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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lisboa em Agosto: Restelo

Fachada do Ministério da Defesa na Avenida ilha da Madeira, junto ao Estádio do Restelo e do Museu Nacional de Etnologia. Qual é o consumo de energia só em ar-condicionado deste edifício do Estado? Porque razão não foi feito ainda nenhum investimento em sistemas de arrefecimento mais amigos do Ambiente, com uma pegada ecológica menor? Porque é que este arruamento não tem mais árvores para ajudar a baixar o consumo de energia dos edifícios?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Lisboa em Agosto: Marquês de Pombal

Lisboa, ainda com centenas de arruamentos sem árvores, está a ficar cada vez mais quente e por isso mais dependente de sistemas mecânicos de arrefecimento. No caso da Praça Marquês de Pombal, o túnel só veio contribuir para um aumento da temperatura desta zona urbana. Para além do abate de árvores, temos que considerar a impermeabilização feita numa grande área do arruamento. A pegada ecológica de Lisboa cresce... Para quando um sério investimento da CML na arborização de ruas da capital?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As Árvores e a Cidade: Lagerstroemia

Em frente da Igreja de S. Nicolau a Câmara Municipal de Lisboa plantou alguns exemplares de Lagrestroemia indica que estão em floração desde o início de Julho. Como seria diferente a Baixa se mais arruamentos estivessem arborizados. Será que o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina - actualmente em discussão pública - prevê a arborização de algumas ruas para assim melhorar o conforto ambiental desta árida zona da nossa capital? É isso que a LAJB irá questionar, sugerir, promover.

domingo, 29 de novembro de 2009

Orçamento Participativo 2010 - a LAJB propõe: Arborização da Rua Borges Carneiro

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO para 2010
Número de proposta da LAJB: 385
Área: Espaço Público e Espaço Verde
Título: Arborização da Rua Borges Carneiro
Localização: Lapa, Rua Borges Carneiro

A ausência de árvores num arruamento tem impactos negativos no conforto ambiental e na saúde dos seus moradores. A arborização da Rua Borges Carneiro é um sonho antigo dos moradores. Este é um dos poucos locais da Lapa com largura suficiente para receber árvores de alinhamento. Numa área urbana de ruas estreitas, esta mais valia deve ser aproveitada para bem da comunidade. Este projecto não se esgota no presente, prolonga-se no futuro, pois irá benefíciar as próximas gerações. A Rua Borges Carneiro foi aberta em 1876 - há 133 anos que espera por árvores!

FOTO: Imagem de Armando Serôdio, 1975. Arquivo Municipal.

terça-feira, 31 de março de 2009

Debate Público sobre Lisboa: dia 4 de Abril

Amigo(a):

No âmbito da preparação das eleições autárquicas de 2009 a CDU de Lisboa, vai organizar no próximo dia 4 de Abril pelas 14:30 no Fórum Lisboa (Av. de Roma, 14) um debate aberto a todos os que desejem contribuir para um programa eleitoral que reflicta propostas concretas, para a resolução dos problemas de Lisboa. Temos o prazer de o(a) convidar a estar presente nesta iniciativa e apelar à sua participação, contribuindo para melhorar e aproximar mais as propostas da CDU daquilo que são as necessidades da população da Cidade.

O coordenador do Grupo de Trabalho para o Ambiente e Espaços Públicos,

Carlos Moura

FOTO: Um dos problemas ambientais de Lisboa - muitos kilómetros de arruamentos por arborizar. Por exemplo, todas as ruas do Bairro dos Actores (planeado na década de 20 do séc. XX) ainda não têm uma única árvore. Fotografia tirada em Março de 1941 por Eduardo Portugal (1900-1958). Arquivo Fotográfico Municipal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Amigos do Jardim Botânico unidos pela Arborização da Rua Borges Carneiro

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), em colaboração com a Associação Lisboa Verde (ALV), tem vindo a defender junto da Câmara Municipal de Lisboa (CML) a arborização de arruamentos da cidade. A ausência de árvores numa rua tem impactos negativos no conforto ambiental e na saúde dos seus moradores.

Neste âmbito, o Departamento de Ambiente Urbano da CML agendou para hoje, às 16h, uma reunião de trabalho para se estudar a arborização da Rua Borges Carneiro e outros arruamentos adjacentes. Este é, na voz dos residentes presentes, um sonho antigo. A moradora, e sócia da LAJB, Senhora Maria Natália Lima de Faria está à espera das árvores desde que para ali foi morar há mais de 41 anos: «Como eu e o meu marido temos a paixão dos Jacarandás, gostava muito de ver a rua plantada com jacarandás! Espero não morrer com a rua ainda "careca"!»

Foi com muita satisfação que participámos nesta primeira reunião de trabalho com moradores (todos eles sócios da LAJB). A primeira constatação foi a de que os actuais passeios não têm largura suficiente para receberem árvores. O técnico da CML, Miguel Carrelo, explicou que é necessário um mínimo de 2 metros a contar do limite dos edifícios até ao início das caldeiras. Constatou-se também que a rua (com dois sentidos) apresenta duas faixas de rodagem demasiado largas sendo essa uma das razões para o problema do estacionamento em segunda fila. Concluíndo, para arborizar correctamente a rua será necessário proceder ao estreitamento das faixas de rodagem e consequente alargamento dos passeios.

A Rua Borges Carneiro é um dos raros locais na Freguesia da Lapa que possui largura suficiente para receber árvores de alinhamento. Numa área urbana como a Lapa, de ruas estreitas, esta mais valia deve ser aproveitada para bem da comunidade. Com a plantação de árvores, a CML melhoráva substancialmente a qualidade de vida de moradores e visitantes.

Acreditamos portanto que os benefícios justificam os estudos e as alterações que será necessário efectuar no espaço público. Um projecto destes não se esgota no presente, prolonga-se no futuro, pois irá benefíciar as gerações que virão depois de todos nós.

Apesar da maior atenção que se tem dado à Rua Borges Carneiro, a LAJB tem recebido pedidos de apoio dos seus sócios que residem na Lapa para que sejam também consideradas outras ruas para arborização:

-Rua da Lapa
-Rua das Trinas
-Rua do Quelhas (passeio do nº 16 ao 18)
-Rua da Imprensa à Estrela (troço junto à Calçada da Estrela)
-Rua Miguel Lupi (passeio norte)
-Rua de São Bernardo
-Rua de São João da Mata
-Rua das Praças (passeio do nº 100)
-Rua de Buenos Aires (passeio do nº 26 ao 30)
-Travessa do Pinheiro (passeio do nº 21 ao 23)

O técnico Miguel Carrelo ficou de solicitar ao Departamento de Tráfego da CML um parecer sobre a viabilidade do projecto enquanto que a Associação Lisboa Verde e LAJB ficaram de agendar uma reunião com a Junta de Freguesia da Lapa. Na reunião a ter com o presidente da Junta de Freguesia iremos falar da importância de planear estes locais para um futuro mais sustentável, numa perspectiva mais pedonal do espaço público.

FOTO: Rua Borges Carneiro, já "careca", numa fotografia de Armando Serôdio de 1975 (Fonte: Arquivo Municipal)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

THOMAS PITT em Lisboa: «But it wants trees and verdure, there being no green...»

«A cidade de Lisboa fica na margem Norte do Rio Tejo, a cerca de quatro léguas e meia do forte de S. Julião que é à entrada do porto. A vista, à chegada, é de grande beleza. O rio tem grande extensão e a margem do lado de Lisboa é variada, com fortificações, conventos, casas de campo, vinhedos e olivais espalhados em pequenos recantos, tendo o solo a vantagem de ser agradavelmente acidentado sem ser montanhoso. Mas faltam-lhe árvores e vegetação pois não há verdura nesta paisagem, a não ser algumas manchas dispersas de cevada, semeadas, em vez de erva para o gado. [1] Esta vista tem igualmente a vantagem de contrastar com o Rochedo de Lisboa, que se ergue a distância considerável por detrás, como uma serra selvagem, negra e escarpada. A cidade surge, descendo até às águas, pela encosta íngreme de uma colina, com inúmeras embarcações atracadas diante dela e parecendo cobrir o rio.»

[1] No original: «But it wants trees and verdure, there being no green in this country, but from a few scattered patches of barley, sewn instead of grass for cattle.»

As observações, ainda de certo modo actuais, do jovem inglês Thomas Pitt (1737-1793) registadas na sua obra Observations in a Tour to Portugal and Spain (1760) e publicada em 2006 pelo Ministério da Cultura / IPPAR.

domingo, 24 de agosto de 2008

Rua do Carmo: «plantem + árvores!»

Um graffiti na Rua do Carmo.
Um pedido de uma frontalidade extrema?
Um alerta pelo desconforto ambiental na Baixa pombalina?
Um grito de protesto pela ausência de árvores naquele arruamento?

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico discorda em absoluto dos actos de vandalismo em propriedade pública e privada. Os graffiti, aplicados sem critério, estão a destruir o ambiente urbano da nossa cidade. Mas compreendemos o pedido expresso neste caso. Entretanto, este graffiti já foi removido. Quanto às árvores reclamadas pelo cidadão anónimo... continuam ausentes da Rua do Carmo. Em Lisboa parece ser mais fácil apagar um graffiti do que plantar uma árvore.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

HANS CHRISTIAN ANDERSEN em Lisboa: cinco dias na cidade ardente de sol

O escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) é autor de uma centena e meia de contos para crianças e adultos. Poeta e artista, romancista, dramaturgo, pensador existencialista, jornalista, crítico, tradutor, narrador de viagens... Um rapaz que queria ser cantor, actor, bailarino. Hans Christian Andersen teve uma relação pessoal com Portugal, revelada no seu livro «Uma Viagem a Portugal em 1866».

O autor entrou em Portugal por Elvas chegando a Lisboa no dia 6 de Maio. Após ter estado quase um mês na zona da capital, passeou depois por vários locais do país desde Setúbal a Coimbra e Aveiro. No seu livro há várias referências à flora que observou em Portugal. Mas nos seus últimos cinco dias na capital, enquanto aguardava pelo navio que o havia de levar de volta à Dinamarca, Hans Christian Andersen faz uma descrição da falta de conforto ambiental de Lisboa em Agosto. A falta de sombra, isto é, a falta de árvores na envolvência do hotel da zona da Baixa/Cais do Sodré onde estava hospedado, constituiu um tormento para o autor.

«As cortinas estavam corridas, as portas das janelas fechadas para que não entrasse a luz quente do sol. Era uma verdadeira tortura sair, só se podia caminhar pela sombra minguada das casas. Isso me vi forçado a fazer, pois estar todo o dia deitado ou vaguear pelas salas semiobscuras, sem receber a visita de qualquer pessoa conhecida, seria insuportável. Dirigi-me assim aos escritórios de O'Neill, onde encontrei jornais que me deram notícias do que se passava além das fronteiras de Portugal. Cheguei atormentado pelo calor e atormentado regressei a casa, até começar a sentir algum bem estar pela noitinha. Foi, então, um alívio ir para o balcão da janela gozar a brisa fresca que soprava tão benfazejamente refrescante nos olhos, na boca, trazendo nova vida. Pude depois sair à vontade para a rua, misturar-me com o povo, entrar nos cafés e percorrer os passeios.
O dia seguinte foi quente como o anterior. O navio não chegou na data esperada e, em vez de dois, tive de ficar cinco dias na cidade ardente de sol.»

in "Uma Visita a Portugal em 1866" de Hans Cristian Andersen (Tradução de Silva Duarte, Gailivro, 2003)

Hans Christian Andersen partiu de Lisboa no dia 14 de Agosto de 1866 com sementes de flores na caixa de chapéus.

Mais de um século depois da partida do escritor Dinamarquês, toda a zona da Baixa e Chiado continua sem árvores de alinhamento. E a zona ribeirinha, que deveria ser arborizada de modo a compensar a falta de árvores no centro histórico pombalino, tem vindo a ser progressivamente ocupada com construções como é o caso dos novos edifícios para as agências europeias no Cais do Sodré.

FOTO: Panorâmica do Cais do Sodré e da Ribeira num verão da década de 1860. Fotógrafo desconhecido, negativo de gelatina e prata em vidro. Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal