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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Carta da LAJB à Sociedade Frente Tejo

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), no âmbito do projecto de remodelação e restauro do espaço público no Cais do Sodré vem por este meio solicitar a abertura de caldeiras no passeio nascente, junto aos edifícios das futuras Agências Europeias.

Fazem muita falta árvores de alinhamento neste passeio onde existem paragens de autocarros. Os utentes da Carris sofrem muito com as altas temperaturas que se fazem sentir nas paragens durante o verão. Alertamos para o facto de o passeio simétrico, junto à estação de comboios, apresentar um alinhamento de árvores em caldeira (Jacarandás). Portanto, e até pela lei da simetria da praça, seria aconselhável plantar igual número de árvores no passeio nascente.

Fazemos também um apelo para que o projecto que está a ser desenvolvido inclua a redução do espaço ocupado pelos veiculos automóveis em volta do jardim da placa central. Actualmente aquele espaço verde está reduzido a uma pequena ilha, apertada por um excesso de faixas de rodagem e de lugares de estacionamento à superfície.

Por último, solicitamos a vossa maior atenção para a necessidade de se arborizar ao máximo a Frente Ribeirinha. A Sociedade Frente Tejo tem um papel muito decisivo neste assunto.

Lamentamos que em muitos casos de remodelação de praças e largos não haja preocupação de incluir árvores de sombra como via de qualificação do espaço urbano. As praças da Figueira e dos Restauradores são exemplos paradigmáticos de espaços urbanos sem conforto ambiental. Devido à opção de se construir um parque de estacionamento subterrâneo já não é possível arborizar aquelas duas praças centrais da capital. Pedimos à Sociedade Frente Tejo que não repita este erro, impermeabilizando espaços como o Largo do Corpo Santo ou o Campo das Cebolas para a construção de mais estacionamento em caves.

A LAJB aguarda atentamente pela evolução dos projectos para a Frente Ribeirinha de Lisboa. O abandono e desqualificação de décadas penalizaram muito o usufruto deste simbólico espaço público da nossa cidade.

Mostramo-nos desde já inteiramente disponíveis para todo e qualquer esclarecimento e colaboração cívica que julgarem necessário.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

FOTO: Cais do Sodré c.1928 por J. Benoliel. Arquivo Municipal

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Belém: Obras no Porto de Lisboa ameaçam Jardim das Cerejeiras Japonesas

Escavações estão a danificar o espaço verde recuperado há um mês

O Jardim das Cerejeiras Japonesas, junto ao Museu de Arte Popular, em Belém (Lisboa), está mais uma vez ameaçado - primeiro foi a falta de verbas da câmara municipal que obrigou a Associação de Amizade Portugal-Japão (AAPJ) a retirar as 181 árvores, que secaram por falta de manutenção; agora são as obras da Administração do Porto de Lisboa (APL), que estão a danificar o espaço verde, inaugurado em 2005."

As escavações começaram no sábado e temo que já tenham destruído o sistema de rega subterrâneo", denuncia Leonilda Alfarrobinha, directora da associação. A AAPJ garante não ter sido informada sobre a realização desta obra e, ao confrontar o Porto de Lisboa, esta não foi capaz de esclarecer todas as suas dúvidas: "Falei com um responsável da APL que explicou não existir autorização escrita para se fazer estes trabalhos."

Ângelo Mesquita, director municipal de Ambiente Urbano da Câmara de Lisboa, por seu turno, contou ao DN que a autarquia foi informada das obras que têm como finalidade ligar os esgotos do novo hotel da Doca do Bom Sucesso à rede de saneamento: "Penso que haverá um compromisso da APL em reparar todos os estragos após o fim dos trabalhos." O DN tentou confirmar esta informação junto da APL mas, até à hora de fecho desta edição, não obteve qualquer esclarecimento.

Os trabalhos, a cargo do Porto de Lisboa, acontecem um mês depois de a AAPJ ter substituído as cerejeiras secas por novas árvores: "Estávamos na fase final da recuperação do jardim quando fomos surpreendidos com esta obra", desabafa Leonilda Alfarrobinha, lembrando que a APL e a autarquia investiram mais de 200 mil euros naquele espaço verde. E mesmo que a Administração do Porto de Lisboa compense os prejuízos resultantes da obra, isso não é suficiente para garantir a sobrevivência do Jardim das Cerejeiras.

Ângelo Mesquita diz que a manutenção do espaço verde por parte da câmara pode estar comprometida, uma vez que a AAPJ não consultou a autarquia durante o processo de replantação das cerejeiras: "Desconhecemos se as espécies são compatíveis com as condições climatéricas daquele local e, caso isso se verifique, não poderemos assegurar a conservação do jardim." in Diário de Notícias, 29 de Janeiro de 2009

FOTO: Um Jardim de Cerejeiras Japonesas mortas? Agosto de 2007.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lisboa: câmara exige garantias para dar aval à expansão do terminal de contentores

in Lusa, 9 de Dezembro de 2008

O presidente da Câmara de Lisboa disse hoje aos deputados da Comissão de Obras Públicas, que a expansão do terminal de contentores em Alcântara só vai para a frente se garantir a libertação de espaço público, a salvaguarda de um sistema de vistas e outras condições que estão a ser negociadas com a Liscont.

António Costa explicou que a câmara exige determinadas garantias para dar o seu aval ao projecto. Entre as quais a de que o escoamento dos contentores não se fará por via rodoviária e a de que o "lay-out" (desenho) salvaguarda o sistema de vistas sobre o rio Tejo. A câmara reclama também a libertação de espaço público e melhoria do acesso da população ao rio no cais situado em frente à gare marítima. Outra das garantias é de que a execução do nó rodo-ferroviário é uma obra viável do ponto de vista técnico e será acompanhada de todas as medidas necessárias para minimizar os impactos ambientais."Se estas condições forem satisfeitas, damos um parecer favorável", declarou o autarca aos jornalistas, à saída da comissão parlamentar.

A Liscont, concessionária do terminal de Alcântara, já apresentou uma proposta, mas foi considerada insuficiente. "Fizemos uma contra-proposta", disse o presidente da câmara, sem querer adiantar quais os pontos que estão a ser renegociados.

Na passada sexta-feira, o PS chumbou a proposta da oposição para suspender a concessão do terminal de contentores de Alcântara. Na votação, todas as bancadas da oposição votaram a favor do primeiro projecto de resolução, do PSD, a que se juntou o deputado Manuel Alegre. Os restantes dois projectos, do BE e do PCP, já não foram votados devido à primeira votação.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Lisboa é das pessoas. Mais contentores não!

Na sequência do anúncio do Governo em querer alargar a concessão do terminal de contentores em Alcântara por mais 27 anos à Liscont, e da vontade de triplicar a actual actividade portuária de 350.000 contentores/ano para 1 milhão, foi lançada no dia 27 de Outubro a petição: LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!


Esta petição é uma iniciativa de um grupo de cidadãos ao qual a LAJB se associa, por estar preocupada com os impactos visuais e ambientais na frente ribeirinha. Por favor, subscreva e divulgue.

FOTO: a magnífica vista da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, obra de referência da arquitectura modernista nacional (1943, arquitecto Pardal Monteiro). Se o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara avançar, esta vista ficará tapada com um muro de contentores.