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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon"

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon", em boa hora lançada por um conjunto de personalidades a quem não é indiferente a alteração profunda e irreversível deste magnífico edifício infelizmente bastante desprezado pela CML. No entanto é uma verdadeira jóia da cidade, mas que permanece abandonada desde os anos 90 e se mantém desconhecida, e esquecida, da maior parte das pessoas. A petição está disponível para subscrição no sítio:


Por favor, subscreva-a e divulgue-a pelo maior número possível de amigos de Lisboa e do seu património. Obrigado.

O Nosso Bairro: CINEMA ODÉON

Figuras públicas assinam petição em defesa do património da cidade

Carrilho e Jorge Silva Melo assinam petição para salvar Cinema Odeon

Por Ana Henriques in Público

O ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho é um dos signatários de uma petição destinada a impedir a transformação do Cinema Odeon, em Lisboa, num recinto comercial. A câmara emitiu recentemente um parecer prévio favorável sobre o projecto, que prevê a manutenção da fachada e de alguns elementos interiores considerados mais marcantes, como o tecto de madeira e o frontão do palco. No caso dos emblemáticos varandins metálicos rendilhados do edifício, a solução encontrada pela família proprietária do cinema passa pela construção de réplicas. A ideia é que no recinto funcionem várias lojas viradas para a cultura, como uma livraria de primeiras edições e uma loja de discos especializada em música contemporânea. Os planos aprovados pela câmara contemplam também uma sala de exposições, uma leiloeira de arte, uma enoteca e uma loja gourmet, além de um parque de estacionamento subterrâneo. Os signatários da petição, que reúne nomes como Raquel Henriques da Silva, Jorge Silva Melo e o arquitecto José Manuel Fernandes, instam o Governo e a autarquia a encontrarem "uma solução para o Cinema Odeon que dignifique a cidade, o país e o património", em vez de aceitarem a transformação do recinto "em centro comercial e estacionamento". Se não for possível a manutenção do cinema, ao menos que não se destrua o miolo do edifício, pede-se na petição pública.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Partículas de fogo junto ao Jardim Botânico originaram "princípios de incêndio" em várias árvores

Partículas de fogo junto ao Jardim Botânico originaram "princípios de incêndio" em várias árvores

As partículas do incêndio registado num prédio devoluto da Rua da Alegria, em Lisboa, "originaram princípios de incêndio em diversas árvores existentes no Jardim Botânico", segundo um relatório do Regime dos Sapadores Bombeiros a que a Lusa teve acesso.

"Devido a partículas incandescentes que se projetaram para o exterior, estas originaram princípios de incêndio em diversas árvores existentes no Jardim Botânico, sendo os mesmos extintos com o emprego de uma agulheta", lê-se no relatório.

Em causa está o fogo num edifício "devoluto/degradado" no número 76 da Rua da Alegria a 05 de Outubro último. Segundo o documento dos bombeiros, as chamas iniciaram-se no interior e tiveram "origem indeterminada".

Contactada pela Lusa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico informou, face a estas conclusões, ter solicitado mais informações à Câmara Municipal de Lisboa, por considerar que não estão respondidas todas as questões.

A Liga e a Plataforma Em Defesa do Jardim Botânico têm referido que as chamas entraram na zona do arboreto do jardim, "destruindo e danificando espécimes de grande porte".

À Lusa, a presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Manuela Correia, referiu ter sido enviada uma carta ao vereador com o pelouro da Proteção Civil, Manuel Brito.

Na missiva, ainda sem resposta, a Liga questionou "quem faz a inventariação e quem paga os estragos provocados pelo incêndio no Jardim Botânico".

A inalação de fumo no interior do prédio levou uma mulher ao hospital de S. José, enquanto durante os trabalhos de rescaldo um bombeiro sofreu queimaduras nas pernas. O bombeiro ficou internado para observações. in Destak / Lusa 07 11 2011


Foto: incêndio destruiu espécimes da colecção viva do Jardim Botânico

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa is on the 2012 World Monuments Watch

O cartaz WATCH 2012 do Jardim Botânico de Lisboa. World Monuments Fund. Para fazer o download deste cartaz e saber mais informações sobre o "Observatório Mundial dos Monumentos", consultar o http://www.wmf.org/

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa EM CHAMAS!

Hoje, dia 5 de Outubro, enquanto o país, Lisboa, celebravam os 101 anos da República, o Jardim Botânico ardia. O fogo começou num prédio devoluto junto ao Portão da Praça da Alegria e rápidamente as chamas passaram o muro, devoraram algumas árvores e plameiras do Arboreto. A situação não piorou graças à intervenção irrepreensível dos bombeiros. Bem hajam. O Jardim agradece. Quem paga os prejuízos no Jardim Botânico? O proprietário do imóvel abandonado onde se iniciou o fogo (Eastbanc)? Portugal não parecem merecer o Jardim Botânico de Lisboa. Este incêndio é a prova que construções não respeitando os 50m de protecção deste Monumento Nacional podem revelar-se fatídicas. Mais uma vez fica provado que a Liga dos Amigos do Jardim Botânico não pode dormir descansada. O Sr. Presidente António Costa pode? O Sr. Vereador Manuela Salgado pode? E contrariamente àquilo que foi referido pelo Sr. Vereador da Protecção Civil, Manuel Brito, o Jardim Botânico não ficou protegido e não está protegido. O Jardim agradece que venham visitá-lo e avaliar os graves danos. O Jardim Botânico, esteve, está, e, se o Plano de Pprmenor do PM fôr aprovado, vai continuar a estar ameaçado. Pela salvaguarda do nosso Património os portugueses, não podem nem devem dormir descansados. VAMOS DEFENDER O NOSSO PATRIMÓNIO CULTURAL!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O nosso Bairro: Rua Camilo Castelo Branco 25

Mais um imóvel Arte Nova (1908) ameaçado de demolição integral. Mais um logradouro ameaçado de impermeabilização total. A CML não está a executar aquilo que anda a pregar. Aprovar a demolição deste património cultural é «Reabilitação Urbana»? Não nos parece! Isto é pura e simples destruição da Memória da nossa cidade! Esta moradia é perfeitamente recuperável. Porquê arrancar mais esta página do livro LISBOA?!

Rua Camilo Castelo Branco 25
Processo: 621/EDI/2009
Freguesia: Coração de Jesus

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Nosso Bairro: Rua Rosa Aráujo 14-16

Rua Rosa Araújo, 14-16 torneja Rua Mouzinho da Silveira

Em 21 de Janeiro de 2009, foi chumbado em reunião de CML o projecto de alterações da Imonormandia - Sociedade Imobiliaria, Lda, 2028/EDI/2006, que consubstanciava a demolição integral dos interiores deste edifício na martirizada Rosa Araújo, bem como a sua ampliação em pisos recuados e o esventramento do subsolo para os inevitáveis pópós. Votaram contra na altura: PSD, PCP, JSF e CPL. Lisboa com Carmona absteve-se. Em 5.8.2011 entrou na CML o projecto de alterações 813/EDI/2011 do Imourbe - Fundo de Investimento Imobiliário Fechado. Como se supõe que melhoria, o projecto não deve ter tido, eis uma dupla curiosidade: Se vai a reunião de CML ou a mero despacho do vereador e qual a votação agora.

in Fórum Cidadania Lx

Nota: Também a LAJB tem vindo a acompanhar a degradação e abandono deste belíssimo exemplar da Arquitectura lisboeta datado de 1910. Infelizmente, 100 anos depois, os proprietários e a CML parecem desprezar este património arquitectónico.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Observatório Astronómico de Lisboa: 150 anos

Astrofesta

O ano de 2011 é de comemorações. Além da celebração dos 100 anos da FCUL e da UL, comemoram-se os 150 anos do Observatório Astronómico de Lisboa. Para assinalar a data, irá ser organizada uma ASTROFESTA, a decorrer no fim-de-semana de 5, 6 e 7 de Agosto, quando a Lua está em quarto-crescente.

Além das observações no céu de Lisboa, estão previstas palestras e vários workshops relacionados com a utilização de telescópios e a astrofotografia. O local escolhido para a Astrofesta foi, naturalmente, o Observatório Astronómico de Lisboa, localizado no Campus do Instituto Superior de Agronomia, na Tapada da Ajuda.

A organização está a cargo do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Constância, o Observatório Astronómico de Lisboa e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.

Foto: Observatório Astronómico, Tapada da Ajuda, Abril de 1912, J. Benoliel (Arquivo Fotográfico de Lisboa)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O nosso Bairro: Rua do Salitre 76

Mais um exemplo de abandono da arquitectura do início do séc. XX da nossa cidade. Porque razão nos deparamos cada vez mais com este cenário? Noutras cidades europeias estes imóveis são acarinhados pelos cidadãos e protegidos pelas autoridades municipais e estatais. Mas em Lisboa o mais comum é assistirmos, mais dia menos dia, à sua perda. Seja por ruirem, seja por demolição. O nosso Bairro está a perder património a um ritmo muito preocupante. Parece que os lisboetas dessistiram de reabilitar, restaurar a sua cidade e em vez disso preferem construir de novo, por cima da herança patromial dos nossos antepassados. Lisboa está a ficar mais pobre. Nota: Este imóvel é propriedade da Fundação Oriente - esperemos que em breve seja recuperado para benefício da cidade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

As Árvores e a Cidade: Lodãos do Palácio Pombal

O jardim das traseiras foi igualmente remodelado pelo Marquês. Nele se encontra um lago central, com repuxo, e quatro pequenos pavilhões de planta quadrada nos cantos. Os pavilhões possuem cobertura piramidal e tectos de estuque, e são revestidos por azulejos, tal como os muretes e conversadeiras que delimitam o espaço. Destaca-se ainda uma bela fonte ornamental, com uma sereia cavalgando um golfinho. Deste jardim parte uma passagem subterrânea, que o liga ao chafariz fronteiro à fachada principal. Este remata o Largo do Chafariz, uma praceta semicircular onde as carruagens manobravam antes de entrarem no palácio. Está abrangido pela classificação, fazendo parte da propriedade original. É um belíssimo fontanário de gosto neoclássico tardio, desenhado no século XVIII por Carlos Mardel. Levanta-se sobre uma escadaria poligonal, e possui taça pouco profunda, para onde deitam três bicas em bronze.

in http://www.igespar.pt/

Nota: No jardim das traseiras existem dois exemplares notáveis de Celtis australis L.. Estas dois Lodãos estão classificados como Árvores de Interesse Público (Decreto n.º 147 - II Série de 27-6-1996). Segundo as medições feitas em 1995 têm cerca de 19m de altura e 14m de diâmetro. Lamentavelmente o jardim encontra-se em muito mau estado de conservação.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

«Associação sugere criação de museu e visitas para recuperar farol do Bugio»

A Associação Espaço e Memória, de Oeiras, sugere a criação de um museu e a organização de visitas guiadas no Verão ao "degradado" farol do Bugio, para recuperar e aproveitar aquele espaço com mais de 400 anos de história.

Numa visita guiada organizada pela associação, mediante autorização da Direcção-Geral de Faróis, é possível ver brechas na estrutura, antigos instrumentos ferrugentos e esquecidos, e entulho acumulado naquilo que eram, antigamente, as casas dos faroleiros e na capela do farol.

"O que justifica a existência do Bugio não está lá como demonstrativo a quem o visite, porque enquanto espaço de fortificação é preciso puxar muito pela imaginação para compreender o que se lá passava, e enquanto farol já não tem faroleiros, nem está lá o que fazia parte do seu quotidiano: as casas, os geradores, as comunicações", descreve Joaquim Boiça, presidente da associação, citado pela Lusa.Filho, neto e bisneto de faroleiros, Joaquim Boiça acredita que o Bugio "poderia ser, com a boa vontade de algumas instituições, um dos espaços mais emblemáticos para visitar na cidade de Lisboa".

A associação acredita que "nos meses de Primavera e Verão seria possível organizar visitas", de modo "a dinamizar aquele espaço, dar a conhecer e preservar parte das memórias que ainda lá estão, sobretudo na zona da capela". Joaquim Boiça defende "uma museografia diferente para aquele espaço, pensada para acolher exposições sazonais".

No entanto, lembra que, há dez anos, quando aquele farol foi alvo de obras de recuperação pela última vez, "o processo foi complicado": "Foi necessário sentar à mesa cerca de 20 instituições para recuperar o farol, que ameaçava ruir." Construído para defender a entrada de Lisboa, o forte do Bugio ficou concluído em 1657. Desde cedo começa a servir também de farol, albergando faroleiros até ao final da década de 80 do século passado.» In Público (30/8/2010)

Nota: o Jardim Botânico não está sózinho no seu cenário de abandono - é verdadeiramente lamentável que o património cultural da nossa cidade esteja assim votado ao esquecimento. Felizmente há cada vez mais movimentos cívicos de defesa do património!

domingo, 2 de maio de 2010

O Jardim Botânico visto pelo guia Berlitz

The Jardim Botânico, opened to the public in 1873, has one of the finest collections of botanical specimens in southern Europe. You enter throught a courtyard surrounded by the rather shabby buildings of the Faculdade de Ciências, then descend a flight of stone stairs into a cool, hilly, luxuriant garden of winding paths, boxwood mazes, lily ponds, and streams crossed by bridges and stepping stones.

Set liberally about are benches where you can sit listening to the chaffinches and robins and looking at the stately or surprising trees - jacaranda, giant ficus, frangipani, aruacaria, tipu, cork oak, eucalyptus, olive, and strange Australian and African species with grotesquely twisted trunks or enormous air roots. There are also tree-size camellias and floods of flowers, all neatly labeled.

Along one side runs a grand avenue of magnificent palms, at least 50 different varieties. If you follow this path to its end you'll arrive at the park's second entrance, emerging on the Rua da Alegria just a few blocks from the Avenida da Liberdade and a few steps from the charming little hotel Príncipe Real. If you happen to be staying there, the garden offers a convenient downhill approach.

in Portugal, The Berlitz Travellers Guide, New York, 1993

FOTO: Avenida das Palmeiras. Infelizmente, passados 15 anos sobre esta descrição, já há muitos anos que não corre água nos riachos, o Lago de Baixo está seco e de um modo geral tudo se degradou acentuadamente, incluíndo o património arbóreo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

«O perigo é real. Lisboa está em risco de cair e é preciso uma intervenção urgente»

“O perigo é real. Lisboa está em risco de cair e é preciso uma intervenção urgente.”

O alerta partiu da vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Helena Roseta, que pede ajuda ao governo. “A câmara e os privados sozinhos não conseguem arranjar todos os edifícios. O governo devia fazer um plano nacional de reabilitação urbana.” Acrescenta mesmo: “Não é possível fazê-lo sem um plano nacional.”

Ao todo são 1117 edifícios (municipais e não municipais) na capital do país que estão em grave risco de segurança. A estes acrescentam-se ainda todos aqueles que estão classificados como em mau estado de conservação, que ultrapassam os 6800.

Ao pedido da vereadora, em forma de repto, o executivo de José Sócrates, questionado pelo i, responde para já com as medidas que fazem parte do Orçamento do Estado para 2010, em que consta o arranque do Programa de Apoio à Reabilitação Urbana, que “tem como meta multiplicar por cinco a média anual de fogos reabilitados com apoio do Estado”.

Também José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), defendeu ontem a reabilitação urbana como o “investimento mais rapidamente reprodutivo”, e que deve ser uma aposta do executivo.

Coração da cidade
O problema não se levanta apenas nas zonas históricas da cidade de Lisboa , mas também no centro.Segundo o levantamento feito pelos técnicos da CML para o Programa Local de Habitação, a freguesia do Coração de Jesus tem 341 edifícios em mau ou muito mau estado de conservação. Ou seja, 49% dos edifícios da freguesia não estão em condições. “Estamos a falar do coração da cidade, mesmo junto ao Marquês de Pombal. Está tudo a cair. É um sinal de alerta que não podemos ignorar”, acrescenta a vereadora. Nos últimos lugares da tabela, pelo bom estado dos edifícios, estão as freguesias de São Francisco Xavier, com apenas 32 prédios em mau ou muito mau estado, Benfica (com 91 em mais de 6 mil edifícios), São João de Brito (46) e Alvalade (25).

O choque
A idade dos edifícios da cidade de Lisboa está acima da média nacional. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao ano de 2001, os edifícios lisboetas têm em média 53,8 anos de idade, quando a média nacional é de 33,9 anos. “Um parque envelhecido que precisa de reparação”, diz a vereadora, que acrescenta que a CML “já pediu um empréstimo para reabilitação urbana, mas não é suficiente. Fiquei muito preocupada com a dimensão dos números.” Só edifícios propriedade da CML em perigo de derrocada são 145, a juntar a mais 35 em mau estado. Na freguesia da Graça concentra-se a maioria dos edifícios camarários em risco de cair – 24 prédios. A Câmara diz estar a responder a esta situação: “Já estamos a fazer realojamentos nos casos mais urgentes, mas isto ultrapassa a capacidade da câmara”, explica Helena Roseta. A vereadora acrescenta que o plano de recuperação dos 145 edifícios em risco está a ser posto em marcha “um a um”.

O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário, Reis Campos, junta-se ao coro: a reabilitação deve ser “uma prioridade absoluta”. Na última semana caíram em Lisboa quatro edifícios, o que obrigou ao realojamento de 12 famílias. O último caiu em São Bento, depois de nos últimos dias ter caído um prédio de habitação em Alfama, o que afectou 11 famílias, e de dois prédios devolutos – um na Graça e outro na Mouraria.

in «i» Público, 26 de Fevereiro de 2010

Foto: imóvel abandonado na Av. da Liberdade

sábado, 26 de dezembro de 2009

«Por uma cidade que se respeite»

Uma cidade que se respeite não permite que um proprietário tenha o seu prédio degradado, a cair, abandonado, com falta de pintura, destelhado, entaipado, em risco de incêndio ou derrocada. Não permite. Ponto.

Uma câmara municipal digna desse nome multa, castiga, reprime o desleixo e negligência de quem for dono de um prédio nessas condições. Se não tiver instrumentos legais robustos para o fazer, exige-os ao Governo da República. Se não o conseguir, tem que se fazer porta-voz da indignação dos munícipes.

O Governo do país tem a obrigação de impedir que os centros das nossas cidades estejam sujos, ocos e cariados. Tem o dever de tornar muitíssimo dispendioso este mau hábito de quem não cuida da sua propriedade urbana. Tem o interesse - num país antigo, peculiar e turístico como o nosso - de garantir que os nossos centros históricos estejam impecáveis.

Não existe o direito de ter um prédio a cair. Tal como não existe o direito de guiar um carro sem travões ou poluente. Não interessa se o compraram ou herdaram. O carro tem de passar na inspecção periódica. O mesmo deveria valer para o prédio: tem de estar em boas condições, ou o proprietário terá de pagar pelo dano e risco que provoca a outrem. Um prédio decadente faz reverberar o desleixo. Baixa o valor da sua rua ou do seu bairro, incluindo o daqueles prédios cujos proprietários, mais conscienciosos, trataram de cuidar e manter em boas condições. Um prédio a cair representa um risco de segurança para quem ali passa, para o solitário inquilino que às vezes lá resta, para os vizinhos.

A propriedade de um prédio não é coisa que venha sem obrigações. Esse é um equívoco que engendra outros equívocos de todas as partes envolvidas, sem excepção: a ideia de que os exemplos de prédios integralmente ocupados com rendas baixas (cada vez menos) podem servir de desculpa para situações de incúria em prédios praticamente vazios; a ideia de que o Estado pode ser o primeiro proprietário negligente; a ideia de que às autoridades públicas cabe, sempre, pagar toda a factura do rearranjo dos prédios. O Rossio de Lisboa foi recuperado com dinheiros públicos há uma década. Hoje tem prédios com telhados cobertos de folha de alumínio. Lamento, mas isto não é cidade que se respeite.

O presente de Natal para toda a gente que gosta da cidade, da cultura e de música aí está: ardeu o prédio onde ficava o Hot Clube de Lisboa, um dos mais antigos clubes de jazz da Europa. Perguntava um leitor do PÚBLICO ao saber da notícia: será que vale a pena fazer TGV e novos aeroportos para mostrar uma cidade vazia? Sob o impacto do momento, o exagero é desculpável, porque toca na ferida. As pessoas não vão apanhar o TGV para Madrid para ficar a olhar para a estação ferroviária. Vão para ver o Museu do Prado.

Aquilo que Portugal e Lisboa esquecem - com o novo-riquismo desculpável de quem se encontra em algumas rotas da moda - é isto: ninguém volta ao hotel de charme para olhar de novo para o mesmo prédio esburacado em frente.

Andámos anos a discutir um ridículo projecto para o Parque Mayer e deixámos o Hot Clube ao abandono. O salão do Conservatório está em ruína. O Pavilhão Carlos Lopes também. Não temos um lugar no centro da cidade para receber exposições internacionais que atraiam centenas de milhares de visitantes. Achamos natural que o candidato evidente para essa função - a Praça do Comércio - sirva para a burocracia do Estado. Ou então, que se faça lá um hotel de charme. Temos, não o nego, muito charme no abandono. Rui Tavares in Público, 23-12-2009

FOTO: Igreja de São Vicente de Fora (MN) fechada ao público no início deste ano devido ao mau estado de conservação.

domingo, 20 de setembro de 2009

MÚSICA PELO JARDIM: 29 de Setembro

Campanha de reabilitação do Jardim Botânico
Retrospect Ensemble, Aula Magna, 29 de Setembro às 21h30

Com o objectivo de angariação de fundos para a reabilitação do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, o Retrospect Ensemble (outrora denominados de King’s Consort) dirigido por Matthew Halls estará em Lisboa para um concerto único, dia 29 de Setembro, às 21h30, na Aula Magna (Lisboa). Uma iniciativa Sunbridge. Para mais esclarecimentos contactar:

Ana Duarte Carmo (962631446)
Marisa Dias Antunes (962763188)

FOTO: Datura candida (pers.) Stafford. Flores da trombeteira, Angel's trompet, no Jardim das Cebolas, um dos sectores do Jardim Botânico a necessitar de obras de conservação urgentes.