terça-feira, 12 de outubro de 2010

Abertura do período de discussão pública do Plano de Pormenor

MUNICÍPIO DE LISBOA
Aviso n.º 20176/2010

Abertura do período de discussão pública do Plano de Pormenor
do Parque Mayer

Torna -se público, nos termos dos artigos 77.º, n.º 3 do Decreto -Lei n.º 380/99 de 22/9 e do artigo 91.º da Lei n.º 169/99 de 18/9 (Lei das Autarquias Locais), que a Câmara Municipal de Lisboa, em Reunião de Câmara de 8 de Setembro de 2010, de acordo com a Proposta n.º 449/2010, deliberou proceder à abertura de um período de discussão pública da Proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer, por 22 dias, com 1 sessão pública.

Torna -se ainda público, nos termos do artigo 77.º, n.º 3 do Decreto -Lei n.º 380/99 de 22/9, que iniciar -se -á no 8.º dia, após publicação do presente Aviso no Diário da República, 2.ª série, nos termos do artigo 148.º n.º 4, alínea a) do citado diploma, um período de 22 dias para os interessados, poderem apresentar as suas reclamações, observações ou sugestões.

Os interessados poderão consultar a Proposta de Plano e demais documentação que consubstanciou o período de acompanhamento, bem como os locais, dias e horas onde terão lugar as sessões públicas no site de Urbanismo da CML, na Secção Planeamento Urbano (http://ulisses.cm-lisboa.pt) ou nos locais a seguir identificados:

Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL) sito no Picoas Plaza,
na Rua do Viriato, n.º 13 a n.º 17;

Gabinete de Relações Públicas da Direcção Municipal de Gestão Urbanística,
sito Edifício Central da CML, no Campo Grande, n.º 25, 3.º F;
Junta de Freguesia de S. Mamede, sita no Largo de S. Mamede,
n.º 7,1250 -236 Lisboa;

Junta de Freguesia de S. José, sita na Calçada do Moinho do Vento,
n.º 3,1169-114 Lisboa.

A formulação de reclamações, observações ou sugestões, deverão
ser feitas por escrito, dirigidas ao Presidente da Câmara Municipal
de Lisboa, utilizando para o efeito, o impresso próprio que pode ser
obtido nos locais acima referidos ou no site de Urbanismo da CML
(http://ulisses.cm -lisboa.pt).

Lisboa, 15 de Setembro de 2010.
O Director de Departamento,

Paulo Prazeres Pais

(Subdelegação de competências — Despacho n.º 85/P/2010.
Publicado no 1.º Suplemento ao BM n.º 838 de 11/3/2010).

Estufas de Exibição em Kew: Temperate House

Historical information

Kew director Sir William Hooker commissioned Decimus Burton to begin work on the glasshouse in 1859. With voracious Victorian collectors bringing back ever more species from around the globe, Kew needed somewhere to house its growing collection of semi-hardy and temperate plants. The Temperate House was officially opened, unfinished, in 1863. Because costs had soared during construction, it was not completed for another four decades.

Today, Kew’s Temperate House is arranged according to Decimus Burton’s original plan. The South Wing and Octagon are home to African plants, the main rectangular hall hosts sub-tropical trees and palms, while the North Wing and Octagon contain temperate plants from Australia, New Zealand, Asia and the Pacific. A boiler in the nearby Stable Yard helps keep the temperature to a minimum 10°C all year round. The sun provides a little extra warmth for the heat-loving South African plants at the southern end of the glasshouse.

Things to look out for

Many of the plants growing in the Temperate House are useful to us. There is a collection of fruit-yielding citrus plants that includes lemon and lime, a tea bush (Camellia sinensis) from which the nation’s favourite brew is made and a specimen of Cinchona which is used as a treatment for malaria. The traditional African Hut located at the southern end of Temperate House shows how indigenous people put local plants to use as building materials.

The sheer size of the Temperate House has made it the final resting place for many plants that have outgrown other parts of the Gardens at Kew. The largest of these is the Chilean Wine Palm, Jubaea chilensis. When it was last measured in 1985, it was 17.6 metres (58 feet) high and is still slowly growing today. It was raised, two decades before the Temperate House was built, from a seed brought to Kew from Chile. The wine palm’s seeds are edible, its sap is used as a sweetener and its leaves make an excellent roofing thatch.

Plants on the verge of extinction

Some plants on display are endangered island species being propagated for reintroduction to their native lands. Among these is the St Helena ebony tree (Trochetiopsis ebenus). By 1980 only two specimens were left in the wild, clinging to a steep rock face on the island. Cuttings from these came to Kew for propagation. Several thousand plants have since been reintroduced at six sites on the island. Kew scientists are now helping islanders develop protocols for propagating other rare plants. You can find out how Kew save plants under threat at the Millennium Seed Bank.

Conservation and restoration

When Decimus Burton designed the Temperate House he chose the best materials available to him at the time. Nonetheless, by the early 1970s the glasshouse was in a sorry state. It had suffered structural damage during the last war. A survey of the structure in 1972 revealed corroding wrought iron and disintegrating masonry. Workmen spent three and a half years renovating the glasshouse. Because the building is Grade I listed, they had to retain its architectural integrity. Modern aluminium glazing bars replaced timber sashes, a teak annex added in 1952 was dismantled and a new boiler house in the nearby Stable Yard replaced the original one installed beneath the glasshouse.

Nota: Mais um belíssimo exemplo de uma "Estufa de Exibição", neste caso concreto para plantas de Clima Temperado. O nosso Jardim Botânico precisa de estufas de exibição para cumprir em plenitude a sua missão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Câmara Municipal de Lisboa lava as mãos do PDM

É a última machadada no PDM. A partir de agora, Lisboa está vendida aos interesses dos privados. A história é longa e feia. Primeiro, Pedro Santana Lopes alterou o PDM com a criação dos Planos de Pormenor Simplificados. Agora, chegou a vez do Arq. Manuel Salgado que veio reforçar pelas alterações que introduziu, a intervenção directa dos privados nos Planos de Urbanização e de Pormenor, permitindo que aqueles possam alterar o próprio planeamento a seu belo prazer. É assim que é possível construir a torre Normam Foster, impermeabilizar os logradouros, construir edifícios de quatro andares dentro do Jardim Botânico, pervertendo o conceito inicial dos Planos de Pormenor. Segundo reza a história, estes foram criados com a intenção de tornarem mais rigorosas as intervenções urbanísticas em certas áreas da cidade, nomeadamente nas zonas históricas, com medidas ainda mais restritivas que as contempladas no PDM. Mas o que verificamos, é que progressivamente estes Planos de Pormenor vieram facilitar e permitir que as regras anteriores fossem esquecidas. É o que se constata com estas novas alterações propostas para o PDM. Por outro lado, entidades públicas que existem para defender o bem comum, como a CCDR e o IGESPAR, criaram um neologismo que dá pelo nome de nim, talvez esperando, que um D. Sebastião qualquer, possa tornar claros os seus plúmbeos e gelatinosos pareceres. Na brilhante e lúcida entrevista que o Arq. Gonçalo Ribeiro Telles deu ao jornal "Público" de 10 de Outubro, o coordenador do Plano Verde para Lisboa, vem exactamente pôr o dedo na ferida, desafiando esta situação calamitosa. A partir de agora os privados são os donos de Lisboa!?

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico, vem reafirmar que lutará até ao fim pela salvaguarda do Jardim Botânico e da sua missão, que tudo fará para denunciar esta fraude urbanística, que a soldo de uma cobertura legal, tem saqueado a cidade de Lisboa, privado os seus cidadãos do direito a uma vida com qualidade e que, ao contrário da afirmação feita pelo Arq. Manuel Salgado, se orientará sempre pelo lema "se formos muito exigentes reabilitamos bem".
Os que quiserem juntar-se a nós serão bem vindos.

domingo, 10 de outubro de 2010

«Faltam 30 milhões de euros para um novo museu de ciência em Lisboa»

A Universidade de Lisboa vai fazer 100 anos em 2011 e quer recuperar a sua história e valorizar o património. O programa das comemorações é anunciado amanhãA Universidade de Lisboa (UL) quer criar um importante pólo museológico, reunindo grande parte das suas colecções científicas, no que são hoje os Museus da Politécnica. O centenário da universidade - que se assinala em 2011, mas cujo programa de comemorações é anunciado oficialmente amanhã, na abertura do ano académico - seria o momento ideal para lançar esse projecto. Para o concretizar falta essencialmente uma coisa, segundo o reitor António Sampaio da Nóvoa: trinta milhões de euros para o investimento inicial.

Cem anos é uma idade respeitável, e a UL quer aproveitá-la para recuperar muito da sua história e da sua memória na cidade. "Queremos mostrar como a Universidade esteve ligada à cidade desde o século XIII. Há um património vastíssimo do ponto de vista dos edifícios, que as pessoas conhecem mal", explica António Nóvoa. Neste momento está já a fazer-se o registo deste património e a planear-se percursos pela cidade para o quem quiser conhecer melhor.

Para além dos edifícios, existem as colecções, que também estão a ser inventariadas. "Gostaríamos de publicar um livro sobre elas e aproveitar este balanço para revalorizar a dimensão museológica da Universidade e conseguir construir pelo menos um grande pólo museológico nos actuais Museus da Politécnica, e um segundo pólo mais centrado nas questões da saúde no edifício histórico do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana", diz Nóvoa.

A discussão sobre o projecto já foi lançada - e tem estado rodeada de alguma polémica. O reitor pediu um parecer a um grupo internacional de peritos presidido por Rosalia Vargas, presidente da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, e uma das recomendações foi a de fundir os dois principais museus da Politécnica, sob o nome de Museu Nacional de História Natural. Uma hipótese que implicaria o "desaparecimento" do actual Museu da Ciência com este nome e a integração das suas colecções no novo museu.

Apresentado no final de Junho numa sessão pública, o relatório foi alvo de muitas críticas por parte de pessoas ligadas à comunidade museológica e científica, que viam com preocupação essa diluição do Museu da Ciência. António Nóvoa prefere salientar os pontos mais consensuais. "O debate foi muito conclusivo em relação à necessidade de requalificação de todo aquele espaço." Até porque, sublinha, "a situação que se vive actualmente [nos Museus da Politécnica] é impensável, quase do domínio do degradante."

"Ter um olhar nacional"

É preciso melhorar, portanto. "Criou-se um movimento genuíno para a requalificação daquele espaço e isso é muito importante porque havia gente, dentro e fora da universidade, com uma atitude muito conservadora. O discurso de que é preciso proteger é muito importante, mas a protecção sem alternativas leva à decadência. Se não se fizer nada as coisas vão desaparecendo e um dia alguém fecha a porta porque já não há nada para proteger."

Mas, como reitor da UL, é sensível às preocupações manifestadas em relação ao futuro do Museu da Ciência? "Sou extraordinariamente sensível a isso, mas julgo que temos que ser inteligentes e audazes. Todos reconhecemos que Portugal tem museus a mais. Acho que a Universidade não deve reproduzir essa lógica. Temos que perceber como é que se consegue preservar o trabalho de grande qualidade que se faz no Museu da Ciência. Mas sabemos que há outras universidades que também têm planos para fazer museus da Ciência e da Técnica. Temos que olhar para isto do ponto de vista do país e não dos interesses locais. Um dos problemas de Portugal - e isto é verdade para os museus como para as universidades - é que temos um olhar muito local." Aponta para uma cadeira vazia à sua frente. "Achamos que esta cadeira é muito importante e que temos que a preservar e depois desconhecemos que há duas mil cadeiras destas espalhadas pelo país. A preservação e divulgação das colecções têm que ter um contexto nacional."

Uma segunda conclusão do debate, na leitura do reitor, foi a de que "é preciso haver um projecto integrado para aquele espaço". Ou seja, "a ideia de que há um Museu de História Natural e um Museu da Ciência e um Jardim Botânico e mais um museu disto e daquilo, é impensável. A certa altura é uma coisa completamente balcanizada, que não tem leitura para o visitante, não tem capacidade de gestão integrada e sobretudo não tem nenhuma contemporaneidade do ponto de vista do que é um projecto museológico."

Por fim, parece ser pacífica a ideia de que é importante que aquele espaço se abra à cidade. A Câmara Municipal de Lisboa lançou um concurso de ideias para a zona que vai do Parque Mayer, junto à Avenida da Liberdade, até à Rua da Escola Politécnica, e a proposta vencedora foi do arquitecto Manuel Aires Mateus. Até que ponto os planos para o pólo museológico da UL estão dependentes de este projecto avançar ou não?

O projecto "não intervém" directamente sobre o património da Universidade (Museus da Politécnica e vários outros edifícios que os rodeiam), explica o reitor. Com duas pequenas excepções: "a requalificação das casotas que existem à volta do Picadeiro, mas que correspondem a um espaço mínimo", e "a possibilidade de, no prolongamento da alameda das palmeiras, fazer um edifício que crie uma ligação com o parque de estacionamento em baixo". Esta última solução ajudaria a resolver aquele que é um dos principais problemas dos Museus da Politécnica: os acessos.

Mas se para todas estas questões em aberto - e que deverão ser resolvidas por uma comissão instaladora a criar em breve - António Nóvoa acredita que serão encontradas soluções relativamente consensuais, há um outro problema que o reitor considera o mais complicado: a falta de dinheiro. "O grande problema vai ser arranjar os fundos para investir a sério naquele espaço."

Para manter os museus a funcionar como estão actualmente - num "estado de sobrevivência" - a UL gasta anualmente três milhões de euros. "É uma verba que, para um orçamento como o nosso, é muito significativa. Retiramos um bocadinho a Direito, outro a Medicina, outro a Letras... Não temos tido apoio de ninguém. O Jardim Botânico custa fortunas em água e nunca tivemos qualquer apoio. Estamos sozinhos nesta batalha."

Apesar disso, Nóvoa acredita que a UL poderá continuar a dispor dessa soma todos os anos e que ela será suficiente para assegurar o funcionamento do novo museu, juntamente com algumas receitas próprias que este viesse a gerar e uma ou outra loja que abrisse no local. Mas deixa uma crítica: "Há uma forma de financiamento das universidades em Portugal que não considera o património nem os museus, contrariamente ao que acontece em países como o Reino Unido. E isso obviamente penaliza as universidades mais antigas, em primeiro lugar Coimbra, com todo o património histórico que tem que cuidar, mas também a UL."

Quanto aos trinta milhões, a Universidade põe a hipótese de "recorrer a empréstimos, associar outras entidades, fundações, a câmara municipal, o Governo, e ir buscar alguns fundos europeus, embora isso seja muito difícil no caso de Lisboa". Mas "tudo isto é curto", lamenta o reitor. "O plano de sustentabilidade de um museu a sério consegue-se. O nosso grande problema é onde vamos encontrar os trinta milhões." in Público, 10-10-2010

Estufas de Exibição em Kew: Palm House

Experts consider Kew’s Palm House as the most important surviving Victorian iron and glass structure in the world. It was designed to accommodate the exotic palms being collected and introduced to Europe in early Victorian times. The project was pioneering, as it was the first time engineers had used wrought iron to span such large widths without supporting columns. This technique was borrowed from the shipbuilding industry; from a distance the glasshouse resembles an upturned hull. The result was a vast, light, lofty space that could easily accommodate the crowns of large palms.

Heating was an important element of the glasshouse’s design, as tropical palms need a warm, moist environment to thrive. Originally, basement boilers sent heat into the glasshouse via water pipes running beneath iron gratings in the floor. A tunnel ran between the Palm House and the Italianate Campanile smoke stack that stands beside Victoria Gate. This 150-metres-long (490 ft) passage served the dual purpose of carrying away sooty fumes to be released from the chimney and enabling coal to be brought to the boilers by underground railway. Today, the glasshouse is heated using gas and the tunnel houses Palm House Keeper Wesley Shaw’s office.

Originally, palms, cycads and climbers were planted in large teak tubs or clay pots that sat atop benches above the iron gratings. However, in 1860, two large central beds were dug and the tallest palms planted in them. Subsequently, most of the glasshouse’s plants were dug into beds to form a miniature indoor tropical rainforest. Today, the tallest palms that need the most room are located beneath the central dome. These include the peach palm (Bactris gasipaes), babassu (Attalea speciosa), queen palm (Syagrus romanzoffiana) and the coconut palm (Cocos nucifera).

Conservation and restoration

The Palm House was first restored between 1955 and 1957 when its glazing bars were cleaned and the entire house re-glazed. At this time the boilers were converted to oil and moved close to the Italianate Campanile. Between 1984 and 1988 a more comprehensive overhaul was undertaken. The Palm House was emptied for the first time in its history, with most plants moved to other glasshouses. Those that were too large were cut down and used to make specimens for the Herbarium and Museum. Under direction of the Property Services Agency, the Grade I Listed building was completely dismantled, restored and rebuilt. Ten miles of replica glazing bars made of stainless steel were put in place to hold new panes of toughened safety glass. The restoration took as long to finish as the glasshouse took to build.

Things to look out for

Highlights in the South Wing, which contains plants from Africa and the Indian Ocean Islands, include the African oil palm (Elaeis guineensis) the most important oil-producing plantation palm in the Tropics and the rare triangle palm (Dypsis decaryi) from Madagascar.

The main central section houses plants from the Americas, including many economically important species. You’ll find cocoa, rubber, banana and papaya plants growing here alongside the Mexican yam (Dioscorea macrostachya) which was used to develop the contraceptive pill. The North Wing showcases plants from Asia, Australasia and the Pacific, the region that contains the world’s greatest diversity of palms. Here you’ll find climbing palms called rattans from which cane furniture is made. Also, there are several Asian fruit trees including mango, starfruit, breadfruit and jackfruit.

Marine Display

Housed, in the basement of the Palm House, the display recreates four major marine habitats, emphasising the importance of marine plants.

Nota: O Jardim Botânico de Kew em Londres, líder na sua área e classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade tem quatro estufas de exibição sendo a Palm House a mais antiga.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

«Ribeiro Telles indignado com proposta que abre caminho à construção em logradouros»

«Proposta socialista de revisão do PDM de Lisboa contraria acordo pré-eleitoral do PS com José Sá Fernandes, selado há um ano para as últimas autárquicas

O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles mostrou-se ontem indignado com a medida do PS para autorizar a construção em logradouros, proposta na revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa. "É uma anedota em termos de planeamento", reagiu Ribeiro Telles na entrevista a publicar na edição do PÚBLICO do próximo domingo. A proposta socialista foi detalhada na última reunião de câmara, anteontem, e a questão dos logradouros foi um dos alvos de toda a oposição representada no executivo liderado por António Costa - e até o vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, se mostrou preocupado.

Lançar uma campanha de recuperação dos logradouros - via associações de proprietários, com incentivos financeiros de apoio técnico dado pelo município -, foi precisamente uma das condições do acordo pré-eleitoral de Sá Fernandes com os socialistas que governam Lisboa, e cujas listas acabou por integrar, na qualidade de independente. Além disso, Ribeiro Telles é a principal figura da associação de apoiantes de Sá Fernandes, a Lisboa é Muita Gente. Recentemente homenageado com a Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, o arquitecto paisagista não assistiu à discussão camarária sobre a revisão do PDM, mas disse, depois de informado sobre a proposta, tratar-se de uma "medida gratuita, a favor da especulação urbana".

"Segundo percebi - prossegue, referindo-se ao documento a que depois teve acesso e ao que lhe foi transmitido -, logradouros são as tapadas, são os quintais, são as cercas conventuais e são as quintas de recreio - aquelas todas do Paço do Lumiar que são do século XVI e XVII. Se isso tudo é logradouro, evidentemente que é um desastre para a cidade de Lisboa. Quer cultural quer ambiental." Criticou ainda a imprecisão de vários conceitos usados na proposta de revisão, como o de superfície verde: "Ervas sobre betão são superfícies verdes." " [Isso] não é de uma cidade do século XXI e do sistema natural de uma cidade do século XXI", acrescentou. "É encapotar para as pessoas não perceberem bem o que é. Uma árvore vai buscar água às camadas inferiores e as raízes são a forma que tem de se sustentar. Acho bem que, depois de todas as árvores caírem em cima de automóveis e de pessoas, a câmara seja responsabilizada."

Às dúvidas colocadas em relação à proposta de autorizar mais construção nos logradouros - algo que actualmente se faz com muitas restrições (no máximo, 20 por cento da área total) -, respondeu na reunião o vereador Manuel Salgado, vice-presidente do executivo, responsável pelo Urbanismo e coordenador da revisão do PDM. Invocou a necessidade de criar mais estacionamento em Lisboa - nomeadamente nos logradouros -, sob pena de os promotores imobiliários desistirem de reabilitar os prédios antigos. E referiu também o facto de parte dos logradouros já estar ocupada com construção clandestina, que viola a regra dos 20 por cento da área total, actualmente em vigor.

O programa eleitoral do presidente, António Costa, não menciona os logradouros. Diz, no entanto, que Lisboa necessita de aumentar a quantidade de solo permeável e o coberto vegetal. Nesse sentido, promete, entre outras coisas, "promover um programa de fomento de agricultura urbana".

Ribeiro Telles destaca as mesmas necessidades. "Lisboa precisa de locais permeáveis. Diminuir essa área na cidade - potencialmente, uma estrutura verde consistente - é mau em qualquer logradouro", afirma o homem que coordenou o Plano Verde para Lisboa, que está, aliás, em exposição no antigo Mercado de Santa Clara.» in Público, 8 de Outubro de 2010

Nota: Também nós na LAJB estamos indignados!

Foto: Rua Nova de S. Mamede. Atrás destes prédios de habitação existem logradouros arborizados que confinam directamnete com o Jardim Botânico. O que o novo PDM propõe é um crime urbanístico e uma chocante cedência aos maus hábitos de mobilidade instalados em Lisboa. A CML não deve planear a cidade em função do que os promotores - e especuladores - imobiliários desejam mas sim defender o bem comum, salvaguardar um ambiente melhor para as futuras gerações!

Ciclo de Palestras «Jardins e Sociedade»

O Ciclo de Palestras "Jardins e Sociedade" que prossegue no próximo sábado, dia 09 de Outubro de 2010, com a presença da Arq. Paisagista Ana Luísa Soares e a Eng.ª Conceição Colaço (Instituto Superior de Agronomia), às 15 horas, na Quinta da Memória – Paços do Concelho, Odivelas:

Jardins Urbanos, sua importância e ligação com a sociedade

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

«Oposição teme que novo PDM retire protecção à Lisboa antiga»

Mais construção e demolições nas zonas históricas alvo de críticas. "Se formos muito exigentes não reabilitamos nada", responde Salgado

Efectuar demolições ou construir prédios mais altos na zona antiga de Lisboa ficará mais fácil com o novo Plano Director Municipal (PDM), alertam vários vereadores da oposição que ontem ficaram a conhecer a proposta de revisão do PDM da maioria socialista liderada por António Costa. "A proposta de novo plano director apresenta como um dos critérios válidos para demolição de um edifício o facto de ele ser economicamente inviável", explica o vereador do CDS-PP António Carlos Monteiro. "Com as rendas baixas que existem nas zonas históricas, isto constitui um autêntico terramoto."Em causa está a o conceito de zona histórica que existe no PDM ainda em vigor para os bairros antigos, restringindo o aumento do volume de construção e as demolições. No documento ontem apresentado e discutido na câmara, esta designação é alargada a toda a cidade, mas as restrições são em parte banidas. Nalguns casos passa a ser possível subir a altura dos prédios existentes em obras de reabilitação e também aumentar profundidade das empenas (distância entre a fachada e a parede das traseiras) dos actuais 15 para 17 metros.

Igualmente criticada, quer pelo CDS-PP quer pelo vereador José Sá Fernandes, independente da lista de António Costa, é a possibilidade de construção nos logradouros - quintais e outros terrenos habitualmente situados nas traseiras dos prédios. O actual PDM limita a construção nestes locais a 20 por cento da área total, de forma a permitir a infiltração das águas da chuva no solo. A maioria que governa a autarquia defende a compactação da cidade mas esta "tem de ser mais regulamentada e bem pensada", alertou o comunista Ruben de Carvalho. "Senão, pode ter efeitos dramáticos." António Carlos Monteiro diz que existe o risco de acabar com os quintais e de impermeabilizar por completo a cidade.

As críticas relativas ao aumento de construção estendem-se ao sistema de créditos engendrado pelo executivo para promover a reabilitação urbana. Quem reabilitar um prédio e nele incluir habitação a custos controlados fica com créditos de edificabilidade para construir naquele ou noutra zona da cidade - créditos de construção que pode usar ou mesmo vender. Para Ruben de Carvalho, trata-se de uma medida que "apenas tem no horizonte o grande construtor". A vereadora do PSD Mafalda Magalhães de Barros, tem opinião idêntica: "Os incentivos preconizados são incompreensíveis ou nulos para o pequeno proprietário urbano que queira recuperar o seu edificado, embora favoreçam os grandes promotores imobiliários com projectos de construção nas zonas a consolidar." "De que servem os mencionados bónus de edificabilidade a um pequeno proprietário descapitalizado da Mouraria, de Alfama ou de outro qualquer bairro histórico?", questionou. Manuel Salgado, subscritor da proposta, respondeu: "O sistema pode fazer baixar as rendas.

"Quanto ao aumento da construção e à ocupação de logradouros, Salgado falou da necessidade de conciliar interesses divergentes: "Já ninguém quer fazer habitação sem estacionamento. E se formos muito exigentes com a pedrinha e com o azulejo não conseguimos reabilitar nada." Daí a possibilidade, também prevista nesta revisão do PDM, de mudar os velhos chafarizes de local. Uma ideia que deixou atónita Mafalda Magalhães de Barros, mas cujos efeitos Manuel Salgado desvalorizou. António Carlos Monteiro acredita que os socialistas vão ainda negociar alterações ao documento com as restantes forças políticas: "O plano só passa na assembleia municipal se tiver a maioria dos votos. E eles sabem disso."

in Público com Lusa

Foto: Logradouro arborizado no Chiado. Interiores de época e quintais serão espécies ameaçadas se esta visão mercantilista para o novo PDM for aprovada.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Exposição de Bonsai: 9 e 10 de Outubro

Exemplares da Associação Lusitana de Bonsai

9 de Outubro de 2010: 12:00 - 19:30
10 de Outubro de 2010: 10:00 - 17:00

Sessões de esclarecimento das 15h às 16h
Local: Palmário do Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica, 58

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Orçamento Participativo 2011: VOTE na proposta da LAJB!

No dia em que celebramos o Centenário da República, sugerimos que aproveite o simbolismo da data para votar no projecto apresentado pela LAJB, e Associação Lisboa Verde, para o Orçamento Participativo 2011: Arborização da Rua Borges Carneiro

Área: Espaço Público e Espaço Verde
Título: Reperfilamento da Borges carneiro incluindo arvoredo de alinhamento.
Prazo de execução: 24 meses
Local: Freguesia da Lapa
Custo: 1.000.000 €
Nº de Propostas: 1
Proposta(s): (795) Arborização da Rua Borges Carneiro

Para votar visite o sítio oficial do OP: www.cm-lisboa.pt/op


Foto: A nossa visão? Jacarandás na Rua Borges Carneiro!

domingo, 3 de outubro de 2010

Que Jardim Botânico queremos para Lisboa?

Realizou-se no passado dia 25 de Setembro, no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2010, uma visita guiada e debate no Jardim Botânico da Escola Politécnica de Lisboa sob a organização da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP) e Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), contando com a presença de cerca 100 pessoas, incluindo três Deputados Municipais - Partido Comunista Português, Partido os Verdes e Movimento Cidadãos por Lisboa.

Estiveram também presentes representantes de várias ONG (Quercus, Associação Árvores de Portugal, Associação Lisboa Verde, Fórum Cidadania Lx), empresas ligadas ao ordenamento do território e ambiente (Quaternaire Portugal), e Jornalistas.

O evento visou chamar a atenção, quer para o interesse cultural e histórico do Jardim, bem como debater o Jardim Botânico do Futuro. Ao longo do debate, moderado por Luísa Schimdt, e, onde foram oradores, Gonçalo Ribeiro Telles e Manuela Raposo Magalhães, houve diversas intervenções sobre o Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e envolvente, as quais suscitaram diversas questões e dúvidas quanto às consequências ecológicas e sociais da proposta, que entrará em discussão pública durante o mês de Outubro – destacando-se como mais problemáticas a drenagem hídrica e atmosférica, que exigem aprofundamento urgente, mediante estudos rigorosos e independentes, com vista à preservação do Jardim Botânico e da sua biodiversidade, bem como aos impactos negativos que o actual Plano de Pormenor terá na geografia humana da zona envolvente.

A Direcção da LAJB

3 de Outubro de 2010

Fotos: Visita guiada ao Jardim Botânico no dia 29 de Setembro

O Debate “Jardim Botânico do Futuro” – Mais uma Requalificação Para Pior?

No segui­mento dos tex­tos rela­ti­vos às “Jor­na­das Euro­peias do Patri­mó­nio 2010″, e depois de ter­mos dado conta de como cor­reu a visita ao Jar­dim Botâ­nico da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (JBUL), no pas­sado dia 25, apre­sen­ta­mos aqui algu­mas notas sobre o debate que lhe sucedeu. Este debate, orga­ni­zado pela Liga dos Ami­gos do Jar­dim Botâ­nico (LAJB) e pela Asso­ci­a­ção Por­tu­guesa de Arqui­tec­tos Pai­sa­gis­tas (APAP), visava apre­sen­tar alguns dos pro­ble­mas que, actu­al­mente, afec­tam o JB, bem como aque­les que pode­rão vir a pre­ju­di­car gra­ve­mente este espaço se a actual pro­posta do Plano de Por­me­nor do Par­que Mayer (PPPM) for aprovada.

A mesa teve como mode­ra­dora a Dr.ª Luísa Sch­midt (Ins­ti­tuto de Ciên­cias Soci­ais da Uni­ver­si­dade de Lis­boa) e con­tou com apre­sen­ta­ções do Arqt.º Gon­çalo Ribeiro Tel­les, da Arqt.ª Manu­ela Raposo Maga­lhães (Cen­tro de Estu­dos de Arqui­tec­tura Pai­sa­gista “Pro­fes­sor Cal­deira Cabral – Ins­ti­tuto Supe­rior de Agro­no­mia) e da Dr.ª Manu­ela Cor­reia (pre­si­dente da LAJB), bem como com a pre­sença da Arqt.ª Mar­ga­rida Sá Abreu (pre­si­dente da APAP).

As apre­sen­ta­ções mos­tra­ram de que forma o PPPM irá pre­ju­di­car o jar­dim. Os prin­ci­pais pro­ble­mas relacionam-se com a cir­cu­la­ção do ar na encosta (e con­se­quente alte­ra­ção da termo regu­la­ção), com as dre­na­gens sub­ter­râ­nea e super­fi­cial de águas plu­vi­ais e com toda a hidro­ge­o­lo­gia da zona. Foi, inclu­si­va­mente, feita a apre­ci­a­ção do estudo hidro­ge­o­ló­gico cons­tante da Ava­li­a­ção de Impacto, o qual foi con­si­de­rado mani­fes­ta­mente incom­pleto e insu­fi­ci­ente. Refira-se que o dito estudo, no que refere à real aná­lise da área, ape­nas lhe dedica menos de duas pági­nas, reme­tendo para outros estu­dos ante­ri­o­res, tam­bém eles inconclusivos.

O PPPM deverá entrar em dis­cus­são pública a qual­quer momento. Embora, apa­ren­te­mente, este plano não pre­veja a cons­tru­ção de pré­dios com altura supe­rior à cerca pom­ba­lina do jar­dim, estes deve­rão ficar con­tí­guos a esta e pos­sui­rão esta­ci­o­na­men­tos com três anda­res sub­ter­râ­neos. Para além disso, prevê-se a ocu­pa­ção e/ou des­trui­ção de algu­mas áreas e equi­pa­men­tos do JB, como por exem­plo o viveiro. Aguarda-se, ainda, que a ver­são defi­ni­tiva do plano seja dis­po­ni­bi­li­zada pela Câmara Muni­ci­pal de Lis­boa (CML).

A LAJB acres­centa que o jar­dim ficará iso­lado do con­ti­nuum verde da cidade, lamen­tando que o Rei­tor da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (UL), ao dar o seu apoio a este plano, “tenha mani­fes­tado uma ati­tude tão ultra­pas­sada e afas­tada da ciência”.

Sublinhe-se que este debate tam­bém se des­ta­cou por algu­mas ilus­tres ausên­cias ou silên­cios, uma vez que várias per­so­na­li­da­des tinham sido con­vi­da­das a par­ti­ci­par e dar o seu con­tri­buto. Entre elas, contam-se a CML [estiveram presentes três Deputados Municipais: Partido Comunista Português, Partido os Verdes e Movimento Cidadãos por Lisboa], suces­si­vos direc­to­res do JB, a UL, repre­sen­tan­tes do poder polí­tico e de órgãos públi­cos. Tam­bém a comu­ni­ca­ção social, mais uma vez, pri­mou pela ausência [esteve presente um jornalista da RTP].

Final­mente, refira-se o jar­dim está pro­posto para clas­si­fi­ca­ção como Monu­mento Naci­o­nal há cerca de 40 anos, con­ti­nu­ando à espera de pare­cer do IGESPAR (e das ins­ti­tui­ções que o precederam).

A Asso­ci­a­ção Árvo­res de Por­tu­gal apoia e tem cola­bo­rado, na medida do pos­sí­vel, nos esfor­ços que estão a ser fei­tos para pre­ser­var e melho­rar sig­ni­fi­ca­ti­va­mente as con­di­ções do JBUL. Pre­ten­de­mos que o jar­dim possa con­ti­nuar a ser um local de grande diver­si­dade bio­ló­gica de valor incal­cu­lá­vel e carac­te­rís­ti­cas únicas, um monu­mento his­tó­rico incon­tor­ná­vel e um espaço de bem-estar e fac­tor de qua­li­dade de vida, não só dos lis­bo­e­tas, mas tam­bém de todos aque­les que o visitam.

Miguel Rodrigues

«Uma Outra Visão do Jardim Botânico»

Tal como anun­ci­ado, no pas­sado Sábado decor­reu uma visita ao Jar­dim Botâ­nico da Uni­ver­si­dade de Lis­boa (JBUL), orga­ni­zada pela Liga dos Ami­gos do Jar­dim Botâ­nico (LAJB) e pela Asso­ci­a­ção Por­tu­guesa de Arqui­tec­tos Pai­sa­gis­tas (APAP).

Esta visita foi apre­sen­tada pela Dr.ª Manu­ela Cor­reia, pre­si­dente da LAJB e teve como guias a Dr.ª Ale­xan­dra Escu­deiro, coor­de­na­dora do ser­viço de exten­são peda­gó­gica do JB, e pela Arqt.ª Aurora Cara­pi­nha, da APAP.

Não se tra­tou de ape­nas mais uma visita ao JB. Foi sim, um momento para apren­der mais sobre este espaço e para ficar a conhe­cer a sua, por vezes e para alguns, insus­peita impor­tân­cia e rele­vân­cia, não só para as espé­cies botâ­ni­cas aí repre­sen­ta­das mas tam­bém para as pes­soas e para o seu bem-estar.

Mesmo para quem já conhe­cia as relí­quias aqui guar­da­das, foi toda uma sur­presa ter uma nova visão deste espaço. Isto ficou a dever à exce­lente ori­en­ta­ção das nos­sas guias que, con­so­ante a sua espe­ci­a­li­dade, nos leva­ram da botâ­nica à his­tó­ria e nos per­mi­ti­ram enqua­drar este jar­dim num con­texto euro­peu e mesmo global.

Por outro lado, tam­bém fica­mos a conhe­cer alguns dos pro­ble­mas que afec­tam o jar­dim e que é neces­sá­rio enfren­tar urgen­te­mente. Alguns des­tes pro­ble­mas são anti­gos, como a difi­cul­dade no abas­te­ci­mento de água. Outros esprei­tam num futuro pró­ximo e, se nada vier a ser feito, pode­rão vir a pre­ju­di­car gra­ve­mente esta relí­quia da nossa his­tó­ria naci­o­nal, uma jóia natu­ral e um espaço de bem-estar psí­quico e físico dos cidadãos.

Sobre os pro­jec­tos que ame­a­çam o Jar­dim Botâ­nico, foi rea­li­zado, em seguida, um debate, com dis­tin­tos par­ti­ci­pan­tes, que abor­da­re­mos no pró­ximo texto a publicar.

Miguel Rodrigues

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O nosso Bairro: Rua Rosa Araújo 49


Este raro imóvel Arte Nova de Lisboa, datado de 1905, e uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (morreu em 1908) teve o seu interior integralmente demolido durante o verão.

Apesar de nunca ter sido colocado o "Aviso" na fachada, como a lei obriga, sabemos que deu entrada a 9 de Abril de 2007 um "pedido de ampliação". Afinal a "ampliação" queria dizer a demolição integral do miolo do edifício para não só aumentar a cércea mas também para abrir as habituais caves de estacionamento. Pela análise de outras obras de Nicola Bigaglia, os interiores deste arquitecto são sempre de grande qualidade e com certeza estes não seriam excepção. Não percebemos porque razão os técnicos da CML aprovam a demolição de obras com interiores notáveis e recuperáveis. O proprietário deste prédio é o BES e o autor do projecto é o Atelier Aires Mateus.

Este imóvel tinha ainda a particularidade de ter sido alvo, em 1943, de um projecto de alterações (entrada, por exemplo) do não menos notável arquitecto Luís Cristino da Silva.

Concluíndo, este era um imóvel a preservar na sua integridade patrimonial.

A LAJB lamenta mais este mau exemplo de delapidação do património cultural do antigo Bairro Barata Salgueiro. Lisboa ficou mais pobre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles: para uma Lisboa «mais centrada no ser do que no ter»

Gonçalo Ribeiro Telles recebeu Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, pelos 60 anos de carreira

O arquitecto paisagista, pioneiro do pensamento ecológico em Portugal, recebeu a distinção das mãos do presidente da Câmara, António Costa, na ocasião da inauguração de uma exposição sobre o Plano Verde, de que Ribeiro Telles foi precursor.

Para José Sá Fernandes, vereador responsável pelo Pelouro dos Espaços Verdes, a entrega desta medalha constitui "uma homenagem a um dos nomes mais notáveis da cidade". Entre as qualidades de Gonçalo Ribeiro Telles, o autarca salientou a sua "modernidade, perseverança e noção do serviço público". Sá Fernandes recordou o momento, anos atrás, em que o homenageado o incentivou para as "andanças da política", enquanto tributo ao serviço público.

Ao responsável pela introdução em Portugal dos conceitos de Reserva Ecológica, de Reserva Agrícola e de Sistemas de Vistas, e por obras tão emblemáticas como os Jardins do Castelo de São Jorge e da Fundação Caloute Gulbenkian, o vereador prometeu para muito breve "a melhor homenagem que se lhe pode prestar: a conclusão do Corredor Verde, ligando Monsanto ao Vale de Chelas, incluindo já a Quinta de José Pinto". "Gonçalo Ribeiro Telles é um sábio, obrigado", concluíu José Sá Fernandes.

Na cerimónia, que decorreu no dia 27 de Setembro, em pleno Jardim Botto Machado (Campo de Santa Clara), o presidente da Câmara, António Costa, entregou a Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, ao homenageado, dando cumprimento a uma deliberação camarária tomada por unanimidade. Para o autarca, foi "uma enorme honra entregar esta medalha" ao homem que, "para além da obra, deixou uma escola e um pensamento". António Costa sublinhou o facto de "o que em tempos foi considerado bizarrias e utopias" estar hoje "concretizado em obra". Por isso, "a melhor homenagem a Gonçalo Ribeiro Teles não é porventura esta medalha mas sabermos honrar os seus valores", concluíu o edil lisboeta.

Agradecendo a distinção que lhe foi entregue, o arquitecto tornou extensível a homenagem ao "trabalho de muita gente e muita conversa de café". Gonçalo Ribeiro Teles explicou a origem da sua obra em duas causas simples: "porque não sabia fazer outra coisa e por amor à cidade".

Mostrando-se agradado com o facto de as questões que vem suscitando desde há décadas serem agora compreendidas, o paisagista expressou votos para "que a vida na cidade se desenvolva em harmonia, mais centrada no ser do que no ter".

Depois da cerimónia, procedeu-se à inauguração da exposição "Plano Verde de Lisboa - Estrutura Ecológica Municipal", o Mercado de Santa Clara, baseada em estudos, desenhos, projectos e obras de Gonçalo Ribeiro Teles e nas concretizações que, neste domínio, a Câmara Municipal vem desenvolvendo. A exposição estará patente até ao dia 14 de Novembro, com entrada livre. in http://www.cm-lisboa.pt/

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Biodiversidade e Sociedade: Ilka Henski

Ciclo de Conferências Biodiversidade e Sociedade

29 Setembro - 18h - Anfiteatro Chimico
Museus da Politécnica, Rua da Escola Politécnica, 58

Ilka Henski, Professor na Universidade de Helsínquia, tem estudado o impacto da deflorestação e fragmentação de habitat em termos de conservação da biodiversidade. Uma das suas contribuições científicas mais decisivas é o estudo a longo prazo da borboleta Melitaea cinxia uma espécie ameaçada na Finlândia. A sua área de investigação relaciona-se com a regulação populacional e com os mecanismos de coexistência em comunidades.


O ciclo de conferências "Biodiversidade e Sociedade" destina-se ao público em geral, incluindo a comunidade científica, e pretende transmitir uma visão alargada do papel da Biodiversidade na nossa Sociedade, através da visão de cientistas de renome internacional. O ciclo é organizado pelos Bioeventos 2010, um conjunto de iniciativas que pretende celebrar o Ano Internacional da Biodiversidade, organizado pelo Museu Nacional e História Natural e pelo Centro de Biologia Ambiental, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian.

LAJB no FACEBOOK

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico está no facebook:

http://www.facebook.com/pages/Liga-Amigos-Jardim-Botanico/158503597500903

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010: O contributo da Loja de História Natural

Dias 25 e 26 de Setembro de 2010 (Sábado e Domingo) a Loja de História Natural irá desenvolver o seu primeiro programa de actividades, a decorrer durante as Jornadas Europeias do Património. O objectivo desta iniciativa é contribuir para sensibilizar para o Património Vivo como parte integrante e enriquecedora do nosso património.

PROGRAMA

Sábado, dia 25: visita guiada ao Jardim Botânico com início às 10h promovida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas para chamar a atenção para a ameaça real ao jardim que vem do Plano de Pormenor do Parque Mayer. Às 16h, a Loja de História Natural, em colaboração com os Amigos do Príncipe Real e com a participação da Associação Árvores de Portugal, oferece uma visita guiada gratuita às árvores do Jardim França Borges.

Ainda no sábado a Loja de História Natural organiza um almoço convívio, a decorrer entre a visita e debate no Jardim Botânico, de manhã, e a visita ao Jardim França Borges, à tarde. O Almoço irá decorrer na Comida de Urso, mesmo em frente à Loja de História Natural. O preço para o menú completo é de 10€ e não tem qualquer tipo de comissão ou margem para a Loja, sendo o nosso objectivo incentivar o convívio entre os participante nas actividades da manhã, assim como promover um encontro de bloguistas e leitores de temas de ambiente. O preço de 10€ mantém-se para inscrições até Sábado, 25/09/2010.

Domingo, dia 26: a Loja de História Natural, em colaboração com o Meridiano, orienta uma visita guiada ao Jardim Botânico sobre o tema da gravidez e a sua relação com as plantas, e às 15.00 terá início uma Oficina de Desenho de Campo, a decorrer também no Jardim Botânico, com o ilustrador Filipe Franco. http://lojadehistorianatural.blogspot.com

Foto: o ameaçado Palacete Ribeiro da Cunha por entre a folhagem de ginkgos e magnólias do Jardim do Príncipe Real.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONVITE: Jornadas Europeias do Património no Jardim Botânico

A Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP) e a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) têm a honra de convidar V. Exa. para a visita guiada “Jardim Botânico - Património Vivo da História” e para o debate “Jardim Botânico do Futuro” no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2010, no próximo dia 25 de Setembro, às 10horas, no Jardim Botânico da Escola Politécnica.

Jardim Botânico, 25 de Setembro de 2010

Rua da Escola Politécnica 58, Lisboa

PROGRAMA

9.30 - Chegada dos convidados: Portão Principal

10.00 - Início da visita guiada: Aurora Carapinha (Universida de Évora), Alexandra Escudeiro e Maria Teresa Antunes (Jardim Botânico, Universidade de Lisboa)

11.30 - Pausa para café

12.00 - Debate: Gonçalo Ribeiro Telles (APAP), Luísa Schimdt (ICS) e Manuela Raposo Magalhães (ISA)

Inscrições e informações:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bicicletada/Massa Crítica: 24 de Setembro

Massa Crítica. Uma Massa Crí­tica (MC) é um passeio no meio da cidade feito em modos de transporte suave. Realiza-se sempre na última Sexta-Feira de cada mês às 18h00. A MC é uma celebração da mobilidade suave que permite aos participantes circular com mais segurança e facilidade, marcando a sua presença no espaço público pelo número e densidade da concentração. Esta "segurança pela quantidade" torna-a uma excelente forma de iniciação à utilização de veículos suaves em espaço urbano.

Bicicletada/Massa Crítica: LISBOA, 24 de Setembro de 2010

Concentração às 18:00 e saída às 19:00, no Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII

domingo, 19 de setembro de 2010

Seminário: Imagens e padrões em inventários de azulejos

Depois de um intervalo para férias, vão ser retomados os Seminários de Estudos de Caso de Cultura Material.

Certamente já ouviram falar do magnífico trabalho de levantamento e estudo da azulejaria portuguesa feito pela Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões (Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): http://redeazulejo.fl.ul.pt/

Ocasionalmente, o Museu de Ciência tem colaborado com a Rede e talvez venha a colaborar ainda mais, no âmbito da segunda fase do projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos

A Rosário Salema de Carvalho é uma das coordenadoras da Rede e vai explicar um dos aspectos mais importantes do trabalho: o reconhecimento de imagens e padrões.

Imagens e padrões em inventários de azulejos: Projectos interdisciplinares na área da azulejaria

Rosário Salema de Carvalho

Terça-feira, 21 de Setembro, 17 h

Anfiteatro Manuel Valadares

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

FOTO: azulejos de fachada na Freguesia de Santa Isabel

sábado, 18 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010

As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.

Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.

O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.

Com o objectivo de incentivar o usufruto dos espaços patrimoniais, diversas entidades, públicas e privadas, irão associar-se a este evento através da realização de um vasto leque de iniciativas, contribuindo para a aproximação física e emocional das pessoas aos monumentos, conjuntos e sítios.

Siga o percurso da História e participe!

PROGRAMA DETALHADO: http://www.igespar.pt/

NOTA: No dia 25 de Setembro, e no âmbito destas Jornadas, irá realizar-se uma visita guiada ao nosso Jardim Botânico

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ciclo de Palestras: Jardins e Sociedade

No âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, o Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural, em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, promove o ciclo de palestras Jardins e Sociedade, que terá lugar no Auditório da Quinta da Memória – Jardim Botânico de Famões. A primeira palestra, terá lugar no próximo sábado dia 18 de Setembro, pelas 15h00 tendo como orador a Prof. Maria Amélia Martins-Loução com o tema Missão dos Jardins Botânicos. As três palestras seguintes realizam-se também ao sábado, sendo uma por cada mês: http://www.cm-odivelas.pt/

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Nosso Bairro: "Lojas-museu" quase extintas

«Se Celestino Almeida cobrasse dinheiro por cada fotografia que os turistas tiram à sua mercearia quase centenária – sobretudo estrangeiros – teria certamente um bom pé de meia para deixar aos filhos. Mas não. Recebe-os a todos com um sorriso aberto na loja onde atende clientes há sete décadas. Na “Pérola de S. Mamede”, situada na Rua Nova de S. Mamede, em Lisboa, respira-se o ambiente de uma mercearia de bairro dos anos 30.

A “Pérola” é quase uma “loja-museu”, um exemplar em vias de extinção. Na capital, são já poucas as lojas com interiores de reconhecido valor patrimonial, pela arquitectura ou materiais decorativos. E o que resta tem futuro incerto. Ainda esta semana, a Câmara embargou obras ilegais que decorriam no interior da antiga Drogaria Oliveirense, que aguarda classificação municipal.

A autarquia não conseguiu ainda notificar o proprietário, nem verificar a dimensão dos estragos. Foi o próprio presidente da Junta de Freguesia da Lapa, Nuno Ferro, que denunciou o caso. "Quem estava lá a trabalhar saiu para almoço e fechou tudo. Não sabemos o que foi estragado", explicou o autarca, lembrando que aquela drogaria existia, pelo menos, desde 1895, e tinha uma imagem Arte Nova do início do século passado.

Tanto a antiga Drogaria Oliveirense como a mercearia de Celestino Almeida aguardam por classificação. A proposta de salvaguarda foi aprovada em 2008, por iniciativa dos vereadores do grupo Cidadãos por Lisboa. Os vereadores, entre os quais Helena Roseta, propunham que fosse feito o levantamento das lojas de comércio tradicional para as incluir, em sede de revisão do Plano Director Municipal, na carta do Inventário Municipal de Património, e eventualmente abrir um processo de classificação. Pediam ainda que fossem estudados apoios aos proprietários. Nada foi ainda feito.

Coube a Helena Roseta – esta semana presidente em exercício, pelo facto de António Costa e o seu vice-presidente estarem ausentes em trabalho na China – decretar o embargo. Espera ter agido a tempo. “Não deitem abaixo os interiores destas lojas, que são fantásticos”, apelou a vereadora. "Esses apoios são muito necessários. No outro dia, entrou aqui um homem que mora no Alentejo e disse-me que lhe ofereceram um subsídio para fazer obras e conservar a traça original. Gostaria de ter benefícios semelhantes", diz Celestino Almeida.

A mercearia está na família há três gerações. Celestino herdou o negócio dos padrinhos. “Fui trabalhar para lá aos 10 anos. Foi um castigo por não querer estudar”, revela. Completa este mês 78 anos e partilha o balcão com a mulher Maria há 54 anos. “Não haverá quarta geração. Os filhos não querem saber disto”, lamenta.

Grande parte da fiel clientela já morreu. Celestino continua a ter as portas abertas, mas há muito que deixou de vender com medidas e pesos. Tudo se vendia aos poucos. Meios decilitros de azeite eram vendidos em cartuchinhos de papel para regar um prato de peixe. O sabão era retalhado em pequenas barras e, por vezes, vendia cinco tostões de manteiga para barrar uma carcaça. (in Jornal de Notícias).

Nota: a LAJB lamenta muito a perda deste tipo de património ainda pouco valorizado pela nossa sociedade. A CML tem sido demasiado apática e permissiva. É urgente salvaguardar esta mais valia não só cultural mas também económica de Lisboa. Imagem da antiga Drogaria Oliveirense vítima de barbárie cultural.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa: a opinião da LAJB e da ALV

Exmo. Sr. Presidente da CML,

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) e a Associação Lisboa Verde (ALV)

Vem apresentar junto de V. Exa., ao abrigo do artigo 77.º n.º3 do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, no âmbito do período de Participação Pública do Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina, as seguintes observações, reclamações e sugestões:

1-Introdução:

Embora a intenção deste Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina (PPSBP) seja a de promover e garantir uma reabilitação integrada, qualificada e sustentável desta zona histórica central da cidade, a redacção do texto está demasiado centrada nas questões de regulamento e licenciamento de operações urbanísticas. É notória a grande desproporção entre os capítulos e artigos dedicados às operações urbanísticas em imóveis privados e aqueles que dizem respeito ao bem comum, como por exemplo, Espaço Público, Espaços Verdes, Espaços Culturais, Transporte Colectivo e Sustentabilidade Ambiental. Na opinião da LAJB e da ALV o Plano de Pormenor deve desenvolver melhor o seguinte:

2-Medidas de salvaguarda das especificidades patrimoniais da Baixa pombalina

Em vários pontos o texto do PPSBP assemelha-se demasiado aos regulamentos para as operações urbanísticas convencionais. Por exemplo, nos imóveis que já não possuem a sua estrutura de gaiola ou esta não é recuperável, é proposto que não seja obrigatório a reconstrução de nova estrutura em gaiola ainda que numa versão devidamente actualizada. Esta hipótese afigura-se demasiado perigosa considerando que Lisboa não tem ainda uma cultura de reabilitação e conservação do património arquitectónico. O sector imobiliário português é muito insustentável pois prefere claramente a construção nova à reabilitação como provam as estatísticas. A Baixa corre o risco de ficar vítima da promoção imobiliária que apenas pretende desenvolver projectos de construção nova atrás de fachadas pombalinas. Este risco é real, bastando contabilizar a rápida perda de interiores pombalinos a que temos assistido nos últimos anos no Chiado. Na base das demolições integrais dos interiores do Chiado está uma cultura instalada de desprezo das técnicas de construção em madeira.

Falta ao texto deste PPSBP a valorização da madeira enquanto material de construção sustentável, de qualidade e apto a responder às expectativas de projectos imobiliários contemporâneos. Ao demitir-se de exigir a reconstrução estrutural em madeira, a CML corre o risco de, indirectamente, apoiar a destruição do rico património de engenharia de estruturas contido na Baixa pombalina. Porque para cumprir objectivos estritamente lucrativos bastará aos proprietários aguardar pela degradação irreversível da gaiola pombalina para erguerem mais construção nova com a redutora manutenção de fachada.

Ao possibilitar a reconstrução de imóveis em estrutura de betão armado a CML estará a contribuir para a progressiva erosão dos conteúdos patrimoniais que são a base de sustentação não só da Baixa enquanto Monumento Nacional como a futura candidatura a Património Mundial da Humanidade.

Na perspectiva de um planeamento urbano e de edificações sustentáveis, a manutenção e promoção de edifícios já construídos é a solução mais ecológica e sustentável. A demolição de uma gaiola pombalina e a sua substituição por uma estrutura em betão armado terá sempre uma pegada ecológica muito superior à do restauro. Uma construção já existente é sempre mais “verde” que uma construção nova.

3-Medidas para uma Estratégia Ambiental na Baixa Pombalina

Notamos uma grande desproporção entre os capítulos e artigos dedicados às regras de intervenção no edificado – o domínio privado - e aqueles que dizem respeito ao bem comum, como por exemplo o Espaço Público e o Ambiente.

Aplaudimos o artigo de protecção das espécies vegetais existentes na Baixa assim como o artigo onde se expressa a intenção de promover a mobilidade suave. Mas estes dois artigos são insuficientes para se poder afirmar que o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina tem uma Estratégia Ambiental clara e definida. Compreendemos que a redacção do Plano de Pormenor tenta responder, acima de tudo, às expectativas do sector imobiliário pois é concebido como o grande motor da reabilitação da Baixa pombalina. Mas é com certeza justo que os cidadãos também vejam neste PPSBP a devida identificação de todos os elementos constituintes do Espaço Público da Baixa pombalina assim como as regras para futuras intervenções. Porque a Baixa não é só construção degradada a pedir reabilitação urgente. A Baixa incluiu outras realidades como arruamentos com baixos níveis de conforto ambiental e mobiliário urbano dissonante. É pois particularmente importante garantir que as regras de intervenção no Espaço Público estejam igualmente desenvolvidas e presentes na redacção final do PPSBP:

3.1-Estrutura Verde para a Baixa pombalina

Há factores diversos que contribuem para a falta de qualidade ambiental da Baixa, nomeadamente históricos e contemporâneos. Considerando que:

-Lisboa é uma das capitais da Europa com menos metros quadrados de espaços verdes por habitante e a Baixa é um dos bairros da capital com maior deficit de árvores e espaços verdes.

-O desenho pombalino dos quarteirões da Baixa tem saguões insalubres, muito pequenos e estreitos onde não é praticamente possível criar jardins convencionais;

-A impermeabilização maciça que foi feita nos últimos anos em praças através da abertura de caves para estacionamento inviabilizou a arborização de espaços públicos de referência como a Praça da Figueira e a Praça dos Restauradores (onde são registadas temperaturas muito elevadas que comprometem os objectivos de uma reabilitação urbana sustentável).

-O sucesso da requalificação do Rossio depende em grande parte do plano coerente de arborização implementado em 2000. Dez anos passados o Rossio apresenta passeios largos e consistentemente arborizados, onde é confortável a estadia.

-O fracasso da remodelação da Praça da Figueira está relacionado com a impossibilidade de se implementar um plano de arborização coerente devido à remoção maciça de solo para a construção do estacionamento subterrâneo. Parte da decadência desta praça é fruto do baixo nível de Conforto Ambiental, uma consequência do grande deficit de árvores.

-A circulação do ar na Baixa é dificultada pela sua malha urbana apertada e localização num vale cercado por três colinas;

-A Baixa regista um atravessamento significativo de viaturas automóveis com consequente acumular de emissões poluentes e temperatura;

A LAJB e a ALV propõem:

-Que se dê particular importância aos pavimentos das zonas públicas, como arruamentos e o interior de saguões. Para compensar a grande área de solos impermeabilizada, resultante do próprio plano de reconstrução pombalino que por natureza apresenta uma elevada densidade de construção, deve ser obrigatório o uso de materiais permeáveis na pavimentação de arruamentos e saguões, para facilitar a infiltração e retenção de águas pluviais essenciais à própria sobrevivência do edificado pombalino;

-Que faça parte deste PP um plano geral de arborização que identifique os arruamentos onde é viável e aconselhável a implementação de alinhamentos de árvores. Os arruamentos arborizados são importantíssimos pois asseguram e reforçam a continuidade da estrutura ecológica existente. Há ruas onde é possível a plantação de árvores de copa pequena para não comprometer a leitura dos alçados pombalinos da Baixa. Um dos arruamentos que reúne condições ideais é a Rua do Comércio que por ser mais larga e por constituir uma ligação directa entre dois espaços públicos de referência – Praça do Município e Campo das Cebolas – tem grande potencial para ser transformada em corredor verde de atravessamento pedonal na Baixa. E como de acordo com o mapa do novo plano de circulação viária este arruamento passará a receber mais tráfego automóvel é essencial pensar na sua arborização para mitigar o novo acréscimo de poluição;

-Apesar das dificuldades impostas pela impermeabilização provocada pelo estacionamento subterrâneo, poder-se-ia dotar as praças dos Restauradores, da Figueira e do Município de áreas ajardinadas, recorrendo à plantação de espécies xerofíticas, nomeadamente da flora autóctone. A flora autóctone em zonas áridas é habitualmente de pequeno porte, necessitando de pouca água e resistente ao calor e exposição solar. A estratégia ambiental a implementar deve procurar soluções adaptativas, ou seja, se os arruamentos não contemplam árvores devido à sua impermeabilização, devem ser implementadas soluções "verdes” para mitigar esta realidade urbana que herdámos.

-Que se equacionem regras que visem a melhoria ambiental dos saguões insalubres, nomeadamente através de soluções criativas como “Jardins Verticais” para os saguões muito estreitos e altos ou “Micro Jardins” para usufruto de moradores dos imóveis que definem saguões de dimensões mais generosas;

-Para além de declarar a intenção de proteger as árvores notáveis existentes na Baixa, é essencial identificar devidamente esses exemplares do património natural. Tal como foi feito um inventário das lojas da Baixa a preservar, apelamos para que seja feito um levantamento das espécies vegetais e que esse inventário faça parte da redacção final do PPSBP. Nunca é de mais sublinhar o importantíssimo papel das árvores em contexto urbano na melhoria do próprio desempenho energético dos edifícios. A presença efectiva de plantas no PPSBP deve ser entendido no contexto da racionalização de recursos naturais e energéticos.

3.2-Mobiliário Urbano (iluminação pública, Fontes e outros equipamentos)

Considerando que:

-A Baixa contém um conjunto de mobiliário urbano dos mais ricos e únicos da capital, onde se incluem peças desenhadas exclusivamente para os seus arruamentos (ex: consolas de iluminação);

-A grande maioria dos espaços públicos da Baixa são muito áridos e pouco atraentes devido à falta de árvores e de fontes, essenciais para arrefecer e humidificar o ar;

-A Baixa perdeu quase a totalidade dos quiosques históricos estando actualmente pontuada por quiosques de design moderno e banal que não se integram na paisagem urbana histórica;

-A perda do Mercado da Praça da Figueira, único que existia na Baixa, provocou um grande empobrecimento deste espaço público pois era um equipamento gerador de vida urbana;

A LAJB e a ALV propõem:

-À semelhança do inventário das lojas da Baixa a preservar, que seja feito um levantamento do mobiliário urbano a preservar e que esse inventário faça parte da redacção final do PPSBP;

-O desenvolvimento de um projecto de criação de pontos de água sob a forma de novas fontes e bebedouros para melhorar o Conforto Ambiental dos espaços públicos da Baixa. Actualmente é notória a diferença em termos qualitativos entre, por exemplo, o Rossio onde duas fontes humidificam o ar e árvores criam percursos sombreados e a inóspita Praça da Figueira.

-O estabelecimento de regras muito precisas para os quiosques a instalar na Baixa, não só para o design deste tipo de mobiliário como também para a sua implementação;

-Que se estude a ocupação parcial da placa central da Praça da Figueira com pequenos pavilhões de venda de hortícolas, flores, assim como cafés, padarias, tascas e gelatarias. Experiências destas muito bem sucedidas em praças secundárias de cidades da Europa, tanto do sul como do norte devem ser estudadas (imagens em anexo do Viktuallenmarkt em Munique). A recuperação da antiga função de mercado ajudaria a resolver o vazio e falta de orientação de que sofre a Praça da Figueira. É preciso actualizar a memória do antigo mercado.

4-Conclusão: Uma cidade gerida com os cidadãos e não para os cidadãos

Preocupa-nos que a redacção do PPSBP se concentre, quase exclusivamente, nas regras para as operações urbanísticas. Falta uma Estratégia Ambiental. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde consideram que é vital a inclusão de uma Estratégia Ambiental no PPSBP. Para garantir a sustentabilidade de Lisboa o plano deve conter regras que contribuam para a melhoria geral do Ambiente Urbano. Só dessa forma a perspectiva de habitar na Baixa poderá ser opção atraente e viável para os cidadãos.

Tem que ser criado um novo paradigma para a estrutura ecológica da cidade de Lisboa e para uma Estratégia Ambiental que prepare o futuro: Sistema de vistas das colinas e dos vales; Sistema de sombras; Intervenções para retenção e infiltração das águas pluviais; Conservação e restauro do edificado; Cruzamento da cultura rural e urbana; Rede de Transportes Colectivos.

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde esperam que o PPSBP se afirme pela mudança de paradigma na gestão do património arquitectónico, urbanístico e ambiental único que encontramos na Baixa pombalina. Esperamos ter contribuído para a elaboração de um PPSBP que promova uma Baixa ambientalmente mais confortável e sustentável. Mostramo-nos desde já inteiramente disponíveis para todo e qualquer esclarecimento e colaboração cívica.

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Associação Lisboa Verde

Lisboa, 15 de Setembro de 2010

Foto: Praça do Comércio em 1950, por Sena da Silva

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Jardim Botânico há 100 anos

Vista da escadaria que liga a Classe ao Arboreto numa fotografia colorida reproduzida num postal do início do séc. XX. Nesta imagem podemos ver um gradeamento instalado ao fundo da escadaria que permitia fechar o Arboreto. No verso do postal: «Union Postale Universelle / Portugal / Carte Postale - Bilhete Postal / S. R. / Lisboa». Nota: Agradecemos esta imagem enviada por um associado da LAJB.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

«Cidadãos ainda podem fazer rever Plano de Pormenor do Parque Mayer»

«Em reunião de câmara será hoje decidida a abertura de um período de discussão pública para aprovação da proposta. Se as pessoas disserem 'não' com fundamento, revê-se plano.

Três anos após o início da elaboração do actual Plano de Pormenor do Parque Mayer e área envolvente - com a abertura do concurso de ideias - este poderá ainda sofrer uma revisão. Basta que os cidadãos assim o entendam e fundamentem o seu "não" à proposta apresentada.

Chegados à fase final de todas as etapas de um plano de pormenor, vai ser hoje aprovada na reunião da Câmara Municipal de Lisboa (CML) a "abertura de um período de discussão pública para a aprovação do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim botânico e Zona envolvente, nos termos da proposta". Ou seja; as pessoas (singulares e colectivas e não necessariamente de Lisboa) têm ainda uma palavra a dizer em relação ao documento que foi elaborado a partir da proposta do arquitecto Aires Mateus, vencedora, em 2007, do concurso de ideias para este local central na cidade de Lisboa. "Depois de toda a avaliação pública pela qual o plano já passou, não acredito que esta proposta vá ainda ser contestada, mas nada é impossível", disse ontem ao DN Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da CML.

No entanto, o autarca admitiu que o plano "poderá voltar a ser reavaliado se se considerar que os cidadãos levantaram questões pertinentes que ainda devem ser corrigidas". Tais sugestões e opiniões poderão ser dadas através do preenchimento de um formulário que será disponibilizado via Internet; nas juntas de freguesia; no centro de atendimento da CML e no centro de informação urbana de Lisboa, situado no Picoas Plaza.

Os interessados poderão intervir nesta fase do plano de pormenor após hoje ser aprovado o período de discussão pública e em seguida tal decisão ser publicada em Diário da República.

Depois estes procedimentos, os cidadãos têm cerca de 20 dias para se pronunciarem em relação à actual proposta que, como o DN já noticiou, recebeu o apoio da Universidade de Lisboa e foi criticada pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pelo Fórum Cidadania Lisboa.

Segundo já disse ao DN Maria Amélia Loução, vice-reitora da Universidade de Lisboa, as medidas propostas "são o sinal claro de uma grande preocupação do município com a preservação desta mancha verde [referindo-se à zona envolvente, nomeadamente ao Jardim Botânico]".

Opinião contrária tem a Liga dos Amigos do Jardim Botânico. "É um plano que amputa parte do jardim e que vai eliminar equipamentos fundamentais. Vai destruir a cerca pombalina e, sobre um viveiro activo, vai ser construída uma entrada pelo topo da Rua Castilho", sublinhou ao DN fonte da Liga, adiantando que pelo menos era esta a intenção. "Não sei se, entretanto, mudou", defende.

Já o Fórum Cidadania Lisboa critica a falta de sensibilidade em relação a toda a Baixa Pombalina.Opinião dos cidadãos em geral poderá ser expressada em discussão pública. Se não houver entraves fundamentados segundo os responsáveis do plano e da CML, este avança para Assembleia Municipal que dará a aprovação final. Caso contrário, o plano é revisto.»

in DN 8 de Setembro de 2010

Foto: O Jardim Botânico na sua relação com a cidade, neste caso os logradouros e edifícios da Praça do Princípe Real e da Rua D. Pedro V

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GREEN FESTIVAL em Cascais

Exmo. (a) Sr. (a).

A Câmara Municipal de Cascais, a Gingko e a GCI têm a honra de o/a convidar para a terceira edição do Green Festival, o maior evento sobre Sustentabilidade em Portugal.

Entre 10 e 17 de Setembro, o Centro de Congressos do Estoril e a Fiartil serão o palco para uma série de actividades que mostram o que de melhor se faz nos três pilares da Sustentabilidade; social, económico e ambiental.

O Green Festival abre dia 10 com a conferência "Cidades Sustentáveis". O orador convidado é o arquitecto brasileiro Jaime Lerner, antigo prefeito de Curitiba, considerada uma das cidades mais sustentáveis do mundo. Este ano, a revista "Time"considerou Jaime Lerner como um dos maiores pensadores e influenciadores do Planeta.

A Prémio Nobel da Paz de 2004, a queniana Wangari Maathai, é a convidada de honra para a conferência "Inovação social e preservação ambiental, o que as empresas estão a fazer para serem relevantes nas suas comunidades". Wangari Maathai fundou na década de 70 o Green Belt Movement, que ajudou milhões de mulheres e levou à plantação de mais de 30 milhões de árvores.

Num movimento pioneiro, Wangari Maathai aliou a inovação social à preservação ambiental, num trabalho reconhecido e premiado em todo o mundo e que a levou a ser eleita como uma das 500 personalidades mais influentes do mundo pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

Da agenda do Green Festival também fazem parte conferências e workshops sobre Biodiversidade, Gestão do Espaço Público, Turismo Sustentável, Empreendedorismo e Inclusão Social.

Contamos com a sua presença.

Inscrições para as Conferências: patricia.patrao@greenfestival.pt

Para mais informações: www.greenfestival.pt

Foto: Estoril, Praia do Tamariz no início do séc. XX. Fotografia de Ferreira da Cunha (1901-1970), Arquivo Municipal de Lisboa. Actualmente nem crianças nem adultos podem brincar em todas as praias da Costa do Estoril - são bem conhecidos os graves problemas de poluição nas praias de Algés, por exemplo.