quarta-feira, 30 de setembro de 2009

AS 4 ESTAÇÕES NO JARDIM BOTÂNICO

Todas as quintas-feiras (2009-2010), entre as 13h00-14h00

Visita animada para todas as idades!

Preço: 3 euros

Marcação prévia:


Tel. 210 170 159

FOTO: Flores de Murta, Myrtus communis L.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

«Wild side of the law»

It may sound far-fetched, but a powerful tool to combat climate change is giving nature legal rights

If societies express their values through the laws they make, one single legal change would completely transform our understanding of the ­relationship between nature and humankind: giving nature rights. And that change would be our best weapon in fighting climate change because it would give nature a voice on how we regulate the earth.

The idea of "wild law" has been around since the 1960s, when writers questioned whether trees should have standing. But now enacting those ideas is a matter of our survival on this planet.

Laws that recognise the world as a legal person with rights and remedies that can be enforced nationally and internationally would create a duty of care towards the environment. It is strange that we have a duty of care towards our "neighbour", but that in law nature is not considered our neighbour. If we value the natural world we need for life, we can prove it by giving it and its components – rivers, forests, species, habitats, ecosystems – sufficient standing in law to enable proceedings to be brought on their behalf. Our legal system already does this for "non-­persons" such as companies, charities, clubs and others.

Give the sea rights, and overfishing would not be a matter of quotas set by governments but of balancing the rights of fish and humans. If the atmosphere could be a legal entity, its representative would have a say in carbon trading. A river with a right to flow continually being harmed by damming would require the courts to intervene in deciding whether the human need is greater than that of the river to subsist. This is not as far fetched as it sounds. It is entirely consistent with the 1982 UN World Charter for Nature, ratified by more than 150 UN members but lacking enforcement mechanisms to give it real teeth. It is the logical outcome of its 2002 successor, the Earth Charter.

Practically, how do we do this? Our courts could expand the definition of who our neighbour is to include nature and thus create a legal duty of care toward the earth. At EU level we then pass a declaration of nature's rights, which would, like the declaration of human rights, be implemented by each of the member states in an Earth Rights Act like our Human Rights Act. This would be enforced by our national courts and influence the regulators' decision-making.

Internationally, we need to refocus what is contained in the World Charter for Nature, which sets out "human duties towards the earth", and create "earth rights". Any declaration needs to be coupled with giving enforcement powers to our international institutions, otherwise the declaration will create positive debate but not be effective.

Language is a powerful tool, and we want to stop talking about the planet as a "resource". There has to be a better understanding of how humans affect the planet – so teach people where their plastic water bottle ends up and where their food comes from. We can also redefine the "public interest" to include the interest of nature.

Some would argue granting rights is only part of the solution, but it will cause the shift in thinking we require to decarbonise our society. As Wangari Maathai, winner of the 2004 Nobel peace prize, said: "The need to forge a new and healthier relationship between the human race and the planet that sustains us could not be more urgent." Let's not be known as the "age of stupid" but as the age that walked on the wild side of the law and brought radical change to the way we think about law and about nature to stave off the perfect storm.

in The Guardian, 4 de Maio de 2009

FOTO: Baleal, Portugal

domingo, 27 de setembro de 2009

«FOREVER WILD»

Central Park, Nova Iorque, Maio de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

AS ÁRVORES e os LIVROS: Andrew Lang

I'd leave all the hurry, the noise, and the fray,
For a house full of books, and a garden of flowers.

Andrew Lang

Nota: Andrew Lang (1844-1912) foi um escritor escocês que ficou conhecido pela sua poesia, critica literária e trabalho na área da antropologia.

FOTO: Jardins do Kensington Palace, Londres.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

NOITES DE SÃO BENTO: 24, 25 e 26 Setembro

NOITES DE SÃO BENTO

animação de rua até às 24 horas
dias 24, 25 e 26 de Setembro


FOTO: Rua de São Bento, início do séc. XX. Arquivo Municipal.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Outono em Portugal, Primavera na Austrália!

Hoje é o primeiro dia de Outono. Mas na outra face do nosso Planeta é o primeiro dia de Primavera!

FOTO: Crimson Rosella a comer flores na capital da Austrália. Fotografia de Mark Kolbe/Getty Images.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mais árvores e passeios para o Bairro Azul!

Mais árvores, passadeiras bem identificadas, passeios mais largos e apenas uma faixa de rodagem em cada sentido na Rua Ramalho Ortigão marcam a nova imagem de uma das principais artérias do Bairro Azul, em Lisboa.

"Parecia que estávamos perto de uma auto-estrada. Era muito difícil atravessar e os carros circulavam a uma velocidade impressionante. Espero que a situação se altere, já que havia muitos atropelamentos", sublinhou Ana Luísa Bolsa, da Comissão de Moradores do Bairro Azul, junto à Rua Ramalho Ortigão, onde já começaram as obras para criar a primeira das cinco "Zonas 30" que a Câmara pretende colocar em marcha, destinadas a "acalmar" o tráfego e dar mais espaço e segurança aos peões, mas que integram também a valorização do espaço público.

No Bairro Azul, essencialmente residencial, o projecto não podia ter melhor acolhimento. Há anos que os moradores clamavam por medidas que acabassem com o intenso tráfego de atravessamento criado pela proximidade do El Corte Inglés, Universidade Nova ou Mesquita. No Bairro Azul, as medidas de acalmia de tráfego estendem-se até 2012. Para a semana, serão cridas passadeiras sobrelevadas em mais duas ruas. A requalificação do espaço público junto à Rua Marquês da Fronteira, pelo do Metropolitano de Lisboa, poderá arrancar ainda este ano.

Nos próximos dois, será criado um desenho urbano de acalmia de trânsito na Rua Ressano Garcia e uma ligação directa da Avenida José Malhoa à Praça de Espanha, bem como um espaço público franco em frente à Mesquita.

Os bairros do Alvito, da Madre Deus, Boavista e de São Miguel, também vão ter "Zonas 30" para criar uma coabitação mais harmoniosa entre peões, bicicletas e automóveis nos arruamentos interiores dos bairros.

Sem referir datas, António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, prometeu para breve o início das intervenções nestes bairros, referindo que as alterações no Bairro Azul estão a servir para "testar a metodologia". Não descarta ainda a hipótese de levar o projecto a outras áreas da cidade. A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados já veio defender que as "Zonas 30" deveriam chegar às Avenidas Novas. in Jornal de Notícias, 20-9-09

FOTO: Av. Ressano Garcia, na década de 60 do séc. XX, já sobrecarregada de carros. Imagem de Artur Goulart, Aquivo Municipal. Estas são boas notícias para a nossa cidade. Esperemos que a CML implemente brevemente o projecto de arborização da Rua Borges Carneiro, uma iniciativa dos moradores apoiada pela LAJB e a Associação Lisboa Verde.

MÚSICA PELO JARDIM: 29 de Setembro

Campanha de reabilitação do Jardim Botânico
Retrospect Ensemble, Aula Magna, 29 de Setembro às 21h30

Com o objectivo de angariação de fundos para a reabilitação do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, o Retrospect Ensemble (outrora denominados de King’s Consort) dirigido por Matthew Halls estará em Lisboa para um concerto único, dia 29 de Setembro, às 21h30, na Aula Magna (Lisboa). Uma iniciativa Sunbridge. Para mais esclarecimentos contactar:

Ana Duarte Carmo (962631446)
Marisa Dias Antunes (962763188)

FOTO: Datura candida (pers.) Stafford. Flores da trombeteira, Angel's trompet, no Jardim das Cebolas, um dos sectores do Jardim Botânico a necessitar de obras de conservação urgentes.

sábado, 19 de setembro de 2009

Threat to European biodiversity 'as serious as climate change'

The natural world across Europe is suffering a crisis as serious as the threat of climate change, Europe's environment chiefs are to warn this week.

A report from the European Environment Agency (EEA) to be published next month sounds the alarm that most species and habitats across the continent are in poor condition and the risk of extinction continues to rise.

New figures for the UK also show that even the most important and rare plants and animals are suffering: eight out of 10 habitats and half of species given the highest level of European protection are in an "unfavourable" condition.

Species at risk in the UK range from insects like the honeybee and swallowtail butterfly, to mammals and birds at the top of the food chain such as the otter and the golden eagle, said the Centre for Ecology & Hydrology (CEH).

The losses threaten to undermine vital ecosystem services like clean water and fertile soils, which underpin both quality of life and the economy, said Jacqueline McGlade, the EEA's executive director.

"Much of our economy in Europe relies on the fact we have natural resources underpinning everything," McGlade told the Guardian. The losses of wildlife and habitat are a threat to being able to live sustainably within the enviroment in the future, she said. "Some of the losses are irreversible."

McGlade will present findings from the agency report at a major conference next week called by the European environment commissioner Stavros Dimas. He is worried that the European commission has failed to meet a pledge to halt biodiversity loss by 2010, and recently warned "the loss of biodiversity is a global threat that is every bit as serious as climate change".

"The reasons that we are losing biodiversity are well known: destruction of habitats, pollution, over-exploitation, invasive species and, most recently, climate change," Dimas will tell the conference in Athens. "The compound effect of these forces is terrifying."

At another high-level conference in London on Wednesday, organised by the CEH, leaders from business, government, academics and NGOs will warn that ecosystems underpin human lifestyles from air, water and food to resources for industry.

Professor Lord May of Oxford, a former government chief scientific adviser and president of the Royal Society, said: "Our massive and unintended experiment on the planet's reaction to unsustainable levels of human impacts is approaching crisis point. The future is not yet beyond rescue, provided we take appropriate action with due urgency."

The EEA report says although there have been some conservation successes, including halting the decline of common songbirds, the "overall status and trends of most species and habitats give rise to concern".

Figures for the habitats and species awarded special protection under the EU habitats directive reveal that across 40 countries of Europe and the former Soviet Union, 50-85% of habitats and 40-70% of species were in an "unfavourable" condition, and many more could not be assessed because of a lack of information.

Across Europe, the biggest declines from 1990 to 2000 had been for bogs and fenland, heathland and coastal habitats. Woodland, forests and lakes had grown, but these increases were dwarfed by the biggest habitat expansion, which was "constructed, industrial, artificial habitats".

Populations of some European common birds stopped falling in the 1990s, but all groups of birds had fallen in numbers since 1980, and other species groups like butterflies, amphibians and pollinating insects had declined dramatically, said the report.

The report notes that habitats and species in the habitats directive were chosen because they were under threat, and so were harder to conserve.

"Ecosystems generally show a fair amount of resilience," it adds. "Beyond certain thresholds, however, ecosystems may collapse and transform into distinctly different states, potentially with considerable impacts on humans."

Reforms to be put to the conference in Athens include better management of protected areas, which now make up more than 17% of the European Union territory; targets for economic sectors, such as transport, to ensure they do not have a negative impact on the environment; and more work on putting a "value" on ecosystem services so conservationists can argue their case against developers, said McGlade.

"This is not about putting a price on everything, it's a value. This will transform the discussion because somebody can say 'you're eating away at our capital - grassland', or whatever the landscape or species is."

In a statement, Defra, the UK environment department, said the government fully supported strong international targets, but said many conservation schemes were working.

"For example, England's Sites of Special Scientific Interest are in better condition than ever at 88.4% in favourable or recovering condition compared with 57% in 2003," it added.

Globally, last year's annual "red list" of endangered species from the IUCN conservation organisation warned that the world's mammals face an extinction crisis, with almost one in four of 5,487 known species at risk of disappearing forever.

in The Guardian, 24 de Abril de 2009

FOTO: Ilha das Berlengas

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

AS ÁRVORES e os LIVROS: Sophia de Mello Breyner Andresen


PRAIA

Os pinheiros gemem quando passa o vento
O sol bate no chão e as pedras ardem.

Longe caminham os deuses fantásticos do mar
Brancos de sal e brilhantes como peixes.

Pássaros selvagens de repente,
Atirados contra a luz como pedradas
Sobem e morrem no céu verticalmente
E o seu corpo é tomado nos espaços.

As ondas marram quebrando contra a luz
A sua fronte ornada de colunas.

E uma antiquíssima nostalgia de ser mastro
Baloiça nos pinheiros.

Sophia de Mello Breyner Andersen

FOTO: Pinus canariensis no Arboreto

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Conferência: SEGURANÇA DO PATRIMÓNIO

Os responsáveis por edifícios, colecções e instituições de interesse cultural e artístico vêem-se confrontados com a necessidade e obrigação legal de garantir a sua protecção e segurança face a um cada vez mais difícil e complexo somatório de riscos e imponderáveis. Esta tarefa é ainda mais problemática quando se tratam de equipamentos abertos ao público, tanto pela maior dificuldade de controlo como, e especialmente, porque a segurança dos próprios visitantes passa também a ser um imperativo da instituição e uma obrigação dos seus responsáveis. Fenómenos como incêndios, inundações, roubos, furtos, vandalismo ou catástrofes naturais são ameaças cada vez mais reais, para os nossos museus, palácios, bibliotecas, arquivos e outros equipamentos onde são salvaguardados bens culturais. Recentemente a legislação portuguesa, reflectindo exigências europeias comuns, foi consideravelmente alterada, existindo agora um enquadramento específico para um vasto conjunto de actividades culturais, o que traduz, acrescidas responsabilidades para as instituições e seus responsáveis no campo da responsabilidade civil e criminal. Se esta nova era implica, assim, um acréscimo de ameaças ao nosso património cultural, também nos fornece novas possibilidades, novos modos e modelos de as combater, quer ao nível da prevenção quer ao nível da resposta.

OBJECTIVOS
Fornecer e sistematizar informação e conhecimentos sobre a temática da prevenção e protecção de riscos no património cultural, nomeadamente:

- Prevenção de riscos naturais
- Prevenção de riscos humanos e sociais
- Respostas a ocorrências: sistemas, recursos humanos e metodologias
- Os planos de segurança e os planos de emergência
- Enquadramento legal e institucional existente em Portugal
- Projectos nacionais e internacionais relevantes

DESTINATÁRIOS
Responsáveis e técnicos interessados nas questões de prevenção e protecção de bens e pessoas em instituições artísticas e culturais, entre outras, museus, palácios, monumentos, igrejas, conventos, bibliotecas, arquivos, salas de exposições, teatros, auditórios e complexos multi-usos. Responsáveis e técnicos dos pelouros da cultura e segurança das autarquias. Proprietários de bens culturais e coleccionadores. Outros profissionais da cultura com competência e necessidade de obter conhecimentos mais completos e actuais sobre estas problemáticas.

PROGRAMA
9.00-9.30 - Recepção dos participantes

9.30-9.45 - Início dos trabalhos: apresentação da Conferência

9.45-11.00 - Segurança Contra Intrusão, Furto e Terrorismo. Enquadramento Legal e Institucional. A Prevenção de Riscos. Moderador: Nuno Andrade - Guarda Nacional Republicana/Arquivo Histórico, Biblioteca e Museu, Orador: João Oliveira. Secção de Obras de Arte da PJ, Orador: Nelson Santos Ribeiro - Divisão de Investigação Criminal da PSP

11.00-11.30 - Pausa para café

11.30-13.00 - Segurança Contra Incêndios. Enquadramento Legal e Institucional. Nova Legislação. A Elaboração de Planos de Emergência e Contingência. Moderadora: Cristina Castro Lopo - MC/IGESPAR, Orador: Alberto Silveira - ISLA, Oradora: Filomena Ferreira - Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa - RSB

13.00-14.30 - Pausa para almoço

14.30-16.00 - Projectos e Organizações - Prevenção e Protecção de Riscos no Património Nacional e Internacional. Moderadora: Silvana Bessone - Museu Nacional dos Coches, Oradora: Leonor Sá - Museu e Arquivos Históricos da PJ, Oradora: Isabel Raposo Magalhães - MC/IMC

16.00-16.30 - Pausa para café

16.30-18.00 - Debate: A Realidade da Prevenção e Protecção de Riscos em Portugal. Moderador: Henrique Vicêncio - Unidade de Riscos e Alerta Autoridade Nacional da Protecção Civil. Oradores: Alfredo Esberard - Unidade Nacional Contra o Terrorismo PJ, António Francisco Carvalho Paixão - GIPS GNR, Ricardo Garcia - Instituto de Seguros de Portugal - ISP, Representante da Associação Nacional de Empresas de Roubo e Fogo - AESIRF

DATA E LOCAL: 29 de Setembro, das 9:30 às 18:00, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, Lisboa.

INSCRIÇÕES: o preço por participante é € 50,00. Para os Membros da Rede CultDigest o preço é € 40,00. As inscrições estão limitadas à capacidade da sala. O pagamento poderá ser realizado por transferência bancária para a conta com o NIB 00 350 651 00531 241 130 57 ou por cheque emitido à ordem de Agência INOVA. Em qualquer das opções de pagamento, a inscrição deverá ser paga até ao início da conferência.

INFORMAÇÕES: contactar Susana Ataíde Mendes pelo telefone 222 085 228, por fax 222 085 274, ou por e-mail smendes@cultdigest.pt

FOTO: Azulejos, um património ameaçado. Azulejos da Fábrica Viúva Lamego num imóvel da Freguesia de Santa Isabel.

domingo, 13 de setembro de 2009

Ciclo CINEMA & AMBIENTE - 2009

Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, o Programa Gulbenkian Ambiente vai apresentar no dia 15 de Setembro, terça-feira, às 21h30, na Cinemateca, a primeira sessão do ciclo Cinema & Ambiente, com o filme Safe, de Todd Haynes.

O objectivo deste ciclo de cinema é motivar uma discussão alargada com o público sobre a temática ambiental, contando para isso com o contributo de personalidades públicas de áreas diversas, convidadas para comentar os filmes.

Realizado em 1995, Safe conta a história de Carol White, que desenvolve uma doença ambiental inexplicável, criando alergias a todo o tipo de químicos do quotidiano. Acaba por lhe ser diagnosticada a “doença do século XX”. Após a projecção, Teresa Gouveia irá lançar o debate a partir deste filme, que questiona o ambiente artificial em que vivemos.

A segunda sessão do ciclo, comentada por Inês Pedrosa, realiza-se a 13 de Outubro com o filme alemão Die Wolke (“A Nuvem”), de Gregor Schnitzler, 2006, em que dois jovens vivem uma relação amorosa no contexto de um acidente nuclear perto de Frankfurt que lança o pânico no país.

Nos meses seguintes serão apresentados os filmes: Medicine Man (“Os Últimos Dias do Paraíso”), de John McTiernan, 1992; The Trigger Effect (“Efeitos na Escuridão”), de David Koepp, 1996; Five, de Arch Oboler, 1951; Soylent Green (“À Beira do Fim”), de Richard Fleischer, 1973; Into the Wild (“O Lado Selvagem”), de Sean Penn, 2007; Les Glaneurs et la Glaneuse (“Os Respigadores e a Respigadora”), de Agnès Varda, 2001; Wind across the Everglades (“A Floresta Interdita”), de Nicholas Ray, 1958; Le Monde du Silence, de Jacques-Yves Cousteau e Louis Malle, 1956.

O ciclo Cinema & Ambiente termina em Julho de 2010 com o filme The Happening (“O Acontecimento”), realizado por M. Night Shyamalan em 2008, numa sessão comentada por Viriato Soromenho-Marques, Coordenador Científico do Programa Gulbenkian Ambiente.

As sessões do ciclo Cinema & Ambiente são todas de entrada livre e realizam-se mensalmente na Cinemateca.


FOTO: Rã num lago em Ubud, Ilha de Bali, Indonésia

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ANIMA VEGETALIS - Imaginário Botânico do Mosteiro de Tibães

Anima Vegetalis - Imaginário Botânico do Mosteiro de Tibães
Exposição de fotografias de Paulo Gaspar Ferreira
Inauguração: dia 12 de Setembro ás 18h
Local: Mosteiro de S. Martinho de Tibães, Braga

«São fotografias que ao longo de 2 anos foram sendo engendradas numa pequena cela monástica do Mosteiro de Tibães. Nasceu de uma cumplicidade desde logo criada entre mim e a cerca. Nasceu da continuidade de um outro trabalho que acabava de apresentar no Museu Amadeo de Souza Cardoso: "Espíritos Elementares - 23 simulacros". Com algas do mar de Vila Chã (Mindelo - Vila do Conde) tinha construído uma exposição e um livro para onde chamei o Casimiro de Brito e depois o Albano Martins, a Ana Hatherly, o Ramos Rosa, o Melo e Castro o Fernando Guimarães, a Teresa Horta e tantos outros que escreveram para aquelas algas que tinha feito para eles.

"Anima Vegetalis" é a continuidade de um projecto que cativa património natural criando património artístico para o transformar em património sensorial. É composto por 70 imagens fotográficas e constituirá uma exposição e um "livro" de folhas soltas acompanhadas por textos (também soltos) da autoria de Theodoro d'Almeida, um dos mais importantes iluministas portugueses. Os pequenos excertos, retirados do ambiente pedagogo da sua "Recreação Filosófica" de 1786, aproximam-se, aqui, de uma linguagem de quase poesia. Aproximam-se das imagens que, retiradas do chão daquela floresta, facilmente se transfiguram em quase poemas.
As fotografias são essencialmente feitas com "peças" encontradas no chão de Tibães. Preferi, sempre que possível, receber a dádiva daquela floresta do que roubar-lhe o que lhe pertencia.

Da direcção do Mosteiro de Tibães recebi a hospitalidade (tão cara aos seus "criadores", os beneditinos): uma antiga cela monástica albergou durante cerca de dois anos o meu "atelier de campanha" onde cuidava das "minhas" Animas, organizando, olhando, deixando-nos maturar (elas e eu) até nos encontrarmos no que são hoje estas imagens.

A publicação de um "livro" (na verdade não se trata bem de um livro, é antes o conjunto das folhas de papel impressas e preservadas numa "caixa de bombons". Queria que fossem "comidas" como iguarias para os olhos) representa a vontade de que fique o registo.

Dois anos de comunhão e aprendizagem com esta "floresta" criaram uma relação de cumplicidade que permitiu fecundar outros seres. Que sejam agora embriões. Que sejam agora o que temos dentro.

Que sejam hoje aquilo que já fomos e voltaremos a ser. Olhemos para eles como quem os come. Assim os saberemos assimilar, nos saberemos assimilar... vegetais. Este projecto não faria sentido se não fosse para mostrar.»

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CML aprova modelo urbano para o Parque Mayer e Jardim Botânico

«A Câmara de Lisboa aprovou ontem, com os votos contra do movimento Lisboa com Carmona e do PSD, "o modelo urbano desenvolvido no âmbito da elaboração do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente". Vários vereadores, incluindo do PS, questionaram a viabilidade da construção do auditório com dois mil lugares previsto no plano, mas António Costa garantiu que há "mais do que uma entidade" interessada no investimento.

Na prática, a aprovação da proposta significa, como explicou o vereador Manuel Salgado, que o instrumento de planeamento desenvolvido pelo gabinete Aires Mateus & Associados será agora enviado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, para que esta proceda à audição das entidades competentes e elabore um parecer. A constituição de direitos para os proprietários dos terrenos, frisou o vice-presidente da autarquia, só ocorrerá numa fase posterior do processo, quando o plano for aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa e publicado em Diário da República.

A explicação destinava-se aos eleitos pelo PSD, que no início da reunião camarária tinham ameaçado abandonar a sala por se dizerem "indisponíveis para participar na discussão e na votação de elementos de planeamento numa câmara que está a um mês de eleições". "Não achamos ético nem sequer sério", acusou a vereadora Margarida Saavedra, afirmando que a aprovação de algumas das propostas seria "meramente campanha eleitoral" porque, em seu entender, teriam que voltar a ser votadas pelo próximo executivo antes de irem à assembleia municipal. A ameaça do PSD, que foi apelidada de eleitoralista e muito criticada por todas as outras forças políticas, acabou por não se concretizar. Quanto ao facto de a titularidade do Parque Mayer estar a ser discutida em tribunal, também levantada por Margarida Saavedra, António Costa explicou que a sua opção foi fazer aquilo que podia enquanto não havia uma decisão judicial.

"Elaborar o plano de pormenor é uma competência municipal em qualquer parte da cidade", disse o presidente, acrescentando que a definição dos usos e edificabilidades dará à autarquia "uma base sólida e indiscutível para calcular o valor" do Parque Mayer se um dia decidir avançar com a expropriação do terreno ou com a sua aquisição.

A construção prevista de um auditório com dois mil lugares foi questionada por vários vereadores (incluindo os eleitos pelo PS Cardoso da Silva e Manuel Salgado), que lembraram a existência de equipamentos culturais próximos, como o São Jorge, o Tivoli e outros na Rua das Portas de Santo Antão e na Praça da Alegria. Carmona Rodrigues frisou aliás que a oportunidade deste investimento foi questionada pelos próprios serviços camarários.

Vários interessados
António Costa respondeu que "mais do que uma entidade demonstrou interesse e vontade em construir e explorar um equipamento com esta dimensão", admitindo no entanto que "ninguém pode garantir que essas intenções no momento certo se concretizem". O presidente afirmou que o equipamento não será construído com verbas municipais, defendendo ainda que se trata apenas de uma possibilidade, já que o plano de pormenor vive sem o auditório.

Na reunião de ontem, o vereador Ruben de Carvalho distribuiu um parecer dos serviços jurídicos da autarquia, no qual se conclui que, com a anunciada construção de uma subestação eléctrica em Monsanto "o Governo e a REN [Redes Energéticas Nacionais] violam clara e ostensivamente" a Lei de Bases da Política Florestal. No documento diz-se ainda que a obra "está obrigatoriamente sujeita" a avaliação de impacte ambiental, acrescentando-se que "continua a não ser claro" se tal aconteceu, "tudo parecendo apontar para que não o tenha sido". Apesar disso, os serviços jurídicos concluíram que a Câmara de Lisboa não tem bases para avançar com uma providência cautelar para travar a subestação eléctrica porque os serviços camarários ouvidos, incluindo a Divisão de Matas, "pronunciaram-se favoravelmente", pelo que "não é possível provar em juízo que a construção irá causar lesão ao Parque Florestal de Monsanto". No parecer recomenda-se assim que ao executivo camarário "desencadeie junto do Governo as medidas de carácter administrativo que entender necessárias para impedir que se construa a subestação".» In Público 10/9/2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Líquenes e Musgos no Jardim Botânico

Dia 9, quarta-feira, das 10h00 às 13h00:

"Líquenes - um mundo a descobrir!"

Dia 10, quinta-feira, das 10h00 às 13h00:

"Será possível avaliar Alterações Climáticas com base em indicadores biológicos? Um exemplo com musgos no Jardim Botânico"

Dia 14, segunda-feira, das 9h30 às 13h00:

"As comunidades de musgos hepáticos no tronco das árvores do Jardim Botânico. Aspectos ecológicos e taxonómicos"

Mais informações: http://www.cienciaviva.com/

Foto: musgos no Jardim das Cebolas, Jardim Botânico

Seis anos do Serviço de Extensão Pedagógica do Jardim Botânico



O Serviço de Extensão Pedagógica (SEP) do Jardim Botânico foi fundado em Setembro de 2003 com o intuito de organizar propostas extra-curriculares no âmbito da educação para a sustentabilidade, dar relevo às questões relacionadas com a conservação da biodiversidade e garantir a divulgação destas temáticas junto de todos. As acções pedagógicas e de divulgação da ciência desde então programadas e realizadas são destinadas a grupos escolares, a famílias e ao público em geral.

Objectivos
Dinamizar o Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural e a sua envolvente institucional.

Sensibilizar e motivar a população escolar, educadores, professores e famílias, à participação activa dentro do espaço Museológico e área envolvente.

Complementar e consolidar a aprendizagem de conceitos e práticas no âmbito da educação para a sustentabilidade no sentido da conservação dos recursos e da biodiversidade.

Valorizar e divulgar o património natural, através de acções de formação, cursos de curta duração e actividades pedagógicas, dirigidas ao público em geral.

Proporcionar um atendimento personalizado aos públicos do MNHN.

Proporcionar formação contínua, na área da Museologia e da Pedagogia, aos funcionários da instituição.

A Equipa
O Serviço de Extensão Pedagógica do Jardim Botânico – MNHN é constituída pelas biólogas Alexandra Escudeiro (coordenadora), Maria Teresa Antunes que é também curadora do Jardim e por Ana Raquel Barata. Na execução do seu plano de actividades conta com a preciosa colaboração de guias e monitores do Jardim Botânico e com a muito agradecida e essencial ajuda dos voluntários.

FOTOS: Aprender a fazer um Herbário de folhas do Jardim

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

JARDIM DE SANTOS: ameaçado pelo design?

«Poderia ser interessante a ExperimentaDesign fazer uma performance neste Jardim Histórico mas condicioná-lo à visão de um grupo de designers parece muito redutor.

Não se trata de um jardim particular mas público e, portanto, deveria manter-se como um espaço que permitisse as mais diversas formas de fruição.

Pessoalmente não procuro num Jardim o mesmo que procuro num Centro Cultural ou Comercial.A ideia de ver inscrições nos troncos das árvores aparece-me como uma ocultação da escrita natural que os mesmos encerram, para quem tenha vontade e capacidade de os ler.

O mesmo poderia dizer das propostas auditivas que se desenham para este Jardim como se os pássaros que o habitam tivessem sido de súbito atacados por uma doença que os silenciasse.

Em Lisboa, existem poucos espaços onde uma pessoa possa descansar, meditar, conversar, ler, desenhar sem ruídos, nem artíficios ou estímulos.

Não é verdade que o jardim esteja "ensonado" ou seja "velhinho", as árvores, como se sabe, já vivem neste planeta há muito mais tempo do que o ser humano, e por isso não é possível entender a sua idade nem a sua postura com os mesmos parâmetros (preconceitos) com que nos avaliamos.

O Jardim de Santos está cheio de vida, tem vida própria, e a presença humana é muitas vezes prejudicial à sua centenária alegria.A insistência em animar os jardins supõe uma terrível realidade: a de que os seus visitantes não têm capacidade de se descobrirem e descobrirem o espaço livremente.Um grande desafio para quem tem jardim interior.» 7-8-2009

Susana Neves, autora das crónicas "A Casa na Árvore" (TL)

Nota: Lamentamos que a manutenção, ou recuperação, do espaço público na nossa cidade esteja cada vez mais refém de patrocinadores ou "eventos especiais". Tal como muitos outros antigos espaços verdes lisboetas, o Jardim de Santos precisa é que substituam o pavimento em alcatrão e o mantenham limpo. Problemas para resolver são os resíduos deixados pelos frequentadores dos bares (copos de plásticos e garrafas de cerveja são mais comuns que as flores!), o excesso de estacionamento nos passeios circundantes e o ruído do trânsito da Av. 24 de Julho.

FOTO: Jardim de Santos e o Tejo. Finais do séc. XIX. Fotógrafo não identificado (Arquivo Municipal).

sábado, 5 de setembro de 2009

Casas com Telhados de Algas e Flores

In Denmark, on the island of Læsø, off the east coast of North Jutland, are houses with seaweed roofs, some of which have survived for as long as 300 years.

The seaweed, or eelgrass (Zostera marina), grows up to two metres or more long. It was collected from the seashore by horse and cart and, once dried, bundled and twisted into thick ropes that were then woven through a home’s rafters to form a roof a metre thick.

Over the centuries, the eelgrass roofs became misshapen and formed a habitat for wildflowers, with sedums and grasses sprouting on their surface. Today, only 20 of the houses survive.

A fungal disease wiped out much of the eelgrass in the 1920s and, perhaps due to changing sea currents, the beds have still not recovered around Laesø. The island’s residents have also started thatching their roofs with straw instead; it lasts only a few decades but is less labour intensive.

In its heyday, creating an eelgrass roof involved the labour of at least 40 women, while the men were out at sea. Henning Johansen, who is reviving the art of seaweed thatching, has estimated that it takes 300kg to thatch just 1 sq m of roof. Once complete, the roof’s ridge is covered with squares of turf to weigh it down. As rain permeates the layers of dried seaweed, it causes them to “glue together”, becoming watertight.

Johansen says that not only is a seaweed roof fire-resistant, it is also possible to walk on one without damaging it, which was important to the residents of the island centuries ago. They would regularly stand atop their homes with a telescope, looking out across the flat, then-treeless island for ships caught in storms. The main source of wood for the interiors of the houses came from shipwrecks.

Near the island’s main town of Byrum is Museumsgården, a fine, 350-year-old courtyard farmhouse that has been preserved. It has panelled walls from shipwrecks and recycled heavy oak timber flooring. The foundation is a layer of stones from the seashore, upon which timbers have been placed directly. Interior walls that aren’t made of salvaged wood are clay mixed with seaweed and covered with a lime wash.

Today, the island has been reforested and residents can no longer see the sea from their rooftops. Unfortunately, according to Johansen, reforestation might have been a factor in the demise of the seaweed roofs. In the 17th and 18th centuries, once the small island had been deforested, the air would have been full of sea salt, inhibiting the growth of plants on the roofs. Now, many houses are surrounded by trees, protecting them from salt-laden winds. Grass and other plants take root easily in the seaweed roofs, which eventually rot and have to be removed.

Over time, Johansen hopes to replace some of the existing roofs with new seaweed ones, rather than straw. He imports bales of dried eelgrass from 300km away in the southern Baltic and will soon start to make the first seaweed roof for over a century at a cost of £100,000 to its owner.

One tradition he will change, however, is the inclusion of a cow’s head or a cat inside the roof for good luck. “It was important for the cat to be alive when it was put there,” he says.

In Financial Times, 30-8-2008

http://www.museerne.dk/content/dk3

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vender um livro raro ou uma parte do jardim para pagar pessoal ou despesas correntes?

Vender uma escultura ou uma pintura para pagar pessoal ou despesas correntes? Quem diz uma pintura diz um Mosasaurus, um astrolábio ou o jardim botânico.

Tentador, sobretudo numa época de cortes nos museus... E infelizmente já aconteceu muitas vezes (até vender edifícios, veja-se o caso chocante em curso do Museu de Zoologia da Universidade de Amsterdão).

Porém, é proibido por todos os códigos deontológicos. E, a partir desta semana, é CRIME nos museus do estado de Nova Iorque - em todos os museus, incluindo universitários.

A lei vem na sequência da venda recente de colecções de arte para cobrir despesas, nomeadamente recuperar os 'endowments' das universidades largamente diminuídos com a crise financeira (e.g. Rose Museum da Brandeis University, há dois meses).

"These collections were not created as reservoirs of capital to be used for the benefits of the institution," said Mr. Brodsky, a Westchester County Democrat and a sponsor of the bill. "You keep selling paintings to keep the doors open and eventually you have open doors and no paintings."

Ler mais em:

http://www.nytimes.com/2009/03/18/arts/design/18rege.html

Faz falta uma lei destas em Portugal. Está nos códigos, é verdade, mas:

a) não tem força de lei;

b) muita gente desconhece os códigos, sobretudo nas universidades;

c) muitas colecções públicas estão fora da alçada dos museus. Quem as protege?

Marta Lourenço

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Biologia no Verão 2009

Sexta-feira, 4 Setembro, 17h00 no Jardim Botânico:

"Para além do nome das plantas: o papel de um Jardim Botânico no ecossistema urbano"

Sábado, 5 Setembro, 10h00-13h00 Jardim Botânico:

"A vegetação do Parque Florestal de Monsanto: funcionamento ecológico"

Sábado, 5 Setembro, 16h30-18h30 na Praia do Abano:

"As crostas biológicas do solo e sua importância na paisagem"

Mais informações: http://www.cienciaviva.com/

FOTO: Praia do Abano (2006) por Joel Santos

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

«Campanha anti-marquises em Setembro»


"Trata-se de um problema de educação cívica", comenta bastonário dos arquitectos, que fala em fenómeno único na Europa

As marquises nas fachadas dos prédios são um dos alvos de uma campanha que arranca no mês que vem para sensibilizar a população para os aspectos estéticos do fenómeno. As caixas de ar condicionado e os estendais também vão estar na berlinda nesta iniciativa, que, apesar de ter o apoio do Ministério do Ambiente, partiu de um gestor privado.

Aos 56 anos, Luís Mesquita Dias, que é presidente do conselho de administração da Unilever-Jerónimo Martins, decidiu que era altura de chamar a atenção dos portugueses para um fenómeno que diz nunca ter visto em parte nenhuma da Europa desenvolvida senão aqui - apesar de ter morado vários anos em Barcelona e Bruxelas e também em Banguecoque: "Choca-me ver o meu país degradar-se. Estamos a hipotecar a nossa paisagem urbana". Depois de, há 12 anos, ter tentado - sem sucesso - sensibilizar todas as câmaras municipais e várias outras entidades para a necessidade de pôr cobro àquilo que designa por "desordem urbanística", resolveu agir.

Um spot televisivo, outro radiofónico e cartazes nas ruas de Lisboa são as armas de que se muniu para desafiar a "impunidade com que se intervém nas fachadas dos prédios" e "a falta de controlo das entidades" responsáveis pela fiscalização. Com apenas 30 segundos, o spot televisivo mostra algumas marquises dos milhares delas que têm sido fechadas clandestinamente, aparelhos de ar condicionado colocados de forma indiscriminada e estendais "com cuecas que teimam em pingar", como diz a voz off do vídeo. "A cidade que temos é a cidade que fazemos", lê-se no final.

Casado e com dois filhos, Luís Mesquita Dias está ciente das reacções negativas que esta campanha - à qual se associaram parceiros não só institucionais como também privados, que pagaram os custos das suas diferentes vertentes - vai desencadear. As famílias com muitos filhos vão dizer que não têm outra alternativa senão pôr uma das crianças a dormir na marquise, antevê. "Mas não há famílias nos países onde o fenómeno nunca atingiu proporções semelhantes às portuguesas?", questiona.

Realista, o gestor sabe que é impossível arrancar as centenas de milhares de marquises clandestinas espalhadas pelo país. Por isso, apresenta uma solução: a colocação de estores brancos nestas excrecências acrescentadas às varandas. Todos iguais, de forma a uniformizar as fachadas.

O bastonário dos arquitectos, João Rodeia, ignorava a campanha que aí vem. Mas congratula-se por um particular ter resolvido chamar a atenção para o problema. "Não conheço outro país europeu em que isto aconteça", confirma. "Em Espanha as varandas têm toldos e as pessoas usufruem delas sempre que o bom tempo o permite". Então o que se passa em Portugal? "É uma questão de educação cívica", responde o bastonário. "E cada varanda tem um sistema de fecho diferente, o que desfigura ainda mais os edifícios".

"Compreendo a necessidade de espaço das pessoas, mas todos têm o direito a que as cidades não fiquem desfiguradas", acrescenta, referindo os anos e anos de permissividade das autoridades. "O que é mais angustiante é que a maioria das pessoas habituou-se a estes fenómenos e não os acha estranhos". Embora arranque em Lisboa, a campanha deverá estender-se ao Porto e eventualmente a outras cidades. In Público 27/8/2009

FOTO: Edifício da década de 60 do séc. XX na Rua António Pedro, 8. As varandas são óptimos locais para crescer plantas e assim contribuir para uma cidade mais saudável e bela. Encerrar as varandas com envidraçados contribui para o aumento da temperatura do ar (funcionam como estufas) para além de desfigurar a arquitectura da cidade.

sábado, 29 de agosto de 2009

Patience is a flower that grows not in everyone's garden

Patience is a flower that grows not in everyone's garden.
(provérbio inglês)
Nota: Imagem retirada da revista The New Yorker, Fevereiro 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ELEVATED PRINCIPLES



Uma obsoleta linha de caminho de ferro elevada em Nova Iorque foi transformada num "arruamento" arborizado só para peões. A inauguração do primeiro sector foi em Junho passado:

One of the most striking tropes of any sci-fi city of the future has always been the stratification of travel, the elevated railway, the monorail, streets in the sky, the flyover. From Le Corbusier to the World’s Fair Futuramas, the skyscraper skyline has always been interwoven with aerial roads and tracks.

For a while, these visions seemed to be coming true in New York. The Empire State Building was crowned by a Zeppelin mooring mast, the Rockefeller Center introduced a layered city of subterranean plazas and terraces while subway and rail lines cut swathes under and over the city in complex webs of structural steel.

But it didn’t last. The High Line, a freight railway built to service the huge industrial buildings around Chelsea, was begun in 1929 but, by the 1960s, after less than a generation, was already defunct. Wandering around Chelsea today, wending between galleries and lofts, between photo-shoots and audition lines, it is hard to see it was ever there. The High Line’s rusty legs poke hesitantly through the cliffs of masonry but, occasionally, glimpses of the railway flash into view; a delicious art deco detail, a rusty riveted column, a web of steel beams. Now it is being revived in a vision of the new transport for the future, a new vision of the stratified city. It is becoming a place to walk.

The surface of the High Line has been made into an elevated linear park and, in a rare stroke of urbanistic genius, a defunct amenity, long considered a strip of urban blight, has become an engine of regeneration.

Its rebirth has spawned a boom in development along its length and its environs have become the city’s most extraordinary architectural showcase. It is becoming a kind of museum of contemporary design. And at its heart is the Standard Hotel. (...) Its rooms, decked out in a kind of retro-futuristic-nautical, give the most astonishing views over the city. The vista sweeps out over the Hudson and out to the Statue of Liberty while the endless activity around the meat storage units below roots the views in the gritty everyday life of the city, such as workers with blood-stained aprons and wasted clubbers at dawn.

But it also looks out on to its own vista, the long, green expanse of the High Line. The story of these old tracks is an encouraging tale of perseverance and preservation. Joshua David and Robert Hammond set up the Friends of the High Line in 1999, garnering instant celebrity support. Working hard to encourage community activism and commissioning New York architects Diller Scofidio + Renfro, the plan emerged to turn the tracks back into a more refined version of the picturesque wilderness they had become.

An exquisitely sylvan set of photos by Joel Sternfeld showed the lines as they were, an artery of untamed foliage flowing through the city and they helped people understand that this could be a green amenity rather than a toxic eyesore.

It helped also that this had been done before, in Paris’s wonderful Promenade Plantée. The architects of the High Line, who are also responsible for the recently-opened Alice Tully Hall at Lincoln Centre, worked hard to analyse the strange collection of plants that had gathered and thrived along the tracks. The very particular ecosystem was maintained and encouraged, rotten tracks were removed and replaced. The park enables the visitor to walk, uninterrupted by crossings and lights, across 18 blocks of the city centre.

Along with the new arrivals, there’s still plenty of the old Chelsea on view. The glistening skyline spike of the Empire State Building keeps the journey focused as the former tracks wend their way up from Gansevoort Street. The path passes under the brick hulk of the former Nabisco factory, its massive underbelly delicately graffitied in filigree tags, its once-shattered windows transformed into an artwork by Spencer Finch, each new pane derived from a colour study of the endlessly changing waters of the Hudson.

There is the radical new architecture itself spawned by the prospect of the High Line’s urban revitalisation: Neil Denari’s extraordinary HL23 Tower bulges over the tracks, its base squeezed on to an impossibly tight site, the cross-bracing rippling up through its skin in an echo of the High Line’s metal structure; there is the space-age pod of Diane von Furstenberg’s crystalline loft by architects Work; there is Shigeru Ban’s wonderful apartment block, an open crate of terraces with aluminium screens to shutter it up like a storefront; there are the patchwork façades of Jean Nouvel’s 11th Avenue condo tower and beside those the rippling fronts of Frank Gehry’s IAC headquarters by the Chelsea Piers.

As the High Line crosses over 10th Avenue, the structure reveals an unusual view to Midtown and the structure dips down to make a hanging public space suspended above the flowing current of traffic. There is the industrial vernacular that litters the route: metal bridges, an industrial version of Venice’s Rialto, spanning between mountainous brick buildings; there are the spindly hats of the dwindling water towers, so characteristic of the city’s roofscape.

Already the revived landscape of shrubs and reeds, saplings and grasses is obscuring the tracks and railings, the latticework sides and deco details. The High Line has become a wonderfully strange landscape, a park that takes up no space, which drifts through the city like a magic carpet. If Central Park is the most extraordinary monument to nature, a huge slice of Manhattan’s natural landscape in the midst of the world’s first modern city, then the High Line is nature winding its way back through the grid, reasserting itself over the city of industry.

And this is the moment to see it. New York is at its best at the moment it changes, the dark grids of still-exposed structural steel skeletons, the hum of construction, the evocative juxtapositions of fire escapes and scaffolds, decay and renewal, water towers and cranes. For now, the clubs and the warehouses, the meatpackers and the models, the glaziers and the gallerists co-exist in a slice of real urbanity. One day, it’ll all be condos and museums but, for now, this extraordinary linear park offers the most thrilling architectural walk in the world.

in Financial Times, 18 Julho 2009

FOTOS: retiradas do http://www.thehighline.org/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

XIX Jornadas sobre a Função Social do Museu

XIX JORNADAS SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DO MUSEU

PAÇOS DE FERREIRA - 13 a 15 de Novembro de 2009

"O TRABALHO COMO PATRIMÓNIO MUSEOLÓGICO"

MINOM - Movimento Internacional para uma Nova Museologia
MUSEU DO MÓVEL - Paços de Ferreira
MUSEU ARQUEOLÓGICO DA CITÂNIA DE SANFINS - Paços de Ferreira
CÂMARA MUNICIPAL DE PAÇOS DE FERREIRA

O Trabalho como Património Museológico será o tema geral das XIX Jornadas Sobre a Função Social do Museu, a terem lugar em Paços de Ferreira entre 13e 15 de Novembro de 2009, sob organização do MINOM e Câmara Municipal de Paços de Ferreira.

Estas Jornadas, abertas à participação tanto de utentes como de profissionais de museus, propõem-se ser um espaço de troca de experiências técnicas e de reflexão colectiva sobre as finalidades da museologia e da museografia. Os debates em grupos de trabalho incidirão sobre os temas específicos "Patrimónios do Trabalho", "Memórias do Trabalho" e"Economuseologia".

Em próxima circular informativa, a distribuir brevemente, serão apresentados o Programa de Trabalhos das XIX Jornadas, as condições de participação e outras informações úteis.

Pedidos de informações devem, para já, ser encaminhados para:

César Lopes, Museu Nacional de História Natural cllopes@fc.ul.pt

FOTO: Edifício da biblioteca da antiga Escola Politécnica

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Plantas da Bíblia no Jardim Botânico"

No âmbito da iniciativa Biologia no Verão 2009 pode visitar, mediante inscrição no site da ciência viva, a exposição "Plantas da Bíblia no Jardim Botânico" na próxima quinta-feira dia 27 das 9h30 às 13hoo no Jardim Botânico.


FOTO: Romãs, o fruto da Punica granatum

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

GRETA OTO... a borboleta transparente

Greta oto, mais conhecida como a "borboleta transparente". Tudo o que sabemos é que se encontra numa área que vai desde o México ao Panamá.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

The Lake of Lilies..


When you have only two pennies left in the world, buy a loaf of bread with one, and a lily with the other.

(provérbio chinês)

FOTOS: Nenúfares no Jardim Botânico de Singapura

sábado, 15 de agosto de 2009

300 anos da «passarola» de Gusmão

Bartolomeu de Gusmão - Nasceu em Santos, S. Paulo, no Brasil, e fez estudos no Seminário jesuíta de Belém, na freguesia de Cachoeira, Capitania da Baía, onde se ordenou. Desde muito cedo se interessou pelo estudo da Física, tendo concebido uma máquina de elevação de água a 100 metros de altura, no Seminário de Belém. Em 1701 veio para Portugal, tendo regressado ao Brasil pouco depois, para voltar a Portugal em 1708 a fim de fazer o curso de Cânones da Universidade de Coimbra. Aqui desenvolveu os seus estudos de Física e Matemática. Em 1709 dirigiu uma petição a D. João V anunciando que tinha descoberto "um instrumento para se andar pelo ar da mesma sorte que pela terra e pelo mar". O rei concedeu-lhe privilégio para o seu instrumento por alvará de 19 de Abril de 1709. Fez várias experiências com balões de ar aquecido, algumas delas na presença de D. João V e da corte.

Em 1713 partiu para a Holanda onde pretendia desenvolver as suas experiências. Voltou em 1716 e concluiu em 1720 o curso universitário que tinha interrompido. Fundada a Academia Real de História em 1720, foi nomeado académico e D. João V colocou-o na Secretaria de Estado tendo-o nomeado fidalgo-capelão da casa real e concedeu-lhe rendimentos no Brasil. Foi encarregado pela Academia de escrever em português a História do Bispado do Porto. Pouco antes de morrer converteu-se ao judaísmo e em 1724 fugiu para Espanha evitando as perseguições da Inquisição de que era alvo. Faleceu num hospital de Toledo, Espanha, durante a fuga, em 1724.

Principais contributos científicos
Cognominado o "padre voador", é considerado um percursor da aeronáutica sendo dos primeiros a provar a possibilidade de criar engenhos com capacidade para voar. O projecto que apresentou a D. João V previa a possibilidade de criar um instrumento que permitisse mandar avisos a territórios longínquos, transportar produtos ultramarinos, socorrer praças sitiadas, descobrir as regiões próximas dos pólos, e resolver o problema das longitudes.

Após ter recebido do rei D. João V, em 19 de Abril de 1709, apoio e um privilégio que lhe permitiria ter o exclusivo na construção de máquinas voadoras, dedicou-se a esta tarefa. A 5 de Agosto de 1709 fez uma primeira experiência pública, na sala do Paço e na presença do rei, tentando fazer subir um globo de papel que tinha sob a abertura uma pequena barquinha com fogo, mas o balão ardeu sem voar. A segunda experiência, a 7 ou 8 de Agosto resultou. No dia 8 de Agosto de 1709, na sala dos embaixadores da Casa da Índia, diante de D. João V, da Rainha, do Núncio Apostólico, Cardeal Conti (depois papa Inocêncio XIII), do Corpo Diplomático e demais membros da corte, Gusmão fez elevar a uns 4 metros de altura um pequeno balão de papel pardo grosso, cheio de ar quente, produzido pelo "fogo material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada". Com receio que pegasse fogo aos cortinados, dois criados destruíram o balão, mas a experiência tinha sido coroada de êxito e impressionado vivamente a Coroa. A 3 de Outubro um outro "instrumento de voar", lançado da Casa da Índia, elevou-se a grande altura.

Durante a segunda metade do século XVIII difundiu-se a ideia de que o próprio Bartolomeu de Gusmão teria efectuado um voo num aeróstato por ele construído, entre o Castelo de S. Jorge e o Terreiro do Paço, mas trata-se de uma lenda, não há documentos que registem esse acontecimento e as suas experiências teriam avivado a imaginação popular a tal ponto que ele seria alvo de chacota.

Não se conhecem outras experiências para além das que praticou na corte, sendo muito famosa a gravura que fez da "passarola", que não terá passado de um artifício de Gusmão para desviar a atenção dos seus detractores e dos curiosos.

As experiências com aeróstatos foram desenvolvidas na segunda metade do século XVIII pelos irmãos Montgolfier, Joseph Michel (1740-1810) e Étienne (1745-1799). Após várias experiências, em Setembro de 1783 fizeram subir um balão de ar aquecido que transportou três animais e em Novembro um outro balão transportou duas pessoas e sobrevoou Paris.

in Instituto Camões