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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Petição contra construção de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real
«...Os abaixo assinados, moradores na zona do Príncipe Real, e demais cidadãos preocupados com a defesa e a preservação do património histórico, cultural e ambiental da cidade de Lisboa, alarmados pela notícia repentina e inquietante da retoma do projecto de construção de estacionamento subterrâneo no Jardim do Príncipe Real; Manifestam o seu repúdio pela construção de todo e qualquer parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, e apelam à Senhora Presidente da Assembleia da República, ao Senhor Presidente da CML, à Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Senhor Secretário de Estado da Cultura e aos Senhores Deputados da AR e da AML para que ARQUIVEM DEFINITIVAMENTE tal pretensão do promotor...»
http://www.gopetition.com/petitions/peti%C3%A7%C3%A3o-contra-a-constru%C3%A7%C3%A3o-do-parque-de-estacionamento-subterr%C3%A2neo-na-pra%C3%A7a-do-pr%C3%ADncipe-real.html
sábado, 8 de março de 2014
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Jornadas Europeias do Património 2010: O contributo da Loja de História Natural
PROGRAMA
Sábado, dia 25: visita guiada ao Jardim Botânico com início às 10h promovida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas para chamar a atenção para a ameaça real ao jardim que vem do Plano de Pormenor do Parque Mayer. Às 16h, a Loja de História Natural, em colaboração com os Amigos do Príncipe Real e com a participação da Associação Árvores de Portugal, oferece uma visita guiada gratuita às árvores do Jardim França Borges.
Ainda no sábado a Loja de História Natural organiza um almoço convívio, a decorrer entre a visita e debate no Jardim Botânico, de manhã, e a visita ao Jardim França Borges, à tarde. O Almoço irá decorrer na Comida de Urso, mesmo em frente à Loja de História Natural. O preço para o menú completo é de 10€ e não tem qualquer tipo de comissão ou margem para a Loja, sendo o nosso objectivo incentivar o convívio entre os participante nas actividades da manhã, assim como promover um encontro de bloguistas e leitores de temas de ambiente. O preço de 10€ mantém-se para inscrições até Sábado, 25/09/2010.
Domingo, dia 26: a Loja de História Natural, em colaboração com o Meridiano, orienta uma visita guiada ao Jardim Botânico sobre o tema da gravidez e a sua relação com as plantas, e às 15.00 terá início uma Oficina de Desenho de Campo, a decorrer também no Jardim Botânico, com o ilustrador Filipe Franco. http://lojadehistorianatural.blogspot.com
Foto: o ameaçado Palacete Ribeiro da Cunha por entre a folhagem de ginkgos e magnólias do Jardim do Príncipe Real.
domingo, 23 de maio de 2010
Jardim do Príncipe Real reabre hoje
«O vereador Sá Fernandes fala num trabalho "exemplar" e acusa os críticos de terem "memória curta"Vá pelo subsolo até São Pedro de Alcântara
Depois de mais de cinco meses de obra e muita polémica pelo meio, o Jardim do Príncipe Real reabre hoje. O vereador dos Espaços Verdes da Câmara de Lisboa e a arquitecta paisagista responsável pelo projecto sublinham que aqui não houve lugar à "recriação" mas tão-somente à "recuperação", tendo a intervenção sido pautada pela "preservação do desenho e da estrutura" deste espaço, cuja actual forma data de 1869. Ontem de manhã, o jardim com 1,2 hectares junto à Rua da Escola Politécnica estava ainda isolado por vedações metálicas e fitas e eram vários os funcionários da autarquia que, sob um sol abrasador, se esforçavam por concluir os últimos trabalhos antes do grande dia. Satisfeito com o resultado final da obra que tanta contestação gerou, o vereador José Sá Fernandes conduziu o PÚBLICO pelo espaço e defendeu que só não verá as melhorias quem tiver "memória curta"."O chão estava todo esburacado", recorda o autarca, enquanto aponta para os novos pavimentos, que, em vez de betuminoso preto, são agora feitos de um material que se assemelha ao saibro (mantendo-se a sua textura, o barulho quando se pisa o chão e a mudança de cor quando chove) mas que tem um ligante para garantir um tempo de vida superior. E as caldeiras? Essas, diz Sá Fernandes, estavam em grande parte "partidas", tendo-se agora promovido a sua recuperação. A lista de melhorias apontadas pelo vereador inclui ainda a renovada iluminação pública, que, antes, além de "horrorosa", era insuficiente, a intervenção no sistema de rega para permitir uma mais fácil manutenção e a recuperação ou mesmo substituição do mobiliário urbano. "Não se desvirtuou nada", assegura Sá Fernandes, segundo quem esta deverá ser, aliás, considerada uma obra "exemplar" em termos de preservação patrimonial.
Abate de árvores
A acompanhá-lo nesta visita pelo jardim, que, na verdade, se chama França Borges, em homenagem ao jornalista António França Borges, estava a autora do projecto de intervenção. "Foi uma obra de recuperação. Não houve recriação", reforça a arquitecta paisagista Fátima Leitão, afirmando, como tem feito desde que os trabalhos arrancaram, em Novembro de 2009, que "manteve-se todo o desenho e estrutura" deste espaço, cuja estrutura actual vem de 1869 e foi traçada pelo jardineiro João Francisco da Silva. O que também se mantém é a localização do parque infantil e dos quiosques existentes na praça, sempre tão frequentados nos dias de sol. Tanto ou mais concorridas costumavam ser as mesas e as cadeiras onde grupos de homens de idade mais ou menos avançada se entregavam a animados jogos de cartas. A partir de hoje, poderão continuar a fazê-lo em duas áreas distintas do jardim, embora num novo mobiliário, já que os antigos bancos corridos foram substituídos por lugares individuais em madeira.
Quanto ao abate de árvores, que esteve na origem de toda a controvérsia em redor desta intervenção da Câmara de Lisboa, Sá Fernandes voltou a defender a sua necessidade, embora admita que o processo podia ter sido conduzido de forma diferente e com mais informação aos lisboetas. Segundo as contas do autarca, foram abatidas (ou "substituídas") 55 árvores e plantados 60 novos exemplares. Ao longo dos últimos meses, o auto-denominado grupo Amigos do Príncipe Real foi-se igualmente queixando de que aquele que era um jardim com "denso arvoredo e frescos e verdes relvados" se estava a transformar num jardim "seco e desensombrado". A arquitecta paisagista Fátima Leitão contesta esta crítica, sublinhando que aquilo que se conseguiu foi "mais luz e transparência". Certo é que o parecer favorável do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico a esta obra só chegou já depois de ela ter começado. Já a Autoridade Florestal Nacional fez saber recentemente que "não houve um claro pedido de parecer formal" por parte da autarquia, embora tivesse havido duas reuniões sobre o assunto.»
In Público 23/5/2010
Foto: o jardim circa 1900 (anónimo, Arquivo Municipal)
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Visita guiada ao Jardim do Príncipe Real
Os "Amigos do Príncipe Real" consideram esta visita a melhor forma de explicar as razões que nos têm oposto e que nos continuam a opor à intervenção da CML, ao mesmo tempo que viajamos da Grécia à Nova Caledónia, visitando as árvores do jardim. Sabe, por exemplo, porque é o Cedro do Buçaco duas vezes mentiroso? E sabe que está previsto o abate de 62 árvores no jardim desde Janeiro de 2009 e que a CML quer plantar árvores cuja plantação é ilegal em Portugal? Venha visitar o jardim connosco.
Domingo, 31 Janeiro 2010, às 11h30
Encontro no acesso à Esplanada do Príncipe Real
Foto: Chorisia no Príncipe Real (Outubro 2009)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Carta da LAJB ao Pelouro dos Espaços Verdes
Assunto: movimentação de viaturas de obras no Jardim do Príncipe Real
A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), na sequência do projecto municipal de reabilitação do Jardim do Príncipe Real, vem por este meio manifestar preocupação pela falta de protecção das espécies botânicas face à maquinaria utilizada nas obras.
Enviamos em anexo algumas imagens que mostram como a movimentação de viaturas de obras dentro do Jardim do Príncipe Real constituiu uma séria ameaça às espécies botânicas.
A LAJB lamenta que, na fase de planeamento da obra, não se tenha previsto a construção de protecções em madeira em redor de todos os troncos das árvores antes do início da intervenção. Como isso não aconteceu, vários troncos, e ramos mais baixos, ficaram sujeitos ao embate e raspagem da maquinaria de obras. Verificámos também a existência de vários ramos partidos devido à movimentação dos braços das escavadoras assim como de veículos pesados.
É importante que no futuro se protejam devidamente as árvores antes do início de qualquer intervenção urbanística em jardins, parques ou arruamentos arborizados.
A LAJB faz um apelo para a resolução deste problema, nomeadamente através de regulamentação específica.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Nota: carta enviada no dia 14 de Janeiro de 2010
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A intervenção no Jardim do Príncipe Real
A operação de requalificação do Príncipe Real, em Lisboa, classificada pelos especialistas como "minimalista" e por parte dos críticos como "descaracterizadora", levanta um problema hoje corrente nas sociedades urbanas: a participação. Para já, o Príncipe Real revelou-se um "não caso", mas poderia ter sido uma oportunidade para elevar o sentido da cidadania. Agora que a polémica em torno da intervenção na Praça do Príncipe Real parece ter sido ultrapassada, o que vai afinal acontecer àquele espaço histórico de Lisboa? Esta é a questão que deveria ter sido respondida antes de se terem iniciado as obras de requalificação neste lugar emblemático.
A opinião é partilhada pelos principais responsáveis pelo projecto, os arquitectos paisagistas Fátima Leitão e João Rocha e Castro. A primeira como autora e o último enquanto chefe de divisão de Estudos e Projectos da Direcção Municipal de Ambiente Urbano da Câmara Municipal de Lisboa. Os dois acederam em explicar ao Cidades a estratégia seguida pela proposta de requalificação, concluída em Abril de 2009 e actualmente em curso. A proposta é resultado do trabalho de uma equipa formada a partir de quatro divisões municipais, abrangeu diversas áreas disciplinares como a arquitectura paisagista, a agronomia ou a engenharia florestal. E a mobilização de importantes meios camarários decorreu do significado urbano desta praça, com vista privilegiada sobre a cidade, localizada numa das suas áreas mais qualificadas.
A Praça do Príncipe Real ou Jardim França Borges tem a sua forma actual desde 1869, devendo-se o seu traçado ao jardineiro João Francisco da Silva. O lugar é consequência de uma série de transformações. Durante o século XVIII, por exemplo, funcionou ali uma lixeira e, por altura do terramoto, serviu de acampamento para regimentos militares. Também ali se celebrou a primeira missa da Patriarcal de Lisboa, que viria a arder em 1769. Mais recentemente, depois da construção do reservatório de água, na década de 60 do século XIX, recebeu o nome que tem hoje e iniciou-se a construção do actual jardim, que respeitava os padrões daquele tipo de equipamento urbano, muito característico nas cidades oitocentistas europeias, e que ficou vulgarmente conhecido como "jardim romântico": um tabuleiro central organizado em torno do lago do reservatório, com canteiros recortados segundo um esquema "orgânico" (mais livre), sobre um tapete pavimentado de asfalto (originalmente foi utilizado saibro).
Os lódãos
O jardim rapidamente se transformou num espaço privilegiado de "recreio" e "lazer" entre os habitantes da capital. Hoje, a Praça do Príncipe Real é ocupada por diversas actividades, desde a montagem semanal do mercado de produtos biológicos ao sábado de manhã, passando pelas sazonais feiras de artesanato e de alfarrabistas e velharias. Possui, portanto, um público bastante alargado, não apenas composto por residentes da área. Foi esse público que se manifestou contra os primeiros abates de árvores que se registaram no arranque das obras durante o final do mês de Novembro. No centro da discórdia estava a substituição dos choupos que ladeiam o tabuleiro central por outra espécie de árvores - lódãos -, mais adequadas, segundo os projectistas, à tipologia do jardim pré-existente. Esta opinião foi confirmada por diversos especialistas, caso de Gonçalo Ribeiro Teles.
Mas seria a arquitecta paisagista Aurora Carapinha, da Universidade de Évora, a defender as opções do projecto, em parecer de 26 de Novembro, procurando responder à polémica entretanto levantada: "Consideramos a espécie arbórea escolhida lódão (Celtis australis) acertada" à situação do jardim, "ao contrário dos choupos (Populus nigra) existentes, mais apropriados para zonas baixas, húmidas. Também a forma, cor, densidade da canópia do lódão são atributos que qualificam esta árvore como uma boa escolha para alinhamento e arruamento". É ainda Fátima Leitão quem explica ao Cidades que os choupos, "ao fim de 30-40 anos, começam a apodrecer e a deixar cair pernadas", situação que já se verificava no Príncipe Real. A arquitecta paisagista lembra igualmente que a configuração actual dada pela presença dos choupos é relativamente recente, não tendo ainda cumprido as três décadas.
Estes esclarecimentos, talvez pelo seu teor mais técnico, não pacificaram imediatamente as críticas. Na petição on-line lançada no início de Dezembro, depois de distribuído o folheto produzido pela câmara, colocado nas caixas de correio dos moradores da zona, que insistia no carácter qualificador de toda a operação, podia contudo ler-se: "Ora o que se está a verificar, duas semanas após o início da requalificação, é a descaracterização do antigo jardim romântico à inglesa (...), tendo sido (...) cortadas algumas das árvores centenárias em torno do lago. Temos sérias dúvidas se (...) mereciam tal sorte pois não apresentavam sinais de doença nem muito menos de estarem sem vida.
"É por isso que a parte mais importante do parecer de Aurora Carapinha seria precisamente a sua posição perante a concepção geral da intervenção, ao classificar a proposta como "minimalista", por não anular "a historicidade do jardim nem o seu valor de património paisagístico". Esta é também a convicção de João Castro: "Aqui reabilitação é a palavra correcta ou mesmo, até, restauro."
A estratégia seguida pela projectista, e apoiada pelo chefe de divisão, parte de três acções muito objectivas: "Manter o testemunho do passado; evitar o desenho (que se sobreponha ao seu traçado histórico); e promover uma manutenção fácil." Já Fátima Leitão especifica as decisões tomadas: "Manter a estrutura de canteiros e caminhos, substituir o pavimento por saibro estabilizado, substituir a iluminação e o mobiliário urbano danificado (bancos, mesas de jogo, etc.), reparar as valetas e tampas em pedra e recuperar a vegetação existente, eliminando alguns arbustos."
Algumas destas soluções, como a reintrodução do saibro ou a opção por regrar a iluminação pública (ao invés de deixar os diferentes modelos de candeeiros que hoje coexistem), foram anteriormente testadas num jardim próximo: o miradouro de São Pedro de Alcântara. Este pode muito bem servir como exemplo a quem deseje antecipar como será o "novo" jardim do Príncipe Real. Genericamente, garante Fátima Leitão, não será muito diferente do que é actualmente. Talvez um pouco menos "ensombrado" depois de feitas as "correcções" no arvoredo. Seguiram-se aqui, segundo João Castro, as boas práticas de intervenção em lugares patrimoniais: "Tudo é reversível pela simplicidade da requalificação."
Os projectos anteriores
De onde surgiu então toda a polémica? É provável que a memória de outras tentativas de intervenção tenha pesado. Esta é a terceira vez que o jardim é objecto de um projecto de requalificação. A primeira passava por abolir o tabuleiro central, ligando-o ao edificado adjacente através de um pavimento uniforme. Esta opção foi na época considerada demasiado "intrusiva" por descaracterizar o sentido do desenho primitivo. A segunda previa a construção de um parque de estacionamento subterrâneo sob a via, com entradas laterais à praça que isolavam o tabuleiro tornando-o uma "ilha" e causando um significativo impacto paisagístico e de enquadramento urbano. Este projecto, desencadeado há cerca de cinco anos, geraria grande contestação, motivando igualmente uma petição pública. Os próprios projectistas envolvidos tinham dúvidas quanto aos princípios adoptados e na época consideraram válidos os protestos por terem permitido rectificar um processo no qual não depositavam certezas absolutas.
O caso agora é diferente. Os seus autores insistem em qualificar a intervenção como "recuperação parcial", uma vez que "não se altera a forma ou o conteúdo funcional do jardim", como se pode ler no programa de requalificação. Alguns aspectos não serão sequer intervencionados, como o parque infantil ou o pavilhão da cafetaria. E a peça mais emblemática do conjunto - o caramanchão que suporta o cedro do Buçaco (Cupressus lusitanica) - só verá a sua estrutura de ferro recuperada de modo faseado de maneira a não prejudicar a sobrevivência da árvore.
Para lá dos aspectos mais demagógicos envolvidos em torno do abate de algumas árvores, cuja manutenção seria altamente improvável, como manifestaram vários especialistas, o exemplo da Praça do Príncipe Real coloca um tema caro às sociedades europeias contemporâneas: o problema da participação pública nas decisões de planeamento das cidades. Demonstra como as populações estão dispostas a accionar os meios de intervenção disponíveis com o objectivo de travarem operações sobre as quais recaem dúvidas. Conseguindo-se evitar o populismo de que estas acções também padecem, é possível garantir uma participação mais informada. Para já, o Príncipe Real revelou-se um "não caso", mas poderia ter sido uma oportunidade para elevar o sentido da cidadania. in Público 17-1-2010, por Ana Vaz Milheiro
Foto: Eduardo Portugal, 1945 (Arquivo Municipal)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Debate: Obras no Jardim do Príncipe Real
Foto: Chorisia no Príncipe Real a 25 de Outubro de 2009
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