quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

«Recomendação» AML, 10 Janeiro 2012

Recomendação – Aprovada por Maioria em Reunião de Continuação da Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Lisboa realizada em 10 de Janeiro de 2012, com a seguinte votação:

Votos Favor: PSD/ PS / PCP / 6 IND/ CDS-PP / BE/ MPT /PEV
Abstenções: PPM

RECOMENDAÇÃO

Plano de Salvaguarda em defesa do Monumento nacional Jardim Botânico de Lisboa Espaço verde monumental único na Cidade, o Jardim Botânico é um dos conjuntos mais representativos do património urbano da Lisboa romântica, e agrega um notável conjunto de espécies botânicas com enorme valor científico e pedagógico.

Não obstante ter sido declarado Monumento Nacional pelo Decreto 18/2010, de 28 de Dezembro, o Jardim Botânico tem sofrido nos últimos anos um constante declínio, materializado na insuficiência da sua manutenção e dinamização, sendo aliás generalizadas as dúvidas quanto à sua sustentabilidade a prazo.

A Assembleia Municipal aprovou hoje por maioria o Plano de Pormenor do ParqueMayer, em cuja área de intervenção se engloba o Jardim Botânico de Lisboa, mas cujoconteúdo é insuficiente no que diz respeito à promoção e salvaguarda deste patrimónioímpar em Lisboa.

Nos termos do artigo 53º da Lei nº 107/2011, de 9 de Setembro – Lei de Bases doPatrimónio Cultural - o acto que decreta a classificação de um Monumento Nacional obriga o Município, em parceria com os serviços da administração central responsáveispelo património cultural, ao estabelecimento de um plano de pormenor de salvaguarda para a área a proteger, no qual se estabeleçam as orientações estratégicas de actuação necessárias à sua preservação e valorização.

A Assembleia Municipal de Lisboa reunida em Sessão Ordinária em 10 de Janeiro de 2012, delibera recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que, em cumprimento da lei e para defesa do Jardim Botânico, inicie de imediato os procedimentos necessários para a elaboração de um Plano de Salvaguarda do Jardim Botânico de Lisboa.

Lisboa, 10 de Janeiro de 2012

Pel’ Bancada Municipal do PSD
António Prôa

«Plano "tem Ilegalidades"»

Plano "tem Ilegalidades"- A Plataforma quer salvaguarda do Jardim Botânico
Não têm faltado críticas desde o início da discussão.

In Jornal Metro" 18 Janeiro

A classificação do Jardim Botânico como monumento nacional obriga a um documento de salvaguarda do seu espaço. Quem o diz são os representantes da Plataforma en Defesa do Jardim Botânico de Lisboa, que assim apontam ilegalidades no Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM), já aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa.

"Há coisas que saltam à vista e tornam o PPPM ilegal", defende a Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios. Por sua vez, a Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas diz não estar "contra a proposta" mas sim "à procura de uma melhor proposta" para o Parque Mayer e o Jardim Botânico.

CRÍTICAS

A Assembleia Municipal aprovou o plano com a abstenção do PSD, que recomendou à CML a elaboração de um documento de salvaguarda do jardim.

NOTA LAJB: a impermeabilização dos logradouros e novas construções, num total de 30 mil m2, vai ser permitida na zona normal de protecção do Jardim Botânico (50 metros). Foto: logradouro na Rua do Salitre 143-147, confinante com o Jardim Botânico, em plena Zona de Protecção.

«Grupo aponta ilegalidades no Parque Mayer»

Grupo aponta ilegalidades no Parque Mayer

In Jornal "DESTAK"18/01/2012

"Representantes da Plataforma em Defesa do Jardim Botânico, Lisboa, continuam a apontar ilegalidades no Plano de Pormenor do Parque Mayer, considerando que a clasificação do jardim como monumento nacional obriga a um documento de salvaguarda do espaço. Num debate organizado pelo Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, membros da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios e da Associação Portuguesa de de Arquitectos Paisagistas, que integram a Plataforma, discutiram o Plano de Pormenor aprovado terça-feira pela Assembleia Municipal.

Nota: O PPPM prevê construções que distam apenas 1,20 metros da cerca pombalina que delimita o Jardim Botânico, desrespeitando a Lei do Património. Também esta contemplada a impermeabilização de alguns logradouros (ex: Rua da Alegria) com a construção de caves para estacionamento "coladas" à cerca pombalina do Jardim Botânico.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Debate no Centro Nacional de Cultura: «O que se passa com o Jardim Botânico»?

O CENTRO NACIONAL DE CULTURA e a LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO convidam para mais uma edição do Jornal Falado com o tema:

“O QUE SE PASSA COM O JARDIM BOTÂNICO?”

CONVIDADOS:

Dr. Mário Soares

Prof. Cláudio Torres

Arqº Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles

Drª Ana Paula Amendoeira

Arqª Paisagista Margarida Cancela D'Abreu

Drª Luísa Schmidt

Representante da World Monuments Fund Portugal

Prof. António Sampaio da Nóvoa (a confirmar)

Dr. António Costa (a confirmar)

MODERAÇÃO: Dr. Guilherme d’Oliveira Martins

Dia 16 de Janeiro, 18h30 - ENTRADA LIVRE

CENTRO NACIONAL DE CULTURA

Largo do Picadeiro, nº 10 – 1º
(ao lado do Café No Chiado)
Tel: 213 466 722 Fax: 213 428 250
http://www.cnc.pt/

Plano de Pormenor do Parque Mayer aprovado com recomendação do PSD

O Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM) foi ontem aprovado por maioria na Assembleia Municipal de Lisboa, a par com uma recomendação do PSD. Os sociais-democratas, que se abstiveram na votação, recomendaram à câmara que desenvolva as "acções necessárias" para que "no mais curto espaço de tempo" seja elaborado um "plano de pormenor de salvaguarda do Jardim Botânico", que não está incluído neste PPPM.

A proposta de plano, aprovada na câmara em Julho, teve os votos favoráveis do Partido Socialista, do Partido Comunista Português e de seis deputados independentes. Além do PSD, também o CDS e o Partido Ecologista Os Verdes se abstiveram. O Bloco de Esquerda, o Movimento Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico votaram contra, com este último a anunciar que vai impugnar o documento.

A principal crítica apontada pelos deputados da oposição foi a inexistência de um programa de execução e de um plano de financiamento, obrigatórios por lei. A inexistência de um plano de salvaguarda do Jardim Botânico, para preservar este espaço classificado como monumento nacional, gerou a apreensão dos deputados, que aprovaram por maioria, apenas com a abstenção do PPM, a recomendação apresentada pelo PSD.

O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, sublinhou que o PPPM é um plano "atípico", para o qual não é possível definir antecipadamente os investimentos e as fontes de financiamento das obras previstas. "Estou perfeitamente descansado quanto à legalidade do plano. Se for preciso, o plano de salvaguarda para o Botânico ainda pode ser feito." in Público

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Parecer negativo da Comissão Permanente para o PDM

COMISSÃO PERMANENTE PARA O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO E ACOMPANHAMENTO DO PLANO DIRECTOR MUNICIPAL
PARECER

Proposta nº 452/2011

I.

A Comissão para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal reuniu no dia 5 de Janeiro de 2012 para deliberar a emissão de Parecer sobre a Proposta nº 452/2011, relativa ao Plano de Pormenor do Parque Mayer.

Previamente, a Comissão teve a oportunidade de ouvir sobre esta matéria o Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e o Senhor Vereador Manuel Salgado, em reuniões realizadas nos dias 21 de Novembro e 14 de Dezembro de 2011.

II.

Introdutoriamente, a Comissão notou que esta Proposta dá continuidade à metodologia que vem sendo seguida pela Câmara Municipal, qual seja, a da elaboração e aprovação de Planos de Pormenor e de Planos de Urbanização num momento em que está em fase de conclusão a revisão do PDM.

Além de considerar que os esforços da Assembleia Municipal e das suas Comissões se deveriam centrar na análise da revisão do PDM, a Comissão entende que esta metodologia contribui para uma indesejável indefinição normativa, já que os conceitos e parâmetros utilizados na elaboração da Proposta são os inseridos numa mera proposta de PDM, e que essa indefinição resultará seriamente agravada caso a proposta de PDM não venha a ser aprovada pela Assembleia Municipal.

III.

Já quanto ao procedimento da sua elaboração e ao seu conteúdo, o Plano em apreciação suscitou na Comissão, desde logo, um conjunto de reflexões sobre os seguintes aspectos:

- a relevância atribuída à classificação do Jardim Botânico como Monumento Nacional na elaboração do Plano e no seu conteúdo;

- a inexistência na Proposta de conteúdos documentais legalmente obrigatórios;

- a inexistência na Proposta dos conteúdos exigidos pela Proposta nº 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011.

Quanto ao primeiro destes aspectos, a Comissão assinalou que o Jardim Botânico se encontra classificado como Monumento Nacional desde finais de 2010, por efeito do Decreto nº 18/2010, de 28 de Dezembro.

Não obstante, constata-se a existência na Proposta de várias incongruências no reconhecimento dessa classificação.

Veja-se, como mero exemplo, que o Regulamento do Plano, no seu artigo 7º, identifica o Jardim com o acrónimo “MN” (o que se entende, embora o Regulamento não o explicite, como referente a “Monumento Nacional”), mas já o Relatório do Plano, a Planta de Condicionantes I e o Relatório Ambiental o qualificam como estando “em vias de classificação”.

Embora se possa entender que a classificação do Jardim na pendência da elaboração do Plano possa causar tais erros, a Comissão entende que os mesmos deveriam ter sido expurgados previamente à aprovação da Proposta pela Câmara e à sua remessa à Assembleia Municipal.

No entender da Comissão, não é admissível que se coloque à deliberação da Assembleia Municipal um documento desta natureza em que um Monumento declarado como Nacional surge qualificado como estando meramente em vias de ser classificado.

Também o facto de à data da classificação do Jardim Botânico se encontrarem aprovados os Termos de Referência não legitima que o estatuto de Monumento Nacional, atenta a sua importância, possa ser desconsiderado.

Além disso, o estatuto de Monumento Nacional do Jardim não parece, e a vários níveis, ter sido adequadamente tido em conta na Proposta.

Dessa classificação decorre um importante conjunto de consequências, previstas na Lei de Bases do Património Cultural (a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro) e detalhadas no Decreto – Lei nº 309/2009, de 23 de Outubro.

Destes diplomas resulta, desde logo, que os Monumentos Nacionais beneficiam automaticamente, e por mero efeito da lei, de uma zona geral de protecção, abrangendo uma faixa de 50 metros contados a partir dos seus limites externos.

Além disso, devem beneficiar também de uma zona especial de protecção. Esta deve ser fixada por Portaria mediante a iniciativa do órgão competente da Administração Central.

Esta zona terá a amplitude adequada à protecção e valorização do bem classificado, podendo inclusive determinar importantes condicionantes urbanísticas, como sejam, por exemplo, zonas non aedificandi e áreas declaradas como de sensibilidade arqueológica, com a consequente aplicabilidade das normas mais exigentes do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, aprovado pelo Decreto – Lei nº 270/99, de 15 de Julho.

Tanto quanto é do conhecimento da Comissão – e consta aliás da informação disponibilizada na Internet pelo IGESPAR - a Administração Central tarda em definir essa zona especial de protecção, sendo certo que dispõe para o efeito do prazo de 18 meses contados da classificação do Jardim Botânico, ou seja, até ao mês de Agosto do ano em curso.

A articulação dessa zona especial de protecção com o Plano agora proposto suscitou aliás à Comissão algumas dúvidas, nomeadamente quanto à possibilidade efectiva de aquela zona de protecção, caso venha a ser definida, poder impor de forma eficaz restrições ou condicionantes mais exigentes que as decorrentes de um Plano anteriormente aprovado.

Ainda no que diz respeito ao estatuto de Monumento Nacional do Jardim Botânico, a Comissão teve presente que, nos termos do artigo 53º da referida Lei de Bases, “O acto que decrete a classificação de monumentos (…) obriga o município, em parceria com os serviços da administração central (…), ao estabelecimento de um plano de pormenor de salvaguarda para a área a proteger”.

Este tipo de Planos – consequência obrigatória da classificação como Monumento Nacional – tem um objectivo específico: a definição de estratégias e de regras orientadas para a preservação e valorização do património cultural existente na sua área de intervenção, desenvolvendo os efeitos decorrentes das zonas de protecção.

Ora é por demais evidente que o Plano em apreciação não reveste essa natureza, mas sim a de um mero Plano de Pormenor.

Na verdade, e desde logo, o seu conteúdo material não se adequa aos objectivos acima referidos, nem dá cumprimento aos múltiplos requisitos previstos para os Planos de Pormenor de Salvaguarda no artigo 66º do Decreto – Lei nº 309/2009.

A Comissão verificou, de modo particular, a ausência dos seguintes conteúdos, obrigatórios num Plano de Salvaguarda:

- regras de edificação, incluindo o cromatismo e os revestimentos exteriores dos edifícios;

- regras específicas para a protecção do património arqueológico, nomeadamente as relativas a medidas de carácter preventivo para sua salvaguarda;

- regras a que devem obedecer as obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição;

- avaliação da capacidade resistente dos elementos estruturais dos edifícios, nomeadamente no que diz respeito ao risco sísmico;

- regras de publicidade exterior e de sinalética.
Além disso, a elaboração de um Plano de Pormenor de Salvaguarda tem, nos termos da lei, uma tramitação própria, já que obriga, para a sua elaboração, a uma parceria formal entre a Câmara Municipal, o IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura.

Ora tal tramitação, com a inerente intervenção reforçada de organismos com particulares atribuições e responsabilidades nas áreas da preservação do património, não foi seguida no caso desta Proposta.

Em síntese, a Comissão regista como aspectos negativos da Proposta a preterição pela Câmara Municipal da elaboração - porém obrigatória - de um Plano de Salvaguarda, a inexistência na Proposta de um conjunto de normas entendidas pela lei como relevantes para a preservação de um Monumento Nacional, bem como a ausência, no seu processo de elaboração, da intervenção reforçada do IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura

Quanto ao segundo aspecto, a Comissão constatou que a Proposta de Plano não contém qualquer Programa de Execução, nem tão pouco o respectivo Plano de Financiamento.

Ora tais documentos são legalmente obrigatórios, como decorre da alínea d) do nº 2 do artigo 92º do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).

No entender da Comissão – e indo além da questão fundamental da sua obrigatoriedade legal - estes documentos são materialmente essenciais a qualquer Plano.

De facto, neles se definem as modalidades e sequência concretas da execução das acções previstas, e se enuncia e demonstra a sua exequibilidade financeira.

Trata-se, em suma, de definir o “como” e o “quando” da execução do Plano, aspecto particularmente importante, nomeadamente no actual contexto económico do País.

Acresce que, no caso concreto, estes elementos, a existirem, revestir-se-iam de uma importância muito particular, uma vez que a indefinição relativamente a posse dos edifícios do Parque Mayer - dependente do desfecho da acção popular ainda pendente para declaração de invalidade da permuta com a Bragapaques – exigiria um especial cuidado na demonstração da viabilidade económico-financeira do Plano nos vários cenários possíveis e no faseamento das intervenções.

Deste modo, e em síntese, a Comissão constatou a inexistência na Proposta de conteúdos legalmente obrigatórios, e sublinha a particular importância de que os elementos em falta se revestem para a sua apreciação, dados o contexto económico-financeiro do País e as incertezas existentes quanto à titularidade de uma parte muito importante das existências.

Finalmente, no que diz respeito ao terceiro aspecto considerado pela Comissão, a Comissão registou que a Proposta de Plano não dá cumprimento ao regime da Proposta 617/2010, aprovada pela Câmara Municipal em 5 de Janeiro de 2011, evidenciando-se a ausência dos vários conteúdos ali previstos, com ênfase para a inexistência de quaisquer normas relativas uma percentagem de fogos para habitação a uso acessível.

IV.

Os aspectos materiais da Proposta foram, também, objecto de reflexão por parte da Comissão.

A primeira nota nesta matéria prende-se com o facto de, no ver da Comissão, a Proposta consubstanciar um esforço por parte da Câmara Municipal de Lisboa de intervenção e regulação urbanística em duas zonas particularmente atingidas por uma dinâmica negativa e de abandono, como são o Jardim Botânico e o Parque Mayer.

Na verdade, é convicção da Comissão ser incontestável que o Jardim Botânico representa para Lisboa um valor ímpar, tanto do ponto de vista científico, como do cultural, do ambiental e do turístico.

Também o Parque Mayer faz indelevelmente parte da memória da Cidade, tendo sido, durante largos anos, o centro da actividade teatral na capital.

No entanto, regista-se que a Proposta não considera adequadamente o valor e a herança histórica inerente a estas realidades.

Neste ponto, a Comissão regista como positiva a prevista manutenção dos conjuntos edificados correspondentes aos Teatros Capitólio e Variedades, mas lamenta a demolição do ABC, e sobretudo a do Maria Vitória, pelo que representam de perda patrimonial, cultural e histórica.

Negativa também, é a indefinição que decorre da Proposta quanto à existência de um terceiro espaço de vocação cultural, vocacionado para a preservação e dinamização da memória histórica do local, apta a dotá-lo de um forte e inequívoco esteio cultural.

Quanto ao Jardim Botânico, entende a Comissão que o mesmo deveria ser afirmado como a peça central da intervenção, e, como tal, como condicionante principal das soluções urbanísticas propostas.

No entanto, alguns aspectos vertidos na Proposta suscitam dúvidas quanto à adopção desta prioridade.

A Comissão, sem prejuízo de outras, elenca os seguintes:

- o afastamento dos muros de suporte do Jardim Botânico, commumente referidos como Cerca Pombalina, relativamente às construções previstas;

- as fundadas dívidas quanto aos impactos da solução urbanística proposta no funcionamento do sistema natural do Jardim Botânico e nas dinâmicas hidrogeológica e meteorológica do local e da sua envolvente, e

- a inexistência de contributos do Plano de Pormenor proposto para a procura de um modelo viável de sustentabilidade para o Jardim Botânico.

Quanto ao primeiro aspecto, a leitura das peças desenhadas permite concluir que o Plano prevê e autoriza construção encostada à Cerca Pombalina, sendo a distância entre ambas de pouco mais de 1 metro.

Esta opção suscita à Comissão várias críticas.

Na verdade, não parece razoável autorizar-se qualquer construção a tão curta distância da Cerca Pombalina, já que esta - enquanto elemento estrutural de contenção e suporte - faz parte do Jardim Botânico, sendo por isso parte integrante do Monumento Nacional.
Além disso, esta solução, além de impedir a fruição pública daquela estrutura arquitectónica, suscita as maiores reservas quanto a possibilidade de, se necessárias, serem levadas a cabo intervenções de manutenção ou reparação num elemento estrutural da maior importância.

Além disso, considerando a presença nas zonas contíguas do Jardim Botânico de árvores de grande porte, afigura-se plausível que as obras de construção em subsolo afectem de forma grave os seus sistemas radiculares, problema que a proposta não equaciona adequadamente e para o qual não prevê quaisquer soluções.

No que diz respeito aos impactos da solução urbanística preconizada no funcionamento do sistema natural do Jardim e da sua envolvente, a Comissão registou as críticas formuladas por várias entidades e pessoas com reconhecidas competências na área, como sejam a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, ou o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

As críticas centram-se fundamentalmente nas alterações que a construção prevista acarretará na circulação das massas de ar e na dinâmica hidrogeológica das zona, temendo-se que as mesmas possam trazer desequilíbrios no ecosistema do Jardim, mas também fenómenos de cheias e abatimento de pavimentos nas zonas adjacentes de cota inferior.

Quanto ao terceiro e último aspecto, a Comissão notou, nomeadamente em face dos esclarecimentos prestados pelo Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, que o actual modelo de gestão e financiamento do Jardim Botânico não assegura a sua sustentabilidade.

A Comissão relevou também o entendimento do Senhor Reitor de que a definição de regras urbanísticas na zona em causa poderia trazer à revitalização do Jardim Botânico.

Não obstante, a Comissão considera que a proposta de um Plano de Pormenor para a zona poderia representar uma oportunidade de excepção para que o Município assumisse um papel liderante na procura de soluções que pudessem contribuir para a viabilidade económico-financeira do Jardim.

No entanto, constata-se que a Proposta é, no essencial, omissa nesta matéria, não apresentado quaisquer soluções concretas susceptíveis de contribuir para a sua sustentabilidade.

V.

A Comissão sugere que as reflexões evidenciadas neste Parecer – digam elas respeito aos méritos da Proposta, ou aos aspectos em que a mesma é susceptível de crítica ou aperfeiçoamento – sejam objecto de amplo debate pelo Plenário da Assembleia Municipal

Na sequência e sem prejuízo do acima exposto, é parecer da Comissão Permanente para o Planeamento Estratégico e Acompanhamento do Plano Director Municipal que a Proposta nº 452/2011 se encontra em condições de ser apreciada no Plenário da Assembleia Municipal de Lisboa.

O presente Parecer foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, do PCP, do CDS, do PPM e do Deputado Independente Filipe Lopes, e com a abstenção do PS.

Estiveram ausentes da reunião os representantes do BE, MPT e PEV.
Os Grupos Municipais presentes reservaram para o debate em Plenário a definição do seu sentido de voto.

Lisboa, 5 de Janeiro de 2012

O Presidente da Comissão

João Serra

Plataforma de Cidadãos apela ao chumbo do Plano de Pormenor do Parque Mayer

PLATAFORMA DE CIDADÃOS APELA AO CHUMBO DO PLANO DE PORMENOR DO PARQUE MAYER

Plano prevê mais de 30 mil metros quadrados de construção nova, o que é contestado pelas associações

Organizações que integram movimento em defesa do Jardim Botânico dizem que a proposta viola a Lei do Património e exigem uma "real revisão" do planoA Plataforma Em Defesa da Missão do Jardim Botânico de Lisboa, que inclui 15 organizações, faz hoje um último apelo aos deputados da Assembleia Municipal para não aprovarem o Plano de Pormenor do Parque Mayer, que vai ser votado esta tarde. Num comunicado que vai enviar aos membros da assembleia, a plataforma critica o plano por ser "excessivo na construção nova" e "insuficiente na salvaguarda do Jardim Botânico", e exige que o documento seja refeito.

"O plano não cumpre a Lei do Património, que exige a criação de uma zona especial de protecção com 50 metros. As construções previstas distam apenas 1,2 metros da cerca do jardim", aponta Manuela Correia, presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, membro da plataforma.

O Plano de Pormenor para o Parque Mayer foi aprovado pela Câmara de Lisboa a 20 de Julho, com os votos favoráveis do PS e do PCP e a abstenção do CDS e do PSD. A votação na Assembleia Municipal tem vindo a ser adiada desde então por falta dos pareceres das comissões especializadas, entretanto concluídos.

O parecer da comissão de cultura é favorável e considera o plano "essencial" para a recuperação do Parque Mayer, do Jardim Botânico e da área envolvente. O documento elogia a intenção "notória" de criar equipamentos culturais naquele espaço e a preocupação com a recuperação dos logradouros.

Oposição mantém reservas

Por sua vez, a comissão de acompanhamento do Plano Director Municipal (PDM) aponta "várias incongruências" no reconhecimento do Jardim Botânico como Monumento Nacional e critica, entre outras falhas, a ausência de um plano de pormenor de salvaguarda, previsto na legislação. No parecer, a comissão critica também a inexistência de "soluções concretas" que garantam a sustentabilidade do Jardim Botânico. A falta de um programa de execução e de um plano de financiamento, obrigatórios por lei, é outro problema identificado.

E essa é também a principal crítica feita pelo PSD, que mantém reservas em relação à proposta. Embora considere que "as dúvidas e impasses" sobre o Parque Mayer se arrastam "há demasiado tempo", o deputado social-democrata António Prôa garante: "Não aprovaremos um plano ilegal."Também o vereador do CDS António Carlos Monteiro tem "dúvidas" em relação à solução encontrada para aquela zona. O partido absteve-se, tal como o PSD, de votar o documento na reunião de câmara, por entender que as infra-estruturas previstas para o Parque Mayer "não foram devidamente enquadradas nas exigências do PDM", nomeadamente em relação ao estacionamento necessário. Apesar de terem sido introduzidas "melhorias" no plano, as dúvidas mantêm-se, diz o vereador. As "modificações pontuais" ao plano e a realização de um estudo hidrogeológico são "insuficientes para fazer dele um bom plano de pormenor", considera a plataforma, que inclui a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas. Em Novembro, esta associação criticou o que considera ser a "privatização parcial" do recinto do Parque Mayer, uma posição subscrita pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Numa nota enviada à comunicação social, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, contrapôs que aquele espaço é do domínio privado municipal e que a proposta não faz referência ao estatuto da propriedade, nem define áreas para habitação.

Jornal PÚBLICO - Marisa Soares, 10 de Janeiro de 2012

Comunicado de Imprensa: Jardim Botânico na AML

Exmas/os Senhoras e Senhores Deputadas e Deputados da AML

Queremos alertar para a ameaça que paira sobre o Jardim Botânico e por consequência sobre o futuro da cidade e de todos nós, se este PPPM, na sua versão actual, for aprovado.

- Esta ameaça, foi claramente expressa por mais de cinco mil cidadãos que assinaram a Petição "Em defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente".

- Esta ameaça é expressa por 15 (quinze) Organizações de âmbito local, nacional e internacional que pedem a suspensão imediata deste Plano de Pormenor:

LAJB - Liga dos Amigos do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.
QUERCUS-Lisboa
APAP - Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas
AAP - Associação dos Arqueólogos Portugueses
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
APSJH - Associação Portuguesa dos Sítios e Jardins Históricos
ICOMOS - Portugal
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
OPRURB - Associação de Ofícios do Património e Reabilitação Urbana
GECoRPA - Grémio do Património
Fórum Cidadania Lisboa
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
Cidadãos pelo Capitólio

- Esta ameaça foi reconhecida internacionalmente pela inclusão do Jardim Botânico no Observatório do Fundo Mundial de Monumentos (WATCH 2012 da World Monuments Fund) - Das mais de 500 candidaturas para este Observatório, apenas 67 foram seleccionadas, incluindo o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.

Isto significa que aquela Organização vê como uma séria ameaça para o Jardim Botânico, a eventual aprovação e execução deste PPPM, já aprovado na CML, e que a actual situação de degradação, desleixo e abandono a que chegou o Jardim Botânico, classificado como Monumento Nacional, o colocam em risco grave.

As modificações pontuais efectuadas no Plano e a realização de um estudo hidrogeológico de carácter geral, na área do Jardim Botânico, são insuficientes para fazer dele um bom Plano de Pormenor, daí mantermos as nossas críticas ao mesmo:

1 - O PPPM é excessivo na construção nova - Propõe e incentiva a uma crescente impermeabilização dos logradouros - mais de 30 mil m2 de construção, levando a um "sufoco" da zona de protecção do Jardim;

2 - O PPPM "estrafega" o Jardim com um anel de betão da altura da cerca do Jardim. A eventual mais-valia dos novos arruamentos, com as suas áreas terciárias, não compensam a maior impermeabilização e edificação, trazendo um ganho marginal a esta zona da cidade. Especialmente quando estas novas edificações propostas são paredes meias com o Jardim Botânico, criando uma pressão inaceitável;

3 - O PPPM não respeita a protecção associada a um monumento classificado como Monumento Nacional, como é o caso do Jardim Botânico (50 metros), nem tem em consideração o estudo de uma ZEP - Zona Especial de Protecção como está consignado na Lei do Património. As novas construções distam 1,2metros da cerca do Jardim; esta privatização da paisagem envolvente é indefensável;

4 - O PPPM não prevê a recuperação da cerca pombalina e aproveitamento das suas potencialidades visuais, para usufruto de todos os cidadãos;

5 - O PPPM, não apresenta estudos completos e fidedignos para o todo da área do Plano, nomeadamente o impacte no sistema de vistas e na circulação do ar, prevendo-se que o actual Plano, devido ao aumento do edificado, aumente o calor sobre o Jardim Botânico e empobreça a drenagem atmosférica (impacte no efeito das brisas de vertente);

6 - O PPPM é insuficiente na salvaguarda do Jardim Botânico. Não está garantida de modo satisfatório a permeabilidade com a envolvente nem a manutenção do sistema ecológico e ambiental. Não garante a salvaguarda do património vivo - sendo disso exemplo a abertura de fundações encostadas à cerca, o que levará ao corte do sistema radicular, com impacte na copa correspondente e perda de ancoragem, o que conduzirá à morte de árvores. Esta abertura de fundações levará também à alteração do regime hídrico, secando a água superficial;

7 - O PPPM é deficiente quanto à salvaguarda do Plano de Execução, não prevendo a criação de um Fundo de Recuperação. O Plano de Financiamento é pois inexistente, devendo ser desenvolvido o sistema de execução e métodos perequativos que distribuam as mais-valias propiciadas por este Plano;

8 - Defendemos uma verdadeira expansão territorial do Jardim Botânico que este PPPM não prevê, com a criação de colecções da flora autóctone, inexistentes actualmente no Jardim Botânico, permitindo uma mais fácil comunicação com o Parque Mayer e a Avenida da Liberdade. À artificialidade da "cobertura verde" (continuum visual) contrapomos um continuum ecológico e funcional.

Assim apelamos às Senhoras e Senhores Deputadas/os, para a não aprovação deste PPPM, exigindo a sua imediata suspensão propondo antes uma real revisão do mesmo com a inclusão de um Plano de Salvaguarda para o Jardim Botânico, como vem consignado no artº 53 da Lei do Património Cultural ( Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro).

Em conclusão:
Propõe-se a suspensão da aprovação do PP do PMayer e a elaboração imediata de novos Termos de Referencia para um Plano de Pormenor de Salvaguarda.

Acreditamos que Vossas Exªs enquanto legítimos representantes dos cidadãos estão conscientes da gravidade do problema e que agirão em consonância, a bem do Jardim Botânico, da cidade de Lisboa e de Portugal.

Lisboa, 10 de janeiro, 2012

A PLATAFORMA "EM DEFESA DA MISSÃO DO JARDIM BOTÂNICO"

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As Árvores e os Livros: António Ramos Rosa

O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,

calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes. ...

Sequências de convergências e divergências,

ordem e dispersões, transparência de estruturas,

pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.


Geometria que respira errante e ritmada,

varandas verdes, direcções de primavera,

ramos em que se regressa ao espaço azul,

curvas vagarosas, pulsações de uma ordem

composta pelo vento em sinuosas palmas.


Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.

Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.

Sou uma pequena folha na felicidade do ar.

Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.

É aqui, é aqui que se renova a luz.


António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

(Nascido em Faro, a 17 de Outubro de 1924)

Foto: Ficus superba japonica

CÂMARA ORDENA REMOÇÃO DE RECLAMO ILEGAL

CÂMARA ORDENA REMOÇÃO DE RECLAMO ILEGAL

In "Público", 30 de Dezembro de 2011, por José António Cerejo

A Câmara de Lisboa ordenou a remoção do reclamo montado há dois anos em cima do Hotel Vintage, na zona de protecção do Jardim Botânico, em violação do projecto aprovado. Simultaneamente foi aberto um inquérito disciplinar aos fiscais camarários que, em Agosto, assinaram uma informação onde afirmam que o dispositivo respeita o projecto.

De acordo com o porta-voz do vereador Sá Fernandes, João Camolas, a decisão foi tomada há dias, na sequência de uma averiguação aberta após a divulgação pelo PÚBLICO, no fim do mês passado, das condições em que o reclamo foi instalado ao alto da Rua do Salitre. Segundo a mesma fonte, foi também determinada a instauração de um processo de contra-ordenação contra a SYcamore, a empresa proprietária do hotel, por desrespeito da licença.

O projecto aprovado pelo município em Novembro de 2010, apesar de o Igespar o ter chumbado, previa um reclamo bastante mais pequeno e não rotativo. Aquele que lá está, porém, é um outro, rotativo e com 3,5 metros de altura, que tinha sido montado ilegalmente um ano antes.

A Sycamore, do grupo Carlos Saraiva, tem como vice-presidente Margarida Magalhães, que foi vereadora do Urbanismo quando João Soares era presidente da câmara.

Nota LAJB: este reclamo ilegal foi instalado no início de 2010 - ou seja, um ano na mais pura ilegalidade apesar das sucessivas denúncias feitas por nós à CML. Vamos lá ver se é mesmo desta que a legalidade é reposta e a Zona de Protecção do Jardim Botânico é respeitada.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico deseja um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.

Com os melhores cumprimentos,

Manuela Correia

LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO

Rua da Escola Politécnica, 58

1250-102 Lisboa Tel./Fax: 21 392 18 28




O JARDIM BOTÂNICO está no 2012 WORLD MONUMENTS WATCH

«Sobreiro já é a Árvore Nacional»

A partir desta quinta-feira, o sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal, depois de um projecto de resolução aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República e de uma petição pública com 2291 assinaturas. A petição para consagrar o sobreiro (Quercus suber) como um dos símbolos do país foi lançada em Outubro de 2010 pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza. Hoje, passado pouco mais de um ano, o sobreiro conquistou o hemiciclo. “A partir de agora, abater um sobreiro não será apenas abater uma árvore protegida, mas sim, um símbolo nacional”, disse ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Freitas, relator do projecto. “O consenso total na Assembleia da República foi muito importante”, acrescentou. O sobreiro é espécie protegida pela legislação portuguesa desde 2001. Mas essa protecção não foi suficiente para travar a regressão da árvore em território português, motivada por “práticas erradas, nomeadamente de mobilização de solo que danificam as raízes, e doenças ou a combinação das duas situações”, salientou Miguel Rodrigues, da associação Árvores de Portugal. Além disso, “a lei que protege o sobreiro está constantemente a criar situações de excepção para empreendimentos que permitem o abate de árvores”.

Miguel Rodrigues adianta que, depois da criação de um logótipo simbólico, será estudada a criação de uma “plataforma de trabalho que abranja tudo o que tem a ver com o sobreiro, desde associações a câmaras, universidades, indústrias e Estado. Actualmente não há integração de conhecimentos para suprir as necessidades”. O sobreiro, árvore mediterrânica com mais de 60 milhões de anos, ocupa uma área de cerca de 737.000 hectares dos mais de 3,45 milhões de hectares de floresta em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional, de 2006. Hoje é responsável por 10% das exportações nacionais. “De momento, a cortiça é um dos produtos mais importantes da economia nacional”, salientou o deputado Miguel Freitas.

Mas a sua importância não se esgota na cortiça. “Esta árvore representa o montado, um dos ecossistemas mais importantes da Europa e as espécies ameaçadas que dele dependem”, acrescentou. in Público, 22.12.2011 Helena Geraldes

domingo, 18 de dezembro de 2011

Concerto na Igreja do Menino Deus: 20 Dez 21H - MAGNIFICAT

Programa para o concerto de 20 de Dezembro de 2011 às 21h:

Eurico Carrapatoso: “Magnificat em Talha Dourada”

Grupo Vocal e Instrumental Olisipo
Angélica Neto - Soprano
Grupo Vocal Olisipo
Elsa Cortez e Mónica Monteiro – Sopranos
Maria Luísa Tavares e Susana Moody – Contraltos
Sérgio Peixoto e João Sebastião – Tenores
Armando Possante e Hugo Oliveira – Baixos
Grupo Instrumental Olisipo
Tiago Neto - Violino I
Ana Margarida Sanmarful - Violino II
Teresa Fernandes – Viola
Teresa Rombo – Violoncelo
Marta Vicente - Contrabaixo
António Carrilho - Flauta I
Sofia Norton - Flauta II
Jenny Silvestre – Cravo

IGREJA DO MENINO DEUS - Largo do Menino Deus

APOIO: Patriarcado de Lisboa, Congregação de São José de Cluny, Teatro Nacional de São Carlos, URBANOS – Division of Fine Arts, Solar do Castelo/Hotéis Heritage Lisboa, Palácio Belmonte

ENTRADA LIVRE

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon"

Petição "Lisboa e o país precisam do Cinema Odéon", em boa hora lançada por um conjunto de personalidades a quem não é indiferente a alteração profunda e irreversível deste magnífico edifício infelizmente bastante desprezado pela CML. No entanto é uma verdadeira jóia da cidade, mas que permanece abandonada desde os anos 90 e se mantém desconhecida, e esquecida, da maior parte das pessoas. A petição está disponível para subscrição no sítio:


Por favor, subscreva-a e divulgue-a pelo maior número possível de amigos de Lisboa e do seu património. Obrigado.

O Nosso Bairro: CINEMA ODÉON

Figuras públicas assinam petição em defesa do património da cidade

Carrilho e Jorge Silva Melo assinam petição para salvar Cinema Odeon

Por Ana Henriques in Público

O ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho é um dos signatários de uma petição destinada a impedir a transformação do Cinema Odeon, em Lisboa, num recinto comercial. A câmara emitiu recentemente um parecer prévio favorável sobre o projecto, que prevê a manutenção da fachada e de alguns elementos interiores considerados mais marcantes, como o tecto de madeira e o frontão do palco. No caso dos emblemáticos varandins metálicos rendilhados do edifício, a solução encontrada pela família proprietária do cinema passa pela construção de réplicas. A ideia é que no recinto funcionem várias lojas viradas para a cultura, como uma livraria de primeiras edições e uma loja de discos especializada em música contemporânea. Os planos aprovados pela câmara contemplam também uma sala de exposições, uma leiloeira de arte, uma enoteca e uma loja gourmet, além de um parque de estacionamento subterrâneo. Os signatários da petição, que reúne nomes como Raquel Henriques da Silva, Jorge Silva Melo e o arquitecto José Manuel Fernandes, instam o Governo e a autarquia a encontrarem "uma solução para o Cinema Odeon que dignifique a cidade, o país e o património", em vez de aceitarem a transformação do recinto "em centro comercial e estacionamento". Se não for possível a manutenção do cinema, ao menos que não se destrua o miolo do edifício, pede-se na petição pública.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Caderno dos Amigos do Botânico

O «Caderno dos Amigos do Jardim Botânico» é um óptimo presente de Natal!

Produção: Serrote para a Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Impressão: tipografiaTiragem: 1000 exemplares numerados
Dimensões: 12 por 7 cm
Papel: reciclado (liso)
Preço: 4 euros

Não percam a oportunidade de adquirir um ou mais exemplares, pois a edição é limitada. As receitas da venda deste caderno de notas serão investidas em melhoramentos no jardim. Ofereça um presente de Natal que, para além de ser um objecto especial, ajuda o Jardim Botânico! Nas próximas 2ª feiras de Dezembro poderá dirigir-se à sede da LAJB, onde teremos muito gosto em recebê-lo(a). Também é possível enviar à cobrança. Se está interessado em comprar, ou vender, escreva para amigosdobotanico@gmail.com

Graças à colaboração de alguns espaços comerciais, o nosso Caderno também se encontra para venda nos seguintes locais em Lisboa:

Zeppelin - Rua da Rosa 40 (Bairro Alto)
Loja de História Natural - Rua do Monte Olivete, 40 (Princípe Real)
Livraria Carpe Diem - Rua de O Século, 79
Tsuru - Rua da Esperança 24 (Madragoa)

Temperamento -Rua da Madalena 182B

sábado, 10 de dezembro de 2011

JARDIM BOTÂNICO: «protejamos o nosso jardim!»

Sabia que o paraíso cabe entre o Príncipe Real e a Avenida da Liberdade? Um Éden de 4,2 hectares com uma vegetação luxuriante, com 1493 espécies e a primeira estufa de criação de borboletas da fauna ibérica? Um refúgio na cidade, um transformador de CO2, um espaço idílico para piqueniques, leituras demoradas e sestas deliciosas? e se lhe disséssemos que o nosso Jardim Botânico foi seleccionado para a World Monuments Watch, uma organização dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo? Um aplauso! Protejamos o nosso jardim.


in Guia CONVIDA, Bairro Alto & Príncipe Real, Nov. 2011 - Maio 2012, pág. 25

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Nosso Bairro: «Príncipe Real Live»

Revitalizar a cidade. Príncipe Real Live anima noites lisboetas

Esta é já a 6.ª edição deste evento que promete criar o conceito de bairro “cool” em época natalícia

Desde a Praça do Príncipe Real, passando pela Rua da Escola Politécnica, até à Rua D. Pedro V, animação não irá faltar na cidade de Lisboa. Nos dias 8, 9 e 10 de Dezembro cerca de 30 lojistas irão ter as portas abertas até às 23 horas, ao mesmo tempo que estarão a decorrer diversas iniciativas de cariz cultural. Esta iniciativa tem como principal objectivo dinamizar a zona, promovendo-a como o melhor bairro para passear, fazer compras e viver.Nas ruas estará montada a iluminação nos troncos das árvores do Jardim na Praça do Príncipe Real, onde também será colocada uma árvore de Natal de grandes dimensões, que pretende ser um sinal de esperança, esculpida pelo artista plástico Alexandre Bobone. Para celebrar esta época – conotada tradicionalmente com família, partilha e união – será realizada uma angariação de peças de vestuário para bebés e de bens de primeira necessidade, como produtos alimentares para a associação sem fins lucrativos RISO (Rede Integrada de Solidariedade Social), que apoia a população da freguesia de Mercês.

Nas principais lojas e galerias destas ruas, irão decorrer exposições de arte, pintura, jóias, música ao vivo e momentos de degustação. Por exemplo, na loja Same Same Silver, na Rua da Escola do Politécnica, estará patente a exposição fotográfica “Caxemira – vida tecida” acompanhada de Masala Chai (chá de especiarias). No Orpheu Caffé, na Praça do Príncipe Real, irão decorrer diversas exposições de arte, enquanto que no espaço Munete – Interiores, Lda. será inaugurada a loja de mobiliário e objectos vintage de nome Sótão, com um serviço de cocktail e música jazz, no dia 8, às 19 horas.

Esta acção surgiu em 2008 com o evento “D. Pedro V está vivo”, realizado na Rua D. Pedro V, tendo sido uma ideia de Marcela Brunken, dona do Fabrico Infinito. A Eastbanc (promotora do evento actual), estendeu esta criação até à Rua da Escola Politécnica e criou então o conceito “Príncipe Real Live”.

A iniciativa decorre duas vezes por ano e, nesta edição em específico, a organização pretende voltar às raízes dos habitantes de Lisboa, recordando o Natal de épocas passadas, quando as compras eram feitas em comércio de rua e quando ainda mal se ouvia falar de centros comerciais.

Nestes dias, os visitantes poderão participar em actividades nos mais variados tipos de negócio, desde lojas de moda, design, livrarias, joalharias, lojas de decoração, floristas, garrafeiras, chocolatarias, casas de gelados, antiquários, uma casa de chá francesa e uma farmácia.
(in jornal «i»).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Concerto: Igreja do Menino Deus 10 Dez 21h

Concerto no âmbito das Comemorações dos 300 ANOS da IGREJA do MENINO DEUS, dia 10 de Dezembro, sábado, às 21H:

«Pérolas da Música Antiga»

G.PhTelemann

Sonata em Ré menor, de Essercizii Musici nº 4/7, TWV 41: d4

Affettuoso/Presto/ Grave/ Allegro

J. S. Bach

Suite em Som Maior, BWV 1007 (violoncelo solo)

Prélude/ Allemande/ Courante/ Sarabande/ Menuet I & II/ Gigue

G. F. Händel

Sonata em Dó Maior , Op. 1, No. 7, HWV 365
Larghetto/Allegro/Larghetto/A Tempo di Gavotta/ Allegro

C.P.E. Bach

Sonata em lá menor, Wq 132 (flauta solo)
Adagio/ Allegro/ Allegro Assai

J. J. Quantz

Sonata em Ré Maior, QV 1:47
Cantabile ma com affetto/ Allegretto di molto, ma fiero/ Vivace

OS MÚSICOS DO TEJO
António Carrilho – flauta de bisel
Paulo Gaio Lima – violoncelo
Marcos Magalhães – órgão

Concerto de entrada livre.

IGREJA DO MENINO DEUS - LARGO DO MENINO DEUS – LISBOA

Transportes: eléctricos 12 (Praça da Figueira), 28 e autocarro 737 (Praça da Figueira-Castelo)

APOIO: Patriarcado de Lisboa, Congregação de São José de Cluny, Teatro Nacional de São Carlos, Palácio Belmonte, URBANOS - Division of Fine Arts

Quando um homem cria paraísos devemos chamar-lhe "jardineiro de Deus"

Gulbenkian e Centro Nacional de Cultura celebraram ontem o paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Colegas do ensino e da política, alunos e amigos quiseram honrar o mestre e, sobretudo, o homemGonçalo Ribeiro Telles falou no fim, como compete ao homenageado. Com o auditório 2 da Gulbenkian cheio, com muitas pessoas de pé, o arquitecto paisagista a quem muitos chamam "mestre" admitiu o desconforto: "Nunca estive tão envergonhado para falar." Deram-lhe a palavra depois de um dia de testemunhos de alunos, discípulos, amigos e companheiros de vida política, uns monárquicos, como ele, outros não. "Conhecemo-nos no combate à ditadura e é curioso que, sendo ele um monárquico e eu um republicano dos sete costados, a nossa empatia tenha sido imediata", lembrou Mário Soares já na recta final do encontro Gonçalo Ribeiro Telles - Um Homem de Serviço, que a Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura (CNC) organizaram ontem em Lisboa. Pensador e político com um sentido cívico inultrapassável, defensor da liberdade e do direito à originalidade de ideias, disseram muitos dos oradores, Ribeiro Telles é, sobretudo, "uma pessoa extraordinária", sublinhou Soares: "Quando se fala do Gonçalo, há o problema dos afectos. Admiramo-lo pela sua verticalidade, pela sua obra, pela sua coragem, mas, mais do que isso, temos-lhe um afecto enorme pela pessoa que ele é.

"Aos 89 anos, o político que foi membro da Aliança Democrática (AD), governante e deputado, fundador do Partido Popular Monárquico (PPM) e do Movimento Partido da Terra, ou o arquitecto paisagista a quem devemos as reservas agrícola e ecológica nacionais, os jardins da Gulbenkian (com António Viana Barreto) e o Amália Rodrigues, sente que tem ainda uma palavra a dizer. "Quero ser útil ao momento presente", dissera ao PÚBLICO antes da intervenção final. E ser útil hoje é falar do despovoamento do mundo rural, da morte lenta das cidades, da "paisagem que é ainda um problema", porque os políticos, desinformados, continuam a dizer que querem defender os ecossistemas e a achar, ao mesmo tempo, que um eucaliptal é uma floresta: "Eles não sabem que nos eucaliptais não cantam os passarinhos e na floresta sim." O que é que lhes falta para saber olhar para o território? "Andar a pé, conhecer o país inteiro, as pessoas", responde este homem para quem "é mais fácil deixar marcas na paisagem do que nas pessoas".

Saber falar com as pessoas é uma das qualidades deste paisagista afável e atento, garantiu o comentador político Luís Coimbra. E, para o provar, contou uma história dos tempos da AD. Andavam na estrada em campanha eleitoral quando Ribeiro Telles desapareceu. Como todos estavam já à espera para entrar nos carros, Coimbra decidiu ir procurá-lo.

Mais bosques e mais hortas

"Chovia muito e eu fui dar com ele à porta de uma vacaria, a explicar aos agricultores que era melhor deixar os animais à solta no pasto do que alimentá-los com rações", lembrou Coimbra, com quem o arquitecto paisagista se cruzou pela primeira vez em meados dos anos 60. Para ele, Ribeiro Telles é um "político falhado" a quem reconhece "convicções firmes" e uma liberdade de pensamento inegociável. Porquê um político falhado? Coimbra esclarece: porque, apesar de ter razão, "as suas ideias para um desenvolvimento sustentado de Portugal ficaram para trás", por falta de inteligência de governos e governantes. É precisamente a inteligência que falta a muitos que António Barreto, Guilherme d"Oliveira Martins e Eduardo Lourenço elogiaram neste homem de família, professor e cidadão que tem formado gerações através do exemplo e defendendo sempre "o ambiente como uma causa total", disse Augusto Ferreira do Amaral, dirigente do PPM.

Avesso aos jogos partidários, o paisagista tem sido essencialmente, segundo Freitas do Amaral, "um homem bom", que encarou a política como acto de cidadania e "a ecologia como a causa de uma democracia reformista". Se Portugal cumprisse a "excelente legislação" que Ribeiro Telles ajudou a fazer, defendeu o professor de Direito, "sem violações e sem excepções superiores à regra, seria incomparavelmente melhor".Teria, certamente, mais "lugares de paz e sossego, mais bosques e hortas", garantiu o sociólogo António Barreto, que foi seu colega de Governo, numa comunicação intensa, em que não se cansou de falar da independência de Ribeiro Telles e da sua paixão pela cidade. "Homem generoso e doce, mas firme", disse-o várias vezes Barreto, vê em cada espaço verde desperdiçado e em cada ribeira destruída uma derrota. Voz activa na sociedade portuguesa há mais de 50 anos, Ribeiro Telles foi muitas vezes ignorado, acrescentou o sociólogo, mas o tempo deu-lhe razão. E teve um raro privilégio, concluiu Barreto: "Realizou um dos grandes sonhos dos homens cultos - fez jardins.

"Jardins que são tentativas de paraíso, lembrou Eduardo Lourenço, defendendo que o paisagista é um "poeta da relação com a Terra", um "utopista novo": "Gonçalo Ribeiro Telles é uma mistura do ecologista-mor que foi Francisco de Assis com o botanista maravilhoso e romancista fantástico que foi Jean-Jacques Rousseau." Para que não restassem dúvidas, o ensaísta fez questão de explorar este paraíso que o arquitecto foi trabalhando e falou da paisagem como se ela fosse a cara humana que a natureza nos reenvia. "Sempre tentámos criar com as nossas próprias mãos o paraíso", insistiu o ensaísta. Ribeiro Telles tentou tanto e tão bem que merece um título especial - Lourenço chamou-lhe "o jardineiro de Deus". Por Lucinda Canelas in Público

UNESCO: barragem do Tua tem "impacto irreversível" no Património Mundial

Relatório de missão consultiva realizada em Abril deste ano já foi remetido ao Governo de Passos Coelho em Agosto, mas permanece no silêncio dos gabinetes

O Comité do Património Mundial da UNESCO considera que a construção da barragem de Foz Tua tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Esta é uma das conclusões do relatório da missão consultiva que, a solicitação do Governo português, visitou o local no início de Abril e que aponta ainda para outros impactos negativos e graves do empreendimento. O documento foi produzido pelo Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património que é o órgão consultivo daquele comité da UNESCO.

O relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, foi concluído em finais de Junho e remetido ao comité, que o enviou depois para as autoridades portuguesas já em Agosto, por protocolo diplomático, via Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas permanece ainda no segredo os gabinetes, não sendo conhecida qualquer reacção ou resposta do Governo. Além de analisar os impactos e as consequências do avanço da obra para a área de paisagem classificada como património da humanidade, o relatório critica também duramente o comportamento das autoridades portuguesas. A este propósito sublinha que, durante todo o processo de análise e aprovação do projecto da barragem, o Estado português não adoptou os procedimentos a que está obrigado perante a UNESCO no âmbito da classificação obtida há dez anos, que se cumprem já no dia 14 deste mês.

"Cremos que as orientações da UNESCO, recomendando "relatórios específicos e estudos de impacto de cada vez que ocorram circunstâncias especiais", não foram seguidas, já que "toda a informação deve ser fornecida o mais rapidamente possível e antes da tomada de decisões que se possam tornar difíceis de reverter", para que o comité possa participar na procura de soluções que assegurem a completa preservação dos valores protegidos", lê-se no documento.

Quanto às conclusões, o relatório não deixa também margem para dúvidas: "Tendo em conta a proposta do Estado com vista ao desenvolvimento da barragem de Foz Tua localizada na paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro, não podemos deixar de concluir que terá um impacto irreversível e ameaça o valor excepcional universal [que é o fundamento da classificação da UNESCO].

"Apesar dos esforços das autoridades portuguesas e da EDP (a dona da obra) para minimizar os impactos, através de várias alterações ao projecto, o relatório nota que nunca os estudos de avaliação "levaram em conta os impactos nos bens culturais protegidos". Por isso, conclui, "não se pode considerar que a revisão dos planos respeite a paisagem do Alto Douro que foi inscrita na lista do Património Mundial". O relatório socorre-se do próprio projecto da obra para referir que o vale do Tua "tem um alto valor ecológico e cenográfico" associado aos parâmetros culturais e biofísicos que caracterizam a estrutura dinâmica da região, o que leva irremediavelmente à conclusão de que "tudo isto contribui para que o avanço do projecto tenha um impacto adverso e irreversível nos valores de autenticidade e integridade e interesse universal" da região.

Classificação em risco

O pedido para a vinda de uma missão consultiva por parte do Estado português insere-se no âmbito das suas obrigações perante a UNESCO, deduzindo-se do teor do relatório que terão sido invocados vários argumentos a favor da ideia de não violação dos valores da classificação como Património Mundial. Um deles seria o de que o efeito da intervenção seria idêntico ao da construção das outras barragens já existentes ao longo do Douro. Um argumento que é liminarmente rejeitado, já que "o passado não é um meio adequado para justificar acções presentes". Já quanto à invocação de que a obra está já fora da área classificada - fica no limite -, a conclusão é de que "afecta inteiramente os valores Património Mundial".

Outro argumento era o do reduzido impacto visual face às características daquela zona do vale do Tua, mas o relatório considera que, mesmo concordando com a ideia, o conjunto da barragem e das restantes estruturas, incluindo as linhas para o transporte de energia, representam um impacto fortemente negativo. Quanto ao facto de o projecto ter sofrido várias alterações e incluir uma série de medidas para mitigar e compensar os impactos ambientais, a conclusão é a de que essa não é a questão que importa analisar: "O que é preciso saber é antes se a barragem deve ser construída.

"Outro dos argumentos utilizados pelo Estado português terá sido o de que a barragem será uma construção "elegante e de escala monumental" - a EDP divulgou recentemente que encomendou ao arquitecto Souto Moura o projecto da central hidroeléctrica -, mas a conclusão é a de que "representa um forte impacto para a Região do Alto Douro Vinhateiro, que pode implicar a perda do seu valor excepcional universal e uma séria ameaça para a sua autenticidade e integridade".

A este respeito refira-se que nos últimos anos se registaram dois casos em que a UNESCO retirou a classificação de Património Mundial. O mais recente foi o centro histórico da cidade alemã de Dresden, em 2009, devido à construção de um viaduto. Cerca de um ano antes, também a foi retirada a classificação a um sítio natural do emirado de Omã. Aqui foi o próprio Estado árabe a pedir a saída por causa da exploração de petróleo no local.

No caso do Tua, tudo indica que o relatório que está agora na posse do Governo será analisado durante a próxima reunião anual do Comité do Património Mundial da UNESCO, que costuma realizar-se em Junho ou Julho. Isto, se até lá não forem adoptadas medidas para alterar a situação. Por José Augusto Moreira in Público

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CONTRA A BARRAGEM DE FOZ TUA

PROTESTO CONTRA A BARRAGEM DE FOZ TUA - Marquês de Pombal junto à EDP 6 de Dezembro Terça, ás 10 horas. NÃO VAMOS PERDER ESTA OPORTUNIDADE DE RECLAMAR PELA PROTECÇÃO DOS INTERESSES DO NOSSO PAÍS!!

Sabes que:

- Se o Programa Nacional de Barragens avançar, isso irá implicar um acréscimo de pelo menos 10% na factura da electricidade, sem qualquer benefício para a generalidade dos cidadãos;

- Se o Programa Nacional de Barragens avançar, irá custar aos consumidores e ao... Estado (ou seja a todos nós) entre 16 000 e 20 000 milhões de euros (perto de 2000€ por português);

- O que iríamos ganhar em termos energéticos com novas barragens é quase nada (0,5% da energia do País com todo o Programa, correspondendo Foz Tua a uns míseros 0,1%);

- A construção da barragem de Foz Tua terá consequências sociais graves e contribuirá para o despovoamento da região, já empobrecida, do Vale do Tua;

- Vão ser destruídos valores com um potencial turístico e patrimonial inestimável, nomeadamente o Vale e a linha do Tua;

- O impacte ambiental destas novas grandes barragens é impossível de compensar e irreversível, pela degradação da qualidade da água, destruição de solos agrícolas, de paisagens únicas e de ecossistemas raros;

- O investimento em projectos de eficiência energética custa 10 (dez) vezes menos por kWh produzido do que o investimento em novas barragens;- Parar a barragem de Foz Tua agora é 30 (trinta) vezes mais barato do que deixá-la avançar e pagar a posteriori os custos de uma electricidade inútil e caríssima;

- Sendo certo que a hidroelectricidade é uma parte importante do mix energético nacional, já temos hoje 67 grandes centrais hidroeléctricas, 10 das quais equipadas com sistemas de bombagem; muitas barragens existentes estão a ser ou podem vir a ser reequipadas para maior produção;

NÃO PRECISAMOS DE BARRAGENS NOVAS. Vamos dizer à EDP que não permitimos a DESTRUIÇÃO DO NOSSO PATRIMÓNIO E DA NOSSA IDENTIDADE através da construção de mais uma barragem inútil , sem quaisquer beneficios energéticos, sociais, ambientais ou financeiros para o país! Não queremos matar a centenária Linha Ferroviária do Tua, quer pelo seu valor patrimonial, quer pela importância para a mobilidade local, quer pelo excelente potencial de desenvolvimento turístico que representa. Junta-te a nós no dia 6 de Dezembro, pelas 10h, junto à EDP no Marquês de Pombal, para protestar ruidosamente contra o Plano Nacional de Barragens e contra a destruição de mais um rio e um vale que pertence a todos. NÃO VAMOS PERDER ESTA OPORTUNIDADE DE RECLAMAR PELA PROTECÇÃO DOS INTERESSES DO NOSSO PAÍS!!

Um protesto: GEOTA, QUERCUS, LPN e COAGRET

domingo, 4 de dezembro de 2011

«Nove razões para chumbar este plano do Parque Mayer»

Nove razões para chumbar este plano do Parque Mayer

Opinião

4 Dezembro 2011 Edição Público Lisboa

O Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente está para aprovação na Assembleia Municipal de Lisboa. Um plano de pormenor para esta zona é uma oportunidade única de inverter a tendência negativa e de abandono de algumas das áreas abrangidas pelo plano. Infelizmente muita da oportunidade do plano não foi ainda aproveitada. Assim importa chumbar esta versão na assembleia municipal e devolvêlo à câmara para que esta o reformule.

1. O Plano de Pormenor do Parque Mayer tem pouca qualidade, sendo que algumas das lacunas (quer ao nível dos elementos em falta, quer ao nível do conteúdo dos mesmos) só foram colmatadas após chamadas de atenção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, outras entidades e de algumas das participações em sede de discussão pública;

2. Alguns dos estudos que acompanham o plano de pormenor são vagos, algo aliás reconhecido por diversas entidades em sede da conferência de serviços. O estudo hidrogeológico só foi feito posteriormente à discussão pública, e após diversas críticas de associações profissionais, associações cívicas e cidadãos terem questionado a ausência deste estudo;

3. A Câmara de Lisboa assumiu que áreas que hoje estão impermeabilizadas com parques de estacionamento e ocupações legais e ilegais de logradouros devem continuar a ser impermeabilizadas, desenhando e propondo novos arruamentos (um arruamento paralelo à Rua do Salitre e outro à Rua da Alegria). O plano opta por não aumentar a permeabilização de parte da sua área, e continuar a permitir mais impermeabilização, como são exemplos os edifícios recentes na Rua do Salitre. O aumento de impermeabilização é claramente contrário às ideias e valores de referência de impermeabilização de logradouros definido no actual e no futuro plano director municipal;

4. Crê-se que a criação de novos arruamentos no interior do quarteirão pouco deve trazer de novo e essencial à zona, dada a sua pouca atractibilidade e grandes diferenças de declive. Seria preferível melhorar as ruas existentes que fazem a ligação entre a parte baixa (Parque Mayer) e a parte alta (Rua da Escola Politécnica);

5. O plano propõe novas edificações praticamente encostadas ao muro do Jardim Botânico. O plano não possui normas de protecção a este recém-classificado monumento nacional, nomeadamente através da criação de uma zona de desafogo e protecção ao mesmo;

6. A versão final do plano abdica, positivamente, dos dois novos edifícios que anteriormente propunha para o Jardim. No entanto, não propõe alternativa, evitando reorganizar e repensar os usos e funções do edificado existente;

7. O plano de pormenor não tem nem um programa de execução, nem um plano de financiamento. Apenas existe uma estimativa dos custos por metro quadrado. Não sendo claro como e quando será executado o que consta do plano;

8. Também não constam quaisquer mecanismos de perequação compensatória de benefícios e encargos, entre os diversos proprietários na área do plano de pormenor. Disto resulta que o elo mais fraco ( Jardim Botânico) continuará num estado de declínio, principalmente por falta de fundos para obras, seja de recuperação, seja simplesmente de manutenção. Não consta da proposta do plano qualquer vínculo com receitas de impostos ou outras receitas que contribuam para um fundo de recuperação do Jardim (que urge ser criado), nem existência de uma estimativa global dos valores que o referido fundo deve ter em conta no seu dimensionamento;

9. Conforme admitido nos debates da discussão pública, o modelo actual de financiamento/ gestão do Jardim Botânico não funciona. A Universidade de Lisboa não tem conseguido inverter o declínio do jardim, e a Câmara de Lisboa não quis ser mais que um actor secundário no Plano de Pormenor do Parque Mayer, não aproveitando as potencialidade de fazer um plano de pormenor para esta área.

João Belard Correia

Engenheiro do Território

Homenagem ao Arquitecto Ribeiro Telles

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

«contra o fecho da carreira 18 dos eléctricos»

Caros Amigos,

Foi lançada a petição online: «contra o fecho da carreira 18E dos eléctricos.»

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N17080

Pedimos o favor de lerem, assinarem e divulgarem.
Não faz sentido nos dias de hoje "matar" os eléctricos, verdadeiros ícones da cidade de Lisboa para além de serem meios de transporte colectivo não poluentes e amigos do ambiente.

Obrigado.

Foto: eléctrico na Praça do Comércio no início do séc. XX, pelo fotógrafo Paulo Guedes (1886-1947). Arquivo Municipal de Lisboa.

Homenagem ao Arquitecto Ribeiro Telles

Justa homenagem ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e do Centro Nacional de Cultura