quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jardins Botânicos de Lisboa, Porto e Coimbra querem funcionar em rede

Uma rede de jardins botânicos portugueses pode estar para breve. A ideia existe e até já tem adeptos. As responsáveis pelos jardins botânicos de Lisboa, Porto e Coimbra assumiram o compromisso e preparam-se agora para definir uma estratégia a longo prazo.

Tudo começou com uma ideia que surgiu espontaneamente de uma conversa. “A ideia foi suscitada pela arquitecta Teresa Andersen, do Porto, durante uma conversa. Começámos a pensar que seria interessante criar uma plataforma comum”, explicou Helena Freitas, directora do Jardim Botânico de Coimbra, ao PÚBLICO.

A responsável lembrou que estes espaços já prestam serviços comuns, como a educação ambiental, divulgação científica e bancos de sementes. “Já temos muitas coisas que partilhamos. A rede permitiria rentabilizar recursos, centralizar funções”. Como por exemplo a manutenção dos bancos de sementes. Helena Freitas considera que este projecto poderia ficar centralizado num Jardim Botânico. “Por exemplo, nós em Coimbra temos dificuldade em manter o nosso banco de sementes. Todos os anos recolhemos 1500 espécies de flora nacionais para o renovar e manter a sua viabilidade”. “Até podíamos criar uma plataforma de monitorização das alterações climáticas”, com uma base de dados, continuou Helena Freitas. Além disso, “os jardins podiam ser exemplos na área das energias renováveis ou até mesmo fontes geradoras de energia”. A responsável salientou ainda a importância de uma “ligação mais forte à administração das próprias cidades” onde se encontram. “De momento, estes espaços acabam por estar deslocados porque não pertencem à administração local” mas poderiam ser “novas centralidades urbanas”.

Uma das razões para esta plataforma é dar um melhor enquadramento administrativo, “o que poderia facilitar os financiamentos, por exemplo”.

O próximo passo será um encontro entre as responsáveis pelos três jardins botânicos – Helena Freitas, Teresa Andersen e Maria Amélia Loução (de Lisboa) – para esboçar um “plano de construção de um programa a longo prazo”, que vincule estes espaços. Helena Freitas salientou que a rede pode vir a incluir outros jardins botânicos. Actualmente, os Jardins Botânicos sofrem com a falta de recursos humanos qualificados. “É preciso alguém ter conhecimento muito rigoroso das espécies e isso pode demorar muitos anos a adquirir”, lembrou Helena Freitas. in Público 6/5/2009

FOTO: Avenida das Palmeiras no Jardim Botânico. A LAJB tem defendido uma “ligação mais forte à administração da própria cidade” onde se encontra.

2 comentários:

manu disse...

ESTA É UMA BOA INICIATIVA. FAÇO VOTOS PARA QUE RESULTE. OS JARDINS BOTÂNICOS TÊM UMA FUNÇÃO SOCIAL IMPORTANTE, MUITO PARA ALÉM DO LAZER E DA VERTENTE CIENTÍFICA.TÊM TAMBÉM POR MISSÃO EDUCAR AS PESSOAS PARA A CIDADANIA, RESPEITO E CUIDADO COM OS OUTROS E COM O LOCAL ONDE VIVEM.NÃO PODEM ASSIM ESTAR FECHADOS AO MUNDO QUE OS RODEIA.
COMO MUITO BEM VEM REFERIDO, ESSA É TAMBÉM A MISSÃO DA LAJB.

Amigos do Jardim Botânico disse...

Concordamos em absoluto. Estamos a falar de «responsabilidade social». A LAJB, o Jardim Botânico, se querem ter um papel relevante na sociedade actual, terão de participar mais na gestão da cidade, do país onde foram criados.