a antiga sede da Parque-Expo na Av. Marechal Gomes da Costa.

De acordo com a actual proposta de revisão do PDM, este terreno estaria destinado à fruição pela população, ou seja, área verde de recreio e lazer, mas segundo a referida notícia do Expresso, o Governo, pela mão do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pina, está a pressionar a C.M.L. para que esta proposta de alteração não seja aprovada.

Para que este terreno se transforme num espaço verde e de lazer para usufruto não só da população de Carnide e Telheiras, mas de toda a Cidade de Lisboa, proponho a constituição de uma associação para a construção do Parque de Carnide-Telheiras.

É um acto de cidadania e dever cívico impedirmos que este espaço público, portanto de todos nós, se transforme numa selva de betão. Para tal é fundamental a colaboração e participação de todos. Telefone, envie um e-mail, PARTICIPE.


FOTO: Azinhaga de Telheiras em 1961 por Artur Goulart. Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Petição: «FRUTA SIM! BIOLÓGICA MELHOR!»

Exmo(a). Sr(a).,

Em Julho de 2008, a Comissão Europeia lançou uma proposta de distribuição gratuita de frutas e legumes às crianças do 1º ciclo, que visa o aumento do consumo destes alimentos. Esta proposta foi objecto de um acordo político dos Ministros da Agricultura da União Europeia, em Novembro.

Antecipando o seu lançamento em Portugal a INTERBIO - Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, decidiu associar-se a esta campanha promovendo os produtos biológicos numa iniciativa designada: “FRUTA SIM! BIOLÓGICA MELHOR!”. Para tal, procedeu-se à elaboração de uma petição que visa a distribuição de fruta biológica aos alunos do 1º ciclo a nível Nacional.

A mesma pode ser lida e assinada através do seguinte endereço: http://www.peticao.com.pt/fruta-biologica

Pedimos que ajude na divulgação da nossa petição enviando um email a todos os seus contactos e peça-lhes que o reencaminhem.

Com os melhores cumprimentos,

INTERBIO – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica
R. Pascoal de Melo, 491000-232 Lisboa
Tel. [+351] 916576365

FOTO: Macieira biológica num quintal em Évora.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PLATAFORMA DO CHOUPAL: «Queremos a Mata Nacional do Choupal intacta!»

PLATAFORMA DO CHOUPAL - Querem construir uma ponte sobre a Mata Nacional do Choupal em Coimbra. Esta plataforma nasceu para que isso seja impedido.

A Plataforma do Choupal é um movimento cívico constituído para impedir que a Mata Nacional do Choupal em Coimbra seja irremediavelmente afectada pela construção de um viaduto rodoviário com 40 metros de largura e que a atravessa numa extensão de 150 metros. Se o crescimento desta plataforma cívica corresponder às expectativas que dele temos, proporemos que este movimento se concentre na qualificação física e cultural do Choupal e na resolução de outros problemas, que infelizmente são muitos.

O Choupal é uma MATA NACIONAL. Funciona como um pulmão que purifica muito do ar de que necessitamos e, dada a dimensão e quantidade de árvores de que é composto, nos cerca de 75 hectares, é mais eficaz que as árvores dos poucos jardins de Coimbra. A Mata é rica e nela habitam colónias de nidificantes (aves), raposas, lontras e muitas outras espécies. Só estas razões justificavam não querer ver uma vez mais amputada a área do Choupal.

Estranha-se que em pleno século XXI, com tantas iniciativas em prol do ambiente, não tenha sido equacionada uma única alternativa para além daquela que equaciona destruir a Mata que é Nacional.

O Choupal não é pertença da geração actual, pertenceu aos nossos antepassados, servirá aos nossos descendentes.

Corre uma petição, em papel e na internet que precisa de recolher 4.000 assinaturas para que o assunto seja discutido na Assembleia da República: www.petitiononline.com/choupal/petition.html

No passado Domingo, dia 15 de Fevereiro, às 11horas, no próprio Choupal, um CORDÃO HUMANO com mais de 4000 pessoas deu as mãos para «abraçar» e «proteger» o Choupal.

FOTO: Cartaz «Cordão Humano Pelo Coupal»

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

«Contra a Alienação do Património Cultural»

PETIÇÃO: O novo regime proposto agora pelo governo para os bens que integram a nossa "memória colectiva" vai abrir as portas á alienação de boa parte do ancestral património cultural do país, propriedade do estado. Os monumentos nacionais serão vendidos ou onerados pela via do direito privado. Esta medida só é comparável em termos históricos, com o processo de desamortização, nacionalização e venda dos bens da Coroa e da Igreja, ocorrido na primeira metade do sec XIX. Entendemos por nossa obrigação, em defesa de um património que a todos pertence e que a todos assiste o direito legal e moral de fruir, solicitar por este e outros meios, a imediata suspensão do intempestivo e pouco transparente processo legislativo, com vantagens evidentes para alguns grupos económicos, nacionais ou não.

PROPOSTA: Alteração do regime de alienação que está a ser previsto, para um regime máximo de locação de imóveis da propriedade do estado (de todos nós) para um fim específico (que não pode ser alterado pelo promotor), por um período máximo de cinquenta anos, após exaustiva identificação e inventariação escrita e fotográfica do seu estado, com concurso público idóneo e com a condição de que a sua devolução no final do prazo seja feita em condições nunca piores à da sua disponibilização; esta autorização de locação apenas poderá ser possibilitada após uma consulta pública nacional por prazo não inferior a 30 dias úteis, e desde que da consulta não resultem propostas alternativas de utilização públicas, que se mostrem viáveis.

Para assinar esta petição clicar no título ou aqui:


FOTO: Terraço da Torre de Menagem do Castelo de Beja. Fortificações, conventos, mosteiros e palácios do Estado poderão ser alienados.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Lisboa é das pessoas. Mais contentores não!

Na sequência do anúncio do Governo em querer alargar a concessão do terminal de contentores em Alcântara por mais 27 anos à Liscont, e da vontade de triplicar a actual actividade portuária de 350.000 contentores/ano para 1 milhão, foi lançada no dia 27 de Outubro a petição: LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!


Esta petição é uma iniciativa de um grupo de cidadãos ao qual a LAJB se associa, por estar preocupada com os impactos visuais e ambientais na frente ribeirinha. Por favor, subscreva e divulgue.

FOTO: a magnífica vista da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, obra de referência da arquitectura modernista nacional (1943, arquitecto Pardal Monteiro). Se o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara avançar, esta vista ficará tapada com um muro de contentores.