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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Promover o uso dos transportes públicos"

4 perguntas a...

Pedro Gomes, investigador do Departamento do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Quais as zonas com mais altos níveis de poluição do ar?
A situação mais grave é na área de Lisboa, logo seguida do Porto, porque são as zonas mais populosas e que têm mais tráfego automóvel. Depois surgem Braga e Coimbra, mas nada que se compare com Lisboa ePorto.

Que medidas se deve tomar para reduzir esses níveis?
Deve-se tomar todas as medidas para promover o uso do transporte colectivo em detrimento do individual. Por exemplo, nos principais acessos a Lisboa e Porto, uma das vias de rodagem deve ficar reservada para transportes colectivos, veículos eléctricos e viaturas com dois ou mais ocupantes, levando as pessoas a usar o transporte público ou apartilhar o carro próprio com outros. Desta forma, reduz-se o número de veículos em circulação. Também se deve criar mais faixas bus para dar prioridade aos transportes públicos e melhorar a sua atractividade.

E nas áreas mais sensíveis?
Nas zonas mais críticas, deve-se interditar o acesso a veículos que ultrapassem os limites de emissões poluentes, que normalmente são os mais antigos.

Que medidas de longo prazo?
É preciso aproximar as pessoas dos seus locais de trabalho e dar-lhes transportes públicos para não terem de usar o transporte individual. As novas urbanizações devem ser construídas perto de uma rede de transporte pesado, como o comboio.

in DN 13-8-2010

Foto: Eléctrico de nova geração no centro de Munique, considerada uma das cidades do mundo com melhor rede de Transportes Públicos. A LAJB, para além de defender mais e melhores Transportes Colectivos como única forma eficaz de reduzir o peso actual do Transporte Particular, tem vindo a lutar pela reposição do Eléctrico 24.

domingo, 8 de agosto de 2010

«Anthony Lanier - Um novo conceito urbano para Lisboa»

Com o Príncipe Real Urban Project, o empresário americano Anthony Lanier aposta não apenas na requalificação de edifícios históricos mas principalmente numa forma contemporânea de viver a cidade, onde o luxo, a cultura e a tradição conviverão lado a lado.

Nascido no Brasil, educado na Áustria, casado com uma portuguesa e residente nos EUA, o empresário Anthony Lanier, presidente da Eastbanc, tem uma visão muito peculiar do que é um empreendimento imobiliário em qualquer lugar do mundo. "A minha ideia é criar um brand, trazer valor para os empreendimentos. E é o ambiente que dá valor. Para o Príncipe Real quero trazer a ideia da cidade vivida de volta, a ideia de aldeia, de lugar de encontro numa sociedade global", diz Lanier, que desde 2007 tem em mãos um projecto revolucionário para esta área de Lisboa - o Príncipe Real Urban Project.

Considerado um visionário nos EUA e não só, Lanier ganhou uma reputação de distinção na sua carreira de empresário imobiliário ao recuperar Georgetown, em Washington (uma área da cidade que estava completamente degradada), transformando-a numa das zonas mais trendy da capital norte-americana. "Eu tento aproveitar o que está no local e fazer melhor. Os edifícios antigos são a verdadeira alma de uma cidade", comenta ele, que já recebeu a alcunha de "alquimista urbano".

A ideia central do Príncipe Real Urban Project envolve um mix de detalhes contemporâneos e estruturas históricas, com a recuperação e revalorização de 20 edifícios históricos e respectivos jardins, especialmente o Palacete Ribeiro da Cunha, o encantador edifício oitocentista em estilo neo-árabe defronte à Praça do Príncipe Real, que será o centro de todo o projecto."Inicio sempre um projecto com uma ideia grande, daí ter adquirido os 20 edifícios mais emblemáticos do bairro.

A minha abordagem na renovação urbana, seja em qual cidade for, é sempre de continuidade, é um processo que não tem fim. É esta a nossa especialidade e disto que gostamos", revela Lanier, dizendo que os lucros virão a seu tempo, não no curto prazo.

Com 50 milhões de euros já investidos na compra dos imóveis, Anthony Lanier prevê um investimento total de cem milhões de euros e espera arrancar com os trabalhos já em 2011, altura em que terá todas as licenças necessárias. "O vereador do urbanismo da CML, e também arquitecto, Manuel Salgado, entendeu o projecto desde o início e apoiou a ideia. Como as ideias são grandes, os processos são complicados, especialmente por causa da nossa peculiaridade de trabalhar em continuidade, num work in progress", disse ainda Lanier, mencionando que os arquitectos Eduardo Souto de Moura, Frederico Valsassina e Falcão de Campos também adoptaram esta nova visão de reurbanização.

"Queremos trazer as pessoas de volta para a cidade, oferecendo não só imóveis de alto nível mas também serviços variados e uma vivência urbana nova, onde a tradição convive lado a lado com a contemporaneidade", acrescenta ainda o empresário, que já está a apoiar a divulgação do bairro, com os eventos Príncipe Real Live, e a criar um cluster de artistas jovens das mais variadas áreas, que já se sediaram no bairro graças à estratégia de arrendamento temporário por ele criada. (in Diário de Notícias)

Foto: Palacete Ribeiro da Cunha - os seus jardins serão preservados ou impermeabilizados?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Investigadores traçam retrato da poluição na cidade

Corredor central da cidade, entre o Lumiar e o castelo, é o que tem pior qualidade de ar. Limites impostos pelas normas europeias são ultrapassados todos os anos. Só 2002 foi excepção.

Os picos de poluição em Lisboa fazem disparar o número de crianças com problemas respiratórios e também aumentar o risco de mortalidade, sobretudo na população idosa. É no eixo central da cidade, que corre do Lumiar para o castelo, que se incluem as zonas mais poluídas e o tráfego automóvel demonstrou ser o factor mais importante para a concentração excessiva de partículas no ar que os lisboetas respiram.

Estas são as principais conclusões de vários estudos coordenados por Francisco Ferreira, professor e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Os dados mostram, pela primeira vez, que, na sequência de picos de poluição (três a cinco dias depois), a afluência às urgências pediátricas do Hospital D. Estefânia por infecções respiratórias tem um aumento significativo. Isto, apesar de, habitualmente, estas doenças já representarem um terço dos atendimentos na unidade, sobretudo por infecções agudas, asma e pneumonia.

Na sequência deste primeiro estudo, que foi financiado pela Fundação Gulbenkian, a equipa tentou perceber, entre outras coisas, se o acréscimo de poluição também se reflectia na mortalidade na população. Uma questão analisada no projecto Riskar-Lx, também financiado pela Gulbenkian, e de novo coordenado por Francisco Ferreira.

Uma parte do projecto já está terminada. E a conclusão é taxativa: há uma correlação entre a poluição e a mortalidade, explicou ao DN a especialista Rita Nicolau, do Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, que coordenou esta fase do projecto.

A equipa avaliou todas as faixas etárias e concluiu que há uma subida do risco de morte em 0,66% com um ligeiro aumento da poluição, que se situa em dez microgramas por metro cúbico (um micrograma é a milésima parte do miligrama). Mas para a população idosa, com mais de 75 anos, "esse risco é aumentado, sobretudo para as pessoas que sofrem de doenças respiratórias e do aparelho circulatório", explica.

Os estudos para medir a poluição estão a ser realizados por esta equipa desde 2000 e pela primeira vez caracterizaram as concentrações de partículas poluentes na capital e demonstraram directamente os efeitos negativos na saúde da sua população. Esta relação estava estabelecida em estudos internacionais, mas não se conhecia a dimensão do problema na capital portuguesa.

"Lisboa tem em algumas zonas concentrações de partículas no ar muito acima dos valores-limite estabelecidos pela UE, com base nas recomendações da Organização Mundial de Saúde, e por isso decidimos fazer um estudo que caracterizasse essa poluição", conta Francisco Ferreira.

Entre 2003 e 2006, a equipa recolheu dados da qualidade do ar em diversos pontos da cidade, tendo utilizado também os de três estações de monitorização instaladas em Entre-Campos, Av. da Liberdade e Olivais. Foram medidas as concentrações de partículas inaláveis designadas por PM10 (partículas em suspensão na atmosfera com dimensão inferior a dez mícrones, a unidade que corres- ponde à milésima parte do milímetro) e PM25. E, com base nesses dados, os investigadores traçaram um retrato da poluição na cidade, que mostra que as zonas mais afectadas se situam ao longo de um eixo entre o Lumiar e o castelo, num corredor central da cidade no sentido Norte-Sul.

De acordo com a directiva europeia para a qualidade do ar, a concentração de partículas PM10, por exemplo, não pode ser superior a 50 microgramas por metro cúbico em mais de 35 dias ao longo do ano. Mas, à excepção de 2002, Lisboa tem excedido todos os anos esse limite.

As conclusões destes estudos são mais do que suficientes para melhorar o ar da cidade, sublinha Francisco Ferreira. Já há planos que incluem a redução de tráfego dentro de Lisboa. Mas a sua execução depende da assinatura de um despacho conjunto dos ministérios do Ambiente, Obras Públicas e Economia, o que deverá acontecer "dentro do próximo mês", diz o Ministério do Ambiente. In DN

FOTO: Entrecampos,1965, por Horácio Novais. Arquivo Municipal de Lisboa

quarta-feira, 18 de março de 2009

Protocolo de Quioto: «Portugal ultrapassa em 8% limite de poluição»

Protocolo de Quioto: País tem a meta mais branda, mas não a deverá cumprir
País terá de pagar o excesso de emissão de poluentes em 2012

Em 2007, Portugal ultrapassou em 8% o limite estabelecido pelo protocolo de Quioto, relativamente à emissão de gases de efeito de estufa, apesar de ser o "país desenvolvido que teve a meta mais branda", diz ao DN Francisco Ferreira, vice-presidente da Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza. Para 2008-2012, Portugal conseguiu negociar um aumento de 27% da emissão de gases em relação a 1990 , mas as metas deverão ser ultrapassadas. Por isso, o País está a preparar-se para desembolsar vários milhões em mecanismos que compensem o excesso de poluição e que estão previstos no próprio protocolo.

De acordo com os dados disponibilizados pela União Europeia, e analisados pela Quercus, as emissões de gases em Portugal estavam 35% acima do ano base de 1990, quando tinha sido imposto a Portugal um acréscimo máximo de 27%. Este facto coloca Portugal entre os maiores incumpridores, de que são exemplos a Irlanda e a Espanha. Francisco Ferreira justifica este desvio com o facto de Portugal estar muito pouco desenvolvido em 1990 sendo, por isso, expectável um grande aumento. Por outro lado, "ultrapassámos a barreira dos 27% à custa de políticas erradas, como as tomadas no sector dos transportes", frisa.

Os dados agora conhecidos mostram que as emissões de gases ascenderam a 80,2 milhões de toneladas, ou seja, oito toneladas por pessoa e por ano. Para a Quercus , estes dados mostram que Portugal está a ter dificuldades em respeitar as metas de Quioto, apesar da redução de 5% em relação a 2006, ano em que a poluição já ia em 40%.

Se entre 2008 e 2012 a média de emissões ultrapassar a meta, Portugal terá de "adquirir emissões a outros países ou investir em mecanismos de desenvolvimento limpo", ajudando países subdesenvolvidos a reduzir a sua poluição. A grande mais-valia do País tem sido a aposta nas energias renováveis. Em 2008, estas já representavam 38,1% do total, refere a Quercus, citando os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia. Isto significa que a produção de energia eólica subiu 42% de um ano para o outro, compensando a redução de 30% da produção hídrica, justificada com o facto de 2008 ter sido um ano seco.

Com piores resultados está a área do transporte rodoviário, porque se aposta demasiado na construção de mais vias, incentivando o uso do carro em vez de meios mais amigos do ambiente. "É contraditório que apostemos nas energias renováveis para depois construir pontes e auto-estradas", conclui o mesmo responsável. in Diário de Notícias, 17 de Março de 2009

FOTO: a construção da nova ponte sobre o Tejo irá incentivar o uso do transporte particular