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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

«A CORDA PELO BOTÂNICO»

Vamos unir a Praça da Alegria ao Príncipe Real pelo JARDIM BOTÂNICO! É já no próximo dia 19 de Outubro às 16H. Participe! 
Vote no projecto do Jardim Botânico no Orçamento Participativo - OP 2013 - enviando um SMS gratuito para 4646 com a mensagem OPLX 121

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa EM CHAMAS!

Mais imagens do desasatroso e vergonhoso incêndio no Jardim Botânico ocorido ontem à tarde no feriado de 5 de Outubro! A nossa famosa Araucaria columnaris envolta em fumo e chamas! E uma das palmeiras mais altas do jardim morta, consumida pelas chamas! Ao limite de degradação, desleixo, abandono e desprezo a que chegou o nosso Jardim Botânico! Em que outro país da Europa - ou do Mundo - seria possível acontecer um incêndio num Jardim Botânico?! LISBOETAS DEFENDAM O VOSSO JARDIM BOTÂNICO!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Jardim Botânico visto por Fernando Pessoa

Going further on, and straight on, we see on the right the building of the Escola Polytechnica, where the Faculty of Sciences is now installed. This building was erected in 1884 on the ground belonging to the Novitiate of the Society of Jesus. In some buildings adjoining the Escola the Museu du Bocage (Zoological Museum) is installed. This museum is worth visiting, for it contains some curious specimens. In the Sala Portugal there are some remarkable fishes; there is a strange one, 8,40 metres long and 3,60 metres round which was caught at Paço d'Arcos by King Carlos. Ther is also an enormous tortoise caught in the Peniche coast. After the Sala Portugal, there is the Sala de África Portugueza (Portuguese Africa Room) with a very important and varied collection; the Mammals Room, with a very fair amount of specimens from all over the world; the Birds Room, the Invertebrates Room, the Skeletons Room, and such like. The number of specimens, covering mammals, birds, reptiles, fishes, etc., is over 20,000, and there are more than 50,000 insects. The shell collection, which is enormous, must also not be forgotten.

As the installation is undergoing, in so far as the building is concerned, extensive repairs, there is no definite day for visitors; but, if the due authority is requested, the palce can be visited every day between 12:30 and 6:30 p.m.

This Museum is installed in the first floor of the building; on the ground floor are the botanical Museum, and the Museum of Geology and Mineralogy. The latter is especially remarkable, one of its most interesting exhibits being a large mass of native copper, partly covered with cuprite, weighing 1224 kilos; this comes from Mamocabo stream, near the town of Cachoeira, 120 kilometres from Bahia (Brazil), and was brought to Portugal as far back as 1792.

This building has adjoining it a garden which is one of the most picturesque in Lisbon, and even in Europe; so, at least, many foreigners have said. It contains specimens of the flora of all regions of the world. The garden is in a slope, and this is one of its great points, for the incline has been put to good use to every possible effect out of the varied vegetation that everywhere rises up, giving the aggregate an Edenic splendour. The garden contains several ponds, cascades, brooks, bridges, labyrinths, a fine hot-house, etc. in its upper part stands the Meteorological Observatory named after Infante Dom Luiz, and inaugurated in 1863, and also the Astronomical Observatory.

The tourist, should he so wish it, can go right through the garden and come out at the lower door, in Praça da Alegria, going on from there to the Avenida da Liberdade; but, as we are taking another route, we shall come out again at rua da escola Polytechnica, passing a frew yards onward by the Imprensa Nacional (National Printing Office).


in Lisboa: What The Tourist Should See, 1925

FOTO: Avenida das Palmeiras vista do terraço da Classe

sábado, 26 de dezembro de 2009

«Por uma cidade que se respeite»

Uma cidade que se respeite não permite que um proprietário tenha o seu prédio degradado, a cair, abandonado, com falta de pintura, destelhado, entaipado, em risco de incêndio ou derrocada. Não permite. Ponto.

Uma câmara municipal digna desse nome multa, castiga, reprime o desleixo e negligência de quem for dono de um prédio nessas condições. Se não tiver instrumentos legais robustos para o fazer, exige-os ao Governo da República. Se não o conseguir, tem que se fazer porta-voz da indignação dos munícipes.

O Governo do país tem a obrigação de impedir que os centros das nossas cidades estejam sujos, ocos e cariados. Tem o dever de tornar muitíssimo dispendioso este mau hábito de quem não cuida da sua propriedade urbana. Tem o interesse - num país antigo, peculiar e turístico como o nosso - de garantir que os nossos centros históricos estejam impecáveis.

Não existe o direito de ter um prédio a cair. Tal como não existe o direito de guiar um carro sem travões ou poluente. Não interessa se o compraram ou herdaram. O carro tem de passar na inspecção periódica. O mesmo deveria valer para o prédio: tem de estar em boas condições, ou o proprietário terá de pagar pelo dano e risco que provoca a outrem. Um prédio decadente faz reverberar o desleixo. Baixa o valor da sua rua ou do seu bairro, incluindo o daqueles prédios cujos proprietários, mais conscienciosos, trataram de cuidar e manter em boas condições. Um prédio a cair representa um risco de segurança para quem ali passa, para o solitário inquilino que às vezes lá resta, para os vizinhos.

A propriedade de um prédio não é coisa que venha sem obrigações. Esse é um equívoco que engendra outros equívocos de todas as partes envolvidas, sem excepção: a ideia de que os exemplos de prédios integralmente ocupados com rendas baixas (cada vez menos) podem servir de desculpa para situações de incúria em prédios praticamente vazios; a ideia de que o Estado pode ser o primeiro proprietário negligente; a ideia de que às autoridades públicas cabe, sempre, pagar toda a factura do rearranjo dos prédios. O Rossio de Lisboa foi recuperado com dinheiros públicos há uma década. Hoje tem prédios com telhados cobertos de folha de alumínio. Lamento, mas isto não é cidade que se respeite.

O presente de Natal para toda a gente que gosta da cidade, da cultura e de música aí está: ardeu o prédio onde ficava o Hot Clube de Lisboa, um dos mais antigos clubes de jazz da Europa. Perguntava um leitor do PÚBLICO ao saber da notícia: será que vale a pena fazer TGV e novos aeroportos para mostrar uma cidade vazia? Sob o impacto do momento, o exagero é desculpável, porque toca na ferida. As pessoas não vão apanhar o TGV para Madrid para ficar a olhar para a estação ferroviária. Vão para ver o Museu do Prado.

Aquilo que Portugal e Lisboa esquecem - com o novo-riquismo desculpável de quem se encontra em algumas rotas da moda - é isto: ninguém volta ao hotel de charme para olhar de novo para o mesmo prédio esburacado em frente.

Andámos anos a discutir um ridículo projecto para o Parque Mayer e deixámos o Hot Clube ao abandono. O salão do Conservatório está em ruína. O Pavilhão Carlos Lopes também. Não temos um lugar no centro da cidade para receber exposições internacionais que atraiam centenas de milhares de visitantes. Achamos natural que o candidato evidente para essa função - a Praça do Comércio - sirva para a burocracia do Estado. Ou então, que se faça lá um hotel de charme. Temos, não o nego, muito charme no abandono. Rui Tavares in Público, 23-12-2009

FOTO: Igreja de São Vicente de Fora (MN) fechada ao público no início deste ano devido ao mau estado de conservação.