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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Plataforma Em Defesa das Árvores: Carta Aberta ao Presidente da CML Dr. Fernando Medina

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina  

Face à onda de intervenções radicais e devastadoras que as árvores de Lisboa têm sofrido nas últimas semanas - empreitadas de poda, abate e substituição de árvores de alinhamento e de jardim um pouco por toda a cidade, de Alvalade à Estrela, das Avenidas Novas a Arroios, da Graça à Ajuda, com menor ou maior grau de intensidade e número de árvores objecto das mesmas, com mais ou menos gravidade e grau de irreversibilidade, sob esta ou aquela justificação, não poucas vezes caricata, e outras tantas por razões que a razão desconhece - considera esta Plataforma recém-constituída ser seu imperativo dirigir-se ao novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma vez que nos parece ser tempo de se virar de página e da cidade partir para outro paradigma.  

Porque entendemos que quando estão em causa valores tão nobres e elementares como a preservação de um património que temos a obrigação de legar às gerações vindouras, o direito à informação, os afectos, o respeito por todas as formas de vida, a qualidade de vida e o bem-estar da população; ficar-se calado não serve!  

É verdade que esta insensibilidade e este menosprezo pelo indispensável contributo dado pela árvore à cidade e por aqueles que as defendem não são de agora. Todos nos lembramos da destruição massiva de jacarandás nas transversais à Avenida da República e dos 153 plátanos abatidos nem há 10 anos no Campo Pequeno porque havia que implementar determinado projecto de paisagismo. Ou do “vendaval” no Vale do Silêncio, as “desmatações” de Monsanto e a “requalificação” do Príncipe Real, só para enumerarmos algumas reconhecidas más práticas. Mas é neste preciso momento que o flagelo assume proporções inauditas, com o confluir de uma série de constatações e de procedimentos menos claros (por exemplo, ajustes directos através dos quais é diagnosticado o estado do arvoredo - que compete aos serviços municipais e após parecer do Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida – e se procede aos abates e às podas, e posteriormente ainda dentro do mesmo ajuste, se vendem os espécimes de substituição - cuja determinação a competência continua na esfera do Município e não das Juntas), a que importa obviar de uma vez por todas, Senhor Presidente, a saber:  

As árvores não são podadas nem conservadas nem tratadas, quando doentes. Antes se mutilam, agridem, abatem e substituem como se fossem objectos de decoração descartáveis e sujeitos à ditadura da última moda, nem sequer respeitando a época mais propícia para as árvores e para a bio-diversidade que albergam. Há árvores de primeira (as estruturantes) e de segunda (as de alinhamento). 

Não existem jardineiros, mas abundam os curiosos e os madeireiros de serra em punho, cujas intervenções deveriam ser adjudicadas com transparência, critério e sem conflitos de interesse, tantas vezes ao arrepio dos pareceres fitossanitários de entidade idónea e, ultimamente, ao abrigo do não exercício da prorrogativa de declarar esta temática como estruturante, delegando nas Juntas de Freguesia de forma a nosso ver errada e contraproducente, transferindo direitos a nível da gestão do arvoredo, mas esquecendo-se de transferir as boas práticas já regulamentadas, logo agora que aquelas ainda estão numa fase de auto-afirmação e de delimitação de território.  Continuam a não ser aplicados e cumpridos o Regulamento aprovado pela AML (51/AM/2012), que resultou da deliberação 102/CM/2009, nem o Despacho do 60/P/2012 do Senhor Presidente de CML de então, mas quando há um parecer sério que indica a necessidade de abater determinada árvore, logo esse mesmo parecer serve para uma dúzia de outras sãs.  

Perdeu-se a boa-prática de consulta preferencial ao LPVVA, preferindo-se o parecer de empresas que depois procedem elas próprias à poda e ao abate no que se configura como procedimento a carecer de sindicância.  Cultiva-se a ignorância, acenando com pragas e alergias, velhice excessiva das árvores (quando árvores com 60 anos devem ser consideradas jovens), cataclismas inevitáveis e a corrosão da chapa. Alimenta-se o ódio instalado ao choupo, cipreste, plátano, freixo e, quiçá a breve trecho, à tília, à tipuana e ao jacarandá! Não se percebe de onde vêm os novos espécimenes que se plantam, mirrados e sem copa frondosa previsível que não por várias décadas, nem para onde vai a lenha que resulta de tudo isto. De uma assentada, como no caso recente da Av. Guerra Junqueiro, destrói-se a imagem até agora inalterável de um arruamento histórico com 60 anos.  

Por isso esta nossa carta dirigida a V. Exa., Senhor Presidente, porque temos esperança que a sua juventude signifique irreverência, sensibilidade e vontade indómita em querer mudar o status quo que muitos presidentes antes não conseguiram mudar, pelas razões que cada qual saberá.  

Os regulamentos existem e bastará cumpri-los, pois têm matéria suficiente para que os procedimentos de poda, abate e substituição de arvoredo se traduzam em boas práticas de arboricultura, motivo de orgulho para esta cidade, em contraponto com tantas outras onde continuam a aceitar práticas retrógradas, baseadas em mitos e inverdades. Não aceitamos que Lisboa possa ser referida como um dos piores exemplos de gestão do arvoredo do país, quando tem todas as condições para ser exactamente o oposto, desde que corrija o que é preciso corrigir.  Estamos, como sempre estivemos, disponíveis e empenhados em colaborar com a CML e com o seu Presidente e os seus Serviços para que consigamos esse desiderato.  Conte connosco!  

Lisboa, 26 de Maio de 2015   

A recém-formada "Plataforma em Defesa das Árvores": Associação Árvores de Portugal, Associação Lisboa Verde, Fórum Cidadania Lx, GEOTA-Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, Grupo de Amigos do Príncipe Real, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Grupo Ecológico de Cascais, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Plataforma por Monsanto, Quercus

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Campanha 'Uma Árvore pela Floresta'!
















Os CTT e a Quercus estabeleceram uma parceria que vai permitir florestar com espécies vegetais autóctones algumas zonas do nosso país mais afectadas pelos incêndios. E a sua ajuda é FUNDAMENTAL!

COMO FUNCIONA?

1. Compre um kit “Vale uma Árvore”, disponível em 210 lojas CTT  

2. Os CTT comunicam à Quercus  

3. A árvore é plantada antes da Primavera de 2015  

4. A árvore é cuidada durante 5 anos  

5. Registe a sua árvore aqui com o código do autocolante do seu kit “Vale uma Árvore”  

6. Receba notícias e acompanhe o bosque onde a sua árvore foi plantada

OBJECTIVOS:

Criar bosques autóctones, mais resistentes à propagação dos incêndios e melhores para amenizar o clima, promover a biodiversidade, proteger a nossa paisagem, a água e os solos.  As plantações serão efetuadas em áreas classificadas do Norte e Centro de Portugal, onde a floresta autóctone apresenta um maior nível de degradação. Os locais elegíveis são as Serras da Peneda e Gerês, a Serra de Montemuro, do Alvão e a Serra da Estrela.   A Quercus organizará uma ação de voluntariado para plantação das árvores, destinada aos apoiantes que registarem o(s) código(s) da(s) árvore(s) no site do projecto.

http://umaarvorepelafloresta.quercus.pt/

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Curso "Planeamento em permacultura" 3ª edição na Fundação de Serralves

Permacultura significa "cultura permanente” e trata de planear habitats humanos sustentáveis. É uma filosofia e uma abordagem ao uso do solo que interliga clima, plantas, animais, ciclos de nutrientes, solo, gestão da água e necessidades humanas em comunidades produtivas e eficientes. Este termo conhece a sua origem com Bill Mollison e David Holmgren, e tem inspirado diversos movimentos sociais na direção de vidas socialmente mais justas e ecologicamente sustentáveis, como é o caso das «cidades em transição», liderado pela primeira vez pelo permacultor Rob Hopkins.

Depois das boas experiências com os cursos organizados em 2012 e 2013, onde se transformaram espaços e mentalidades, lançaram-se sementes à terra e germinaram novos projetos.


O Serviço Educativo de Serralves, em parceria com a Quercus, quer dar continuidade a esta aprendizagem e partilha de experiências. Este curso oferece uma viagem de seis fins de semana alternados pelo mundo da Permacultura, será ministrado em português e os participantes que cumprirem todas as horas de formação obterão um certificado oficial da «British Permaculture Association» de realização de um "PDC – Permaculture Design Course” – o curso de 72 horas criado por Bill Mollison.
 
Objetivos do curso
-Ensinar e difundir a Permacultura.
-Orientar os participantes num caminho de transformação para uma vida mais ecológica, sustentável e natural. - Oferecer um curso completo de Permacultura no Porto, em horário acessível a quem trabalha.

-Ensinar a Permacultura na cidade, proporcionando ainda experiências no campo.

                                                                                   
Organização: Serviço Educativo de Serralves em parceria com a Quercus
Formadores: Yassine Benderra, Joana Costa

terça-feira, 3 de setembro de 2013

«Quercus considera "preocupante" predomínio do eucalipto nas florestas»

Associação considera que área será ainda superior à revelada por dados preliminares do inventário florestal.
A associação ambientalista Quercus considerou preocupante que o eucalipto se tenha tornado na espécie que mais espaço ocupa na floresta nacional, principalmente devido ao risco de propagação de incêndios florestais.
“No caso do eucalipto, é preocupante, sobretudo ao nível da propagação dos incêndios florestais. É uma situação que nós vemos com alguma apreensão”, afirmou, em declarações à agência Lusa, Domingos Patacho, da Quercus.
O PÚBLICO avança nesta quarta-feira que o eucalipto “já se tornou a primeira espécie da floresta nacional”. Domingos Patacho referiu que, para a Quercus, “não é novidade que o eucalipto seja a primeira espécie em termos de ocupação de área em Portugal”. “Há mais de dez anos que dizíamos que o eucalipto ia avançar para áreas na ordem de já quase um milhão de hectares, e não andará muito longe disso”, disse.
O ambientalista referiu ter “algumas dúvidas sobre a fiabilidade dos dados [revelados]”, porque “há povoamentos mistos que não são contabilizados como área de eucaliptal”. Por isso, Domingos Patacho calcula que “os valores serão ainda superiores em relação aos que foram anunciados”.
De acordo com a Quercus, as plantações de eucalipto acarretam impactes ambientais consideráveis sobre o território, nomeadamente uma maior erosão do solo, a alteração do regime hídrico, a perda de biodiversidade e a alteração da paisagem, para além de facilitarem a propagação dos incêndios florestais de forma muito mais significativa do que as florestas constituídas por espécies autóctones. LUSA / Público 30-8-2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As Árvores e os Livros: Géo Norge

«Vi o carvalho sagrado, guardião da tempestade e da justiça, esconderijo de aves e de fadas, encobridor de auroras muito antigas; eu canto o velho carvalho das estradas de poeira nas noites do pino dos Verões nas alturas aonde sobem as trevas; Merlin fala ainda à sua sombra e Viviana tem palácios debaixo da sua ramagem.»

Géo Norge, Les Cerveaux Brûlés

Foto: Carvalho na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Árvores e os Livros: Ana Maria Matute

"Quando estou dentro de um bosque não estou a olhar para o bosque, transformo-me no próprio bosque. Na sua essência. Embrenho-me nos seus mistérios, e perigos. Na sua magia"

Ana Maria Matute

in entrevista no Ípsilon, 21 Outubro de 2011

Foto: Bosque de carvalhos na cerca do Mosteiro de Tibães, Braga.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Delegação da "Plataforma em Defesa do Jardim Botânico" recebida hoje pela Comissão Parlamentar do Ambiente

A Delegação da Plataforma em Defesa do Jardim Botânico foi recebida hoje, dia 2 de Março, pelas 11 horas, pelo Exmo. Sr. Deputado Relator da Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, Dr. Pedro Farmhouse. A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico esteve representada por:

Gonçalo Ribeiro Telles (APAP)

Manuela Correia (Liga dos Amigos do Jardim Botânico)

Paulo Ferrero (Fórum Cidadania Lx)

Paulo Daniel (QUERCUS)

Joana Morão (GEcORPA))

A Petição em Defesa do Jardim Botânico continua disponível on-line. O Jardim Botânico é MONUMENTO NACIONAL; o Jardim Botânico é propriedade de todos os cidadãos; o Jardim Botânico é seu! Defenda-o assinando! www.gopetition.com/petition/39771.html

PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Arboreto visto da antiga cantina da Faculdade de Ciências

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Construções cobrem 60 por cento do solo de Lisboa

«Estradas, edifícios e parques de estacionamento cobrem com betão e pedras 60 por cento do solo de Lisboa, ou seja, 105 metros quadrados por habitante, revela um estudo da Agência Europeia do Ambiente (EEA, sigla em inglês) sobre impermeabilização de 38 capitais europeias.

As cidades com menor percentagem de solo impermeabilizado são Estocolmo, Berna e Oslo, com pouco mais de 20 por cento. No extremo oposto encontram-se Bucareste, Tirana e Varsóvia. As capitais da Roménia, da Albânia e da Polónia são aliás as únicas com maior percentagem de solo impermeabilizado do que Lisboa, que surge nesta lista feita a partir de dados de satélite (relativos a 2006). O que faz da capital portuguesa a quarta mais impermeabilizada na Europa.

No rácio de cobertura do solo por habitante, as capitais mais impermeabilizadas são Nicósia (Chipre), Luxemburgo e Vaduz (Liechtenstein).

Os dados revelados anteontem pela EEA não surpreendem Eugénio Sequeira, especialista em solos e presidente da assembleia geral da Liga para a Protecção da Natureza. "Na década de 1990 a 2000, a área impermeabilizada no país aumentou 50 por cento", com as cidades a crescerem "nos sítios com melhores solos". No caso de Lisboa, os barros vermelhos.

"Infelizmente, tivemos duas leis - a Reserva Agrícola Nacional e a Reserva Ecológica Nacional - que deveriam salvaguardar os melhores solos e que não são cumpridas", frisa Eugénio Sequeira, salientando que a impermeabilização é um processo irreversível.

Também a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza sustenta que, nas últimas décadas, solos muito produtivos têm sido ocupados, "sistematicamente desafectados da Reserva Agrícola Nacional". Segundo esta organização, existem casos "de ocupação recente de zonas de risco de cheia que deveriam estar classificadas como Reserva Ecológica Nacional".

A associação salienta que este pode ser um momento importante para "inverter" a tendência, uma vez que "muitos planos directores municipais estão em revisão, se equaciona uma futura Lei dos Solos e já está aprovada uma estratégia de adaptação às alterações climáticas".»

In Público

Foto: Lodão em logradouro da Rua Barata Salgueiro, ameaçado por projecto de demolição seguido de construção nova com ocupação integral do logradouro.

sábado, 20 de novembro de 2010

Movimento quer fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal

A ideia de Portugal ter uma árvore nacional já ganhou raízes. Duas organizações lançaram um movimento para que o sobreiro receba este estatuto simbólico, a fim de travar a perda dos montados.

O Canadá tem o plátano, a Inglaterra o carvalho e Portugal poderá vir a ter o sobreiro. “Ao contrário do que se possa pensar, esta árvore está presente em todo o território nacional, não apenas no Alentejo. E não nos podemos esquecer da sua importância vital aos níveis social, cultural e económico”, justificou ao PÚBLICO Miguel Rodrigues, da Árvores de Portugal que, com a Transumância e Natureza (ATN), é responsável por esta iniciativa.

O território nacional do sobreiro (Quercus suber) estende-se por 737 mil hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006. Ou seja, 32 por cento da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.

Além da importante biodiversidade associada aos montados, o sobreiro ajuda a travar a desertificação do solo e a gerar receitas da exploração da cortiça. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o país produz cerca de 200 mil toneladas de cortiça por ano, mais de 50 por cento do total mundial. “A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país”, alertam.

Ainda que o sobreiro esteja protegido por lei, desde Maio de 2001, Miguel Rodrigues considera que “a legislação por si só não tem conseguido travar o declínio do sobreiro. Há sempre excepções que se abrem na lei, ao sabor das decisões que vão sendo tomadas”. Há vários anos que Domingos Patacho, da Quercus, tem denunciado o abate ilegal de sobreiros. E hoje, contou, “continuam a existir denúncias, especialmente na zona envolvente da Grande Lisboa”.

Ricardo Nabais, da ATN, também é da opinião que, perante grandes projectos, “a protecção legal não é suficiente. É preciso acarinhar a árvore enquanto símbolo de Portugal”. “Queremos atingir a maioria da população portuguesa”, disse.

Além dos abates de árvores para dar lugar a projectos imobiliários, a ameaça aos sobreirais tem outras origens. “O que está a matar o sobreiro é o efeito de muitos anos de má gestão dos montados, como o excesso de pisoteio pelo gado, excesso de matéria orgânica e uma gradagem do solo demasiado profunda”, explicou Miguel Rodrigues. Os vedantes sintéticos, em substituição das rolhas de cortiça, “podem ser a machadada final”.

Ainda assim, o país tem grandes manchas de montado e árvores monumentais. Segundo os dados da Autoridade Floresta Nacional relativos a 2008, existem 41 sobreiros classificados como árvores de interesse público. Miguel Rodrigues estima que aquele que será o sobreiro mais antigo e o maior situa-se em Pai Anes, Castelo de Vide. Terá cerca de 500 anos. “Isto é uma coisa fabulosa para um sobreiro, dado que costuma viver 200 anos”. No entanto, esta árvore “deverá estar já na fase terminal da sua vida e perdeu, há cerca de dois anos, uma das pernadas principais, da grossura de um sobreiro adulto”.

Miguel Rodrigues adiantou que está em fase de classificação o sobreiro da Corte Grande, em Monchique. Este é, “provavelmente, o maior do Algarve e um dos maiores do país”.

As duas associações vão convidar uma lista de entidades para formar um núcleo inicial da iniciativa, entre as quais universidades, associações de defesa do ambiente e associações florestais. Depois vão preparar um documento técnico que justifique a classificação e, por fim, lançar uma petição para levar à Assembleia da República.

Mas o trabalho não acaba por aqui. “Depois de classificar, queremos ver o que tem de ser feito para travar a perda do montado e recuperá-lo”, explicou o responsável, salientando a importância de uma estratégia para a reflorestação, em vez das plantações “pontuais para aproveitar subsídios europeus”.

Público 19 Novembro 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade

Quercus - GECoRPA - ICOMOS

18 Outubro - Fundação Calouste Gulbenkian

Na sequência da apresentação à imprensa do projecto, a Quercus, o Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico (GECoRPA) e a Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) disponibilizam mais informação sobre o "Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade", que se realizará a 18 de Outubro de 2010, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Nesta sessão introdutória, procurou-se também sensibilizar para a degradação do nosso património construído e natural desde o início do século XX, apresentando-se três exemplos que vão ser percorridos numa viagem de fotografias e outros elementos: Forte de Santa Apolónia, Praia de Algés e Serra da Arrábida, e ainda um excelente exemplo reconhecido de reabilitação, que é o próprio Laboratório Chimico onde teve lugar esta conferência de imprensa. Em anexo, pode ser consultada a apresentação feita sobre estes três locais.

O “Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade” tem o Alto Patrocínio de S. Exª. o Presidente da República e decorrerá a 18 de Outubro de 2010 na Fundação Calouste Gulbenkian, numa parceria com o Programa Gulbenkian Ambiente, onde participarão diversos convidados nacionais e internacionais.

Programa e Inscrições


Contactos

GECoRPA Tel: 213542336 Fax: 213157996

Foto: Que melhor exemplo do par «Património Natural e Cultural» do que o nosso Jardim Botânico?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

«Rolhas de cortiça ganham o direito a uma segunda vida»

02.08.2010 PÚBLICO

Mais de 40 toneladas de rolhas foram recicladas nos últimos cinco anos

Matéria prima também chega de fora, incluindo dos Estados Unidos

A Junta da Freguesia da Ericeira recolheu no mês passado mais de meia tonelada de rolhas de cortiça para reciclagem. O Verão está a ajudar, mas, mesmo assim, o presidente, António Mansura, diz que é um "bom resultado", face às 1,2 toneladas conseguidas entre 2005 e 2009. As rolhas vêm dos restaurantes e das casas particulares da zona e são entregues a um parceiro empresarial da Junta, o qual se encarrega da reciclagem.

A Oficina da Terra Crua faz a sua própria reciclagem, sem recurso a empresas especializadas. Selecciona as rolhas, tritura umas e deixa outras inteiras e usa-as nos seus projectos de construção ecológica. Com este método, já reciclou cerca de 25 toneladas de rolhas de cortiça, vindas de pontos de recolha distribuídos por vários municípios do Centro e Sul do país, instituições e casas particulares.

A Quercus promove a reciclagem de rolhas de cortiça como meio para a plantação de árvores autóctones, desde Junho de 2008. O projecto é conhecido por Green Cork e tem a parceria da Corticeira Amorim. Os dados oficiais dizem que recolheu, até Janeiro de 2009, 12 toneladas. A associação ambientalista actualiza os dados e diz que até Março passado, juntou 30 toneladas.

São casos como estes que ilustram a crescente adesão dos portugueses à segunda vida da rolha de cortiça, que acaba por "proteger a cortiça, proteger o sobrado e proteger a natureza", diz Vera Schmidberger, arquitecta e responsável pela Oficina da Terra Crua.

Não há, neste momento, dados estatísticos disponíveis que mostrem quantas toneladas de rolhas o país recicla anualmente, o que torna o exercício muito incerto. Contudo, quem está ligado à recuperação desta matéria-prima garante que Portugal é dos que mais reaproveitam e não se limita ao espaço português. Recebe rolhas de vários pontos do mundo, incluindo dos aeroportos dos Estados Unidos.

Há quatro anos, a Euronatura, uma organização não-governamental especializada em investigação e política ambiental, aderiu a um projecto europeu de promoção do reaproveitamento das rolhas de cortiça, que constitui hoje uma rara fonte disponível para avaliar a importância que os portugueses dão ao assunto.

Segundo o ranking de reciclagem, disponibilizado pela Euronatura e agregando as instituições com as quais possui acordos de investigação, verifica-se que os portugueses reciclaram para cima de 43 toneladas de rolhas de cortiça desde 2005. É um valor por defeito, não só porque não engloba todas as entidades que se dedicam a esta reciclagem no país, como os dados são referentes ainda a 2009.

A lista, publicada no site da Euronatura, é liderada por alemães e franceses, seguindo-se quatro entidades portuguesas: Oficina da Terra Crua SLA, a Quercus, a Associação Guias de Portugal e a Junta da Ericeira, o único organismo do poder local.

Apesar dos números e da aparente disponibilidade para dar um novo destino às rolhas de cortiça, os promotores precisam de sentir que são recompensados.

Até Março de 2009, e com o apoio da Quercus, a Junta da Ericeira entregou à Corticeira Amorim cerca de 1,2 toneladas de rolhas. Recentemente, mudou de parceiro. Mansura não revela a sua identidade, nem montantes nem razões, mas diz que, neste momento, a freguesia está a receber uma quantia "aceitável" por cada tonelada de rolhas que entrega.

A Oficina da Terra Crua, que tem uma rede de parceiros voluntários, compara o exemplo português com a Alemanha. Vera Schmidberger considera que o país "ainda está muito longe dos outros". "Na Alemanha usam-se outros serviços, há um voluntariado próprio. Por exemplo, um camião que vá fazer uma descarga, quando volta, não vem vazio, vem com rolhas", adianta Vera Schmidberger.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS ÁRVORES e os LIVROS: Joachim Du Bellay

Quem viu alguma vez um grande carvalho seco,
Que como adorno algum troféu comporta,
Erguer ainda ao céu a sua velha cabeça morta,
Cujo pé não está firmemente em terra fixado,
Mas que, sobre o campo mais do que meio inclinado,
Mostra os seus braços todos nus e a sua raíz torta,
E, sem folhas que dê sombra, o seu peso suporta
Sobre um tronco nodoso em cem sítios podado;
E, se bem que ao primeiro vento ele deva a sua ruína,
E muito jovem, à sua volta tivesse firme a raiz,
Pelo popular devoto ser o único venerado:
Quem tal carvalho pôde ver, que ele imagine ainda
Como entre os citados, que mais florescem agora,
Este velho símbolo empoeirado é o mais reverenciado.

Joachim Du Bellay, Les Antiquités de Rome

soneto XXVIII

Foto: detalhe de um Sobreiro na Tapada de Mafra

segunda-feira, 11 de maio de 2009

QUERCUS analisa e critica PUALZE

Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente

Considerações preliminares:

A elaboração de um Plano de Urbanização desta zona de Lisboa era não só um documento importante no quadro de ordenamento da Cidade, mas também algo há muito exigido pelas ONGA, uma vez que permite criar regras claras de ocupação do espaço, e promove a harmonização do urbanismo, numa zona que tem sido ao longo dos anos fortemente descaracterizada, impermeabilizada, e alvo de um crescimento de volumetrias e cérceas, que a tornou num espaço onde se cruzam de forma pouco harmoniosa vários estilos e estéticas, nem sempre com a melhor adaptação às condicionantes ambientais.

Por outro lado, nas zonas imediatamente adjacentes encontramos zonas habitacionais fortemente degradadas, com uma acentuada tendência de desertificação, com especial ênfase nas freguesias de S. José e da Pena.

A existência de importantes espaços verdes, tais como o Jardim Botânico, o Jardim do Torel ( ou o que resta dele, depois do recente abate de árvores levado a cabo pela CML ) ou o Jardim do Ateneu Comercial de Lisboa, bem como da Ribeira de Valverde, quer no seu braço pela Rua de S. José, Rua de Santa Marta e Portas de Santo Antão, quer pelo braço formado pela alteração da topografia do Vale, da Av. da Liberdade, implicam uma grande sensibilidade desta zona.

O facto de a Av. da Liberdade ser o principal eixo viário central de Lisboa, entrecruzado por uma série de outras importantes vias de ligação da cidade, terminando no grande centro distribuidor que é a Rotunda do Marquês de Pombal, coloca problemas acrescidos na planificação desta área, quer do ponto de vista do tráfego, quer dos pontos de vista da poluição atmosférica e sonora.

Por todos estes factores, conhecer as condicionantes, as aptidões, as visões de desenvolvimento estratégico da Avenida e envolvente é absolutamente fulcral quando se pretende aumentar a sustentabilidade ambiental da Cidade, sem comprometer o cumprimento das suas funções urbanas.

Criticas à definição da área do Plano:
Pese embora considerar que a área definida cobre o essencial da Avenida e zonas envolventes, questões como o polígono do Largo do Rato desde a Avenida Alexandre Herculano, seguindo ao longo da Rua da Escola Politécnica até ao Jardim Botânico, ficam em aberto, porquanto não se entende que espaços tão importantes como os Jardins do Palácio Palmela, não se encontrem integrados no Plano, principalmente porque são óbvias as ligações de natureza ecológica destes, do Jardim Botânico, Praça da Alegria, Avenida da Liberdade, essenciais para o desenvolvimento de um corredor verde transversal à Avenida que ligue o Príncipe Real ao Campo dos Mártires da Pátria.

A Impermeabilização:
A área da Avenida da Liberdade tem vindo a sofrer uma impermeabilização acentuada, situação que só tende a agravar-se com os novos túneis do Metropolitano, o túnel do Marquês, o alargamento do estacionamento da Praça dos Restauradores, a construção de parqueamento em caves, e a ocupação progressiva dos logradouros dos quarteirões. Estas tendências não só não parecem inverter-se com o Plano ora proposto, mas nota-se até um agravamento destas situações, como pode constatar-se dos licenciamentos entretanto realizados.

Transportes e Poluição:
A asserção da diminuição de trânsito nesta via, em virtude das alterações de circulação na Baixa, pode mesmo ser perigosa. Nada garante que tal aconteça, aliás os desvios previstos podem mesmo agravar as condições de circulação nas transversais, e no Marquês de Pombal, limitando fortemente a circulação dos transportes públicos, uma vez que já hoje se verifica um incremento de 32% do tráfego nesta zona, em função do Túnel do Marquês. É pertinente a interrogação relativa à poluição atmosférica e sonora acrescidas que se verificarão quando as transversais se encontrarem completamente congestionadas. A libertação das laterais da Avenida é uma proposta positiva, e consideramos que seria uma mais valia a reintrodução de eléctricos nestas faixas. Além de se promover uma mobilidade essencialmente pedonal e ciclável, investir-se-ia também em sistemas não poluentes de ligação à Baixa, com evidentes vantagens ambientais e de saúde publica.

Ruído:
Este descritor é grandemente subsidiário do anterior, uma vez que é o grande factor de poluição sonora. Presentemente os níveis de ruído da Avenida da Liberdade são altamente limitativos de um retorno aos usos habitacionais. Contudo tal poderia ser drasticamente alterado se o trânsito fosse confinado ao corredor central, e os laterais tivessem a ocupação de transporte público eléctrico, que acima se referia. Acresce que as indicações relativas a este descritor são baseadas em Mapas de Ruído, que não foram aprovados pela Câmara Municipal e cuja descrição da metodologia apresenta um erro grave a nível do material utilizado (modelo de sonómetro referido não existe).

Cérceas e Volumetrias:
Não obstante a subida das cérceas e aumento das volumetrias ter sido uma constante nesta área, não se pode preconizar que tal venha a permanecer o padrão da alteração do desenho urbano da área. A tendência de ensombramento das ruas a tardoz, cria situações de insalubridade, sobretudo na parte oriental, dada a orografia do terreno.

Conclusões:
Muito embora consideremos seja globalmente positiva a elaboração do Plano em apreço, deixa o mesmo por resolver questões tão sérias como transportes, estacionamento, ruído, permeabilização do solo, ou ligação do corredor verde através da Avenida da Liberdade.

Lisboa 10 de Março 2009

O Presidente da Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Hélder Spínola

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Terceira Travessia do Tejo: Quercus formaliza queixa junto da Comissão Europeia

Quercus formaliza queixa junto da Comissão Europeia sobre ponte Chelas-Barreiro

A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza enviou hoje, dia 20 de Abril, à Comissão Europeia uma queixa formal por considerar que o Governo Português estará a incorrer em situação de incumprimento de diversa legislação comunitária na área do ambiente, a respeito da construção da Terceira Travessia do Tejo.

A Quercus entende que "o projecto agora em causa, sendo que apenas será efectivado após 2012, não deixa de colocar em causa o cumprimento de futuras metas de emissão de gases com efeitos de estufa, face às dificuldades já identificadas por agora e dada a insistência na construção de mais rodovias e defendem que “a Comissão Europeia deve equacionar desde já medidas imediatas e cautelares para corrigir as deficiências identificada."

Nota: para ler o texto da queixa na integra, click no título.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Protocolo de Quioto: «Portugal ultrapassa em 8% limite de poluição»

Protocolo de Quioto: País tem a meta mais branda, mas não a deverá cumprir
País terá de pagar o excesso de emissão de poluentes em 2012

Em 2007, Portugal ultrapassou em 8% o limite estabelecido pelo protocolo de Quioto, relativamente à emissão de gases de efeito de estufa, apesar de ser o "país desenvolvido que teve a meta mais branda", diz ao DN Francisco Ferreira, vice-presidente da Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza. Para 2008-2012, Portugal conseguiu negociar um aumento de 27% da emissão de gases em relação a 1990 , mas as metas deverão ser ultrapassadas. Por isso, o País está a preparar-se para desembolsar vários milhões em mecanismos que compensem o excesso de poluição e que estão previstos no próprio protocolo.

De acordo com os dados disponibilizados pela União Europeia, e analisados pela Quercus, as emissões de gases em Portugal estavam 35% acima do ano base de 1990, quando tinha sido imposto a Portugal um acréscimo máximo de 27%. Este facto coloca Portugal entre os maiores incumpridores, de que são exemplos a Irlanda e a Espanha. Francisco Ferreira justifica este desvio com o facto de Portugal estar muito pouco desenvolvido em 1990 sendo, por isso, expectável um grande aumento. Por outro lado, "ultrapassámos a barreira dos 27% à custa de políticas erradas, como as tomadas no sector dos transportes", frisa.

Os dados agora conhecidos mostram que as emissões de gases ascenderam a 80,2 milhões de toneladas, ou seja, oito toneladas por pessoa e por ano. Para a Quercus , estes dados mostram que Portugal está a ter dificuldades em respeitar as metas de Quioto, apesar da redução de 5% em relação a 2006, ano em que a poluição já ia em 40%.

Se entre 2008 e 2012 a média de emissões ultrapassar a meta, Portugal terá de "adquirir emissões a outros países ou investir em mecanismos de desenvolvimento limpo", ajudando países subdesenvolvidos a reduzir a sua poluição. A grande mais-valia do País tem sido a aposta nas energias renováveis. Em 2008, estas já representavam 38,1% do total, refere a Quercus, citando os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia. Isto significa que a produção de energia eólica subiu 42% de um ano para o outro, compensando a redução de 30% da produção hídrica, justificada com o facto de 2008 ter sido um ano seco.

Com piores resultados está a área do transporte rodoviário, porque se aposta demasiado na construção de mais vias, incentivando o uso do carro em vez de meios mais amigos do ambiente. "É contraditório que apostemos nas energias renováveis para depois construir pontes e auto-estradas", conclui o mesmo responsável. in Diário de Notícias, 17 de Março de 2009

FOTO: a construção da nova ponte sobre o Tejo irá incentivar o uso do transporte particular

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Terceira Travessia do Tejo: Quercus avança com queixa para a Comissão Europeia

A Quercus anunciou hoje que vai apresentar queixa à Comissão Europeia devido à decisão de avançar com a Terceira Travessia do Tejo

Lisboa, 25 Fev (Lusa) - A Quercus anunciou hoje que vai apresentar queixa à Comissão Europeia devido à decisão de avançar com a Terceira Travessia sobre o Tejo e criticou o Governo por "insistir num erro" ao estimular a entrada de carros em Lisboa. A Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada, emitida pelo ministério do Ambiente, dá "luz verde" ao projecto, mas os ambientalistas não poupam críticas à decisão que "implica o incumprimento de legislação comunitária".

A Quercus alega que ao incluir a componente rodoviária, a Terceira Travessia vai violar as regras comunitárias a nível do ruído e qualidade do ar e põe em causa os objectivos de redução de emissões de gases com efeito de estufa.

"Ao decidir incluir a componente rodoviária o Governo demonstra uma total incoerência e falta de visão estratégica, agindo de forma desconcertada em termos de políticas públicas", questionam os ambientalistas em comunicado, acrescentando que a aposta na rodovia é "um investimento público mal pensado".

A associação ecologista contesta a abertura em simultâneo da componente ferroviária e rodoviária que considera não estimular o uso dos transportes públicos e colocar em risco a viabilidade da exploração da ferrovia e de outros modos de transportes colectivo, como a ligação fluvial ao Barreiro.

Por outro lado, os ambientalistas questionam uma decisão que parece "tomada à partida", já que o Estudo de Impacte Ambiental não contemplou sequer alternativas, e apontam um "acumular de processos de avaliação de impacte ambiental que não respeitam os objectivos da legislação que os enquadra (com particular destaque para os associados a grandes obras públicas)". A Quercus defende que a Terceira Travessia, que ligará Chelas (Lisboa) ao Barreiro, deve ser construída de forma faseada e dando prioridade à componente ferroviária, admitindo o acesso rodoviário apenas a partir de 2018.

FOTO: o transporte público fluvial perderá viabilidade com a TTT.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PROJECTO PIONEIRO: inaugurada a primeira instalação mundial de reciclagem de cortiça

Quercus entrega 12 toneladas de rolhas para inauguração da primeira instalação mundial de reciclagem de cortiça
A Quercus entrega amanhã para reciclagem as primeiras 12 toneladas de rolhas de cortiça recolhidas no âmbito do projecto Green Cork, iniciativa que inaugurará a primeira instalação mundial de reciclagem de resíduos de cortiça, no Norte do país.

Um total de 12 toneladas de rolhas de cortiça vão ser entregues pela associação ambientalista Quercus nas instalações da Corticeira Amorim, em Mozelo, Santa Maria da Feira, onde a partir de amanhã passará a “funcionar a primeira unidade licenciada para reciclagem de cortiça, a nível mundial”, disse à agência Lusa o presidente da Quercus, Hélder Spínola.

O responsável explicou que o projecto Green Cork começou em Junho do ano passado, com a colocação de contentores para a recolha de rolhas de cortiça – 'O Rolhinhas' – nos hipermercados Continente, tendo depois sido alargado para alguns hotéis, restaurantes, bares e centros comerciais.Hélder Spínola lembrou que, graças à iniciativa, as rolhas de cortiça poderão ser “utilizadas para o fabrico de outros produtos aglomerados, como isolamentos, juntas de dilatação, pavimentos, revestimentos”, entre outros. Além de ser o primeiro programa de reciclagem que “permite financiar programas de recuperação e conservação da natureza” e a “optimização dos circuitos pré-existentes dos parceiros do projecto”, também possibilita que todas as verbas sejam “aplicadas na reflorestação das florestas com árvores autóctones, entre as quais o sobreiro”, referiu.

Projecto-piloto em Portugal
“É pago um valor pelas rolhas. Nós pegamos nesse dinheiro e aproveitamo-lo para financiar parte do programa Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade, e na gestão de habitats onde existem espécies importantes e que necessitam de actividades de conservação”, precisou Hélder Spínola. O dirigente da Quercus sublinhou o “grau de inovação” da campanha, lembrando que até agora todas as verbas obtidas nas iniciativas de recolha para reciclagem no país “eram aplicadas no próprio sistema de reciclagem”. Segundo Hélder Spínola, este programa funcionará como projecto-piloto em Portugal e “posteriormente será alargado a outros países da União Europeia”.

O responsável adiantou que a Quercus também já entrou em contacto com as direcções regionais de educação para que o programa possa vir a ser desenvolvido nas escolas portuguesas.“Esperamos que as escolas adiram à iniciativa, porque são sempre espaços com grande importância pedagógica, onde os alunos e professores podem trazer as rolhas de casa”, afirmou. Lusa, 20 de Janeiro de 2008

FOTO: Sobreiro nos arredores de Évora