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sábado, 18 de julho de 2015

Jardim Botânico de Singapura: Património Mundial da UNESCO!















No passado dia 4 de Julho na 39ª sessão do Comité Mundial do Património em Bona, o Jardim Botânico de Singapura foi classificado Património Mundial da Humanidade. Parabéns!

Para saber mais sobre este Jardim Botânico visite: www.sbg.org.sg

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Candidatura do Jardim Botânico de Singapura a Património Mundial da Humanidade - Unesco



O Jardim Botânico de Singapura é oficialmente candidato à lista do Património Mundial da Humanidade. Em Junho de 2012, Singapura ratificou a Convenção do Património Mundial e em Dezembro do mesmo ano entregou à UNESCO a lista tentativa manifestando interesse na inscricção do Jardim Botânico de Singapura como Património Mundial da Humanidade. No dia 11 de Setembro de 2013 foi aberta a consulta pública por um período de 4 meses com o objectivo de receber contributos dos cidadãos para a elaboração do documento final que inclui um Plano de Salvaguarda/Gestão do monumento. O dossier final de candidatura já foi entretanto entregue à UNESCO. O dossier de candidatura e Plano de Gestão estão disponíveis para consulta aqui:

http://www.sbg.org.sg/index.php?option=com_k2&view=item&id=886:singapore’s-first-unesco-world-heritage-site-nomination-draft&Itemid=352

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Jardim da Condessa d'Edla: água e morcegos


Das intervenções de restauro realizadas no jardim (2008), grande importância foi dada  ao sistema original de captação, distribuição e armazenamento de águas que envolveu pôr a descoberto lagos, canais e condutas. Neste aspecto do seu design o Jardim da Condessa d'Edla apresenta grandes semelhanças com a rede de regatos artificiais que vemos no nosso Jardim Botânico - afinal ambos datm do séc. XIX. 
Foram tiradas amostras das argamassas de cal que revestiam os regatos - em canaletos - para com rigor efectuar o restauro nos sectores onde era necessário. Também os materiais de construção dos lagos foram minuciosamente estudados: foi descoberto, com alguma surpresa, que eram impermeabilizados com asfalto, uma novidade para a época. Este asfalto original do séc. XIX foi recolhido e derretido para assim se proceder à sua nova aplicação como impermeabilizante dos lagos. Nos casos onde já não existia quantidade suficiente de material para o fazer, foi aplicado um asfalto novo mas com propriedades semelhantes.  
Nota final para a reabilitação das dezenas de minas de captação de água existentes no jardim. Como se pode observar na imagem, as portas que em muitos casos eram de madeira forma substituídas por novas de ferro com barras horizomntais dimensionadas de maneira a permitir a entrada de morcegos. Esta alteração, por respeito destes animais que habitam a Serra de Sintra, contou com a colaboração de uma sociedade internacional dedicada ao estudo e defesa de morcegos. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Futuro Restauro: Estufas de Exibição da Condessa

A próxima fase do restauro dos Jardins da Condessa d'Edla vai incluir a Estufa de Exibição, estrutura do séc. XIX, actualmente em ruínas. Sabemos que estava compartimentada em 3 sectores para exposição de plantas de climas diversos: Estufa Quente, Fria e Temperada. Ainda é possível ver a caldeira de aquecimento original in situ. A LAJB irá com certeza voltar para ver esta belíssima estrutura restaurada em toda a sua glória. 

RESTAURO: Jardins da Condessa d'Edla






Para a recuperação do Jardim da Condessa e da Quinta da Pena, foi reunida uma equipa multidisciplinar apoiada por vários consultores e empresas especializadas em restauro de Jardins Históricos. A metodologia adoptada ao longo do processo de restauro valorizou aspectos históricos, ecológicos, estéticos e funcionais, em rigorosa observância das recomendações das cartas internacionais para o restauro, protecção e valorização do património.
Em primeiro lugar foi realizado um trabalho prévio de pesquisa histórica aprofundada, por sondagens  no local assim como em arquivos e bibliotecas (listas de compras de plantas datadas da época de construção do jardim, nos arquivos da fundação da Casa de Bragança, por exemplo). Os trabalhos de preparação envolveram ainda a caracterização dos solos, limpeza de vegetação, a execução de levantamentos topográficos rigorosos e o mapeamento e classificação botânica de toda a vegetação. 
Também foi levado a cabo uma inventariação exaustiva dos elementos de composição do jardim. A título de exemplo é de referir o restauro dos regatos, em canaletos de alvenaria e reboco de argamassas de cal: após análise da composição exacta das argamassas, estas forma rigorosamente replicadas - assim se evitou o erro muito comum que é o de reconstruir ou reparar estruturas antigas recorrendo a argamasas á base de cimento. O cimento, material recente, não só é incompatível com estruturas antigas, o que provoca muitas vezes patologias precoces, mas contribui também para a desvalorização da autenticidade dos imóveis património).
Desta forma metódica e bem planeada, foi possível restaurar o Jardim da Condessa a um estado muito próximo do original, isto é, com elevado grau de autenticidade - afinal o objectivo maior de qualquer intervenção de restauro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A LAJB no Convento dos Capuchos em Sintra






Após uma pausa para almoço, a visita da LAJB seguiu para o Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra, também conhecido como Convento dos Capuchos ou Convento da Cortiça. Este lugar mágico foi erguido em 1560. Notável pela extrema simplicidade da sua construção, mas de complexa espiritualidade, materializa de forma poética o ideal de fraternidade e irmandade universal dos frades franciscanos que a habitaram até 1834, data da extinção das ordens religiosas em Portugal.

O restauro deste imóvel (classificado de Interesse Público) está ainda em fase de estudo. Fazemos votos para que a intervenção respeite a poética simplicidade que ainda lá está, e que não se caia na tentação de introduzir, em demasia, todas aquelas infraestuturas dos nossos dias. Por exemplo, será mesmo essencial electrificar os interiores? Iluminar os interiores com focos, por mais discretos que sejam, não irá destruir, por banalização, a experiência forte e intensa que os espaços nos proporcionam actualmente? Será benéfico ou nefasto para a comunicação singular que o monumento deve estabelecer com o visitante? Porque nos parece que qualquer simples interruptor, lâmpada ou torneira serão inevitavelmente intrusivos num espaço tão puro e arcaico como este.

Também esta visita foi guiada pela Susana Morais e Nuno Oliveira da Parques de Sintra. Para mais informações consultar o www.parquesdesintra.pt

A LAJB no Chalet e Jardim da Condessa d'Edla









No Chalet da Condessa d'Edla vemos uma utilização muito curiosa e bem conseguida da cortiça. Fica claro que tanto o Rei D. Fernando II como a Condessa d'Edla estavam, de certa forma, fascinados com este material, tão comum em Portugal mas visto como "exótico" pelos nórdicos. Porque apesar do imóvel tirar inspiração dos modelos de Chalets Alpinos, a utilização sistemática da cortiça para guarnecer vãos, cornijas e até paredes interiores é verdadeiramente português - de que é exemplo paradigmático o Convento dos Capuchos na mesma Serra de Sintra. Os maravilhosos paineis com embutidos de cortiça, que decoravam as paredes da sala de jantar, ainda esperam reconstrução - mas lá estavam dois pedaços originais para os visitantes observarem. 

Visita da LAJB ao Chalet da Condessa d'Edla




Visita da LAJB ao Chalet e Jardim da Condessa d'Edla em Sintra. O Chalet foi construído pelo Rei D. Fernando II e sua segunda esposa, Elise Hensler, Condessa d'Edla, enttre 1864 e 1869, na zona ocidental do Parque da pena, segundo o modelo dos Chalets Alpinos então em voga na europa.

O restauro deste imóvel (classificado de Interese Público desde 1993) foi iniciado em 2007 estando ainda a decorrer as intervenções de reabilitação dos estuques e outros acabamentos decorativos nos interiores. A LAJB teve como guias a Susana Morais e o Nuno Oliveira da Parques de Sintra - aos dois o nosso sincero agradecimento pela informativa e esclarecedora visita que nos proporcionaram. Para mais informações sobre a história e o processo de restauro, consultar o www.parquesdesintra.pt

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Visita da LAJB a Sintra: 20 de Maio de 2012


Estimado(a) associado(a),
No próximo dia 20 de Maio (Domingo) terá lugar um passeio a Sintra:
Chalet e Jardim da Condessa d’Edla e Convento dos Capuchos
08H30: Partida de Sete Rios (em frente à porta de entrada do Zoo);
IMPORTANTE: Tolerância de 10 minutos, partida às 08H40.
Duração do Passeio: dia inteiro;
10H15 – 13H00: Visita guiada ao Chalet e Jardim da Condessa d’Edla;
13H00 – 15H00: Almoço e deslocação para o Convento dos Capuchos (onde existe parque de merendas ou em alternativa possibilidade de ir a Almoçageme);
15H00 – 16H30: Visita guiada ao Convento dos Capuchos
Custo: 25 € (para o transporte em autocarro e entradas no Chalet e Jardim da Condessa d’Edla e no Convento dos Capuchos);
NOTA: As duas visitas guiadas têm um custo que será suportado pela LAJB a fim de não encarecer o passeio.
Inscrições limitadas a 25 participantes, abertas através do endereço:
ldbotanico@fc.ul.pt ou em alternativa pelo 96 00 34 118 (Secretário Artur Rodrigues da Rocha Páris).
IMPORTANTE: Data limite para inscrição 16 de Maio, com 50% do custo que poderá ser feita por transferência bancária para o nosso NIB:
0007 0084 0000 0740 005 51 (BES) ou por meio de cheque ou ainda através de vale de correio.
Com os nossos cumprimentos e saudações Botânicas, 
A DIRECÇÃO da LAJB

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

«Duvido que a contratação de um super arquitecto resolva os graves problemas da barragem Foz Tua»

Ainda na escola secundária deixou-se deslumbrar pela História e pelo património do seu concelho, “em particular Monsaraz e o seu fantástico território”, hoje [Ana Paula Amendoeira] é uma das mais importantes especialistas de património em Portugal, presidente nacional do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), entidade a quem cabe fazer avaliação do estado dos monumentos de Évora e do Alto Douro Vinhateiro, que este ano cumprem 25 anos desde a sua classificação como património mundial.

Já há alguma avaliação preliminar do estado dos monumentos em Évora?

Não posso responder porque não tenho ainda a certeza se será possível fazer a avaliação devido a dificuldades internas do ICOMOS – poucas pessoas para muita coisa.

Qual é o património classificado, português, que se encontra em maior risco?

Em rigor, Portugal não possui nenhum dos seus bens constantes na lista do património mundial inscritos na lista do património em perigo. Outra coisa diferente é o estado de conservação do nosso património mundial e aí claro que há problemas, como de resto em muito do património português, muito para além dos 13 bens que contamos no património mundial – o recente caso da barragem do Tua é exemplar no tipo de dificuldades que podem começar a surgir neste domínio.

Há recomendações da UNESCO?

O caso mais recente de recomendação sobre um sítio português foi o relatório sobre a Barragem do Tua, no contexto da paisagem cultural do Douro, inscrita na lista do património mundial em 2001. Essas recomendações são do conhecimento público e as recomendações são muito claras e questionam seriamente o processo, o método, os fins e os meios deste projecto. O que pensa da barragem? O que penso coincide exactamente com o conteúdo do relatório do ICOMOS. É fruto de um trabalho e de uma investigação longa, muitas vezes de décadas para chegar a conclusões sérias, técnicas e científicas, ancoradas em ideais e princípios construídos ao longo do tempo e não das conjunturas efémeras dos ciclos políticos. Por isso, não se trata aqui de opiniões ou de gosto, mas de conhecimento e de respeito pelo trabalho, estudo e reflexão.

Que impacto teria a desclassificação dessa zona?

Os impactos seriam desde logo a má imagem do incumprimento a que o Estado Português está obrigado a partir da altura em que ratificou a Convenção do Património Mundial, no início dos anos 80. Esse seria, claro, um dos impactos imediatos e bastante penalizadores, sobretudo na vigência de um governo que preza tanto o cumprimento dos compromissos internacionais. Não é, repito uma questão de gosto ou de acordo, é uma questão de dever, de cumprimento de regras que se aceitaram livremente. Outro impacto seria obviamente para a paisagem do Douro vinhateiro e esse seria ainda o mais grave porque se trata de facto de uma “jóia da coroa” e já não temos muitas. As autoridades locais estão a fazer muita pressão para construir a barragem.

Acha que normalmente o poder local está preparado para ver a importância da preservação do património?

Eu penso que estão preparados. Quando se trata de apresentar as candidaturas para obter os títulos e as classificações, vemos claramente que todas as pessoas atribuem um grande valor à preservação e salvaguarda do património, às vezes até com uma atitude de culto, como se o património pudesse resolver todos os problemas do momento. O caso do Douro não foi excepção.

Como se convence um presidente de câmara que não construir uma barragem será melhor do que construí-la?

Eu gostaria de perceber é como é que se convence um presidente de câmara ou de freguesia de que construir uma barragem é melhor do que não construir. Sobretudo, quando a sua utilidade é questionada abertamente por muitos especialistas. O secretário de Estado já afirmou que o projecto terá de ser equacionado.

Acha que a cultura neste governo e com a conjuntura actual de crise tem peso suficiente para impedir o projecto?

Não sei, mas a cultura nunca tem muito peso, não é só agora – houve muito poucas excepções na nossa História recente. Temos que aguardar para ver o que vai ser decidido e respondido à UNESCO e ao relatório do ICOMOS. Mas tenho dúvidas de que a contratação de um super-arquitecto de prestígio mundial (Souto Moura), consiga, como que por magia, resolver os graves problemas apontados no relatório do ICOMOS. Mais uma vez elege-se como solução, o projectista, em vez da adequação do programa!

O que pensa do desempenho deste governo e de Francisco José Viegas no que diz respeito ao património?

Não conheço o suficiente para me pronunciar. Acho que o caso do Douro foi muito mal gerido pelo governo anterior apostando na política do facto consumado e este governo não inflectiu a atitude e o comportamento errados do anterior. Qual foi o melhor ministro/secretário de Estado em relação ao património em Portugal? É difícil, porque se trata de uma área onde verdadeiramente nunca estivemos em alta, mas creio que é consensual a nota positiva para o desempenho de Manuel Maria Carrilho e das suas equipas (Rui Vieira Nery, Catarina Vaz Pinto). Lembro alguns institutos coordenados por Luís Calado, Raquel Henriques da Silva, João Zilhão, o papel fundamental de Paulo Pereira e de muitos outros. Apesar de podermos discordar de muitas coisas que fizeram, trabalharam de forma séria para dar à cultura um lugar enraizado e estrutural para a progressiva evolução inteira e livre dos indivíduos e da sociedade portuguesa. Tendo em atenção o exemplo das gravuras rupestres de Vila Nova de Foz Côa.

Visto à distância, valeu a pena impedir a construção da barragem? Se medirmos tudo por dinheiro, penso que talvez sim, porque estão por demonstrar os lucros efectivos para a região se a barragem tivesse sido construída. Teria havido certamente muitos benefícios mas talvez não para o bem comum. Aliás a convicção de que o desenvolvimento e a qualidade de vida se conseguem com construção, é claramente uma ideia em contra ciclo. Se não medirmos tudo por dinheiro e se pensarmos, como penso, que nem tudo o que tem valor tem um preço, como bem diz o professor Adriano Moreira, então a minha resposta é claramente afirmativa. Sim, valeu a pena a decisão política de impedir a construção da barragem porque temos um dos sítios de arte rupestre mais importantes do mundo que prestigia o nome de Portugal nos meios culturais e científicos internacionais. E depois, os alegados prejuízos desta decisão comparados com o prejuízo do caso BPN são, como se costuma dizer “uns trocos” e não estamos perante um crime público, apenas perante uma decisão política a favor da cultura, uma das poucas da nossa História recente. Além disso, Foz Côa não pode ser vista de forma isolada, pois integra um dos eixos (Porto, Douro, Côa, Salamanca) de maior densidade e valor patrimonial mundial, tenho a certeza de que se houver bom trabalho nesse sentido a região poderá beneficiar desse enorme potencial e por muito mais tempo do que o tempo de vida de uma barragem!

Acha que os políticos se preocupam a sério com o património ou é apenas retórica?

Acho que para uma grande maioria é retórica, mas não são só os políticos. Eles também têm muitas vezes as costas largas. Estamos numa época de crise económica, normalmente, nestas alturas, o património sofre por dois motivos, por falta de verbas e por falta de capacidade argumentativa face a necessidades consideradas mais importantes.

Teme pelo que vai acontecer ao património em Portugal nos próximos anos?

Já está a acontecer, não começou agora. Apenas vai continuar e agravar-se. Eu não temo só pelo património mas pela nossa terra, que é muito mais do que património, e pela forma como a entendemos e como a queremos ou não cuidar.

Quais são neste momento as áreas mais problemáticas em termos de preservação do património?

É difícil dizer porque há tantos problemas, talvez as nossas cidades históricas sejam as que neste momento estão mais ameaçadas, sobretudo se a nova Lei da Reabilitação não regular consistentemente os tipos de intervenção adequados aos centros históricos de maior valor.

Tem uma posição crítica em relação à classificação do património, porquê?

A minha posição é crítica porque a classificação do património neste momento tem cada vez menos sentido, a lei não é cumprida em muitos e importantes casos, quer se trate de património mundial ou de monumentos nacionais. Dou-lhe o exemplo do Douro, como património mundial, e do jardim botânico de Lisboa, como monumento nacional, em que a lei do património não é pura e simplesmente aplicada. Hoje foge-se do acompanhamento e do controlo activo dos monumentos classificados, tal como a lei obriga, porque outros valores mais baixos se levantam.

(...)
O que pensa da escolha do fado como património imaterial da humanidade?

A minha área de estudo é o património mundial cultural, não o imaterial. Mas tenho uma discordância de fundo com a divisão entre património cultural e imaterial, feita mais por razões geopolíticas do que culturais, e que na minha opinião não favorece nada o entendimento da dimensão cultural, a qual não pode ser espartilhada por imperativos artificiais de convenções. Pessoalmente, gosto muito de fado e, como portuguesa, fiquei muito contente.

Fale-me um pouco da sua tese de doutoramento.

Estou a preparar, com uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, sob direcção da professora Françoise Choay na Universidade de Paris IV Sorbonne, uma investigação sobre a evolução da noção de património mundial e da lista desde a aprovação da Convenção do Património Mundial em 1972. O objectivo é fazer uma análise crítica e contribuir para uma avaliação para o futuro. Vou defender este ano, se tudo correr bem, quando passam 40 anos da aprovação da Convenção e se estão a debater as mais importantes questões para o futuro do Património Mundial.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

UNESCO: barragem do Tua tem "impacto irreversível" no Património Mundial

Relatório de missão consultiva realizada em Abril deste ano já foi remetido ao Governo de Passos Coelho em Agosto, mas permanece no silêncio dos gabinetes

O Comité do Património Mundial da UNESCO considera que a construção da barragem de Foz Tua tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Esta é uma das conclusões do relatório da missão consultiva que, a solicitação do Governo português, visitou o local no início de Abril e que aponta ainda para outros impactos negativos e graves do empreendimento. O documento foi produzido pelo Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património que é o órgão consultivo daquele comité da UNESCO.

O relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, foi concluído em finais de Junho e remetido ao comité, que o enviou depois para as autoridades portuguesas já em Agosto, por protocolo diplomático, via Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas permanece ainda no segredo os gabinetes, não sendo conhecida qualquer reacção ou resposta do Governo. Além de analisar os impactos e as consequências do avanço da obra para a área de paisagem classificada como património da humanidade, o relatório critica também duramente o comportamento das autoridades portuguesas. A este propósito sublinha que, durante todo o processo de análise e aprovação do projecto da barragem, o Estado português não adoptou os procedimentos a que está obrigado perante a UNESCO no âmbito da classificação obtida há dez anos, que se cumprem já no dia 14 deste mês.

"Cremos que as orientações da UNESCO, recomendando "relatórios específicos e estudos de impacto de cada vez que ocorram circunstâncias especiais", não foram seguidas, já que "toda a informação deve ser fornecida o mais rapidamente possível e antes da tomada de decisões que se possam tornar difíceis de reverter", para que o comité possa participar na procura de soluções que assegurem a completa preservação dos valores protegidos", lê-se no documento.

Quanto às conclusões, o relatório não deixa também margem para dúvidas: "Tendo em conta a proposta do Estado com vista ao desenvolvimento da barragem de Foz Tua localizada na paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro, não podemos deixar de concluir que terá um impacto irreversível e ameaça o valor excepcional universal [que é o fundamento da classificação da UNESCO].

"Apesar dos esforços das autoridades portuguesas e da EDP (a dona da obra) para minimizar os impactos, através de várias alterações ao projecto, o relatório nota que nunca os estudos de avaliação "levaram em conta os impactos nos bens culturais protegidos". Por isso, conclui, "não se pode considerar que a revisão dos planos respeite a paisagem do Alto Douro que foi inscrita na lista do Património Mundial". O relatório socorre-se do próprio projecto da obra para referir que o vale do Tua "tem um alto valor ecológico e cenográfico" associado aos parâmetros culturais e biofísicos que caracterizam a estrutura dinâmica da região, o que leva irremediavelmente à conclusão de que "tudo isto contribui para que o avanço do projecto tenha um impacto adverso e irreversível nos valores de autenticidade e integridade e interesse universal" da região.

Classificação em risco

O pedido para a vinda de uma missão consultiva por parte do Estado português insere-se no âmbito das suas obrigações perante a UNESCO, deduzindo-se do teor do relatório que terão sido invocados vários argumentos a favor da ideia de não violação dos valores da classificação como Património Mundial. Um deles seria o de que o efeito da intervenção seria idêntico ao da construção das outras barragens já existentes ao longo do Douro. Um argumento que é liminarmente rejeitado, já que "o passado não é um meio adequado para justificar acções presentes". Já quanto à invocação de que a obra está já fora da área classificada - fica no limite -, a conclusão é de que "afecta inteiramente os valores Património Mundial".

Outro argumento era o do reduzido impacto visual face às características daquela zona do vale do Tua, mas o relatório considera que, mesmo concordando com a ideia, o conjunto da barragem e das restantes estruturas, incluindo as linhas para o transporte de energia, representam um impacto fortemente negativo. Quanto ao facto de o projecto ter sofrido várias alterações e incluir uma série de medidas para mitigar e compensar os impactos ambientais, a conclusão é a de que essa não é a questão que importa analisar: "O que é preciso saber é antes se a barragem deve ser construída.

"Outro dos argumentos utilizados pelo Estado português terá sido o de que a barragem será uma construção "elegante e de escala monumental" - a EDP divulgou recentemente que encomendou ao arquitecto Souto Moura o projecto da central hidroeléctrica -, mas a conclusão é a de que "representa um forte impacto para a Região do Alto Douro Vinhateiro, que pode implicar a perda do seu valor excepcional universal e uma séria ameaça para a sua autenticidade e integridade".

A este respeito refira-se que nos últimos anos se registaram dois casos em que a UNESCO retirou a classificação de Património Mundial. O mais recente foi o centro histórico da cidade alemã de Dresden, em 2009, devido à construção de um viaduto. Cerca de um ano antes, também a foi retirada a classificação a um sítio natural do emirado de Omã. Aqui foi o próprio Estado árabe a pedir a saída por causa da exploração de petróleo no local.

No caso do Tua, tudo indica que o relatório que está agora na posse do Governo será analisado durante a próxima reunião anual do Comité do Património Mundial da UNESCO, que costuma realizar-se em Junho ou Julho. Isto, se até lá não forem adoptadas medidas para alterar a situação. Por José Augusto Moreira in Público

segunda-feira, 25 de abril de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

26 de Março, 20:30H: "Hora do Planeta"

No próximo sábado, 26 de Março, entre as 20h30 e as 21h30, cidadãos e empresas em todo o mundo apagarão as suas luzes durante uma hora, a "Hora do Planeta", para mostrar como unidos podemos fazer a diferença na luta contra alterações climáticas. O evento, simbólico, pretende estimular indivíduos, empresas e comunidades a tomarem medidas para reduzir as suas emissões de carbono numa base contínua e diária. Promovida pela WWF, a organização global de conservação, a "Hora do Planeta" é a maior iniciativa de luta mundial contra as alterações climáticas. Adere à Hora do Planeta da WWF!

Ano Internacional das Florestas - 2011


Foto: o nosso Jardim Botânico à noite...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Visita guiada: «Monumentos com Raízes»

Visita a algumas plantas cuja história se contará. Grandes ou pequenos, oriundos de longe ou de perto, crescem no Jardim Botânico, onde cada exemplar é um monumento à sua espécie - testemunha a sua história natural e a história da sua relação com o Homem.

Local: Jardim Botânico - R. da Escola Politécnica 58
Dia: 18 de Abril de 2009
Início: 11:00h - junto da figueira de folhas grandes
Duração 1:30 h
Público: para todos
Inscrições: limitadas a 25
Telefone: 213921808 ou 213921883 das 10h às 17h

Visita guiada no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios de 2009.

Criado pelo ICOMOS em 18 de Abril de 1982, e aprovado pela UNESCO no ano seguinte, constitui um marco comemorativo do património nacional e celebra, também, a solidariedade internacional em torno da salvaguarda e da valorização do património de todo o mundo.

Em complemento à declaração, pelas Nações Unidas, de 2009 como o Ano Internacional da Astronomia, o ICOMOS elegeu o tema Património e Ciência como o objectivo de proporcionar uma oportunidade de reflexão e de reconhecimento do papel da ciência (e das tecnologias) no património cultural e, ainda, de incentivar a discussão sobre o seu potencial para a protecção e a conservação do património.

FOTO: Ficus macrophylla, ponto de partida da visita

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Linha do Tua como Património Nacional!

Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua:

Ontem, dia 5 de Março discutiu-se na Assembleia da República, o projecto apresentado pelo PEV, que visa a classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional. Hoje, este projecto vai ser votado pelas várias bancadas parlamentares. De modo a sensibilizar e a alertar todos os senhores deputados portugueses, para a necessidade de preservar e valorizar este património, que leva a Trás-os-Montes mais de 40.000 pessoas por ano, lembramos alguns textos. São três artigos de opinião, bem ilustrativos da opinião generalizada sobre a questão do Tua, o parecer da APPI (orgão consultivo da Unesco) que considera o eventual desaparecimento desta via férrea como uma dos maiores atentados culturais desde o 25 de Abril de 1974, e ainda, um pequeno texto sobre o que pode significar a Linha do Tua, enquanto património, paisagem, transporte, desenvolvimento. O Movimento Cívico pela Linha do Tua pretende a preservação e dinamização da Linha do Tua e está disponível para apresentar aos ilustres deputados que o solicitem, informações, entre outras, sobre a história e alguns dos projectos de desenvolvimento alternativos a aplicar no Vale do Tua. A classificação da Linha do Tua é um dos instrumento, a par da recuperação e revitalização, que lhe garante a dignidade e respeito que merece enquanto património-cultural e industrial único reconhecido e parte integrante da paisagem do Vale do Tua.

Ou Tua, ou rua! por Manuel Igreja
Num país que com toda a parolice e contra o correr dos tempos desactivou quase tudo o que era linha de caminho de ferro no seu interior a troco de rodovias mais prejudiciais que benéficas em termos de ordenamento do território, parecia que se salvava assim uma das jóias ferroviárias da rede nacional de comboios. O turismo virou moda, e com ele a linha do Tua ganhou procura e valor. Nada mais nada menos que 40 mil almas passam anualmente pelos bancos das carruagens que circulam ou circulavam a roçar o rio Tua.

Os Clérigos, os Jerónimos e a Linha do Tua por José Moreira
O património histórico-cultural não tem preço, não é negociável ou não é passível de qualquer tipo de apropriação, independentemente de hipotéticas vantagens ou dos valores económicos em causa.(...) Além do disparate, o seu desaparecimento constituiria um hediondo crime contra a natureza e o património, que nada poderá justificar, a não ser a absurda cegueira de alguns governantes que, incapazes de deixar obra válida, parecem primar pela destruição do que de mais belo e ousado outros edificaram.

Parecer da Associação Portuguesa para o Património Industrial
(...) um dos mais graves atentados ao património cultural do País desde o 25 de Abril de 1974, a destruição da Linha do Tua.

Movimento Cívico pela Linha do Tua
linhadotua@gmail.com / 939 333 900

FOTO: Linha do Tua junto da estação de Cortiços (2ª metade séc. XX)