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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Morango, maracujá e groselha nas hortas do Museu do Traje

Espaço de hortas aberto à comunidade conquista cada vez mais adeptos

Isabel Santos há muito que tinha o "bichinho da terra, mas confessa que ser "agricultora" é um trabalho mais duro do que pensava A nova vaga de jovens agricultores que cultiva as hortas do Museu do Traje está a dar um novo colorido aos talhões. Há morangos, maracujás, groselhas e ervas aromáticas. E os espantalhos de trapos, para afugentar as aves, foram trocados por dezenas de CD"s.

É a irreverência de quem pouco ou nunca pegou numa enxada, mas que, pelo prazer de mexer na terra numa cidade cada vez mais betonizada , escolheu ser agricultor nos tempos livres e não tem medo de experimentar, errar e de voltar a tentar até acertar. São recém-aposentados, professores universitários, arquitectos, famílias inteiras.

Onde antes só havia batatas, cenouras, couves, cebolas e alfaces, há agora uma variedade de espécies novas nas hortas do Museu. Há morangos, maracujás, groselhas, cebolinho, manjericão e muitas outras ervas aromáticas.

Mas há outras marcam que atestam a presença de sangue novo a amanhar a terra. Entre os espantalhos, os trapos pendurados em paus ou os sacos de plástico para manter os pássaros ao largo, existem também talhões com CD"s a rodopiar ao vento. E, à primeira vista, os reflexos criados pelo sol, parecem resultar mais do que o boneco de palha, estático, de braços abertos e vestido com roupas XXL.

Isabel Santos faz parte da nova vaga de agricultores inexperientes, mas com muita vontade de proporcionar a si própria alguns momentos ao ar livre, dentro da capital, mas sem sentir uma ponta sequer do bulício normal - e tantas vezes infernal - de uma cidade.

"Nasci e cresci no campo, mas nunca cheguei a colocar as mãos na terra. Mas o bichinho ficou cá", confessa Isabel Santos, natural de Penamacor, na Beira Baixa. O pequeno talhão no Museu do Traje pertence a uma amiga, mas Isabel ajuda sempre que pode.»

In Jornal de Notícias (8/2/2011)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

«Jardim Botânico deve ir a plenário»

Petição entregue na Assembleia da República

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico entregou ontem na Assembleia da República uma petição com mais de quatro mil assinaturas com vista a pedir a revisão do Plano de Pormenor do Parque Mayer. E alertou para os malefícios das construções previstas.

"Há-de haver bom senso e acima de tudo o que interessa aqui é preservar o Jardim Botânico, se possível alargá-lo e não permitir de maneira nenhuma atentados ao jardim", afirmou ao JN Paulo Ferrero, do movimento Cidadania LX, uma das dez associações que lançaram a petição em Novembro.

Com mais de 4170 assinaturas, o texto foi entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que, segundo Paulo Ferrero, "estava dentro do problema, estava bem informado e mostrou-se interessado".

Os signatários defendem que proposta de Plano de Pormenor do Parque Mayer deve ser revista tendo em conta aspectos e elementos que "devem ser melhorados, aprofundados e rectificados". Em causa estão as construções previstas em volta do recinto do Parque Mayer, como, por exemplo nos logradouros da rua do Salitre, da Rua da Alegria ou do Príncipe Real.

"É importante que não haja esventramento desses logradouros pelo menos com a imensidão que está anunciada com quatro caves de estacionamento que põem em perigo as raízes das árvores do Jardim Botânico", alerta Paulo Ferrero.

"É preciso diminuir ainda mais o índice de construção", prosseguiu, referindo que "mesmo que seja de dois andares e tenha uma cobertura vegetal de relva não é muito apropriado para ali".
O representante do Movimento Fórum Cidadania LX manifestou ainda receios com a intenção de se construir um edifício de quatro andares no cruzamento da rua do Salitre com a Rua Castilho. "É uma falta de senso completa", considerou, antes de tecer críticas a um outro projecto que prevê "uma estufa dissonante com o jardim".

Na sua óptica, a Universidade de Lisboa, responsável pela gestão do Jardim Botânico, "é um bocado culpada porque lava as mãos, diz que não tem dinheiro e qualquer coisa que apareça é bem-vinda".

Paulo Ferrero lamentou ainda o estado actual do Jardim Botânico. "Neste momento tem apenas um jardineiro", criticou, defendendo que um espaço com aquelas características devia, e merecia, ser acompanhado por mais profissionais.

O representante do movimento de cidadãos alertou ainda o facto de "não haver dinheiro para pagar a água" nem "um folheto promocional do Jardim Botânico". E concluiu que "há um misto de falta de dinheiro e de desinteresse das instituições".

Na Assembleia da República, a petição segue agora para a Comissão de Educação - uma vez que o Jardim Botânico é da gestão da Universidade de Lisboa. Depois de nomeado um deputado redactor, dar-se-á início a um processo de audição a todas as partes envolvidas. Posteriormente será feito um relatório e, só mais tarde, deverá ser discutida em plenário.
in Jornal de Notícias 2011-01-12

domingo, 21 de setembro de 2008

AVENIDA DA LIBERDADE: «Poluição do ar em Lisboa 'rouba' seis meses de vida»

in Jornal de Notícias, 20 de Setembro de 2008

Há anos que limite de particulas poluentes é ultrapassado na Avenida da Liberdade.

Cerca de menos seis meses de vida, para quem reside ou trabalha na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Esta é a estimativa que consta num estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia sobre os efeitos da poluição nesta artéria.

"Sente-se o ar pesado, custa um pouco a respirar. Mas em comparação com o Barreiro, onde moro, até se sente menos o cheiro do gasóleo", admite Carla Santos, vigilante num dos edifícios junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. Apesar de só há quatro dias estar a trabalhar na Avenida da Liberdade, garante que já deu para sentir os níveis elevados de poluição que, desde 2005, a estação de monitorização da qualidade do ar, colocada em frente ao Cinema São Jorge, tem vindo a registar.

Segundo Francisco Ferreira, coordenador do estudo "Riskar Lisboa", desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, em parceria com várias instituições, entre elas o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, em 2005 registaram-se 180 dias acima do valor limite das partículas inaláveis PM10, que transportam substâncias tóxicas para as vias respiratórias. "Desde então, passámos a ter uma média de 150 dias ao ano. O limite imposto pela legislação é de 35", refere o investigador.

A diminuição de seis meses na longevidade de residentes e população flutuante, provocada pela exposição à poluição na principal artéria da capital, é calculada com base no valor estabelecido por um estudo epidemiológico da Comissão Europeia, de 2005, que relacionou a mortalidade com a qualidade do ar. Este relatório recomendava ainda a adopção de medidas para a diminuição das concentrações de dióxido de azoto e das PM10, mas pouco foi feito em Lisboa, o que levou a abertura de um processo de contencioso contra Portugal.

As recomendações da Comissão Europeia só agora começarão a ser aplicadas na capital. Com base num protocolo estabelecido esta semana entre a Câmara de Lisboa e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, a autarquia compromete-se a reduzir o número de lugares de estacionamento, com a supressão de um dos três novos parques de estacionamento previstos para a avenida. Este objectivo deverá constar no Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Adjacente (PUALZE), através do qual ainda será limitado o estacionamento à superfície. Quanto ao tráfego, a meta é reduzir a circulação de veículos pesados neste corredor, entre o Marquês de Pombal e o Rossio. Mas a passagem e o atravessamento de automóveis ligeiros serão desmotivados.

"A avenida tem umas condições topográficas (encaixada), que impedem uma boa circulação do ar, o que faz com que o efeito poluente se acentue", salienta Francisco Ferreira, cuja a investigação tenta agora perceber quantas das idas às urgência dos hospitais em Lisboa são causadas pela poluição do ar. Um trabalho que pode estar concluído em Dezembro de 2009.

FOTO: Sem as suas árvores, a poluição desta artéria seria ainda mais grave. Vista da Avenida da Liberdade na década de 60 do séc. XX. Fotografia de Amadeu Ferrari (1909-1984). Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal.