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segunda-feira, 7 de março de 2016

CONVITE: 9 de Março, 15:00 - plantação de Sobreiros no Castelo de São Jorge em Lisboa

Na 4ª feira dia 9 de Março, às 15:00, terá lugar uma cerimónia de plantação de 3 árvores no Castelo de São Jorge em Lisboa. Numa parceria com a EGEAC iremos plantar 3 sobreiros - Quercus suber - 1 árvore por cada 1 dos anos em que Portugal esteve no conflito mundial. 
A Presidente da EGEAC, Dra. Joana Gomes Cardoso, o Arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e o Historiador Aniceto Afonso vão plantar as árvores Nº 8, Nº 9 e Nº 10 do Projecto «100 Anos 100 Árvores». 
No dia 9 de Março de 2016 fará exactamente 1 século que Portugal entrou oficialmente na Grande Guerra. Cabe a todos nós no presente prestar a devida homenagem a todas as vítimas num acto simbólico em nome da Paz. 
A Liga dos Amigos do Jardim Botânico de Lisboa partilha a organização deste projecto com a Associação Lisboa Verde e a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas - APAP. Para saber mais consultar:  https://100anos100arvores.wordpress.com

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CHELSEA PHYSIC GARDEN: Sobreiro!



Quem imaginaria um belo sobreiro em pleno centro de Londres! É uma das "estrelas" deste histórico Jardim Botânico de Londres.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As Árvores e a Cidade: Sobreiro no Palácio da Independência


 
Quantos de nós já reparam que há um belo sobreiro em frente do Palácio da Independência, a poucos metros do Rossio? Porque não recorremos mais a esta árvore para arborizar a nossa cidade?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cortiça na SERPENTINE GALLERY em Londres


O novo pavilhão da serpentine Gallery em Londres onde se faz grande uso da cortiça. Porque não usamos mais cortiça nos nossos espaços verdes? 
Para mais detalhes consultar: http://www.serpentinegallery.org/
Fotos: revista Wallpaper

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

«Sobreiro já é a Árvore Nacional»

A partir desta quinta-feira, o sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal, depois de um projecto de resolução aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República e de uma petição pública com 2291 assinaturas. A petição para consagrar o sobreiro (Quercus suber) como um dos símbolos do país foi lançada em Outubro de 2010 pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza. Hoje, passado pouco mais de um ano, o sobreiro conquistou o hemiciclo. “A partir de agora, abater um sobreiro não será apenas abater uma árvore protegida, mas sim, um símbolo nacional”, disse ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Freitas, relator do projecto. “O consenso total na Assembleia da República foi muito importante”, acrescentou. O sobreiro é espécie protegida pela legislação portuguesa desde 2001. Mas essa protecção não foi suficiente para travar a regressão da árvore em território português, motivada por “práticas erradas, nomeadamente de mobilização de solo que danificam as raízes, e doenças ou a combinação das duas situações”, salientou Miguel Rodrigues, da associação Árvores de Portugal. Além disso, “a lei que protege o sobreiro está constantemente a criar situações de excepção para empreendimentos que permitem o abate de árvores”.

Miguel Rodrigues adianta que, depois da criação de um logótipo simbólico, será estudada a criação de uma “plataforma de trabalho que abranja tudo o que tem a ver com o sobreiro, desde associações a câmaras, universidades, indústrias e Estado. Actualmente não há integração de conhecimentos para suprir as necessidades”. O sobreiro, árvore mediterrânica com mais de 60 milhões de anos, ocupa uma área de cerca de 737.000 hectares dos mais de 3,45 milhões de hectares de floresta em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional, de 2006. Hoje é responsável por 10% das exportações nacionais. “De momento, a cortiça é um dos produtos mais importantes da economia nacional”, salientou o deputado Miguel Freitas.

Mas a sua importância não se esgota na cortiça. “Esta árvore representa o montado, um dos ecossistemas mais importantes da Europa e as espécies ameaçadas que dele dependem”, acrescentou. in Público, 22.12.2011 Helena Geraldes

sábado, 20 de novembro de 2010

Movimento quer fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal

A ideia de Portugal ter uma árvore nacional já ganhou raízes. Duas organizações lançaram um movimento para que o sobreiro receba este estatuto simbólico, a fim de travar a perda dos montados.

O Canadá tem o plátano, a Inglaterra o carvalho e Portugal poderá vir a ter o sobreiro. “Ao contrário do que se possa pensar, esta árvore está presente em todo o território nacional, não apenas no Alentejo. E não nos podemos esquecer da sua importância vital aos níveis social, cultural e económico”, justificou ao PÚBLICO Miguel Rodrigues, da Árvores de Portugal que, com a Transumância e Natureza (ATN), é responsável por esta iniciativa.

O território nacional do sobreiro (Quercus suber) estende-se por 737 mil hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006. Ou seja, 32 por cento da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.

Além da importante biodiversidade associada aos montados, o sobreiro ajuda a travar a desertificação do solo e a gerar receitas da exploração da cortiça. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o país produz cerca de 200 mil toneladas de cortiça por ano, mais de 50 por cento do total mundial. “A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país”, alertam.

Ainda que o sobreiro esteja protegido por lei, desde Maio de 2001, Miguel Rodrigues considera que “a legislação por si só não tem conseguido travar o declínio do sobreiro. Há sempre excepções que se abrem na lei, ao sabor das decisões que vão sendo tomadas”. Há vários anos que Domingos Patacho, da Quercus, tem denunciado o abate ilegal de sobreiros. E hoje, contou, “continuam a existir denúncias, especialmente na zona envolvente da Grande Lisboa”.

Ricardo Nabais, da ATN, também é da opinião que, perante grandes projectos, “a protecção legal não é suficiente. É preciso acarinhar a árvore enquanto símbolo de Portugal”. “Queremos atingir a maioria da população portuguesa”, disse.

Além dos abates de árvores para dar lugar a projectos imobiliários, a ameaça aos sobreirais tem outras origens. “O que está a matar o sobreiro é o efeito de muitos anos de má gestão dos montados, como o excesso de pisoteio pelo gado, excesso de matéria orgânica e uma gradagem do solo demasiado profunda”, explicou Miguel Rodrigues. Os vedantes sintéticos, em substituição das rolhas de cortiça, “podem ser a machadada final”.

Ainda assim, o país tem grandes manchas de montado e árvores monumentais. Segundo os dados da Autoridade Floresta Nacional relativos a 2008, existem 41 sobreiros classificados como árvores de interesse público. Miguel Rodrigues estima que aquele que será o sobreiro mais antigo e o maior situa-se em Pai Anes, Castelo de Vide. Terá cerca de 500 anos. “Isto é uma coisa fabulosa para um sobreiro, dado que costuma viver 200 anos”. No entanto, esta árvore “deverá estar já na fase terminal da sua vida e perdeu, há cerca de dois anos, uma das pernadas principais, da grossura de um sobreiro adulto”.

Miguel Rodrigues adiantou que está em fase de classificação o sobreiro da Corte Grande, em Monchique. Este é, “provavelmente, o maior do Algarve e um dos maiores do país”.

As duas associações vão convidar uma lista de entidades para formar um núcleo inicial da iniciativa, entre as quais universidades, associações de defesa do ambiente e associações florestais. Depois vão preparar um documento técnico que justifique a classificação e, por fim, lançar uma petição para levar à Assembleia da República.

Mas o trabalho não acaba por aqui. “Depois de classificar, queremos ver o que tem de ser feito para travar a perda do montado e recuperá-lo”, explicou o responsável, salientando a importância de uma estratégia para a reflorestação, em vez das plantações “pontuais para aproveitar subsídios europeus”.

Público 19 Novembro 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

«Rolhas de cortiça ganham o direito a uma segunda vida»

02.08.2010 PÚBLICO

Mais de 40 toneladas de rolhas foram recicladas nos últimos cinco anos

Matéria prima também chega de fora, incluindo dos Estados Unidos

A Junta da Freguesia da Ericeira recolheu no mês passado mais de meia tonelada de rolhas de cortiça para reciclagem. O Verão está a ajudar, mas, mesmo assim, o presidente, António Mansura, diz que é um "bom resultado", face às 1,2 toneladas conseguidas entre 2005 e 2009. As rolhas vêm dos restaurantes e das casas particulares da zona e são entregues a um parceiro empresarial da Junta, o qual se encarrega da reciclagem.

A Oficina da Terra Crua faz a sua própria reciclagem, sem recurso a empresas especializadas. Selecciona as rolhas, tritura umas e deixa outras inteiras e usa-as nos seus projectos de construção ecológica. Com este método, já reciclou cerca de 25 toneladas de rolhas de cortiça, vindas de pontos de recolha distribuídos por vários municípios do Centro e Sul do país, instituições e casas particulares.

A Quercus promove a reciclagem de rolhas de cortiça como meio para a plantação de árvores autóctones, desde Junho de 2008. O projecto é conhecido por Green Cork e tem a parceria da Corticeira Amorim. Os dados oficiais dizem que recolheu, até Janeiro de 2009, 12 toneladas. A associação ambientalista actualiza os dados e diz que até Março passado, juntou 30 toneladas.

São casos como estes que ilustram a crescente adesão dos portugueses à segunda vida da rolha de cortiça, que acaba por "proteger a cortiça, proteger o sobrado e proteger a natureza", diz Vera Schmidberger, arquitecta e responsável pela Oficina da Terra Crua.

Não há, neste momento, dados estatísticos disponíveis que mostrem quantas toneladas de rolhas o país recicla anualmente, o que torna o exercício muito incerto. Contudo, quem está ligado à recuperação desta matéria-prima garante que Portugal é dos que mais reaproveitam e não se limita ao espaço português. Recebe rolhas de vários pontos do mundo, incluindo dos aeroportos dos Estados Unidos.

Há quatro anos, a Euronatura, uma organização não-governamental especializada em investigação e política ambiental, aderiu a um projecto europeu de promoção do reaproveitamento das rolhas de cortiça, que constitui hoje uma rara fonte disponível para avaliar a importância que os portugueses dão ao assunto.

Segundo o ranking de reciclagem, disponibilizado pela Euronatura e agregando as instituições com as quais possui acordos de investigação, verifica-se que os portugueses reciclaram para cima de 43 toneladas de rolhas de cortiça desde 2005. É um valor por defeito, não só porque não engloba todas as entidades que se dedicam a esta reciclagem no país, como os dados são referentes ainda a 2009.

A lista, publicada no site da Euronatura, é liderada por alemães e franceses, seguindo-se quatro entidades portuguesas: Oficina da Terra Crua SLA, a Quercus, a Associação Guias de Portugal e a Junta da Ericeira, o único organismo do poder local.

Apesar dos números e da aparente disponibilidade para dar um novo destino às rolhas de cortiça, os promotores precisam de sentir que são recompensados.

Até Março de 2009, e com o apoio da Quercus, a Junta da Ericeira entregou à Corticeira Amorim cerca de 1,2 toneladas de rolhas. Recentemente, mudou de parceiro. Mansura não revela a sua identidade, nem montantes nem razões, mas diz que, neste momento, a freguesia está a receber uma quantia "aceitável" por cada tonelada de rolhas que entrega.

A Oficina da Terra Crua, que tem uma rede de parceiros voluntários, compara o exemplo português com a Alemanha. Vera Schmidberger considera que o país "ainda está muito longe dos outros". "Na Alemanha usam-se outros serviços, há um voluntariado próprio. Por exemplo, um camião que vá fazer uma descarga, quando volta, não vem vazio, vem com rolhas", adianta Vera Schmidberger.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS ÁRVORES e os LIVROS: Joachim Du Bellay

Quem viu alguma vez um grande carvalho seco,
Que como adorno algum troféu comporta,
Erguer ainda ao céu a sua velha cabeça morta,
Cujo pé não está firmemente em terra fixado,
Mas que, sobre o campo mais do que meio inclinado,
Mostra os seus braços todos nus e a sua raíz torta,
E, sem folhas que dê sombra, o seu peso suporta
Sobre um tronco nodoso em cem sítios podado;
E, se bem que ao primeiro vento ele deva a sua ruína,
E muito jovem, à sua volta tivesse firme a raiz,
Pelo popular devoto ser o único venerado:
Quem tal carvalho pôde ver, que ele imagine ainda
Como entre os citados, que mais florescem agora,
Este velho símbolo empoeirado é o mais reverenciado.

Joachim Du Bellay, Les Antiquités de Rome

soneto XXVIII

Foto: detalhe de um Sobreiro na Tapada de Mafra

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PROJECTO PIONEIRO: inaugurada a primeira instalação mundial de reciclagem de cortiça

Quercus entrega 12 toneladas de rolhas para inauguração da primeira instalação mundial de reciclagem de cortiça
A Quercus entrega amanhã para reciclagem as primeiras 12 toneladas de rolhas de cortiça recolhidas no âmbito do projecto Green Cork, iniciativa que inaugurará a primeira instalação mundial de reciclagem de resíduos de cortiça, no Norte do país.

Um total de 12 toneladas de rolhas de cortiça vão ser entregues pela associação ambientalista Quercus nas instalações da Corticeira Amorim, em Mozelo, Santa Maria da Feira, onde a partir de amanhã passará a “funcionar a primeira unidade licenciada para reciclagem de cortiça, a nível mundial”, disse à agência Lusa o presidente da Quercus, Hélder Spínola.

O responsável explicou que o projecto Green Cork começou em Junho do ano passado, com a colocação de contentores para a recolha de rolhas de cortiça – 'O Rolhinhas' – nos hipermercados Continente, tendo depois sido alargado para alguns hotéis, restaurantes, bares e centros comerciais.Hélder Spínola lembrou que, graças à iniciativa, as rolhas de cortiça poderão ser “utilizadas para o fabrico de outros produtos aglomerados, como isolamentos, juntas de dilatação, pavimentos, revestimentos”, entre outros. Além de ser o primeiro programa de reciclagem que “permite financiar programas de recuperação e conservação da natureza” e a “optimização dos circuitos pré-existentes dos parceiros do projecto”, também possibilita que todas as verbas sejam “aplicadas na reflorestação das florestas com árvores autóctones, entre as quais o sobreiro”, referiu.

Projecto-piloto em Portugal
“É pago um valor pelas rolhas. Nós pegamos nesse dinheiro e aproveitamo-lo para financiar parte do programa Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade, e na gestão de habitats onde existem espécies importantes e que necessitam de actividades de conservação”, precisou Hélder Spínola. O dirigente da Quercus sublinhou o “grau de inovação” da campanha, lembrando que até agora todas as verbas obtidas nas iniciativas de recolha para reciclagem no país “eram aplicadas no próprio sistema de reciclagem”. Segundo Hélder Spínola, este programa funcionará como projecto-piloto em Portugal e “posteriormente será alargado a outros países da União Europeia”.

O responsável adiantou que a Quercus também já entrou em contacto com as direcções regionais de educação para que o programa possa vir a ser desenvolvido nas escolas portuguesas.“Esperamos que as escolas adiram à iniciativa, porque são sempre espaços com grande importância pedagógica, onde os alunos e professores podem trazer as rolhas de casa”, afirmou. Lusa, 20 de Janeiro de 2008

FOTO: Sobreiro nos arredores de Évora

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

CORTIÇA: «um quarto da cortiça deste ano está por vender»

Os produtores estão descapitalizados e reflectem as dificuldades económicas enfrentadas por muitas fábricas que transformam a cortiça

No Verão, os sobreiros foram generosos, mas o fruto do esforço de centenas de produtores ficou-lhes nos braços. Um quarto da cortiça retirada este ano não encontra destino e alguma da escoada foi-o a preço de saldo. As razões vão desde o problema dos vedantes alternativos à crise financeira. Mas quem depende do montado vê o futuro com apreensão: se a cortiça continuar a perder interesse económico, boa parte dos territórios nacional e espanhol correm sérios riscos de abandono.

Em várias regiões do Alentejo, perpassa a mesma preocupação. São muitos os produtores que não conseguiram escoar a sua cortiça, sobretudo aquela de pior qualidade. Num recente seminário sobre o futuro deste material, que decorreu em Portel, organizado pela Confraria do Sobreiro e da Cortiça, a ansiedade era visível. Todos relataram casos de material a acumular-se nos campos. Muitos admitiram estar a vender a um preço ridículo.

De um total de 5 a 5,5 milhões de arrobas (75 a 82,5 milhões de quilos) de produção total este ano - e 2008 não foi um ano de grande tirada de cortiça -, entre 1 a 1,2 milhões de arrobas (15 a 18 milhões de quilos) estão por vender. Os produtores vêem 2009 ainda com mais temor, pois é um ano em que haverá muita produção. "Como é que vamos escoar?", questionam.

O problema não é de hoje mas agravou-se. Segundo a União da Floresta Mediterrânica (Unac), que agrega associações florestais, nos últimos seis anos houve uma desvalorização do preço global das cortiças, na ordem dos 15 a 30 por cento, conforme a sua qualidade. As ofertas de compra situam-se, muitas vezes, abaixo do limiar de rentabilidade da exploração, o que desincentiva ainda mais os produtores.

Depois de há sete anos, em que houve uma grande procura, o preço médio estar nos 40 euros a arroba, agora não passa dos 25, mas há quem venda muito abaixo deste. E a tendência é para continuar a baixar.

A falta de escoamento do material que está a ocorrer este ano é, todavia, o que mais preocupa. Até porque é um sinal de uma mudança de estratégia da indústria, fruto de uma situação económica complicada, mas que prejudica gravemente os produtores. Até agora, quem fazia a gestão dos stocks eram as fábricas, que compravam a cortiça aos proprietários, ressarcindo--os dos custos da exploração. Agora só adquirem o que necessitam, deixando os stocks na árvore ou no chão, descapitalizando a produção.

Cortiça perdeu classe média
Segundo José Miguel Lupi Caetano, presidente da Unac, há várias razões que explicam a situação. "Há o problema dos vedantes alternativos, que fazem concorrência à cortiça e que são uma ameaça séria, mas também há uma crescente aposta em produtos de menos valor acrescentado para a produção, porque são feitos com cortiça de menor valor, como os granulados", relata. Para concluir: "Ficámos com os produtos de excepção que são as rolhas boas, ou seja, perdeu-se a classe média da cortiça."Além disso, acrescem as dificuldades económicas da indústria, sobretudo das mais pequenas, que muitos prevêem que não se irão aguentar com a crise. "Tem de haver uma atenção para este negócio, criando mecanismos que permitam que o mercado da cortiça funcione", diz Lupi Caetano. "Era necessário injectar liquidez no mercado industrial para este vir fazer negócio ao campo", exemplifica.

A Unac defende que seja reactivada a linha de crédito de curto prazo para a agricultura, silvicultura e pecuária, aumentando o montante máximo elegível para a cortiça para 4,5 euros por arroba e viabilizando a concessão de crédito para a extracção da cortiça nas actuais condições. Além disso, considera essenciais que sejam criadas linhas de crédito de apoio à aquisição de cortiça no mato pela indústria de transformação, "que garanta condições bonificadas de taxa de juro e um sistema de garantia por parte da Estado".

Advoga também um maior envolvimento de todos na promoção das rolhas da cortiça e diz ser fundamental adequar o regime fiscal às especificidades do ciclo produtivo do sobreiro."Se a cortiça perder interesse económico, o montado também o perde, o que significa que boa parte do território português e espanhol poderá estar em causa", diz Lupi Caetano. O PÚBLICO contactou o grupo Amorim, que tem a maior quota de mercado no sector, mas não foi possível obter a sua posição sobre a situação em tempo útil. in Público

FOTO: Sobreiros (Quercus suber) nos arredores de Évora.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

GREEN CORK: Programa de Reciclagem de Rolhas de Cortiça

Desde o dia 5 de Junho, dia Mundial do Ambiente, que já é possível ir colocar as suas rolhas de cortiça para reciclagem nos hipermercados Continente, nos centros comerciais Dolce Vita e nos agrupamentos de Escuteiros.

O GREEN CORK é um Programa de Reciclagem de Rolhas de Cortiça desenvolvido pela Quercus, em parceria com a Corticeira Amorim, a Modelo/Continente e a Biological. Tem como objectivo não só a transformação das rolhas usadas noutros produtos, mas, também, com o seu esforço de reciclagem, permitir o financiamento de parte do Programa "CRIAR BOSQUES, CONSERVAR A BIODIVERSIDADE", que utilizará exclusivamente árvores que constituem a nossa floresta autóctone, entre os quais o Sobreiro, Quercus suber.

O projecto foi construído tendo por base a utilização de circuitos de distribuição já existentes, o que permite obter um sistema de recolha sem custos adicionais, que possibilita que todas as verbas sejam destinadas à plantação de árvores. Tudo isto sem aumentar as emissões de CO2! As rolhas de cortiça recicladas nunca são utilizadas para produzir novas rolhas, mas têm muitas outras aplicações, que vão desde a indústria automóvel, à construção civil ou aeroespacial.

A internacionalização do projecto está já a ser negociada. Em breve, as rolhas usadas de outros países europeus começarão a ser recicladas em Portugal, dentro de um esquema montado a partir daqui, resultando num contributo adicional para o esforço de reflorestações e conservação de florestas autóctones portuguesas. Este exemplo único de exploração de uma floresta autóctone, que conseguiu ao longo dos tempos conciliar criação de riqueza, serviço ambiental e impacto social positivo, irá agora completar este ciclo, renovando a própria floresta que esteve na sua origem. Comece já a juntar as suas rolhas de cortiça!

http://earth-condominium.com/port/green.html

FOTO: um belo exemplar de Quercus suber nos arredores de Évora

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Portela 2050: das pistas boulevards rodeadas de mata espontânea à horta de 20 milhões

in Público, 23 de Junho de 2008, por Catarina Prelhaz

«Construir Manhattan em Lisboa. Instalar um ninho de empresas ou a Feira Popular. Para a Portela já se pensa na vida depois da morte

Uma nova-iorquina Manhattan debruçando-se sobre o seu Central Park em plena Lisboa: poderá não ser este o destino da Portela depois da saída do aeroporto para Alcochete, mas é a paisagem que os visitantes da última Trienal de Arquitectura gostavam de ver nascer nos 500 hectares que aquela transferência irá libertar. Construir arranha-céus ou plantar uma horta maior que o Parque das Nações: ontem foi a vez de arquitectos de renome e da nova geração e dos decisores políticos esgrimirem ideias para o futuro da Portela em 2050 num debate promovido pela Ordem dos Arquitectos.

Transformar as pistas do actual aeroporto em boulevards de um parque de actividades (a definir no futuro) envoltas numa mata espontânea é a proposta do arquitecto Nuno Portas e do ateliê NPK. A ideia é usar as pistas como suporte de edifícios de construção ligeira e delimitar a mata com carvalhos para potenciar o desenvolvimento espontâneo desta, evitando os "elevados" custos de implantação e de manutenção de uma área verde tradicional. Já os arquitectos Gonçalo Byrne e Manuel Fernandes de Sá imaginam a manutenção de um aeroporto na Portela. O objectivo é limitar o tráfego a voos de pequeno e médio curso, articulando-o com o transporte de helicóptero. A Portela tornar-se-ia, assim, uma cidade virada para a função aeroportuária, recheada de actividades terciárias, centros de congressos e de residências de curta duração. Rechear a Portela com a Feira Popular, um hipódromo uma zona residencial e comercial, centros de exposições e de concertos, hotéis e escritórios são as ideias do ateliê de arquitectura paisagista PROAP. Equilibrar a vertente ecológica e o tecido urbano é a proposta dos arquitectos João Carrilho da Graça e João Gomes da Silva. "É mais realista do que fazer um parque ou um espaço indeterminado que serão progressivamente ocupados de forma desregrada e infeliz", observaram.

"Pulmão de comida"
Já o colectivo de jovens arquitectos Embaixada preferiu auscultar as ideias do público da Trienal de Arquitectura de Lisboa de 2007, concluindo que a construção densa também é uma opção. Ideia diferente teve o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, para quem a Portela deveria dar origem a um megaparque hortícola com um rendimento de 20 milhões euros anuais, para fazer face às necessidades alimentares da região. "Lisboa não precisa de um pulmão, mas de comida", reiterou.

Portugal vai deitar 4,9 milhões de euros ao lixo caso o aeroporto da Portela não seja encerrado em 2017. O aviso é do vice-presidente da ANA- Aeroportos de Portugal, Carlos Madeira, que quer ver a zona aeroportuária totalmente livre das actuais funções sob pena de o novo aeroporto de Alcochete não passar de uma infra-estrutura fantasma. "Considerando os outros casos no mundo, há uma possibilidade de 30 por cento da Portela nunca chegar a encerrar, sobretudo quando temos dez milhões de especialistas aeronáuticos em Portugal", ironizou.

Segundo um estudo da ANA, do Boston Consulting Group e da Universidade Católica, "Lisboa não cumpre com os critérios para possuir dois aeroportos a funcionar simultaneamente". Com 14 milhões de passageiros anuais de origem, a capital fica aquém das cidades com dois aeroportos bem sucedidos, que atraem mais de 35 milhões, explicou Carlos Madeira, acrescentando que as companhias preferem concentrar-se num só local para potenciar a procura e as pessoas preferem ter oferta variada sem terem de deslocar-se. Partilhar o tráfego de aeronaves entre Alcochete e a Portela é, segundo o vice-presidente da ANA, ou "proibido" ou "inviável": "não se pode discriminar companhias" e Portugal não tem voos de carga suficientes que justifiquem um aeroporto suplementar." No Canadá, aquele que era para ser o maior aeroporto do mundo - Mirabel - foi fechado 35 anos depois de construído, porque o velho nunca chegou a ser encerrado. Não podemos deixar que isso aconteça cá". Fechar a Portela em 2017, evitando períodos de transição, e garantir ligações rápidas e cómodas a Alcochete são as soluções da ANA.»

FOTO: Montado de Quercus suber (Sobreiro), o carvalho mais abundante no sul do país. Boulevards de sobreiros na futura Portela?