sexta-feira, 11 de novembro de 2011

133º aniversário do Jardim Botânico: sem festa mas com muitos amigos

No ano em que o Jardim celebra 133 anos, não podemos, infelizmente, festejar alegremente o seu aniversário. Porque o Jardim nunca esteve tão degradado como o vemos hoje. E porque a sua salvaguarda nunca esteve tão ameaçada como está actualmente pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer. Se dúvidas havia, bastou o sofrimento que todos passámos ao vermos, incrédulos, o incêndio do passado dia 5 de Outubro que destruiu parcialmente um canteiro do Arboreto.

Já todos sabem que o Jardim Botânico de Lisboa está doente. Porque não tem um corpo de jardineiros profissionais. Porque não tem estufas de exibição ou de investigação. Porque não tem cafetaria, restaurante ou sequer loja. Porque não tem água suficiente. Porque não é sustentável. O Jardim está quase abandonado, demasiado perto de deixar de ser Botânico. O Jardim está em agonia. E nós, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, sofremos com o sofrimento do nosso Jardim.

Mas o Jardim Botânico nunca esteve rodeado de tantos amigos como em 2011. Tem 14 organizações não governamentais portuguesas unidas para defender a sua missão e o seu futuro. O seu destino foi levado a debate na Assembleia da República por vontade de mais de 5 mil cidadãos. E o Jardim Botânico de Lisboa recebeu a atenção da comunidade internacional ao ser seleccionado pela World Monuments Fund para o WATCH de 2012. O Jardim voltou a estar no centro da reflexão sobre o futuro que queremos para a nossa cidade!

Saberão os nossos governantes estar à altura das regras da boa governação e ouvir os cidadãos do país e do mundo?

Feliz Aniversário Jardim Botânico de Lisboa.

Foto: Araucaria columnaris no Arboreto, um dos monumentos vivos do Jardim Botânico

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ribeiro Telles considera que plano para o Parque Mayer põe Jardim Botânico em risco

Ribeiro Telles considera que plano para o Parque Mayer põe Jardim Botânico em risco

Associação de paisagistas contra privatização de espaço público para comércio e habitação

Os planos da Câmara de Lisboa para o Parque Mayer e zonas adjacentes põem em risco o vizinho Jardim Botânico, diz a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas. Uma posição que é subscrita pelo decano dos paisagistas portugueses, Gonçalo Ribeiro Telles: "Condeno o plano de pormenor do Parque Mayer, porque ele condiciona muito a existência do jardim.

"Em causa está a construção que a autarquia quer permitir em redor do recinto verde, classificado recentemente como monumento nacional. Para a associação de paisagistas, o plano "altera a luz, as vistas e a circulação de brisas entre o Jardim Botânico e a Avenida da Liberdade". Tão ou mais grave, "modifica a circulação da água superficial e subterrânea".

"As colinas, mas também a zona ribeirinha e os vales de Chelas, avenidas da Liberdade e de Ceuta estão a ser uniformizados com construções em altura, destruindo a identidade, a estética e a saúde de Lisboa, comprometendo fortemente o funcionamento dos sistemas naturais e tendo como consequência o acentuar das cheias, a concentração de poluição e os abatimentos de pavimento nas zonas baixas", disse ontem a presidente da Associação de Arquitectos Paisagistas, Margarida Cancela d"Abreu, numa intervenção que fez na Assembleia Municipal de Lisboa.

O facto de uma segunda versão do plano já não contemplar um novo edifício para acolher os visitantes do Jardim Botânico não faz baixar de tom as críticas dos paisagistas. Gonçalo Ribeiro Telles, que preside à assembleia geral da associação, afirma que se identifica com todas elas. "O plano propõe a privatização parcial de um espaço hoje público para comércio e habitação", descreve Margarida Cancela d"Abreu, acrescentando que as suas preocupações "não são estéticas e subjectivas", relacionando-se antes com a qualidade de vida e a segurança da cidade.

O plano devia ter sido ontem votado na assembleia municipal, mas como as comissões especializadas deste órgão ainda não emitiram parecer sobre ele o debate foi adiado. A associação dos arquitectos paisagistas defende a delimitação imediata da zona especial de protecção do Jardim Botânico e a elaboração do respectivo plano de salvaguarda. in Público, 9 Novembro 2011

Assembleia da República: projecto de resolução chumbado

Bloco de Esquerda - Grupo Parlamentar
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º /XII/1.ª
RECOMENDA A PROTECÇÃO DO MONUMENTO NACIONAL JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

O Jardim Botânico da Faculdade de Ciência de Lisboa, inaugurado em 1878, é um património de inegável interesse do ponto de vista histórico, cultural e científico no coração da cidade de Lisboa, levando todos os anos cerca de 80 mil visitantes a conhecer as suas mais de 1.400 espécies vegetais.

Conta com um banco de sementes que desempenha uma função crucial na conservação de recursos genéticos, detém importantes colecções de herbário, totalizando mais de 235 mil espécies, o que torna este Jardim num local de eleição para o ensino e a sensibilização ambiental, e possui diversas espécies tropicais, oriundas da Nova Zelândia, da Austrália, da China, do Japão e da América do Sul, constituindo uma das mais valiosas colecções botânicas em Portugal.

Conforme descreve o Sistema de Informação para o Património Arquitectónico - SIPA, alojado no site do IHRU, o Jardim tem um “valor cénico e botânico indiscutível, num espaço onde recreio e o lazer se cruzam com o saber. A variedade de espécies demonstra os diferentes microclimas que ao longo do jardim se podem encontrar. Um dos mais importantes espaços verdes da cidade de Lisboa antiga”.

Esta importância está reconhecida desde os anos 70, aquando da homologação do Jardim Botânico como Monumento Nacional, um processo só recentemente finalizado através do Decreto n.º 18/2010, de 28 de Dezembro, do Ministério da Cultura. Neste diploma justifica-se a classificação do Jardim pela “sua relevância pedagógica, a diversidade de espécies, com grande variedade de espécies exóticas, e a qualidade arquitectónica do edifício confinante da antiga Escola Politécnica ou as estruturas de apoio subsistentes no perímetro do Jardim” que “fazem deste espaço monumental um dos mais representativos do património urbano da Lisboa romântica, justificando-se plenamente a sua integral salvaguarda.” O documento refere ainda que a “classificação do Jardim Botânico de Lisboa contribuirá para a preservação do microclima da área, o que constitui condição sine qua non da sua subsistência”.

No entanto, não só esta classificação como Monumento Nacional exclui dos seus limites a Cerca Pombalina, desconsiderando este valor patrimonial, como a proposta de Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente, elaborada pela Câmara Municipal de Lisboa e colocada em consulta pública entre 22 de Outubro e 23 de Novembro de 2010, ameaça a salvaguarda e valorização do património e das missões cientifica e pedagógica do Jardim Botânico.

Por exemplo, o Plano de Pormenor prevê:

- O Aumento da altura média dos prédios em redor do Jardim, tornando-o mais quente e seco no Verão, pondo em risco a sobrevivência de muitas espécies e diminuindo a riqueza biológica do Jardim;

- A criação de um percurso pedonal para fazer a ligação da Rua da Escola Politécnica à Rua do Salitre e a uma nova galeria comercial junto ao Parque Mayer, que irá ocupar o lugar de uma estufa, e a subtracção de um corredor do Jardim que tem espécies de elevado valor botânico;

Foram os próprios IGESPAR e Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo (DRC-LVT), no âmbito da conferência de serviços, realizada a 22 de Julho de 2010, a colocar muitas dúvidas relativamente a estes projectos, sem que as mesmas tenham sido resolvidas no documento colocado em consulta pública.

Refere o parecer do IGESPAR, datado de 26 de Julho de 2010, que “o Jardim Botânico, construído na cerca de um antigo convento, possui valor estético, artístico, histórico e científico que importam conservar. Neste sentido, para conservar o carácter e valor culturais do espaço é necessário assegurar os seguintes factores:

1 - A manutenção das condições microclimáticas e de solo;

2 - A manutenção das condições hidrológicas e de drenagem dos solos;

3 - A manutenção das condições de ventilação e insolação;

4 - A manutenção dos elementos e materiais vivos e inertes que compõe o espaço;

5 - A manutenção da estrutura verde e do traçado do jardim, em conjunto com as edificações que o pontuam;

6 - A conservação de uma envolvente coerente com o carácter do espaço no que se refere aos factores ambientais e aos valores estéticos, históricos e artísticos.”. Ora, nenhuma destas condições está assegurada com esta proposta de Plano, nem são conhecidos os estudos que o IGESPAR refere serem necessários.

O parecer da DRC-LVT, de 23 de Julho, refere que as travessias devem ser preteridas ou devidamente fundamentadas porque podem “induzir a situações críticas decorrentes de um aumento de carga neste jardim”, ou que “a proposta de coberturas verdes de uso público condicionado (…) não pode envolver derrube de muros limítrofes, enquanto garantia da identidade deste imóvel”, ou que “a intervenção contempla alterações a nível de áreas e estruturas (…) as quais deverão ser preteridas” em caso de impactes negativos ainda não estudados, ou que a “proposta de estacionamento automóvel subterrâneo deverá ser preterida pelos impactes negativos sobre os valores patrimoniais em presença”. No entanto, estas preocupações não estão expressas na proposta actual.

O Bloco de Esquerda considera que a proposta do Plano de Pormenor desvaloriza o Jardim Botânico de Lisboa nas suas diversas funções e não o salvaguarda enquanto Monumento Nacional, em nada contrariando o abandono e degradação a que foi votado ao longo dos anos. É inaceitável que se pretenda reduzir a área e limites do Jardim, destruir estruturas fundamentais ou ignorar a sua importante missão científica e pedagógica. Aliás, sendo um Monumento Nacional, o Jardim deveria estar sujeito a um Plano de Pormenor de Salvaguarda, como determina a legislação, estabelecendo “normas que sirvam de base ao processo da regeneração das áreas, contrariando a deterioração progressiva destes locais, por forma a que se obtenha a reconstituição das características existentes à época”, o que não acontece no âmbito deste Plano que inclui uma zona territorial mais abrangente.

Acompanhamos, assim, a preocupação dos mais de 4.000 cidadãos que deram entrada na Assembleia da República de uma petição a exigir a revisão imediata deste Plano de Pormenor pela defesa da missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe à Assembleia da República que recomende ao Governo:

1. Assegure a adequada protecção e requalificação do Monumento Nacional Jardim Botânico de Lisboa, ameaçado pela proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente, em fase de aprovação pela Câmara Municipal de Lisboa;

2. Inclua a Cerca Pombalina como parte integrante do Monumento Nacional Jardim Botânico de Lisboa;

3. Promova, junto das entidades competentes, a elaboração de um Plano de Pormenor de Salvaguarda para o Monumento Nacional Jardim Botânico de Lisboa, articulado com o Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente, de modo a ordenar, requalificar e promover o cumprimento das missões científicas e pedagógicas do Jardim Botânico, prevendo inclusive garantias financeiras para o seu regular financiamento;

4. Garanta que na Zona Especial de Protecção do Jardim Botânico de Lisboa não sejam permitidas novas construções junto ao muro do Jardim e se mantenha a permeabilidade dos logradouros da zona envolvente (Rua da Escola Politécnica, Rua do Salitre, Rua da Alegria e Calçada Patriarcal).

Palácio de São Bento, 02 de Novembro de 2011
Os Deputados e as Deputadas do Bloco de Esquerda

NOTA: este projecto de resolução foi chumbado em sessão do dia 4 de Novembro de 2011

Aniversário do Jardim Botânico: 133 anos

Paisagistas: Plano de Pormenor do Parque Mayer vai acentuar cheias

Paisagistas: Plano de Pormenor do Parque Mayer vai acentuar cheias

Arquitetos paisagistas defenderam hoje na Assembleia Municipal a suspensão do Plano de Pormenor do Parque Mayer, por entenderem que "não salvaguarda o Jardim Botânico e vai acentuar as cheias" em Lisboa.

A Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas (APAP) apelou hoje, na Assembleia Municipal de Lisboa, à suspensão do Plano de Pormenor do Parque Mayer, por considerar que não salvaguarda o Jardim Botânico e vai "acentuar as cheias" na cidade.

A discussão do Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM) estava agendada para hoje, mas não se concretizou, uma vez que o documento está a aguardar pareceres da comissão municipal de finanças, disse uma fonte municipal.

No período antes da ordem do dia, a presidente da APAP, Margarida D'Abreu, apelou à "consciência ética" da Assembleia para suspender a aprovação do plano, para que a autarquia possa avançar com a demarcação de uma zona especial de proteção e um plano de salvaguarda do Jardim Botânico - que é abrangido pelo PPPM -, "previstos na legislação dos monumentos nacionais".


"Ameaça para o Jardim, para Lisboa e cidadãos"

A arquiteta alertou que este plano de pormenor vai "acentuar as cheias, aumentar a concentração de poluição e levar a abatimentos de pavimentos em zonas baixas".

Isto porque "apaga uma das colinas de Lisboa" e "fecha e impermeabiliza" aquela área, que agora leva a água a infiltrar-se "antes de chegar à Avenida da Liberdade".

Margarida D'Abreu defendeu que naquela área devia existir uma "elevada área de logradouros e espaços abertos".

Também a presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, em representação da Plataforma "Em Defesa da Missão do Jardim Botânico", que junta 14 associações e movimentos, defendeu a "revisão imediata do plano de pormenor", na assembleia municipal.

Manuela Correia recordou que o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa "possui uma das mais valiosas coleções de botânica nacionais" e é "um património inegável", defendendo a "preservação deste 'pulmão verde' fundamental" na cidade.

"Mais valia para a gula imobiliária"

"Desde o início (da elaboração do Plano de Pormenor do Parque Mayer) que os cidadãos constatam que o jardim é visto como uma peça acessória ou apenas uma mais valia para a gula imobiliária", afirmou Manuela Correia.

"O plano é uma real ameaça para o jardim, a cidade e os cidadãos. O Jardim Botânico está atualmente em perigo de destruição", avisou.

Na assembleia de hoje, foram aprovadas duas saudações do Bloco de Esquerda e do partido ecologista "Os Verdes" a dar conta da seleção do Jardim Botânico para o observatório mundial de monumentos 2012, pela sua importância de herança cultural e pela preocupação associada à sua conservação.

Esta referência foi feita em outubro, pela organização World Monuments Fund. A Câmara de Lisboa aprovou no final de julho, com as abstenções do PSD e CDS-PP, o Plano de Pormenor do Parque Mayer que, após passar por discussão pública, respondeu, segundo a maioria PS e o PCP, a dúvidas sobre impactos no Jardim Botânico e possibilidades de cheias.

Foto: Vista da Cerca Pombalina do Jardim Botânico junto ao Parque do Salitre (Baudoin Lda) com entrada pela Rua do Salitre 123. Esta anomalia urbana, um parque de estacionamento à superfície junto a um Monumento Nacional, será perpétuado pela CML com a eventual aprovação do PP que irá autorizar este proprietário a construir um estacionamento suterrâneo em cave neste local. O argumento da CML? Este logradouro já está impermeabilizado. Como é possível à CML defender o erro?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Arquitetos paisagistas apelam à suspensão do Plano de Pormenor do Parque Mayer

Arquitetos paisagistas apelam à suspensão do Plano de Pormenor do Parque Mayer

Lusa - 20:17 Terça feira, 8 de Nov de 2011

Lisboa, 08 nov (Lusa) - A Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas (APAP) apelou hoje, na Assembleia Municipal de Lisboa, à suspensão do Plano de Pormenor do Parque Mayer, por considerar que não salvaguarda o Jardim Botânico e vai "acentuar as cheias" na cidade.

A discussão do Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM) estava agendada para hoje, mas não se concretizou, uma vez que o documento está a aguardar pareceres da comissão municipal de finanças, disse uma fonte municipal.

No período antes da ordem do dia, a presidente da APAP, Margarida D'Abreu, apelou à "consciência ética" da assembleia para suspender a aprovação do plano, para que a autarquia possa avançar com a demarcação de uma zona especial de proteção e um plano de salvaguarda do Jardim Botânico - que é abrangido pelo PPPM -, "previstos na legislação dos monumentos nacionais".

Foto: vista da Cerca pombalina do Jardim Botânico junto à qual o PP propõe a construção de duas frentes urbanas a apenas 1,20 de distância e com a mesma altura do muro.

Plataforma em Defesa do Jardim Botânico na Assembleia Municipal de Lisboa

COMUNICADO DE IMPRENSA

No dia 8 de Novembro, a Plataforma "Em Defesa da Missão do Jardim Botânico", vai estar presente no período de intervenção pública, na 7ª Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Lisboa.

A participação tem como objectivo lançar um alerta para a ameaça a que está sujeito o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, se a versão final do Plano de Pormenor do Parque Mayer for aprovada.A Plataforma irá propor uma real revisão do mesmo, que contemple uma "zona tampão" à volta do Jardim, e a inclusão de um Plano de Salvaguarda para o Jardim Botânico, Monumento Nacional, com um Programa de Execução e um Plano de Financiamento que a actual versão do PPPM não contempla.

A PLATAFORMA "EM DEFESA DA MISSÃO DO JARDIM BOTÂNICO"

LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico

QUERCUS - Núcleo de Lisboa da Associação Nacional de Conservação da Natureza
APAP - Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses
ICOMOS Portugal - Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
APSJH - Associação Portuguesa dos Sítios e Jardins Históricos
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
OPRURB - Associação de Ofícios do Património e Reabilitação Urbana
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
GECoRPA - Grémio do Património
Fórum Cidadania Lisboa
Cidadãos pelo Capitólio

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Partículas de fogo junto ao Jardim Botânico originaram "princípios de incêndio" em várias árvores

Partículas de fogo junto ao Jardim Botânico originaram "princípios de incêndio" em várias árvores

As partículas do incêndio registado num prédio devoluto da Rua da Alegria, em Lisboa, "originaram princípios de incêndio em diversas árvores existentes no Jardim Botânico", segundo um relatório do Regime dos Sapadores Bombeiros a que a Lusa teve acesso.

"Devido a partículas incandescentes que se projetaram para o exterior, estas originaram princípios de incêndio em diversas árvores existentes no Jardim Botânico, sendo os mesmos extintos com o emprego de uma agulheta", lê-se no relatório.

Em causa está o fogo num edifício "devoluto/degradado" no número 76 da Rua da Alegria a 05 de Outubro último. Segundo o documento dos bombeiros, as chamas iniciaram-se no interior e tiveram "origem indeterminada".

Contactada pela Lusa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico informou, face a estas conclusões, ter solicitado mais informações à Câmara Municipal de Lisboa, por considerar que não estão respondidas todas as questões.

A Liga e a Plataforma Em Defesa do Jardim Botânico têm referido que as chamas entraram na zona do arboreto do jardim, "destruindo e danificando espécimes de grande porte".

À Lusa, a presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Manuela Correia, referiu ter sido enviada uma carta ao vereador com o pelouro da Proteção Civil, Manuel Brito.

Na missiva, ainda sem resposta, a Liga questionou "quem faz a inventariação e quem paga os estragos provocados pelo incêndio no Jardim Botânico".

A inalação de fumo no interior do prédio levou uma mulher ao hospital de S. José, enquanto durante os trabalhos de rescaldo um bombeiro sofreu queimaduras nas pernas. O bombeiro ficou internado para observações. in Destak / Lusa 07 11 2011


Foto: incêndio destruiu espécimes da colecção viva do Jardim Botânico

domingo, 6 de novembro de 2011

Novo Jardim Botânico em Singapura: Gardens by the Bay

Enquanto a Câmara Municipal de Lisboa produz um Plano de Pormenor que na verdade mais não é que um plano de urbanização para a construção de cerca de 30 mil m2 de edifícios em plena zona de protecção do Jardim Botânico, a cidade-estado de Singapura decidiu construir um segundo Jardim Botânico em pleno centro da cidade. Este novo espaço verde terá 54 hectares (o nosso Jardim Botânico tem 4,5 hectares) incluirá um notável complexo de estufas monumentais destinadas à exibição de plantas de clima mediterrânico (lá estarão as nossas oliveiras, alfarrobeiras, cerejeiras, etc.). Se houvesse visão de futuro em Lisboa, o Parque Mayer, propriedade municipal, seria naturalmente destinado à expansão do Jardim Botânico da capital. E o mesmo destino deveria ser dado a muitos dos logradouros abandonados na zona de preotecção do Jardim Botânico. Aliás, esta ideia já está pensada e estudada desde a década de 60 do séc. XX - até saiu um Decreto-lei com a planta da futura expansão do jardim para o Parque Mayer.


The total size of Gardens by the Bay is 101 hectares or 177 football fields. Bay South is 54 hectares, Bay East is 32 hectares and the Bay Central is 15 hectares.

In January 2006, an international master plan design competition for the Gardens was launched. Some 70 teams comprising 170 firms, from over 24 countries, including 35 from Singapore, participated in the competition.

An 11-member Jury comprising local and international experts shortlisted eight teams and two winners were announced in September 2006; namely Grant Associates for Bay South and Gustafson Porter for Bay East, both from the UK. Bay Central will be developed later. A public exhibition of the master plan concepts and models of the winning teams was held from 6 - 23

September 2006. Some 10,000 people visited the exhibition and over 700 gave feedback directly via feedback forms, face-to-face interviews, online feedback and focus groups surveys.
An overwhelming majority (85%) of those surveyed liked the features in the master plans and over 97% said they would visit the gardens.

The site for the Gardens (Bay South and Bay East) was hoarded up in June 2007. The first phase of the Gardens is expected to complete by end 2011.

The 54-hectare (approximately 72 soccer fields) garden in Marina South will be a colourful and vibrant heart of our Garden City featuring floral displays and tropical blooms and foliage. Its recreational amenities include an outdoor concert and events arena, and a flower fairground that will be home to the Singapore Garden Festival. The unique feature of this garden will be a cool conservatory complex which will allow visitors to enjoy flowers from around the world in a cool environment.

Key Features

Conservatory Complex

Two conservatories (a cool dry and a cool moist) covering more than 2 hectares (about 3 soccer fields) will showcase Mediterranean, Tropical Montane and temperate annual plants and flowering species. They will also provide a flexible flower themed venue for events and exhibitions.

Heritage Gardens:

This is a collection of gardens that reflects the history and culture of Singapore's 3 main ethnic groups, as well as the city-state's colonial heritage.

- The Malay Garden tells the story of life in a traditional "kampong" (village).
- The Indian Garden's layout echoes a traditional illustrated flower motif.
- The Chinese Garden reflects the role of gardens in Chinese culture as places of inspiration for writers, poets and artists, through seclusion and tranquility.
- The Colonial Garden tells the story of plants as "Engines of Empire" - lucrative crops, spices and plants that formed important trade routes between the East and the West.

The World of Plants:

The second collection of gardens are based on the theme "plants and planet" and showcase the biodiversity of plant life on our planet.

Foto: Estufas em fase final de construção (Setembro de 2011)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Igreja do Menino Deus: Concerto 4 Nov 21H

Programa para o concerto de 4 de Novembro de 2011 às 21:00h:

A Música Sacra no tempo de D. João V (Compositores de 1711 a 1750)

João Rodrigues Esteves: “Pinguis est Panis”
Johann Sebastian Bach: Ária “Schlummert ein, ihr matten Augen”
G.Ph.Telemann: Cantata “Ihr Völker hört” (Am Feste der heiligen drei Könige)
Johann Sebastian Bach: Sonata em Si bemol Maior, BWV 1021 - Adagio/Vivace/Largo/Presto
João Rodrigues Esteves: “Regina Caeli Laetare”

La Nave Va - Ensemble Barroco
Maria Luísa Tavares, Mezzo-Soprano
Armando Possante, Barítono
António Carrilho, Flauta de Bisel
Edoardo Sbaffi, Violoncelo
Jenny Silvestre, Cravo

ENTRADA LIVRE
IGREJA DO MENINO DEUS - LARGO DO MENINO DEUS – LISBOA
APOIO: Patriarcado de Lisboa, Congregação de São José de Cluny, Solar do Castelo / Hotéis Heritage Lisboa

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LISBOA: Abriu primeiro parque hortícola

«Parque junto ao Colombo tem 38 talhões com 150 metros quadrados. Seguem-se os Jardins de Campolide

"Está muito melhor." Moisés Soares, morador em Carnide, não esconde a satisfação ao olhar para o parque hortícola ontem inaugurado na freguesia vizinha de Benfica. O espaço, às portas do Centro Comercial Colombo, é o primeiro da capital e tem 38 talhões com 150 metros quadrados, 20 dos quais atribuídos num concurso que contou com cerca de 350 participantes. Os restantes 18 talhões foram distribuídos por hortelões que cultivavam aquele terreno há vários anos - então sem condições. Um cenário bem diferente do actual, no qual todos os agricultores têm acesso a água potável e casas de arrumos, paredes meias com o resultado da primeira fase da intervenção no Parque da Quinta da Granja, que dotou a área de uma ciclovia, um quiosque e várias áreas ajardinadas. Inaugurados vão ser ainda um parque infantil (Março) e uma cafetaria instalada numa casa do século XVIII que está neste momento a ser recuperada (Agosto). "Este bocado foi arrumado", sintetizou na cerimónia de inauguração José Sá Fernandes (na foto), vereador do Ambiente Urbano e Espaços Verdes, sem esconder a sua satisfação por ver em funcionamento o primeiro parque hortícola da Lisboa.

A este, seguir-se-á outro nos Jardins de Campolide a inaugurar ainda este ano e cujas candidaturas aos 22 talhões (com áreas entre os 80 e os 100 metros quadrados) também já decorreram. Os candidatos foram mais de 150, o que significa um total de mais de 500 lisboetas a quererem cultivar os seus próprios alimentos nas duas primeiras zonas criadas para o efeito. "Isso demonstra bem a apetência que as pessoas têm e como, nesta época de crise, para muitas famílias a questão da sustentabilidade não é só teórica", considerou António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, frisando que "não há cidade sem alimentação e não há alimentação sem produção".

Já Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista e um dos maiores defensores, há já várias décadas, da existência de parques hortícolas em cidades, afirmou que a capital é agora "uma boa referência para o futuro" da área metropolitana que integra. De acordo com a autarquia, em 2011 e 2012 vão ser inaugurados, ao todo, 11 novos terrenos de cultivo, sendo os parques do Vale de Cheias e de Telheiras Nascente aqueles que estão em fase mais adiantada. Há ainda outras cinco localizações em estudo.» In Diário de Notícias, 31/10/2011

Manual de Crimes Urbanísticos

«Há uma mão suja sobre a cidade. São cada vez mais os mecanismos - lícitos e ilícitos - que violam as mais elementares regras de planeamento urbano”, escreve o autor Luís Ferreira Rodrigues, mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, que tem desenvolvido a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. O livro é editado pela Guerra & Paz e tem prefácio do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

Eça de Queiroz escreveu na "A Cidade e as Serras" os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade". O que diria se fosse confrontado, na actualidade, com a progressiva desumanização a que as cidades do nosso país foram sujeitas por décadas de crimes urbanísticos? O presente manual, de extrema oportunidade, expõe de forma clara e objectiva, as principais causas da desorganização e desqualificação urbana - da incompetência técnica à corrupção e da demagogia política à especulação imobiliária. Enriquecido com ilustrações práticas, poderá ser um instrumento útil na consciencialização individual e colectiva dos cidadãos e no combate à passividade das comunidades perante os atentados ao património e à qualidade de vida nas nossas cidades. In Agenda Cultural da CML - Outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

O exemplo de Chicago: «A City Prepares for a Warm Long-Term Forecast»

CHICAGO — The Windy City is preparing for a heat wave — a permanent one.
Climate scientists have told city planners that based on current trends, Chicago will feel more like Baton Rouge than a Northern metropolis before the end of this century.

So, Chicago is getting ready for a wetter, steamier future. Public alleyways are being repaved with materials that are permeable to water. The white oak, the state tree of Illinois, has been banned from city planting lists, and swamp oaks and sweet gum trees from the South have been given new priority. Thermal radar is being used to map the city’s hottest spots, which are then targets for pavement removal and the addition of vegetation to roofs. And air-conditioners are being considered for all 750 public schools, which until now have been heated but rarely cooled.

“Cities adapt or they go away,” said Aaron N. Durnbaugh, deputy commissioner of Chicago’s Department of Environment. “Climate change is happening in both real and dramatic ways, but also in slow, pervasive ways. We can handle it, but we do need to acknowledge it. We are on a 50-year cycle, but we need to get going.”

Across America and in Congress, the very existence of climate change continues to be challenged — especially by conservatives. The skeptics are supported by constituents wary of science and concerned about the economic impacts of stronger regulation. Yet even as the debate rages on, city and state planners are beginning to prepare.

The precise consequences of the increase of man-made greenhouse gases in the atmosphere are hard to determine, but scientists are predicting significant sea level rise; more extreme weather events like storms, tornadoes and blizzards; and, of course, much more heat. New York City, which is doing its own adaptation planning, is worried about flooding from the rising ocean. The Navy has a task force on climate change that says it should be preparing to police the equivalent of an extra sea as the Arctic ice melts.

Some of these events will occur in the near-enough term that local governments are under pressure to act. Insurance companies are applying pressure in high-risk areas, essentially saying adapt or pay higher premiums — especially in urban and commercial areas.

The reinsurance giant Swiss Re, for example, has said that if the shore communities of four Gulf Coast states choose not to implement adaptation strategies, they could see annual climate-change related damages jump 65 percent a year to $23 billion by 2030.

“Society needs to reduce its vulnerability to climate risks, and as long as they remain manageable, they remain insurable, which is our interest as well,” said Mark D. Way, head of Swiss Re’s sustainable development for the Americas.

Melissa Stults, the climate director for ICLEI USA, an association of local governments, said that many of the administrations she was dealing with were following a strategy of “discreetly integrating preparedness into traditional planning efforts.”

Second City First
Chicago is often called the Second City, but it is way out in front of most in terms of adaptation.
The effort began in 2006, under the mayor at the time, Richard M. Daley. He said he was inspired in part by the Kyoto international treaty for reducing carbon emissions, which took effect in 2005, and also by an aspiration to raise Chicago’s profile as an environmentally friendly town.

As a first step, the city wanted to model how global warming might play out locally. Foundations, eager to get local governments moving, put up some money.

“There was real assumption that Chicago could be a model for other places,” said Adele Simmons, president of Global Philanthropy Partnership, a nonprofit group based in Chicago that helped bring in $700,000 at the early stages.

Climatologists took into account a century’s worth of historical observations of daily temperatures and precipitation from 15 Chicago-area weather stations as well as the effect of Lake Michigan in moderating extreme heat and cold to come up with a range of possibilities based on a higher and lower range of worldwide carbon emissions.

The forecasts, while not out of line with global predictions, shocked city planners.

If world carbon emissions continued apace, the scientists said, Chicago would have summers like the Deep South, with as many as 72 days over 90 degrees before the end of the century. For most of the 20th century, the city averaged fewer than 15.

By 2070, Chicago could expect 35 percent more precipitation in winter and spring, but 20 percent less in summer and fall. By then, the conditions would have changed enough to make the area’s plant hardiness zone akin to Birmingham, Ala.

But what would that mean in real-life consequences? A private risk assessment firm was hired, and the resulting report read like an urban disaster film minus Godzilla.

The city could see heat-related deaths reaching 1,200 a year. The increasing occurrences of freezes and thaws (the root of potholes) would cause billions of dollars’ worth of deterioration to building facades, bridges and roads. Termites, never previously able to withstand Chicago’s winters, would start gorging on wooden frames.

Armed with the forecasts, the city prioritized which adaptations would save the most money and would be the most feasible in the light of tight budgets and public skepticism.

“We put each of the priorities through a lens of political, economic and technical,” said Suzanne Malec-McKenna, the commissioner of Chicago’s Department of Environment. “What is it, if you will, that will pass the laugh test?”

Among the ideas rejected, Ms. Malec-McKenna said, were plans to immediately shut down local coal-powered energy plants — too much cost for too little payback.

For actions the city felt were necessary but not affordable, it got help again from a local institution, the Civic Consulting Alliance, a nonprofit organization that builds pro bono teams of business experts. In this case, the alliance convinced consulting firms to donate $14 million worth of hours to projects like designing an electric car infrastructure and planning how to move the city toward zero waste.

Mr. Daley embraced the project. He convened 20 city departments in 2010 and told them to weigh their planning dollars against the changes experts were predicting. The department heads continued to meet quarterly, and members of Mayor Rahm Emanuel’s administration have said he is committed to moving the goals of the plan forward, albeit with an added emphasis on “projects that accelerate jobs and economic development.”

Updating Infrastructure
Much of Chicago’s adaptation work is about transforming paved spaces. “Cities are hard spaces that trap water and heat,” said Janet L. Attarian, a director of streetscapes at the city’s Department of Transportation. “Alleys and streets account for 25 percent of groundcover, and closer to 40 percent when parking lots are included.”

The city’s 13,000 concrete alleyways were originally built without drainage and are a nightmare every time it rains. Storm water pours off the hard surfaces and routinely floods basements and renders low-lying roads and underpasses unusable.

To make matters worse, many of the pipes that handle storm overflow also handle raw sewage. After a very heavy rain, if overflow pipes become congested, sewage backs up into basements or is released with the rainwater into the Chicago River — an emergency response that has attracted the scrutiny of the Environmental Protection Agency.

As the region warms, Chicago is expecting more frequent and extreme storms. In the last three years, the city has had two intense storms classified as 100-year events.

So the work planned for a six-point intersection on the South Side with flooding and other issues is a prototype. The sidewalk in front of the high school on Cermak Road has been widened to include planting areas that are lower than the street surface. This not only encourages more pedestrian traffic, but also provides shade and landscaping. These will be filled with drought-resistant plants like butterfly weed and spartina grasses that sponge up excess water and help filter pollutants like de-icing salts. In some places, unabsorbed water will seep into storage tanks beneath the streets so it can be used later for watering plants or in new decorative fountains in front of the high school.

The bike lanes and parking spaces being added along the street are covered with permeable pavers, a weave of pavement that allows 80 percent of rainwater to filter through it to the ground below. Already 150 alleyways have been remade in this way.

The light-reflecting pavement is Chicago’s own mix and includes recycled tires. Rubbery additives help the asphalt expand in heat without buckling and to contract without cracking.
The new streets bring new challenges, of course. The permeable pavers have to be specially cleaned or they eventually become clogged with silt and lose effectiveness.

Still, the new construction is no more expensive than traditional costs, Ms. Attarian said. Transforming one alleyway costs about $150,000. But now, she said, “We can put a fire hose on it full blast and the water seeps right in.”

Reconsidering the Trees
Awareness of climate change has filled Chicago city planners with deep concern for the trees. Not only are they beautiful, said Ms. Malec-McKenna, herself trained as a horticulturalist, but their shade also provides immediate relief to urban heat islands. Trees improve air quality by absorbing carbon dioxide, and their leaves can keep 20 percent of an average rain from hitting the pavement.

Chicago spends over $10 million a year planting roughly 2,200 trees. From 1991 to 2008, the city added so many that officials estimate tree cover increased to 17.6 percent from 11 percent. The goal is to exceed 23 percent this decade.

The problem is that for trees to reach their expected lifespan — up to 90 years — they have to be able to endure hotter conditions. Chicago has already changed from one growing zone to another in the last 30 years, and it expects to change several times again by 2070.

Knowing this, planners asked experts at the city’s botanical garden and Morton Arboretum to evaluate their planting list. They were told to remove six of the most common tree species.

Off came the ash trees that account for 17 percent of Chicago tree cover, or more than any other tree. Gone, too, are the enormous Norway maples, which provide the most amount of shade.

A warming climate will make them more susceptible to plagues like emerald ash disease. Already white oak, the state tree of Illinois, is on the decline and, like several species of conifer, is expected to be extinct from the region within decades.

So Chicago is turning to swamp white oaks and bald cypress. It is like the rest of adaptation strategy, Ms. Malec-McKenna explains: “A constant ongoing process to make sure we are as resilient as we can be in facing the future.”

in NEW YORK TIMES, 22 de Maio de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

As Árvores e a Cidade: Jardim 9 de Abril



Chorisia em flor no Jardim 9 de Abril, em frente da entrada principal do Museu Nacional de Arte Antiga.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Árvores para Lisboa! Aberta época de plantações!

Árvores para Lisboa! Outono, início da época das plantações!

As árvores ajudam a minorar os problemas das alterações climáticas de 3 maneiras:

1- as árvores absorvem o CO2 da atmosfera, acumulando-o sob a forma de carbono que é depois armazenado nas raízes, troncos, ramos, folhas e sementes.

2- as árvores ajudam a poupar até 10% do consumo de energia dos edifícios ao moderarem o micro-clima de um arruamento mantendo-o mais fresco no verão e mais quente no inverno.

3- as árvores reduzem o impacto das chuvas fortes e constituem uma alternativa barata e natural às infra-estruturas de controlo de cheias que são sempre obras de engenharia caras.

E claro, as árvores embelezam a paisagem urbana, filtram as partículas poluentes do ar, para além de criarem habitats vitais para muitos animais selvagens.

Se vive num arruamento sem árvores de alinhamento, solicite ao Pelouro do Ambiente e Espaços Verdes um estudo para arborizar o seu arruamento. Será sempre aconselhável que os munícipes de uma mesma rua/bairro juntem esforços, formem até uma comissão de moradores, para assim garantir que a CML se empenhe e execute o projecto de arborização.

FOTO: cepo na Rua Jacinta Marto junto ao Hospital da Estefânia (São Jorge de Arroios)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jardim Botânico de Lisboa is on the 2012 World Monuments Watch

O cartaz WATCH 2012 do Jardim Botânico de Lisboa. World Monuments Fund. Para fazer o download deste cartaz e saber mais informações sobre o "Observatório Mundial dos Monumentos", consultar o http://www.wmf.org/

Antiga Cantina no Jardim Botânico é Teatro da Politécnica

Teatro da Politécnica. Amarelo, preto e de todas as artes

«Desfalcados, exaustos, mas orgulhosos. Podia ser um grito de guerra, próprio dos tempos que correm, mas os termos são de Jorge Silva Melo, fundador e director artístico dos Artistas Unidos, que hoje inauguram uma casa nova, no Teatro da Politécnica, junto ao Jardim Botânico de Lisboa. Será a casa da companhia nos próximos três anos, nos termos de um contrato renovável com a reitoria da Universidade de Lisboa.

A entrada é feita pelos portões do Museu de História Natural ou do Jardim Botânico. Entre as árvores, por detrás do edifício que agora está pintado de amarelo forte, está um escritório ao ar livre – uma mesa, cadeiras e computador – onde Jorge Silva Melo responde a e-mails e trata das papeladas próprias antes da abertura do novo espaço. “Nada mau, hã?”, recebe-nos de sorrisos e boa disposição, olhos no seu recanto de trabalho.

Dentro do edifício, o espaço é amplo: à esquerda, a bilheteira, que está a ser montada quando chegamos. Além dos ingressos, o pequeno balcão vai armazenar livros e DVD para vender. Ao fundo, atrás da bilheteira, a sala de grandes janelões de vidro que vai ser palco de algumas peças, mas hoje veste outra das roupas para a qual foi pensada: a exposição de Ângelo Sousa (entrada livre) também inaugura o espaço. Quadros de fundo brancos e pinceladas de cores sobre as paredes pretas; esculturas metálicas no chão, também negro. É do lado de lá desta sala, na rua, que Jorge Silva Melo montou o escritório (itinerante). “A instalação foi, e ainda está a ser, muito dolorosa. Houve alguns erros técnicos e falta de conversa, além de uma espécie de demissão da Direcção Geral das Artes, que apesar de anunciar esta abertura em quase tudo o que faz, não a mostra no seu site.”, diz Jorge Silva Melo. As obras de adaptação do edifício e o equipamento custaram 140 mil euros e a companhia contou com apoios da Câmara Municipal de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian e do extinto Ministério da Cultura, actual Secretaria Estado da Cultura. A Reitoria da Universidade de Lisboa encarregou-se da reabilitação estrutural do edifício.

Dentro dos tais “erros técnicos”, está a concepção da primeira bancada do teatro – recorda-se da entrada, onde fica a bilheteira? Para entrar na sala de teatro principal, com 80 lugares de assentos vermelhos, basta virar à direita. Enquanto conversávamos com Jorge Silva Melo, e como é natural nestas andanças de novos costumes, chegava a vistoria ao Teatro da Politécnica, que inspeccionou também a tal bancada da sala principal: “A equipa tem estado a trabalhar das 8h às 01h para ter as coisas prontas”. Enquanto lá estávamos, a inspecção olhou de lado, de frente e provavelmente por baixo dos assentos e, apesar de uns acertos de última hora, parecia estar tudo encaminhado – e seguro – para a estreia de hoje à noite.

Números: O director artístico está satisfeito com a abertura do espaço. Mas apesar de sublinhar o estímulo que sente ao poder abrir um teatro num momento pouco dados a estes acontecimentos, revela estar preocupado com o futuro imediato: “O Ministério [da Cultura, extinto] prometeu comprar material, mas isso ainda não se realizou e temos comprado com os nossos ordenados. E também sabemos que não vamos fazer mais convites: se por cada um que faço tenho de pagar 23% do IVA, por amor de Deus, não me peçam convites que me sai caríssimo!”

Apesar de todas as preocupações que lhe possam rondar a cabeça, Jorge Silva Melo solta as palavras como o faz com o riso. Sem largar os sorrisos da mão, tanto fala sobre o bom que é haver muita oferta cultural como salta para o medo que pode sentir volta e meia:“Tenho receio que os espectadores, neste momento, só encontrem as respostas às ambições culturais nas grandes instituições. Quando vou ao Teatro S. Luiz ou ao Nacional, as salas estão cheias. Mas há muitos que antigamente tinham muita gente e hoje não vejo quase ninguém”. A preocupação de Silva Melo é mais marcada, quando se recorda que pode haver “um cansaço da curiosidade”. O que quer dizer que os espectadores podem preferir sair de casa sabendo aquilo que vão encontrar, “confortavelmente sentados, vendo um espectáculo de qualidade ou não, mas compreensível e esperado. Sentem-se confortáveis com essa saída à noite”.

De uma forma ou de outra, o Teatro da Politécnica arrisca. Além das peças, exposições e livros, os Artistas Unidos querem promover conversas com a plateia:“No outro dia falava com a Paula Rego e dizia-lhe que não teria sido mal pensado chamar A Casa das Conversas a este teatro. Porque um teatro é isso: uma casa onde se pode conversar”. É por isso que depois das peças haverá conversas e encontros entre actores, encenador e público no Teatro da Rua da Escola Politécnica. “O que eu queria muito é que isto fosse não a casa dos Artistas Unidos, mas a casa dos espectadores dos Artistas Unidos”.

Por agora, a companhia pode estar desfalcada (“muitos dos apoios financeiros prometidos não chegaram”), exausta (“a batalha para conseguir o espaço foi longa”) e orgulhosa (“por conseguirmos um sítio tão bonito, tão próximo da vida de tanta gente e ao mesmo tempo tão recatado”). E talvez se não fossem tantas as estrangeiras, de idade avançada, a parar volta e meia na secretária ao ar livre do encenador, querendo saber “where is bor-bo-le-tário?”, Jorge Silva Melo não teria apontado nenhum dedo.

ESTREIA Abrir o novo espaço da companhia com uma peça de teatro clássico podedar a ideia que os Artistas Unidos querem deixar uma mensagem de teatro clássico. Mas “Não se Brinca com o Amor”, escrita em 1830 por Alfred Musset não traduz segundas intenções:“A programação deste ano estava delineada e tivemos a hipótese de abrir o Teatro da Politécnica”, conta Silva Melo. “Calhou que nem ginjas”. A graça que Silva Melo encontra é dele ser esperado outra tipo de apresentação:“Peças destroy sobre a juventude de agora, drogando-se, suicidando-se, a morrer de amor. Mas eu gosto de me contradizer”. A peça de Musset fala da juventude que não é a de hoje: “Mas é de uma inovação extraordinária para a época. Começa como uma farsa, depois é uma comédia e acaba com tragédia. Um volte face permanente das emoções e da análise”.»

In I Online (19/10/2011) por Maria Catarina Nunes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

«Houve sinais de fogo no Jardim Botânico»

Houve sinais de fogo no Jardim Botânico
Durante horas o perigo foi aquilo que os jornalistas mais gostam que o perigo seja: iminente. Um incêndio que deflagrou num edifício devoluto em risco de ruína, na Rua da Alegria, na última quarta-feira, ameaçou a mancha vegetal do Jardim Botânico. A causa do incêndio ainda não é conhecida. O que se sabe é que os bombeiros sapadores fizeram os possíveis para que o jardim fosse protegido das chamas mas não conseguiram evitar que uma palmeira ardesse por completo. Coincidentemente, no mesmo dia em que correu risco de incêndio, o Jardim Botânico entrou para a lista de 2012 do Observatório criado pelo Fundo Mundial de Monumentos, instituição privada norte-americana, sem fins lucrativos, que tem como objectivo preservar lugares da herança cultural em todo o mundo.

In Time Out Lisboa, 18 outubro de 2011, pág. 9.

domingo, 16 de outubro de 2011

WATCH 2012: Press Release enviado à imprensa estrangeira

PRESS RELEASE - October 2011

Lisbon's Botanical Garden selected by World Monuments Fund for the World Monuments Watch 2012

Lisbon's Botanical Garden has been selected for inclusion in the World Monuments Watch list of 2012. The list was made public in New York on the 5th of October.

The World Monuments Fund (www.wmf.org) is the world's foremost private, non-profit organization dedicated to preserving important cultural-heritage sites around the world. Every two years since 1996, the World Monuments Watch has focused global attention on cultural heritage sites around the world that are endangered. Inclusion on the list helps to raise the funds needed for their rescue and often spurs local governments and communities to take an active role in protecting their cultural icons. The sites are selected from submitted applications by an international panel of leading experts in the field, including representatives from UNESCO and ICOMOS.

The Jardim Botânico da Universidade de Lisboa was established in 1873 and inaugurated in 1878. The Garden, which lies within the city centre, was set up to support teaching and research at the Faculty of Sciences of the university. Within the 4.2-hectare Garden are significant collections of mainly palms, ficus and cycas, as well as many endangered plant species. Furthermore, the luxuriant sub-tropical vegetation of the Garden plays an important role as a climate and pollution regulator for the city, and provides refuge for migratory fauna.

The Garden, the largest 19th-century Romantic garden in Lisbon, exhibits a great diversity of plants gathered from every part of the world. It is a living biodiversity bank of wild species. The Garden is a Grade 1-listed monument (Monumento Nacional).

The future of the Garden is now threatened by a proposed mixed-use development of surrounding and adjacent land parcels, which would have a severely negative impact on the Garden; the development will result in over 25,000 square meters of new built-up area in the garden’s buffer zone. The project was conceived by the City Council of Lisbon (a competition for the project was won by the architectural practice Aires Mateus) to enhance the Gardens’ neighbourhood. Other threats to the Garden include inadequate funding and staff, and the dilapidation of the Garden’s living collections and built heritage. In addition, the development of projects to engage Lisbon and Portuguese citizens with the mission of the Botanic Garden, and the campaigning for appropriate legal protection and respect of the integrity of the Garden’s heritage value need to be addressed urgently.

Friends of the Botanics is a non-governmental, non-profit organization established in 1986 for the safeguard, support and endowment of Lisbon’s Botanical Garden. The application for the Garden was submitted in March 2011 by Friends of the Botanics, supported by renowned Portuguese landscape architect, Dr. Prof. Ribeiro Telles.

With the help of WMF and a platform of 14 NGOs*, Friends of the Botanics will work towards reversing the threats facing Lisbon’s Botanical Garden. The group will call for the review of the current design of the urban Master Plan (Plano de Pormenor), and the implementation of projects that would respect the long-term needs of the Garden and which would help safeguard the Garden as a place of education, research and recreation for present and future generations.

For further information, contact the representatives of Friends of the Botanics:

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
+ 351 919256973 or +351 935587982
amigosdobotanico@gmail.com

*PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA:
Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
GECoRPA - Grémio do Património
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
ICOMOS - Portugal
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
Quercus - Núcleo de Lisboa
LPN - Liga para a Protecção da Natureza

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
Rua da Escola Politécnica 58
1250-102 Lisboa
PORTUGAL

T: +351 919256973 / +351 935587982


sábado, 15 de outubro de 2011

PATRIMÓNIO: World Monuments Fund de olho em Lisboa

PATRIMÓNIO World Monuments Fund de olho em Lisboa

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa está entre os locais enumerados pela World Monuments Fund (WMF) na lista bienal organizada pela organização privada, a World Monuments Watch. Isso significa que o jardim lisboeta do século XIX é um lugar de valor histórico, artístico e arquitectónico que está actualmente em perigo de destruição. A WMF é uma organização privada que trabalha pela preservação de lugares da herança cultural, alertando as autoridades locais e comunidades acerca do seu próprio património e da necessidade de o salvaguardar ou até mesmo trabalhando para angariar os fundos necessários para preservar esses locais de interesse histórico.

http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?art=14053&rev=2&zona=21

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jardim Botânico no WATCH 2012: Comunicado da Reitoria da Universidade de Lisboa

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa incluído no Observatório Mundial dos Monumentos 2012

por Filipa Alves (12-10-2011), NATURLINK

Uma iniciativa da World Monuments Fund, trata-se de uma lista de sítios que constituem herança cultural e que estão em risco de desaparecer. A candidatura ao Observatório foi submetida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico, que teme pelo futuro do Jardim, que considera ameaçado pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer e pela crónica falta de financiamento.

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa foi selecionado para o Observatório Mundial dos Monumentos 2012 (World Monuments Watch, WMW), juntamente com outros 66 locais carismáticos em todo o mundo, como é o caso da Catedral de St Michael (Inglaterra), as vilas piscatórias flutuantes na Baía de Ha Long Bay (Vietname) e o primeiro cemitério de Atenas (Grécia).

Uma iniciativa da Wold Monuments Fund, uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como objetivo a preservação de locais de herança cultural a nível mundial, o WMW Watch lista alguns destes sítios-património que estão em risco de desaparecer.

A candidatura ao WMW foi submetida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), entidade que integra a Plataforma em Defesa do Jardim Botânico, formada por 13 ONGs que se opõem veementemente à atual versão do Plano de Pormenor do Parque Mayer e do Jardim Botânico, por o considerarem uma ameaça para o Jardim, pondo em risco o seu futuro.

Em causa, estão os planos de novas construções nos logradouros do Jardim Botânico, a alteração radical da sua envolvente urbana, o reconhecimento de parcelas de terreno ilegalmente impermeabilizadas e a obstrução da cerca pombalina do jardim com a construção de duas novas frentes urbanas, explica a LAJB em comunicado.

A LAJB espera que a inclusão do Jardim Botânico no WMF convença a Assembleia Municipal de Lisboa a promover “uma genuína revisão do Plano de Parque Mayer” cuja atual versão “não reflete as visões e aspirações dos cidadãos”.

Inaugurado em 1878 com o objetivo de apoiar o ensino da Botânica naquela instituição, o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa é o maior jardim da sua época em Lisboa, encontrando-se classificado como Monumento Nacional.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ICOMOS na Plataforma Em Defesa do Jardim Botânico

Depois da solidariedade da Associação de Arqueólogos Portugueses - AAP, o ICOMOS - PORTUGAL, associa-se oficialmente à "Plataforma Em Defesa da Missão do Jardim Botânico". Já somos 14 organizações a pedir o chumbo deste PPPM/JB, na Assembleia Municipal de Lisboa. Cada vez mais a sociedade civil levanta a sua voz a pedir verdadeira protecção, requalificação e sustentabilidade a longo prazo deste jardim Monumento Nacional. Basta de especulação. Basta de imaginados benefícios. Basta de grandes planos que mais não serão do que uma pesada herança para as gerações futuras.

ICOMOS - PORTUGAL

COMISSÃO NACIONAL PORTUGUESA DO CONSELHO INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E DOS SÍTIOS (ICOMOS)


Obrigado ICOMOS - PORTUGAL!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Comunicado da conferência de imprensa no Jardim Botânico:11 de Outubro de 2011

COMUNICADO DA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA - JARDIM BOTÂNICO
Lisboa, 11 de Outubro, 14h00 de 2011

Das mais de 500 candidaturas de todo o mundo, para o Observatório do Fundo Mundial de Monumentos, apenas 67 foram seleccionadas, incluindo o JB da Universidade de Lisboa. Isto significa que aquela organizaçãao vê como uma séria ameaça para o JB a execução do PPPM que a CML quer fazer aprovar e que a actual situação de degradação, desleixo, abandono e desprezo a que chegou o Jardim Botânico, classificado como Monumento Nacional, o colocam em risco, tendo a sua inclusão o objectivo de chamar a atenção da comunidade internacional para os perigos que ameaçam este Jardim.

No dia 5 de Outubro, ao mesmo tempo que este anúncio era feito para todo o mundo pela WMF, em Nova Yorque, um incêndio deflagrava num edifício devoluto,"colado" ao JB, na Rua da Alegria, tendo ao contrário do que foi afirmado pelo Sr. Vereador da Protecção Civil da CML, entrado no Jardim, na zona do Arboreto, como poderão constatar no local, destruindo e danificando espécimes de grande porte, como por exemplo a morte de uma Palmeira Washingtonea bem como várias herbáceas, e danificando resinosas como a Aurocária Columnaris, que é emblemática na paisagem de Lisboa, identificando o Jardim de longe. Foi graças às favoráveis condições climatéricas, como a ausência de vento, à hora em que deflagrou o incêndio e à pronta e eficaz resposta do corpo de bombeiros, que este inêndio não teve mais graves repercussões. Mas este incêndio veio pôr a nu as graves deficiências e abandono a que o Jardim Botânico tem sido votado: um insuficiente financiamento, a crónica falta de funcionários, e a falta de manutenção. A ausência de bocas de incêndio em toda a zona do Arboreto, que é anterior ao incêndio de 1978, vem reforçar o que afirmámos anteriormente - Primeiro, que o não cumprimento da zona natural de protecção de 50 metros do JB, que não está contemplado no PPPM, com um excesso de edficado à sua volta põem e irão continuar a pôr em perigo o JB. Segundo, que a actual degradação deste Monumento Nacional, mantêm a grave ameaça à sua preservação, como a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Plataforma "Em Defesa da Missão do JB" têm incansavelmente vindo a alertar os decisores e os cidadãos em geral. Aguardamos relatório interno do rescaldo deste incêndio por parte da UL. Aguardamos informação por parte da CML, da responsabilidade civil deste incêndio.

Com esta nomeação para a WMF, fruto da candidatura efectuada pela Liga, há uma nova esperança para o JB. A Universidade de Lisboa tem agora a oportunidade de se aliar a um conjunto de organizações que são detentoras do saber técnico e científico para fazer uma candidatura para a recuperação do Jardim com entidades de reconhecido mérito internacional, aproveitando a abertura a financiamento que esta nomeação possibilita, com o apoio de especialistas mundialmente conhecidos e que obtêm resultados.

Hoje, dia 11 de Outubro, o PPPM irá ser apresentado a votação, na sessão ordinária da AML que se vai iniciar às 15 horas. Se este Plano fôr aprovado tal como está, ele irá ser combatido através da Plataforma "Em Defesa da Missão do JB" à luz dos compromissos europeus a que Portugal se veinculou, nomeadamente: a Convenção para a salvaguarda do património arquitectónico da Europa (1985); a Convenção Europeia da Paisagem (2000); e, a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro - Lei do Património Cultural.O PPPM que vai hoje ser sujeito a aprovação está praticamente inalterado desde a última revisão após consulta pública, não havendo consenso com as opiniões expressas por várias organizações credíveis nacionais e respectivos contributos no âmbito do período da discussão pública. Foram apenas introduzidas pequenas mudanças Como exemplo: foi feito o estudo hidrogeológico, e tiraramm os dois novos equipamentos dentro do JB (sendo um deles a "torre" de entrada pela Rua do Salitre).

Mais - O PPPM continua com deficiências várias:

1. A ocupação definida juntamente com a área de construção prevista induzem um afluxo de pessoas (não só trabalhadores mas também utilizadores) muito superior ao actual, sobrecarregando uma área que já tem as suas infra-estruturas a funcionar bastante acima da capacidade (isto acontecerá mesmo que sejam impostas restrições ao estacionamento);

2. Da ocupação essencialmente de comércio e serviços poderá resultar a criação de uma área sem ocupação nocturna significativa, com os consequentes problemas de insegurança (o que ainda é acentuado pela forma construtiva “semi-enterrada”;

3. O valor arquitectónico e urbanístico dos edifícios da Rua da Escola Politécnica, que não se reduz às suas fachadas, não parece estar devidamente salvaguardado;

4. Mantem-se o incentivo a uma crescente impermeabilização dos logradouros;

5. Continua a não ser respeitada a protecção associada a um Monumento Nacional ( zona de 50 metros );

6. Mantem-se a ausência de estudos completos e fidedignos para o todo da área do Plano, nomeadamente o impacte no sistema de vistas e o impacte na circulação do ar;

7. O Plano continua a não garantir as condições microclimáticas do solo, ventilação e insolação, assim como a sua estrutura verde, edificações e traçado.

Nada é proposto como alternativa ou como "rearrumar" os espaços existentes no JB. O vereador Manuel Salgado diz que vai usar parte da verba do IMI que resulte da reavaliação patrimonial dos prédios da zona envolvente, que será utilizado para financiar a recuperação do mesmo, mas não é dito nem como, nem quando, nem qual o valor estimado para isto. Por outro lado esta ideia não consta do PP, pelo que se ele for aprovado, nada garante que isso vá para a frente. Para além de todas as criticas que já constam de outros documentos da Liga/Plataforma. Perguntamos: quando e com que dinheiro irá a CML e a UL realizar a reabilitação/recuperação do JB? A resposta concreta a esta pergunta deverá constar no PP a aprovar.

A Plataforma "em Defesa da Missão do Jardim Botânico" faz daqui um apelo aos Srs. Vereadores da AML, para que este PPPM, não seja aprovado, propondo antes uma real revisão do mesmo, com a inclusão de um Plano de Salvaguarda para a área a proteger, como vem consignado no artº 53 da Lei do Património Cultural. ( Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro ).

A PLATAFORMA " EM DEFESA DA MISSÃO DO JARDIM BOTÂNICO
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa
QUERCUS-Lisboa
APAP - Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
APSJH - Associação Portuguesa dos Sítios e Jardins Históricos
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
OPRURB - Associação de Ofícios do Património e Reabilitação Urbana
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
GECoRPA - Grémio do Património
Fórum Cidadania Lisboa
Cidadãos pelo Capitólio

HOJE Conferência de Imprensa: JARDIM BOTÂNICO EM RISCO

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico organiza hoje, dia 11 de Outubro às 14h, uma conferência de imprensa no Jardim Botânico. Agradeçemos a todos a vossa participação e divulgação desta iniciativa. Contamos com todos os sócios para defender o nosso jardim.

Saudações Botânicas

A Direcção da LAJB

JARDIM BOTÂNICO EM RISCO - CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

TERÇA, 11 OUTUBRO, 14HOO, NO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Exmos,

Aos onze dias andados do mês de Outubro, pelas quatorze horas, junto à bilheteira da entrada do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, a Plataforma "Em defesa da missão do Jardim Botânico" concede uma conferência de imprensa destinada a esclarecer os senhores jornalistas das reais ameaças que recaem sobre o JB. Entre outras matérias que serão abordadas destacamos:

1 - Ponto de situação depois do sobressalto provocado pelo incêndio de 5 de Outubro, que também entrou no Jardim Botânico;

2 - Significado e consequências da inclusão do JB, na lista de 2012 do OBSERVATÓRIO criado pelo WMF ( Fundo Mundial de Monumentos).


O WORLD MONUMENTS FUND (WMF) é a mais importante organização mundial privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo; http://www.wmf.org/


3 - Anúncio de medidas a aplicar a nível Europeu, contra a ameaça representada pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer, JB, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente ( PPPM,JB ), nomeadamente, a proposta que prevê mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e parcelas de terreno em plena Zona de Protecção do Jardim Botânico.

Convidamos também todos os cidadãos interessados na salvaguarda do Jardim Botânico a juntarem-se a esta iniciativa.

PONTO DE ENCONTRO - Entrada do JB pela Alameda das Palmeiras, junto à bilheteira - Rua da Escola Politécnica, 58, Lisboa

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
TM: 935587982
amigosdobotanico@gmail.com

PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA:
Associação Árvores de Portugal
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos
Associação Lisboa Verde
Cidadãos pelo Capitólio
Fórum Cidadania Lx
GECoRPA - Grémio do Património
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico
OPRURB - Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
Quercus - Núcleo de Lisboa
LPN - Liga para a Protecção da Natureza