quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O nosso Bairro: Rua Rosa Araújo 49


Este raro imóvel Arte Nova de Lisboa, datado de 1905, e uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (morreu em 1908) teve o seu interior integralmente demolido durante o verão.

Apesar de nunca ter sido colocado o "Aviso" na fachada, como a lei obriga, sabemos que deu entrada a 9 de Abril de 2007 um "pedido de ampliação". Afinal a "ampliação" queria dizer a demolição integral do miolo do edifício para não só aumentar a cércea mas também para abrir as habituais caves de estacionamento. Pela análise de outras obras de Nicola Bigaglia, os interiores deste arquitecto são sempre de grande qualidade e com certeza estes não seriam excepção. Não percebemos porque razão os técnicos da CML aprovam a demolição de obras com interiores notáveis e recuperáveis. O proprietário deste prédio é o BES e o autor do projecto é o Atelier Aires Mateus.

Este imóvel tinha ainda a particularidade de ter sido alvo, em 1943, de um projecto de alterações (entrada, por exemplo) do não menos notável arquitecto Luís Cristino da Silva.

Concluíndo, este era um imóvel a preservar na sua integridade patrimonial.

A LAJB lamenta mais este mau exemplo de delapidação do património cultural do antigo Bairro Barata Salgueiro. Lisboa ficou mais pobre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles: para uma Lisboa «mais centrada no ser do que no ter»

Gonçalo Ribeiro Telles recebeu Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, pelos 60 anos de carreira

O arquitecto paisagista, pioneiro do pensamento ecológico em Portugal, recebeu a distinção das mãos do presidente da Câmara, António Costa, na ocasião da inauguração de uma exposição sobre o Plano Verde, de que Ribeiro Telles foi precursor.

Para José Sá Fernandes, vereador responsável pelo Pelouro dos Espaços Verdes, a entrega desta medalha constitui "uma homenagem a um dos nomes mais notáveis da cidade". Entre as qualidades de Gonçalo Ribeiro Telles, o autarca salientou a sua "modernidade, perseverança e noção do serviço público". Sá Fernandes recordou o momento, anos atrás, em que o homenageado o incentivou para as "andanças da política", enquanto tributo ao serviço público.

Ao responsável pela introdução em Portugal dos conceitos de Reserva Ecológica, de Reserva Agrícola e de Sistemas de Vistas, e por obras tão emblemáticas como os Jardins do Castelo de São Jorge e da Fundação Caloute Gulbenkian, o vereador prometeu para muito breve "a melhor homenagem que se lhe pode prestar: a conclusão do Corredor Verde, ligando Monsanto ao Vale de Chelas, incluindo já a Quinta de José Pinto". "Gonçalo Ribeiro Telles é um sábio, obrigado", concluíu José Sá Fernandes.

Na cerimónia, que decorreu no dia 27 de Setembro, em pleno Jardim Botto Machado (Campo de Santa Clara), o presidente da Câmara, António Costa, entregou a Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, ao homenageado, dando cumprimento a uma deliberação camarária tomada por unanimidade. Para o autarca, foi "uma enorme honra entregar esta medalha" ao homem que, "para além da obra, deixou uma escola e um pensamento". António Costa sublinhou o facto de "o que em tempos foi considerado bizarrias e utopias" estar hoje "concretizado em obra". Por isso, "a melhor homenagem a Gonçalo Ribeiro Teles não é porventura esta medalha mas sabermos honrar os seus valores", concluíu o edil lisboeta.

Agradecendo a distinção que lhe foi entregue, o arquitecto tornou extensível a homenagem ao "trabalho de muita gente e muita conversa de café". Gonçalo Ribeiro Teles explicou a origem da sua obra em duas causas simples: "porque não sabia fazer outra coisa e por amor à cidade".

Mostrando-se agradado com o facto de as questões que vem suscitando desde há décadas serem agora compreendidas, o paisagista expressou votos para "que a vida na cidade se desenvolva em harmonia, mais centrada no ser do que no ter".

Depois da cerimónia, procedeu-se à inauguração da exposição "Plano Verde de Lisboa - Estrutura Ecológica Municipal", o Mercado de Santa Clara, baseada em estudos, desenhos, projectos e obras de Gonçalo Ribeiro Teles e nas concretizações que, neste domínio, a Câmara Municipal vem desenvolvendo. A exposição estará patente até ao dia 14 de Novembro, com entrada livre. in http://www.cm-lisboa.pt/

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Biodiversidade e Sociedade: Ilka Henski

Ciclo de Conferências Biodiversidade e Sociedade

29 Setembro - 18h - Anfiteatro Chimico
Museus da Politécnica, Rua da Escola Politécnica, 58

Ilka Henski, Professor na Universidade de Helsínquia, tem estudado o impacto da deflorestação e fragmentação de habitat em termos de conservação da biodiversidade. Uma das suas contribuições científicas mais decisivas é o estudo a longo prazo da borboleta Melitaea cinxia uma espécie ameaçada na Finlândia. A sua área de investigação relaciona-se com a regulação populacional e com os mecanismos de coexistência em comunidades.


O ciclo de conferências "Biodiversidade e Sociedade" destina-se ao público em geral, incluindo a comunidade científica, e pretende transmitir uma visão alargada do papel da Biodiversidade na nossa Sociedade, através da visão de cientistas de renome internacional. O ciclo é organizado pelos Bioeventos 2010, um conjunto de iniciativas que pretende celebrar o Ano Internacional da Biodiversidade, organizado pelo Museu Nacional e História Natural e pelo Centro de Biologia Ambiental, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian.

LAJB no FACEBOOK

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico está no facebook:

http://www.facebook.com/pages/Liga-Amigos-Jardim-Botanico/158503597500903

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010: O contributo da Loja de História Natural

Dias 25 e 26 de Setembro de 2010 (Sábado e Domingo) a Loja de História Natural irá desenvolver o seu primeiro programa de actividades, a decorrer durante as Jornadas Europeias do Património. O objectivo desta iniciativa é contribuir para sensibilizar para o Património Vivo como parte integrante e enriquecedora do nosso património.

PROGRAMA

Sábado, dia 25: visita guiada ao Jardim Botânico com início às 10h promovida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas para chamar a atenção para a ameaça real ao jardim que vem do Plano de Pormenor do Parque Mayer. Às 16h, a Loja de História Natural, em colaboração com os Amigos do Príncipe Real e com a participação da Associação Árvores de Portugal, oferece uma visita guiada gratuita às árvores do Jardim França Borges.

Ainda no sábado a Loja de História Natural organiza um almoço convívio, a decorrer entre a visita e debate no Jardim Botânico, de manhã, e a visita ao Jardim França Borges, à tarde. O Almoço irá decorrer na Comida de Urso, mesmo em frente à Loja de História Natural. O preço para o menú completo é de 10€ e não tem qualquer tipo de comissão ou margem para a Loja, sendo o nosso objectivo incentivar o convívio entre os participante nas actividades da manhã, assim como promover um encontro de bloguistas e leitores de temas de ambiente. O preço de 10€ mantém-se para inscrições até Sábado, 25/09/2010.

Domingo, dia 26: a Loja de História Natural, em colaboração com o Meridiano, orienta uma visita guiada ao Jardim Botânico sobre o tema da gravidez e a sua relação com as plantas, e às 15.00 terá início uma Oficina de Desenho de Campo, a decorrer também no Jardim Botânico, com o ilustrador Filipe Franco. http://lojadehistorianatural.blogspot.com

Foto: o ameaçado Palacete Ribeiro da Cunha por entre a folhagem de ginkgos e magnólias do Jardim do Príncipe Real.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONVITE: Jornadas Europeias do Património no Jardim Botânico

A Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP) e a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) têm a honra de convidar V. Exa. para a visita guiada “Jardim Botânico - Património Vivo da História” e para o debate “Jardim Botânico do Futuro” no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2010, no próximo dia 25 de Setembro, às 10horas, no Jardim Botânico da Escola Politécnica.

Jardim Botânico, 25 de Setembro de 2010

Rua da Escola Politécnica 58, Lisboa

PROGRAMA

9.30 - Chegada dos convidados: Portão Principal

10.00 - Início da visita guiada: Aurora Carapinha (Universida de Évora), Alexandra Escudeiro e Maria Teresa Antunes (Jardim Botânico, Universidade de Lisboa)

11.30 - Pausa para café

12.00 - Debate: Gonçalo Ribeiro Telles (APAP), Luísa Schimdt (ICS) e Manuela Raposo Magalhães (ISA)

Inscrições e informações:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bicicletada/Massa Crítica: 24 de Setembro

Massa Crítica. Uma Massa Crí­tica (MC) é um passeio no meio da cidade feito em modos de transporte suave. Realiza-se sempre na última Sexta-Feira de cada mês às 18h00. A MC é uma celebração da mobilidade suave que permite aos participantes circular com mais segurança e facilidade, marcando a sua presença no espaço público pelo número e densidade da concentração. Esta "segurança pela quantidade" torna-a uma excelente forma de iniciação à utilização de veículos suaves em espaço urbano.

Bicicletada/Massa Crítica: LISBOA, 24 de Setembro de 2010

Concentração às 18:00 e saída às 19:00, no Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII

domingo, 19 de setembro de 2010

Seminário: Imagens e padrões em inventários de azulejos

Depois de um intervalo para férias, vão ser retomados os Seminários de Estudos de Caso de Cultura Material.

Certamente já ouviram falar do magnífico trabalho de levantamento e estudo da azulejaria portuguesa feito pela Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões (Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): http://redeazulejo.fl.ul.pt/

Ocasionalmente, o Museu de Ciência tem colaborado com a Rede e talvez venha a colaborar ainda mais, no âmbito da segunda fase do projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos

A Rosário Salema de Carvalho é uma das coordenadoras da Rede e vai explicar um dos aspectos mais importantes do trabalho: o reconhecimento de imagens e padrões.

Imagens e padrões em inventários de azulejos: Projectos interdisciplinares na área da azulejaria

Rosário Salema de Carvalho

Terça-feira, 21 de Setembro, 17 h

Anfiteatro Manuel Valadares

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

FOTO: azulejos de fachada na Freguesia de Santa Isabel

sábado, 18 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010

As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.

Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.

O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.

Com o objectivo de incentivar o usufruto dos espaços patrimoniais, diversas entidades, públicas e privadas, irão associar-se a este evento através da realização de um vasto leque de iniciativas, contribuindo para a aproximação física e emocional das pessoas aos monumentos, conjuntos e sítios.

Siga o percurso da História e participe!

PROGRAMA DETALHADO: http://www.igespar.pt/

NOTA: No dia 25 de Setembro, e no âmbito destas Jornadas, irá realizar-se uma visita guiada ao nosso Jardim Botânico

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ciclo de Palestras: Jardins e Sociedade

No âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, o Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural, em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, promove o ciclo de palestras Jardins e Sociedade, que terá lugar no Auditório da Quinta da Memória – Jardim Botânico de Famões. A primeira palestra, terá lugar no próximo sábado dia 18 de Setembro, pelas 15h00 tendo como orador a Prof. Maria Amélia Martins-Loução com o tema Missão dos Jardins Botânicos. As três palestras seguintes realizam-se também ao sábado, sendo uma por cada mês: http://www.cm-odivelas.pt/

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Nosso Bairro: "Lojas-museu" quase extintas

«Se Celestino Almeida cobrasse dinheiro por cada fotografia que os turistas tiram à sua mercearia quase centenária – sobretudo estrangeiros – teria certamente um bom pé de meia para deixar aos filhos. Mas não. Recebe-os a todos com um sorriso aberto na loja onde atende clientes há sete décadas. Na “Pérola de S. Mamede”, situada na Rua Nova de S. Mamede, em Lisboa, respira-se o ambiente de uma mercearia de bairro dos anos 30.

A “Pérola” é quase uma “loja-museu”, um exemplar em vias de extinção. Na capital, são já poucas as lojas com interiores de reconhecido valor patrimonial, pela arquitectura ou materiais decorativos. E o que resta tem futuro incerto. Ainda esta semana, a Câmara embargou obras ilegais que decorriam no interior da antiga Drogaria Oliveirense, que aguarda classificação municipal.

A autarquia não conseguiu ainda notificar o proprietário, nem verificar a dimensão dos estragos. Foi o próprio presidente da Junta de Freguesia da Lapa, Nuno Ferro, que denunciou o caso. "Quem estava lá a trabalhar saiu para almoço e fechou tudo. Não sabemos o que foi estragado", explicou o autarca, lembrando que aquela drogaria existia, pelo menos, desde 1895, e tinha uma imagem Arte Nova do início do século passado.

Tanto a antiga Drogaria Oliveirense como a mercearia de Celestino Almeida aguardam por classificação. A proposta de salvaguarda foi aprovada em 2008, por iniciativa dos vereadores do grupo Cidadãos por Lisboa. Os vereadores, entre os quais Helena Roseta, propunham que fosse feito o levantamento das lojas de comércio tradicional para as incluir, em sede de revisão do Plano Director Municipal, na carta do Inventário Municipal de Património, e eventualmente abrir um processo de classificação. Pediam ainda que fossem estudados apoios aos proprietários. Nada foi ainda feito.

Coube a Helena Roseta – esta semana presidente em exercício, pelo facto de António Costa e o seu vice-presidente estarem ausentes em trabalho na China – decretar o embargo. Espera ter agido a tempo. “Não deitem abaixo os interiores destas lojas, que são fantásticos”, apelou a vereadora. "Esses apoios são muito necessários. No outro dia, entrou aqui um homem que mora no Alentejo e disse-me que lhe ofereceram um subsídio para fazer obras e conservar a traça original. Gostaria de ter benefícios semelhantes", diz Celestino Almeida.

A mercearia está na família há três gerações. Celestino herdou o negócio dos padrinhos. “Fui trabalhar para lá aos 10 anos. Foi um castigo por não querer estudar”, revela. Completa este mês 78 anos e partilha o balcão com a mulher Maria há 54 anos. “Não haverá quarta geração. Os filhos não querem saber disto”, lamenta.

Grande parte da fiel clientela já morreu. Celestino continua a ter as portas abertas, mas há muito que deixou de vender com medidas e pesos. Tudo se vendia aos poucos. Meios decilitros de azeite eram vendidos em cartuchinhos de papel para regar um prato de peixe. O sabão era retalhado em pequenas barras e, por vezes, vendia cinco tostões de manteiga para barrar uma carcaça. (in Jornal de Notícias).

Nota: a LAJB lamenta muito a perda deste tipo de património ainda pouco valorizado pela nossa sociedade. A CML tem sido demasiado apática e permissiva. É urgente salvaguardar esta mais valia não só cultural mas também económica de Lisboa. Imagem da antiga Drogaria Oliveirense vítima de barbárie cultural.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa: a opinião da LAJB e da ALV

Exmo. Sr. Presidente da CML,

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) e a Associação Lisboa Verde (ALV)

Vem apresentar junto de V. Exa., ao abrigo do artigo 77.º n.º3 do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, no âmbito do período de Participação Pública do Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina, as seguintes observações, reclamações e sugestões:

1-Introdução:

Embora a intenção deste Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina (PPSBP) seja a de promover e garantir uma reabilitação integrada, qualificada e sustentável desta zona histórica central da cidade, a redacção do texto está demasiado centrada nas questões de regulamento e licenciamento de operações urbanísticas. É notória a grande desproporção entre os capítulos e artigos dedicados às operações urbanísticas em imóveis privados e aqueles que dizem respeito ao bem comum, como por exemplo, Espaço Público, Espaços Verdes, Espaços Culturais, Transporte Colectivo e Sustentabilidade Ambiental. Na opinião da LAJB e da ALV o Plano de Pormenor deve desenvolver melhor o seguinte:

2-Medidas de salvaguarda das especificidades patrimoniais da Baixa pombalina

Em vários pontos o texto do PPSBP assemelha-se demasiado aos regulamentos para as operações urbanísticas convencionais. Por exemplo, nos imóveis que já não possuem a sua estrutura de gaiola ou esta não é recuperável, é proposto que não seja obrigatório a reconstrução de nova estrutura em gaiola ainda que numa versão devidamente actualizada. Esta hipótese afigura-se demasiado perigosa considerando que Lisboa não tem ainda uma cultura de reabilitação e conservação do património arquitectónico. O sector imobiliário português é muito insustentável pois prefere claramente a construção nova à reabilitação como provam as estatísticas. A Baixa corre o risco de ficar vítima da promoção imobiliária que apenas pretende desenvolver projectos de construção nova atrás de fachadas pombalinas. Este risco é real, bastando contabilizar a rápida perda de interiores pombalinos a que temos assistido nos últimos anos no Chiado. Na base das demolições integrais dos interiores do Chiado está uma cultura instalada de desprezo das técnicas de construção em madeira.

Falta ao texto deste PPSBP a valorização da madeira enquanto material de construção sustentável, de qualidade e apto a responder às expectativas de projectos imobiliários contemporâneos. Ao demitir-se de exigir a reconstrução estrutural em madeira, a CML corre o risco de, indirectamente, apoiar a destruição do rico património de engenharia de estruturas contido na Baixa pombalina. Porque para cumprir objectivos estritamente lucrativos bastará aos proprietários aguardar pela degradação irreversível da gaiola pombalina para erguerem mais construção nova com a redutora manutenção de fachada.

Ao possibilitar a reconstrução de imóveis em estrutura de betão armado a CML estará a contribuir para a progressiva erosão dos conteúdos patrimoniais que são a base de sustentação não só da Baixa enquanto Monumento Nacional como a futura candidatura a Património Mundial da Humanidade.

Na perspectiva de um planeamento urbano e de edificações sustentáveis, a manutenção e promoção de edifícios já construídos é a solução mais ecológica e sustentável. A demolição de uma gaiola pombalina e a sua substituição por uma estrutura em betão armado terá sempre uma pegada ecológica muito superior à do restauro. Uma construção já existente é sempre mais “verde” que uma construção nova.

3-Medidas para uma Estratégia Ambiental na Baixa Pombalina

Notamos uma grande desproporção entre os capítulos e artigos dedicados às regras de intervenção no edificado – o domínio privado - e aqueles que dizem respeito ao bem comum, como por exemplo o Espaço Público e o Ambiente.

Aplaudimos o artigo de protecção das espécies vegetais existentes na Baixa assim como o artigo onde se expressa a intenção de promover a mobilidade suave. Mas estes dois artigos são insuficientes para se poder afirmar que o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina tem uma Estratégia Ambiental clara e definida. Compreendemos que a redacção do Plano de Pormenor tenta responder, acima de tudo, às expectativas do sector imobiliário pois é concebido como o grande motor da reabilitação da Baixa pombalina. Mas é com certeza justo que os cidadãos também vejam neste PPSBP a devida identificação de todos os elementos constituintes do Espaço Público da Baixa pombalina assim como as regras para futuras intervenções. Porque a Baixa não é só construção degradada a pedir reabilitação urgente. A Baixa incluiu outras realidades como arruamentos com baixos níveis de conforto ambiental e mobiliário urbano dissonante. É pois particularmente importante garantir que as regras de intervenção no Espaço Público estejam igualmente desenvolvidas e presentes na redacção final do PPSBP:

3.1-Estrutura Verde para a Baixa pombalina

Há factores diversos que contribuem para a falta de qualidade ambiental da Baixa, nomeadamente históricos e contemporâneos. Considerando que:

-Lisboa é uma das capitais da Europa com menos metros quadrados de espaços verdes por habitante e a Baixa é um dos bairros da capital com maior deficit de árvores e espaços verdes.

-O desenho pombalino dos quarteirões da Baixa tem saguões insalubres, muito pequenos e estreitos onde não é praticamente possível criar jardins convencionais;

-A impermeabilização maciça que foi feita nos últimos anos em praças através da abertura de caves para estacionamento inviabilizou a arborização de espaços públicos de referência como a Praça da Figueira e a Praça dos Restauradores (onde são registadas temperaturas muito elevadas que comprometem os objectivos de uma reabilitação urbana sustentável).

-O sucesso da requalificação do Rossio depende em grande parte do plano coerente de arborização implementado em 2000. Dez anos passados o Rossio apresenta passeios largos e consistentemente arborizados, onde é confortável a estadia.

-O fracasso da remodelação da Praça da Figueira está relacionado com a impossibilidade de se implementar um plano de arborização coerente devido à remoção maciça de solo para a construção do estacionamento subterrâneo. Parte da decadência desta praça é fruto do baixo nível de Conforto Ambiental, uma consequência do grande deficit de árvores.

-A circulação do ar na Baixa é dificultada pela sua malha urbana apertada e localização num vale cercado por três colinas;

-A Baixa regista um atravessamento significativo de viaturas automóveis com consequente acumular de emissões poluentes e temperatura;

A LAJB e a ALV propõem:

-Que se dê particular importância aos pavimentos das zonas públicas, como arruamentos e o interior de saguões. Para compensar a grande área de solos impermeabilizada, resultante do próprio plano de reconstrução pombalino que por natureza apresenta uma elevada densidade de construção, deve ser obrigatório o uso de materiais permeáveis na pavimentação de arruamentos e saguões, para facilitar a infiltração e retenção de águas pluviais essenciais à própria sobrevivência do edificado pombalino;

-Que faça parte deste PP um plano geral de arborização que identifique os arruamentos onde é viável e aconselhável a implementação de alinhamentos de árvores. Os arruamentos arborizados são importantíssimos pois asseguram e reforçam a continuidade da estrutura ecológica existente. Há ruas onde é possível a plantação de árvores de copa pequena para não comprometer a leitura dos alçados pombalinos da Baixa. Um dos arruamentos que reúne condições ideais é a Rua do Comércio que por ser mais larga e por constituir uma ligação directa entre dois espaços públicos de referência – Praça do Município e Campo das Cebolas – tem grande potencial para ser transformada em corredor verde de atravessamento pedonal na Baixa. E como de acordo com o mapa do novo plano de circulação viária este arruamento passará a receber mais tráfego automóvel é essencial pensar na sua arborização para mitigar o novo acréscimo de poluição;

-Apesar das dificuldades impostas pela impermeabilização provocada pelo estacionamento subterrâneo, poder-se-ia dotar as praças dos Restauradores, da Figueira e do Município de áreas ajardinadas, recorrendo à plantação de espécies xerofíticas, nomeadamente da flora autóctone. A flora autóctone em zonas áridas é habitualmente de pequeno porte, necessitando de pouca água e resistente ao calor e exposição solar. A estratégia ambiental a implementar deve procurar soluções adaptativas, ou seja, se os arruamentos não contemplam árvores devido à sua impermeabilização, devem ser implementadas soluções "verdes” para mitigar esta realidade urbana que herdámos.

-Que se equacionem regras que visem a melhoria ambiental dos saguões insalubres, nomeadamente através de soluções criativas como “Jardins Verticais” para os saguões muito estreitos e altos ou “Micro Jardins” para usufruto de moradores dos imóveis que definem saguões de dimensões mais generosas;

-Para além de declarar a intenção de proteger as árvores notáveis existentes na Baixa, é essencial identificar devidamente esses exemplares do património natural. Tal como foi feito um inventário das lojas da Baixa a preservar, apelamos para que seja feito um levantamento das espécies vegetais e que esse inventário faça parte da redacção final do PPSBP. Nunca é de mais sublinhar o importantíssimo papel das árvores em contexto urbano na melhoria do próprio desempenho energético dos edifícios. A presença efectiva de plantas no PPSBP deve ser entendido no contexto da racionalização de recursos naturais e energéticos.

3.2-Mobiliário Urbano (iluminação pública, Fontes e outros equipamentos)

Considerando que:

-A Baixa contém um conjunto de mobiliário urbano dos mais ricos e únicos da capital, onde se incluem peças desenhadas exclusivamente para os seus arruamentos (ex: consolas de iluminação);

-A grande maioria dos espaços públicos da Baixa são muito áridos e pouco atraentes devido à falta de árvores e de fontes, essenciais para arrefecer e humidificar o ar;

-A Baixa perdeu quase a totalidade dos quiosques históricos estando actualmente pontuada por quiosques de design moderno e banal que não se integram na paisagem urbana histórica;

-A perda do Mercado da Praça da Figueira, único que existia na Baixa, provocou um grande empobrecimento deste espaço público pois era um equipamento gerador de vida urbana;

A LAJB e a ALV propõem:

-À semelhança do inventário das lojas da Baixa a preservar, que seja feito um levantamento do mobiliário urbano a preservar e que esse inventário faça parte da redacção final do PPSBP;

-O desenvolvimento de um projecto de criação de pontos de água sob a forma de novas fontes e bebedouros para melhorar o Conforto Ambiental dos espaços públicos da Baixa. Actualmente é notória a diferença em termos qualitativos entre, por exemplo, o Rossio onde duas fontes humidificam o ar e árvores criam percursos sombreados e a inóspita Praça da Figueira.

-O estabelecimento de regras muito precisas para os quiosques a instalar na Baixa, não só para o design deste tipo de mobiliário como também para a sua implementação;

-Que se estude a ocupação parcial da placa central da Praça da Figueira com pequenos pavilhões de venda de hortícolas, flores, assim como cafés, padarias, tascas e gelatarias. Experiências destas muito bem sucedidas em praças secundárias de cidades da Europa, tanto do sul como do norte devem ser estudadas (imagens em anexo do Viktuallenmarkt em Munique). A recuperação da antiga função de mercado ajudaria a resolver o vazio e falta de orientação de que sofre a Praça da Figueira. É preciso actualizar a memória do antigo mercado.

4-Conclusão: Uma cidade gerida com os cidadãos e não para os cidadãos

Preocupa-nos que a redacção do PPSBP se concentre, quase exclusivamente, nas regras para as operações urbanísticas. Falta uma Estratégia Ambiental. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde consideram que é vital a inclusão de uma Estratégia Ambiental no PPSBP. Para garantir a sustentabilidade de Lisboa o plano deve conter regras que contribuam para a melhoria geral do Ambiente Urbano. Só dessa forma a perspectiva de habitar na Baixa poderá ser opção atraente e viável para os cidadãos.

Tem que ser criado um novo paradigma para a estrutura ecológica da cidade de Lisboa e para uma Estratégia Ambiental que prepare o futuro: Sistema de vistas das colinas e dos vales; Sistema de sombras; Intervenções para retenção e infiltração das águas pluviais; Conservação e restauro do edificado; Cruzamento da cultura rural e urbana; Rede de Transportes Colectivos.

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde esperam que o PPSBP se afirme pela mudança de paradigma na gestão do património arquitectónico, urbanístico e ambiental único que encontramos na Baixa pombalina. Esperamos ter contribuído para a elaboração de um PPSBP que promova uma Baixa ambientalmente mais confortável e sustentável. Mostramo-nos desde já inteiramente disponíveis para todo e qualquer esclarecimento e colaboração cívica.

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Associação Lisboa Verde

Lisboa, 15 de Setembro de 2010

Foto: Praça do Comércio em 1950, por Sena da Silva

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Jardim Botânico há 100 anos

Vista da escadaria que liga a Classe ao Arboreto numa fotografia colorida reproduzida num postal do início do séc. XX. Nesta imagem podemos ver um gradeamento instalado ao fundo da escadaria que permitia fechar o Arboreto. No verso do postal: «Union Postale Universelle / Portugal / Carte Postale - Bilhete Postal / S. R. / Lisboa». Nota: Agradecemos esta imagem enviada por um associado da LAJB.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

«Cidadãos ainda podem fazer rever Plano de Pormenor do Parque Mayer»

«Em reunião de câmara será hoje decidida a abertura de um período de discussão pública para aprovação da proposta. Se as pessoas disserem 'não' com fundamento, revê-se plano.

Três anos após o início da elaboração do actual Plano de Pormenor do Parque Mayer e área envolvente - com a abertura do concurso de ideias - este poderá ainda sofrer uma revisão. Basta que os cidadãos assim o entendam e fundamentem o seu "não" à proposta apresentada.

Chegados à fase final de todas as etapas de um plano de pormenor, vai ser hoje aprovada na reunião da Câmara Municipal de Lisboa (CML) a "abertura de um período de discussão pública para a aprovação do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim botânico e Zona envolvente, nos termos da proposta". Ou seja; as pessoas (singulares e colectivas e não necessariamente de Lisboa) têm ainda uma palavra a dizer em relação ao documento que foi elaborado a partir da proposta do arquitecto Aires Mateus, vencedora, em 2007, do concurso de ideias para este local central na cidade de Lisboa. "Depois de toda a avaliação pública pela qual o plano já passou, não acredito que esta proposta vá ainda ser contestada, mas nada é impossível", disse ontem ao DN Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da CML.

No entanto, o autarca admitiu que o plano "poderá voltar a ser reavaliado se se considerar que os cidadãos levantaram questões pertinentes que ainda devem ser corrigidas". Tais sugestões e opiniões poderão ser dadas através do preenchimento de um formulário que será disponibilizado via Internet; nas juntas de freguesia; no centro de atendimento da CML e no centro de informação urbana de Lisboa, situado no Picoas Plaza.

Os interessados poderão intervir nesta fase do plano de pormenor após hoje ser aprovado o período de discussão pública e em seguida tal decisão ser publicada em Diário da República.

Depois estes procedimentos, os cidadãos têm cerca de 20 dias para se pronunciarem em relação à actual proposta que, como o DN já noticiou, recebeu o apoio da Universidade de Lisboa e foi criticada pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico e pelo Fórum Cidadania Lisboa.

Segundo já disse ao DN Maria Amélia Loução, vice-reitora da Universidade de Lisboa, as medidas propostas "são o sinal claro de uma grande preocupação do município com a preservação desta mancha verde [referindo-se à zona envolvente, nomeadamente ao Jardim Botânico]".

Opinião contrária tem a Liga dos Amigos do Jardim Botânico. "É um plano que amputa parte do jardim e que vai eliminar equipamentos fundamentais. Vai destruir a cerca pombalina e, sobre um viveiro activo, vai ser construída uma entrada pelo topo da Rua Castilho", sublinhou ao DN fonte da Liga, adiantando que pelo menos era esta a intenção. "Não sei se, entretanto, mudou", defende.

Já o Fórum Cidadania Lisboa critica a falta de sensibilidade em relação a toda a Baixa Pombalina.Opinião dos cidadãos em geral poderá ser expressada em discussão pública. Se não houver entraves fundamentados segundo os responsáveis do plano e da CML, este avança para Assembleia Municipal que dará a aprovação final. Caso contrário, o plano é revisto.»

in DN 8 de Setembro de 2010

Foto: O Jardim Botânico na sua relação com a cidade, neste caso os logradouros e edifícios da Praça do Princípe Real e da Rua D. Pedro V

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GREEN FESTIVAL em Cascais

Exmo. (a) Sr. (a).

A Câmara Municipal de Cascais, a Gingko e a GCI têm a honra de o/a convidar para a terceira edição do Green Festival, o maior evento sobre Sustentabilidade em Portugal.

Entre 10 e 17 de Setembro, o Centro de Congressos do Estoril e a Fiartil serão o palco para uma série de actividades que mostram o que de melhor se faz nos três pilares da Sustentabilidade; social, económico e ambiental.

O Green Festival abre dia 10 com a conferência "Cidades Sustentáveis". O orador convidado é o arquitecto brasileiro Jaime Lerner, antigo prefeito de Curitiba, considerada uma das cidades mais sustentáveis do mundo. Este ano, a revista "Time"considerou Jaime Lerner como um dos maiores pensadores e influenciadores do Planeta.

A Prémio Nobel da Paz de 2004, a queniana Wangari Maathai, é a convidada de honra para a conferência "Inovação social e preservação ambiental, o que as empresas estão a fazer para serem relevantes nas suas comunidades". Wangari Maathai fundou na década de 70 o Green Belt Movement, que ajudou milhões de mulheres e levou à plantação de mais de 30 milhões de árvores.

Num movimento pioneiro, Wangari Maathai aliou a inovação social à preservação ambiental, num trabalho reconhecido e premiado em todo o mundo e que a levou a ser eleita como uma das 500 personalidades mais influentes do mundo pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

Da agenda do Green Festival também fazem parte conferências e workshops sobre Biodiversidade, Gestão do Espaço Público, Turismo Sustentável, Empreendedorismo e Inclusão Social.

Contamos com a sua presença.

Inscrições para as Conferências: patricia.patrao@greenfestival.pt

Para mais informações: www.greenfestival.pt

Foto: Estoril, Praia do Tamariz no início do séc. XX. Fotografia de Ferreira da Cunha (1901-1970), Arquivo Municipal de Lisboa. Actualmente nem crianças nem adultos podem brincar em todas as praias da Costa do Estoril - são bem conhecidos os graves problemas de poluição nas praias de Algés, por exemplo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

«Associação sugere criação de museu e visitas para recuperar farol do Bugio»

A Associação Espaço e Memória, de Oeiras, sugere a criação de um museu e a organização de visitas guiadas no Verão ao "degradado" farol do Bugio, para recuperar e aproveitar aquele espaço com mais de 400 anos de história.

Numa visita guiada organizada pela associação, mediante autorização da Direcção-Geral de Faróis, é possível ver brechas na estrutura, antigos instrumentos ferrugentos e esquecidos, e entulho acumulado naquilo que eram, antigamente, as casas dos faroleiros e na capela do farol.

"O que justifica a existência do Bugio não está lá como demonstrativo a quem o visite, porque enquanto espaço de fortificação é preciso puxar muito pela imaginação para compreender o que se lá passava, e enquanto farol já não tem faroleiros, nem está lá o que fazia parte do seu quotidiano: as casas, os geradores, as comunicações", descreve Joaquim Boiça, presidente da associação, citado pela Lusa.Filho, neto e bisneto de faroleiros, Joaquim Boiça acredita que o Bugio "poderia ser, com a boa vontade de algumas instituições, um dos espaços mais emblemáticos para visitar na cidade de Lisboa".

A associação acredita que "nos meses de Primavera e Verão seria possível organizar visitas", de modo "a dinamizar aquele espaço, dar a conhecer e preservar parte das memórias que ainda lá estão, sobretudo na zona da capela". Joaquim Boiça defende "uma museografia diferente para aquele espaço, pensada para acolher exposições sazonais".

No entanto, lembra que, há dez anos, quando aquele farol foi alvo de obras de recuperação pela última vez, "o processo foi complicado": "Foi necessário sentar à mesa cerca de 20 instituições para recuperar o farol, que ameaçava ruir." Construído para defender a entrada de Lisboa, o forte do Bugio ficou concluído em 1657. Desde cedo começa a servir também de farol, albergando faroleiros até ao final da década de 80 do século passado.» In Público (30/8/2010)

Nota: o Jardim Botânico não está sózinho no seu cenário de abandono - é verdadeiramente lamentável que o património cultural da nossa cidade esteja assim votado ao esquecimento. Felizmente há cada vez mais movimentos cívicos de defesa do património!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lisboa em Agosto: Restelo

Fachada do Ministério da Defesa na Avenida ilha da Madeira, junto ao Estádio do Restelo e do Museu Nacional de Etnologia. Qual é o consumo de energia só em ar-condicionado deste edifício do Estado? Porque razão não foi feito ainda nenhum investimento em sistemas de arrefecimento mais amigos do Ambiente, com uma pegada ecológica menor? Porque é que este arruamento não tem mais árvores para ajudar a baixar o consumo de energia dos edifícios?

sábado, 21 de agosto de 2010

As Árvores e a Cidade: Pinheiros no Chiado

Que seria do Largo Barão de Quintela, no Chiado, sem as copas sempre verdes e as sombras dos pinheiros mansos? Seria um espaço urbano pobre, seco e deserto. Seria um espaço público desconfortável, hostil e árido como é a Praça da Figueira, por exemplo. Ainda estão ao sol implacável do verão muitos outros largos da nossa cidade. Aguardam pela vida que apenas as árvores podem dar a um espaço urbano.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Promover o uso dos transportes públicos"

4 perguntas a...

Pedro Gomes, investigador do Departamento do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Quais as zonas com mais altos níveis de poluição do ar?
A situação mais grave é na área de Lisboa, logo seguida do Porto, porque são as zonas mais populosas e que têm mais tráfego automóvel. Depois surgem Braga e Coimbra, mas nada que se compare com Lisboa ePorto.

Que medidas se deve tomar para reduzir esses níveis?
Deve-se tomar todas as medidas para promover o uso do transporte colectivo em detrimento do individual. Por exemplo, nos principais acessos a Lisboa e Porto, uma das vias de rodagem deve ficar reservada para transportes colectivos, veículos eléctricos e viaturas com dois ou mais ocupantes, levando as pessoas a usar o transporte público ou apartilhar o carro próprio com outros. Desta forma, reduz-se o número de veículos em circulação. Também se deve criar mais faixas bus para dar prioridade aos transportes públicos e melhorar a sua atractividade.

E nas áreas mais sensíveis?
Nas zonas mais críticas, deve-se interditar o acesso a veículos que ultrapassem os limites de emissões poluentes, que normalmente são os mais antigos.

Que medidas de longo prazo?
É preciso aproximar as pessoas dos seus locais de trabalho e dar-lhes transportes públicos para não terem de usar o transporte individual. As novas urbanizações devem ser construídas perto de uma rede de transporte pesado, como o comboio.

in DN 13-8-2010

Foto: Eléctrico de nova geração no centro de Munique, considerada uma das cidades do mundo com melhor rede de Transportes Públicos. A LAJB, para além de defender mais e melhores Transportes Colectivos como única forma eficaz de reduzir o peso actual do Transporte Particular, tem vindo a lutar pela reposição do Eléctrico 24.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade

Quercus - GECoRPA - ICOMOS

18 Outubro - Fundação Calouste Gulbenkian

Na sequência da apresentação à imprensa do projecto, a Quercus, o Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico (GECoRPA) e a Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) disponibilizam mais informação sobre o "Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade", que se realizará a 18 de Outubro de 2010, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Nesta sessão introdutória, procurou-se também sensibilizar para a degradação do nosso património construído e natural desde o início do século XX, apresentando-se três exemplos que vão ser percorridos numa viagem de fotografias e outros elementos: Forte de Santa Apolónia, Praia de Algés e Serra da Arrábida, e ainda um excelente exemplo reconhecido de reabilitação, que é o próprio Laboratório Chimico onde teve lugar esta conferência de imprensa. Em anexo, pode ser consultada a apresentação feita sobre estes três locais.

O “Encontro Património Natural e Cultural: Construção e Sustentabilidade” tem o Alto Patrocínio de S. Exª. o Presidente da República e decorrerá a 18 de Outubro de 2010 na Fundação Calouste Gulbenkian, numa parceria com o Programa Gulbenkian Ambiente, onde participarão diversos convidados nacionais e internacionais.

Programa e Inscrições


Contactos

GECoRPA Tel: 213542336 Fax: 213157996

Foto: Que melhor exemplo do par «Património Natural e Cultural» do que o nosso Jardim Botânico?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Lisboa em Agosto: Marquês de Pombal

Lisboa, ainda com centenas de arruamentos sem árvores, está a ficar cada vez mais quente e por isso mais dependente de sistemas mecânicos de arrefecimento. No caso da Praça Marquês de Pombal, o túnel só veio contribuir para um aumento da temperatura desta zona urbana. Para além do abate de árvores, temos que considerar a impermeabilização feita numa grande área do arruamento. A pegada ecológica de Lisboa cresce... Para quando um sério investimento da CML na arborização de ruas da capital?

sábado, 14 de agosto de 2010

«Estacionamento ameaça liquidar horta popular»


Há mais de dez anos que um terreno camarário no bairro da Graça, em Lisboa, tem sido aproveitado por alguns populares para plantação de legumes. Mas há quem queira deitar tudo abaixo e construir ali um parque de estacionamento. A polémica está instalada.

O terreno em causa situa-se numa encosta junto ao cruzamento da Calçada do Monte com a rua Damasceno Monteiro, a cerca de uma centena de metros do Largo da Graça. É uma encosta onde o sol bate várias horas por dia, com três pinheiros mansos e duas oliveiras. Há mais de uma década que idosos do bairro da Mouraria – ali a poucos metros – aproveitam o pedaço de terra para fazerem uma pequena horta. Mais recentemente, jovens do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (Gaia), tomaram a iniciativa de colaborar com os populares e começaram, também eles, a plantar legumes vários.

Alguns moradores, todavia, parecem não gostar da ideia. “Aquilo é um mictório para levarem os cães”, diz José António, aposentado de 60 anos, que se mostrou bastante céptico com a utilidade da horta. “É uma brincadeira de meia dúzia de putos”, defendeu José António, comentando que “não se faz um cozido à portuguesa com as couves que lá estão”. Na sua óptica, o terreno devia ser utilizado para “um parque de estacionamento”. Tal opinião é corroborada pela proprietária de uma loja de têxteis situada a escassos metros do terreno. Maria de Fátima, 51 anos, admite que costuma lá ver “jovens que limpam o lixo que as pessoas lá metem” mas também defende a reconversão do espaço em estacionamento.

Já Gualter Baptista, investigador em Economia Ecológica na Faculdade de Ciências e Tecnologia, solta uma gargalhada quando ouve falar em parque de estacionamento no local, um espaço verde com magnífica uma vista panorâmica para a Baixa e o Tejo. “Naturalmente há pessoas que tem um sentido mais utilitarista e que querem estacionar o carro à porta de casa mas penso que Lisboa tem muitos mais lugares de estacionamento do que espaços verdes para os seus cidadãos”, afirma.

O investigador em economia ecológica admite que a horta nem sempre tem o melhor aspecto mas lembra que “somos um país com um défice hídrico muito elevado no Verão e é normal que a paisagem agora fique amarela”. Ressalva, porém, que há alturas do ano em que naquela horta “está tudo verde e arranjado”. "É um espaço que é dado aos cidadãos do bairro para que possam usufruir de forma activa”, afirma, sublinhando que ali existem casos de pessoas “necessitam da agricultura para sustentar as suas necessidades mais básicas e em tempos de crise, isso é importante”.

A opinião é confirmada por uma moradora da zona, Cátia Fernandes, de 33 anos. “Os agricultores são idosos da Mouraria que por vezes tem na horta a única fonte de legumes frescos, a par de jovens ambientalistas”, diz ao JN. Aliás, segundo este testemunho, “a horta devia ser incentivada pela própria Câmara e pelas Juntas de Freguesia”.

In Jornal de Notícias (12/8/2010)

Nota: A LAJB lamenta que a nossa cidade ainda tenha esta atitude mercantilista perante os espaços públicos livres; este modelo, quase obsessivo, de impermeabilizar os solos disponíveis para a construção de silos ou caves de estacionamento pertence ao passado. Lisboa já possui um grande número de praças e largos históricos completamente artificializados por via do estacionamento subterrâneo (ex: Praça da Figueira). É tempo de mudar para o paradigma da sustentabilidade - o do respeito efectivo pelo Ambiente.

Foto: Horta na sede da Junta de Freguesia da Graça

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

«Classificação do Jardim Botânico como monumento espera aprovação do Governo»

Processo de classificação começou há 40 anos e foi concluído há poucos meses. Projecto de decreto que consagrará o novo monumento nacional já foi elaborado no Ministério da Cultura.

O Jardim Botânico de Lisboa, criado em 1873, deverá ser em breve classificado como monumento nacional. Concluídos já na vigência deste Governo, que tomou posse em Outubro, os procedimentos prévios à classificação foram iniciados em 1970, ano em que aquele espaço da Rua da Escola Politécnica foi legalmente declarado "em vias de classificação".

De acordo com um porta-voz do gabinete de Elísio Summavielle, secretário de Estado da Cultura, o processo de classificação foi instruído pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) em articulação com a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo. Uma vez terminado, o processo foi submetido à apreciação do secretário de Estado, em data que o seu gabinete não divulgou, seguindo-se a elaboração do projecto de decreto-lei que atribuirá ao jardim centenário a categoria patrimonial de monumento nacional, há muito esperada pelos seus responsáveis e amigos.

O próximo passo será a aprovação do decreto de classificação em Conselho de Ministros, tal como estipula a Lei do Património para o caso dos bens de "interesse nacional" - os bens de "interesse público" são classificados por portaria do Ministério da Cultura. A discussão do projecto no seio do Governo não tem ainda data marcada, dependendo o respectivo agendamento da Presidência do Conselho de Ministros. Após a sua aprovação, o decreto terá ainda de ser publicado no Diário da República.

Protecção já vigorava

Embora não estivesse ainda classificado, o jardim tinha sido declarado "em vias de classificação" por despacho governamental de Agosto de 1970, estatuto este que lhe concedia o mesmo tipo de protecção que decorre da classificação efectiva. Quer isso dizer que no seu interior nada podia ser feito ou desfeito sem autorização prévia do Igespar, o mesmo acontecendo num raio de 50 metros, a partir dos seus limites exteriores.

A lei estabelece que nestas zonas de protecção dos imóveis, conjuntos ou sítios classificados ou em vias de classificação não podem ser licenciadas quaisquer obras de construção, ou outras que alterem a topografia, os alinhamentos, altura, volumetria, coberturas e revestimentos sem parecer favorável do Igespar.

A salvaguarda da integridade do jardim face ao Plano de Pormenor do Parque Mayer, que a Câmara de Lisboa tem estado a discutir, tem preocupado a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, que considerou aquele plano como "muito nefasto". A classificação do jardim era considerada uma prioridade para alguns dos seus defensores, que temiam a possibilidade de o processo iniciado há 40 anos caducar já no próximo ano, nos termos de uma lei publicada em Outubro do ano passado. in Público 12 Agosto 2010

Foto: detalhe da monumental Chorisia crispiflora

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Frutos do Jardim: CHAMAEROPS HUMILIS

Nome Científico: Chamaerops humilis
Família: Arecaceae
Nome vulgar: Palmeira-das-vassouras

Esta palmeira arbustiva cresce naturalmente nas encostas rochosas e arenosas da região mediterrânea ocidental. Tradicionalmente muito utilizada em cestaria e no fabrico de vassouras. É também muito cultivada em jardins como ornamental. Este belo exemplar, actualmente carregado de frutos, pode ser admirado na parte central do Arboreto do Jardim Botânico.

domingo, 8 de agosto de 2010

«Anthony Lanier - Um novo conceito urbano para Lisboa»

Com o Príncipe Real Urban Project, o empresário americano Anthony Lanier aposta não apenas na requalificação de edifícios históricos mas principalmente numa forma contemporânea de viver a cidade, onde o luxo, a cultura e a tradição conviverão lado a lado.

Nascido no Brasil, educado na Áustria, casado com uma portuguesa e residente nos EUA, o empresário Anthony Lanier, presidente da Eastbanc, tem uma visão muito peculiar do que é um empreendimento imobiliário em qualquer lugar do mundo. "A minha ideia é criar um brand, trazer valor para os empreendimentos. E é o ambiente que dá valor. Para o Príncipe Real quero trazer a ideia da cidade vivida de volta, a ideia de aldeia, de lugar de encontro numa sociedade global", diz Lanier, que desde 2007 tem em mãos um projecto revolucionário para esta área de Lisboa - o Príncipe Real Urban Project.

Considerado um visionário nos EUA e não só, Lanier ganhou uma reputação de distinção na sua carreira de empresário imobiliário ao recuperar Georgetown, em Washington (uma área da cidade que estava completamente degradada), transformando-a numa das zonas mais trendy da capital norte-americana. "Eu tento aproveitar o que está no local e fazer melhor. Os edifícios antigos são a verdadeira alma de uma cidade", comenta ele, que já recebeu a alcunha de "alquimista urbano".

A ideia central do Príncipe Real Urban Project envolve um mix de detalhes contemporâneos e estruturas históricas, com a recuperação e revalorização de 20 edifícios históricos e respectivos jardins, especialmente o Palacete Ribeiro da Cunha, o encantador edifício oitocentista em estilo neo-árabe defronte à Praça do Príncipe Real, que será o centro de todo o projecto."Inicio sempre um projecto com uma ideia grande, daí ter adquirido os 20 edifícios mais emblemáticos do bairro.

A minha abordagem na renovação urbana, seja em qual cidade for, é sempre de continuidade, é um processo que não tem fim. É esta a nossa especialidade e disto que gostamos", revela Lanier, dizendo que os lucros virão a seu tempo, não no curto prazo.

Com 50 milhões de euros já investidos na compra dos imóveis, Anthony Lanier prevê um investimento total de cem milhões de euros e espera arrancar com os trabalhos já em 2011, altura em que terá todas as licenças necessárias. "O vereador do urbanismo da CML, e também arquitecto, Manuel Salgado, entendeu o projecto desde o início e apoiou a ideia. Como as ideias são grandes, os processos são complicados, especialmente por causa da nossa peculiaridade de trabalhar em continuidade, num work in progress", disse ainda Lanier, mencionando que os arquitectos Eduardo Souto de Moura, Frederico Valsassina e Falcão de Campos também adoptaram esta nova visão de reurbanização.

"Queremos trazer as pessoas de volta para a cidade, oferecendo não só imóveis de alto nível mas também serviços variados e uma vivência urbana nova, onde a tradição convive lado a lado com a contemporaneidade", acrescenta ainda o empresário, que já está a apoiar a divulgação do bairro, com os eventos Príncipe Real Live, e a criar um cluster de artistas jovens das mais variadas áreas, que já se sediaram no bairro graças à estratégia de arrendamento temporário por ele criada. (in Diário de Notícias)

Foto: Palacete Ribeiro da Cunha - os seus jardins serão preservados ou impermeabilizados?

«Teixo, os dias do fim?»

Venenoso, todavia pleno de virtudes curativas, odiado por pastores e no entanto, avidamente procurado por multinacionais farmacêuticas, o teixo é, certamente, uma das mais extraordinárias, porém raras e ameaçadas, árvores da flora portuguesa.

"Por mim cortava-os todos", sentencia Manuel Sebastião, pastor sexagenário da aldeia de Parada, referindo-se aos inúmeros teixos de pequeno e médio porte que pontuam a encosta da Corga das Quebradas, na vertente oriental da serra do Gerês."

Se o gado lhes chega, não tem remédio, morre!", explica o pastor enquanto vai ajuizando dos malefícios do teixo sobre os animais. De facto, a elevada toxicidade do teixo (Taxus baccata), situação que advém da presença de um alcalóide venenoso em todos os órgãos desta árvore, a taxina, terá sido, provavelmente, um dos factores que mais directamente contribuiu para o declínio da espécie em Portugal ao longo dos últimos séculos, já que para proteger os animais domésticos de um eventual envenenamento, os pastores a foram eliminando dos tradicionais locais de pastoreio.

Actualmente, pouco resta dos magníficos bosques de teixos, as Teixeiras, que terão vegetado um pouco por toda a região montanhosa do norte e centro do país, sobretudo em áreas abrigadas, até aos 1500 metros de altitude. E nem a extrema resistência desta conífera à seca, às pragas e até aos incêndios, característica que a converteu numa das espécies mais longevas da nossa flora – podendo alcançar os 2000 e até 3000 anos! – obstou ao seu paulatino desaparecimento, confinando-se as últimas e escassas centenas de exemplares selvagens a locais húmidos, isolados e de difícil acesso nas serras do Gerês e da Estrela. Com efeito, só os incêndios do Verão de 2005 terão afectado directamente a quase totalidade da população de teixos do Parque Natural da Estrela, estimada em cerca de 500 exemplares, no que se tratou de um rude golpe na já reduzida população nacional de teixos.

Apesar desta situação de pré-extinção que tanto aflige os botânicos portugueses, tempos houve em que o teixo, uma árvore nativa da Eurásia, com origem algures no período Jurássico (entre 213 e 65 milhões de anos), ocupou lugar de destaque nas crenças de várias comunidades humanas. Na cultura celta, por exemplo, o teixo era venerado como árvore sagrada. Acreditava-se que encerrava propriedades mágicas porque mantinha a sua folhagem verde durante todo o ano, prolongando eternamente a vida do espírito. Também a história do cristianismo está intimamente ligada ao teixo, uma vez que, de acordo com alguns investigadores, o “lenho sagrado” (a cruz onde Cristo terá sido crucificado) foi feita a partir da sua madeira.

De resto, desde a mais remota antiguidade que a madeira de teixo, por ser forte, compacta, «elástica» e resistente à putrescência, tem sido utilizada por escultores e torneadores para o fabrico dos mais variados utensílios, como arcos, lanças, pipos, tamancos, utensílios de cozinha e até instrumentos musicais. As próprias amêndoas da semente do teixo, cujo invólucro globoso e coloração vermelha viva são uma das características distintivas desta planta, foram durante séculos utilizadas no fabrico de um óleo apreciado pelo seu sabor agradável. Mais recentemente, o teixo tornou-se alvo do interesse da indústria farmacêutica, pelo facto das suas folhas serem ricas em taxol, um agente anti-tumoral utilizado com sucesso no tratamento do cancro do ovário e da mama.

RELÍQUIAS CENTENÁRIAS

Em Portugal, são raros os teixos de grande porte. Ainda assim, é possível encontrar alguns exemplares, provavelmente plantados, com centenas de anos, facto que motivou a sua classificação como «Árvores de Interesse Público». É o caso do teixo de Tranguinha, o mais antigo conhecido em Portugal, e que se estima ter cerca de 700 anos de idade. Encontra-se na freguesia de Santa Maria (Bragança) e está classificado desde 1974. Cerca de 200 anos é a idade estimada do teixo que se encontra na Quinta do Senhor da Serra, na freguesia de Belas, em Sintra. Igualmente centenário é o teixo da Quinta de S. João, classificado em 2000 e localizado na povoação de Teixoso, na Covilhã.

Por último, duas referências curiosas. A primeira para dois imponentes teixos existentes na cidade de Lisboa, ambos localizados no Jardim Braancamp Freire e classificados em 1968 e 2000, respectivamente; a segunda para dois outros teixos de soberbas proporções, existentes no recinto da antiga Faculdade de Engenharia do Porto, na Rua dos Bragas, e que embora não se encontrem classificados, constituem exemplares dignos de nota.

Manuel Nunes
In Naturlink

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Desinfestação do Herbário e da Biblioteca

AVISO

Desinfestação do Herbário e da Biblioteca

Irá ter lugar entre 6 e 20 de Agosto próximos a desinfestação do Herbário de Plantas Vasculares e da Biblioteca do Jardim Botânico, com o seguinte faseamento:

Dia 6 de Agosto, 9:00h

Calafetagem das instalações a desinfestar. Fumigação no primeiro andar do Edifício dos herbários. Pulverização e nebulização do segundo andar (Biblioteca) e das salas dos primeiro e segundo andares do edifício dos herbários.

Dia 11 de Agosto, 9:00h

Início do arejamento das áreas desinfestadas.

Dia 20 de Agosto

Reabertura das instalações (se houver necessidade de prolongar o período de arejamento a reabertura só ocorrerá a 30 de Agosto).

PRECAUÇÕES: Retirar todo o equipamento informático, equipamento de precisão (lupas, microscópios, etc.), plantas vivas e animais das áreas a serem fumigadas. No segundo andar (Biblioteca) só é necessário retirar plantas vivas ou animais. A permanência de pessoas, plantas vivas ou animais está proibida em todo o edifício dos herbários entre 6 e 20 de Agosto.

Foto: O edifício do Herbário e Biblioteca do Jardim Botânico, um projecto de 1940 do Arquitecto Adelino Nunes.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em Floração: EICHORNIA CRASSIPES

As atraentes flores dessa terrível planta que é o jacinto de água, Eichornia crassipes. Podem ser observadas num pequeno lago do Jardim das Cebolas.