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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lisboa: câmara exige garantias para dar aval à expansão do terminal de contentores

in Lusa, 9 de Dezembro de 2008

O presidente da Câmara de Lisboa disse hoje aos deputados da Comissão de Obras Públicas, que a expansão do terminal de contentores em Alcântara só vai para a frente se garantir a libertação de espaço público, a salvaguarda de um sistema de vistas e outras condições que estão a ser negociadas com a Liscont.

António Costa explicou que a câmara exige determinadas garantias para dar o seu aval ao projecto. Entre as quais a de que o escoamento dos contentores não se fará por via rodoviária e a de que o "lay-out" (desenho) salvaguarda o sistema de vistas sobre o rio Tejo. A câmara reclama também a libertação de espaço público e melhoria do acesso da população ao rio no cais situado em frente à gare marítima. Outra das garantias é de que a execução do nó rodo-ferroviário é uma obra viável do ponto de vista técnico e será acompanhada de todas as medidas necessárias para minimizar os impactos ambientais."Se estas condições forem satisfeitas, damos um parecer favorável", declarou o autarca aos jornalistas, à saída da comissão parlamentar.

A Liscont, concessionária do terminal de Alcântara, já apresentou uma proposta, mas foi considerada insuficiente. "Fizemos uma contra-proposta", disse o presidente da câmara, sem querer adiantar quais os pontos que estão a ser renegociados.

Na passada sexta-feira, o PS chumbou a proposta da oposição para suspender a concessão do terminal de contentores de Alcântara. Na votação, todas as bancadas da oposição votaram a favor do primeiro projecto de resolução, do PSD, a que se juntou o deputado Manuel Alegre. Os restantes dois projectos, do BE e do PCP, já não foram votados devido à primeira votação.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

LISBOA, TEJO E TUDO

In Público, 5 de Novembro de 2008, Helena Matos

«Soltam-se ais por causa de um prédio no Rato, enquanto a cidade assiste impávida à degradação do Jardim Botânico»

As cidades têm mercados e cemitérios. Aeroportos e estações. Algumas, como Lisboa, também têm portos. Isto pode parecer óbvio, mas não é de mais repeti-lo quando vemos as questões de ordenamento do território restringidas a uma espécie de capítulo duma revista de decoração e consensualmente instituído que para evitar polémicas a cidade deveria ser uma espécie de continuum de cafetarias, com empregados de aventais pretos, espaços ditos culturais com muitas valências e articulações multidisciplinares, quiçá multiculturais, e prédios, de preferência baixinhos.Vem isto naturalmente a propósito da ampliação do cais de contentores de Alcântara. Contudo, antes de lá chegarmos, convém lembrar que Lisboa é uma cidade suja e degradada, onde o poder gasta o dinheiro dos contribuintes em obras de utilidade questionável e manutenção rapidamente esquecida. (...)

Seja portanto pela profusão dos monos recentemente construídos ou pelo balanço do muito que se tem destruído, temos sido levados a defender que, na dúvida, não se faça. Assim soltam-se ais desesperados por causa da construção dum prédio no Largo do Rato, na mesma cidade que assiste impávida à degradação do Jardim Botânico uns passos mais à frente, do cinema Europa mais acima, ou ao roubo dos azulejos das fachadas oitocentistas.

Nesta perspectiva da cidade enquanto mesinha redonda duma salinha de tias - arruinadas e desmazeladas, mas tias! -, aquilo que não se vê não interessa. Por exemplo, é praticamente impossível suscitar a mínima atenção em quem quer que seja para o plano de drenagem da cidade, sendo certo que as lacunas, os erros e os muitos preconceitos existentes nesta matéria nos entram pela porta dentro cada vez que chove.

Ao contrário de muitas outras pessoas, profundamente conhecedoras do universo das cargas e descargas, não faço a menor ideia se Lisboa precisa da ampliação deste cais. Mas gostaria de saber. Por exemplo, ao ouvir o primeiro-ministro dizer que toda esta obra servirá para desbloquear o problema económico que afecta o porto de Lisboa, e, por arrasto, todo o país, vem-me imediatamente à lembrança o conto da leiteira que ia enriquecer vendendo leite e comprando ovos, que por sua vez davam patinhos, que por sua vez davam mais ovos e que acabou estatelada no chão mais o leite e as fantasias. "Todo o país por arrasto"? Declarações destas teriam arruinado o sossego de vários chefes de governo em Portugal mas agora não só são banais como já ninguém espera uma posição que não seja de absoluta subserviência e encadernação verde do projecto por parte daquele senhor que faz de conta que é ministro do Ambiente e do Ordenamento.

De igual modo, gostaria de ser esclarecida sobre se o melhor local para esse cais será Alcântara, como defende o actual Governo e o actual presidente da CML, ou Setúbal e Sines como diz o Movimento Lisboa É das Pessoas. Mais Contentores Não e propõe o anterior presidente da CML Carmona Rodrigues.

Aproveitando o balanço da polémica também podemos ser esclarecidos sobre a efectiva utilização dos edifícios e terrenos da Docapesca, na zona de Algés, e toda aquela traquitana que se acumula entre o cais da Matinha e Santa Apolónia; se nos vamos continuar a dar ao luxo e à loucura de mantermos longe da cidade a estação da Rocha do Conde de Óbidos e já agora também não desgostaria de ser mais informada sobre a actuação dos piquetes de trabalhadores perante aqueles que consideram que põem em causa os seus postos de trabalho e se se justifica que se prolongue por mais 27 anos a concessão do cais à Liscont/Mota Engil.

Não tenho grandes ilusões sobre a possibilidade de ver todas estas minhas questões esclarecidas, mas do que tenho absoluta certeza é que não fosse a CML actualmente da responsabilidade do PS já inúmeras vozes da cultura e da cidadania socialista tinham rumado para as margens do Tejo onde, sob o alto patrocínio das Tágides, leriam poemas alusivos à partida do Gama, às grilhetas do fascismo, às mordaças do PREC e claro acabavam a performance denunciando as ligações da Mota Engil à Administração Bush, responsável directa pela subida galopante, não das águas do mar porque entretanto o apocalipse climático foi substituído pelo apocalipse económico, mas sim da altura dos contentores. (...)

Mas como estamos em 2008, no terceiro ano da era Sócrates, não é suposto que o povo tenha dúvidas sobre o superior esclarecimento dos desígnios governamentais. Isso era coisa dos tempos passados. Por ironia, José Sócrates pode agora estar a experimentar nesta contestação à NovAlcântara as consequências de o PS ter alinhado com o que de mais demagógico existiu na oposição às obras do cavaquismo. Eu, que até gosto de portos, que detesto cidades assépticas e que sobre a NovAlcântara só tenho a certeza que o nome é uma pepineira, espero bem que sobre esta obra exista a discussão que não se conseguiu fazer sobre Foz Côa."»

FOTO: o Tejo, visto do Castelo de São Jorge.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Lisboa é das pessoas. Mais contentores não!

Na sequência do anúncio do Governo em querer alargar a concessão do terminal de contentores em Alcântara por mais 27 anos à Liscont, e da vontade de triplicar a actual actividade portuária de 350.000 contentores/ano para 1 milhão, foi lançada no dia 27 de Outubro a petição: LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!


Esta petição é uma iniciativa de um grupo de cidadãos ao qual a LAJB se associa, por estar preocupada com os impactos visuais e ambientais na frente ribeirinha. Por favor, subscreva e divulgue.

FOTO: a magnífica vista da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, obra de referência da arquitectura modernista nacional (1943, arquitecto Pardal Monteiro). Se o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara avançar, esta vista ficará tapada com um muro de contentores.