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sábado, 11 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - III

PAISAGEM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (DESDE 1986)

O nascimento do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 1996 veio representar outro momento fundamental na história do Parque através de nova intervenção na paisagem. Esta aconteceu numa parcela lateral ocupada por uma horta e um laranjal e foi dirigida por João Gomes da Silva (com a colaboração de Erika Skabar), arquitecto paisagista convidado por Álvaro Siza Vieira. A história do lugar, a sustentabilidade do espaço e a topografia foram os aspectos estruturadores do projecto que tinha em conta não só a presença do novo edifício, como o seu programa e usos.

Uma nova paisagem foi então redefinida tendo em conta os espaços envolventes e a sua relação com o novo edifício. Criaram-se maciços vegetais nas orlas existentes (jardim de Gréber, a Mata e o muro da Quinta) delimitando-se a sua localização face aos jardins, a Mata e o exterior. Junto às orlas definem-se, então, três clareiras. Uma, a Norte, envolvida por três pequenos bosquetes de bétulas e azevinhos assinala a entrada do Museu. Outra, localizada entre o Roseiral e a Mata está salpicada de Teixos que, em contraluz ao fim do dia, contrastam com o museu exposto ao sol. Finalmente, no espaço onde o muro e a Mata se cruzam deparamos com a terceira clareira caracterizada pela presença de quatro maciços paralelos de Azinheiras, delimitada por uma longa sebe de Pilriteiro.

Esta paisagem é também caracterizada pelas espécies que a constituem. Ao contrário da flora exótica que Gréber introduziu, optou-se pelo trabalho sobre a vegetação autóctone do Norte de Portugal, incluindo espécies como a Bétula, o Azevinho, os Carvalhos, o Teixo, o Pilriteiro e as Urzes, procurando-se assim permitir ao público um outro conhecimento desta natureza. Serve também de suporte de exposições e obras de arte em regime temporário ou permanente e de percurso dirigido aos visitantes. Modelado pelas condições que o edifício do Museu coloca, trata-se de um espaço que é definido topologicamente como extremidade de uma bacia aberta, separada dos outros jardins. Fluindo em direcção à Mata através de um declive na encosta permite-nos entrever a silhueta do Museu cuja relação com a luz adquire especial importância pois ao longo do ano a sua imagem transfigura-se perante os contrastes e variações da luminosidade.

RECUPERAÇÃO

A alteração da função original – de espaço de habitar, privado e exclusivo, a espaço de produção e difusão de cultura, público e inclusivo –, associada ao estado de conservação que caracterizava os sistemas e os lugares que constroem a paisagem de Serralves, prescreveu a necessidade de implementar um Projecto de Recuperação.

Esta intervenção permitiu, de modo integrado e antecipativo, requalificar e valorizar esta paisagem, sendo um instrumento operativo para analisar e actuar no Parque de Serralves, de forma total, sistematizada e integrada, no espaço e no tempo, tempo este que ultrapassará significativamente o decurso das obras.

O Projecto de Recuperação para o Parque Serralves, cujos estudos se iniciaram em 2001, teve como filosofia geral de intervenção a Reabilitação. Esta consiste na adaptação dos espaços e/ou dos elementos estruturantes e de composição através de várias intervenções, as quais permitem solucionar os problemas que afectam o uso, a função e a aptidão actuais e futuras. A Reabilitação é um processo de intervenção através do qual a integridade do património é salvaguardada.

A área de intervenção definida pelo Projecto de Recuperação inclui o espaço do jardim projectado em 1932 por Jacques Gréber e outras áreas da propriedade da Fundação de Serralves, como sejam os limites Sul e Sudeste com características agrícolas, e a mata localizada a Oeste. Apenas o espaço envolvente do edifício do Museu de Arte Contemporânea, bem como a Colecção de Plantas Aromáticas, estão excluídos do Projecto de Recuperação. A empreitada de realização do projecto foi subdividida em 14 áreas de execução temporal e espacialmente faseada, tendo permitido manter o Parque de Serralves aberto ao público durante a obra, investindo o próprio processo de obra, acompanhado de um plano de comunicação in situ e in visu, de uma função pedagógica.

A autoria do Projecto é partilhada entre Claudia Taborda, à altura Directora do Parque, e que nessa qualidade definiu o seu conteúdo programático e orientou a sua produção, e João Mateus, arquitecto paisagista escolhido por concurso para a sua realização. A concepção do Projecto de Recuperação e Valorização do Parque de Serralves foi acompanhada por um Conselho Consultivo constituído pelos arquitectos paisagistas Aurora Carapinha, Teresa Andresen, Gonçalo Ribeiro Telles e Ilídio de Araújo.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - II

QUINTA DO LORDELO E QUINTA DO MATA-SETE (ATÉ 1925)

Provavelmente desenhado por um dos viveiristas da cidade, e inspirado nos modelos victorianos de final de oitocentos, o jardim da Quinta do Lordelo apresentava um primeiro núcleo que se desenvolvia nas traseiras da casa com canteiros de formas orgânicas enriquecidos por espécies ornamentais, ao gosto da época. Este jardim culminava, a Sul, numa balaustrada que olhava de cima o lago de contornos orgânicos onde uma ilha central, à qual se ligava uma ponte, e um pequeno pavilhão denotavam o gosto pelo exótico, característico do período. Com uma área significativamente menor do que a presente, a propriedade seria a sucessivamente ampliada pelo Conde de Vizela com a aquisição de terrenos adjacentes, num processo de compras que se prolongaria até aos anos 40, atingindo os actuais 18 hectares.

A Quinta do Mata-Sete, também propriedade da família e herdada pelo irmão do Conde de Vizela, é integrada nesta ampliação por permuta com propriedades urbanas. Na altura da sua inclusão era já caracterizada por estruturas edificadas – pavilhão de caça, celeiro, lagar e casa dos caseiros – informadas por uma idealização da vida rural.

O JARDIM DA CASA DE SERRALVES (1925 A 1950)

Após uma visita, em 1925, à Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes, em Paris, Carlos Alberto Cabral decide intervir na quinta, no âmbito da reformulação da residência, convidando o arquitecto Jacques Gréber a desenhar um novo jardim. O projecto, cujos desenhos conhecidos datam de Agosto de 1932, é caracterizado por um classicismo modernizado, suavemente Déco, influenciado pelos jardins franceses dos séculos XVI e XVII, integrando e adaptando alguns elementos do jardim original, nomeadamente o lago, bem como estruturas agrícolas e de rega das propriedades entretanto em aquisição. Caracterizado por uma estrutura formal geometrizada de composição simétrica e rectilínea, inclui lugares de traçado organicista igualmente geometrizado.

Considerado em Portugal um dos primeiros exemplos da arte do jardim da primeira metade século XX, o jardim de Serralves projectado por Jacques Gréber terá sido o único construído nesse período por um privado, em Portugal, a partir de um projecto de arquitectura de paisagem. Os desenhos de Gréber em posse da Fundação de Serralves não incluem a totalidade da propriedade que hoje conhecemos, e que estava ainda em expansão. Com efeito, terminam a Sul no actual Passeio da Levada e a Poente no Roseiral, pelo que a autoria, ou autorias, dos traçados para além destes limites não pode ser afirmada com precisão. No entanto, e em particular no desenho de um tanque e espaços envolventes na extremidade Sul, pode ser reconhecido um traço idêntico ao do restante projecto de Gréber.

Desenvolvido a partir da Casa, o novo jardim ordena-se a partir de dois eixos perpendiculares entre si. O eixo principal estrutura-se sensivelmente de Norte a Sul na direcção do Rio Douro, ao longo de 500 metros, e é caracterizado por um Parterre d'eau em vários níveis, com planos de água comunicantes, flanqueados por relvados e maciços arbustivos, que parte do grande terraço fronteiro à residência e se estende para além do lago, concluindo-se a Sul já na Quinta do Mata-Sete. No outro eixo, uma álea de Liquidâmbares liga a residência à Marechal Gomes da Costa desembocando perpendicularmente a esta artéria através de uma inflexão no seu percurso. Paralelo a este, a Norte, o parterre lateral constitui-se como extensão da sala de estar da residência. Numa cota inferior, a Sul da álea, encontra-se o Jardim do Relógio de Sol e o Roseiral (originalmente projectado como Jardin Potager) que se abrem sobre o Court de Ténis com pavilhão de apoio. Este último, uma estrutura que faz a sua aparição nos jardins desta época, em resultado do entendimento do desporto como factor de bem-estar bem como de oportunidade social.

A Mata alberga o Lago da Quinta do Lordelo, adaptado e acrescido de um grotto que serve simultaneamente de embarcadouro, bem como estruturas agrícolas de armazenamento e condução de água para a rega. Na Quinta do Mata-Sete encontram-se campos agrícolas com folhas de cultivo e pastoreio, atravessadas pela parte Sul do eixo desenhado a partir da Casa, que culmina num tanque. Esta parte Sul do percurso, bem como o próprio tanque, encontrava-se ladeada de Ciprestes e sebes topiadas.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O exemplo do PARQUE DE SERRALVES - I

Serralves é uma referência singular no património da paisagem em Portugal, sintetizando e simbolizando uma aprendizagem e um conhecimento das condições de transformação do território, no espaço e no tempo, num contexto cultural: Portugal e os séculos XIX e XX. O Parque de Serralves, aberto ao público em 1987, após trabalhos de preparação e de recuperação, foi objecto de um Projecto de Recuperação e Valorização, iniciado em 2001 e concluído em 2006, que constitui um contributo significativo para a educação e sensibilização da sociedade para a salvaguarda do património de paisagem, bem como para a necessidade de conciliar o espaço patrimonial com as manifestações e os processos culturais determinados pela sociedade contemporânea, sem hipotecar a sua integridade e permanência. Merecem especial referência os dois prémios já atribuídos ao Parque de Serralves: o prémio da inovação no domínio da educação ambiental da Associação Portuguesa de Museologia – APOM (1996) e o "Henry Ford Prize for the Preservation of the Environment" (1997).

HISTÓRIA

A origem do Parque de Serralves remonta a 1923 quando Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, herda a Quinta do Lordelo, propriedade de veraneio da família à Rua de Serralves (então nos arredores do Porto), e a sua história divide-se em momentos específicos: os traços do jardim de finais do século XIX da Quinta do Lordelo e a Quinta do Mata-Sete, o jardim de Jacques Gréber para a Casa de Serralves, e a paisagem do Museu de Arte Contemporânea.

Nota: texto retirado de http://www.serralves.pt/

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Serviço de Arboricultura de Serralves: visita de inspecção ao Jardim Botânico

Preocupada com o abandono e a falta de conservação do património arbóreo do Jardim Botânico, a LAJB solicitou no passado dia 21 de Outubro a visita de especialistas do Serviço de Arboricultura da Fundação de Serralves.

No dia 5 de Novembro, o arboricultor Jorge Rocha realizou a primeira inspecção ao Jardim Botânico. O diagnóstico das árvores da Classe e do Arboreto decorreu entre as 11:00 e as 15:30.

Esta iniciativa da LAJB tem como objectivo orçamentar trabalhos de gestão e conservação do património arbóreo. No âmbito de um plano de melhoramentos das colecções vivas, a LAJB pretende patrocinar a valorização e manutenção das árvores do Jardim Botânico. Actualmente existem alguns espécimes arbóreos que precisam de tratamento urgente. As intervenções irão abranger: limpeza de ramos mortos; tratamento de cortes, feridas e cavidades; escoramento; tratamentos fitossanitários; abate e desmonte (árvores mortas ou em debilidade crítica).

A Fundação de Serralves foi pioneira em Portugal na gestão, preservação, conservação e manutenção de espécimes arbóreos. O seu Serviço de Arboricultura tem como principais objectivos:

-Divulgar e implementar formas optimizadas de gestão e conservação do património arbóreo, respeitando o valor estético e funcional;

-Garantir a conservação, manutenção e sanidade dos espécimes arbóreos, isolados ou em conjunto;

-Aumentar a esperança de vida dos espécimes e, simultaneamente, a qualidade dos jardins e outros espaços arborizados, promovendo o seu reconhecimento enquanto valor patrimonial.

FOTO: Jorge Rocha, arboricultor da Fundação de Serralves, na companhia de membros da LAJB.