quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PATRIMÓNIO: Um projecto que contempla a morte de uma Árvore


No dia 19 de Março de 2012 a Associação Lisboa Verde escreveu à Autoridade Florestal Nacional a pedir a classificação de uma árvore num logradouro de um palácio no Torel em Lisboa. Esta foi a resposta recebida (ver documento original em anexo) e que nos faz pensar no futuro incerto dos logradouros/jardins em volta do nosso Jardim Botânico. Com processos muitas vezes mal instruídos pela CML e IGESPAR, os interesses dos promotores imobiliários acabam, facilmente, por se sobrepor ao interesse público. Parece que em Lisboa as árvores, o nosso património natural, é que se tem de «adaptar» aos projectos imobiliários e não o contrário. A leitura atenta desta carta dispensa mais comentários:


Ministério da Agricultura, Mar Ambiente e Ordenamento do Território
Autoridade Florestal Nacional

Data: 25 de Julho de 2012

Assunto: Indeferimento de pedido de classificação de Interesse Público de um Cipreste

Local: Palácio Silva Amado
Freguesia: Pena
Concelho: Lisboa

No seguimento do pedido de classificação de interesse público de uma árvore da espécie Cupressus sempervirens L., vulgarmente conhecida por cipreste, existente no local acima indicado, a após vista ao local constatou-se:

- O edifício é um antigo Chalet que está devoluto e completamente fechado, existindo no pátio um cipreste que, lamentamos informar, não vamos proceder à respectiva classificação de Interesse Público, uma vez que estão a decorrer obras de requalificação do espaço, cuja operação urbanística foi já aprovada pela CML e pelo IGESPAR.

- Qualquer plano para a salvaguarda desta árvore teria que passar por uma alteração ao projecto (já aprovado) o que traria consequências judiciais e monetárias muito elevadas a pagar ao promotor da obra.

- Foi constatado ainda que no decorrer das obras foi injectado betão no subsolo junto à árvore encontrando-se esta a viver com dificuldade. Foi-nos referido que a obra contempla o arranjo paisagístico do exterior com a colocação de outras árvores que se vão adaptar melhor ao espaço.

Os nossos cumprimentos,

O Director da Unidade de Defesa da Floresta

1 comentário:

Anónimo disse...

É o nível de educação, moral, cidadania, dignidade... e podia continuar o dia todo a caracterizar as pessoas que gerem as identidades que deviam ser responsáveis e proteger não só as árvores mas também o património cultural e arquitectónico de Lisboa.

Está uma cidade milenar entregue aos bichos... mas as pessoas começam a acordar e percebem que foram iludidas através de um sistema politico e capitalista e que lhes foi vendida uma ilusão inculta e ignorante de vida através do facilitismo do crédito e das coisa fúteis da vida, resta a aproximação aos seus bairros e património em busca de uma vida com sentido e identidade.

Que façam justiça e que punam quem andou a comer a custa da desfiguração, alteração, demolição e do trabalho de gerações que contribuíram para a construção desta bela cidade de Lisboa!