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sábado, 9 de julho de 2011

Árvore mais velha de Portugal certificada este sábado vive em Santa Iria da Azóia

Uma oliveira bravia com 2850 anos foi identificada como a árvore mais velha do país por um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Vive em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, e teve o guerreiro Viriato como contemporâneo.

A árvore está situada no Bairro da Covina, em Loures, no que resta de um antigo olival próximo das ruínas do castelo de Pirescouxe, tendo sido a idade determinada através de um método inovador de datação de árvores antigas desenvolvido pela UTAD. O processo, que tomou em conta a avaliação de cem árvores, foi dirigido pelos professores José Luiz Lousada e Pacheco Marques, após um contacto do empresário de árvores ornamentais André Soares dos Reis para estimar a idade desta planta lenhosa.

Até aqui, a árvore mais antiga do país – considerando apenas as certificadas até Fevereiro deste ano – contava 2210 anos na certidão de idade e era também uma oliveira, localizada nas Pedras d’El Rei, em Tavira. O método científico aplicado à época é, porém, segundo José Luiz Lousada, menos credível do que o desenvolvido na UTAD nos últimos quatro anos, que se baseia na análise dos padrões de crescimento da espécie, como a altura, o perímetro e o diâmetro. Antes deste método inovador, entretanto já patenteado, a idade das árvores era atribuída pela contagem dos anéis ou pela técnica de medição do carbono 14, que tende a diminuir com o decorrer do tempo. De acordo com este investigador, que co-orientou o Departamento de Ciências Florestais e Arquitectura Paisagista da UTAD neste procedimento, os números dão conta de uma árvore monumental: o perímetro desta oliveira mede na sua base 10,15 metros, a altura chega aos 4,40 metros e o diâmetro de copa tem 7,60 por 8,40 metros. A longevidade e a localização da árvore permitem considerá-la um dos raros seres vivos no país contemporâneos de Viriato, estimando-se que terá “testemunhado” a resistência dos lusitanos à invasão romana. Ainda assim, em declarações ao PÚBLICO, José Luis Lousada acredita que haverá no país uma oliveira mais antiga, mas cujo dono não acedeu à certificação. No sábado, esta oliveira vai ser certificada numa cerimónia pública organizada pela Associação de Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria da Azóia, agendada para as 10h00.

in Público, 7-7-2011

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AS ÁRVORES e os LIVROS: Ovídio

Tantas azeitonas tem a árvore de Palla,
Quantos os caroços caídos sobre a encosta sombria,
Quantos os desgostos que há no Amor.

Ovídio, Arte de Amar, Livro II, verso 518

Ovídio conta que todas as árvores, na Antiguidade, eram seres humanos metamorfoseados, fosse por uma condenação em consequência de um destino infeliz, fosse pela concretização de uma colheita salvadoara. Dafne foi transformada em loureiro, as Helíadas, filhas do rei Hélios, em choupos, Filémon em azinheira, junto da sua companheira, Baucis transformada em tília, enquanto que o jovem Ciparissos, amado de Apolo, foi metamorfoseado em cipreste, a árvore do sofrimento. Apenas a oliveira, de todas as árvores, não tem genealogia patética, nem antepassado humano, visto ter saído directamente do pensamento de Atena.

FOTO: Oliveira centenária em Viana do Alentejo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Oliveira, «a primeira árvore»

Se não existisse a oliveira, eu seria a primeira das árvores, diz o freixo.

Provérbio Berbere

Foto: Oliveira centenária no Castelo de São Jorge

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

3 Oliveiras plantadas no Castelo de S. Jorge!



Imagens da plantação das três Oliveiras para comemorar os 50 Anos dos Jardins do Castelo de S. Jorge. Para além do Arq. Ribeiro Telles, da Dra. Teresa Oliveira (gestora do Castelo) e da Dra. Manuela Correia (Presidente da LAJB), muitos dos associados presentes da LAJB deram uma ajuda na plantação das jovens Oliveiras.

Agradecemos a todos que colaboraram na organização desta cerimónia, em particular à EGEAC pelo interesse e hospitalidade. Ficamos também muito gratos aos jardineiros Pedro e António que abriram as covas e nos ajudaram a preparar o solo para receber as jovens Oliveiras. Um obrigado também à Teresa Antunes (curadora do Jardim Botânico) pelos conselhos e ajuda na preparação dos locais de plantação.

Um agradecimento aos nossos amigos da Associação Lisboa Verde, especialmente ao João Pinto Soares que entusiasticamente ajudou a encher as covas como podem ver pelas fotografias!

Para o ano o Castelo de São Jorge tem mais uma data para celebrar: o Centenário da classificação como Monumento Nacional. Vamos plantar uma "Árvore do Centenário"?

sábado, 21 de novembro de 2009

50 anos dos Jardins do Castelo de S. Jorge

Estão todos convidados a participar nesta dupla celebração! Apareçam! NOTA: Na segunda-feira, dia 23 de Novembro, todos os associados da LAJB têm entrada gratuita no Castelo de S. Jorge (mediante a apresentação do cartão de associado).

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

50 anos dos Jardins do Castelo de S. Jorge

Celebração dos 50 Anos dos Jardins do Castelo de S. Jorge
Dia 23 de Novembro de 2009 às 11:00h no Castelo de S. Jorge

Uma iniciativa da Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) em parceria com a EGEAC - Castelo de São Jorge

Os jardins do Castelo de São Jorge foram desenhados em 1959 pelo Arq. Ribeiro Telles, em parceria com o Eng. Pulido Garcia (1904-1983), seguindo uma filosofia de plantação de espécies da flora portuguesa.

Para marcar os 50 anos dos jardins criados para um dos monumentos mais amados pelos lisboetas, a LAJB e a EGEAC convidaram o Arq. Ribeiro Telles para uma cerimónia de plantação de árvores.

Em respeito pela filosofia que orientou o projecto original, o Arq. Ribeiro Telles, a Gestora do Castelo de São Jorge, Dra. Teresa Oliveira, e a Presidente da LAJB, Dra. Manuela Correia, vão plantar três oliveiras no miradouro da Porta de São Lourenço. Foi escolhida a data simbólica de 23 de Novembro, Dia da Floresta Autóctone.

O Dia da Floresta Autóctone
Foi estabelecido para promover a importância da conservação das florestas naturais, apresentando-se simultaneamente como um dia mais adaptado às condições climatéricas portuguesas para se proceder à sementeira ou plantação de árvores, alternativo ao Dia Mundial da Floresta, 21 de Março, que foi criado inicialmente para os países do Norte da Europa.

Assinalaremos adequadamente o Dia da Floresta Autóctone de 2009 com a plantação das três Oliveiras no miradouro da porta de São Lourenço. Com a arborização deste sector do monumento, Lisboa ganha três árvores e o Castelo de São Jorge vê reforçada a sua rica colecção de árvores autóctones.

Os jardins do Castelo de São Jorge
Centenas de árvores, arbustos e ervas da flora nacional, naturalmente adaptadas ao clima quente e seco de Lisboa, entraram na composição dos jardins. Os espaços verdes foram pensados como enquadramento do monumento mas também para oferecer aos visitantes zonas de estar de elevado conforto ambiental.

Para além da plantação de pinheiros mansos, sobreiros, alfarrobeiras, ciprestes, loureiros e medronheiros, foram transplantadas para o Castelo oliveiras milenares que ainda hoje podem ser admiradas.

As características originais dos jardins continuam muito actuais pois respondem aos nossos desafios ambientais como as mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e a poupança da água.

O património botânico do Castelo de São Jorge constitui uma mais valia de grande valor ecológico e pedagógico para toda a cidade. Passados 50 anos sobre a criação dos jardins, faz todo o sentido que Lisboa invista num projecto global de restauro, e de actualização, da componente verde deste monumento nacional.

FOTO: detalhe de oliveira centenária no Castelo de S. Jorge

sábado, 28 de março de 2009

AS ÁRVORES E OS LIVROS: Orlando Ribeiro

«(...) o domínio mediterrâneo típico exprime-se pela área da Oliveira - isto é, de uma das árvores cultivadas de mais remota antiguidade e de mais larga difusão. Acomodando-se a todos os solos, tanto fundos e fertéis como pobres e cascalhentos, é muito sensível ao frio, à geada e à humidade do ar, à falta de chuvas primaveris e à demasiada secura, tanto como aos inconvenientes das chuvas durante a frutificação; o seu clima próprio, onde a árvore frutifica bem sem necessitar de rega, identifica-se assim com os lugares de Inverno suave, precipitações moderadas, estio seco bem marcado, extremando o Mediterrâneo das regiões húmidas, frias ou áridas com que confina e demarcando também em altitude os seus limites.» in Mediterrâneo, Ambiente e Tradição

Orlando Ribeiro (1911-1997)

FOTO: Oliveira carregada de frutos em Monsaraz