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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um projecto de Hortas Urbanas para o antigo Hospital Miguel Bombarda?
















Para quem estiver interessado em hortas urbanas (100% biológicas) na cidade de Lisboa, informamos que está agendada uma reunião para amanhã, Quarta-feira, dia 17 de Setembro, às 18.30 h, nas instalações do CIDAC com o objetivo de formular uma proposta concreta para a criação de uma horta urbana em terreno devoluto existente no complexo do antigo Hospital Miguel Bombarda, que serviu de horta até praticamente ao fecho do hospital.  

A reunião terá lugar nas instalações do CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, Rua Tomás Ribeiro, nº 3 a 9, 1em Lisboa (junto à saída Norte do Metro/Picoas).  

Para mais informações ligar: 93 3207951.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

VERTIGO FARMING: o exemplo de NY

Vertigo Farming: Eco-savvy food lovers demand locally grown edibles to ensure freshness and reduce the carbon footprint of their food. Eating sustainably whilst living in a densely packed metropolis isn't easy, but Brooklyn Grange Rooftop Farm is making it possible for New York City dwellers. Its farm - over 40,000 square feet of rooftop agricultural land - grows tomatoes, herbs, greens and other vegetables according to organic, planet-friendly principles and sells them to local people and businesses. An urban green space, the Rooftop Farm also enhances the environment, improving air quality, cutting the heat island effect and providing a habitat for bees, butterflies and other insects.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Inauguração do Jardim Alexandra Escudeiro na Escola Damião de Góis em Chelas









Inauguração do Jardim Alexandra Escudeiro, que teve lugar no dia Mundial do Ambiente a 5 de Junho na Escola Damião de Góis, Chelas, em Lisboa. A LAJB foi convidada e esteve representada pela Presidente da Direcção, Manuela Correia.  Lisboa tem mais um espaço verde graças à iniciativa e trabalho de um grupo de cidadãos. Parabéns a todos os que contribuiram para a concretização  deste sonho! A Bióloga Alexandra Escudeiro é uma das fundadoras da Liga dos Amigos do Jardim Botânico. Obrigado!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LISBOA: Abriu primeiro parque hortícola

«Parque junto ao Colombo tem 38 talhões com 150 metros quadrados. Seguem-se os Jardins de Campolide

"Está muito melhor." Moisés Soares, morador em Carnide, não esconde a satisfação ao olhar para o parque hortícola ontem inaugurado na freguesia vizinha de Benfica. O espaço, às portas do Centro Comercial Colombo, é o primeiro da capital e tem 38 talhões com 150 metros quadrados, 20 dos quais atribuídos num concurso que contou com cerca de 350 participantes. Os restantes 18 talhões foram distribuídos por hortelões que cultivavam aquele terreno há vários anos - então sem condições. Um cenário bem diferente do actual, no qual todos os agricultores têm acesso a água potável e casas de arrumos, paredes meias com o resultado da primeira fase da intervenção no Parque da Quinta da Granja, que dotou a área de uma ciclovia, um quiosque e várias áreas ajardinadas. Inaugurados vão ser ainda um parque infantil (Março) e uma cafetaria instalada numa casa do século XVIII que está neste momento a ser recuperada (Agosto). "Este bocado foi arrumado", sintetizou na cerimónia de inauguração José Sá Fernandes (na foto), vereador do Ambiente Urbano e Espaços Verdes, sem esconder a sua satisfação por ver em funcionamento o primeiro parque hortícola da Lisboa.

A este, seguir-se-á outro nos Jardins de Campolide a inaugurar ainda este ano e cujas candidaturas aos 22 talhões (com áreas entre os 80 e os 100 metros quadrados) também já decorreram. Os candidatos foram mais de 150, o que significa um total de mais de 500 lisboetas a quererem cultivar os seus próprios alimentos nas duas primeiras zonas criadas para o efeito. "Isso demonstra bem a apetência que as pessoas têm e como, nesta época de crise, para muitas famílias a questão da sustentabilidade não é só teórica", considerou António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, frisando que "não há cidade sem alimentação e não há alimentação sem produção".

Já Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista e um dos maiores defensores, há já várias décadas, da existência de parques hortícolas em cidades, afirmou que a capital é agora "uma boa referência para o futuro" da área metropolitana que integra. De acordo com a autarquia, em 2011 e 2012 vão ser inaugurados, ao todo, 11 novos terrenos de cultivo, sendo os parques do Vale de Cheias e de Telheiras Nascente aqueles que estão em fase mais adiantada. Há ainda outras cinco localizações em estudo.» In Diário de Notícias, 31/10/2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hortas Urbanas: «Hortas mais caras e com menos área na Quinta da Granja»

«Câmara de Lisboa espera concluir intervenção nos terrenos em Outubro. Gabinete do vereador José Sá Fernandes prepara proposta para baixar preços da renda definidos na nova tabela municipal

Nas mãos calejadas, João dos Santos leva os pimentos - viçosos, verdes e vermelhos - acabados de colher. Às 11 da manhã já este agricultor de 73 anos cumpriu duas horas de trabalho, debaixo de sol, na horta da Quinta da Granja de Baixo, em Benfica, Lisboa. Num terreno com cerca de 80 metros quadrados cultiva uma lista imensa de hortaliças e tem árvores de fruto carregadas. Está ali há quase 40 anos e até hoje nunca pagou nada por isso. A partir de Outubro, porém, o septuagenário e os vizinhos vão ter de pagar uma renda anual por cada parcela de terra, cujo valor ainda não está definido. Na horta já se ouvem as críticas e teme-se pelo futuro. A Câmara de Lisboa está desde Maio a remodelar as hortas da Quinta da Granja de Baixo e a refazer a divisão das parcelas. No final serão 38, cada uma com 175 metros quadrados e com acesso a pontos de água. Quem já ocupa os terrenos tem lugar garantido e a autarquia pretende abrir concursos para quem quiser cultivar os espaços livres. Mas o que mais preocupa os agricultores são os preços que poderão ter de pagar pelos terrenos, cuja ocupação era até agora gratuita. Em princípio, os hortelões estarão sujeitos à nova Tabela de Preços e Outras Receitas Municipais, em vigor desde Julho, que estabelece o pagamento de 1,50 euros por metro quadrado em terrenos com menos de 200 metros quadrados. Se assim for, João dos Santos terá de desembolsar uma renda anual de mais de 100 euros. Mas no gabinete do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, está "em estudo" a possibilidade de alterar os preços. Segundo a adjunta do vereador, Rita Folgosa, aquelas hortas vão ser classificadas como sociais, ou seja, reservadas a pessoas carenciadas que se dedicam ao cultivo para subsistência, o que justifica a aplicação de preços mais baixos. No entanto, a proposta tem antes de ser aprovada em reunião de câmara. Ao "senhor João" - é assim que é cumprimentado pelos vizinhos - uma técnica municipal disse já que a renda ia ser de 50 euros por ano, mas não deu certezas. "Acho muito caro, são dez contos. Ainda por cima, se não fôssemos nós, os terrenos estavam ao abandono", critica.

Um abrigo para quatro

Uma grande parte das pessoas que cultivam a Quinta da Granja de Baixo está reformada, em situação de pré-reforma ou desempregada. "Ao todo somos uns 12 e pelo menos seis trabalharam na polícia", conta João dos Santos, que é também reformado da polícia municipal. É natural de Almeida, do distrito da Guarda. Foi daí que transportou o "bichinho" da horta para Lisboa, onde se casou. Como nas aldeias, na quinta quase todos se conhecem. João dos Santos sabe de cor o nome dos vizinhos, sobretudo dos que estão ali desde o 25 de Abril de 1974, a convite do antigo proprietário da quinta, da família Canas da Silva, que mantém a Quinta da Granja de Cima. "O antigo dono é que pediu para ocuparmos isto, para não se encher de barracas", afirma. Em vez de barracas, o terreno com mais de um hectare foi-se enchendo de couves, batatas, abóboras, cebolas, tomates, feijões, ervas aromáticas e girassóis altos que se destacam no meio do verde. Aqui e ali, erguem-se pequenos barracões onde os hortelões guardam ferramentas e algumas colheitas. Há até uma casa de banho improvisada. O barracão que João dos Santos construiu é que já não existe. "Deitaram tudo abaixo, até as minhas figueiras, para fazer um jardim", lamenta. Mas as cedências que teve de fazer à câmara por causa das obras não ficam por aqui. Há cerca de dois meses, as retroescavadoras avançaram sobre um bocado sua parcela. "Tive de arrancar as batatas todas para poderem passar", recorda com mágoa. As máquinas abriram caminhos, remexeram nas terras da colina que fica por detrás e substituíram o muro, que tinha sido arranjado no ano passado, por uma parede de pedras envoltas em arame. A autarquia pretende construir pequenos abrigos de madeira, destinando um para cada quatro agricultores. No caminho junto à parede de pedras já foi instalado um abrigo, que não tem mais do que seis metros quadrados. "Estamos todos contra, porque não chega para quatro pessoas. Eu tenho muitas batatas e abóboras. E agora, levo tudo para casa?", questiona João dos Santos. "Isto é para quatro?", diz João Conceição, outro agricultor, de 58 anos, reformado da polícia. Aponta para o abrigo e ri-se, com ironia. João Conceição não estava em Lisboa quando a câmara municipal começou as obras. "Quando cá cheguei, o senhor João é que me disse que eles já tinham andado aí e que deitaram tudo abaixo. Disseram que vinham depois falar comigo, mas ainda não vi ninguém", reclama. O terreno que João Conceição cultivava há mais de 15 anos está lavrado, as hortaliças desapareceram e ninguém o avisou. Espera agora pela reunião marcada para Setembro, entre os hortelões e os responsáveis da câmara, para saber o seu futuro. Enérgico, João Conceição gesticula e continua com as críticas. "Então e se vem para aqui uma pessoa de que a gente não gosta, como é que se faz? Olhe que às vezes há aqui desavenças", avisa, dando como exemplo algumas lutas pela água do poço e da mina que abastece os terrenos. "Isto tem água que chegue, mas no Verão alguns abusam." Na semana passada, seis mangueiras ligavam os terrenos à mina, que estava praticamente sem água. "Antes, só cá estavam três mangueiras", nota.

Ao lado do Colombo

As ferramentas de João Conceição ainda estão guardadas na casa de tijolo construída ao pé do poço. "Fui eu que lhe pus o telhado, quando para cá vim", sublinha. Não quer largar a quinta por nada e nem se importa de pagar. Até prefere que a câmara ponha ordem na ocupação. Mas vaticina: "Quando for para pagar, alguns vão sair, isso é certinho." Joaquim Nabais, de 61 anos, é outro dos agricultores resistentes. Cultivava há dez anos uma parcela da quinta que teve de abandonar em Maio, a mando da câmara. "Enviaram-me uma carta para casa a dizer que tinha de sair." Acatou a ordem e foi-se instalar num bocado de terra "emprestado pelo senhor Carvalho". É carpinteiro, mas está desempregado e as hortaliças que cultiva fazem a diferença na factura mensal da alimentação. "Quando estiver tudo pronto, volto para o meu lugar", afirma. Por agora, ainda andam por lá as máquinas a remexer a terra. Além de requalificar as hortas, a autarquia está a acabar o parque urbano da Quinta da Granja, que fica paredes-meias. Tem já um quiosque com esplanada, é atravessado por uma ciclovia e por um passeio pedonal, pontuado por bancos de madeira. Quem aproveita o dia de Verão para passear no parque com vista para as hortaliças até esquece que do outro lado das pequenas colinas que ladeiam o jardim está o centro comercial Colombo. Na terra de João dos Santos, ninguém acredita. "Como é que tens uma horta no meio da cidade?", perguntam-lhe. "Lisboa não é só betão", responde.» In Público (29/8/2011)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O exemplo da Holanda: Hortus Botanicus Leiden

Wherever I look, gardeners have been putting “big society" projects into action, even before the UK government came up with the phrase to promote its flagship policy idea of “taking power away from politicians and giving it to people”. First I found one in action at London’s Chiswick House. Now I have found spectacular examples in the Netherlands. My advice to the government is simple as it starts to wonder if its big society is going to be big enough: go Dutch.

In Leiden (twinned with my home, Oxford) gardening is ahead of the new social game. The Botanic Garden is one of the city’s distinctions, the garden of the great botanist and gardener Clusius in the 16th century. His namesake, Tulipa clusiana, is the lovely pink and white striped Lady Tulip and in Leiden it is just about to flower. It is one of the Clusius plants in the garden’s front court, which has recently been restored as a tribute to Clusius’s original design. Narrow wooden-edged beds contain plants that the great botanist knew or named. The paths are laid out like the four rivers of Paradise, the botanical garden’s original symbolism. On a grey, wet Dutch morning it looks a bit surprising but there is no mistaking the care with which the beds have been weeded and planted. The entire garden is so much tidier than when I first studied it in 1993.

In the shelter of the tea-rooms I cornered the redoubtable Carla Teune and asked her what had happened. Carla served as the Hortulana, or head of the garden, until 2004 when reforms forced the over-60s to retire. Carla handed over to Paul Kessler, a long-standing employee in the garden’s herbarium who had moved to Leiden from his native Germany. She then made retirement into an asset. There have been changes, she advised me, but above all “we now use volunteers”. On Tuesday mornings, from April 26 until October, 40 Dutch volunteers report to Carla and are distributed to weed and tidy parts of the garden most in need of care. They free the professional staff for other tasks and, just as at Chiswick, they are the icing on a pre-existing cake. No wonder there are no weeds in the Clusius beds: the volunteers have pulled them all out.
Admittedly they have Carla in charge, one of the most practical and clear-minded public gardeners, as I realised when I first interviewed her nearly 10 years ago. In 1998, she was struggling with the Botanical Garden’s maintenance and decided to contact the Leiden Garden Club. Six volunteers turned up and now there are 40. Carla, in her late sixties, has lost none of her energy. Her oldest volunteer is a lady aged 81 but she rises admirably to Carla’s challenge. The one problem is the gender balance: 36 of the volunteers are female and only four are men. Carla is aiming to narrow the gap. “Only gentlemen I accept,” she told me briskly. I began to wonder if I would qualify.

The Botanic Garden, she then revealed, is only part of her voluntary career. She is also chairman of the Leiden Schools Gardens, where volunteering is on an even bigger scale. Leiden’s Schools Gardens scheme began nearly 80 years ago. Twelve schools in the city participate and between them offer 625 little plots of ground in Leiden for cultivation by their Dutch schoolchildren, mostly aged between 10 and 12. By 2000, the school-plots were falling into disorder and the entire scheme needed a new grip.

Carla and her team provided it. They recruited 60 adult volunteers to help to perpetuate the school tradition. The role of the adults is to guide and instruct the children and encourage them to sow and grow the right crops. In 2004, the Leiden city authorities were considering closing the scheme altogether and abolishing the green plots. They reckoned without Carla and her team. They dressed up their young gardeners as anything from piglets to beetroots and demonstrated for their future, bringing 600 children to sing prearranged songs and influence the council. They succeeded and Carla is now chairman of a formal board with a budget of some £20,000 a year and a manager, Marian Kathmann, who studied botany at university.

The Hague, Amsterdam and other Dutch cities have similar school garden schemes and in one such place Carla’s stepson, Tjerk, is now mayor. His city, Vlaardingen, has been named the greenest city in the Netherlands. Does all this gardening help the multicultural ideal that the Netherlands used to publicise? In Leiden a plot in the north of the city has been taken over by Moroccan women who cultivate their own vegetables. Pupils of all backgrounds take to gardening, the most inclusive of crafts. Our picture shows a young Dutch girl of Peruvian origin whose green vegetables are so much healthier than mine. The scheme has even branched out to include an old people’s home with a garden plot. Once a year the director treats the workers to what Carla calls a “hotch-potch dinner”, made from the garden’s produce.

In Dutch-English, even “veeding” does not sound like a chore. Do Dutch pupils try to use the ground for greenery that has narcotic, Amsterdam-like properties? Certainly not, Carla retorted, “but we try to steer the young ones from planting difficult things like beetroot. This year, the signature crop is sunflowers.” I envy the young sunflower-growers their soil. Leiden lies on seven islands in the Rhine and the earth is naturally the most luscious dark loam. The waterways, meanwhile, are a barrier to the menace of uninvited wildlife.

On one morning a week, the volunteers spread out under the direction of a senior volunteer and a schoolteacher. Many of the plots have their own little house in which tools and clothing are kept. The system is well rooted in a Dutch view of growing up in a city but it has needed the co-ordination of volunteers to make it work. Even in their school holidays, some of the children return regularly to cultivate their plots.

In short, Leiden is a pointer to how community schemes can work. There is one important proviso: “volunteers” are paid a small fee, a reward Carla sees as crucial. I told her that in Britain this sort of scheme is now being named the “big society.” “How nice,” she replied. If the prime minister starts to despair of the attacks on his slogan, he should visit the Netherlands, take a spade and enjoy being appreciated.

Dutch dig big society
By Robin Lane Fox
Financial Times, 15 de Abril de 2011

Jardim Botânico de Leiden: http://www.hortusleiden.nl/

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ribeiro Telles contra urbanização na Caparica

O arquitecto paisagista Ribeiro Telles é o primeiro signatário de uma petição contra a urbanização dos terrenos com hortas que existem nas chamadas Terras da Costa da Caparica.

A Câmara de Almada quer prédios de habitação social nesta faixa de mais de 200 hectares de terra cultivada que abastece de produtos frescos todo o concelho de Almada, sustenta a petição, que tinha ontem à tarde 373 assinaturas. "Numa altura em que os produtos hortícolas sobem de preço todos os dias, estamos a destruir as fontes de alimentação da área metropolitana de Lisboa", indigna-se Ribeiro Telles. "É escandaloso."O documento assegura que as Terras da Costa detêm "a maior produção de produtos hortícolas por unidade de superfície da Europa", graças às condições particulamente favoráveis de que beneficiam: uma falésia que funciona como barreira natural, protegendo as culturas de batatas, cenouras, couves e outros géneros das agressões meteorológicas, e ainda a existência de lençóis de água no subsolo, a pouca profundidade. "E agora querem fazer habitação social defronte da praia da Caparica, com uns quadradinhos de relva entre os prédios?! É uma aldrabice", alega o arquitecto.

O texto da petição diz o mesmo, embora de forma mais branda: "A Câmara de Almada pretende expropriar esses terrenos por uma soma irrisória a fim de implementar um projecto Polis de habitação social, com edifícios de seis a sete pisos com frente para a praia da Caparica, mas que tem vindo a ser denunciado como fachada para condomínios de luxo".

O mesmo documento relata como uma providência cautelar interposta pelos produtores agrícolas no Tribunal de Almada já não foi a tempo de evitar que a GNR arrancasse o sistema de rega. Desde o tempo do marquês de Pombal que as Terras da Costa são cultivadas por uma população vinda de vários pontos do país. "Por volta de 1830, a ocupação foi legalizada mediante arrendamentos. As dezenas de agricultores actuais são bisnetos e trinetos dos rendeiros originais, a que se juntaram outros", refere ainda a petição.


in Público 7-7-2011

domingo, 7 de junho de 2009

Lisboa vai ter mais e melhores hortas urbanas até 2011

Vereador garante ser a primeira vez que a câmara aposta mesmo nos quintais e que está disposta a criar um local de venda para os hortelões

A Câmara Municipal de Lisboa diz que vai avançar, "nos próximos meses", com uma intervenção nos cerca de 15 hectares de hortas do vale de Chelas, com o objectivo de assegurar o fornecimento de água e reordenar o espaço através da criação de caminhos pedonais de acesso. Mas o plano da autarquia é mais ambicioso e inclui, num prazo de dois anos, a criação de hortas em Campolide e Telheiras, e que tentará melhorar os espaços já existentes na Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz.

A Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas promoveu recentemente um encontro nas hortas da zona de Chelas, onde os visitantes se depararam, "num vale cortado por dois edifícios escandalosos - um hipermercado e uma escola - que cortam a circulação de água" pelos terrenos, com "um interessante mosaico de culturas, conjugando uma produção de espécies hortícolas com algumas plantas ornamentais".

A descrição foi feita pela presidente daquela associação, Margarida Cancela d'Abreu, dizendo ao PÚBLICO que aquelas hortas são mantidas por residentes dos prédios vizinhos, "na maioria reformados", que cultivam produtos agrícolas para autoconsumo, mas também como forma de "entretém". Um dos principais problemas sentidos é o do acesso à água, recorrendo os hortelões ao expediente de a armazenar em "depósitos extraordinários" como "arcas frigoríficas e barricas", tidos como a única forma de aproveitar a água da chuva, como constatou no local Margarida Cancela d'Abreu. A Câmara Municipal de Lisboa conhece esta realidade e, segundo o vereador do Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde, vai resolver o problema "nos próximos meses", criando além disso caminhos pedonais. No futuro, a ideia de José Sá Fernandes é que as hortas de Chelas venham a acolher, numa ponte a unir os dois lados do vale, um mercado onde quem cultiva a terra possa vender a sua produção.

Prática comum
Esta é, aliás, uma prática comum em vários locais do globo (como Chicago ou Londres), mas pouco vista num país que, lamenta o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, "ignora pura e simplesmente as hortas" e a sua importância para as comunidades. A colega de profissão Margarida Cancela d'Abreu conta que uma das excepções ocorre em Évora, onde aos sábados e domingos há bancadas de madeira à porta do mercado para os "quintaneiros" que cultivam hortas à volta da cidade e que ali comercializam os seus produtos, por sinal muito procurados.

Os projectos da Câmara de Lisboa, que o vereador Sá Fernandes acredita que poderão estar concluídos nos próximos dois anos, incluem também a criação de um parque urbano que integrará as hortas já existentes na Quinta da Granja de Baixo, em Benfica. Em Campolide, a ideia é criar hortas que serão atribuídas por concurso a moradores da zona, surgindo também áreas para produção hortícola em Telheiras, num terreno ainda a negociar com a EPUL.

Escola de Lisboa tem terreno cultivado por centenas de mãos

Na Escola 34, na Alta de Lisboa, ao Lumiar, onde estudam 330 crianças com idades entre os três e os 14 anos, houve em tempos um matagal que deu lugar a uma horta, que rapidamente se transformou na menina-dos-olhos dos professores, auxiliares e alunos. Num terreno lavrado e cultivado por muitas mãos, na Alta de Lisboa, crescem couves, favas, feijões, ervilhas, batatas, cebolas, cenouras, pepinos, pimentos e outras espécies hortícolas.

No ano lectivo passado, as abóboras transformaram-se num doce que foi comido com tostas por todos os alunos, junto de quem se tenta, através do projecto da horta, promover uma alimentação mais saudável. É por isso que para este ano lectivo estão reservadas para a festa do dia das bruxas. Os pais contribuíram para a plantação com sementes e plantas, e são também eles os principais clientes compradores dos produtos que os alunos vendem à porta da escola sempre que há colheitas.

Também naquele bairro da Alta de Lisboa poderá nascer nos próximos tempos uma outra horta, esta comunitária, sonhada pelo morador e arquitecto paisagista Jorge Cancela, que tem vindo a recrutar futuros hortelões. O mentor da ideia adianta já que conseguiu convencer "mais de 40" e precisa que vai tentando tentar reunir o maior número de apoios para o projecto, incluindo o necessário terreno.

Uma das ambições desta horta comunitária é aproximar os moradores realojados naquela zona da cidade dos que lá compraram casa, contribuindo para uma maior harmonia entre este "mix social" e para o aumento do sentimento de pertença dos próprios ao todo da comunidade. A produção, explica o arquitecto paisagista Jorge Cancela, será biológica e a zona a cultivar terá que ter "um acesso relativamente fácil, seja de automóvel, seja pedonal", além de fornecimento de água e uma vedação.

O projecto e a eventual cedência de um terreno por parte da Câmara Municipal de Lisboa já estão a ser analisados pelos serviços da autarquia, garante aquele arquitecto paisagista.No mesmo sentido, e segundo a Câmara Municipal de Lisboa, que aponta os exemplos das hortas no Vale Fundão e no Bairro Padre Cruz, o desafio da autarquia é intervir nas hortas comunitárias já existentes, algumas das quais em espaços privados e que não têm fornecimento de água ou acessos em condições, garantindo que nenhum dos hortelões deixa de ter um espaço de cultivo."É a primeira vez que a câmara aposta mesmo nas hortas", garante Sá Fernandes, acrescentando que "antigamente" a prática era simplesmente "fechar os olhos" e ir permitindo a sua existência. in Público, 25.05.2009

FOTO: canteiro pedagógico, com alfaces, no New York Botanical Garden

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O Futuro das Hortas Urbanas na Europa: Congresso Internacional na Polónia

Congresso Internacional "O Futuro das Hortas Urbanas na Europa"
De 28 a 31 de Agosto em Carcóvia, Polónia

Este congresso é organizado pela união das federações nacionais das hortas urbanas e jardins de recreio da Europa, o "Office International du Coin de Terre et des Jardins Familiaux", instituição sem fins lucrativos que reúne mais de 3 milhões cidadãos de quinze países europeus (Alemanha, Aústria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Finlândia, França, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suiça).
Durante os três dias de trabalho irão ser tratados temas como a função e o significado das federações nacionais para o futuro das hortas urbanas e a adaptação das funções da agricultura urbana às novas necessidades da sociedade do ponto de vista da saúde.

As hortas urbanas desempenham um papel muito importante na conservação do ambiente nas cidades pois constituem um palco priviligiado para uma relação harmoniosa entre o Homem e a Natureza. Em muitos casos são incentivadas pelas próprias autarquias como forma de promover o Desenvolvimento Sustentável.

Podendo assumir uma vertente comunitária, de lazer, ou mesmo de suporte ao rendimento familiar, a agricultura urbana difere em vários aspectos da tradicional/rural. Estas hortas são criadas em pequenas áreas, dentro dos centros urbanos ou nos seus arredores, predominando a diversidade de cultivos. A produção destina-se ao consumo próprio ou à venda em pequena escala, funcionando muitas vezes como uma ocupação dos tempos livres.

O fenómeno das hortas urbanas surgiu nas nações do norte da Europa durante a segunda metade do século XIX. Na Alemanha, um dos países pioneiros, existem hortas urbanas desde 1864, ano em que se criou a primeira associação (Schreberverein) em Leipzig. Na Dinamarca, o país europeu com a maior percentagem de hortas urbanas, esta tradição remonta mesmo ao século XVIII existindo actualmente 409 associações de agricultores e jardineiros urbanos.

Em Portugal as hortas urbanas ainda são relativamente raras. Só nos últimos anos é que os cidadãos e as autarquias despertaram para este universo. Revelador do atraso do nosso país é o facto da capital ainda não disponibilizar hortas urbanas aos seus munícipes. O mesmo se passa com todos os concelhos da área metropolitana. Em comparação, a região do grande Porto tem hortas urbanas, em pleno funcionamento, desde 2003. O projecto "Horta à Porta - hortas biológicas da região do Porto" disponibiliza talhões de 25 m2 a particulares interessados em praticar a agricultura biológica e a compostagem.

Após um século de atraso em relação ao norte da Europa, encontra-se finalmente em estudo a criação de hortas urbanas na região da grande Lisboa (na capital, em Cascais e Seixal). O objectivo é melhorar a qualidade de vida através da criação de espaços verdes dinâmicos, que promovem o contacto da população com a Natureza e que funcionem como ferramenta de sensibilização ambiental.

Office International du Coin de Terre et des Jardins Familiaux
Rue de Bragance
L-1255 Luxembourg
http://www.jardins-familiaux.org/

FOTO: allotment garden (horta urbana) pedagógica instalada em St. James Park, Londres (2007).