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domingo, 31 de janeiro de 2016

Conferência: EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS – ENTRE O JARDIM E A PAISAGEM URBANA











EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS – ENTRE O JARDIM E A PAISAGEM URBANA: Do Palácio de Cristal do Porto (1865) à Exposição de Paris (1937) | 1 e 2 de Fevereiro 2016

Com esta Conferência pretende-se abordar o contributo das Exposições Internacionais para o desenho e construção do espaço exterior, da escala do jardim à escala da cidade, tomando como ponto de partida os jardins do Palácio de Cristal do Porto. Inaugurados há 150 anos para receber a Exposição Internacional de 1865, são, ainda hoje, um dos espaços de referência da cidade. 
A abordagem termina com a Exposição Internacional de Paris de 1937, planeada por Jacques Gréber, autor do projeto para o Parque de Serralves, espaço de incontornável interesse paisagístico e de importância central na vida contemporânea do Porto e do país.  Se os jardins do Palácio de Cristal representam o primeiro, grande e moderno, espaço de recreio na cidade, o Parque de Serralves constitui a última grande quinta de recreio construída no Porto. 
Por razões distintas, as suas histórias cruzam-se com as das Exposições Internacionais, sobre cujo significado e representações importa refletir. 
Entre 1865 e 1937 várias Exposições se foram realizando, revelando inquietações e convicções de cada tempo e lugar, com efeitos mais ou menos significativos do ponto de vista artístico, cultural e social. Nesta Conferência interessa olhar para aquelas que, dentro deste período, direta ou indiretamente mais contribuem para o entendimento dos jardins do Palácio de Cristal e dos espaços verdes públicos que, no Porto, se construíram nas décadas seguintes, influenciados pela novidade e dinâmica gerada pela construção daqueles jardins. 
Por outro lado, a história de Serralves está intimamente ligada às Exposições de Paris de 1925 – determinante nas opções estéticas presentes na construção da propriedade – e de 1937, na qual Gréber assumiu o papel de arquiteto-chefe. 
Pretende-se, assim, contribuir para aprofundar o conhecimento sobre esta personagem fundamental para o entendimento de Serralves em todas as suas dimensões, seguindo uma linha de investigação cedo iniciada pela Fundação de Serralves.  
A Conferência dirige-se a profissionais, investigadores e estudantes ligados ao desenho das cidades e dos jardins e ao público em geral, interessado na história do Porto e de Serralves.  
Comissária: Teresa Marques   http://www.serralves.pt/pt

domingo, 20 de abril de 2014

Palmeiras de Lisboa continuam a morrer...

Exemplar de Palmeira das Canárias visivelmente infectada pelo "escaravelho vermelho" nos jardins do Tribunal Constitucional na Rua de O Século.

domingo, 19 de agosto de 2012

RIO PAIVA: o mais limpo da Europa

Existe uma associação para a defesa e preservação do vale do Rio Paiva, considerado o mais limpo da Europa. Sem dúvida um dos mais belos e bem conservados de Portugal. Junte-se a esta causa na defesa do Vale do Paiva! Vamos lutar para que a EDP não de lembre de destruir este ecosistema e paisagem notáveis com a construção de uma barragem!

SOS RIO PAIVA - Associação de Defesa do Vale do Paiva
CASTELO DE PAIVA, AROUCA, CINFÃES, CASTRO DAIRE, S. PEDRO DO SUL, VILA NOVA DE PAIVA, SERNANCELHE, SÁTÃO, MOIMENTA DA BEIRA

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

«NOVAS BARRAGENS = CRIMES»

O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua.

Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país? As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura... Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata.

Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto? Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia.

Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza... Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente.

O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal. Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.

in JN 8 Setembro 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pós-Graduação em JARDINS E PAISAGEM

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

Candidaturas abertas para licenciados. Inclui estágios em locais como Palácio Nacional de Queluz, Fundação da Casa Fronteira e Alorna, Parque do Palácio do Monteiro-mor, Quinta Real de Caxias, Quinta do Marquês de Pombal em Oeiras, Parques de Sintra – Monte da Lua (Parque de Monserrate e Parque da Pena), Reserva Natural do Estuário do Tejo, Parque Natural da Arrábida, Parque Natural Sintra-Cascais e Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, etc.

A Pós-Graduação em JARDINS E PAISAGEM, através de uma abordagem multidisciplinar da História da Arte, Geografia, Arquitectura Paisagista, Antropologia e História, proporciona uma formação pro s-sionalizante de qualidade, que prepara especialistas e técnicos para trabalhar nos sectores público eprivado que tenham a tutela de jardins históricos e parques naturais. Conclui-se a formação com uma visita de estudo a jardins e parques naturais internacionais.

O curso, com início em Outubro de 2011, compreende um estágio incluído na unidade curricular de PROJECTO na qual o aluno desenvolverá um projecto individual em consonância com o local onde está arealizar o estágio e que tanto pode ser a realização de um mapa através da utilização de softwares de cartografia digital e/ou sistemas de informação geográfica; a inventariação das obras e objectos de arte presentes num jardim ou parque natural; a realização de um projecto de programação e dinamização cultural com vista ao incremento do turismo ou a avaliação e investigação sobre paisagem.

Coordenação científica: Prof.ª Doutora Margarida Acciaiuoli

Os alunos poderão escolher as unidades curriculares dentro de um leque variado e alargado, consoante as áreas e as ferramentas que queiram adquirir:

História dos Jardins e Paisagem (Ana Duarte Rodrigues)

História e Experiência da Paisagem na Arte Contemporânea (Margarida Acciaiuoli)

Arte Paisagista e dos Jardins (Aurora Carapinha)

Artes dos Jardins (Ana Duarte Rodrigues)

Cartogra a Digital e Design (Jorge Ferreira e Nuno Soares)

Avaliação e Percepção da Paisagem (Carlos Pereira da Silva)

Detecção Remota e Análise da Paisagem (Pedro Casimiro)

Desenvolvimento Regional e Local (Regina Salvador)

Antropologia do Ambiente (Amélia Frazão Moreira)

Antropologia e Turismo (Maria Cardeira da Silva)

Práticas da Cultura (António Camões Gouveia)

Projecto (Ana Duarte Rodrigues)

Data da inscrição: Coincidente com a do 2.º ciclo (mestrados), a determinar pela faculdade. O valor da propina será de 1500 euros. A seriação dos candidatos resultará de análise curricular e, se necessário, de uma entrevista. Prevê-se que os estudos possam prosseguir para Mestrado e Doutoramento.

Informações: Divisão Académica - Núcleo de formação ao longo da vida

Tel.: 21 790 83 83, E-mail: nflv@fcsh.unl.pt


Nota: Graças à colaboração da LAJB, o Jardim Botânico será um dos objectos de estudo/estágio

quarta-feira, 14 de julho de 2010

«Sim ou Não às barragens do Tua e Sabor?»

Exmos(as) Senhores(as),

No próximo sábado, dia 17 de Julho, pelas 10 horas no Museu do Douro, Régua, o blog Nortadas marca a agenda da actualidade com um importante debate à volta da questão das barragens do Tua e do Sabor. De acordo com informação constante no blog "Nortadas", haverá intervenções a favor da solução das barragens e do plano nacional de barragens e intervenções contra a solução proposta das barragens.

A EDP far-se-á representar e os demais palestrantes, já confirmados, são:

Professor Doutor Rui Cortes (UTAD),

Professsor Alvaro Domingues (FAUP);

Professor Doutor Joanaz de Melo (UNL)

Professor Doutor Sampaio Nunes;

Dr. Francisco Sousa Fialho;

Dr. João Anacoreta Correia.

Para mais informações http://nortadas.blogspot.com/

Cumprimentos,

Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua

quinta-feira, 18 de março de 2010

Limpar Portugal: é já no sábado!

Sábado é dia de limpeza.

O Presidente da República, Cavaco Silva, a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, e ainda militares de dois regimentos do Exército Português contam-se entre milhares de voluntários que, no próximo sábado, dia 20, apoiam a iniciativa ‘Limpar Portugal’, espécie de bola de neve de participação cívica em torno de um objectivo ambiental. Já são muitos os inscritos para a limpeza, e espera-se que o número ascenda a cem mil.

Estão identificadas mais de 11 mil lixeiras um pouco por todo o País, com preponderância no Norte. O registo das lixeiras, acompanhado da descrição sumária, pode ser feito na internet por qualquer um que se depare, por exemplo, com um amontado de pneus à beira de uma estrada ou entulho depositado numa clareira.

Inicialmente, o projecto ‘Limpar Portugal’, que reproduz uma iniciativa desenvolvida na Estónia em 2002, só englobava áreas florestais, mas rapidamente se estendeu às vilas e cidades. Uma obra de simples cidadãos, esta acção conta já com o envolvimento de quase 200 câmaras municipais, bem como de empresas e de diversas associações. Não é porém fácil precisar o número de inscritos. 'Temos inscrições de agrupamentos de escuteiros, juntas de freguesia, escolas, há várias em nome colectivo', justifica Paulo Torres, um dos coordenadores da iniciativa, que também arregaça as mangas para ‘Limpar Portugal’ já no próximo sábado.

UM DIA PARA LIMPAR PORTUGAL

Quantas lixeiras? Onze mil lixeiras referenciadas (valore aproximado)

Onde ficam as lixeiras?

Região Norte (de Coimbra para cima) – 6000 lixeiras – 54,5%

Região Centro (entre Coimbra e Alcácer do Sal) – 4000 lixeiras - 36,3%

Região Sul – 1000 - 9,1%

O que acontece ao lixo que for recolhido? Depois de separado, será distribuído pelas entidades de recolha e valorização de resíduos.

Quantas pessoas estão inscritas? Mais de 70 mil

Inscritos ilustres: Cavaco Silva e Dulce Pássaro

Câmaras envolvidas: 190

Exército

Exército português mobiliza o Regimento de Infantaria 14, de Viseu, para limpeza das serras naquela região, e o Regimento de Infantaria 3, de Beja, onde os militares vão plantar árvores em zonas afectadas pelo incêndios

Quanto tempo demoram a decompor-se na natureza?

Uma folha de papel – três a seis meses
Uma blusa de algodão – seis meses a um ano
Meias de nylon – 30 anos
Uma beata – cinco anos
Uma pastilha elástica - 13 anos
Uma lata de refrigerante de alumínio – 80 anos
Um pedaço de plástico - 100 anos
Um saco de plástico do supermercado – 450 anos
Uma garrafa de vidro - 1 milhão de anos
Um pneu – tempo indeterminado

Produção de lixo em Portugal

Cada português, produz, em média, 472 quilos de lixo por dia. Se todo este lixo fosse colocado num estádio de futebol, a altura da pilha atingiria 1300 metros. Todo este lixo é suficiente para encher 17 mil piscinas olímpicas (in «Correio da Manhã»).

Foto: Monsaraz

sábado, 11 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - III

PAISAGEM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (DESDE 1986)

O nascimento do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 1996 veio representar outro momento fundamental na história do Parque através de nova intervenção na paisagem. Esta aconteceu numa parcela lateral ocupada por uma horta e um laranjal e foi dirigida por João Gomes da Silva (com a colaboração de Erika Skabar), arquitecto paisagista convidado por Álvaro Siza Vieira. A história do lugar, a sustentabilidade do espaço e a topografia foram os aspectos estruturadores do projecto que tinha em conta não só a presença do novo edifício, como o seu programa e usos.

Uma nova paisagem foi então redefinida tendo em conta os espaços envolventes e a sua relação com o novo edifício. Criaram-se maciços vegetais nas orlas existentes (jardim de Gréber, a Mata e o muro da Quinta) delimitando-se a sua localização face aos jardins, a Mata e o exterior. Junto às orlas definem-se, então, três clareiras. Uma, a Norte, envolvida por três pequenos bosquetes de bétulas e azevinhos assinala a entrada do Museu. Outra, localizada entre o Roseiral e a Mata está salpicada de Teixos que, em contraluz ao fim do dia, contrastam com o museu exposto ao sol. Finalmente, no espaço onde o muro e a Mata se cruzam deparamos com a terceira clareira caracterizada pela presença de quatro maciços paralelos de Azinheiras, delimitada por uma longa sebe de Pilriteiro.

Esta paisagem é também caracterizada pelas espécies que a constituem. Ao contrário da flora exótica que Gréber introduziu, optou-se pelo trabalho sobre a vegetação autóctone do Norte de Portugal, incluindo espécies como a Bétula, o Azevinho, os Carvalhos, o Teixo, o Pilriteiro e as Urzes, procurando-se assim permitir ao público um outro conhecimento desta natureza. Serve também de suporte de exposições e obras de arte em regime temporário ou permanente e de percurso dirigido aos visitantes. Modelado pelas condições que o edifício do Museu coloca, trata-se de um espaço que é definido topologicamente como extremidade de uma bacia aberta, separada dos outros jardins. Fluindo em direcção à Mata através de um declive na encosta permite-nos entrever a silhueta do Museu cuja relação com a luz adquire especial importância pois ao longo do ano a sua imagem transfigura-se perante os contrastes e variações da luminosidade.

RECUPERAÇÃO

A alteração da função original – de espaço de habitar, privado e exclusivo, a espaço de produção e difusão de cultura, público e inclusivo –, associada ao estado de conservação que caracterizava os sistemas e os lugares que constroem a paisagem de Serralves, prescreveu a necessidade de implementar um Projecto de Recuperação.

Esta intervenção permitiu, de modo integrado e antecipativo, requalificar e valorizar esta paisagem, sendo um instrumento operativo para analisar e actuar no Parque de Serralves, de forma total, sistematizada e integrada, no espaço e no tempo, tempo este que ultrapassará significativamente o decurso das obras.

O Projecto de Recuperação para o Parque Serralves, cujos estudos se iniciaram em 2001, teve como filosofia geral de intervenção a Reabilitação. Esta consiste na adaptação dos espaços e/ou dos elementos estruturantes e de composição através de várias intervenções, as quais permitem solucionar os problemas que afectam o uso, a função e a aptidão actuais e futuras. A Reabilitação é um processo de intervenção através do qual a integridade do património é salvaguardada.

A área de intervenção definida pelo Projecto de Recuperação inclui o espaço do jardim projectado em 1932 por Jacques Gréber e outras áreas da propriedade da Fundação de Serralves, como sejam os limites Sul e Sudeste com características agrícolas, e a mata localizada a Oeste. Apenas o espaço envolvente do edifício do Museu de Arte Contemporânea, bem como a Colecção de Plantas Aromáticas, estão excluídos do Projecto de Recuperação. A empreitada de realização do projecto foi subdividida em 14 áreas de execução temporal e espacialmente faseada, tendo permitido manter o Parque de Serralves aberto ao público durante a obra, investindo o próprio processo de obra, acompanhado de um plano de comunicação in situ e in visu, de uma função pedagógica.

A autoria do Projecto é partilhada entre Claudia Taborda, à altura Directora do Parque, e que nessa qualidade definiu o seu conteúdo programático e orientou a sua produção, e João Mateus, arquitecto paisagista escolhido por concurso para a sua realização. A concepção do Projecto de Recuperação e Valorização do Parque de Serralves foi acompanhada por um Conselho Consultivo constituído pelos arquitectos paisagistas Aurora Carapinha, Teresa Andresen, Gonçalo Ribeiro Telles e Ilídio de Araújo.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - II

QUINTA DO LORDELO E QUINTA DO MATA-SETE (ATÉ 1925)

Provavelmente desenhado por um dos viveiristas da cidade, e inspirado nos modelos victorianos de final de oitocentos, o jardim da Quinta do Lordelo apresentava um primeiro núcleo que se desenvolvia nas traseiras da casa com canteiros de formas orgânicas enriquecidos por espécies ornamentais, ao gosto da época. Este jardim culminava, a Sul, numa balaustrada que olhava de cima o lago de contornos orgânicos onde uma ilha central, à qual se ligava uma ponte, e um pequeno pavilhão denotavam o gosto pelo exótico, característico do período. Com uma área significativamente menor do que a presente, a propriedade seria a sucessivamente ampliada pelo Conde de Vizela com a aquisição de terrenos adjacentes, num processo de compras que se prolongaria até aos anos 40, atingindo os actuais 18 hectares.

A Quinta do Mata-Sete, também propriedade da família e herdada pelo irmão do Conde de Vizela, é integrada nesta ampliação por permuta com propriedades urbanas. Na altura da sua inclusão era já caracterizada por estruturas edificadas – pavilhão de caça, celeiro, lagar e casa dos caseiros – informadas por uma idealização da vida rural.

O JARDIM DA CASA DE SERRALVES (1925 A 1950)

Após uma visita, em 1925, à Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes, em Paris, Carlos Alberto Cabral decide intervir na quinta, no âmbito da reformulação da residência, convidando o arquitecto Jacques Gréber a desenhar um novo jardim. O projecto, cujos desenhos conhecidos datam de Agosto de 1932, é caracterizado por um classicismo modernizado, suavemente Déco, influenciado pelos jardins franceses dos séculos XVI e XVII, integrando e adaptando alguns elementos do jardim original, nomeadamente o lago, bem como estruturas agrícolas e de rega das propriedades entretanto em aquisição. Caracterizado por uma estrutura formal geometrizada de composição simétrica e rectilínea, inclui lugares de traçado organicista igualmente geometrizado.

Considerado em Portugal um dos primeiros exemplos da arte do jardim da primeira metade século XX, o jardim de Serralves projectado por Jacques Gréber terá sido o único construído nesse período por um privado, em Portugal, a partir de um projecto de arquitectura de paisagem. Os desenhos de Gréber em posse da Fundação de Serralves não incluem a totalidade da propriedade que hoje conhecemos, e que estava ainda em expansão. Com efeito, terminam a Sul no actual Passeio da Levada e a Poente no Roseiral, pelo que a autoria, ou autorias, dos traçados para além destes limites não pode ser afirmada com precisão. No entanto, e em particular no desenho de um tanque e espaços envolventes na extremidade Sul, pode ser reconhecido um traço idêntico ao do restante projecto de Gréber.

Desenvolvido a partir da Casa, o novo jardim ordena-se a partir de dois eixos perpendiculares entre si. O eixo principal estrutura-se sensivelmente de Norte a Sul na direcção do Rio Douro, ao longo de 500 metros, e é caracterizado por um Parterre d'eau em vários níveis, com planos de água comunicantes, flanqueados por relvados e maciços arbustivos, que parte do grande terraço fronteiro à residência e se estende para além do lago, concluindo-se a Sul já na Quinta do Mata-Sete. No outro eixo, uma álea de Liquidâmbares liga a residência à Marechal Gomes da Costa desembocando perpendicularmente a esta artéria através de uma inflexão no seu percurso. Paralelo a este, a Norte, o parterre lateral constitui-se como extensão da sala de estar da residência. Numa cota inferior, a Sul da álea, encontra-se o Jardim do Relógio de Sol e o Roseiral (originalmente projectado como Jardin Potager) que se abrem sobre o Court de Ténis com pavilhão de apoio. Este último, uma estrutura que faz a sua aparição nos jardins desta época, em resultado do entendimento do desporto como factor de bem-estar bem como de oportunidade social.

A Mata alberga o Lago da Quinta do Lordelo, adaptado e acrescido de um grotto que serve simultaneamente de embarcadouro, bem como estruturas agrícolas de armazenamento e condução de água para a rega. Na Quinta do Mata-Sete encontram-se campos agrícolas com folhas de cultivo e pastoreio, atravessadas pela parte Sul do eixo desenhado a partir da Casa, que culmina num tanque. Esta parte Sul do percurso, bem como o próprio tanque, encontrava-se ladeada de Ciprestes e sebes topiadas.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - I

Serralves é uma referência singular no património da paisagem em Portugal, sintetizando e simbolizando uma aprendizagem e um conhecimento das condições de transformação do território, no espaço e no tempo, num contexto cultural: Portugal e os séculos XIX e XX. O Parque de Serralves, aberto ao público em 1987, após trabalhos de preparação e de recuperação, foi objecto de um Projecto de Recuperação e Valorização, iniciado em 2001 e concluído em 2006, que constitui um contributo significativo para a educação e sensibilização da sociedade para a salvaguarda do património de paisagem, bem como para a necessidade de conciliar o espaço patrimonial com as manifestações e os processos culturais determinados pela sociedade contemporânea, sem hipotecar a sua integridade e permanência. Merecem especial referência os dois prémios já atribuídos ao Parque de Serralves: o prémio da inovação no domínio da educação ambiental da Associação Portuguesa de Museologia – APOM (1996) e o "Henry Ford Prize for the Preservation of the Environment" (1997).

HISTÓRIA

A origem do Parque de Serralves remonta a 1923 quando Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, herda a Quinta do Lordelo, propriedade de veraneio da família à Rua de Serralves (então nos arredores do Porto), e a sua história divide-se em momentos específicos: os traços do jardim de finais do século XIX da Quinta do Lordelo e a Quinta do Mata-Sete, o jardim de Jacques Gréber para a Casa de Serralves, e a paisagem do Museu de Arte Contemporânea.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/