sábado, 31 de julho de 2010

«Jardim Botânico: 40 anos de espera para ser monumento nacional»

Esta demora foi questionada ao Governo pela deputada do Bloco Rita Calvário, que também já alertou para o risco que o Plano de Pormenor do Parque Mayer representa para o jardim científico de Lisboa.

O Jardim Botânico de Lisboa, fundado em 1873, representa um património de inegável interesse do ponto de vista histórico, cultural e científico. O Sistema de Informação para o Património Arquitectónico – SIPA, alojado no site do IHRU, refere que o Jardim tem um “valor cénico e botânico indiscutível, num espaço onde recreio e o lazer se cruzam com o saber. A variedade de espécies demonstra os diferentes microclimas que ao longo do jardim se podem encontrar. Um dos mais importantes espaços verdes da cidade de Lisboa antiga”.

De acordo com dados do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), o primeiro despacho relativo à classificação do Jardim Botânico como monumento nacional data de 7 de Agosto de 1970. Desde aí surgiram mais dois diplomas, um em 1994 e o outro em 1999, que se limitam a revalidar o processo de classificação, sem que o espaço, de facto, tenha sido classificado.

A deputada do Bloco de Esquerda avalia esta situação como “inadmissível” e “reveladora do estado de abandono a que é votado o património cultural do país”. Rita Calvário considera que a finalização do processo de classificação do Jardim Botânico de Lisboa como Monumento Nacional “deve concretizar-se sem mais demora”.

O arrastamento deste processo levou Rita Calvário a questionar o Ministério da Cultura e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, exigindo uma justificação para a permanência daquele jardim com o estatuto de sítio "em vias de classificação" desde há quatro décadas. Com esta iniciativa, a deputada pretende saber quando e que medidas vão ser tomadas para resolver a situação, questionando também o Governo sobre o papel que o IGESPAR tem desempenhado na salvaguarda da zona de protecção do Jardim Botânico.

“O Plano de Pormenor do Parque Mayer não tem em conta o património rico do Jardim Botânico de Lisboa nem a sua missão científica e pedagógica”.

Apesar da demora na classificação do Jardim como monumento nacional não pôr em causa as normas de protecção do mesmo (estas proíbem já construções a menos de 50 metros a partir do momento em que o processo de classificação é iniciado), a deputada considera que aquele estatuto daria ao jardim "uma salvaguarda maior", designadamente na elaboração do Plano de Pormenor do Parque Mayer, que inclui o Jardim Botânico.

Segundo Rita Calvário, o Jardim Botânico foi votado ao abandono e degradação ao longo dos anos por falta de acompanhamento e intervenção das autoridades competentes. Mas, agora, a manutenção da sua área e limites físicos, e também a sua missão científica e pedagógica, “estão em risco” se avançar o Plano de Pormenor do Parque Mayer aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa.

O Bloco considera que o Plano de Pormenor do Parque Mayer em apreciação “desvaloriza o Jardim Botânico de Lisboa nas suas diversas funções e enquanto Monumento Nacional”, para além de achar “inaceitável que se pretenda reduzir a área e limites do Jardim, destruir estruturas fundamentais ou ignorar a sua importante missão científica e pedagógica”.

Este plano foi objecto de um outro conjunto de questões, expressas num documento enviado por Rita Calvário ao Ministério do Ambiente. À semelhança da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, a deputada mostra-se preocupada com o conteúdo daquele documento, considerando que ele tem "uma intervenção urbanística muito forte" na zona envolvente do jardim e que "o descaracteriza também ao nível das espécies", muitas "em extinção".

in http://www.esquerda.net/ 31 de Julho de 2010

Foto: Polymnia uvedalia em floração na Classe

sexta-feira, 30 de julho de 2010

«Projecto pedagógico em Lisboa - Quinta do Zé Pinto produz 1370 kg de cereais»

A ceifa do campo de cereais da Quinta do Zé Pinto, em Lisboa, obteve uma produção de mais de uma tonelada de cereais. Em cerca de 2 hectares de terreno, foram ceifados perto de 1370 kg de trigo mole, trigo duro, centeio e triticale. Desta produção, 365 kg são de trigo mole, que mais tarde será transformado em farinha e que dará origem a pão.

Estas culturas foram conseguidas sem gastar água e com custos muito reduzidos, uma vez que os cereais foram “semeados no pó”. "Semear no Pó", significa deitar as sementes à terra e não regar, aguardando pelas primeiras chuvas para que a semente germine.

A ceifa do campo de cereais foi realizada esta quarta-feira, dia 28 de Julho, com a participação de mais de 100 crianças de várias escolas de Lisboa e com a presença do Vereador José Sá Fernandes, numa organização conjunta entre a CML e ANPOC, com o apoio da Etnoideia, empresa que se dedica ao restauro e recriação de elementos tradicionais do mundo rural, nomeadamente a reconstrução de moinhos antigos.

Desde o início deste projecto pedagógico, em Abril de 2009, mais de 3000 crianças, dos 3 aos 11 anos de idade, tiveram oportunidade de conhecer o processo produtivo de várias culturas (girassol, trigo mole, trigo duro, centeio, cevada, tremocilha e triticale), ver de perto máquinas agrícolas pouco habituais em Lisboa e participar em actividades lúdicas.

O projecto pedagógico da Quinta do Zé Pinto, único em Portugal, resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais, Oleaginosas e Proteaginosas. in http://www.cm-lisboa.pt/

O Jardim Botânico na Agenda Cultural

No mês de Julho a AGENDA CULTURAL da CML fez um destaque ao Jardim Botânico na pág. 125:

PLANTAS DO MUNDO

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa nasceu da necessidade de criar uma estrutura de apoio ao ensino e investigação da Botânica da antiga Escola Politécnica, actual Faculdade de Ciências. O local escolhido no Monte Olivete para implantação do jardim tinha já mais de dois séculos de tradição no estudo da Botânica, e o jardim começou a ser plantado em 1873, por iniciativa dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo. O alemão Edmund Goeze e o francês Jules Daveau foram os primeiros jardineiros a trabalhar no projecto, sendo os responsáveis pela enorme diversidade de plantas que o jardim ainda hoje possui, oriundas dos quatro cantos do mundo. A inauguração decorreu em 1878, tendo desde logo sido considerado um dos melhores jardins científicos da Europa. Bem ajustado ao sítio e ao ameno clima de Lisboa, o jardim possui cerca de 1500 espécies distintas, sendo particularmente rico em espécies tropicais originárias da Nova Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul. Para além de servir o seu propósito inicial, o Jardim Botânico desenvolve programas de educação ambiental e oferece visitas temáticas guiadas.

Foto: Acacia karroo em floração na Classe

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Monsanto após Festival DeltaTejo

Exmo. Sr. Presidente da CML, Dr. António Costa

Exma. Sra. Presidente da AML, Dra. Simoneta Luz Afonso

Exmo. Sr. Presidente da Comissão Municipal de Ambiente

Exmos. Srs. Vereadores da CML

Exmos. Srs. Deputados Municipais

Assunto: Festival Delta Tejo em Monsanto

Como é do conhecimento geral, decorreu em Monsanto, há praticamente 1 mês , o Festival de música DeltaTejo. O mínimo que seria de esperar, visto não ser possível deixar tudo como estava, devido às alterações feitas e já publicamente denunciadas por esta Plataforma, era que, pelo menos, tudo ficasse limpo, e se tentasse ao máximo minimizar os impactos altamente negativos que aquele tem no local.

Há praticamente 2 semanas que não existe qualquer movimentação de pessoal no local, foram retiradas todas as máquinas, pelo que tudo indica que os trabalhos de limpeza e reparação do local, estão concluídos.

Na realidade assim parece, para quem se limita a ver de longe, mas entrando no terreno, o que se constata, é que as terras e pisos colocados aleatoriamente e sem nexo, nada têm a ver com o local, que o lixo abunda, e que nas últimas duas semanas, o grande protagonista da limpeza do terreno tem sido… o vento. Este tem transportado o lixo para o interior da mata, área classificada, contribuindo assim para a sua danificação e como combustível, no caso de deflagrar um incêndio. Porque, na verdade, a limpeza feita foi superficial, ineficiente e de um desleixo altamente irresponsável, por parte de quem tinha obrigação de a fazer.

A plataforma por Monsanto, exige às entidades responsáveis, uma limpeza urgente e eficiente do local, por quem tem a responsabilidade contratual de o fazer, e, que se termine de uma vez por todas, com a irresponsabilidade e com a leviandade com que tem sido conduzido todo este processo desde o inicio.

Em anexo, enviamos fotografias do estado actual do terreno e mata envolvente.

A Plataforma por Monsanto

Lisboa, 29 de Julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

«Amigos do Jardim Botânico criticam plano de pormenor do Parque Mayer»

Os Amigos do Botânico de Lisboa classificaram hoje o plano de pormenor do Parque Mayer e Jardim Botânico como "muito nefasto", porque pode levar à perda de espécies e alterar o efeito benéfico do jardim no clima da capital.

Numa carta enviada a diversas entidades, nomeadamente à autarquia, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) resume em sete pontos as suas preocupações relativas ao Plano de Pormenor para o Parque Mayer, Jardim Botânico e Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente, embora considere que há "urgência de intervir na área urbana objecto deste plano de pormenor".

A Liga critica a prevista demolição de parte das estufas (de exibição, investigação e viveiristas), oficinas e armazéns, o que vai obrigar a encontrar alternativas de espaço dentro da área do jardim, que verá assim “diminuída a sua área de plantação”.

A LAJB considera também que não é viável a construção de um novo edifício de entrada do botânico no alinhamento da Rua Castilho, que “ocupa e impermeabiliza a totalidade da atual área dos viveiros” do jardim.

“O plano propõe que as ‘estufas’ passem para cima deste edifício”, é explicado na carta, salientando que “esta solução não é viável, porque as diferentes estufas de um Jardim Botânico têm características arquitetónicas e exigências de localização muito diversas”.

Os Amigos do Botânico realçam também que as estufas de investigação devem estar longe das entradas e circuitos de visitantes, junto dos laboratórios, enquanto que “as estufas de exposição ao público, onde se incluem plantas de grande porte, precisam de pé direito alto e localização central”.

Quanto à prevista construção de um estacionamento subterrâneo no subsolo do jardim em toda a área da entrada sul, a LAJB destaca que a abertura de caves “implicaria o abate de várias árvores da coleção viva” e compromete “a viabilidade de espécimes devido à limitação de desenvolvimento de raízes”.

Salienta que a proposta de edificação encostada à cerca pombalina do Jardim Botânico “resultaria em mais uma impermeabilização maciça e contínua em quase toda a envolvente de logradouros confinantes com o Jardim Botânico”, o que “inviabilizaria as intenções de manter um anel de proteção ecológica do jardim”.

Já a proposta do novo percurso pedonal que ligaria a Rua da Escola Politécnica à Rua do Salitre e ao Parque Mayer “implicaria a destruição de largos sectores da Cerca Pombalina e retiraria áreas decoleção viva”, além de implicar “complexas expropriações de áreas privadas”, acrescentam. Esta “crescente aproximação das construções” ao jardim “resultará num aumento da luz recebida”, alerta a associação, o que “agravaria a já prevista diminuição de circulação de ar, contribuindo para tornar o Jardim ainda mais seco e quente”. “Esta alteração micro-climática levaria à perda de espécies, que não suportarão as novas temperaturas, diminuindo a diversidade do Jardim e o seu efeito amenizador no clima da Lisboa histórica”, considera.

in jornal i, 28 de Julho de 2010

Foto: os muros e contrafortes da cerca pombalina do Jardim Botânico é uma das realidades patrimoniais mais desprezada e esquecida para o qual a LAJB tem vindo a chamar atenção.

As Árvores e a Cidade: Lagerstroemia

Em frente da Igreja de S. Nicolau a Câmara Municipal de Lisboa plantou alguns exemplares de Lagrestroemia indica que estão em floração desde o início de Julho. Como seria diferente a Baixa se mais arruamentos estivessem arborizados. Será que o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina - actualmente em discussão pública - prevê a arborização de algumas ruas para assim melhorar o conforto ambiental desta árida zona da nossa capital? É isso que a LAJB irá questionar, sugerir, promover.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

40 anos «em vias de classificação»

Processo foi iniciado em 1970, mas, oficialmente, o jardim continua "em vias de classificação"

Jardim Botânico está há 40 anos à espera de ser classificado como monumento nacional

O Jardim Botânico de Lisboa está há 40 anos "em vias de classificação" como monumento nacional. Esta demora foi anteontem questionada na Assembleia da República pela deputada do Bloco de Esquerda (BE) Rita Calvário, que dirigiu um conjunto de perguntas ao Governo, exigindo explicações sobre a situação e alertando para o risco que, no seu entender, o Plano de Pormenor do Parque Mayer - que brevemente vai entrar em discussão pública - representa para este jardim científico da cidade.

De acordo com dados do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o primeiro despacho relativo à classificação do Jardim Botânico como monumento nacional data de 7 de Agosto de 1970. Desde aí surgiram mais dois diplomas, um em 1994 e o outro em 1999, que se limitam a revalidar o processo de classificação, sem que o espaço, de facto, tenha sido classificado.

Esta situação foi qualificada como "inadmissível" pela deputada do BE, que defendeu, num requerimento enviado ao Ministério da Cultura, que "a finalização do processo de classificação do Jardim Botânico de Lisboa como monumento nacional deve concretizar-se sem mais demoras".

O arrastamento deste processo levou Rita Calvário a dirigir três perguntas ao Ministério da Cultura, exigindo uma justificação para a permanência daquele jardim com o estatuto de sítio "em vias de classificação" desde há quatro décadas. Com esta iniciativa, a deputada pretende saber quando e que medidas vão ser tomadas para resolver a situação, questionando também o Governo sobre o papel que o Igespar tem desempenhado na salvaguarda da zona de protecção do Jardim Botânico.

Apesar de a demora na classificação do jardim como monumento nacional não pôr em causa as normas de protecção do mesmo - que proíbem construções a menos de 50 metros a partir do momento em que o processo de classificação é iniciado -, a deputada considera que aquele estatuto daria ao jardim "uma salvaguarda maior", designadamente na elaboração do Plano de Pormenor do Parque Mayer, que inclui o Jardim Botânico. Este plano foi, aliás, objecto de um outro conjunto de questões, expressas num documento enviado por Rita Calvário ao Ministério do Ambiente. À semelhança da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, a deputada mostra-se preocupada com o conteúdo daquele documento, considerando que ele tem "uma intervenção urbanística muito forte" na zona envolvente do jardim e que "o descaracteriza também ao nível das espécies", muitas "em extinção".

Entre os Amigos do Jardim Botânico não falta, entretanto, quem sugira que a demora do processo de classificação possa ter a ver com a ideia de que os terrenos e construções existentes nas imediações do jardim possam ser desvalorizados pelo facto de ele se tornar oficialmente um monumento nacional.

"Enquanto o processo de classificação pode um dia ser abandonado, isso nunca acontecerá com a classificação formal como monumento nacional", disse ao PÚBLICO um biólogo que pediu para não ser identificado. (in Público, 24 de Julho de 2010).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Curso de Guias do Jardim Botânico

De 2 a 30 de Setembro de 2010

Aulas teórico-práticas:

Segundas-feiras das 18:00 às 19:30h

Quintas-feiras das 18:00 às 20:00h

Por Alexandra Escudeiro

(coordenadora do Serviço de Extensão Pedagógica do Jardim Botânico do MNHN)

Preço: 110 euros

Pré-requisitos: Licenciatura em Biologia ou áreas afins ou aprovação em cadeiras de Botânica do Ensino Superior. Outros candidatos estão sujeitos a entrevista prévia.

Inscrições abertas de 19 de Julho a 20 de Agosto

Informações: 213921830 maescudeiro@museus.ul.pt

Foto: Hibiscus mutabilis L na Classe

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Em Floração: BRAHEA ARMATA

A palmeira Brahea armata S. Watson em floração na Classe, junto às antigas estufas.

terça-feira, 20 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

«Sim ou Não às barragens do Tua e Sabor?»

Exmos(as) Senhores(as),

No próximo sábado, dia 17 de Julho, pelas 10 horas no Museu do Douro, Régua, o blog Nortadas marca a agenda da actualidade com um importante debate à volta da questão das barragens do Tua e do Sabor. De acordo com informação constante no blog "Nortadas", haverá intervenções a favor da solução das barragens e do plano nacional de barragens e intervenções contra a solução proposta das barragens.

A EDP far-se-á representar e os demais palestrantes, já confirmados, são:

Professor Doutor Rui Cortes (UTAD),

Professsor Alvaro Domingues (FAUP);

Professor Doutor Joanaz de Melo (UNL)

Professor Doutor Sampaio Nunes;

Dr. Francisco Sousa Fialho;

Dr. João Anacoreta Correia.

Para mais informações http://nortadas.blogspot.com/

Cumprimentos,

Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AS ÁRVORES e os LIVROS: Ovídio

Tantas azeitonas tem a árvore de Palla,
Quantos os caroços caídos sobre a encosta sombria,
Quantos os desgostos que há no Amor.

Ovídio, Arte de Amar, Livro II, verso 518

Ovídio conta que todas as árvores, na Antiguidade, eram seres humanos metamorfoseados, fosse por uma condenação em consequência de um destino infeliz, fosse pela concretização de uma colheita salvadoara. Dafne foi transformada em loureiro, as Helíadas, filhas do rei Hélios, em choupos, Filémon em azinheira, junto da sua companheira, Baucis transformada em tília, enquanto que o jovem Ciparissos, amado de Apolo, foi metamorfoseado em cipreste, a árvore do sofrimento. Apenas a oliveira, de todas as árvores, não tem genealogia patética, nem antepassado humano, visto ter saído directamente do pensamento de Atena.

FOTO: Oliveira centenária em Viana do Alentejo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

JARDIM BOTÂNICO - O ALERTA DA LAJB

No dia 30 de Junho, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico esteve presente na sessão pública da reunião da Câmara Municipal de Lisboa, onde foi aprovada, com os votos contra do CDS-PP e a abstenção do PSD, a proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente.

No debate prévio à votação ficaram muitas incertezas, contradições e incoerências por esclarecer, revelando um Plano de Pormenor pouco aprofundado quanto à sua elaboração, pressupostos, execução e consequências.

A requalificação de toda esta área, apresenta no projecto agora aprovado, uma vocação predominantemente “mercantilista” em detrimento da cultural e científica, sendo esta totalmente ignorada no debate. Assim, no Jardim Botânico, a predominância da área comercial- 20 mil m2, e Hotel- 6mil m2, são muito superiores aos 14mil m2 destinados à cultura, quando anteriormente, se falava em 23mil m2 para as actividades culturais. O mesmo parece passar-se no Parque Mayer, em que a vertente comercial tem preponderância em relação às actividades culturais.

Por outro lado, o Plano de Execução é omisso, no que diz respeito às actividades culturais e comerciais a serem implementadas, bem como está ausente, uma reflexão sobre a gestão cultural de toda esta área. E o espaço público está mal definido.

Muitas questões gostaríamos de ver respondidas. Qual o modelo económico que garante a sustentabilidade deste projecto? Como está equacionada a sustentabilidade ecológica do tecido urbano? Qual a percentagem da área que vai ficar impermeabilizada? Qual a percentagem da área drenada? E a protecção? Quais os indicadores que vão ser valorizados, para não haver prejuízos daqui a alguns anos? E a protecção dos logradouros? Como é que se relaciona esta protecção com o que está no projecto? O que pode acontecer com a implementação deste projecto? O que queremos que aconteça?

Com este projecto, a protecção do Jardim Botânico não está eficaz. Para tal, é essencial:

- salvaguardar todos os logradouros confinantes com o Jardim; não construção de edifícios de altura superior à cota da cerca pombalina do JB; não ao aumento das cérceas de edifícios na rua do Salitre ( problema que já existe actualmente ), e nas ruas da Alegria e S. Mamede, travessa do Salitre e calçada da Patriarcal; não construção de parques de estacionamento subterrâneo no JB, nos logradouros e jardins, incluídos na Zona Especial de Protecção do JB ( 50 metros a contar da cerca pombalina do Jardim ); não impermeabilização do solo do Jardim; não ao abate de árvores da colecção viva; não destruição de partes da cerca pombalina; preservação dos canais de drenagem atmosférica e hidrológica; manutenção do gradiente de exposição solar; manutenção de anel de protecção ecológica; manutenção do sistema de vistas entre as colinas de Lisboa e o Jardim.

Projecto com visão e futuro era:

- a extensão do Jardim Botânico para o Parque Mayer, criando neste, um espaço verde com espécies da Flora de Portugal, numa interface com o Jardim, não desvalorizando a sua vocação recreativa; era dotar o Jardim Botânico de todos os equipamentos em falta e substituir os desadequados e obsoletos; era tratar do património arbóreo do Jardim ( Classe e Arboreto ) com inventariação e orçamentação já efectuadas em 2008, pela LAJB; era aumentar a cultura científica dos cidadãos e alterar os seus actuais comportamentos insustentáveis; era privilegiar a direcção de mobilidade e não de tráfego; era repor a carreira do eléctrico 24 (Cais do Sodré-Campolide, via Rua da Escola Politécnica).

Tudo isto e muito mais, está em risco de se perder e/ou não se realizar. Esperava-se essa visão de futuro, de uma Universidade e de uma Câmara com responsabilidades educativas, cívicas e políticas. A Liga dos Amigos do Jardim Botânico, consciente dessas mesmas responsabilidades para com os seus associados, a sua cidade e o seu país, tudo fará para ajudar e contribuir para esse Portugal futuro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jardim Botânico: «4ha de Vida»

Conversas às Quintas no Manuel Valadares

Dando seguimento ao debate interno sobre as actividades que se desenrolam nos Museus da Politécnica, na próxima quinta-feira, dia 8, Teresa Antunes, curadora do Jardim Botânico, irá abordar o tema 4ha de Vida, sobre algumas realidades do Jardim Botânico. Será no auditório Manuel Valadares, às 13h30.

Foto: Acanthus mollis L. em floração na Classe

domingo, 4 de julho de 2010

Lançamento do livro: Jardim Botânico - Palmeiras

No próximo dia 8 de Julho, pelas 18h00, no Palmário do Jardim Botânico, será apresentado o livro:

Jardim Botânico – Palmeiras

de António Luís Belo Correia e Fátima Costa

A apresentação da obra ficará a cargo da Vice-Reitora da Universidade de Lisboa, Profª Doutora Maria Amélia Martins-Loução e da Arqª Cristina Castel-Branco. Esta publicação conta com o apoio financeiro da Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB).

Após a apresentação do livro, segue-se a inauguração de um objecto vivo tornado arte, apresentado pela Profª Virgínia Fróis.

Foto: detalhe de palmeira no Arboreto

quinta-feira, 1 de julho de 2010

«Câmara quer demolir Teatro Maria Vitória»

In Jornal de Notícias (1/7/2010)

«A Câmara de Lisboa quer demolir o Teatro Maria Vitória e construir uma sala de espectáculos maior naquele local, segundo a proposta de Plano de Pormenor para o Parque Mayer aprovada quarta-feira em reunião de câmara.

Em declarações à Lusa, o presidente da autarquia, que quando confrontado quarta-feira com o assunto pelo vereador Pedro Santana Lopes não respondeu, acabou por confirmar: "Vai tudo abaixo e constrói-se um novo".

Contactado pela Lusa, o arquitecto responsável, Manuel Aires Mateus, explicou: "aqueles edifícios já não têm hipótese de recuperação. Este será maior, até porque aquelas eram salas muito pequenas e não daria para rentabilizar". A votação de quarta-feira foi a primeira que a Câmara fará do documento, já que o plano vai agora para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e regressará à autarquia para discussão pública e votação final.

O plano, que abrange a área do Jardim Botânico, permite alterações e reabilitação na zona habitacional histórica, criando uma área de protecção com edifícios com os terraços cobertos por jardins. O projecto inclui vários parques de estacionamento subterrâneos e até 1700 lugares de espectadores no Capitólio, no Teatro Variedades e no novo auditório a construir.

Desenvolvido a partir da proposta vencedora do concurso de ideias para o local, o documento permite obras na zona habitacional histórica, inclusive em imóveis de valor patrimonial "elevado", "relevante" ou "de referência", uma excepção relativamente ao que ficou estabelecido no Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade.

Para a área da Universidade de Lisboa e Jardim Botânico, o plano propõe, por exemplo, que sejam feitos projectos autónomos de recuperação do Museu da Ciência e História Natural e do Observatório Astronómico e define a criação de uma zona lúdica infantil, novos acessos e percursos pedonais e dois parques de estacionamento subterrâneos, um dos quais com 200 lugares. Junto à entrada da Rua do Salitre, no alinhamento da Rua Castilho, será construído um "novo grande edifício" com "vocação de museu ou centro interpretativo" do jardim e que poderá ter cafetaria, livraria e uma loja do Museu, uma obra contestada pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico, já que "impermeabilizará a totalidade da actual área dos viveiros".

A Liga critica também a prevista demolição de parte das estufas, considerando que o jardim vai ver "diminuída a sua área de plantação", e a sua passagem para cima do novo edifício, o que contrariará a necessidade de as estufas terem "localizações muito diversas".

Já na área do Parque Mayer a câmara quer colocar o Capitólio, actualmente alvo de uma intervenção de recuperação, como "protagonista" de uma grande praça com saídas para a nova rua paralela à do Salitre, a nova rua paralela à da Alegria, a Travessa do Salitre e a Praça da Alegria. O Capitólio terá 700 lugares no interior e 200 no recinto exterior.

A entrada do Parque Mayer também será recuperada para voltar a ter "monumentalidade", o Teatro Variedades será reconvertido num palco da "actividade teatral convencional" para 200 espectadores e surgirá um novo auditório com uma plateia até 600 lugares e "com capacidade para teatro, conferências ou cinema".

Ainda nesta zona, os edifícios de restauração serão demolidos para serem depois realojados, haverá vários percursos públicos verdes e o tráfego será exclusivamente pedonal. Segundo os estudos anexos ao Plano de Pormenor, a proposta é viável a nível de ruído e de tráfego - neste segundo caso o acréscimo de volume de trânsito será compensado pelas restrições ao estacionamento dissuasoras do uso do automóvel.

Já a análise geológica, geotécnica e hidrogeológica considera necessária a realização de estudos específicos para obter informação mais pormenorizada.»

Foto: o Jardim Botânico visto do Parque Mayer

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Em Floração: CYNARA CARDUNCULUS L.

Cynara cardunculus L. (cardo-do-coalho) em floração na Classe

«Plano de Pormenor do Parque Mayer e do Jardim Botânico de Lisboa é analisado hoje»

«A Câmara de Lisboa discute hoje a aprovação da proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e zona envolvente.

O documento prevê a construção de parques de estacionamento subterrâneos e até 1700 lugares de espectadores no Capitólio, no Teatro Variedades e num novo auditório. Desenvolvido com base no projecto do arquitecto Aires Mateus, que venceu o concurso de ideias lançado para o local, o plano prevê obras de alteração e reabilitação na zona habitacional histórica, incluindo em imóveis de valor patrimonial "elevado", "relevante" ou "de referência". Esta excepção em relação ao que ficou estabelecido no plano de urbanização da Avenida da Liberdade deve-se, segundo a autarquia, ao objectivo de não prejudicar a dinâmica da reconversão com regulamentos demasiado "proteccionistas".

Na área abrangida estão definidas também várias zonas para uso turístico, reservado a empreendimentos com um "padrão mínimo de qualidade" de quatro estrelas. Apesar de algumas alterações "de carácter programático e de pormenor", a proposta final não inclui mudanças "de fundo" face aos termos de referência que já estiveram em discussão pública.

Para a área da Universidade de Lisboa e do Jardim Botânico, o plano propõe a realização de projectos autónomos de recuperação do Museu da Ciência e História Natural e do Observatório Astronómico. Define também a criação de uma zona lúdica infantil, a construção de novos acessos e percursos pedonais e dois parques de estacionamento subterrâneos, um dos quais com 200 lugares. Junto à entrada da Rua do Salitre, no alinhamento da Rua Castilho, será construído um "novo grande edifício" com "vocação de museu ou centro interpretativo" do jardim e que poderá ter cafetaria, livraria e uma loja do museu.

Algumas obras previstas no Plano de Pormenor foram já alvo de contestação pela Liga dos Amigos do Botânico, que considera o documento "muito nefasto". A Liga protesta contra o abate de árvores para a construção de parques subterrâneos, contra a demolição de estufas e a destruição de troços da cerca pombalina. A associação alerta ainda para os perigos de aumentar a altura dos edifícios na Rua do Salitre, o que teria um "efeito de muro" em todo o perímetro do jardim, impedindo a circulação de ar. "Esta alteração microclimática levaria à perda de espécies, que não suportarão as novas temperaturas, diminuindo a diversidade do jardim e o seu efeito amenizador no clima da Lisboa histórica", garante a Liga.»

(in Público)

«Universidade concorda com Plano Pormenor do Parque Mayer»

«Ligação pedonal com o Jardim Botânico mereceu já críticas, mas a Universidade de Lisboa desvaloriza e lembra que mancha verde será preservada. Câmara debate hoje o plano

O Plano Pormenor do Parque Mayer e da sua área envolvente é hoje discutido na Câmara Municipal de Lisboa. O projecto prevê a construção de novas infra-estruturas junto ao Jardim Botânico, ligando-o, com uma passagem pedonal, ao Parque Mayer. A Universidade de Lisboa diz que o município respeitou sempre a sua vontade, mas a Liga dos Amigos do Jardim Botânico de Lisboa assegura que as medidas são prejudiciais para o espaço. As alterações previstas contemplam a requalificação da zona circunscrita entre a Rua da Escola Politécnica e a Avenida da Liberdade. No que diz respeito ao Jardim Botânico, para além da ligação pedonal com o Parque Mayer, o projecto sugere também a recuperação do Museu da Ciência e História Natural e do Observatório Astronómico.

Maria Amélia Loução, vice-reitora da Universidade de Lisboa, salientou ontem, em declarações ao DN, que as medidas propostas "são o sinal claro de uma grande preocupação do município com a preservação desta mancha verde. A única coisa que falta saber realmente é onde e como será feita a ligação com a Rua do Salitre".

Desvalorizando as críticas da Liga dos Amigos do Jardim Botânico de Lisboa, que consideram que a proposta põe em causa a qualidade da investigação, a responsável chamou ainda atenção para o facto de tudo estar em aberto. "Quem não concorda ou tiver sugestões deverá comparecer, no local correcto e dar a sua opinião." Quanto à possível deslocação de algumas estufas, Maria Amélia Loução diz não se tratar de um problema. "Não é preocupante. Há sempre alguns efeitos negativos no momento, mas futuramente estas medidas darão frutos".

Fonte da Liga dos Amigos do Jardim Botânico considera dramático e afiança que se assistirá a uma diminuição do espaço deste Jardim. "Se metermos uma rã em água a ferver ela foge, se a metermos em água fria e a aquecermos devagar ela sente o calor, mas só dá por si quando está cozida. Nós não vamos cozer, mas vamos ficar sem árvores sem darmos por isso", refere a mesma fonte.

Já para o Parque Mayer, o Plano Pormenor prevê, para além da requalificação do Capitólio e do Teatro Variedades, a criação de vários parques de estacionamento subterrâneos e de um auditório com capacidade para 600 pessoas. O documento, desenvolvido a partir da proposta de Aires Mateus, vencedora do concurso de ideias para o local, tem ainda em conta a alteração e reabilitação do parque urbano histórico. Fonte da CML disse que apesar de algumas alterações "de carácter programático e de pormenor", a proposta final não inclui mudanças "de fundo" em relação ao que foi submetido a discussão pública. [...]»

In Diário de Notícias (30/6/2010) por CARLOS DIOGO SANTOS

terça-feira, 29 de junho de 2010

«Plano do Parque Mayer preocupa Amigos do Jardim Botânico»

«Abate de árvores, demolição de estufas e destruição de troços da cerca pombalina são alguns dos problemas apontados pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico ao plano de pormenor do Parque Mayer.

Apesar de reconhecer a urgente necessidade de intervir neste espaço, o movimento cívico considera o plano "muito nefasto" e critica a prevista "demolição de infra-estruturas vitais a um jardim botânico". "A estufa de exibição daria lugar a uma galeria comercial", exemplifica, condenando o desaparecimento de herbários, laboratórios e oficinas de carpintaria.

A construção de um novo edifício de entrada no jardim, no alinhamento do final da Rua Castilho, ocupando e impermeabilizando "a totalidade da actual área dos viveiros", é também repudiada por esta associação. Tal como a proposta do plano de passar as estufas para cima deste edifício. Quanto à ideia de criar um percurso para peões ligando a Rua da Escola Politécnica à Rua do Salitre e ao Parque Mayer, "implicaria a destruição de largos sectores da cerca pombalina e retiraria áreas de colecção viva". O trecho inicial deste percurso "subtrairia um corredor de jardim, com espécies internacionalmente protegidas, apenas para dar acesso a uma galeria comercial".

Alvo dos reparos da Liga dos Amigos do Jardim é ainda o estacionamento subterrâneo previsto para o subsolo do jardim, em toda a área da entrada sul: "Esta intervenção pesada, com abertura de caves, implicaria o abate de várias árvores da colecção viva. Compromete, também, a viabilidade de espécimes devido à limitação de desenvolvimento de raízes".

Por fim, a associação alerta para o perigo de aumentar a altura dos prédios que cercam o jardim, o que criaria "um efeito de muro em quase todo o seu perímetro". Resultado: "A circulação de ar ficaria impossibilitada e a temperatura do interior do jardim aumentaria significativamente." Muitas espécies não resistiriam a um recinto não só mais quente como mais seco. "A verificarem-se estas alterações, o actual contributo do Jardim Botânico na amenização do clima de Lisboa, assim como a sua contribuição para o sequestro de carbono e partículas poluentes ficariam gravemente comprometidos", avisa a liga.

Segundo informações do gabinete do vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, as objecções dos Amigos do Jardim Botânico foram reencaminhadas para os arquitectos que têm o projecto em mãos, do atelier Aires Mateus. Ontem este arquitecto não conhecia ainda o teor destas críticas.»

In Público (29/6/2010) por Patrícia de Oliveira

Foto: Jacarandá na Classe

Reunião Pública de Câmara: 30 Junho, 15h

Convite - Reunião Pública de Câmara - 30 Junho - 15h

Sala de Sessões Públicas dos Paços do Concelho

Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente

Na próxima Reunião de Câmara, 30 de Junho de 2010, apesar de eu não poder estar presente, será apresentada, pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa, a Proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico e Zona Envolvente, para respectivo envio à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Atendendo à importância da participação de todos os interessados nas questões que envolvem o Urbanismo, é com muito gosto que venho convidar V. Exa. a estar presente nesta sessão pública.

Poderá aceder à Proposta/Plano através do link:http://ulisses.cm-lisboa.pt/dados/pmayer.zip

Com os melhores cumprimentos,

Manuel Salgado

Vice-Presidente CML

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Plano de Pormenor para o Jardim Botânico e Parque Mayer: o alerta da LAJB

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Exmos Srs. Vereadores

Exma. Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa

Exmos Deputados da AML

Exma. Comissão de Educação, Ciência e Cultura do Parlamento

Exmo. Presidente da CCRLVT

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico vem por este meio apresentar as suas preocupações relativas ao Plano de Pormenor para o Parque Mayer, Jardim Botânico e Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente:

Apesar das boas intenções, e da urgência de intervir na área urbana objecto deste plano de pormenor, vimos por este meio alertar Vossas Excelências para terem em consideração, aquando da discussão desta proposta em reunião de câmara, o seguinte:

1. Desafectação de uma grande área e demolição de infraestruturas vitais a um Jardim Botânico. As estufas de exibição e estufas viveiristas, os herbários e laboratórios e todas as oficinas de carpintaria, mecânica e armazéns de máquinas e alfaias (tractores, etc) serão demolidos para darem lugar a novos imóveis que não servem a missão de um Jardim Botânico. Por exemplo, a Estufa de exibição daria lugar a uma galeria comercial. Como resultado destas perdas de território e equipamentos, teriam de ser encontrados dentro do jardim espaços alternativos. Consequentemente, larga área de plantação seria perdida para implantação de novas estufas (de exibição, investigação e viveiristas), oficinas e armazéns.

2. Novo Edifício de entrada no Jardim Botânico. A sua construção, no alinhamento do final da Rua Castilho, ocupa e impermeabiliza a totalidade da actual área dos viveiros do jardim. O plano propõe que as "estufas" passem para cima deste edifício. Esta solução não é viável porque as diferentes estufas de um Jardim Botânico têm características arquitectónicas e exigências de localização muito diversas. As estufas de investigação e viveiristas devem estar longe das entradas e circuitos de visitantes enquanto que as primeiras, de investigação, devem, também, estar junto dos laboratórios. Já as estufas de exposição ao público, onde se incluem plantas de grande porte, precisam de pé direito alto e localização central.

3. Estacionamento subterrâneo no subsolo do jardim, em toda a área da entrada sul. Esta intervenção pesada, com abertura de caves, implicaria o abate de várias árvores da colecção viva. Uma impermeabilização destas compromete, também, a viabilidade de espécimes devido à limitação de desenvolvimento de raízes. A proposta demolição do edifício da antiga Cantina (1940) é desnecessária (porque recuperável) e nefasta à colecção contígua de Plantas Xerófitas, onde se incluem dragoeiros de interesse histórico e a iuca gigante.

4. Proposta de edifícação encostada à cerca pombalina do Jardim Botânico. Esta intenção resultaria em mais uma impermeabilização maciça e contínua em quase toda a envolvente de logradouros confinantes com o Jardim Botânico - isto inviabilizaria as intenções de manter um anel de protecção ecológica do jardim. Esta zona tampão não pode ser destruída para garantir o regime hidríco, a saúde do sistema radicular e a circulação de ar. Esta alteração radical da zona de protecção degradaria irreversivelmente o ambiente e os exemplares deste Monumento Nacional.

Apesar de se afirmar que os propostos edifícios encostados à cerca pombalina corresponderiam a «um aumento da área do Jardim Botânico» temos de alertar que um edifício com uma cobertura em laje de betão revestida de plantas nunca cumprirá a função na ecologia urbana de um logradouro ou jardim.

5. Proposta do novo percurso pedonal que ligaria a Rua da Escola Politécnica à Rua do Salitre e ao Parque Mayer. Esta proposta implicaria a destruição de largos sectores da Cerca Pombalina e retiraria áreas de colecção viva. A suposta localização deste percurso no exterior do Jardim implicaria complexas expropriações de áreas privadas. A sua eventual construção iria aniquilar a ligação do Jardim ao seu anel de protecção ecológico. O trecho inical proposto (Alameda das Palmeiras até ao topo Norte) subtrairia, ainda, um corredor de jardim, com espécies internacionalmente protegidas, apenas para dar acesso a uma galeria comercial. Quais são os benefícios para o Jardim Botânico perante estas significativas perdas patrimoniais?

6. Aumento das cérceas defendido para vários edifícios na Rua do Salitre. Este problema já se constata nas intervenções mais recentes e a decorrer. A ser continuamente implementado este aumento das cérceas, o Jardim passaria a estar limitado por uma frente de edifícios que, devido à nivelação de todos os prédios pela cota mais alta, terá um efeito de muro em quase todo o seu perímetro. A circulação de ar ficaria impossibilitada e a temperatura no interior do jardim aumentaria significativamente. Esta alteração micro-climática levaria à perda de espécies, que não suportarão as novas temperaturas, diminuindo a diversidade do Jardim e o seu efeito amenizador no clima da Lisboa histórica. Outro efeito negativo seria a destruição do sistema de vistas entre as colinas de Lisboa e o Jardim.

7. Aumento de radiação luminosa reflectida dos edifícios a construir em redor do Jardim Botânico. A crescente aproximação das construções ao Jardim e o seu aumento em altura, seja no seu lado Oeste/Norte (substituição das estufas por novas galerias comerciais no eixo Rua do Salitre – Rua da Escola Politécnica), seja ao longo da Cerca Pombalina, incluindo o Parque Mayer, resultará num aumento da luz recebida, particularmente grave considerando a densidade de construção proposta. Este aumento de reflexão de luz agravaria a já prevista diminuição de circulação de ar, contribuindo para tornar o Jardim ainda mais seco e quente.

A verificarem-se estas alterações, os actuais contributos do Jardim Botânico na amenização do clima de Lisboa, assim como a sua contribuição para o sequestro de carbono e partículas poluentes, ficariam gravemente comprometidos.

Realçamos que o Jardim Botânico, enquanto tal, desempenha vários papéis vitais para o bairro, para a cidade de Lisboa e para o país, contribuíndo para a economia e a identidade cultural da cidade e sendo, também, uma referência nacional.

Concluíndo, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico considera que esta versão do Plano de Pormenor é muito nefasta para a cidade de Lisboa em geral e para o Jardim Botânico em particular.

Agardecendo toda a atenção dispensada,

Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Lisboa, 27 de Junho de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O nosso Bairro: R. Escola Politécnica 55-65

Defronte da Escola Politécnica construiu-se, em 1858, esta casa para habitação e comércio, num luxo desusado, na época, em imóveis de rendimento. Este imóvel é atribuído ao arquitecto francês Pierre-Joseph Pézerat encarregado dos trabalhos de construção da Escola em frente, onde era professor de desenho desde 1853. Podemos identificar na composição elegante da fachada, nomeadamente nos vãos com arcos de volta perfeita, semelhanças com a arquitectura do edifício da antiga Escola Politécnica.

Data: c.1890
Autor: Bárcia, José Artur Leitão,1871?-1945
Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

domingo, 20 de junho de 2010

AS ÁRVORES e os LIVROS: Thomas Jefferson

Too old to plant trees for my own gratification, I shall do it for my posterity.

Thomas Jefferson

Nota: Thomas Jefferson (1743—1826) foi um advogado e político dos Estados Unidos da América, terceiro presidente daquele país (de 1801 a 1809). Além de estadista, foi também um filósofo político, um revolucionário, proprietário agrícola, arquitecto, arqueólogo, autor e um espírito elucidativo do Iluminismo.

FOTO: Central Park, Nova Iorque.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Nosso Bairro: Rua Rosa Araújo 16


O belo imóvel na Rua Rosa Araújo, 16 torneja Rua Mouzinho da Silveira está em risco de ser demolido. Iremos perder mais um vizinho do Jardim Botânico?

O processo 2028/EDI/2007, que consubstancia um projecto de ampliação ainda em apreciação pela CML, prevê a demolição integral do miolo, a ampliação de 2 andares e a construção de caves para estacionamento. A proposta prevê a instalação de 2 lojas no piso térreo, 29 fogos e 44 lugares de estacionamento em cave.

Mais um projecto que vai contra a ideia de uma cidade sustentável (44 lugares de estacionamento num arruamemto que já foi impermeabilizado para a construção de um parque de estacionamento público!). É também mais um atentado ao património arquitectónico do antigo Bairro Barata Salgueiro, nosso vizinho.

O promotor é a Imonormandia - Soc. Imobiliária, Lda.

Após Vistoria Patrimonial da CML (Outubro de 2007), o edifício foi dado como recuperável pelos técnicos. As conclusões do parecer apontavam no sentido de preservação do edifício. Era admitida a possibilidade de alterações pontuais do interior, desde que não fosse posta em causa a integridade construtiva, arquitectónica e decorativa do edifício. Também se equacionava uma ampliação controlada da volumetria, através de uma alteração do desenho da cobertura.

Lamentavelmente, um parecer anterior do IGESPAR (Julho de 2006), considerou os interiores do imóvel banais, aceitando a demolição dos interiores e a manutenção da sua fachada.

Entretanto, o imóvel foi deliberadamente abandonado pelo promotor pelo que passados 3 anos é fácil de prever uma maior degradação dos elementos construtivos e decorativos interiores.

Após consulta ao PUALZE, verificamos que se classifica este edifício como "Bem Patrimonial de Referência" sendo permitida apenas obras de reabilitação e ampliação com a possibilidade de se aumentarem 2 pisos nos edifícios que possuem 4 ou 5 pisos acima do solo.

Em 2010 este belo prédio de rendimento faz 100 anos. Foi concluído em 1910, conforme se pode verificar num tímpano que remata a fachada (ver fotos). Seria uma lamentável coincidência ver a demolição deste imóvel precisamente no ano do seu centenário. A LAJB solicita a todos os vereadores da CML a salvaguarda desta notável obra de arquitectura da cidade.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Orçamento Participativo 2010/2011

Orçamento Participativo.
Lisboa é de todos.
Todos têm uma palavra a dizer.
Proponha. Vote. Nós fazemos.

Cara(o) cidadã(o),

Conforme é do conhecimento de V. Exa., na sequência da aprovação da Carta de Princípios do Orçamento Participativo do Município de Lisboa, em Julho de 2008, realizaram-se já dois processos de Orçamento Participativo, de acordo com a metodologia inovadora então aprovada.

No total estes processos contaram com mais de 10.000 participações, o que veio comprovar o interesse dos cidadãos em participar activamente na resolução dos problemas da cidade.Este ano, foi revista a Carta de Princípios e aprovado o novo ciclo do OP. As principais novidades são o alargamento do prazo para participação, a realização paralela de Assembleias Participativas e a ampliação do leque de competências municipais em debate.

O calendário aprovado é o seguinte:

Apresentação de propostas, até 30 de Junho

Análise técnica das propostas pelos serviços municipais, de 1 de Julho a 15 de Setembro

Reclamações e respostas, de 16 a 30 de Setembro

Votação nos projectos, de 1 a 31 de Outubro

Para que o Orçamento Participativo 2010/2011 seja um processo ainda mais participado pelos cidadãos, é muito importante contar com o apoio e a participação de todos. Para qualquer esclarecimento poderá contactar a CML, Direcção Municipal de Serviços Centrais, através do e-mail op@cm-lisboa.pt, dos telefones 21 798 82 20 / 21 798 94 46 / 21 798 95 04 ou consultar o sítio web www.cm-lisboa.pt/op

Contando com o seu imprescindível apoio no processo de Orçamento Participativo, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,

Lisboa, Maio de 2010

A Equipa OP

Foto: Jacarandás na Av. 5 de Outubro. A arborização da Rua Borges Carneiro foi o projecto apresentado pela LAJB no OP do ano passado. Continuaremos a defender projectos de arborização de arruamentos da nossa cidade.

domingo, 6 de junho de 2010

Em Floração: MAGNOLIA GRANDIFLORA

A Magnólia é uma árvore frondosa nativa da Virgínia, no sudeste dos Estados Unidos. Foi introduzida na Europa no século XVIII pelo seu valor estético. De folhas perenes, coriáceas e brilhantes, tem uma copa densa, formando uma cúpula que pode alcançar os 18 metros de altura. Produz grandes flores brancas, muito aromáticas, com cerca de 25 cm de diâmetro. Estas famosas "flores gigantes", raras em árvores de grande porte, começam a surgir no final da Primavera. A dádiva de flores apenas termina com o aproximar do fim do Verão.

o nosso Jardim Botânico tem dois exemplares desta bela árvore: um no Arboreto e outro na Classe. Hoje destacamos esta última árvore que já oferece as suas magníficas "flores gigantes" perfumadas a quem as desejar ver e cheirar. A Magnolia grandiflora da Classe já está em floração!

Nome: Magnolia grandiflora L.
Família: Magnolia
Derivação do nome: Pierre Magnol (1638-1715) botânico francês