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sábado, 12 de março de 2016

Os Amigos do Botânico no Palácio Palmela!

O nosso muito obrigado à Procuradoria-geral da República pela forma calorosa como nos recebeu na manhã do passado sábado dia 12 de Março. Foi igualmente uma satisfação constatar que a Procuradoria-geral da República faz um esforço na manutenção e restauro do belíssimo património cultural que tem à sua guarda. Um agradecimento especial à Dra. Sandra Belo que nos guiou pelos belos espaços interiores e exteriores deste belo palácio lisboeta.
Nota: foto tirada pela nossa associada Cristina Girão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

SEMINÁRIO: Investigação recente sobre a história do MUHNAC e as suas coleções


















Seminário Permanente MUHNAC
Investigação recente sobre a história do MUHNAC e as suas coleções
Dia 5 de Novembro de 2015, às 14h15
Anfiteatro Manuel Valadares
Entrada Livre

Foto: Estante livreira na Sala do Conselho

terça-feira, 9 de junho de 2015

LAJB visita a Cerca Monástica de Tibães com a Arquitecta Paisagista Maria João Dias Costa

Jardim de S. João, início da visita pela Arq. Maria João Dias Costa
 Pavimentos com lajes de granito e xisto nas portas para a Cerca
 As vinhas de Tibães e a ligação às escolas da região...
 Junto do Lago dos Peixes alimentado por uma fonte barroca
 A descoberta de uma rã em cima dos nenúfares do Lago dos Peixes
 A Capela de S. Bento no topo da Rua das Fontes
 A descoberta do "Selo de Salomão" no Carvalhal de Tibães













A vida que existe mesmo nos troncos de carvalhos mortos..
O Grande Lago barroco, de planta elíptica, em Tibães!

Belos exemplares de "Feto Real" nos muros do Lago Grande

Esta visita guiada à Cerca Monástica de Tibães através do olhar bem informado da Arquitecta Paisagista Maria João Dias Costa foi um autêntico privilégio para a LAJB. A Arquitecta Maria João dirige desde 1988 todas as intervenções de limpeza, manutenção, restauro e também de construção de novos espaços verdes, na Cerca e Mosteiro de Tibães. Aprendemos muito sobre as boas práticas de intervenção em bens culturais desta importância e como é vital alicercar todas as decisões num conhecimento profundo do bem cultural. E o respeito pela herança monástica como valor maior a orientar as decisões. 

Mais uma vez devemos um agradecimento especial ao Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães por nos oferecerem esta oportunidade única de conhecer Tibães pela mão de tão qualificados e sábios guias - muito obrigado!  



A LAJB visita TIBÃES com a Dra. Aida Mata




























Portaria do Carro, início da nossa visita guiada pela Dra. Aida Mata
















Antigas cavalariças transformadas em bilheteira e loja do Mosteiro
















Dra. Aida Mata e os painéis de azulejo (1770) Claustro do Cemitério
















A sacristia construída em 1680-83 com tecto de granito pintado
















Tabuões de soalho antigo, de pinheiro manso, com 80 cm de largura!
















Coro Alto de 1665 com grande estante para livros das horas litúgicas

















A "Casa das Pinturas" em fase de execução na Hospedaria Monástica
















A Dra. Aida Mata mostrando a Cerca Monástica com 40 hectares.

A bela Sala do Capítulo de 1700 onde terminou a nossa visita guiada.

Foi um verdadeiro privilégio para a LAJB ter a Dra. Aida Mata como guia da visita ao Mosteiro de Tibães. A Dra. Aida Mata dirigiu a equipa multidisciplinar que resgatou da ruína o complexo monumental de Tibães entre 1987 e 2009. Os nossos sinceros parabéns pelo belo trabalho realizado apesar dos complexos desafios de um monumento desta escala e diversidade patrimonial, e das dificuldades financeiras de que sofre cronicamente a área da Cultura em Portugal. 

O nosso agradecimento também ao Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães pela preciosa ajuda na organização desta "Viagem a Tibães"! Esta foi uma visita perfeita e por isso ficará gravada na memória de todos!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Programa da Conferência "Palácios Históricos de Lisboa - Memória, Ruína ou Futuro"















Programa da Conferência "Palácios Históricos de Lisboa - Memória, Ruína ou Futuro" - Sala do Arquivo dos Paços do Concelho de Lisboa - Dia 24 de Janeiro de 2015 - 10 horas. Entrada Livre.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Arboreto: ensaio de novo pavimento do Jardim
















No âmbito do Projecto do Orçamento Participativo da CML, foi executado um ensaio de novo pavimento num dos caminhos do Arboreto. Se visitar o Jardim Botânico, passe por este local e se assim o entender, faça chegar a sua opinião e/ou questões. Infelizmente ainda não foi colocado junto a este local nenhuma informação aos visitantes sobre o que foi ali executado, quais os materiais, as carateristicas técnicas e como será a sua manutenção. A LAJB irá tentar recolher esses factos e depois irá disponibilizá-los aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Orçamento Participativo: «Obras no Jardim Botânico só em meados de 2015»

Um ano depois de ter saído vencedor do Orçamento Participativo de 2013, através de um projecto no valor de 500 mil euros que prevê a sua reabilitação, as “boas notícias” anunciadas, nesta terça-feira, pela Câmara Municipal de Lisboa para o Jardim Botânico consistem no previsível lançamento, no início de 2015, do concurso para a realização das obras naquele monumento nacional.  

Mau grado a demora no processo, em que ao longo de um ano nada aconteceu no terreno, no entender do vereador José Sá Fernandes, com pelouro da Estrutura Verde, “há boas notícias para o Jardim Botânico”.  

“O projecto para recuperação dos lagos, da cisterna e de alguns caminhos da água está quase a ser finalizado, devendo ficar completo em Janeiro/Fevereiro, após o que se procederá ao lançamento do concurso” para a realização das obras, disse Sá Fernandes, perante a Assembleia Municipal de Lisboa, respondendo à questão colocada pela deputada municipal Cláudia Madeira, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV).  

A confirmar-se o lançamento do concurso no primeiro trimestre de 2015, as obras não começarão antes de meados do ano e só em 2016 estarão, eventualmente, concluídas.  

Outras questão relativas ao Jardim Botânico, igualmente colocadas pela deputada do PEV, ficaram, porém, sem resposta: “Para quando se prevê que esteja pronto o Plano de Salvaguarda do Jardim? E para quando está previsto o pagamento do subsídio anual que a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu ao Jardim Botânico, para manutenção?”.  

“O Plano de Salvaguarda está a ser elaborado”, disse apenas o vereador Sá Fernandes, que não se pronunciou sobre o pagamento do subsídio acordado.     

Texto: Fernanda Ribeiro in O CORVO, 12 de Novembro de 2014

Foto: Vista dos canaletos no Arboreto do Jardim Botânico em Maio de 2012, após obras inadequadas, com dinheiros públicos, mas que já todos parecem ter esquecido. Dois anos depois a maioria das intervenções executadas estão votadas ao abandono. Esperemos que as próximas obras sejam com padrões de qualidade elevados, e que exista um Plano de Manutenção, como merece um Monumento Nacional.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Operação Palmeiras: Informação aos associados
















Posicionamento do tubo para tratamentos no topo da palmeira















Duas palmeiras mortas para abate















Informação aos associados da LAJB

Entre os dias 5 e 19 de Maio decorreu no Jardim Botânico a “Operação Palmeiras”, com o objectivo de tentar recuperar palmeiras infectadas pelo escaravelho ­da palmeira e continuar a proteger as que ainda não estão infectadas.  

A intervenção necessitou de uma plataforma elevatória de 23 metros e de um técnico ( contratado ) para a limpeza das palmeiras.  Esta limpeza teve três objectivos:   

a) ­ Verificar a presença do escaravelho e retirar as larvas e casulos dos exemplares infectados;  

b) – Reposicionar os tubos que transportam o tratamento até ao topo da palmeira e;  

c) – limpar o caule de todos os exemplares intervencionados dos restos de folhas velhas para permitir a escalada destes exemplares.   

Foram intervencionadas 18 palmeiras, das quais 4 estão mortas ( ver imagens em anexo ), tendo sido limpos os caules para mais tarde poderem ser abatidas ( por escalador ); 4 estavam infectadas pelo escaravelho, pelo que foram podadas, os tubos foram recolocados numa posição mais favorável para o tratamento e foram limpos os caules. Nas restantes, reposicionaram­-se os tubos e limparam­-se os caules. Uma vez que o crescimento das folhas altera a posição dos tubos, a posição destes deve ser corrigida a cada cerca de seis meses, para garantir a chegada do tratamento ao topo da palmeira.  

O custo total da operação foi de € 4000 (quatro mil euros) valor este comparticipado pela LAJB. 

Esta foi a segunda vez que a LAJB colaborou com a Direcção do Jardim Botânico patrocinando tratamentos preventivos e curativos da nossa rica colecção de palmeiras.  

Saudações Botânicas,  

A Direcção da LAJ

sábado, 21 de junho de 2014

Voluntariado no Jardim Botânico: 29 Junho,10H

Estimada/o associada/o                                                             
A Direcção da Liga dos Amigos do Jardim Botânico tem o prazer de informar que se realizará uma acção de voluntariado, com vista à manutenção do Jardim Botânico, através  da oferta de um dia de trabalho voluntário dos associados da Liga dos Amigos do Jardim Botânico.
Saudações botânicas    
A DIRECÇÃO da LAJB

VOLUNTARIADO NO JARDIM BOTÂNICO   
DATA: 29 de Junho - 10 HORAS ( DOMINGO )  
PONTO DE ENCONTRO - Junto à Ficus macrophylla  
ORGANIZAÇÃO: Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB)  
INSCRIÇÃO: Limitada a 10 participantes.  

A LAJB vai ajudar na manutenção do Jardim Botânico através da oferta de um dia de trabalho voluntário. Os associados deverão trazer roupa e calçado confortáveis, chapéu/boné e luvas de jardinagem. Quem quiser poderá trazer tesoura de poda.

Foto: Voluntariado da LAJB no dia 30 de Junho  de 2013

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Colóquio: Paisagem, Património e Silêncio ÉVORA, 20-21 de Maio de 2014















Caros colegas e amigos,

Vimos por este meio convidá-los a participar no colóquio internacional intitulado Paisagem, Património e Silêncio que irá decorrer nos próximos dias 20 e 21 de Maio,  no Palácio D. Manuel em Évora, em paralelo com o acolhimento da exposição itinerante The Swiss Touch of Landscape Architecture.

Os coordenadores do colóquio,  

Isabel Lopes Cardoso 
Historiadora, Historiadora de Arte Investigadora e vogal da direcção do CHAIA/UÉ  

Luís Ferro 
Arquitecto Investigador CHAIA/UÉ, doutorando FAUP

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CARTA de FLORENÇA: Protecção legal e administrativa

CARTA DOS JARDINS HISTÓRICOS - ICOMOS, 1981
O Comité Internacional dos Jardins Históricos do ICOMOS-IFLA reunido em Florença em 21 de Maio de 1981 decidiu elaborar uma carta relativa à salvaguarda dos jardins históricos que assumirá o nome desta cidade. Esta carta foi redigida pelo Comité e registada pelo ICOMOS em 15 de Dezembro de 1982 como complemento da Carta de Veneza neste domínio particular.
 
Protecção legal e administrativa
 
Artigo 23 - Compete às autoridades responsáveis, depois de ouvidos os especialistas competentes, tomar as disposições legais e administrativas adequadas a identificar, inventariar e proteger os jardins históricos. A sua salvaguarda deve ser integrada nos planos de ocupação dos solos e nos documentos de planificação e ordenamento do território. É também competência das autoridades responsáveis, com base no parecer de especialistas, criar as medidas financeiras adequadas para favorecerem a manutenção, a conservação, o restauro e eventualmente a reconstituição dos jardins históricos.
 
Artigo 24 - Pela sua natureza, o jardim histórico é um dos elementos do património cuja sobrevivência exige maiores cuidados permanentes de pessoas qualificadas. É portanto conveniente implementar uma pedagogia adequada que permita assegurar a formação dessas pessoas, quer se tratem de historiadores, arquitectos, arquitectos paisagistas, jardineiros ou botânicos. Por outro lado, deve assegurar-se a produção regular das espécies vegetais susceptíveis de entrar na composição dos jardins históricos.
 
Artigo 25 - O interesse pelos jardins históricos deve ser estimulado por todas as acções adequadas à valorização deste património e a torná-lo mais conhecido e apreciado: promoção da investigação científica, contactos internacionais e difusão de informação, publicação e divulgação, encorajamento da abertura controlada dos jardins ao público, sensibilização dos meios de comunicação social para o respeito pela Natureza e pelo património histórico. Os jardins históricos mais importantes poderão ser propostos para figurar na Lista do Património Mundial.

Nota
 
Estas recomendações adequam-se ao conjunto dos jardins históricos do mundo. Esta Carta será posteriormente susceptível de complementos específicos aos diversos tipos de jardins, descrevendo de forma sucinta as suas tipologias.

in CADERNOS DE SOCIOMUSEOLOGIA Nº 15-1999
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CARTA de FLORENÇA: Definições e objectivos

CARTA DOS JARDINS HISTÓRICOS - ICOMOS, 1981
Definições e objectivos

Artigo 1 - "Um jardim histórico é uma composição arquitectónica e vegetal que apresenta interesse público dos pontos de vista histórico e artístico". Nesse sentido deve ser entendido como "monumento".

Artigo 2 - "Um jardim histórico é uma composição de arquitectura cujo material constituinte é principalmente de origem vegetal, consequentemente vivo, e como tal perecível e renovável". O seu aspecto resulta de um equilíbrio perpétuo entre o movimento cíclico das estações, do desenvolvimento e decadência da Natureza e da vontade artística e compositiva que tende a perpetuar a sua condição.
Artigo 3 - Enquanto monumento o jardim histórico deve ser salvaguardado de acordo com o espírito da Carta de Veneza
Todavia, como "monumento vivo", a sua salvaguarda decorre de regras específicas que constituem a presente Carta.
Artigo 4 - Intervêm na composição arquitectónica do jardim histórico:

- a sua planta e os diversos perfis do terreno;
- as massas vegetais: essência, volume, jogo cromático, espaço e alturas respectivas;
- os elementos construídos e decorativos;
- as águas móveis ou estagnadas, que reflictam o céu.
Artigo 5 - Expressão das relações estreitas entre a civilização e a Natureza, lugar de deleite, próprio à meditação ou ao sonho, o jardim assume assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo, um "paraíso" no sentido etimológico do termo, mas que é testemunho de uma cultura, de um estilo, de uma época, eventualmente dependente da originalidade do seu criador.
Artigo 6 - A denominação de jardim histórico aplica-se de igual forma tanto aos jardins modestos como aos parques monumentais ou ornamentais.
Artigo 7 - Quer esteja ligado ou não a um edifício, do qual é um complemento inseparável, o jardim histórico não pode ser afastado do seu contexto urbano ou rural, artificial ou natural.
Artigo 8 - Um sítio histórico é uma paisagem definida, evocativa de um facto memorável: local de um grande acontecimento histórico, origem de um mito ilustre ou de um combate épico, tema de um quadro célebre, etc.
Artigo 9 - A salvaguarda dos jardins históricos exige que sejam identificados e inventariados. Impõe intervenções diferenciadas tais como a manutenção, a conservação ou o restauro. Pode ser eventualmente considerada a sua reconstituição. A "autenticidade" de um jardim histórico compreende tanto o desenho e o volume das suas partes, como a sua decoração ou a escolha dos componentes vegetais e minerais que o constituam.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CARTA de FLORENÇA: Carta dos Jardins Historicos, ICOMOS , 1981

CARTA DE FLORENÇA
 
CARTA DOS JARDINS HISTÓRICOS - ICOMOS, 1981

O Comité Internacional dos Jardins Históricos do ICOMOS-IFLA reunido em Florença em 21 de Maio de 1981 decidiu elaborar uma carta relativa à salvaguarda dos jardins históricos que assumirá o
nome desta cidade. Esta carta foi redigida pelo Comité e registada pelo ICOMOS em 15 de Dezembro de 1982 como complemento da Carta de Veneza neste domínio particular.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"As pessoas querem classificar como património o que lhes está mais próximo"

"As pessoas querem classificar como património o que lhes está mais próximo"
Por Isabel Salema e Lucinda Canelas in Público

Na primeira entrevista, a nova directora-geral do património diz que a aprovação de projectos de reabilitação pelas autarquias não é um alienar de responsabilidades. A gestão de proximidade traz mais capacidade de intervir e de valorizar

Isabel Cordeiro chegou à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) há três meses. Até há pouco tempo directora do Palácio Nacional de Queluz, com uma larga experiência na área dos museus, a nova directora do património prepara-se para abrir cerca de 40 concursos para as chefias da maior instituição da área da Cultura, que tem quase mil funcionários. A nova direcção-geral, acabada de criar para agregar os desaparecidos institutos do Património e dos Museus e a Direcção Regional de Cultura de Lisboa, tem a seu cargo a gestão directa de museus e palácios nacionais, bem como do património mundial, e a supervisão de quase 3700 imóveis classificados.

Isabel Cordeiro, de 46 anos, diz que tem a responsabilidade de construir um cenário diferente para o património para daqui a dez anos e que este é o momento de separar as águas, depois do muito que se investiu nas últimas décadas: "Temos de ser mais polivalentes, ter mais capacidade de liderança e de competir."

"Incorrigivelmente optimista", a directora-geral admite que um dos seus grandes desafios é, agora, o de garantir uma coesão entre todos aqueles que protegem o património. "Não vejo diferenças entre ser arqueólogo, museólogo, gestor de monumento, conservador-restaurador ou director de museu. Acho estas divisões absolutamente perniciosas para uma evolução que temos de conseguir fazer."

Com um fim de ano marcado por uma maratona de classificações, diz que o que as pessoas, as comunidades, querem ver protegido pela instituição que escolhe os monumentos nacionais é tudo o que tem a ver com os afectos, os sentimentos, as memórias - o que está mais próximo.

Houve uma imensa leva de classificações. Quantos bens foram classificados desde que chegou, em Novembro, à Direcção-Geral do Património Cultural?

Em Novembro, estavam 648 processos de classificação por instruir. Foi feita uma triagem para decidir quais deixaríamos cair - foram perto de uma centena - e quais os que levaríamos até ao fim. Publicaram-se 160 portarias em Novembro e Dezembro. Desta massa de 648, havia uns que não caducavam e 171 estavam já em fase de consulta e, nesse âmbito, os prazos foram prorrogados.

Parecia que o país inteiro estava a ser classificado... Perguntaram-se se estariam a classificar bens a mais?

Obviamente, ponderei essa questão. São mares de dossiers. Faz todo o sentido que se discuta mais a diferenciação entre os níveis de classificação: monumentos nacionais, interesse público e interesse municipal. Falta uma clarificação absoluta entre os dois últimos. Há tendência para as pessoas subirem na hierarquia da classificação.

Imagine que, daqui a dez anos, olha para esta lista de classificações: o que é que ela diz sobre o que se quis proteger?

À partida, os referenciais absolutos de cultura, aquilo que mexe com a nossa identidade, aquilo que tem valor de excepcionalidade. Esse é o primeiro nível.

Fazendo a pergunta de outra maneira: pela análise do património que aqui chega com proposta de classificação, o que é que mais preocupa as pessoas, o que é que não querem perder?

O que está próximo, nas comunidades, no território. Tudo isso mexe com os afectos, com os sentimentos, as memórias. Em qualquer nível de classificação, estas coisas contam.

Por exemplo...

Na questão das batalhas, das fortalezas, dos castelos, dos castros e até mesmo de uma anta ou de um menir. Se quisermos fazer uma leitura mais distante e transversal, penso que da lista também ressalta uma preocupação de valorizar o património no seu conjunto, desde as componentes arqueológicas mais remotas até à arquitectura do século XX.

E na lista do património classificado pela DGPC também é possível identificar modas, tendências?

Sim, claro. Chega a existir algumas circunstâncias de gosto. Há os pelourinhos, as pontes... Vai ser um trabalho muito interessante construir as grandes tipologias temáticas do classificado e divulgá-las dessa forma. Esse trabalho dá uma visão muito clara do que quisemos proteger.

Já há muito pouco por classificar, no nível do património nacional?

Os conjuntos merecem um olhar porque nos permitem valorizar realidades mais difusas. Estou a lembrar-me, por exemplo, das Minas de São Domingos ou da Avenida da Liberdade.

O que é que se passa com a Avenida da Liberdade em Lisboa?

Foi apenas iniciado o procedimento de classificação, mas, na verdade, ele remonta a 1987. Desde aí para cá, alguns imóveis foram classificados individualmente. Depois de ouvidos uma série de personalidades e o conselho do património arqueológico e arquitectónico, decidiu-se avançar com o processo de classificação como conjunto, como valor de paisagem na malha urbana.

A nova lei da reabilitação urbana passa algumas competências de aprovação de projectos para as autarquias. Isso levantou críticas, porque não há directrizes padronizadas. Que balanço faz?

É preciso ver que há um pressuposto de articulação entre a DGPC e as autarquias na elaboração dos planos de pormenor e de salvaguarda...

Mas, às vezes, esses planos ainda não existem.

Precisamente por isso é que esta articulação é importante.

Por exemplo, o Arco da Rua Augusta, em Lisboa, teve muito trabalho de técnicos da casa. Agora, pessoas como o arquitecto Alves Costa vêm dizer que muito do know-how se perdeu e não foi seguido pela autarquia. O que aconteceu?

Estamos precisamente a trabalhar com a autarquia para definir, primeiramente, uma intervenção de conservação e restauro, que tem um projecto que chegou há muito pouco tempo e que tem de ser analisado aqui. Está a ser definida a logística de ocupação de via pública e de montagem de estaleiro para começar a intervenção. Vai ser cumprido o primeiro projecto do arquitecto Alexandre Alves Costa.

Ao mesmo tempo, está a ser preparado um protocolo de cedência à CML das intervenções de conservação e da exploração do monumento. Para além disso, há a velha questão das acessibilidades [o elevador] que está em estudo. Estamos a trabalhar em conjunto.

Alguns dos 16 ou 17 monumentos que estavam afectos à antiga Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e que agora passaram para a DGPC estão a ser transferidos para as autarquias: é o caso do Convento de Jesus, em Setúbal, da Sé de Santarém... Uma gestão de proximidade traz muitas vezes uma capacidade mais directa de intervenção e valorização. Agora, isso não quer dizer nunca um alienar das responsabilidades - são imóveis classificados. Temos responsabilidades de acompanhamento e de autorização.

Muitas dessas coisas são frágeis, o que quer dizer que qualquer intervenção realizada é depois muito difícil de desfazer...

Não se trata de desfazer, porque ela tem de ser previamente aprovada. Não há aprovações a posteriori, quando se trata de património classificado.

Há um aumento das classificações, uma diminuição dos quadros de pessoal. E ainda os licenciamentos em zonas especiais de protecção?

Há menos obras e, por isso, menos processos a carecerem de avaliação. Os de Lisboa e Vale do Tejo vêm aqui, os de todo o resto do país são instruídos pelas direcções regionais e, no fim, recebem um parecer vinculativo da nossa parte. Os processos são analisados para confirmação - não se assina de cruz. Depois são inseridos no portal online.

O que é que falta classificar?

Devemos olhar para o património do século XX. Aí há coisas que julgamos já estarem classificadas e que não estão.

Como por exemplo...

A Reitoria da Universidade de Lisboa, os edifícios das faculdades de Letras e de Direito. Se me perguntassem há três meses, diria que estavam classificados. É o ano da arquitectura, temos arquitectos absolutamente de excepção...

Faz sentido classificar obras de pessoas vivas?

Penso que sim.

Já temos distanciamento suficiente para isso?

Não pode haver uma precipitação, mas também não podemos deixar passar tanto tempo que não reconheçamos o seu impacto... É muito importante que o factor de identidade e de memória seja valorizado com aquilo que é a produção contemporânea. Não temos de ficar em 1950.

O gosto não interfere?

Interfere em qualquer época.

Em relação ao Orçamento do Estado (OE), o que estava previsto era um corte de 23%, por causa, precisamente, da passagem dos 15 museus para as direcções regionais. Quanto dinheiro vai ter para gerir em 2013 e que parte dessa verba é para investimento?

Já houve cortes significativos em 2012. Em 2013, a realidade com que temos de trabalhar, já com fundos comunitários, anda perto dos 40 milhões. Cerca de 13 são receitas próprias e 19 milhões vêm do OE. Cerca de 6,8 milhões são para investimento. O que é extremamente importante é 39% sejam receitas próprias. Estes monumentos e museus têm também uma importância económica.

Os cortes no investimento vão deixar projectos para trás?

A suborçamentação crónica é uma tendência da última década. Não podemos continuar a trabalhar a pensar na dotação do OE. Há um novo paradigma. Temos de aumentar as receitas próprias para diluir o peso do OE, de pensar em fontes de financiamento alternativas. O mecenato existe e, independentemente de ser mais consistente ou mais pontual, faz uma grande diferença na programação de museus e palácios. Mas há outras fontes alternativas, como os fundos comunitários do QREN. Veja-se as rotas dos mosteiros, o mecenato da Cimpor para o restauro da charola do Convento de Cristo.

Nos museus, essa capacidade aplica-se, quase em exclusivo, ao Museu Nacional de Arte Antiga, ou não?

Também ao Museu do Chiado, ao Palácio Nacional de Mafra, ao Convento de Cristo. Os grandes monumentos têm capacidade para atrair fontes de financiamento externas para a reabilitação, conservação, investigação científica...

O que é que vai acontecer ao Museu de Arqueologia (MNA)? A solução da Cordoaria foi definitivamente abandonada?

O MNA está onde está e vai comemorar os seus 120 anos. A questão da Cordoaria não está equacionada, neste momento.

A arqueologia não está representada na direcção da DGP. Esta é uma área em perda?

Antes, nada na orgânica estava orientado para a arquitectura. Nos tempos que correm, não podemos ser tão territoriais e sectaristas. Foi minha absoluta preocupação não ficar refém de uma orgânica. O que está para trás, está para trás. Como costumo dizer, trabalho com adquiridos. Não sinto absolutamente nada a perda de protagonismo de uma área em detrimento da outra.

Toda a gente a vê como uma pessoa dos museus...

Porque trabalhei em museus metade da minha vida profissional. O regulamento de trabalhos arqueológicos está concluído e está neste momento a ser apresentado ao secretário de Estado.

Qual é aqui o seu maior desafio?

Criar uma relação de proximidade acrescida com as equipas que estão nos museus e monumentos dando-lhes, porém, autonomia funcional.

O que é que isso significa?

Que os dirigentes têm capacidade de elaborar propostas, encontrar parcerias, e a responsabilidade de incorporar no seu trabalho competências de gestão hoje indissociáveis do património. As equipas são boas. Temos de confiar nelas ou então mudá-las. Internamente, temos de conseguir pôr as equipas dos serviços centrais a reflectir, a sistematizar experiências e conhecimentos e a divulgá-los para o exterior. Diria que a disponibilização da informação é estratégica. Tem de chegar actualizada a toda a gente. A importância do inventário nas suas várias componentes é central. Um dos grandes desafios são as relações internacionais entre instituições que foram decaindo nos últimos sete ou oito anos, por força das circunstâncias e da escassez de recursos. As relações internacionais têm de se cultivar, como a amizade. Temos de tentar voltar lá.

Foi precisamente no inventário do património móvel que começou. Como vão ser as equipas daqui a dez anos, quando a sua geração estiver a sair?

Bom, nós ainda somos novos. Tenho uma visão incorrigivelmente optimista. Há sectores muito deficitários, como a conservação e restauro, em que o trabalho está alicerçado em parcerias com as universidades. Essa é uma área importantíssima e emergente para a continuidade da investigação científica em sectores-chave. Mas há pessoas muitíssimo válidas que ainda lá estão a dar o litro, e isto tem de ser dito, senão ficamos num culto miserabilista de fim de época. Vamos ter de ser mais polivalentes, ter mais capacidade de liderança e de competir por fontes de financiamento. E outro factor crítico de sucesso é a coesão entre todos aqueles que gerem património. É por isso que não vejo diferenças entre ser arqueólogo, museólogo, gestor de monumento, conservador-restaurador ou director de museu. Acho estas divisões absolutamente perniciosas para uma evolução que temos de conseguir fazer. Temos a responsabilidade de construir um cenário completamente diferente para daqui a dez anos. Acredito que este contexto é muito propício para clarificar águas.
Foto: Palácio Nacional da Ajuda, sede da SEC e da Direcção-Geral do Património Cultural

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

«A história de um cedro que o vento levou»


O "cedro de São José", na verdade um cipreste que é parte da história da mata do Buçaco, resistiu a tudo até durante mais de 300 anos. O mau tempo de sábado deixou-o à beira do fim.
 
Os últimos dias têm sido de uma grande agitação, e tudo por causa do mau tempo deste fim-de-semana. Pela mata do Buçaco, no Centro do país, andam dezenas de pessoas atarefadas a tentar resolver os estragos causados. Preocupam-se com milhares de árvores derrubadas, mas com uma em especial. É o centenário cedro do Buçaco que mais os comove, e isto porque se agarra a uma réstia de vida.
 
Plantado em 1644, ou talvez antes, o cedro do Buçaco já viveu muito. O seu nome científico – Cupressus lusitanica – sugere tratar-se de uma espécie portuguesa. Mas, na verdade, estima-se que a Ordem dos Carmelitas o tenha trazido das regiões montanhosas do México, da Guatemala e da Costa Rica.
 
Foi o naturalista Philip Miller quem descreveu a espécie, em 1768, a partir de exemplares que viu no Buçaco, quando lá esteve nessa altura. Daí o engano quanto à origem da árvore.
 
Apesar da sua classificação como um cipreste, a árvore foi popularmente reconhecida como um cedro e lá ficou no coração da mata do Buçaco, ao lado da Ermida de São José e, em honra deste santo, partilhou com ele o nome. Chamam-lhe "cedro de São José".
 
Ao longo de quase quatro séculos, resistiu a muitas chuvas e ventos e até a um ciclone, em 1941 – data das maiores rajadas de vento de que há registo em Portugal. Viveu situações que apenas os livros podem contar e neste fim-de-semana ficou com a vida em risco.
 
Restou o tronco
"É apenas um tronco e um pequeno ramo de pé", descreve Milene Matos, investigadora do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Milene trabalha na Fundação da Mata do Buçaco há dez anos e há dez anos que estava habituada a ver os cerca de 5,5 metros de perímetro do tronco castanho-avermelhado do cedro de S. José rodeados de crianças em visitas escolares.
 
Foram dez anos – e muitos outros antes – de boas recordações e, por isso, no sábado do temporal, não resistiu quando olhou para a árvore. "Chorei baba e ranho. É quase como perder uma pessoa. É uma perda irrecuperável e um sentimento de impotência perante um acidente fortuito como este", explica a investigadora, que conhece quase de cor os 105 hectares e as mais de 250 espécies de árvores e arbustos da mata.
 
Helena Mergulhão é voluntária desde que a fundação abriu portas, em 2009, e também ela anda agora na luta para devolver ao Buçaco a tranquilidade que os carmelitas tanto apreciavam no século XVII. "Quando se entrava na mata do Buçaco, era um paraíso para quem gosta da natureza", conta, comovida, numa entrevista por telefone. "Estou a dizer-lhe isto e as lágrimas correm-me pela cara abaixo", acrescenta. Ouvem-se. De repente, param e dão lugar à indignação: "Quando cheguei à mata, entrei em pânico e chorei. Andámos nós anos a lutar sem meios, recebemos centenas de turistas, e não temos apoios. Os meios são os nossos braços e pernas."
 
Ao longo dos anos, o "cedro de S. José" sempre foi alvo de curiosidade de turistas e visitantes nacionais que, em excursões à Mealhada, na mata do Buçaco, eram apresentados a uma árvore verde de grande importância: a primeira espécie exótica introduzida no Buçaco, o cedro mais antigo de Portugal e, provavelmente, da Europa.
 
Às crianças, em vez de se falar no bispo de Coimbra D. Manuel, que, em 1628, entregou a mata aos carmelitas, contava-se a história do duende Alcino, um heterónimo inventado para atrair os mais novos. O nome era diferente, mas a bondade e o amor pela natureza eram os mesmos.
 
Acesso difícil
Agora, depois de milhares de árvores terem sido derrubadas pelo vento, o acesso ao cedro tornou-se difícil. Difícil de mais para as pernas de Henrique Gonçalves, que, passados 82 anos, já tiveram outra força. Entrou pela primeira vez na mata do Buçaco em 1945. "Ajudei a plantar os fetos e árvores e arbustos do jardim", conta. Em 1960, passou a guarda-florestal e viveu cinco anos na mata. "Aquilo marca uma pessoa e deixa saudades". Por isso, volta todas as semanas, geralmente aos domingos, e também ele não conseguiu conter as lágrimas ao saber que a relíquia da mata pode estar perto do fim.
Até esta quinta-feira, a fundação vai continuar fechada ao público e, nos próximos meses, o cedro não poderá ser visitado. "Já foram técnicos especializados ao local para ver o que se pode fazer, como sarar as suas feridas", diz o presidente da Fundação da Mata do Buçaco, António José Franco, acrescentando que talvez em Março se possa ver o ex libris natural do Buçaco.
 
A incógnita permanece sobre a mata do Buçaco, embora todos estejam confiantes de que um cedro que já viveu mais de 300 anos poderá viver outros tantos. "Ele sempre esteve de saúde, nada disto se previa", diz Milene Matos, referindo-se ao efeito, na árvore, das fortes rajadas de vento que fustigaram a mata neste fim-de-semana. "Eu acredito que ele vai dar a volta por cima e voltar a ser a nossa jóia", considera António José Franco. O quadro clínico poderia ser melhor, mas, enquanto existirem folhas verdes, há esperança. in PÚBLICO, 23 de Janeiro de 2013
 
Foto: Cedro do Buçaco, ou Cedro de São José, fotografado em Novembro de 2012