Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura do Séc. XIX-XX. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura do Séc. XIX-XX. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de junho de 2015

«Lisboa Entre Séculos, A Arquitectura Ameaçada dos séculos XIX e XX» pelos Urban Sketchers



“Lisboa Entre Séculos, A Arquitectura Ameaçada dos séculos XIX e XX, vista pelo olhar dos Urban Sketchers”, é uma exposição a não perder. Uma iniciativa do Fórum Cidadania Lx, com o apoio da CML, que terá lugar no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, de 6 a 30 de Junho, com inauguração dia 5, às 18h. Um gesto de cidadania face à persistente destruição daquele património edificado e dos seus interiores. O que resta das grandes avenidas de Novecentos projectadas para colocarem Lisboa no mapa das capitais da Europa, ou dos bairros e vilas operárias, dos palacetes de uma burguesia que então se afirmava, das inovadoras instalações científicas, das lojas de referência da sociedade, das casas de espectáculos de uma Lisboa boémia? Um desafio e um apelo a uma verdadeira salvaguarda e valorização da Lisboa Entre Séculos. A entrada é livre.

domingo, 18 de maio de 2014

Visita Guiada ao Palácio Vilalva em Lisboa

Visita Guiada ao Palácio Vilalva em Lisboa    
DATA:  25 de Maio - 11H 
LOCAL: Largo de São Sebastião da Pedreira, Lisboa 
GUIA DA VISITA: Coronel Geraldo (Director do Jornal do Exército) 
ORGANIZAÇÃO: Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) 
INSCRIÇÃO: Visita limitada a 30 participantes. É necessário inscrição prévia para amigosdobotanico@gmail.com ou TM: 935 587 982.  

O Palácio Vilalva, também conhecido como Palácio José Maria Eugénio ou Palácio de São Sebastião da Pedreira, foi a antiga residência da Família Eugénio de Almeida.  

As origens do actual edifício remontam ao ano de 1730 quando o seu primeiro proprietário, o arquitecto francês Fernand Larre (Provedor dos Armazéns de D. João V), decidiu levantar neste local a sua residência. Este palácio, com vasta área arborizada anexa - a Quinta da Provedoura - passou depois para os herdeiros de Larre que o beneficiaram interiormente recorrendo ao famoso estucador milanês Giovanni Grossi e a outros artistas italianos como Félix Salla, Biel e Gomassa.   

Em 1859 a propriedade passou para o grande capitalista José Maria Eugénio de Almeida (1811-1872), um dos sócios do «Real contrato do tabaco, sabão e pólvora», que logo iniciou a sua reedificação e ampliação, conforme hoje o vemos. O projecto foi da autoria do arquitecto francês Jean Colson. Os relevos escultóricos da fachada são do escultor francês Anatole Calmels (no tímpano do frontão uma composição representa as Artes e as Ciências numa alegoria "Estímulo para o Estudo"). O desenho e execução do parquet foi entregue ao famoso belga Joseph Godefroy e as serralharias artísticas vieram da oficina Parisiense de Alexandre Bertrand. Notável também é a grande Bibiloteca com estantes esculpidas em carvalho maciço. José Maria Eugénio teve um envolvimento muito activo em todas as fases do projecto, escrevendo cartas aos fornecedores e artistas estrangeiros. De facto, este palácio contém um conjunto notável de interiores oitocentistas, seguindo o gosto de Paris e Bruxelas:   

No contexto da sociedade portuguesa do século XIX, a relevância e o estatuto alcançados pelos membros da elite social eram acompanhados por um trem de vida com sublinhados de conforto e de distinção que se manifestavam na exuberância dos palácios, nos rituais de sociabilidade, na elegância do vestir e, claro está, no requinte decorativo dos espaços de residência. Adquirido em 1859, o Palácio de São Sebastião da Pedreira foi a residência principal da família Eugénio de Almeida em Lisboa. A ornamentação dos interiores constituiu também um instrumento de afirmação do estatuto social dos seus promotores, agora pela via da estética e da arte, au goût de Paris e Bruxelas. (Isabel Mendonça, FCSH-UNL)  

O parque fronteiro aos jardins do palácio - Parque de Santa Gertrudes - estendia-se então até à actual Avenida de Berna num total de 86000 m2 e era inteiramente rodeado de muro ameado. O parque, com projecto inicial de 1864 do arquitecto português Valentim Correia, teve a sua plantação iniciada em 1866 sob a direcção do jardineiro suiço Jacob Weifs. Em 1866 é entregue ao arquitecto italiano Giuseppe Cinatti o projecto da construção de luxuosas cocheiras e cavalariças num estilo que sugeria um castelo inglês (separadas do palácio pela Avenida Duque de Ávila). Em 1920 estas cocheiras seriam transformadas em habitação pelo Arquitecto Raul Lino, servindo de residência particular dos herdeiros até aos dias de hoje. No Parque de Santa Gertrudes esteve instalado o Jardim Zoológico de Lisboa entre 1890 a 1909.   

Nos princípios de 1946 o Estado adquiriu o palácio ao bisneto Vasco Maria Eugénio de Almeida, 2º Conde de Vilalva, realizando-se durante os dois anos seguintes obras de beneficiação e de adaptação à nova função. Estes trabalhos foram dirigidos pelo arquitecto António Quirina e os engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro. A 28 de Agosto de 1948 o edifício foi oficialmente inaugurado como Quartel-General do Governo Militar de Lisboa, no qual permaneceu até à sua extinção a 15 Julho de 2006. Desde 2007 o Palácio Vilalva alberga o Centro de Finanças Geral (CFG), a Inspecção Geral do Exército (IGE), o Conselho Superior de Disciplina do Exército (CSDE) e o Jornal do Exército (JE).

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Nosso Bairro: Cinema Odéon faz 85 anos

O Cinema Odéon, na Rua dos Condes, inaugurou há exactamente 85 anos, no dia 21 de Setembro de 1927 com o filme "The Merry Widow" (1925). Este raro e belíssimo edifício está fechado há várias décadas. Recentemente um projecto de demolição do interior foi aprovado pela CML e IGESPAR. Lisboa merecia melhor. Lisboa merecia receber o Odéon restaurado! Ninguém se levanta pela defesa do património cultural da nossa cidade?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Autoridade do património desiste de proteger Avenida da Liberdade


Director-geral do Património afirmou que não faz sentido classificar a principal avenida de Lisboa. Chovem críticas severas, mas há quem compreenda a posição defendida por Elísio Sumavielle

Manuel Villaverde aponta as varandas de fino rendilhado de um edifícios oitocentista da Avenida da Liberdade: "Será que isto é alcatrão?!". Mais adiante entra noutra imponente mansão e mostra o antigo elevador ainda no sítio, os tectos de estuque, os gradeamentos de ferro trabalhado a suportar o corrimão de madeira: "Este edifício também ainda está todo completo. Também é alcatrão?!"
No início de Agosto o director-geral do património, Elísio Summavielle, declarou numa entrevista ao PÚBLICO a sua intenção de abandonar os propósitos de classificação patrimonial da Avenida enquanto conjunto urbano. Os prédios construídos para os burgueses endinheirados que foram habitar a primeira grande avenida portuguesa têm desde 1989, ano em que foi aberto o processo destinado à sua classificação, uma protecção legal resultante de estarem em vias de classificação, que desaparecerá no final do ano. Isto porque a Direcção-Geral do Património tenciona deixar caducar este e outros processos (ver segundo texto). Para Elísio Summavielle, neste momento "é difícil justificar a coerência da Avenida como conjunto" patrimonial, e se alguma coerência existe "limita-se ao alcatrão". Por isso, a classificação seria uma "redundância anacrónica".
A afirmação chocou alguns defensores do património, mesmo tendo em conta que os especialistas que compõem o órgão de aconselhamento da Secretaria de Estado da Cultura nestas matérias, o Conselho Nacional de Cultura, tinha, há cerca de um ano, proposto o arquivamento do processo de classificação. Mas nem esta posição foi divulgada nem se promoveu uma discussão pública que possa fazer alguma luz sobre as consequências de semelhante decisão. Algumas das figuras cimeiras da arquitectura portuguesa desenharam para a Avenida: Norte Júnior, Pardal Monteiro, Teotónio Pereira.
A questão não está em que o património fique ali sem qualquer resguardo legal. Como refere o director-geral do Património, a meia dúzia de imóveis já classificados na Avenida - Diário de Notícias, cinema Tivoli e hotel Vitória, entre outros - tem na maioria dos casos uma ampla zona de protecção que obriga a que também os projectos para obras em seu redor, e não só nos próprios edifícios, tenham de ser submetidos à apreciação da autoridade patrimonial. "A maior parte do espaço da Avenida está hoje abrangido por zonas de protecção de imóveis classificados, o que lhe confere já uma protecção efectiva, o que não acontecia anteriormente", refere Elísio Sumavielle. Por outro lado, acrescenta, "o município possui já instrumentos de gestão territorial que garantem uma evolução mais coerente e ordenada para aquele espaço urbano", nomeadamente o plano de pormenor da Avenida.
O problema é que os especialistas não se entendem sobre se isto chega para evitar a descaracterização - e há os que declaram peremptoriamente que não. É o caso de Manuel Villaverde, um investigador do Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa que conhece as riquezas da Avenida quase como se fossem suas, ou não tivesse apresentado em 2007, em Berkeley, na Califórnia, um doutoramento sobre os boulevards ibéricos. "Aquilo a que estamos a assistir é a um lavar as mãos por parte da administração central, que assim se demite das suas responsabilidades no que respeita ao património", critica, explicando que a Avenida constitui "o primeiro elemento urbano da modernidade portuguesa".
Considerando as afirmações de Elísio Summavielle "lamentáveis", o investigador diz que elas "não têm qualquer rigor", uma vez que há ainda muito para salvaguardar na principal artéria de Lisboa. "Claro que não devemos ser ingénuos e achar que a classificação resolve tudo", reconhece. "Não vale de nada, se não houver uma estratégia de gestão". Para Manuel Villaverde, no entanto, o facto de o Estado desistir de dar esse passo pode até inviabilizar o recurso a fundos europeus de reabilitação patrimonial.
De indignação são também as palavras de Raquel Henriques da Silva, que estudou o trabalho de Ressano Garcia, responsável pelo surgimento desta e de doutras artérias da cidade. A historiadora de arte considera escandalosa a afirmação do director-geral sobre a falta de coerência fora do alcatrão. E explica porquê: "Trata-se de um belo traçado, com a pequena escala do melhor urbanismo lisboeta. Herdou e ampliou o Passeio Público de fundação pombalina. Foi e é palco de mais de um século de história, simbolizando, com euforia, a nova Lisboa nascida do liberalismo oitocentista, gerando uma nova imagem da cidade que até ao terramoto sempre crescera ao longo do rio". Estranhando que Summavielle "proclame a subalternização e a desqualificação daquilo que ele gere politicamente" - o património - Raquel Henriques da Silva admite, contudo, que um plano sectorial rigoroso defende com mais eficácia a Avenida do que uma mera classificação.
De preocupação são igualmente as palavras de Paulo Pereira, alguém que já ocupou funções idênticas às de Elísio Summavielle. Mesmo reconhecendo a descaracterização resultante de obras autorizadas nas últimas décadas do século passado, e que foram desde a pura e simples substituição de edifícios antigos por prédios com fachadas inteiras de vidro até à colocação de "chapéus" de mais três ou quatro andares em cima dos velhos prédios, o ex-vice-presidente do instituto do Património considera a classificação "um instrumento de trabalho muito importante para a Câmara de Lisboa", evitando situações menos dúbias e decisões casuísticas. "Mas cada vez mais a administração central se exime das suas competências de protecção do património", lastima. O argumento das zonas de protecção em redor dos imóveis classificados e do plano de urbanização não o convencem: "O plano tem uma intensidade legal baixa, e os imóveis inseridos nas zonas de protecção não têm o mesmo estatuto dos que estão classificados". Risco? "O de uma maior descaracterização, mesmo que a câmara não ceda facilmente a tentativas de desvirtuamento". Mas é natural que haja quem se oponha à classificação: "Significa menos receitas para o Estado, por via da isenção do IMI".
Membro do movimento cívico Forum Cidadania, Luís Marques da Silva não tem dúvidas sobre o objectivo de uma decisão como a de deixar cair a classificação: "Promover a especulação imobiliária". No entender do movimento, existem na zona 40 imóveis com capacidade para serem classificados. "Os edifícios mais caros das principais cidades europeias são aqueles que foram recuperados", assinala o arquitecto.
Autor do plano de urbanização da Avenida, Manuel Fernandes de Sá não se opõe à classificação. Mas pensa que as regras de intervenção que fixou são suficientes. O plano divide o património em três escalões: valor elevado, valor relevante e valor de referência. No primeiro caso, correspondente a edifícios classificados ou merecedores do prémio Valmor, não é permitida a alteração do número de pisos, sendo apenas admitidas obras de conservação e reabilitação. Nos restantes tudo depende da apreciação da câmara. Se a classificação fosse por diante a decisão final caberia ao instituto do Património, como sucedeu, aliás, no último quarto de século.
Especialista em conservação do património, Simonetta Luz Afonso mostra-se optimista: "As pessoas não são estúpidas ao ponto de não perceberem a mais-valia que traz este património". A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa pensa que existem instrumentos que salvaguardam a avenida das atrocidades do passado. "Há lá prédios que eu implodiria já amanhã", observa. Mais do que "congelar a Avenida", Simonetta defende a necessidade de a revitalizar, recriando o espírito do antigo Passeio Público e reduzindo substancialmente o trânsito.
Os mamarrachos deixados erguer nas últimas décadas levam igualmente o historiador Sarmento de Matos a defender que a classificação dificilmente é uma opção neste momento. O olissipógrafo levanta uma questão central: os encargos que a manutenção destes edifícios implica para os proprietários. "Não lhes podemos impor ónus brutais sem lhes dar compensações". Por outro lado, uma classificação massiva como a que estava prevista não é compaginável com um quadro de funcionários públicos cada vez mais magro, adianta. Quem analisaria os processos de obras? Quem fiscalizaria o cumprimento das regras?
Sobre esta matéria o PÚBLICO tentou ainda ouvir a Câmara de Lisboa, mas ninguém se mostrou disponível para prestar declarações.
Manuel Villaverde continua a subir a Avenida, imparável: "Aquela casa do outro lado da Avenida era do Alfredo Keil, o autor do hino nacional, que se mudou para aqui em 1870. Aqui morava o alfaiate da corte mais acima um grande fabricante de pianos..."


Dezenas de edifícios ameaçados
Por Ana Henriques in Público
Tal como a Av. da Liberdade no seu conjunto, há dezenas de edifícios de reconhecido valor patrimonial no resto da cidade - e também país fora - cujos processos de classificação caducam no final do ano, graças a uma lei do tempo em que Elísio Summavielle era secretário de Estado da Cultura.
O sucessor de Summavielle, Francisco José Viegas, tem garantido que não haverá património em risco a partir de 2013, mas nunca explicou se vai ser necessário proceder a mais uma prorrogação de prazos, como sucedeu nos últimos dois anos, uma vez que é impossível aos serviços despacharem a tempo as cerca de cinco centenas de processos ainda por resolver a nível nacional.
A estação do Cais do Sodré, de Pardal Monteiro, é um desses casos, tal como a estação fluvial de Sul e Sueste, de Cottinelli Telmo. Igualmente desenhado por Pardal Monteiro, o hotel Ritz - que chegou a ser alvo de um projecto de transformação de Siza Vieira que nunca foi aprovado, e que incluia a construção de mais duas torres no embasamento original - faz parte deste lote, tal como o antigo liceu Camões, que aguarda uma intervenção da Parque Escolar.
A sede do Instituto Nacional de Estatística, nas imediações do Instituto Superior Técnico, desenhado por Arsénio Cordeiro, é outro imóvel em vias de classificação, tal como o edifício da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, situado na mesma zona. Mais adiantada está a classificação do Palácio da Mitra, na zona do Beato, embora ainda não tenha sido publicada em Diário da República a sua protecção. A aguardar classificação e em risco de caducar o processoencontram-se ainda as gares marítimas de Alcântara e Rocha Conde de Óbidos, bem como a penitenciária de Lisboa. Elísio Summavielle tem dito que prioritário, mesmo, é o alargamento área classificada da Lisboa pombalina, também em risco de caducar no final do ano 

domingo, 17 de junho de 2012

Visita da LAJB ao Palácio e Jardim Sousa Leal











O Palácio e Jardim Sousa Leal, juntamente com os dois palácios a norte e sul, é um conjunto classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público desde 1977 (Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977).
A Liga dos Amigos do Jardim Botânico agradece mais uma vez à Direcção dos CTT a generosa oferta  desta visita. De facto, a LAJB teve o privilégio de ser o primeiro grupo organizado a receber autorização para visitar a antiga sede dos CTT. Especial agradecimento é devido à Sra. Fátima Almeida e ao Sr. Álvaro Godinho dos CTT que nos receberam e guiaram pelos espaços do Palácio e Jardim. O nosso agradecimento também às nossas associadas Alexandra Escudeiro e Cristina Girão pela ajuda na interpretação das espécies do jardim e parque. Esperamos que o sucesso desta visita inspire a Direcção dos CTT a planear visitas regulares a este desconhecido mas belíssimo palácio oitocentista de Lisboa - foi esse desafio que lançamos com esta nossa visita...

Visita da LAJB ao Palácio e Jardim Sousa Leal








PALÁCIO DOS PEDROSAS (1831-1860)
Data do ano de 1800 a primeira notícia que há da construção de um "palácio" pelo Comendador Manuel José da Silva Franco. O imóvel foi por sua vez comprado em 1831 pelo desembargador José António da Silva Pedrosa que aqui viveu até ao ano de 1842 altura em que faleceu. A viúva e os filhos ficaram na posse do palácio e nele habitaram até 1856 ano da morte da viúva D. Rita Camila. Os interiores do palácio receberam importantes remodelações pela família Pedrosa: do Brasil vieram madeiras valiosas para sobrados e tectos.

PALÁCIO SOUSA LEAL (1885-1911)
Após um período em que o palácio esteve desabitado, de 1858 a 1860, foi adquirido pelo capitalista JOSÉ DE OLIVEIRA DE SOUSA LEAL que fez fortuna nas colónias de África. José de Sousa Leal fundou em Lisboa uma importante organização comercial com o objectivo de fazer transações com o continente Africano, para o que possuía uma frota de barcos para transporte de mercadorias. O Comendador José de Oliveira de Sousa Leal faleceu em Outubro de 1881 e a propriedade passou por herança para o filho ALFREDO DE OLIVEIRA DE SOUSA LEAL. Herdando a enorme fortuna paterna, Alfredo Leal foi também figura de relevo na época, ocupando lugares de importância tais como os de Director da Companhia do Gás e Director do Banco de Portugal.

Em harmonia com a situação financeira e social, e casando por volta de 1884 com Dona Adelaide Carolina Lambruschini-Rapeto, descendente de família nobre genovesa, Alfredo Leal toma a decisão de se instalar no Palácio dos Pedrosas. Situado a dois passos da luxuosa Avenida da Liberdade (inaugurada em 28 Abril 1886) e com mais de 600m2 de área de jardim, os interiores iriam ser alvo de um complexo processo de remodelação de modo a transformá-lo numa luxuosa habitação.

Alfredo Leal submete à Câmara Municipal de Lisboa um «Projecto para as modificações exteriores e interiores» no dia 11 de Fevereiro de 1885 – que foi deferido logo a 25 de Fevereiro de 1885 (obra nº 9460, Arquivo Municipal de Lisboa). As obras decorreram pelo menos até finais de 1886 pois a 3 de Março desse ano é entregue um pedido de prorrogação da licença de obras por mais 8 meses. Mas os últimos detalhes de decoração estariam ainda a decorrer em 1887 pois essa data surge em várias telas a óleo dos tectos do andar nobre.

Para além da decoração que foi realizada em todo o interior, também há a destacar as seguintes alterações: a escadaria e entrada nobre passou para o pátio norte; foi criada uma nova escadaria em espiral para ligar todos os pisos; no piso das lojas, com entrada directa para a Rua de S. José, para além das cocheiras foram criadas instalações para os escritórios com casa-forte, espaços ainda hoje existentes. Os dois pátios que ladeiam a fachada do Palácio a norte e sul foram remodelados com a substituição dos antigos muros e portais por gradeamento de ferro, ao centro do qual se abrem portões de ferro fundido com pares de lampadários para a novidade da iluminação a gás. Nos interiores foram redecorados mais de 4000m2 de área, com destaque para os espaços do andar nobre: Sala de Entrada, Sala de Música, Sala de Visitas, Sala de Baile, Sala de Bilhar, Sala de Fumo e a Sala de Jantar.

Sousa Leal deve ter estreado a sua nova residência e parque em 1888, justamente na época em que se lançava num grande novo empreendimento: por contrato com o Governo aprovado em 4 de Junho de 1887 assumiu, juntamente com António de Sousa Lara, o encargo de estabelecer carreiras regulares de navios entre a Metrópole e as colónias em África. Foi constituída uma sociedade constituída por 35 indivíduos e firmas comerciais sob a designação de Mala Real Portuguesa, de que Alfredo de Sousa Leal era o principal capitalista.

JARDIM e PARQUE SOUSA LEAL

Para além dos cerca de 600m2 de jardim e pátios, Alfredo de Sousa Leal comprou em 1885 o parque que se estende pela íngreme colina que vai das traseiras do edifício até ao Torel. Toda esta área, que veio valorizar muito o Palácio, recebeu um traçado orgânico de caminhos, canteiros e foi plantada com palmeiras e diversas árvores ornamentais como era moda na época. Referência ainda ao precioso Roseiral que Alfredo de Sousa Leal cultivava com especial carinho no jardim formal atrás do andar nobre do Palácio.

A Mala Real Portuguesa acabou por falir em 1891 e Sousa Leal perdeu mais de metade da fortuna que herdara de seu pai – uma perda que não conseguiria recuperar. Os bailes e festas pararam e não vieram a dar-se no palácio mais do que festas íntimas com poucos convidados. Em 1911, Alfredo de Sousa Leal abandona o palácio indo residir para um banal apartamento na Rua Andrade na freguesia dos Anjos.

PALÁCIO sede da Administração dos CTT (1912-2010)

A 30 de Dezembro de 1911 assinava-se o contrato de arrendamento do palácio à ADMINISTRAÇÃO GERAL DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS. Alguns dias depois Alfredo de Sousa Leal morre, a 5 de JANEIRO de 1912, com 57 anos. A viúva, D. Adelaide de Sousa Leal, viria a falecer em Janeiro de 1923. 

Depois de ter sido vendido ao comerciante Joaquim dos Santos Lima em 1916, o paláciopassou para a posse dos CTT por doação na segunda metade do séc. XX. No final de 2010 a Administração dos CTT deixa o Palácio Sousa Leal passando a sua sede para um novo edifício no Parque das Nações em Lisboa. Actualmente restam na antiga sede histórica alguns serviços como a Provedoria. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A LAJB no Chalet e Jardim da Condessa d'Edla









No Chalet da Condessa d'Edla vemos uma utilização muito curiosa e bem conseguida da cortiça. Fica claro que tanto o Rei D. Fernando II como a Condessa d'Edla estavam, de certa forma, fascinados com este material, tão comum em Portugal mas visto como "exótico" pelos nórdicos. Porque apesar do imóvel tirar inspiração dos modelos de Chalets Alpinos, a utilização sistemática da cortiça para guarnecer vãos, cornijas e até paredes interiores é verdadeiramente português - de que é exemplo paradigmático o Convento dos Capuchos na mesma Serra de Sintra. Os maravilhosos paineis com embutidos de cortiça, que decoravam as paredes da sala de jantar, ainda esperam reconstrução - mas lá estavam dois pedaços originais para os visitantes observarem. 

Visita da LAJB ao Chalet da Condessa d'Edla




Visita da LAJB ao Chalet e Jardim da Condessa d'Edla em Sintra. O Chalet foi construído pelo Rei D. Fernando II e sua segunda esposa, Elise Hensler, Condessa d'Edla, enttre 1864 e 1869, na zona ocidental do Parque da pena, segundo o modelo dos Chalets Alpinos então em voga na europa.

O restauro deste imóvel (classificado de Interese Público desde 1993) foi iniciado em 2007 estando ainda a decorrer as intervenções de reabilitação dos estuques e outros acabamentos decorativos nos interiores. A LAJB teve como guias a Susana Morais e o Nuno Oliveira da Parques de Sintra - aos dois o nosso sincero agradecimento pela informativa e esclarecedora visita que nos proporcionaram. Para mais informações sobre a história e o processo de restauro, consultar o www.parquesdesintra.pt

terça-feira, 20 de março de 2012

Reabilitação da Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques

Está em curso a reabilitação da Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques, com vista a retomar os “jogos de água” que caracterizam esta fonte emblemática da cidade, e, no futuro, a abrir o edifício ao público.

Nesse sentido, além da intervenção no interior que visa reparar os sistemas eletromecânicos e repor o equipamento danificado, para permitir a abertura do edifício ao público foi estabelecido o respetivo percurso de visita. As estruturas de apoio a visitantes e a entrada de público serão efetuadas pelo torreão sul, onde serão instalados alguns equipamentos de apoio: receção, instalações sanitárias, arrumos e acesso à galeria. Este acesso estará dotado de meio mecânico para garantia da acessibilidade, sendo que a galeria ficará livre, constituindo o percurso de ligação à área central do complexo que é uma zona de especial interesse para os visitantes. Nesta área será colocada uma plataforma que funcionará como miradouro.

Especial cuidado mereceu também o projeto de iluminação decorativa da área dos visitantes, em particular a galeria, uma vez que foi prevista a sua ocupação por exposições permanentes ou temporárias.

Esta obra terá a duração estimada de 180 dias e tem financiamento do PIPARU (Programa Prioritário em Ações de Reabilitação Urbana).

A Fonte Monumental, construída para celebrar o abastecimento regular de água à zona oriental da cidade, foi solenemente inaugurada em 30 de Maio de 1948. As esculturas são da autoria de Maximiano Alves e de Diogo de Macedo e os baixos-relevos (painéis laterais) de Jorge Barradas. O conjunto da Fonte Monumental da Alameda Afonso Henriques foi objeto de reparações, no interior e exterior, há cerca de sete anos. in http://www.cm-lisboa.pt/, 5 Mar 2012

Foto: Agosto de 2007 (último ano em que a fonte funcionou...).

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon"

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon", em boa hora lançada por um conjunto de personalidades a quem não é indiferente a alteração profunda e irreversível deste magnífico edifício infelizmente bastante desprezado pela CML. No entanto é uma verdadeira jóia da cidade, mas que permanece abandonada desde os anos 90 e se mantém desconhecida, e esquecida, da maior parte das pessoas. A petição está disponível para subscrição no sítio:


Por favor, subscreva-a e divulgue-a pelo maior número possível de amigos de Lisboa e do seu património. Obrigado.

O Nosso Bairro: CINEMA ODÉON

Figuras públicas assinam petição em defesa do património da cidade

Carrilho e Jorge Silva Melo assinam petição para salvar Cinema Odeon

Por Ana Henriques in Público

O ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho é um dos signatários de uma petição destinada a impedir a transformação do Cinema Odeon, em Lisboa, num recinto comercial. A câmara emitiu recentemente um parecer prévio favorável sobre o projecto, que prevê a manutenção da fachada e de alguns elementos interiores considerados mais marcantes, como o tecto de madeira e o frontão do palco. No caso dos emblemáticos varandins metálicos rendilhados do edifício, a solução encontrada pela família proprietária do cinema passa pela construção de réplicas. A ideia é que no recinto funcionem várias lojas viradas para a cultura, como uma livraria de primeiras edições e uma loja de discos especializada em música contemporânea. Os planos aprovados pela câmara contemplam também uma sala de exposições, uma leiloeira de arte, uma enoteca e uma loja gourmet, além de um parque de estacionamento subterrâneo. Os signatários da petição, que reúne nomes como Raquel Henriques da Silva, Jorge Silva Melo e o arquitecto José Manuel Fernandes, instam o Governo e a autarquia a encontrarem "uma solução para o Cinema Odeon que dignifique a cidade, o país e o património", em vez de aceitarem a transformação do recinto "em centro comercial e estacionamento". Se não for possível a manutenção do cinema, ao menos que não se destrua o miolo do edifício, pede-se na petição pública.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cultura artística e produção arquitectónica na Lisboa de Ressano Garcia: 27 Out. às 18H‏

CONFERÊNCIA

Cultura artística e produção arquitectónica na Lisboa de Ressano Garcia

por Maria Calado

Dia 27 de Outubro às 18H‏ no Gabinete de Estudos Olisiponenses

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O nosso Bairro: Rua Camilo Castelo Branco 25

Mais um imóvel Arte Nova (1908) ameaçado de demolição integral. Mais um logradouro ameaçado de impermeabilização total. A CML não está a executar aquilo que anda a pregar. Aprovar a demolição deste património cultural é «Reabilitação Urbana»? Não nos parece! Isto é pura e simples destruição da Memória da nossa cidade! Esta moradia é perfeitamente recuperável. Porquê arrancar mais esta página do livro LISBOA?!

Rua Camilo Castelo Branco 25
Processo: 621/EDI/2009
Freguesia: Coração de Jesus

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Nosso Bairro: Rua Rosa Aráujo 14-16

Rua Rosa Araújo, 14-16 torneja Rua Mouzinho da Silveira

Em 21 de Janeiro de 2009, foi chumbado em reunião de CML o projecto de alterações da Imonormandia - Sociedade Imobiliaria, Lda, 2028/EDI/2006, que consubstanciava a demolição integral dos interiores deste edifício na martirizada Rosa Araújo, bem como a sua ampliação em pisos recuados e o esventramento do subsolo para os inevitáveis pópós. Votaram contra na altura: PSD, PCP, JSF e CPL. Lisboa com Carmona absteve-se. Em 5.8.2011 entrou na CML o projecto de alterações 813/EDI/2011 do Imourbe - Fundo de Investimento Imobiliário Fechado. Como se supõe que melhoria, o projecto não deve ter tido, eis uma dupla curiosidade: Se vai a reunião de CML ou a mero despacho do vereador e qual a votação agora.

in Fórum Cidadania Lx

Nota: Também a LAJB tem vindo a acompanhar a degradação e abandono deste belíssimo exemplar da Arquitectura lisboeta datado de 1910. Infelizmente, 100 anos depois, os proprietários e a CML parecem desprezar este património arquitectónico.

domingo, 21 de agosto de 2011

Jornadas Europeias do Património 2011: Património e Paisagem Urbana

Jornadas Europeias do Património 2011
23, 24 e 25 de Setembro de 2011
Património e Paisagem Urbana


Nos dias 23, 24 e 25 de Setembro celebram-se, em Portugal, as Jornadas Europeias do Património, este ano sob o tema PATRIMÓNIO E PAISAGEM URBANA. Tal como nas edições dos anos anteriores, o IGESPAR, enquanto coordenador nacional, convida todas as entidades públicas e privadas que de algum modo estejam relacionadas com o Património, a associarem-se a esta acção.

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, que envolve cerca de 50 países, no âmbito da sensibilização dos cidadãos europeus para a importância da salvaguarda do Património. Neste sentido, cada país elabora anualmente, um programa de actividades a nível nacional, a realizar em Setembro, acessível gratuitamente ao público.O IGESPAR IP, enquanto coordenador nacional das JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO, propõe para 2011 o tema “PATRIMÓNIO e PAISAGEM URBANA”, pretendendo assim sensibilizar os cidadãos para a necessidade de proteger e valorizar as características da paisagem, nas cidades, vilas e aglomerados urbanos, entendida no seu sentido mais amplo. Património e Paisagem Urbana são indissociáveis, a partir do momento em que a ideia de paisagem urbana é abrangente e reflecte todos os valores sociais, naturais, culturais, urbanísticos, arquitectónicos e arqueológicos que aí se encontram. O Património e a Paisagem Urbana, nas suas múltiplas manifestações, documentando a história e o desenvolvimento da sociedade, contribuem, decisivamente, para a diferenciação de identidades. As cidades, vilas e aglomerados urbanos são recursos únicos que têm de ser protegidos e valorizados, apesar dos problemas que lhes são inerentes por serem organismos em constante transformação, como a desertificação dos centros históricos e tradicionais e a tendência para a descaracterização.

Com o objectivo de incentivar o conhecimento e a salvaguarda do Património das Cidades, nas JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2011, o IGESPAR IP convida e propõe às entidades que se associam a esta iniciativa, a implementação de acções e actividades que proporcionem ao público a sua vivência, estimulando a aproximação física e emocional das pessoas aos monumentos, conjuntos e sítios.

Com a finalidade de oferecer um leque vasto de actividades atractivas para o público, numa estratégia de investimento na identificação das comunidades com o património, o IGESPAR IP convida assim todos os todos os Municípios, entidades públicas e privadas e, sobretudo, todas as instituições que partilham a responsabilidade do conhecimento, protecção e valorização do património e da paisagem a associarem-se a esta iniciativa.

Exemplos de actividades culturais– visitas guiadas e temáticas;-exposições temáticas;- realização de workshops, palestras, conferências, debates e seminários;- espectáculos artísticos (música, dança, teatro, circo, teatro de marionetas/fantoches);- exposições de artes plásticas e visuais;- concertos e apontamentos musicais (música antiga e contemporânea);- animações de rua, recriações e encenações históricas;- maratonas fotográficas;- sessões de leitura;- rotas patrimoniais, itinerários culturais, peddy papers e rally papers;- ateliers lúdicos e oficinas pedagógicas;- jogos tradicionais, de época e jogos de descoberta;- feiras e festivais;- lançamento de publicações;- exibição de documentários, filmes.

Contactos: Carla Lopes - calopes@igespar.pt Teresa Mourão - tmourao@igespar.pt Deolinda Folgado - dfolgado@igespar.pt

Foto: Largo da Igreja de S. Mamede

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O nosso Bairro: Rua do Salitre 76

Mais um exemplo de abandono da arquitectura do início do séc. XX da nossa cidade. Porque razão nos deparamos cada vez mais com este cenário? Noutras cidades europeias estes imóveis são acarinhados pelos cidadãos e protegidos pelas autoridades municipais e estatais. Mas em Lisboa o mais comum é assistirmos, mais dia menos dia, à sua perda. Seja por ruirem, seja por demolição. O nosso Bairro está a perder património a um ritmo muito preocupante. Parece que os lisboetas dessistiram de reabilitar, restaurar a sua cidade e em vez disso preferem construir de novo, por cima da herança patromial dos nossos antepassados. Lisboa está a ficar mais pobre. Nota: Este imóvel é propriedade da Fundação Oriente - esperemos que em breve seja recuperado para benefício da cidade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O nosso Bairro: Rua Rosa Araújo 49


Este raro imóvel Arte Nova de Lisboa, datado de 1905, e uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (morreu em 1908) teve o seu interior integralmente demolido durante o verão.

Apesar de nunca ter sido colocado o "Aviso" na fachada, como a lei obriga, sabemos que deu entrada a 9 de Abril de 2007 um "pedido de ampliação". Afinal a "ampliação" queria dizer a demolição integral do miolo do edifício para não só aumentar a cércea mas também para abrir as habituais caves de estacionamento. Pela análise de outras obras de Nicola Bigaglia, os interiores deste arquitecto são sempre de grande qualidade e com certeza estes não seriam excepção. Não percebemos porque razão os técnicos da CML aprovam a demolição de obras com interiores notáveis e recuperáveis. O proprietário deste prédio é o BES e o autor do projecto é o Atelier Aires Mateus.

Este imóvel tinha ainda a particularidade de ter sido alvo, em 1943, de um projecto de alterações (entrada, por exemplo) do não menos notável arquitecto Luís Cristino da Silva.

Concluíndo, este era um imóvel a preservar na sua integridade patrimonial.

A LAJB lamenta mais este mau exemplo de delapidação do património cultural do antigo Bairro Barata Salgueiro. Lisboa ficou mais pobre.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Celebrar os 100 anos da República demolindo o nº 46 da Av. da República?

Estes três prédios de rendimento foram destacados na recente exposição dedicada ao Arquitecto Ventura Terra (1866-1919) que esteve patente na Assembleia da República entre 26 de Março e 31 de Julho de 2009.

A exposição foi «uma homenagem da Assembleia da República ao autor do projecto original do Hemiciclo inaugurado em 1903». De facto, este será sem dúvida um dos mais importantes criadores de arquitectura para a jovem República Portuguesa, nomeadamente para a capital. Afinal, Ventura Terra foi candidato, e eleito, Vereador Republicano para a Câmara de Lisboa em 1908.

Os edifícios que projectou para Lisboa foram verdadeiros modelos, pois fundaram um padrão de qualidade que faltava à capital. Muitos construtores civis copiaram elementos da sua arquitectura ajudando assim a criar uma determinada imagem de prédios de rendimento nas primeiras duas décadas do séc. XX.

Lisboa já demoliu várias obras suas (ex: Av. António Augusto de Aguiar e Rua Duque de Palmela 35-37) mas ainda sobrevivem cerca de 26. Destas, algumas estão em sério risco de demolição como a Casa de Júlio Gualberto Costa Neves na Rua Rosa Araújo 37 e o conjunto de três prédios erguidos pelo republicano Joaquim dos Santos Lima na Av. da República 46 / Av. Elias Garcia 62.

A 11 de Julho de 2005 a CML, mais precisamente a Vereadora Eduarda Napoleão, aprovou a demolição integral dos interiores. Apenas ficam as fachadas principais pois as posteriores serão também demolidas.

Obras com projecto de 1906, constituiem exemplos raros dos prédios de rendimento de luxo da Av. da República. Os interiores, perfeitamente recuperáveis, são de grande qualidade espacial e construtiva. Apresentam tectos de estuques artísticos, paineis de azulejo Arte Nova e portas de madeiras exóticas. A entrada do prédio de gaveto, marcada com um grande arco de cantaria, é um trabalho notável. Após transposto o átrio circular (que se repete em todos os pisos), uma elegante escadaria elíptica ainda mantém o elevador de origem (que já teve oferta de compra da parte de estrangeiros!). Na fachada podemos observar barras de azulejos Arte Nova da famosa Fábrica das Devezas.

Vergonhosamente, e em vésperas do centenário da primeira vereação republicana, a CML aprovou a demolição destes imóveis de autor. A sua qualidade aquitectónica e construtiva foram ignoradas apesar da sua protecção estar consagrada na Carta Municipal do Património anexa ao PDM. Estes não são meros prédios de pato-bravo do princípio do séc. XX. São testemunhos do que melhor se fazia na capital da jovem República Portuguesa. São obras de Arquitectura criadas por Ventura Terra.

Mais do que lançar foguetes e tocar a banda, celebrar o centenário da República é salvaguardar testemunhos arquitectónicos notáveis, como este, para as próximas gerações.

Mas será que Lisboa vai passar pela vergonha extrema de assistir à demolição deste conjunto arquitectonico de Ventura Terra na Av. da República e no ano do centenário da República?

Fórum Cidadania Lx

NOTA: A Av. da República faz parte do primeiro edital de alteração de toponímia da vereação republicana datado de 5 de Novembro de 1910. A Câmara republicana alterou a toponímia de 10 arruamentos, substituindo os nomes das individualidades demasiado comprometidas com o regime anterior e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos novos ideais republicanos. Da lista do primeiro edital fazia parte a Av. da República (para substituir a artéria até aí designada por Av. Ressano Garcia) e a Av. Elias Garcia (propagandista e jornalista republicano, para substituir a artéria até aí designada por Av. José Luciano).

FOTO: Os três prédios de luxo levantados por Joaquim de Santos Lima numa fotografia de c. 1910. Notar os jovens plátanos da avenida. Arquivo Fotográfico Municipal