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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

«Sobreiro já é a Árvore Nacional»

A partir desta quinta-feira, o sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal, depois de um projecto de resolução aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República e de uma petição pública com 2291 assinaturas. A petição para consagrar o sobreiro (Quercus suber) como um dos símbolos do país foi lançada em Outubro de 2010 pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza. Hoje, passado pouco mais de um ano, o sobreiro conquistou o hemiciclo. “A partir de agora, abater um sobreiro não será apenas abater uma árvore protegida, mas sim, um símbolo nacional”, disse ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Freitas, relator do projecto. “O consenso total na Assembleia da República foi muito importante”, acrescentou. O sobreiro é espécie protegida pela legislação portuguesa desde 2001. Mas essa protecção não foi suficiente para travar a regressão da árvore em território português, motivada por “práticas erradas, nomeadamente de mobilização de solo que danificam as raízes, e doenças ou a combinação das duas situações”, salientou Miguel Rodrigues, da associação Árvores de Portugal. Além disso, “a lei que protege o sobreiro está constantemente a criar situações de excepção para empreendimentos que permitem o abate de árvores”.

Miguel Rodrigues adianta que, depois da criação de um logótipo simbólico, será estudada a criação de uma “plataforma de trabalho que abranja tudo o que tem a ver com o sobreiro, desde associações a câmaras, universidades, indústrias e Estado. Actualmente não há integração de conhecimentos para suprir as necessidades”. O sobreiro, árvore mediterrânica com mais de 60 milhões de anos, ocupa uma área de cerca de 737.000 hectares dos mais de 3,45 milhões de hectares de floresta em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional, de 2006. Hoje é responsável por 10% das exportações nacionais. “De momento, a cortiça é um dos produtos mais importantes da economia nacional”, salientou o deputado Miguel Freitas.

Mas a sua importância não se esgota na cortiça. “Esta árvore representa o montado, um dos ecossistemas mais importantes da Europa e as espécies ameaçadas que dele dependem”, acrescentou. in Público, 22.12.2011 Helena Geraldes

sábado, 20 de novembro de 2010

Movimento quer fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal

A ideia de Portugal ter uma árvore nacional já ganhou raízes. Duas organizações lançaram um movimento para que o sobreiro receba este estatuto simbólico, a fim de travar a perda dos montados.

O Canadá tem o plátano, a Inglaterra o carvalho e Portugal poderá vir a ter o sobreiro. “Ao contrário do que se possa pensar, esta árvore está presente em todo o território nacional, não apenas no Alentejo. E não nos podemos esquecer da sua importância vital aos níveis social, cultural e económico”, justificou ao PÚBLICO Miguel Rodrigues, da Árvores de Portugal que, com a Transumância e Natureza (ATN), é responsável por esta iniciativa.

O território nacional do sobreiro (Quercus suber) estende-se por 737 mil hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006. Ou seja, 32 por cento da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.

Além da importante biodiversidade associada aos montados, o sobreiro ajuda a travar a desertificação do solo e a gerar receitas da exploração da cortiça. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o país produz cerca de 200 mil toneladas de cortiça por ano, mais de 50 por cento do total mundial. “A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país”, alertam.

Ainda que o sobreiro esteja protegido por lei, desde Maio de 2001, Miguel Rodrigues considera que “a legislação por si só não tem conseguido travar o declínio do sobreiro. Há sempre excepções que se abrem na lei, ao sabor das decisões que vão sendo tomadas”. Há vários anos que Domingos Patacho, da Quercus, tem denunciado o abate ilegal de sobreiros. E hoje, contou, “continuam a existir denúncias, especialmente na zona envolvente da Grande Lisboa”.

Ricardo Nabais, da ATN, também é da opinião que, perante grandes projectos, “a protecção legal não é suficiente. É preciso acarinhar a árvore enquanto símbolo de Portugal”. “Queremos atingir a maioria da população portuguesa”, disse.

Além dos abates de árvores para dar lugar a projectos imobiliários, a ameaça aos sobreirais tem outras origens. “O que está a matar o sobreiro é o efeito de muitos anos de má gestão dos montados, como o excesso de pisoteio pelo gado, excesso de matéria orgânica e uma gradagem do solo demasiado profunda”, explicou Miguel Rodrigues. Os vedantes sintéticos, em substituição das rolhas de cortiça, “podem ser a machadada final”.

Ainda assim, o país tem grandes manchas de montado e árvores monumentais. Segundo os dados da Autoridade Floresta Nacional relativos a 2008, existem 41 sobreiros classificados como árvores de interesse público. Miguel Rodrigues estima que aquele que será o sobreiro mais antigo e o maior situa-se em Pai Anes, Castelo de Vide. Terá cerca de 500 anos. “Isto é uma coisa fabulosa para um sobreiro, dado que costuma viver 200 anos”. No entanto, esta árvore “deverá estar já na fase terminal da sua vida e perdeu, há cerca de dois anos, uma das pernadas principais, da grossura de um sobreiro adulto”.

Miguel Rodrigues adiantou que está em fase de classificação o sobreiro da Corte Grande, em Monchique. Este é, “provavelmente, o maior do Algarve e um dos maiores do país”.

As duas associações vão convidar uma lista de entidades para formar um núcleo inicial da iniciativa, entre as quais universidades, associações de defesa do ambiente e associações florestais. Depois vão preparar um documento técnico que justifique a classificação e, por fim, lançar uma petição para levar à Assembleia da República.

Mas o trabalho não acaba por aqui. “Depois de classificar, queremos ver o que tem de ser feito para travar a perda do montado e recuperá-lo”, explicou o responsável, salientando a importância de uma estratégia para a reflorestação, em vez das plantações “pontuais para aproveitar subsídios europeus”.

Público 19 Novembro 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

O Debate “Jardim Botânico do Futuro” – Mais uma Requalificação Para Pior?

No segui­mento dos tex­tos rela­ti­vos às “Jor­na­das Euro­peias do Patri­mó­nio 2010″, e depois de ter­mos dado conta de como cor­reu a visita ao Jar­dim Botâ­nico da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (JBUL), no pas­sado dia 25, apre­sen­ta­mos aqui algu­mas notas sobre o debate que lhe sucedeu. Este debate, orga­ni­zado pela Liga dos Ami­gos do Jar­dim Botâ­nico (LAJB) e pela Asso­ci­a­ção Por­tu­guesa de Arqui­tec­tos Pai­sa­gis­tas (APAP), visava apre­sen­tar alguns dos pro­ble­mas que, actu­al­mente, afec­tam o JB, bem como aque­les que pode­rão vir a pre­ju­di­car gra­ve­mente este espaço se a actual pro­posta do Plano de Por­me­nor do Par­que Mayer (PPPM) for aprovada.

A mesa teve como mode­ra­dora a Dr.ª Luísa Sch­midt (Ins­ti­tuto de Ciên­cias Soci­ais da Uni­ver­si­dade de Lis­boa) e con­tou com apre­sen­ta­ções do Arqt.º Gon­çalo Ribeiro Tel­les, da Arqt.ª Manu­ela Raposo Maga­lhães (Cen­tro de Estu­dos de Arqui­tec­tura Pai­sa­gista “Pro­fes­sor Cal­deira Cabral – Ins­ti­tuto Supe­rior de Agro­no­mia) e da Dr.ª Manu­ela Cor­reia (pre­si­dente da LAJB), bem como com a pre­sença da Arqt.ª Mar­ga­rida Sá Abreu (pre­si­dente da APAP).

As apre­sen­ta­ções mos­tra­ram de que forma o PPPM irá pre­ju­di­car o jar­dim. Os prin­ci­pais pro­ble­mas relacionam-se com a cir­cu­la­ção do ar na encosta (e con­se­quente alte­ra­ção da termo regu­la­ção), com as dre­na­gens sub­ter­râ­nea e super­fi­cial de águas plu­vi­ais e com toda a hidro­ge­o­lo­gia da zona. Foi, inclu­si­va­mente, feita a apre­ci­a­ção do estudo hidro­ge­o­ló­gico cons­tante da Ava­li­a­ção de Impacto, o qual foi con­si­de­rado mani­fes­ta­mente incom­pleto e insu­fi­ci­ente. Refira-se que o dito estudo, no que refere à real aná­lise da área, ape­nas lhe dedica menos de duas pági­nas, reme­tendo para outros estu­dos ante­ri­o­res, tam­bém eles inconclusivos.

O PPPM deverá entrar em dis­cus­são pública a qual­quer momento. Embora, apa­ren­te­mente, este plano não pre­veja a cons­tru­ção de pré­dios com altura supe­rior à cerca pom­ba­lina do jar­dim, estes deve­rão ficar con­tí­guos a esta e pos­sui­rão esta­ci­o­na­men­tos com três anda­res sub­ter­râ­neos. Para além disso, prevê-se a ocu­pa­ção e/ou des­trui­ção de algu­mas áreas e equi­pa­men­tos do JB, como por exem­plo o viveiro. Aguarda-se, ainda, que a ver­são defi­ni­tiva do plano seja dis­po­ni­bi­li­zada pela Câmara Muni­ci­pal de Lis­boa (CML).

A LAJB acres­centa que o jar­dim ficará iso­lado do con­ti­nuum verde da cidade, lamen­tando que o Rei­tor da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (UL), ao dar o seu apoio a este plano, “tenha mani­fes­tado uma ati­tude tão ultra­pas­sada e afas­tada da ciência”.

Sublinhe-se que este debate tam­bém se des­ta­cou por algu­mas ilus­tres ausên­cias ou silên­cios, uma vez que várias per­so­na­li­da­des tinham sido con­vi­da­das a par­ti­ci­par e dar o seu con­tri­buto. Entre elas, contam-se a CML [estiveram presentes três Deputados Municipais: Partido Comunista Português, Partido os Verdes e Movimento Cidadãos por Lisboa], suces­si­vos direc­to­res do JB, a UL, repre­sen­tan­tes do poder polí­tico e de órgãos públi­cos. Tam­bém a comu­ni­ca­ção social, mais uma vez, pri­mou pela ausência [esteve presente um jornalista da RTP].

Final­mente, refira-se o jar­dim está pro­posto para clas­si­fi­ca­ção como Monu­mento Naci­o­nal há cerca de 40 anos, con­ti­nu­ando à espera de pare­cer do IGESPAR (e das ins­ti­tui­ções que o precederam).

A Asso­ci­a­ção Árvo­res de Por­tu­gal apoia e tem cola­bo­rado, na medida do pos­sí­vel, nos esfor­ços que estão a ser fei­tos para pre­ser­var e melho­rar sig­ni­fi­ca­ti­va­mente as con­di­ções do JBUL. Pre­ten­de­mos que o jar­dim possa con­ti­nuar a ser um local de grande diver­si­dade bio­ló­gica de valor incal­cu­lá­vel e carac­te­rís­ti­cas únicas, um monu­mento his­tó­rico incon­tor­ná­vel e um espaço de bem-estar e fac­tor de qua­li­dade de vida, não só dos lis­bo­e­tas, mas tam­bém de todos aque­les que o visitam.

Miguel Rodrigues

«Uma Outra Visão do Jardim Botânico»

Tal como anun­ci­ado, no pas­sado Sábado decor­reu uma visita ao Jar­dim Botâ­nico da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (JBUL), orga­ni­zada pela Liga dos Ami­gos do Jar­dim Botâ­nico (LAJB) e pela Asso­ci­a­ção Por­tu­guesa de Arqui­tec­tos Pai­sa­gis­tas (APAP).

Esta visita foi apre­sen­tada pela Dr.ª Manu­ela Cor­reia, pre­si­dente da LAJB e teve como guias a Dr.ª Ale­xan­dra Escu­deiro, coor­de­na­dora do ser­viço de exten­são peda­gó­gica do JB, e pela Arqt.ª Aurora Cara­pi­nha, da APAP.

Não se tra­tou de ape­nas mais uma visita ao JB. Foi sim, um momento para apren­der mais sobre este espaço e para ficar a conhe­cer a sua, por vezes e para alguns, insus­peita impor­tân­cia e rele­vân­cia, não só para as espé­cies botâ­ni­cas aí repre­sen­ta­das mas tam­bém para as pes­soas e para o seu bem-estar.

Mesmo para quem já conhe­cia as relí­quias aqui guar­da­das, foi toda uma sur­presa ter uma nova visão deste espaço. Isto ficou a dever à exce­lente ori­en­ta­ção das nos­sas guias que, con­so­ante a sua espe­ci­a­li­dade, nos leva­ram da botâ­nica à his­tó­ria e nos per­mi­ti­ram enqua­drar este jar­dim num con­texto euro­peu e mesmo global.

Por outro lado, tam­bém fica­mos a conhe­cer alguns dos pro­ble­mas que afec­tam o jar­dim e que é neces­sá­rio enfren­tar urgen­te­mente. Alguns des­tes pro­ble­mas são anti­gos, como a difi­cul­dade no abas­te­ci­mento de água. Outros esprei­tam num futuro pró­ximo e, se nada vier a ser feito, pode­rão vir a pre­ju­di­car gra­ve­mente esta relí­quia da nossa his­tó­ria naci­o­nal, uma jóia natu­ral e um espaço de bem-estar psí­quico e físico dos cidadãos.

Sobre os pro­jec­tos que ame­a­çam o Jar­dim Botâ­nico, foi rea­li­zado, em seguida, um debate, com dis­tin­tos par­ti­ci­pan­tes, que abor­da­re­mos no pró­ximo texto a publicar.

Miguel Rodrigues

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010: O contributo da Loja de História Natural

Dias 25 e 26 de Setembro de 2010 (Sábado e Domingo) a Loja de História Natural irá desenvolver o seu primeiro programa de actividades, a decorrer durante as Jornadas Europeias do Património. O objectivo desta iniciativa é contribuir para sensibilizar para o Património Vivo como parte integrante e enriquecedora do nosso património.

PROGRAMA

Sábado, dia 25: visita guiada ao Jardim Botânico com início às 10h promovida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas para chamar a atenção para a ameaça real ao jardim que vem do Plano de Pormenor do Parque Mayer. Às 16h, a Loja de História Natural, em colaboração com os Amigos do Príncipe Real e com a participação da Associação Árvores de Portugal, oferece uma visita guiada gratuita às árvores do Jardim França Borges.

Ainda no sábado a Loja de História Natural organiza um almoço convívio, a decorrer entre a visita e debate no Jardim Botânico, de manhã, e a visita ao Jardim França Borges, à tarde. O Almoço irá decorrer na Comida de Urso, mesmo em frente à Loja de História Natural. O preço para o menú completo é de 10€ e não tem qualquer tipo de comissão ou margem para a Loja, sendo o nosso objectivo incentivar o convívio entre os participante nas actividades da manhã, assim como promover um encontro de bloguistas e leitores de temas de ambiente. O preço de 10€ mantém-se para inscrições até Sábado, 25/09/2010.

Domingo, dia 26: a Loja de História Natural, em colaboração com o Meridiano, orienta uma visita guiada ao Jardim Botânico sobre o tema da gravidez e a sua relação com as plantas, e às 15.00 terá início uma Oficina de Desenho de Campo, a decorrer também no Jardim Botânico, com o ilustrador Filipe Franco. http://lojadehistorianatural.blogspot.com

Foto: o ameaçado Palacete Ribeiro da Cunha por entre a folhagem de ginkgos e magnólias do Jardim do Príncipe Real.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Associação Árvores de Portugal - Dar mais força a quem defende as árvores

Caro(a) amigo(a) das árvores,

É com enorme satisfação que vimos informá-lo que a Associação Árvores de Portugal está, finalmente, a aceitar sócios. Tratadas que estão todas questões legais e burocráticas, podemos agora convidar todas as pessoas que se interessam e se preocupam com as árvores e bosques do nosso país a integrarem a nossa associação. Se pretende fazer algo pelas nossas árvores e está farto de palavras, passe à acção! Inscreva-se!

Mais do que pedir a sua contribuição para que possamos financiar os vários projectos que estamos a planear e a implementar, pretendemos também a sua colaboração na informação de situações que envolvam as nossas árvores. Somos poucos e não podemos estar ao corrente do que se passa com este nosso património, pelo que contamos com os nossos associados para nos ajudarem a estarmos informados, em tempo útil, de tudo o que seja importante para a divulgação e preservação da Árvore em Portugal.

Para saber mais sobre este convite que agora lhe fazemos, poderá consultar este texto http://www.arvoresdeportugal.net/2010/02/pelas-arvores-de-portugal/ da nossa página.

Se pretende auxiliar e juntar-se a este projecto, poderá inscrever-se nesta ligação http://www.arvoresdeportugal.net/about-2/tornar-se-socio/ da nossa página.

No que refere a quotas, optámos por cobrar uma quota única, a pagar no acto de inscrição, no valor que escolher de entre as possibilidades disponibilizadas, não tendo o sócio qualquer encargo posterior relativo a quotas.

Caso queira levar mais além a sua ajuda, poderá então escolher um ou mais dos projectos que iremos orçamentar individualmente e decidir o montante com que pretende contribuir. A Árvores de Portugal responsabiliza-se por dar conta, aos seus sócios e contribuidores, da aplicação destes fundos.

Obrigado pela sua colaboração.

Atenciosamente,

Associação ÁRVORES DE PORTUGAL


Foto: Araucária na Travessa do Combro, Freguesia da Lapa, Lisboa