segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Construções cobrem 60 por cento do solo de Lisboa

«Estradas, edifícios e parques de estacionamento cobrem com betão e pedras 60 por cento do solo de Lisboa, ou seja, 105 metros quadrados por habitante, revela um estudo da Agência Europeia do Ambiente (EEA, sigla em inglês) sobre impermeabilização de 38 capitais europeias.

As cidades com menor percentagem de solo impermeabilizado são Estocolmo, Berna e Oslo, com pouco mais de 20 por cento. No extremo oposto encontram-se Bucareste, Tirana e Varsóvia. As capitais da Roménia, da Albânia e da Polónia são aliás as únicas com maior percentagem de solo impermeabilizado do que Lisboa, que surge nesta lista feita a partir de dados de satélite (relativos a 2006). O que faz da capital portuguesa a quarta mais impermeabilizada na Europa.

No rácio de cobertura do solo por habitante, as capitais mais impermeabilizadas são Nicósia (Chipre), Luxemburgo e Vaduz (Liechtenstein).

Os dados revelados anteontem pela EEA não surpreendem Eugénio Sequeira, especialista em solos e presidente da assembleia geral da Liga para a Protecção da Natureza. "Na década de 1990 a 2000, a área impermeabilizada no país aumentou 50 por cento", com as cidades a crescerem "nos sítios com melhores solos". No caso de Lisboa, os barros vermelhos.

"Infelizmente, tivemos duas leis - a Reserva Agrícola Nacional e a Reserva Ecológica Nacional - que deveriam salvaguardar os melhores solos e que não são cumpridas", frisa Eugénio Sequeira, salientando que a impermeabilização é um processo irreversível.

Também a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza sustenta que, nas últimas décadas, solos muito produtivos têm sido ocupados, "sistematicamente desafectados da Reserva Agrícola Nacional". Segundo esta organização, existem casos "de ocupação recente de zonas de risco de cheia que deveriam estar classificadas como Reserva Ecológica Nacional".

A associação salienta que este pode ser um momento importante para "inverter" a tendência, uma vez que "muitos planos directores municipais estão em revisão, se equaciona uma futura Lei dos Solos e já está aprovada uma estratégia de adaptação às alterações climáticas".»

In Público

Foto: Lodão em logradouro da Rua Barata Salgueiro, ameaçado por projecto de demolição seguido de construção nova com ocupação integral do logradouro.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Agência Europeia de Ambiente: Lisboa entre as piores capitais europeias a cuidar do solo

Um relatório da Agência Europeia de Ambiente mostra que a capital portuguesa tem dos solos mais impermeáveis das capitais europeias. Pior do que Lisboa só mesmo as antigas capitais satélites do regime soviético: Bucareste, Tirana e Varsóvia.

Em comparação, Londres (Reino Unido) tem uma área impermeabilizada de 42,5 por cento e Estocolmo (Suécia), a capital melhor colocada no ranking, de 22,90 por cento.

No relatório, a Agência Europeia do Ambiente recorda que o solo é um dos recursos mais importantes do planeta, porque nos proporciona não só serviços fundamentais, como a produção de comida ou o armazenamento de água subterrânea, mas também protecção contra cheias e regulação microclimática, entre outros. in TSF

Esta notícia, mais uma vez, põe a nú a grave situação de Lisboa em matéria de política de solos. E é por a LAJB ter plena consciência deste facto que se tem batido sempre pela defesa dos solos permeáveis que ainda sobrevivem em Lisboa. Daí o não aceitarmos a iniciativa da CML, por via da actual proposta do Plano de Pormenor para o Parque Mayer, de construir mais de 22 mil m2 de novas construções que irão impermeabilizar cerca de 50% da área do plano - se excluirmos a área permeável do Jardim Botânico. A continuar assim, Lisboa será no futuro próximo a capital que mais despreza solos permeáveis.

Foto: logradouro na Rua das Portas de Santo Antão

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

As Árvores e os Livros: José Gomes Ferreira

Nesta árvore
onde até os pássaros se enforcam nos ninhos
há muito que mora uma ninfa
uma ninfa de carne incerta
fugida da borrasca
dos caminhos.

Bato-lhe de manso na casca...

Sou eu, ninfa. Abre! Estamos os dois sózinhos
nesta rua deserta.

Sai cá para fora
e beija-me na boca.

Prova-me que a vida é louca.

José Gomes Ferreira


Foto: Lodão na Avenida António Augusto de Aguiar

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Curso: «Objectos em Silêncio» 2011

Em Portugal, e mesmo lá fora, são escassas as oportunidades de formação em cultura material da ciência e da técnica. O Museu das Comunicações (Fundação Portuguesa das Comunicações) e o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa estabeleceram uma parceria para fornecer quatro mini-cursos de uma semana sobre este tema (dois em Lisboa, um no Porto e um em Portimão) ao longo de 2011. O primeiro mini-curso é já na última semana de Janeiro, em Lisboa. As inscrições são gratuitas mas limitadas. Este programa «Objectos em Silêncio» é em parte subsidiado pelo Programa PROMUSEUS (Ministério da Cultura) e conta com o apoio do Museu dos Transportes e Comunicações (Porto) e do Museu de Portimão.

Para mais informações: info@fpc.pt

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

«Jardim Botânico deve ir a plenário»

Petição entregue na Assembleia da República

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico entregou ontem na Assembleia da República uma petição com mais de quatro mil assinaturas com vista a pedir a revisão do Plano de Pormenor do Parque Mayer. E alertou para os malefícios das construções previstas.

"Há-de haver bom senso e acima de tudo o que interessa aqui é preservar o Jardim Botânico, se possível alargá-lo e não permitir de maneira nenhuma atentados ao jardim", afirmou ao JN Paulo Ferrero, do movimento Cidadania LX, uma das dez associações que lançaram a petição em Novembro.

Com mais de 4170 assinaturas, o texto foi entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que, segundo Paulo Ferrero, "estava dentro do problema, estava bem informado e mostrou-se interessado".

Os signatários defendem que proposta de Plano de Pormenor do Parque Mayer deve ser revista tendo em conta aspectos e elementos que "devem ser melhorados, aprofundados e rectificados". Em causa estão as construções previstas em volta do recinto do Parque Mayer, como, por exemplo nos logradouros da rua do Salitre, da Rua da Alegria ou do Príncipe Real.

"É importante que não haja esventramento desses logradouros pelo menos com a imensidão que está anunciada com quatro caves de estacionamento que põem em perigo as raízes das árvores do Jardim Botânico", alerta Paulo Ferrero.

"É preciso diminuir ainda mais o índice de construção", prosseguiu, referindo que "mesmo que seja de dois andares e tenha uma cobertura vegetal de relva não é muito apropriado para ali".
O representante do Movimento Fórum Cidadania LX manifestou ainda receios com a intenção de se construir um edifício de quatro andares no cruzamento da rua do Salitre com a Rua Castilho. "É uma falta de senso completa", considerou, antes de tecer críticas a um outro projecto que prevê "uma estufa dissonante com o jardim".

Na sua óptica, a Universidade de Lisboa, responsável pela gestão do Jardim Botânico, "é um bocado culpada porque lava as mãos, diz que não tem dinheiro e qualquer coisa que apareça é bem-vinda".

Paulo Ferrero lamentou ainda o estado actual do Jardim Botânico. "Neste momento tem apenas um jardineiro", criticou, defendendo que um espaço com aquelas características devia, e merecia, ser acompanhado por mais profissionais.

O representante do movimento de cidadãos alertou ainda o facto de "não haver dinheiro para pagar a água" nem "um folheto promocional do Jardim Botânico". E concluiu que "há um misto de falta de dinheiro e de desinteresse das instituições".

Na Assembleia da República, a petição segue agora para a Comissão de Educação - uma vez que o Jardim Botânico é da gestão da Universidade de Lisboa. Depois de nomeado um deputado redactor, dar-se-á início a um processo de audição a todas as partes envolvidas. Posteriormente será feito um relatório e, só mais tarde, deverá ser discutida em plenário.
in Jornal de Notícias 2011-01-12

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Petição em Defesa do Jardim Botânico entregue ao Presidente da Assembleia da República

A Plataforma em Defesa do Jardim Botânico informa que a "Petição em defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente" foi entregue presencialmente a Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, hoje, pelas 11h. Na audiência com o Dr. Jaime Gama, que durou cerca de 1 hora, estiveram presentes representantes do GECoRPA, QUERCUS, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Associação Lisboa Verde, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Cidadãos pelo Capitólio e Fórum Cidadania LX.

A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Entrega da Petição em Defesa do Jardim Botânico na Assembleia da República

Atingidas as necessárias 4.000 assinaturas, a Plataforma em Defesa do Jardim Botânico informa que a "Petição em defesa da Missão do Jardim Botânico e da sua sustentabilidade ambiental, social e económica a longo prazo. Revisão imediata do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente" (http://www.gopetition.com/petition/39771.html) será entregue presencialmente a Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, amanhã, dia 11 de Janeiro de 2011.

No acto da entrega estarão presentes representantes da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Quercus, Liga para a Protecção da Natureza, Fórum Cidadania Lx e Associação Lisboa Verde.

A PLATAFORMA EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA

Associação Árvores de Portugal, APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação Lisboa Verde, Cidadãos pelo Capitólio, Fórum Cidadania Lx, GECoRPA - Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, OPRURB-Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, Quercus-Núcleo de Lisboa, Liga para a Protecção da Natureza

Foto: Cedrus libani

domingo, 9 de janeiro de 2011

ICOM: Conselho dos museus teme pelo património "de inestimável valor" dos hospitais

«A proposta do ICOM é a da criação de um pólo museológico na colina de Santana depois da desactivação dos hospitais
A comissão portuguesa do ICOM (Conselho Internacional de Museus) tem vindo a acompanhar "com crescente preocupação" as notícias sobre os planos para a desactivação dos Hospitais Civis de Lisboa e teme pelo futuro deste "património de inestimável valor nacional e internacional", declarou ontem a direcção nacional da organização.

Avançar no processo de extinção dos hospitais da colina de Santana (São José, Santa Marta, Santo António dos Capuchos e ainda o Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, este já encerrado) sem ter em conta o património a eles ligado constituiria "um intolerável acto lesivo da nossa memória colectiva", diz o ICOM Portugal, em comunicado.

O processo de desactivação dos hospitais - que foram já vendidos à Estamo, entidade pública encarregada da venda do património do Estado - "levanta muitas dúvidas que carecem de resposta por parte do Ministério da Saúde, como absolutamente se impõe em vivência democrática", prossegue o documento. Até agora o Ministério da Saúde não esclareceu o que tenciona fazer com o património dos hospitais, parte do qual está classificado.

Por isso, o ICOM apela à tomada de medidas que considera de "carácter imperioso e urgente". A primeira é a reabertura do público da Enfermaria-Museu do Hospital Miguel Bombarda, edifício classificado que funcionou durante muitas décadas como enfermaria para doentes vindos da penitenciária e onde está exposta parte da colecção de arte feita pelos doentes, do arquivo fotográfico e de material hospitalar.

Mas, apesar de este ser o caso mais premente, as preocupações do ICOM são mais latas e abrangem o conjunto dos hospitais da colina de Santana, para os quais propõe a "criação de unidades museológicas respeitando os respectivos "espíritos do lugar"". A ideia, explicou ao PÚBLICO Luís Raposo, presidente do ICOM Portugal, é criar um museu com vários pólos, tendo como unidade nuclear o edifício do antigo Colégio de Santo Antão-o-Novo, que faz hoje parte do Hospital de São José.

O ICOM não se pronuncia sobre qual deveria ser a tutela deste pólo museológico, mas Luís Raposo lembra que "o know how sobre museus está na Cultura", pelo que o projecto deveria envolver os dois ministérios (Saúde e Cultura). No entanto, antes disso, Luís Raposo classifica como "crucial" o inventário de todo o património, móvel e imóvel, destes hospitais.

A organização dos museus apela ainda a que seja estabelecido com a câmara e as faculdades de Arquitectura "um plano urbanístico e de valorização patrimonial" em torno desta "colina da saúde" que constitui "o maior e mais importante conjunto de património da medicina e saúde do nosso país". Por fim, o ICOM, em parceria com a Associação Portuguesa de Museologia, defende o estabelecimento de "termos de referência claros" para a utilização dos espaços desactivados dos hospitais.»

In Público (8/1/2011)

Nota: este é de facto um assunto importantíssimo que infelizmente não tem recebido a devida atenção por parte do Estado. Este património - nacional - não pode ser reduzido pelo Estado a simples " questão de imóveis e terrenos" para especulação imobiliária. É de Património Cultural com importância nacional de que estamos a falar. O processo de extinção de hospitais está a ser levado a cabo de modo irresponsável porque não há plano de salvaguarda do património cultural. Foto: Entrada do Hospital Miguel Bombarda, c.1910. Fotógrafo não identificado, Arquivo Municipal de Lisboa.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Decreto nº 18/2010: Classificação como Monumento Nacional do Jardim Botânico

Após 40 anos foi finalmente publicado o Decreto n.º 18/2010 do Ministério da Cultura que procede à classificação como monumentos nacionais do Jardim Botânico de Lisboa. Este Decreto de 28 de Dezembro classifica igualmente como de interesse nacional a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, o edifício-sede e parque da Fundação Calouste Gulbenkian, e o campo da Batalha de Aljubarrota e área envolvente, também designado Campo Militar de São Jorge de Aljubarrota:

Decreto n.º 18/2010. D.R. n.º 250, Série I de 2010-12-28

Extractos do Decreto sobre o Jardim Botânico:

Relativamente ao jardim da Faculdade de Ciências importa realçar, em primeiro lugar, que se encontra, desde 1838, agregado à Escola Politécnica, tendo começado a ser plantado a partir de 1858 na antiga cerca do Colégio Real dos Nobres. Na sua génese aparece ligado ao desenvolvimento e ao ensino das ciências naturais, especialmente da botânica. Os trabalhos de construção do Jardim Botânico de Lisboa tiveram início em 1873, sob a alçada dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo. No mesmo ano, o jardineiro-paisagista alemão Edmond Goeze dirigiu os trabalhos de plantação no Jardim. O seu sucessor, o botânico francês Jules Daveau, desenvolveu, em 1876, a zona inferior do Jardim, tendo criado o traçado da Alameda das Palmeiras e inventado um sistema de rega dos riachos e cascatas.

Inaugurado em 1878, o Jardim Botânico de Lisboa conta com diversas espécies tropicais, oriundas da Nova Zelândia, da Austrália, da China, do Japão e da América do Sul, constituindo uma das mais valiosas colecções botânicas em Portugal.

A sua relevância pedagógica, a diversidade de espécies, com grande variedade de espécies exóticas, e a qualidade arquitectónica do edifício confinante da antiga Escola Politécnica ou as estruturas de apoio subsistentes no perímetro do Jardim fazem deste espaço monumental um dos mais representativos do património urbano da Lisboa romântica, justificando-se plenamente a sua integral salvaguarda. A classificação do Jardim Botânico de Lisboa contribuirá para a preservação do microclima da área, o que constitui condição sine qua non da sua subsistência.

Foto: Vista da Alameda das Palmeiras no Arboreto


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Digo «Lisboa»

Digo
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade-
Digo para ver.

«Lisboa», de Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As Árvores e os Livros: Bem Sara

Vejo que a laranjeira nos mostra seus frutos,
que parecem lágrimas coloridas de vermelho
pelos tormentos do amor…

Bem Sara de Santarém

Séc. IX

Foto: Laranjeiras na Rua Cruzes da Sé, Lisboa

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

EM DEFESA DO JARDIM BOTÂNICO: GECoRPA

Recebemos mais um apoio para a causa de salvaguarda do Jardim Botânico: o GECORPA

O Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico é oficialmente membro da Plataforma de Defesa do Jardim Botânico.

O GECoRPA é uma associação de empresas da área da reabilitação do edificado em geral, e da conservação do património arquitectónico, em particular. O GECoRPA propõe-se agregar não só empresas construtoras vocacionadas para esta área, mas também as que operam no mesmo “cluster”, desde a concepção e projecto das intervenções ao fornecimento de produtos especializados, passando pelo levantamento, inspecções e ensaios.

Os grandes objectivos do Gecorpa:

• Cooperação na defesa de interesses comuns das empresas, de um melhor ordenamento do sector e, em particular, de uma adequada regulação do mercado;

• Formação e informação especializadas e promoção das boas práticas;

• Contributo cívico para o progresso da Sociedade e do País, em defesa do património arquitectónico e, por extensão do património natural.

Em relação ao edificado corrente, o GECoRPA propõe-se promover a reabilitação, contribuindo para reduzir os excessos da urbanização e da construção nova sobre o património natural do nosso país e sobre o património histórico das nossas cidades e aldeias. Entende, no entanto, que o sucesso da reabilitação depende de uma cuidadosa selecção das empresas a quem são confiadas a concepção e a execução das intervenções. Nesse sentido, o GECoRPA bate-se por um sistema de qualificação das empresas adaptado à nova realidade do sector da construção.

Em relação ao património arquitectónico, o GECoRPA propõe-se promover a boa prática na sua conservação, partindo de três princípios fundamentais:

- O primeiro é a contenção. As intervenções nos monumentos e edifícios históricos são sempre perturbadoras do seu equilíbrio, representando, portanto, um risco. A extensão dessas intervenções deve, por consequência, ser a mínima necessária para atingir, com eficácia, os objectivos preconizados.

- O segundo aspecto é o rigor. As intervenções no património arquitectónico deverão ser, primeiro, cuidadosamente concebidas e planeadas e, depois, executadas de acordo com o plano.
- O terceiro aspecto é a responsabilidade. As intervenções no património arquitectónico exigem uma participação responsável de todos os agentes, em particular dos que têm a seu cargo a execução dos trabalhos.

É neste duplo contexto que se justifica a criação do GECoRPA: Prioridade à reabilitação e excelência na conservação.

Para mais informações: http://www.gecorpa.pt/index2.html

Em nome da Plataforma de Defesa do Jardim Botânico, o nosso muito obrigado ao GECoRPA!

Foto: Cerca Pombalina do Jardim Botânico (face virada aos logradouros da Rua do Salitre) ameaçada pelos mais de 30 mil m2 de construção nova proposta pelo Plano de Pormenor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Plano de Pormenor Parque Mayer e Jardim Botânico: Recomendação aprovada na AML

Exmos. Srs,

No seguimento da visita ao Jardim Botânico de Lisboa e de nos termos inteirado das preocupações da Liga dos Amigos do Jardim Botânico relativas ao impacto que terá a actual proposta da Plano Pormenor do Parque Mayer no Jardim, considerámos urgente expressar a nossa preocupação, na Assembleia Municipal de Lisboa reunida dia 7 de Dezembro de 2010, relativamente ás questões levantadas pela LAJB.

Foi apresentada uma recomendação pelo Grupo Municipal do PPD/PSD onde é proposto que:

A Assembleia Municipal de Lisboa reunida em Sessão Ordinária em 07 de Dezembro de 2010, delibera instar a Câmara Municipal, a que respeite e promova, antes da conclusão e respectiva submissão a votação do PPPM, o seguinte:

a) A realização e apresentação de estudos técnico/científicos completos e fidedignos para o todo da área do Plano, em particular: Estudos Hidrogeológicos, Estudos de Impacto no sistema de vistas, Estudos de Impacte na circulação do ar.

b) Preveja um mecanismo económico-financeiro que assegure as verbas necessárias para a requalificação e manutenção permanente do Jardim Botânico de Lisboa, património de elevada importância para a cidade.

c) Estudo que quantifique a mais-valia que a existência do Jardim Botânico tem na valorização do património urbano envolvente, nomeadamente, nos mercados imobiliário e comercial, que permita enquadrar o investimento num contexto de contrapartidas mais abrangente.

O original da Recomendação segue em anexo para conhecimento, tendo sido a mesma votada ponto a ponto com a seguinte votação:

Ponto A - Aprovado por unanimidade

Ponto B e Ponto C - Aprovado por maioria com:

Votos a Favor - PPD/PSD, PS, 6 INDEPENDENTES, PPM, MPT e CDS-PP
Votos Contra - BE
Abstenção - PCP, PEV

Sem mais, com os melhores cumprimentos

Grupo Municipal do PPD/PSD

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

«Welcome to the Munich Botanical Garden»

Ao ler a mensagem de "boas vindas" da Directora do Jardim Botânico de Munique, saltam à vista as graves deficiências que estão a por em risco o futuro do Jardim Botânico de Lisboa. Não temos Estufas de Exibição - e a Universidade de Lisboa não parece ver a importância de um projecto de estufas de exibição como essencial ao desenvolvimento da missão de um Jardim Botânico (para além de ajudar na sustentabilidade financeira da instituição); não temos Café/Restaurante; não temos uma Loja; não temos um Museu e/ou Exposição sobre a relação milenar entre as Plantas e o Homem; não temos uma Biblioteca de Botânica (existe mas está fechada ao público!); não temos jardineiros (oficialmente existe apenas um!):

Welcome to the Munich Botanical Garden

Covering an area of 220,000 m² (almost 55 acres) the Munich Botanical Garden in the borough of Nymphenburg is one of the most important botanical gardens of the world and is visited by over 400,000 visitors every year. It is home to approximately 14,000 plants.

Take a botanical journey to the hot and humid regions, visit the evergreen mountain forests of the more temperate tropical regions, or explore the hot and arid deserts within the 4,500 m² (approx. 1.1 acres) of our glasshouse complex. The large arboretum and the order beds will give you an idea of the family relationships of plants and their ecological needs – whereas in the large ornamental courtyard you will find many ideas for your own garden. Or you may just want to go for a stroll: Walk straight across from the Botanical Garden to the Nymphenburg palace gardens and the Museum of Man and Nature (Museum Mensch und Natur) which is located in its grounds.

However, the Botanical Garden serves other purposes as well: Together with the alpine garden on the Schachen (1,860 m) it provides an invaluable basis for research. It is also a base for training and further education for gardening and landscaping trainees, amongst others, as well as students of the Ludwig-Maximilians-University. Last but not least it serves to preserve rare European plant and bee species.

Whether you are interested in botany or just visiting to relax in a tranquil and beautiful surrounding – we hope that your visit will be enjoyable.

Susanne Renner

Director


Fotos: Vista do Instituto Botânico (Biblioteca, Herbário, etc); Order beds - System; Estufa de Fetos Arbóreos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jardim Botânico de Munique III

BOTANISCHER GARTEN MUNCHEN

The Botanical Garden of Munich is an organization that has made it their duty to care for the well-being of the flora. The gardeners and the scientists here immerse themselves in the gaining of, as well as the distributing of, knowledge concerning plants from around the world.

www.botmuc.de/en/

Fotos: Coccoloba pubescens L. (Caraíbas) na grande Estufa das Florestas Tropicais; Fetos arbóreos na Tree Fern House e Zingiber spectabile (Península da Malásia).


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Jardim Botânico de Munique II

O complexo das Estufas de Exibição é uma das grandes atracções do jardim Botânico de Munique. Actualmente é composto por um total de 4500 m2 de área de exibição, divididos pelas seguintes estufas temáticas:

Tropical House (cúpula central com 20 m de altura)

Orchid House (2000 espécies)

Tropical Economic Plant House

Victoria House (Victoria amazonica)

Water Plant House

Succulents & Cacti

Temperate House

Epiphytic Ferns

Tree Fern House

Cycad House

Bromeliad, Ginger & Aron Sword House

Plantas Carnívoras

Alpinen Haus

Para além das Estufas de Exibição, o jardim tem Estufas Viveiristas e Estufas de Investigação.

Este extraordinário complexo de estufas são fundamentais para o cumprimento da missão do jardim enquanto instituição de promoção e investigação de Cultura Botânica. As Estufas de Exibição são particularmente populares nos meses de inverno o que ajuda a equilibrar as receitas das bilheteiras.

Fotos: Estufas de Investigação e Estufas de Exibição (cúpula com 20m de altura da Tropical House)


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Jardim Botânico de Munique I

O Jardim Botânico de Munique foi fundado em 1812 e estava originalmente localizado no centro da cidade. Mas em 1914 foi decidido criar um novo jardim num terreno maior – com 22 hectares – num bairro da periferia da cidade, o elegante Nymphenberg.

Podemos admirar, nas colecções do exterior e das várias estufas, mais de 14 mil espécies de plantas de todo o mundo.

Para quem deseja visitar este belíssimo jardim basta apanhar o eléctrico 17 bem no centro da cidade (junto à estação principal de comboios) e sair numa paragem mesmo em frente do portão principal. Na entrada não espere encontrar um parque de estacionamento para viaturas motorizadas particulares como vemos no nosso jardim em Lisboa. Tudo o que vemos é um parque para… bicicletas! Os únicos lugares de parqueamento disponíveis para viaturas automóveis são para cidadãos com mobilidade reduzida.

De notar também o facto de só existirem duas entradas para o Jardim apesar da sua grande dimensão (5 vezes maior que o nosso).

Existe também um simpático Café e Restaurante com duas esplanadas com vista para os jardins.
Desde 1966 que o Jardim Botânico, o vizinho Herbário e o Instituto de Botânica da Universidade de Munique uniram-se para criarem uma organização mais produtiva.

O jardim recebe anulmente quase meio milhão de visitantes.

O preço de entrada é de 2 euros mas há descontos para grupos, estudantes e cidadãos séniors.

BOTANISCHER GARTEN MUNCHEN
Nymphenburg
Menzinger Str. 65
Munique


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DEBATE: Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente

Exmos. Senhores,

A Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas vai promover uma sessão aberta/mesa redonda de apresentação do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e envolvente.

A sessão inclui a apresentação do Plano pela equipa projectista Aires Mateus/PROAP, seguida de debate, no dia 14 de Dezembro, pelas 18h00, na sede da APAP.

Pretende-se, desta forma, estabelecer um diálogo técnico, alargado e franco, de modo a perspectivar o futuro daquela área de Lisboa.

Sendo da maior importância o contributo dos sectores intervenientes no processo - a Ordem dos Arquitectos, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, o Sr. Director do Departamento de Planeamento Urbano, o Sr. Chefe da Divisão de Controle de Instrumentos de Planeamento e o Sr. Professor Luís Ribeiro (IST), vimos convidar V. Exª a estar presente nesta sessão/debate de esclarecimento.

Com os melhores cumprimentos,

Margarida Cancela d’Abreu

Presidente

Pede-se confirmação da presença através do endereço:


Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
Calçada Marquês de Abrantes, 45 – 1º Dtº
1200-718 Lisboa

Tel: 21 395 00 25

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lançamento do livro: Planeta Tangerina

Lançamento do livro Planeta Tangerina

Local: Palmário do Jardim Botânico

Dia/Hora: 11 Dezembro, 16h00

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cinema em Portugal - os primeiros anos

Inauguração: "Cinema em Portugal - os primeiros anos"
Dia 9 Dez de 2010, 19h00

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

Rua da Escola Politécnica 56

Lisboa

Caderno dos Amigos do Jardim Botânico

O «Caderno dos Amigos do Jardim Botânico» é um óptimo presente de Natal!

Produção: Serrote para a Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Impressão: tipografia
Tiragem: 1000 exemplares numerados
Dimensões: 12 por 7 cm
Papel: reciclado (liso)
Preço: 4 euros

Não percam a oportunidade de adquirir um ou mais exemplares, pois a edição é limitada. As receitas da venda deste caderno de notas serão investidas em melhoramentos no jardim. Ofereça um presente de Natal que, para além de ser um objecto especial, ajuda o Jardim Botânico! Nas próximas 2ª feiras de Dezembro poderá dirigir-se à sede da LAJB, onde teremos muito gosto em recebê-lo(a). Também é possível enviar à cobrança. Se está interessado em comprar, ou vender, escreva para amigosdobotanico@gmail.com

Graças à colaboração de alguns espaços comerciais, o nosso Caderno também se encontra para venda nos seguintes locais em Lisboa:

Zeppelin - Rua da Rosa 40 (Bairro Alto)

Loja de História Natural - Rua do Monte Olivete, 40 (Princípe Real)

Livraria Carpe Diem - Rua de O Século, 79

Tesouros Típicos - Rua de Santa Cruz do Castelo 35

Tsuru - Rua da Esperança 24 (Madragoa)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais

A próxima sessão das Conversas às Quintas terá como tema Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e será apresentado por Cláudia Cardoso, museóloga de Belo Horizonte (Brasil). Será como habitualmente no Auditório Manuel Valadares, às 13:30h.

http://www.ufmg.br/mhnjb/jardimbotanico.html

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

As Árvores e a Cidade: Ácer na Av. João XXI

Acér na Avenida João XXI em Lisboa. Não fossem as árvores, muitos arruamentos de Lisboa seriam a "preto e branco".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Percurso pedestre inaugurado hoje convida a conhecer biodiversidade de Lisboa

«O caminho circular com cerca de 14 quilómetros une 18 pontos de interesse, da frente ribeirinha a Monsanto, nos quais podem ser observadas várias espécies de fauna e de flora

Conselhos da CML

O Jardim de Vasco da Gama (em Belém), com as suas laranjeiras-azedas, araucárias, melros-pretos e abelhas-melíferas, é o ponto de partida da Rota da Biodiversidade, que hoje é inaugurada pela Câmara de Lisboa. Trata-se de um percurso com cerca de 14 quilómetros, entre a zona ribeirinha e o Parque de Monsanto, que pretende contribuir para dar a conhecer a biodiversidade da capital.

Este trajecto circular, que pode ser feito a pé ou de bicicleta e ao longo do qual foi instalada sinalética para apoio aos utilizadores (indicando os caminhos certos e errados e as mudanças de direcção), integra 18 pontos de interesse. Em cada um, há espécies de fauna e de flora que podem ser observadas, conforme os interessados poderão constatar nos painéis informativos colocados no local. Essa e outras informações estão também patentes no Guia de Campo, que está disponível para ser descarregado no site da Câmara de Lisboa, tal como um conjunto de fichas das aves, dos mamíferos, dos répteis anfíbios e da flora. José Sá Fernandes, vereador do Ambiente e Espaços Verdes, caracteriza esta rota como um "percurso "ilustrado" que ligará o Tejo a Monsanto, local que é o maior repositório de biodiversidade do município, habitat de centenas de espécies animais e vegetais". Com a inauguração deste caminho, a autarquia pretende, como explica o vereador no Guia de Campo, "transmitir mais conhecimento, mas também dar aos lisboetas um novo caminho, ou melhor, uma nova forma de passear em Lisboa".

Já Maria da Luz Mathias, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fala do projecto como "uma valiosa contribuição para a divulgação da riqueza natural de Lisboa, associada ao não menos rico património cultural e histórico da cidade".

A professora acrescenta que, "considerando a diversificada malha urbana de Lisboa, espera-se que a Rota da Biodiversidade venha a ser reproduzida num futuro próximo noutras áreas da cidade, contribuindo para a divulgação da até agora tão pouco conhecida biodiversidade de Lisboa". Segundo Sá Fernandes, na cidade existem 100 espécies de aves, seis de peixes, quatro de anfíbios, 12 de répteis e 18 de mamíferos, além de várias espécies de artrópodes (grupo que inclui insectos e aranhas). Quanto à flora, são 123 as espécies de árvores, arbustos e herbáceas identificadas.» In Público 2/12/2010

Foto: O estuário do Tejo visto do Cais das Colunas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Jardim Botânico no «Tubo de Ensaio‏»

No passado dia 29 de Novembro o programa da TSF, «Tubo de Ensaio» fez uma peça sobre o Plano de Pormenor do Parque Mayer e Jardim Botânico em «Sugestões para um fim-de-semana que passou». Os textos são de Bruno Nogueira e João Quadros. Esta é mais uma evidência de que a sociedade civil não vai aceitar a versão actual do Plano de Pormenor. Obrigado!