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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um projecto de Hortas Urbanas para o antigo Hospital Miguel Bombarda?
















Para quem estiver interessado em hortas urbanas (100% biológicas) na cidade de Lisboa, informamos que está agendada uma reunião para amanhã, Quarta-feira, dia 17 de Setembro, às 18.30 h, nas instalações do CIDAC com o objetivo de formular uma proposta concreta para a criação de uma horta urbana em terreno devoluto existente no complexo do antigo Hospital Miguel Bombarda, que serviu de horta até praticamente ao fecho do hospital.  

A reunião terá lugar nas instalações do CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, Rua Tomás Ribeiro, nº 3 a 9, 1em Lisboa (junto à saída Norte do Metro/Picoas).  

Para mais informações ligar: 93 3207951.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Arq. Gonçalo Ribeiro Telles na MONOCLE

«Speculative urbanization was the worst thing that happened. Urban farming makes it easier to undestand what's importante.»
 
As sempre sábias palavras do nosso associado Arq. Gonçalo Ribeiro Telles em entrevista para a revista Monocle de Agosto 2013.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

VERTIGO FARMING: o exemplo de NY

Vertigo Farming: Eco-savvy food lovers demand locally grown edibles to ensure freshness and reduce the carbon footprint of their food. Eating sustainably whilst living in a densely packed metropolis isn't easy, but Brooklyn Grange Rooftop Farm is making it possible for New York City dwellers. Its farm - over 40,000 square feet of rooftop agricultural land - grows tomatoes, herbs, greens and other vegetables according to organic, planet-friendly principles and sells them to local people and businesses. An urban green space, the Rooftop Farm also enhances the environment, improving air quality, cutting the heat island effect and providing a habitat for bees, butterflies and other insects.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hortas Urbanas: «Hortas mais caras e com menos área na Quinta da Granja»

«Câmara de Lisboa espera concluir intervenção nos terrenos em Outubro. Gabinete do vereador José Sá Fernandes prepara proposta para baixar preços da renda definidos na nova tabela municipal

Nas mãos calejadas, João dos Santos leva os pimentos - viçosos, verdes e vermelhos - acabados de colher. Às 11 da manhã já este agricultor de 73 anos cumpriu duas horas de trabalho, debaixo de sol, na horta da Quinta da Granja de Baixo, em Benfica, Lisboa. Num terreno com cerca de 80 metros quadrados cultiva uma lista imensa de hortaliças e tem árvores de fruto carregadas. Está ali há quase 40 anos e até hoje nunca pagou nada por isso. A partir de Outubro, porém, o septuagenário e os vizinhos vão ter de pagar uma renda anual por cada parcela de terra, cujo valor ainda não está definido. Na horta já se ouvem as críticas e teme-se pelo futuro. A Câmara de Lisboa está desde Maio a remodelar as hortas da Quinta da Granja de Baixo e a refazer a divisão das parcelas. No final serão 38, cada uma com 175 metros quadrados e com acesso a pontos de água. Quem já ocupa os terrenos tem lugar garantido e a autarquia pretende abrir concursos para quem quiser cultivar os espaços livres. Mas o que mais preocupa os agricultores são os preços que poderão ter de pagar pelos terrenos, cuja ocupação era até agora gratuita. Em princípio, os hortelões estarão sujeitos à nova Tabela de Preços e Outras Receitas Municipais, em vigor desde Julho, que estabelece o pagamento de 1,50 euros por metro quadrado em terrenos com menos de 200 metros quadrados. Se assim for, João dos Santos terá de desembolsar uma renda anual de mais de 100 euros. Mas no gabinete do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, está "em estudo" a possibilidade de alterar os preços. Segundo a adjunta do vereador, Rita Folgosa, aquelas hortas vão ser classificadas como sociais, ou seja, reservadas a pessoas carenciadas que se dedicam ao cultivo para subsistência, o que justifica a aplicação de preços mais baixos. No entanto, a proposta tem antes de ser aprovada em reunião de câmara. Ao "senhor João" - é assim que é cumprimentado pelos vizinhos - uma técnica municipal disse já que a renda ia ser de 50 euros por ano, mas não deu certezas. "Acho muito caro, são dez contos. Ainda por cima, se não fôssemos nós, os terrenos estavam ao abandono", critica.

Um abrigo para quatro

Uma grande parte das pessoas que cultivam a Quinta da Granja de Baixo está reformada, em situação de pré-reforma ou desempregada. "Ao todo somos uns 12 e pelo menos seis trabalharam na polícia", conta João dos Santos, que é também reformado da polícia municipal. É natural de Almeida, do distrito da Guarda. Foi daí que transportou o "bichinho" da horta para Lisboa, onde se casou. Como nas aldeias, na quinta quase todos se conhecem. João dos Santos sabe de cor o nome dos vizinhos, sobretudo dos que estão ali desde o 25 de Abril de 1974, a convite do antigo proprietário da quinta, da família Canas da Silva, que mantém a Quinta da Granja de Cima. "O antigo dono é que pediu para ocuparmos isto, para não se encher de barracas", afirma. Em vez de barracas, o terreno com mais de um hectare foi-se enchendo de couves, batatas, abóboras, cebolas, tomates, feijões, ervas aromáticas e girassóis altos que se destacam no meio do verde. Aqui e ali, erguem-se pequenos barracões onde os hortelões guardam ferramentas e algumas colheitas. Há até uma casa de banho improvisada. O barracão que João dos Santos construiu é que já não existe. "Deitaram tudo abaixo, até as minhas figueiras, para fazer um jardim", lamenta. Mas as cedências que teve de fazer à câmara por causa das obras não ficam por aqui. Há cerca de dois meses, as retroescavadoras avançaram sobre um bocado sua parcela. "Tive de arrancar as batatas todas para poderem passar", recorda com mágoa. As máquinas abriram caminhos, remexeram nas terras da colina que fica por detrás e substituíram o muro, que tinha sido arranjado no ano passado, por uma parede de pedras envoltas em arame. A autarquia pretende construir pequenos abrigos de madeira, destinando um para cada quatro agricultores. No caminho junto à parede de pedras já foi instalado um abrigo, que não tem mais do que seis metros quadrados. "Estamos todos contra, porque não chega para quatro pessoas. Eu tenho muitas batatas e abóboras. E agora, levo tudo para casa?", questiona João dos Santos. "Isto é para quatro?", diz João Conceição, outro agricultor, de 58 anos, reformado da polícia. Aponta para o abrigo e ri-se, com ironia. João Conceição não estava em Lisboa quando a câmara municipal começou as obras. "Quando cá cheguei, o senhor João é que me disse que eles já tinham andado aí e que deitaram tudo abaixo. Disseram que vinham depois falar comigo, mas ainda não vi ninguém", reclama. O terreno que João Conceição cultivava há mais de 15 anos está lavrado, as hortaliças desapareceram e ninguém o avisou. Espera agora pela reunião marcada para Setembro, entre os hortelões e os responsáveis da câmara, para saber o seu futuro. Enérgico, João Conceição gesticula e continua com as críticas. "Então e se vem para aqui uma pessoa de que a gente não gosta, como é que se faz? Olhe que às vezes há aqui desavenças", avisa, dando como exemplo algumas lutas pela água do poço e da mina que abastece os terrenos. "Isto tem água que chegue, mas no Verão alguns abusam." Na semana passada, seis mangueiras ligavam os terrenos à mina, que estava praticamente sem água. "Antes, só cá estavam três mangueiras", nota.

Ao lado do Colombo

As ferramentas de João Conceição ainda estão guardadas na casa de tijolo construída ao pé do poço. "Fui eu que lhe pus o telhado, quando para cá vim", sublinha. Não quer largar a quinta por nada e nem se importa de pagar. Até prefere que a câmara ponha ordem na ocupação. Mas vaticina: "Quando for para pagar, alguns vão sair, isso é certinho." Joaquim Nabais, de 61 anos, é outro dos agricultores resistentes. Cultivava há dez anos uma parcela da quinta que teve de abandonar em Maio, a mando da câmara. "Enviaram-me uma carta para casa a dizer que tinha de sair." Acatou a ordem e foi-se instalar num bocado de terra "emprestado pelo senhor Carvalho". É carpinteiro, mas está desempregado e as hortaliças que cultiva fazem a diferença na factura mensal da alimentação. "Quando estiver tudo pronto, volto para o meu lugar", afirma. Por agora, ainda andam por lá as máquinas a remexer a terra. Além de requalificar as hortas, a autarquia está a acabar o parque urbano da Quinta da Granja, que fica paredes-meias. Tem já um quiosque com esplanada, é atravessado por uma ciclovia e por um passeio pedonal, pontuado por bancos de madeira. Quem aproveita o dia de Verão para passear no parque com vista para as hortaliças até esquece que do outro lado das pequenas colinas que ladeiam o jardim está o centro comercial Colombo. Na terra de João dos Santos, ninguém acredita. "Como é que tens uma horta no meio da cidade?", perguntam-lhe. "Lisboa não é só betão", responde.» In Público (29/8/2011)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

«Ribeiro Telles indignado com proposta que abre caminho à construção em logradouros»

«Proposta socialista de revisão do PDM de Lisboa contraria acordo pré-eleitoral do PS com José Sá Fernandes, selado há um ano para as últimas autárquicas

O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles mostrou-se ontem indignado com a medida do PS para autorizar a construção em logradouros, proposta na revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa. "É uma anedota em termos de planeamento", reagiu Ribeiro Telles na entrevista a publicar na edição do PÚBLICO do próximo domingo. A proposta socialista foi detalhada na última reunião de câmara, anteontem, e a questão dos logradouros foi um dos alvos de toda a oposição representada no executivo liderado por António Costa - e até o vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, se mostrou preocupado.

Lançar uma campanha de recuperação dos logradouros - via associações de proprietários, com incentivos financeiros de apoio técnico dado pelo município -, foi precisamente uma das condições do acordo pré-eleitoral de Sá Fernandes com os socialistas que governam Lisboa, e cujas listas acabou por integrar, na qualidade de independente. Além disso, Ribeiro Telles é a principal figura da associação de apoiantes de Sá Fernandes, a Lisboa é Muita Gente. Recentemente homenageado com a Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, o arquitecto paisagista não assistiu à discussão camarária sobre a revisão do PDM, mas disse, depois de informado sobre a proposta, tratar-se de uma "medida gratuita, a favor da especulação urbana".

"Segundo percebi - prossegue, referindo-se ao documento a que depois teve acesso e ao que lhe foi transmitido -, logradouros são as tapadas, são os quintais, são as cercas conventuais e são as quintas de recreio - aquelas todas do Paço do Lumiar que são do século XVI e XVII. Se isso tudo é logradouro, evidentemente que é um desastre para a cidade de Lisboa. Quer cultural quer ambiental." Criticou ainda a imprecisão de vários conceitos usados na proposta de revisão, como o de superfície verde: "Ervas sobre betão são superfícies verdes." " [Isso] não é de uma cidade do século XXI e do sistema natural de uma cidade do século XXI", acrescentou. "É encapotar para as pessoas não perceberem bem o que é. Uma árvore vai buscar água às camadas inferiores e as raízes são a forma que tem de se sustentar. Acho bem que, depois de todas as árvores caírem em cima de automóveis e de pessoas, a câmara seja responsabilizada."

Às dúvidas colocadas em relação à proposta de autorizar mais construção nos logradouros - algo que actualmente se faz com muitas restrições (no máximo, 20 por cento da área total) -, respondeu na reunião o vereador Manuel Salgado, vice-presidente do executivo, responsável pelo Urbanismo e coordenador da revisão do PDM. Invocou a necessidade de criar mais estacionamento em Lisboa - nomeadamente nos logradouros -, sob pena de os promotores imobiliários desistirem de reabilitar os prédios antigos. E referiu também o facto de parte dos logradouros já estar ocupada com construção clandestina, que viola a regra dos 20 por cento da área total, actualmente em vigor.

O programa eleitoral do presidente, António Costa, não menciona os logradouros. Diz, no entanto, que Lisboa necessita de aumentar a quantidade de solo permeável e o coberto vegetal. Nesse sentido, promete, entre outras coisas, "promover um programa de fomento de agricultura urbana".

Ribeiro Telles destaca as mesmas necessidades. "Lisboa precisa de locais permeáveis. Diminuir essa área na cidade - potencialmente, uma estrutura verde consistente - é mau em qualquer logradouro", afirma o homem que coordenou o Plano Verde para Lisboa, que está, aliás, em exposição no antigo Mercado de Santa Clara.» in Público, 8 de Outubro de 2010

Nota: Também nós na LAJB estamos indignados!

Foto: Rua Nova de S. Mamede. Atrás destes prédios de habitação existem logradouros arborizados que confinam directamnete com o Jardim Botânico. O que o novo PDM propõe é um crime urbanístico e uma chocante cedência aos maus hábitos de mobilidade instalados em Lisboa. A CML não deve planear a cidade em função do que os promotores - e especuladores - imobiliários desejam mas sim defender o bem comum, salvaguardar um ambiente melhor para as futuras gerações!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

«Projecto pedagógico em Lisboa - Quinta do Zé Pinto produz 1370 kg de cereais»

A ceifa do campo de cereais da Quinta do Zé Pinto, em Lisboa, obteve uma produção de mais de uma tonelada de cereais. Em cerca de 2 hectares de terreno, foram ceifados perto de 1370 kg de trigo mole, trigo duro, centeio e triticale. Desta produção, 365 kg são de trigo mole, que mais tarde será transformado em farinha e que dará origem a pão.

Estas culturas foram conseguidas sem gastar água e com custos muito reduzidos, uma vez que os cereais foram “semeados no pó”. "Semear no Pó", significa deitar as sementes à terra e não regar, aguardando pelas primeiras chuvas para que a semente germine.

A ceifa do campo de cereais foi realizada esta quarta-feira, dia 28 de Julho, com a participação de mais de 100 crianças de várias escolas de Lisboa e com a presença do Vereador José Sá Fernandes, numa organização conjunta entre a CML e ANPOC, com o apoio da Etnoideia, empresa que se dedica ao restauro e recriação de elementos tradicionais do mundo rural, nomeadamente a reconstrução de moinhos antigos.

Desde o início deste projecto pedagógico, em Abril de 2009, mais de 3000 crianças, dos 3 aos 11 anos de idade, tiveram oportunidade de conhecer o processo produtivo de várias culturas (girassol, trigo mole, trigo duro, centeio, cevada, tremocilha e triticale), ver de perto máquinas agrícolas pouco habituais em Lisboa e participar em actividades lúdicas.

O projecto pedagógico da Quinta do Zé Pinto, único em Portugal, resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais, Oleaginosas e Proteaginosas. in http://www.cm-lisboa.pt/

domingo, 26 de julho de 2009

Alfaces numa antiga caixa-forte de banco!

GARDEN CITY - TOKYO

Once the domain of rural backwaters, farming in Japan is undergoing an urban makeover. From sweet potatoes on skyscraper rooftops to rice fields in office basements, a growing number of urban farms are taking root in Tokyo.

Businesses are transforming empty spaces into green havens in a bid to reduce global warming while revitalising an ailing farming industry. Long working hours, the recession and food safety concerns following a string of scandals further boost the appeal of urban farming.

Meanwhile, Tokyo governor Shintaro Ishihara is encouraging companies across the capital to introduce plant and vegetable gardens on top of skyscrapers in a effort to reduce overheating in the capital city. In the financial district, Otemachi, six urban farmers toil among potatoes and pumpkins in a futuristic basement space operated by the human resources company Pasona (pictured). this urban farm - which used to be the vault of a major bank - is maintained using computer-controled artificial light and temperature management.

«Our mission is 'to solve society's problems'," says a spokeswoman. «The farming population is declining in Japan. Our goal is to create job opportunities in the agriculture section." The company's workers eat the produce.

in MONOCLE, Fevereiro 2009

FOTO: Alfaces a crescer numa antiga caixa-forte de banco em Tóquio!

domingo, 7 de junho de 2009

Lisboa vai ter mais e melhores hortas urbanas até 2011

Vereador garante ser a primeira vez que a câmara aposta mesmo nos quintais e que está disposta a criar um local de venda para os hortelões

A Câmara Municipal de Lisboa diz que vai avançar, "nos próximos meses", com uma intervenção nos cerca de 15 hectares de hortas do vale de Chelas, com o objectivo de assegurar o fornecimento de água e reordenar o espaço através da criação de caminhos pedonais de acesso. Mas o plano da autarquia é mais ambicioso e inclui, num prazo de dois anos, a criação de hortas em Campolide e Telheiras, e que tentará melhorar os espaços já existentes na Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz.

A Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas promoveu recentemente um encontro nas hortas da zona de Chelas, onde os visitantes se depararam, "num vale cortado por dois edifícios escandalosos - um hipermercado e uma escola - que cortam a circulação de água" pelos terrenos, com "um interessante mosaico de culturas, conjugando uma produção de espécies hortícolas com algumas plantas ornamentais".

A descrição foi feita pela presidente daquela associação, Margarida Cancela d'Abreu, dizendo ao PÚBLICO que aquelas hortas são mantidas por residentes dos prédios vizinhos, "na maioria reformados", que cultivam produtos agrícolas para autoconsumo, mas também como forma de "entretém". Um dos principais problemas sentidos é o do acesso à água, recorrendo os hortelões ao expediente de a armazenar em "depósitos extraordinários" como "arcas frigoríficas e barricas", tidos como a única forma de aproveitar a água da chuva, como constatou no local Margarida Cancela d'Abreu. A Câmara Municipal de Lisboa conhece esta realidade e, segundo o vereador do Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde, vai resolver o problema "nos próximos meses", criando além disso caminhos pedonais. No futuro, a ideia de José Sá Fernandes é que as hortas de Chelas venham a acolher, numa ponte a unir os dois lados do vale, um mercado onde quem cultiva a terra possa vender a sua produção.

Prática comum
Esta é, aliás, uma prática comum em vários locais do globo (como Chicago ou Londres), mas pouco vista num país que, lamenta o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, "ignora pura e simplesmente as hortas" e a sua importância para as comunidades. A colega de profissão Margarida Cancela d'Abreu conta que uma das excepções ocorre em Évora, onde aos sábados e domingos há bancadas de madeira à porta do mercado para os "quintaneiros" que cultivam hortas à volta da cidade e que ali comercializam os seus produtos, por sinal muito procurados.

Os projectos da Câmara de Lisboa, que o vereador Sá Fernandes acredita que poderão estar concluídos nos próximos dois anos, incluem também a criação de um parque urbano que integrará as hortas já existentes na Quinta da Granja de Baixo, em Benfica. Em Campolide, a ideia é criar hortas que serão atribuídas por concurso a moradores da zona, surgindo também áreas para produção hortícola em Telheiras, num terreno ainda a negociar com a EPUL.

Escola de Lisboa tem terreno cultivado por centenas de mãos

Na Escola 34, na Alta de Lisboa, ao Lumiar, onde estudam 330 crianças com idades entre os três e os 14 anos, houve em tempos um matagal que deu lugar a uma horta, que rapidamente se transformou na menina-dos-olhos dos professores, auxiliares e alunos. Num terreno lavrado e cultivado por muitas mãos, na Alta de Lisboa, crescem couves, favas, feijões, ervilhas, batatas, cebolas, cenouras, pepinos, pimentos e outras espécies hortícolas.

No ano lectivo passado, as abóboras transformaram-se num doce que foi comido com tostas por todos os alunos, junto de quem se tenta, através do projecto da horta, promover uma alimentação mais saudável. É por isso que para este ano lectivo estão reservadas para a festa do dia das bruxas. Os pais contribuíram para a plantação com sementes e plantas, e são também eles os principais clientes compradores dos produtos que os alunos vendem à porta da escola sempre que há colheitas.

Também naquele bairro da Alta de Lisboa poderá nascer nos próximos tempos uma outra horta, esta comunitária, sonhada pelo morador e arquitecto paisagista Jorge Cancela, que tem vindo a recrutar futuros hortelões. O mentor da ideia adianta já que conseguiu convencer "mais de 40" e precisa que vai tentando tentar reunir o maior número de apoios para o projecto, incluindo o necessário terreno.

Uma das ambições desta horta comunitária é aproximar os moradores realojados naquela zona da cidade dos que lá compraram casa, contribuindo para uma maior harmonia entre este "mix social" e para o aumento do sentimento de pertença dos próprios ao todo da comunidade. A produção, explica o arquitecto paisagista Jorge Cancela, será biológica e a zona a cultivar terá que ter "um acesso relativamente fácil, seja de automóvel, seja pedonal", além de fornecimento de água e uma vedação.

O projecto e a eventual cedência de um terreno por parte da Câmara Municipal de Lisboa já estão a ser analisados pelos serviços da autarquia, garante aquele arquitecto paisagista.No mesmo sentido, e segundo a Câmara Municipal de Lisboa, que aponta os exemplos das hortas no Vale Fundão e no Bairro Padre Cruz, o desafio da autarquia é intervir nas hortas comunitárias já existentes, algumas das quais em espaços privados e que não têm fornecimento de água ou acessos em condições, garantindo que nenhum dos hortelões deixa de ter um espaço de cultivo."É a primeira vez que a câmara aposta mesmo nas hortas", garante Sá Fernandes, acrescentando que "antigamente" a prática era simplesmente "fechar os olhos" e ir permitindo a sua existência. in Público, 25.05.2009

FOTO: canteiro pedagógico, com alfaces, no New York Botanical Garden

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Hortas Comunitárias: «Refuge from a painful past»

John is proud of the chard, beans and fennel he has nurtured in a corner of a north London community garden. For him, the plot is more than a pretty oasis: "It gives me a sense of belonging that I don't get anywhere else. . . . it helps me forget about the past." The 21-year-old, whose woolly hat slips back to reveal the two-inch scar on his forehead from the pistol-whipping he received in 2001, is an asylum seeker. He shares this patch of ground with nine men from Kenya, the Congo, Iran, Iraq and Russia, who are also seeking refugee status.

The Ugandan fled his home five years ago after his father was killed by a gang, who also attacked John and shot him in the leg. After arriving at Heathrow airport, John, then only 16, was abandoned by the guardian who was supposed to arrange a school and home for him. He had no family in the UK (his mother died 10 years earlier) and was mistrustful of people. Eventually he made contact with social services, who found him temporary accommodation. But he suffers from depression, aggravated by the uncertainty over his status, unable to work or claim the same benefits as refugees or British citizens. "It was hard being here; I thought of all these things I'd lost and I found it hard to cope."

But he says meeting fellow asylum seekers through the Room2Heal organisation, part of the Helen Bamber Foundation, which advises and supports refugees and victims of torture, has helped him: "It gives you a family feeling. There are things I can discuss with them that I couldn't with other people." Every Friday without fail John travels across London by bus from Crystal Palace to Islington's Culpeper community garden to tend the plot of land and, especially, to look after the small fir tree he planted in memory of his father.

Psychotherapist Mark Fish set up Room2Heal 18 months ago after working in northern Uganda, where he established a retreat for religious leaders. Alongside the gardening group, Fish also runs a group counselling session that allows the members, who are aged between 20 and 50, to share their problems. Fish says the idea for a plot of land in the garden was originally to provide a space for contemplation and relaxation but its significance has grown: "These people don't have homes. This bit of land is their own. One member told me proudly 'I'm a landlord'; when he said that, he looked radiant."

Culpeper, founded in 1982, has grown from a rubbish tip into an attractive site with ponds, rose pergolas and herb gardens. It is a serene sanctuary from the surrounding traffic and busy shopping area. Dependent on charitable grants for its funding, Culpeper is home to 50 plots tended by community groups such as Room2Heal, as well as children from a local primary school and nearby residents who do not have gardens. Looking after the patch is a communal effort carried out by two garden workers, a number of plot holders and the volunteers.

Community gardens have, in some form or other, existed since cities , although the movement gathered pace in Britain and the US at the end of the 19th century. Then areas were cultivated by local workers with the aim of providing free food and exercise. After the second world war, many gardens were built on, or became derelict sites.

Jeremy Iles, director of the Federation of City Farms and Community Gardens, to which Culpeper belongs, says such gardens are a good way of developing community cohesion: "They have an impact that is different to the services provided by local authorities . . . There's a social value far beyond just gardening."

Culpeper holds a number of activities for locals, including a pensioners' tea party, arts projects for children and Hallowe'en parties as well as plant sales. Fish observes that the plot helps members make connections with the community and shows locals that "asylum seekers are not the dark figures they're made out to be in the press".

Last year Room2Heal members built a path on their patch of garden to symbolise the journey they had been on. At first it was straight. But, after much discussion, they reset the paving stones in a wiggly line because it better represented their struggle. At the end of the path they plan to build a small bench and hope that people from neighbouring plots as well as visiting locals will sit in their patch.

Kate Bowen, a worker at Culpeper, believes Room2Heal is an asset to the garden: "They're friendly. . . they make an effort to be part of the community, especially with their offers of barbecued chicken and tea." John says he regularly gets horticultural tips from holders of neighbouring plots.

The number of community gardens has grown recently - membership of the federation has grown from 120 groups seven years ago to 360 now - which Iles attributes in part to the recognition of their social value. But it is also due to the growing interest in food miles, organic produce and healthier lifestyles.

Health is one of the reasons James, a 46-year-old Room2Heal member, who uses a walking stick after being injured in police detention in Kenya, likes to come to the garden. Working on the plot helps to keep him mobile - he does the planting jobs so he can kneel down. But the benefits are beyond physical: "I felt dead until I came into this group. If I feel down, it transforms me to come to the garden." in Financial Times, 26 de Abril de 2008

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Câmara de Coimbra aprova quatro novas hortas urbanas

A Câmara de Coimbra aprovou hoje a criação de hortas urbanas em mais quatro zonas da cidade, afectando ao projecto terrenos municipais no Alto de S. Miguel/Ingote, S. Martinho do Bispo, Portela e Vale das Flores

A proposta do vereador com o pelouro da Habitação, Jorge Gouveia Monteiro, surge na sequência do projecto das Hortas do Ingote, desenvolvido nos últimos anos neste bairro da cidade, e que tem tido «uma avaliação muito positiva» e «grande aceitação por parte da população residente».

Em relação às novas áreas destinadas às práticas agrícolas na cidade, é referido que no caso do Alto de S. Miguel (junto à urbanização Ar e Sol) e de S. Martinho do Bispo (junto das piscinas Luís Lopes da Conceição), elas poderão funcionar como áreas de expansão das hortas já existentes no Bairro do Ingote e em terrenos da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), respectivamente.

A ESAC, em conjunto com a Junta de Freguesia de S. Martinho do Bispo, iniciou também, em Outubro de 2008, um núcleo de hortas urbanas, junto à Casa do Bispo. Segundo um documento apresentado hoje na reunião quinzenal do Executivo camarário de Coimbra, no caso da Portela (a Sul da Avenida da Boavista), o projecto poderá «conjugar a exploração útil do solo com a preservação e rentabilização dos laranjais ali existentes». Por seu turno, no Vale das Flores (na margem direita de uma ribeira e a juzante do Centro de Saúde do Bairro Norton de Matos) é esperada «uma boa adesão» da população, dado que já ali existem pequenas hortas privadas.

in Lusa/SOL 2 de Fevereiro de 2009

sábado, 30 de agosto de 2008

HORTA À PORTA: um exemplo do Porto

Horta à Porta - hortas biológicas da região do Porto, é um projecto que visa promover a qualidade de vida da população, através de boas práticas agrícolas. Apesar de já existirem na região do Grande Porto alguns projectos de compostagem caseira, hortas pedagógicas e agricultura biológica, é ainda muito limitada a sua divulgação e acesso à população. O projecto é dinamizado pela Lipor (Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto) em parceria com as Juntas de Freguesia de S. Pedro de Rates, Aver-o-mar e Maia e os Municípios de Matosinhos, Póvoa de Varzim, Maia e Porto.

A criação de uma rede desta natureza reveste-se de enorme importância, pelo que a Lipor, na tentativa de optimizar os espaços, a informação e os meios existentes na Região, lançou o Projecto Horta à Porta. Esta iniciativa passa não só pela criação de espaços verdes dinâmicos mas também pela promoção do contacto com a Natureza e de hábitos saudáveis sem esquecer a redução de resíduos.

O projecto Horta à Porta surgiu em Julho de 2003 devido à necessidade de articular a disponibilidade de várias entidades numa rede que viabilizasse uma estratégia para a Região do Grande Porto no domínio da Compostagem Caseira, na criação de Hortas e na promoção da Agricultura Biológica.

Na prática, este projecto pretende disponibilizar talhões de aproximadamente 25 m2 a particulares interessados em praticar a agricultura biológica e a compostagem. Ao receber o talhão de terreno, os futuros agricultores recebem também formação em agricultura biológica (para amadores) e acompanhamento técnico ao longo do ano. É ainda disponibilizada água, um local para armazenar as ferramentas e um compostor comum.
Os munícipes têm a possibilidade de cultivarem a sua pequena horta, com a garantia de qualidade dos produtos, de melhor saúde e ambiente. Neste momento estão já a funcionar 10 hortas urbanas:

MAIA
Horta de Crestins – 74 talhões
Horta da Maia - 14 talhões
Horta da Quinta da Gruta - 66 talhões

PÓVOA DE VARZIM
Horta de Rates - 10 Talhões
Horta de Aver-o-mar - 29 talhões

PORTO
Horta Municipal de Aldoar - 13 Talhões
Horta Municipal da Condomínia - 25 Talhões
Horta de Aldoar - 12 Talhões

MATOSINHOS
Horta de Custóias - 32 talhões
Horta de Leça da Palmeira - 19 talhões

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O Futuro das Hortas Urbanas na Europa: Congresso Internacional na Polónia

Congresso Internacional "O Futuro das Hortas Urbanas na Europa"
De 28 a 31 de Agosto em Carcóvia, Polónia

Este congresso é organizado pela união das federações nacionais das hortas urbanas e jardins de recreio da Europa, o "Office International du Coin de Terre et des Jardins Familiaux", instituição sem fins lucrativos que reúne mais de 3 milhões cidadãos de quinze países europeus (Alemanha, Aústria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Finlândia, França, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suiça).
Durante os três dias de trabalho irão ser tratados temas como a função e o significado das federações nacionais para o futuro das hortas urbanas e a adaptação das funções da agricultura urbana às novas necessidades da sociedade do ponto de vista da saúde.

As hortas urbanas desempenham um papel muito importante na conservação do ambiente nas cidades pois constituem um palco priviligiado para uma relação harmoniosa entre o Homem e a Natureza. Em muitos casos são incentivadas pelas próprias autarquias como forma de promover o Desenvolvimento Sustentável.

Podendo assumir uma vertente comunitária, de lazer, ou mesmo de suporte ao rendimento familiar, a agricultura urbana difere em vários aspectos da tradicional/rural. Estas hortas são criadas em pequenas áreas, dentro dos centros urbanos ou nos seus arredores, predominando a diversidade de cultivos. A produção destina-se ao consumo próprio ou à venda em pequena escala, funcionando muitas vezes como uma ocupação dos tempos livres.

O fenómeno das hortas urbanas surgiu nas nações do norte da Europa durante a segunda metade do século XIX. Na Alemanha, um dos países pioneiros, existem hortas urbanas desde 1864, ano em que se criou a primeira associação (Schreberverein) em Leipzig. Na Dinamarca, o país europeu com a maior percentagem de hortas urbanas, esta tradição remonta mesmo ao século XVIII existindo actualmente 409 associações de agricultores e jardineiros urbanos.

Em Portugal as hortas urbanas ainda são relativamente raras. Só nos últimos anos é que os cidadãos e as autarquias despertaram para este universo. Revelador do atraso do nosso país é o facto da capital ainda não disponibilizar hortas urbanas aos seus munícipes. O mesmo se passa com todos os concelhos da área metropolitana. Em comparação, a região do grande Porto tem hortas urbanas, em pleno funcionamento, desde 2003. O projecto "Horta à Porta - hortas biológicas da região do Porto" disponibiliza talhões de 25 m2 a particulares interessados em praticar a agricultura biológica e a compostagem.

Após um século de atraso em relação ao norte da Europa, encontra-se finalmente em estudo a criação de hortas urbanas na região da grande Lisboa (na capital, em Cascais e Seixal). O objectivo é melhorar a qualidade de vida através da criação de espaços verdes dinâmicos, que promovem o contacto da população com a Natureza e que funcionem como ferramenta de sensibilização ambiental.

Office International du Coin de Terre et des Jardins Familiaux
Rue de Bragance
L-1255 Luxembourg
http://www.jardins-familiaux.org/

FOTO: allotment garden (horta urbana) pedagógica instalada em St. James Park, Londres (2007).