domingo, 28 de fevereiro de 2010

Visitas guiadas: LAÇOS DE FAMÍLIA

LAÇOS DE FAMÍLIA NO JARDIM BOTÂNICO
Das rosas às palmeiras: a evolução de dez grupos aparentados de plantas

De 9 de Setembro de 2009 a 23 de Maio de 2010

Que laços unem as plantas de uma família? Como evoluem e adaptam plantas aparentadas para sobreviver no mundo natural? O que as une? O que as diferencia? É a seiva mais viscosa que a água? Em dez visitas guiadas às colecções do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural, convidamo-lo a descobrir a fabulosa história natural de plantas da mesma família.

Ano de 2010

Coníferas I: 17 de Março (15h) e 21 de Março (11h30)

Coníferas II: 24 de Março (15h) e 28 de Março (11h30)

Euforbiáceas: 7 de Abril (15h) e 11 de Abril (11h30)

Compostas: 21 de Abril (15h) e 25 de Abril (11h30)

Mirtáceas: 5 de Maio (15h) e 9 de Maio (11h30)

Moráceas: 19 de Maio (15h) e 23 de Maio (11h30)

Valor de inscrição: 4 €/pax

Assinatura de 5 sessões: 16 €/pax

Mais informações: http://www.mnhn.ul.pt/

Foto: Coníferas no Arboreto

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

«O perigo é real. Lisboa está em risco de cair e é preciso uma intervenção urgente»

“O perigo é real. Lisboa está em risco de cair e é preciso uma intervenção urgente.”

O alerta partiu da vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Helena Roseta, que pede ajuda ao governo. “A câmara e os privados sozinhos não conseguem arranjar todos os edifícios. O governo devia fazer um plano nacional de reabilitação urbana.” Acrescenta mesmo: “Não é possível fazê-lo sem um plano nacional.”

Ao todo são 1117 edifícios (municipais e não municipais) na capital do país que estão em grave risco de segurança. A estes acrescentam-se ainda todos aqueles que estão classificados como em mau estado de conservação, que ultrapassam os 6800.

Ao pedido da vereadora, em forma de repto, o executivo de José Sócrates, questionado pelo i, responde para já com as medidas que fazem parte do Orçamento do Estado para 2010, em que consta o arranque do Programa de Apoio à Reabilitação Urbana, que “tem como meta multiplicar por cinco a média anual de fogos reabilitados com apoio do Estado”.

Também José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), defendeu ontem a reabilitação urbana como o “investimento mais rapidamente reprodutivo”, e que deve ser uma aposta do executivo.

Coração da cidade
O problema não se levanta apenas nas zonas históricas da cidade de Lisboa , mas também no centro.Segundo o levantamento feito pelos técnicos da CML para o Programa Local de Habitação, a freguesia do Coração de Jesus tem 341 edifícios em mau ou muito mau estado de conservação. Ou seja, 49% dos edifícios da freguesia não estão em condições. “Estamos a falar do coração da cidade, mesmo junto ao Marquês de Pombal. Está tudo a cair. É um sinal de alerta que não podemos ignorar”, acrescenta a vereadora. Nos últimos lugares da tabela, pelo bom estado dos edifícios, estão as freguesias de São Francisco Xavier, com apenas 32 prédios em mau ou muito mau estado, Benfica (com 91 em mais de 6 mil edifícios), São João de Brito (46) e Alvalade (25).

O choque
A idade dos edifícios da cidade de Lisboa está acima da média nacional. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao ano de 2001, os edifícios lisboetas têm em média 53,8 anos de idade, quando a média nacional é de 33,9 anos. “Um parque envelhecido que precisa de reparação”, diz a vereadora, que acrescenta que a CML “já pediu um empréstimo para reabilitação urbana, mas não é suficiente. Fiquei muito preocupada com a dimensão dos números.” Só edifícios propriedade da CML em perigo de derrocada são 145, a juntar a mais 35 em mau estado. Na freguesia da Graça concentra-se a maioria dos edifícios camarários em risco de cair – 24 prédios. A Câmara diz estar a responder a esta situação: “Já estamos a fazer realojamentos nos casos mais urgentes, mas isto ultrapassa a capacidade da câmara”, explica Helena Roseta. A vereadora acrescenta que o plano de recuperação dos 145 edifícios em risco está a ser posto em marcha “um a um”.

O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário, Reis Campos, junta-se ao coro: a reabilitação deve ser “uma prioridade absoluta”. Na última semana caíram em Lisboa quatro edifícios, o que obrigou ao realojamento de 12 famílias. O último caiu em São Bento, depois de nos últimos dias ter caído um prédio de habitação em Alfama, o que afectou 11 famílias, e de dois prédios devolutos – um na Graça e outro na Mouraria.

in «i» Público, 26 de Fevereiro de 2010

Foto: imóvel abandonado na Av. da Liberdade

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

AS ÁRVORES e os LIVROS: o «Chap»




It is in the nature of the trees
to grow up into a forest
And to be twisted, or straight.
As to the inhabitants of a kingdom
which is protected by a good sovereign,
some of them are just and honest
and some of them are stupid and vile.

All kinds of animals,
ferocious or cruel,
One could force and command them
But for ferocious, stupid and abusive people
The sage tells us to turn away
And to distance ourselves from them.


(Kaun Chau st. 24-25)

Nota: Texto extraído do «Chap», textos budistas do Cambodja

Fotos: Flores de lótus no Museu Nacional de Phnom Penh

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Seminários Património Científico Português

A próxima sessão dedicada ao Património Científico Português terá lugar no dia 25 de Fevereiro, pelas 18 horas, mas, ao contrário do que é habitual, terá lugar na bela sala da Aula Maynense, na Academia de Ciências de Lisboa. A sessão terá como título "Sobre a Academia das Ciências de Lisboa e seu Património" e o orador convidado é o Professor Miguel Telles Antunes.

«A próxima edição do ciclo Seminários de Património Científico vai constituir uma oportunidade rara de conhecer o vastíssimo e riquíssimo património da Academia das Ciências de Lisboa. O Seminário será dado pelo Prof. Miguel Telles Antunes, actual responsável por esse património.

Na verdade, as importantes colecções da Academia - que vão desde a Física àAntropologia, à Arqueologia, História Natural, Cerâmica Oriental, Pintura, Escultura, Mobiliário - cobrindo os séculos XVIII, XIX e XX, são muito pouco conhecidas do público e, mesmo, da comunidade científica. Isto, claro, com excepção da biblioteca, que está diariamente aberta ao público.

Faz agora um ano, o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa estabeleceu um protocolo com a Academia com o objectivo de organizar, preservar e tornar acessível a colecção de instrumentos científicos. Tirando o magnífico Gabinete de Física de Coimbra, esta é a maior e mais consistente colecção de instrumentos científicos do século XVIII existente em Portugal. Acresce quenão sofreu qualquer dispersão ao longo do tempo.

A parte correspondente à Física é mais bem conhecida, tendo sido estudada por Rómulo de Carvalho. No catálogo que fez (R. Carvalho, O Material didáctico dos séculos XVIII e XIX do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. ACL, 1993), Carvalho catalogou 233 instrumentos. No entanto, desde que lá estamos a trabalhar, já encontrámos quase outros tantos, que não estavam inventariados (muito de Química). De resto, o material encontra-se muito disperso pelos espaços da Academia e frequentemente aparecem instrumentos 'novos'.

A origem do Gabinete de Física da Academia ainda se encontra largamente porestudar. Aquilo que sabemos é-nos sobretudo relatado por Rómulo de Carvalho neste e noutros livros. Resulta da combinação de dois gabinetes: o gabinetedo padre José Mayne (1780), que tinha instrumentos de física e o próprio gabinete da Academia das Ciências, cuja organização esteve aparentemente a cargo de Gerard Sant e Joan Joseph Solner, entre 1794 e 1799. O gabinete foi posteriormente enriquecido com material oitocentista adquirido para a Aula Maynense (1849-1919). É ainda provável que o Gabinete possua instrumentos de outras proveniências, nomeadamente da Casa Real. (...)

No Seminário da próxima 5a feira, dia 25, às 18 h, terão oportunidade devislumbrar este importante património, nos espaços magníficos da Aula Maynense, recentemente restaurada. A entrada é livre.

Dra. Marta Lourenço

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Conferência: Geobiology, bridging Earth and Life - present and past

O Museu Nacional de História Natural organiza a conferência:

Geobiology, bridging Earth and Life - present and past
por Rolf Pedersen e Ingunn Thorseth

(Centro de Geobiologia, Universidade de Bergen, Noruega)

No Ano Internacional da Biodiversidade é adequado incluir menção a algumas das condicionantes geológicas da Biodiversidade. Os oradores são investigadores destacados de um Centro que se dedica precisamente a este tópico. O Sistema Terra na sua globalidade.

Data: 24 de Fevereiro, 16 horas

Local: Anfiteatro Manuel Valadares, MNHN

Organização: Creminer-FCUL LA-ISR e MNHN

Foto: Lago Kandalama, Sri Lanka

NOTA: devido à greve da Lufthansa, não se realizam as conferências previstas para 24 e 25 de Fevereiro sobre Geobiologia e investigação no Árctico, respectivamente. Logo que possível serão marcadas novas datas para as conferências.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Exposição: Portugal nas Trincheiras – a I Guerra da República

No próximo dia 23 de Fevereiro, às 18h30, será inaugurada uma nova exposição no antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres. Intitulada Portugal nas trincheiras – a I Guerra da República, é uma iniciativa do Museu da Presidência da República integrada nas comemorações do I Centenário da República Portuguesa. A inauguração da exposição contará com a presença do Senhor Presidente da República. A exposição poderá ser visitada até 23 de Abril de 2010.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O jardim do Príncipe Real é uma obra de arte

Esperei pela obra para poder ver o "restauro", pois os elementos que a câmara disponibilizou não permitem qualquer análise profissional. Há 20 anos que sou professora de História da Arte e Restauro de Jardins e tenho experiência de dezenas de jardins históricos para os quais colaborei ou coordenei o restauro. Essas são as razões próximas da reacção que senti face aos erros a que assisti, espreitando pela rede que cerca a obra do Príncipe Real. Foi por causa de uma indignação que senti face à destruição de um jardim do séc. XVI que, em 2003, resolvi criar, com um conjunto de técnicos e proprietários de jardins, a Associação de Jardins e Sítios Históricos, a que presido. É nessa qualidade que falo. Não havendo nenhum painel explicativo e tendo a CML dificultado a informação, espreitei pela rede o jardim em obra, para poder falar

1. Assisti a uma magnólia centenária a ser "assediada" pela pá de uma rectroescavadora... e arrepiada apercebi-me de que as árvores entraram em obra sem qualquer protecção. Do caderno de encargos não constava a protecção da vegetação?

2. As árvores foram abatidas às dezenas. É certo que fica mais barato dar uma só empreitada aos moto-serristas e madeireiros, mas não é assim que num jardim histórico se deve fazer: as árvores vão sendo substituídas gradualmente, seguindo um plano director que permita manter a sombra nos sítios originais.

3. O desenho dos caminhos desapareceu totalmente e consta dos artigos que li que vão ser alargadas as áreas de pavimento, desrespeitando o desenho inicial dos canteiros. Mas com que critério se altera o desenho de uma jardim histórico? Vi mais e pior, mas detenho-me nesta ideia de alteração do desenho de um jardim do século XIX para apontar à autoria do jardim de 1861. Na memória descritiva da obra, a autora do projecto afirma que "a sua estrutura e desenho devem-se ao seu autor, o jardineiro João Francisco da Silva". Será que assume que o Príncipe Real foi desenhado por um jardineiro, subentendendo que o jardim não tem pedigree, e que o seu traço não precisa de ser respeitado? Engana-se. Basta aceder à brilhante tese de doutoramento de Teresa Marques, da Universidade do Porto, sobre os jardins deste período para perceber que, nessa altura, a nossa profissão de arquitectos paisagistas era exercida pelos denominados "jardineiros paisagistas". Subestimar o passado de grandes obras do século XIX é também anular a origem da nossa própria profissão. Está mal.

Para defender casos como este, o Icomos, organismo consultor da UNESCO de que faço parte, criou, em 1981, a Carta de Florença, que consigna regras de restauro de jardins históricos. Portugal subscreveu, e dos 25 artigos da Carta de Florença saliento que um jardim histórico é um monumento e como tal deve ser tratado, de forma a preservar o seu significado cultural, e transmiti-lo às gerações que se seguem. A obra do Príncipe Real não respeita os princípios da Carta de Florença, senão veja-se:

Artigo 14. O jardim histórico deve ser conservado num ambiente apropriado. Qualquer modificação do meio físico que faça perigar o equilíbrio ecológico deve ser proscrita. Estas medidas abrangem o conjunto das infra-estruturas internas ou externas (canalizações, sistemas de rega, estradas, caminhos, vedações, muros, poços, noras, etc.). No Príncipe Real, os passeios vão ser alargados, alegando-se razões funcionais. Por esta lógica, também deviam alargar o portal do Mosteiro dos Jerónimos: um milhão de visitantes/ano merece que as condições de entrada sejam adaptadas à "função".

No Artigo 15. Qualquer restauro de um jardim histórico só será implementado após uma análise aprofundada, que vai da escavação em terreno à recolha de todos os documentos que dizem respeito ao jardim em causa e a jardins análogos. Esta recolha exaustiva garante o carácter científico da intervenção. Antes de qualquer execução, este estudo deverá levar a um projecto de execução a submeter a um exame e a um acordo colegial. Os jardins de Lisboa, e sobretudo os históricos, deviam ter planos de longo prazo trabalhados em conjunto com a Universidade onde se estudam, experimentam e aprofundam com tempo e método os formatos de restauro, reabilitação e recuperação... Talvez ainda se vá a tempo de parar a obra e diminuir os danos. A Associação de Jardins Históricos está disponível para, de forma gratuita, propor soluções que evitem o que ainda se pode evitar e se reponha o que não devia ter sido alterado.

Cristina Castel-Branco

Presidente da Associação de Jardins e Sítios Históricos

in Público, 17-2-2010

Foto: Magnólia e Ginkgo no Jardim do Príncipe Real

Oliveira, «a primeira árvore»

Se não existisse a oliveira, eu seria a primeira das árvores, diz o freixo.

Provérbio Berbere

Foto: Oliveira centenária no Castelo de São Jorge

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

As Árvores e a Cidade: Palmeira no Miradouro das Portas do Sol

Um belo exemplar de Phoenix canariensis no Miradouro das Portas do Sol, ao lado da estátua de São Vicente. Uma companhia de terras mais quentes para iluminar o nosso Inverno.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Groningen, Holanda: «TWO WHEELS GOOD»

A propósito do estacionamento selvagem e caótico no Campus da Universidade de Lisboa - bem reveladora da mentalidade dos universitários lisboetas em matéria de mobilidade urbana - vale a pena ver como se deslocam os 50 mil estudantes de uma cidade universitária da Holanda:

GRONINGEN, conhecida como a "World Cycling City", tem 180 mil habitantes mas existem cerca de 300 mil bicicletas. Esta cidade fica a duas horas de comboio do centro de Amesterdão.

"You receive your first bicycle, a three-wheeler, when you are four years old," says Van der Klaauw [City traffic planner], "and by the age of six, you move on to two wheels, and you never really look back. Almost all children travel to school by bicycle. After that, we are conditioned for life."

While Amesterdam throngs with bikes, it also still suffers from gridlocked traffic, unnecessary SUVs and high pollution, something its northeastern neighbour became adamant it wouldn't allow to happen. It took proactive action a full three decades ago and is now reaping the results."


"Groningen is the way it is today because of particularly forward-thinking town planners in the 1970's, says Peter van der Wall, a government-sponsored mobility manager, whose job it is to tempt people away from cars by informing them of certain tax breaks on offer to cyclists (those who cycle to work get to replace their old bikes every three years with a 30% discount, plus free theft insurance) as well as the health-prmoting properties of two wheels over four. "It was 1977 when we decided that we would need to revolutionise the city and save it from permanent congestion by closing the centre to all car use. it made the national news, there was a big drama over it, and a lot of opposition, but the planners insisted that a town this size simply wouldn't be able to cope with a massive growth in motor cars."

O centro da cidade está fechado ao trânsito e estacionamento automóvel depois das 11:00. Fora desta zona, o estacionamento é muito limitado e proibitivamente caro.

Groningen não será perfeita mas é concerteza uma cidade modelo pela atitude que tem em relação aos transportes e à mobilidade urbana.

O respeito e a conservação do meio ambiente converteram-se, hoje em dia, numa das principais preocupações e prioridades de governos, instituições públicas e privadas.

Ao longo da história sempre houve as cidades cidades pioneiras e as atrasadas. Em matéria de mobilidade sustentável, Groningen pertence ao primeiro grupo e Lisboa ao segundo.

Nota: excertos de um artigo da revista Monocle de Maio de 2007 dedicada ao tema "Pedal Politics".

«Coke's New Bottle Is Part Plant»

Coca-Cola Co., under fire from environmentalists for using plastic bottles, has introduced a new packaging material made partly from plants. The container has "the same weight, the same feel, the same chemistry, and functions exactly the same way" as a regular plastic bottle, a Coke spokeswoman says.

Coke isn't the only beverage concern trying to reduce its carbon footprint. Rival PepsiCo Inc. has introduced a compostable bag made from plants for its SunChips snacks. But Coke is the world's biggest drink maker, and Coke Chairman and Chief Executive Muhtar Kent calls the new container, which uses material derived from sugar cane, "the first generation of the bottle of the future."

Coke touted its "plantbottle" at the Climate Change Summit in Copenhagen last month, and it plans another push next month at the Winter Olympics in Vancouver, where all the sodas and water it provides will be packaged in the plantbottle. "Preliminary research" shows the new container leaves a smaller carbon footprint than regular plastic bottles, Coke says.

Traditional plastic bottles are made from polyethylene terephthalate, commonly known as PET, which is derived from petroleum, a nonrenewable resource. In 2006, production of plastic bottles for U.S. beverage consumption required the equivalent of more than 17 million barrels of oil, according to the Pacific Institute, a California-based environmental think tank.

The new plant-based bottle developed by Coke is composed of 70% petroleum-based and 30% sugar-cane-based materials. The cane is crushed and mashed to produce juice, which is then fermented and distilled, producing ethanol. That ethanol is then converted through a series of chemical processes such as oxidation to a mono-ethylene glycol—a component normally derived from petroleum for use in plastic bottles. The MEG is then mixed with terephthalic acid to create PET plastic.

Coke began selling its flagship Coca-Cola, Coca-Cola Light and Coke Zero in the new bottles in Denmark in time for the United Nations Climate Change summit. With the Vancouver 2010 Winter Olympic Games just a few weeks away, the company has introduced plantbottles containing its Dasani water in the U.S. Pacific Northwest and Western Canada. Coke says it aims to sell two billion drinks in plantbottles globally by the end of 2010.

Coke also commissioned and funded an Imperial College London analysis that compared the "life cycle" of the new bottle to a regular plastic bottle to see if the impact on the environment was different, says Scott Vitters, the company's director of sustainable packaging. He says the study found that production of the plantbottle leaves a 12%-to-19% smaller carbon footprint than production of a regular plastic bottle. The company is awaiting third-party verification of the findings from the Institute for Energy and Environmental Research in Germany, he adds.

Environmental groups say the Coke bottle now being introduced is a slight improvement over regular PET bottles, but they say it won't solve a bigger problem with plastic bottles: the fact that most consumers don't recycle them.

A mere 27% of PET containers were recycled in the U.S. in 2008, according to the National Association for PET Container Resources. The new bottle is "definitely positive, but no, this doesn't make me jump up and down with joy," says Susan Collins, executive director of the Container Recycling Institute, who wishes the beverage makers would also use recycled content.
And some competitors question Coke's assessment of the plantbottle's environmental footprint. "It's an admirable first step that Coke is taking," says Andrius Dapkus, director of innovations and renovations for Nestlé Waters North America Inc., a Nestlé SA unit that markets the bottled-water brands Poland Spring, Deer Park and others. "But as it stands today, we still don't know whether a plantbottle's environmental footprint is better, worse or the same" as that of an oil-derived bottle.

Instead of changing ingredients, Nestlé is continuing to reduce the amount of plastic in its bottles, a strategy known as "lightweighting" that Coke and PepsiCo also use. In the spring, Nestlé plans to introduce a new, lighter version of its Eco-Shape bottle that uses 9.3 grams of PET, 25% less than its most recent version.

PepsiCo's new 10.5-ounce SunChips bag is 33% polylactic acid, which is derived from corn. The company's bags will be 90% plant-based by Earth Day on April 22, says Robert Lewis, a PepsiCo vice president who works on new packaging. PepsiCo is looking into expanding its plant-based containers beyond bags, Mr. Lewis adds, but he calls such bottles a "very complex puzzle."

Plant-based bottles can pose hurdles, beverage-industry experts acknowledge. The bottles often have a shorter shelf life than PET bottles, and they don't hold carbonation as long, says Wade Groetsch, president of Blue Lake Citrus LLC, a Winter Haven, Fla.-based juice processor, who says he supports Coke's environmental push.

Mr. Groetsch's company uses plastic containers that are 100% polylactic acid, derived from corn, for its organic Noble Juices drinks. "It just doesn't keep the product protected the same way that the current bottles do," he says. "It's definitely a tradeoff."

Indeed, Coca-Cola has created a 100% plant-based bottle in its labs, Coke's Mr. Vitters says. "We're just trying to figure out how to make it in a way that's commercially viable."

Corrections & Amplifications
In 2006, producing plastic water bottles for U.S. consumption required the equivalent of more than 17 million barrels of oil, not including the energy for transportation, according to the Pacific Institute, a California-based environmental think tank. A previous version of this article incorrectly stated that producing plastic bottles for U.S. beverage consumption required the equivalent of 17 million barrels of oil.

in Wall Sreet Journal, 24 de Janeiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Curso de Ilustração Científica no Jardim

Objectivo: Ensinar a preparar e a executar uma ilustração com valor científico

PLANO DO CURSO

Sessão 1: Introdução à ilustração científica
Sessão 2: Anatomia
Sessão 3: Escolha de modelo e execução do desenho preliminar
Sessão 4: Demonstração de pintura com aguarela
Sessão 5: Pintura
Sessão 6: Pintura
Sessão 7: Desenho de campo no Lagartagis
Sessão 8: pintura da ilustração

Formador: Marcos Oliveira, ilustrador profissional e licenciado em História de Arte

Dias: 20, 21, 27 e 28 de Fevereiro
Horário: 1oh-17h
Duração: 24h
Preço: 120 euros
Inscrições: lagartagis@museus.ul.pt ou 213921808
Data limite de inscrição: 17 de Fevereiro

FOTO: Encephalartos lehnmanii Lehm. no Arboreto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

«Obras no jardim começaram sem pareceres»

In Público, 1/2/2010

Obras no jardim começaram sem pareceres. Árvores abatidas substituídas por espécies ilegais

Meia centena de árvores desapareceu no jardim do Príncipe Real. Assim, de repente, em apenas três dias de Novembro. Sabe-se depois que a obra começou sem aprovação escrita do IGESPAR e da Autoridade Florestal Nacional. O projecto prevê o abate de mais 13 árvores e a plantação de uma espécie proibida. Os moradores estão cansados. Ontem, o grupo Amigos do Príncipe Real reuniu mais de 60 pessoas para uma visita. Todas repetiam a intriga palaciana e um nome: José Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes da CML.

No meio da pequena multidão, está Rui Pedro Lérias. Um céu de chumbo carrega a paisagem. O botânico começa a falar e estamos de repente ao século XVII: um milionário excêntrico quer construir um palácio, vai à falência e o espaço torna-se a lixeira do Bairro Alto. A terra treme em 1755 e instala-se ali um aquartelamento militar. Começa então o projecto da Tesouraria Central do Reino, mas, à falta de dinheiro, opta-se por uma basílica (há até uma missa da Patriarcal). Um incêndio destrói tudo. Só a construção do enorme reservatório de água - de que o lago é só o respiradouro - desfaz a maldição.

Em 1869 começa a nascer o jardim. Chegam espécies de todo o mundo. "O cedro do Buçaco mente duas vezes: é um cipreste e vem do México", ironiza o botânico sobre o nome de uma das árvores classificadas. "Estiveram todas em perigo quando uma máquina gigantesca, um monstro de várias toneladas, arrancou o pavimento", conta. Uma palmeira foi transplantada e morreu. O local foi logo calcetado. Nenhum vestígio. "São árvores muito grandes, ficam fracas dos joelhos, têm artrites, acabam por morrer e precisam de ser substituídas." Mas a espécie que o projecto prevê está proibida. "Que árvores classificadas teremos daqui a 50 anos?", questiona o botânico.

Os moradores dizem que "o jardim está transparente". "Está a transformar-se num terreiro, como o miradouro de S. Pedro de Alcântara." Rui Pedro explica que "as novas árvores vão precisar de pelo menos 20 anos para cumprir a função de protecção que as anteriores tinham". "Esta obra podia estar embargada", lembra Tiago Taron. "Podíamos ter interposto uma providência cautelar. Não o fizemos porque recebemos garantias do vereador José Sá Fernandes - nenhuma foi cumprida."

Rui Cordeiro, deputado do PSD na Assembleia Municipal, diz que o partido está do lado dos moradores. "Não vale a pena parar a obra quando as árvores já estão cortadas." Mas os preceitos legais terão de ser cumpridos e o desejo dos moradores de manter as restantes 13 árvores tem de ser respeitado. Caso contrário, ameaçam embargar a obra.

O grupo cresceu, são já mais de 60 pessoas. "Que podemos fazer?", perguntam. "Podem juntar-se ao Facebook, onde já somos 4519 membros", informa Taron. São também sugeridas queixas no IGESPAR, na autoridade florestal ou na Câmara. Garcia Pereira, ex-candidato presidencial, dá mais ideias. Uma folha circula, para recolher nomes e endereços de email que permitam combinar novas formas de luta. Todos assinam. É Lisboa a ganhar raízes numa folha de papel.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tombou a METROSIDEROS EXCELSA...

Caros colegas e amigos,

Tombou a nossa grande Metrosideros excelsa, um dos exemplares centenários do Jardim Botânico. Era uma das árvores favoritas de ‘residentes’ e visitantes, não só pelo grande porte mas também pela equilibrada disposição das ramadas e emaranhado de raízes aéreas que envolviam completamente o tronco e pendiam dos ramos principais.

Como acontece em muitas espécies tropicais o sistema radicular é superficial, sendo compensado pelas raízes aéreas que ajudam a escorar as grandes copas. Na nossa árvore as raízes nunca chegaram a formar essas colunas, apesar dos tutores lá colocados. Com as grandes chuvadas dos últimos meses houve movimentação dos solos e a árvore, já inclinada, acabou por cair.

Não vamos cruzar os braços! Jardineiros, voluntários, bolseiros, técnicos, todos ajudam a remover e limpar os destroços. O velho tronco vai permanecer, vão ser desinfectadas e tapadas as raízes subterrâneas a descoberto e, dos rebentos existentes, há-de renascer uma nova árvore, tal como acontece nas florestas originais da Nova Zelândia!
Doutora Ireneia Melo

Foto: a Metrosideros excelsa, já com excessiva inclinação, numa imagem de Dezembro de 2009

Visita guiada ao Jardim do Príncipe Real

Vai ter lugar amanhã, Domingo dia 31 de Janeiro de 2010, pelas 11h30, uma visita guiada ao Jardim França Borges (Jardim do Príncipe Real). Esta visita é promovida pelo movimento cívico "Amigos do Príncipe Real", é gratuita, e tem como objectivo dar a conhecer as características do jardim e as alterações que a Câmara Municipal de Lisboa está a implementar. A visita terá a duração de cerca de uma hora:

Os "Amigos do Príncipe Real" consideram esta visita a melhor forma de explicar as razões que nos têm oposto e que nos continuam a opor à intervenção da CML, ao mesmo tempo que viajamos da Grécia à Nova Caledónia, visitando as árvores do jardim. Sabe, por exemplo, porque é o Cedro do Buçaco duas vezes mentiroso? E sabe que está previsto o abate de 62 árvores no jardim desde Janeiro de 2009 e que a CML quer plantar árvores cuja plantação é ilegal em Portugal? Venha visitar o jardim connosco.

Domingo, 31 Janeiro 2010, às 11h30

Encontro no acesso à Esplanada do Príncipe Real

Foto: Chorisia no Príncipe Real (Outubro 2009)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Jardim Botânico visto por Fernando Pessoa

Going further on, and straight on, we see on the right the building of the Escola Polytechnica, where the Faculty of Sciences is now installed. This building was erected in 1884 on the ground belonging to the Novitiate of the Society of Jesus. In some buildings adjoining the Escola the Museu du Bocage (Zoological Museum) is installed. This museum is worth visiting, for it contains some curious specimens. In the Sala Portugal there are some remarkable fishes; there is a strange one, 8,40 metres long and 3,60 metres round which was caught at Paço d'Arcos by King Carlos. Ther is also an enormous tortoise caught in the Peniche coast. After the Sala Portugal, there is the Sala de África Portugueza (Portuguese Africa Room) with a very important and varied collection; the Mammals Room, with a very fair amount of specimens from all over the world; the Birds Room, the Invertebrates Room, the Skeletons Room, and such like. The number of specimens, covering mammals, birds, reptiles, fishes, etc., is over 20,000, and there are more than 50,000 insects. The shell collection, which is enormous, must also not be forgotten.

As the installation is undergoing, in so far as the building is concerned, extensive repairs, there is no definite day for visitors; but, if the due authority is requested, the palce can be visited every day between 12:30 and 6:30 p.m.

This Museum is installed in the first floor of the building; on the ground floor are the botanical Museum, and the Museum of Geology and Mineralogy. The latter is especially remarkable, one of its most interesting exhibits being a large mass of native copper, partly covered with cuprite, weighing 1224 kilos; this comes from Mamocabo stream, near the town of Cachoeira, 120 kilometres from Bahia (Brazil), and was brought to Portugal as far back as 1792.

This building has adjoining it a garden which is one of the most picturesque in Lisbon, and even in Europe; so, at least, many foreigners have said. It contains specimens of the flora of all regions of the world. The garden is in a slope, and this is one of its great points, for the incline has been put to good use to every possible effect out of the varied vegetation that everywhere rises up, giving the aggregate an Edenic splendour. The garden contains several ponds, cascades, brooks, bridges, labyrinths, a fine hot-house, etc. in its upper part stands the Meteorological Observatory named after Infante Dom Luiz, and inaugurated in 1863, and also the Astronomical Observatory.

The tourist, should he so wish it, can go right through the garden and come out at the lower door, in Praça da Alegria, going on from there to the Avenida da Liberdade; but, as we are taking another route, we shall come out again at rua da escola Polytechnica, passing a frew yards onward by the Imprensa Nacional (National Printing Office).


in Lisboa: What The Tourist Should See, 1925

FOTO: Avenida das Palmeiras vista do terraço da Classe

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BUZZ of the City: apicultura nas cidades

Forget country meadows, the window boxes and flowerbeds of major cities are where French bees are happiest – and most productive. As the number of bees in France has dropped, the ­national union of apiculturists has encouraged people to start keeping bees in cities. Hives are now kept on the roofs of government buildings, cultural institutions and company headquarters in Paris, Marseille, Montpellier and Lille.

"it's a paradox but we realised by bringing them into the city, bees thrived," says Félix Gil, an apiculturist and president of the Paris section of the national beekeeping organisation. "In the countryside they were hindered by pesticides and genetically modified crops."

Cities, however, have fewer pesticides and more flowers. According to Gil, the trend is having an unforeseen effect on the age-old profession. "All our apiculture schools are full with two-year waiting list to get in." But for most city-dewellers it's just made "miel béton" (concrete honey) the hotest thing to have in the larder.

The bee list:

1-Urban production: A country beehive can produce up to 25kg of honey a year. In the city, production can be up to 80kg.

2-Gimme hive: There are approximately 300 registered beehives in Paris. The most expensive honey (15 euros for 125kg) is from the hives on the roof of the Paris Opéra.

3-Keepers of the faith: Between 1995 and 2008, the number of beekeeepers in France fell from 85,000 to fewer than 70,000.

4-The buzziest: Turkey is the largest producer of honey in Europe. Germany eats the most.

in MONOCLE, Fevereiro 2010, pág 46.

Foto: logradouro no Chiado com citrinos, cujas flores são muito apreciadas pelas abelhas e outros insectos nectaríferos numa altura de fracos recursos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Obrigado pelo apoio ao projecto LAJB no OP

Caro(a) Amigo(a)

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) quer agradecer a todos os apoiantes da nossa proposta no Orçamento Participativo de 2010 - Arborização da Rua Borges Carneiro. A todos que nos ajudaram a divulgar o projecto, e que votaram nele, o nosso muito obrigado! Um especial agradecimento é devido à Junta de Freguesia da Lapa por todo o apoio prestado desde o início deste processo.

O resultado da votação não foi suficiente para que o nosso projecto fosse um dos vencedores do Orçamento Participativo de 2010. Apesar disso, foi o 26º mais votado num universo de 200 projectos postos à votação dos munícipes. Por faltarem apenas 50 votos a Rua Borges Carneiro não vai ser arborizada em 2010. Mas a LAJB voltará a apresentar o projecto no próximo ano, cumprindo assim a promessa de apoiar os nossos associados fregueses da Lapa.

Por último, lamentamos que nenhuma das cerca de oito propostas que pediam árvores para arruamentos de Lisboa tenha saído vencedora. Resta-nos a consolação do nosso projecto de arborização ter sido o mais votado.

Cabe a todos nós trabalhar com maior empenho para que em 2011 a Arborização da Rua Borges Carneiro seja uma realidade. Muito obrigado e até para o ano!

Para mais detalhes sobre os resultados do Orçamento Participativo de 2010:

http://www.cm-lisboa.pt/?idc=41&idi=51594

Saudações Botânicas,

A Direcção da LAJB

Foto: Av. 5 de Outubro em Junho de 2008. O sonho dos moradores da Lapa é ter uma Rua Borges Carneiro arborizada com jacarandás.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Carta da LAJB ao Pelouro dos Espaços Verdes



Exmo. Vereador José Sá Fernandes

Assunto: movimentação de viaturas de obras no Jardim do Príncipe Real

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB), na sequência do projecto municipal de reabilitação do Jardim do Príncipe Real, vem por este meio manifestar preocupação pela falta de protecção das espécies botânicas face à maquinaria utilizada nas obras.

Enviamos em anexo algumas imagens que mostram como a movimentação de viaturas de obras dentro do Jardim do Príncipe Real constituiu uma séria ameaça às espécies botânicas.

A LAJB lamenta que, na fase de planeamento da obra, não se tenha previsto a construção de protecções em madeira em redor de todos os troncos das árvores antes do início da intervenção. Como isso não aconteceu, vários troncos, e ramos mais baixos, ficaram sujeitos ao embate e raspagem da maquinaria de obras. Verificámos também a existência de vários ramos partidos devido à movimentação dos braços das escavadoras assim como de veículos pesados.

É importante que no futuro se protejam devidamente as árvores antes do início de qualquer intervenção urbanística em jardins, parques ou arruamentos arborizados.

A LAJB faz um apelo para a resolução deste problema, nomeadamente através de regulamentação específica.

Com os nossos melhores cumprimentos,
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Nota: carta enviada no dia 14 de Janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A intervenção no Jardim do Príncipe Real

A operação de requalificação do Príncipe Real, em Lisboa, classificada pelos especialistas como "minimalista" e por parte dos críticos como "descaracterizadora", levanta um problema hoje corrente nas sociedades urbanas: a participação. Para já, o Príncipe Real revelou-se um "não caso", mas poderia ter sido uma oportunidade para elevar o sentido da cidadania.

Agora que a polémica em torno da intervenção na Praça do Príncipe Real parece ter sido ultrapassada, o que vai afinal acontecer àquele espaço histórico de Lisboa? Esta é a questão que deveria ter sido respondida antes de se terem iniciado as obras de requalificação neste lugar emblemático.

A opinião é partilhada pelos principais responsáveis pelo projecto, os arquitectos paisagistas Fátima Leitão e João Rocha e Castro. A primeira como autora e o último enquanto chefe de divisão de Estudos e Projectos da Direcção Municipal de Ambiente Urbano da Câmara Municipal de Lisboa. Os dois acederam em explicar ao Cidades a estratégia seguida pela proposta de requalificação, concluída em Abril de 2009 e actualmente em curso. A proposta é resultado do trabalho de uma equipa formada a partir de quatro divisões municipais, abrangeu diversas áreas disciplinares como a arquitectura paisagista, a agronomia ou a engenharia florestal. E a mobilização de importantes meios camarários decorreu do significado urbano desta praça, com vista privilegiada sobre a cidade, localizada numa das suas áreas mais qualificadas.

A Praça do Príncipe Real ou Jardim França Borges tem a sua forma actual desde 1869, devendo-se o seu traçado ao jardineiro João Francisco da Silva. O lugar é consequência de uma série de transformações. Durante o século XVIII, por exemplo, funcionou ali uma lixeira e, por altura do terramoto, serviu de acampamento para regimentos militares. Também ali se celebrou a primeira missa da Patriarcal de Lisboa, que viria a arder em 1769. Mais recentemente, depois da construção do reservatório de água, na década de 60 do século XIX, recebeu o nome que tem hoje e iniciou-se a construção do actual jardim, que respeitava os padrões daquele tipo de equipamento urbano, muito característico nas cidades oitocentistas europeias, e que ficou vulgarmente conhecido como "jardim romântico": um tabuleiro central organizado em torno do lago do reservatório, com canteiros recortados segundo um esquema "orgânico" (mais livre), sobre um tapete pavimentado de asfalto (originalmente foi utilizado saibro).

Os lódãos

O jardim rapidamente se transformou num espaço privilegiado de "recreio" e "lazer" entre os habitantes da capital. Hoje, a Praça do Príncipe Real é ocupada por diversas actividades, desde a montagem semanal do mercado de produtos biológicos ao sábado de manhã, passando pelas sazonais feiras de artesanato e de alfarrabistas e velharias. Possui, portanto, um público bastante alargado, não apenas composto por residentes da área. Foi esse público que se manifestou contra os primeiros abates de árvores que se registaram no arranque das obras durante o final do mês de Novembro. No centro da discórdia estava a substituição dos choupos que ladeiam o tabuleiro central por outra espécie de árvores - lódãos -, mais adequadas, segundo os projectistas, à tipologia do jardim pré-existente. Esta opinião foi confirmada por diversos especialistas, caso de Gonçalo Ribeiro Teles.

Mas seria a arquitecta paisagista Aurora Carapinha, da Universidade de Évora, a defender as opções do projecto, em parecer de 26 de Novembro, procurando responder à polémica entretanto levantada: "Consideramos a espécie arbórea escolhida lódão (Celtis australis) acertada" à situação do jardim, "ao contrário dos choupos (Populus nigra) existentes, mais apropriados para zonas baixas, húmidas. Também a forma, cor, densidade da canópia do lódão são atributos que qualificam esta árvore como uma boa escolha para alinhamento e arruamento". É ainda Fátima Leitão quem explica ao Cidades que os choupos, "ao fim de 30-40 anos, começam a apodrecer e a deixar cair pernadas", situação que já se verificava no Príncipe Real. A arquitecta paisagista lembra igualmente que a configuração actual dada pela presença dos choupos é relativamente recente, não tendo ainda cumprido as três décadas.

Estes esclarecimentos, talvez pelo seu teor mais técnico, não pacificaram imediatamente as críticas. Na petição on-line lançada no início de Dezembro, depois de distribuído o folheto produzido pela câmara, colocado nas caixas de correio dos moradores da zona, que insistia no carácter qualificador de toda a operação, podia contudo ler-se: "Ora o que se está a verificar, duas semanas após o início da requalificação, é a descaracterização do antigo jardim romântico à inglesa (...), tendo sido (...) cortadas algumas das árvores centenárias em torno do lago. Temos sérias dúvidas se (...) mereciam tal sorte pois não apresentavam sinais de doença nem muito menos de estarem sem vida.

"É por isso que a parte mais importante do parecer de Aurora Carapinha seria precisamente a sua posição perante a concepção geral da intervenção, ao classificar a proposta como "minimalista", por não anular "a historicidade do jardim nem o seu valor de património paisagístico". Esta é também a convicção de João Castro: "Aqui reabilitação é a palavra correcta ou mesmo, até, restauro."

A estratégia seguida pela projectista, e apoiada pelo chefe de divisão, parte de três acções muito objectivas: "Manter o testemunho do passado; evitar o desenho (que se sobreponha ao seu traçado histórico); e promover uma manutenção fácil." Já Fátima Leitão especifica as decisões tomadas: "Manter a estrutura de canteiros e caminhos, substituir o pavimento por saibro estabilizado, substituir a iluminação e o mobiliário urbano danificado (bancos, mesas de jogo, etc.), reparar as valetas e tampas em pedra e recuperar a vegetação existente, eliminando alguns arbustos."

Algumas destas soluções, como a reintrodução do saibro ou a opção por regrar a iluminação pública (ao invés de deixar os diferentes modelos de candeeiros que hoje coexistem), foram anteriormente testadas num jardim próximo: o miradouro de São Pedro de Alcântara. Este pode muito bem servir como exemplo a quem deseje antecipar como será o "novo" jardim do Príncipe Real. Genericamente, garante Fátima Leitão, não será muito diferente do que é actualmente. Talvez um pouco menos "ensombrado" depois de feitas as "correcções" no arvoredo. Seguiram-se aqui, segundo João Castro, as boas práticas de intervenção em lugares patrimoniais: "Tudo é reversível pela simplicidade da requalificação."

Os projectos anteriores

De onde surgiu então toda a polémica? É provável que a memória de outras tentativas de intervenção tenha pesado. Esta é a terceira vez que o jardim é objecto de um projecto de requalificação. A primeira passava por abolir o tabuleiro central, ligando-o ao edificado adjacente através de um pavimento uniforme. Esta opção foi na época considerada demasiado "intrusiva" por descaracterizar o sentido do desenho primitivo. A segunda previa a construção de um parque de estacionamento subterrâneo sob a via, com entradas laterais à praça que isolavam o tabuleiro tornando-o uma "ilha" e causando um significativo impacto paisagístico e de enquadramento urbano. Este projecto, desencadeado há cerca de cinco anos, geraria grande contestação, motivando igualmente uma petição pública. Os próprios projectistas envolvidos tinham dúvidas quanto aos princípios adoptados e na época consideraram válidos os protestos por terem permitido rectificar um processo no qual não depositavam certezas absolutas.

O caso agora é diferente. Os seus autores insistem em qualificar a intervenção como "recuperação parcial", uma vez que "não se altera a forma ou o conteúdo funcional do jardim", como se pode ler no programa de requalificação. Alguns aspectos não serão sequer intervencionados, como o parque infantil ou o pavilhão da cafetaria. E a peça mais emblemática do conjunto - o caramanchão que suporta o cedro do Buçaco (Cupressus lusitanica) - só verá a sua estrutura de ferro recuperada de modo faseado de maneira a não prejudicar a sobrevivência da árvore.

Para lá dos aspectos mais demagógicos envolvidos em torno do abate de algumas árvores, cuja manutenção seria altamente improvável, como manifestaram vários especialistas, o exemplo da Praça do Príncipe Real coloca um tema caro às sociedades europeias contemporâneas: o problema da participação pública nas decisões de planeamento das cidades. Demonstra como as populações estão dispostas a accionar os meios de intervenção disponíveis com o objectivo de travarem operações sobre as quais recaem dúvidas. Conseguindo-se evitar o populismo de que estas acções também padecem, é possível garantir uma participação mais informada. Para já, o Príncipe Real revelou-se um "não caso", mas poderia ter sido uma oportunidade para elevar o sentido da cidadania. in Público 17-1-2010, por Ana Vaz Milheiro

Foto: Eduardo Portugal, 1945 (Arquivo Municipal)

domingo, 17 de janeiro de 2010

2010 Ano Internacional da Biodiversidade

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2010 Ano Internacional da Diversidade Biológica com o fim de atrair mais atenção internacional para o problema da perda continua de biodiversidade. Propõe-se aproveitar esta oportunidade para:

-Destacar a importância da biodiversidade para a vida humana

-Reflectir sobre os progressos na conservação de biodiversidade

-Redobrar esforços para reduzir significativamente o ritmo de perda de biodiversidade

-A manutenção da diversidade biológica requere a participação universal. A comunidade mundial, através de actividades organizadas a nível mundial, deve unir esforços para um futuro sustentável para todos.

A secretaria do Convénio da Diversidade Biológica é o centro de coordenação para o Ano Internacional da Biodiversidade. Establecido na «Conferência da Terra» do Rio de Janeiro em 1992, o Convénio da Diversidade Biológica é um tratado internacional para a conservação e utilização sustentável da biodiversidade e a distribuição equitativa dos múltiplos benefícios da biodiversidade. Com 193 membros, o Convénio da Diversidade Biológica tem uma participação quase universal.

Através do Ano Internacional da Biodiversidade 2010 espera-se reflectir os objectivos das organizações que trabalham em todo o mundo para salvaguardar a biodiversidade. Como tal, os objetivos do Ano Internacional da Biodiversidade 2010 são os seguintes:

-Melhorar a consciência pública sobre a importância de salvaguardar a diversidade biológica e também sobre as ameaças à biodiversidade.

-Aumentar a consciência dos progressos para salvar a diversidade biológica que já foram conquistados por comunidades e governos.

-Incentivar as pessoas, organizações e governos a tomar as medidas imediatas necessárias para travar a perda de biodiversidade.

-Promover soluções inovadoras para reduzir as ameaças à biodiversidade.

Iniciar o diálogo entre as partes interessadas pelas medidas que devem adoptar-se no período posterior a 2010.

Mais informações: http://www.cbd.int/2010/about/

Foto: a rica biodiversidade do nosso Jardim Botânico

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Aventura da Terra: visitas guiadas

A Aventura da Terra em exibição no Museu Nacional de História Natural promove visitas dramatizadas à exposição nas quais o actor André Levy veste a pele do naturalista Charles Darwin guiando o público numa visita emocionante pela história do planeta Terra. Estas visitas acontecem no último domingo de cada mês, entre as 16h00 e as 18hoo. Paralelamente todos os fins de semana, o público poderá integrar as visitas orientadas à exposição:

-Sábado, das 15h00 às 16h00
-Domingo, das 12h00 às 13h00

Ambas as visitas requerem marcação prévia:

Tel: 21 392 18 79 ou aventuradaterra@museus.ul.pt

Preçario:

-visitas dramatizadas: 5€
-visitas orientadas: 3€

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Visita guiada: Inverno no Jardim Botânico


Amanhã, quinta-feira dia 14, entre as 13h e as 14h, o Jardim Botânico promove mais uma sessão das visitas animadas pelas 4 estações. Esta iniciativa pretende dar a conhecer algumas curiosidades sobre as plantas do Jardim Botânico nas diferentes estações do ano.

Também na quinta-feira, e integrado na exposição Medir os Céus para dominar a Terra: a Astronomia na Escola Politécnica de Lisboa, 1837-1911, o Museu de Ciência promove novo ciclo de conferências. A primeira sessão de 2010 terá lugar esta quinta-feira, a partir das 18h no auditório Manuel Tavares. Terá como orador Fernando Correia de Oliveira, especialista em relógios e questões associadas ao tempo. O tema será O Tempo e a sua medição na Escola Politécnica de Lisboa. A Conferência será antecedida por uma visita guiada à exposição com início às 17h.

Fotos: Sapindus mukorossi Gaertn, no Arboreto

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Curso de iniciação à propagação de plantas arbustivas e arbóreas

Iniciação à propagação de plantas arbustivas e arbóreas
23 e 24 de Janeiro de 2010

Objectivos: Conhecer os vários tipos de sementes, e aprender a manipulá-las e a conservá-las. Conhecer as fases e cuidados a ter no processo de produção das plantas, quer por sementeira quer pela via vegetativa (estacaria, divisão). Adquirir a experiência com material para ensaio das várias técnicas de produção.

Formadora: Carla Faria (ISA-UTL)

Horário: 10h às 13h e das 14h às 17h

Preço: 60 €

Data limite de inscrição: 20 Janeiro de 2010

Informações: lagartagis@museus.ul.pt ou 213921808

FOTO: Hibiscus mutabilis em floração na Classe

domingo, 10 de janeiro de 2010

«Plantar 1000 árvores em Sintra»

Do movimento cívico "Plantar 1 Árvore" recebemos o seguinte pedido de divulgação: Em Novembro sonhámos plantar 1000 árvores num só dia. O objectivo era ambicioso, mas juntos conseguimos! Obrigado a todos os que participaram. A dinâmica criada foi grande, para além dos 400 participantes, juntaram-se cerca de 1000 pessoas ao nosso canal do facebook! Não vamos parar por aqui. Já temos em marcha nova iniciativa, revalidando o objectivo!

A 16 de Janeiro, Sábado, às 10:00 vamos plantar 1000 árvores no Parque Natural Sintra-Cascais.

Juntámos então amigos, pais, filhos, avós, tios, primos, sobrinhos, colegas de trabalho e de escola, vizinhos e conhecidos, precisamos novamente de reunir cerca de 500 pessoas.

As razões que nos movem são muitas, tentámos resumi-las, para as conhecerem cliquem aqui.
Esperamos a participação dos 3 aos 100 anos, mas acreditamos que é especialmente importante a participação dos mais pequenos, são eles que irão moldar o mundo de amanhã.

Percebemos que funciona, pretendemos replicar ainda mais esta iniciativa, aumentando o impacte positivo que juntos podemos ter. As receitas resultantes da venda das t-shirts e pins servirão para alavancar futuras iniciativas.

As inscrições estão limitadas às 1000 árvores (500 participantes). A C. M. Cascais através do Projecto O2 da Agência Cascais Natura apoia a iniciativa, não só através da disponibilização e preparação do terreno, mas também fornecendo apoio logístico e técnico no dia da plantação. Para além disso irá fornecer as árvores necessárias.

Conto com a vossa participação e aguardo as vossas inscrições.

João Rosa


FOTO: Serra de Sintra, vista da Quinta da Regaleira.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

VICTORIA AMAZONICA


Imagens de um exemplar da famosa Victoria amazonica num lago adjacente ao Centro de Acolhimento de Visitantes do Jardim Botânico de Singapura. Como o nosso jardim ainda não tem estufas para exposição de plantas, resta lutar pelo sonho de um dia podermos também mostrar aos nossos visitantes maravilhas da natureza como esta rainha da Amazónia. Até lá, continuaremos a defender a construção de uma nova e moderna estufa para substituir a actual que está degradada e obsoleta. O Plano de Pormenor para o Parque Mayer e Jardim Botânico que se está a preparar propõe que a estufa dê lugar a uma "Galeria Comercial". A LAJB está, naturalmente, contra esta proposta que revela não só uma mentalidade mercantilista como também pouca sensibilidade para a vocação pedagógica que deve estar no coração do Jardim Botânico.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Celebrar os 100 anos da República demolindo o nº 46 da Av. da República?

Estes três prédios de rendimento foram destacados na recente exposição dedicada ao Arquitecto Ventura Terra (1866-1919) que esteve patente na Assembleia da República entre 26 de Março e 31 de Julho de 2009.

A exposição foi «uma homenagem da Assembleia da República ao autor do projecto original do Hemiciclo inaugurado em 1903». De facto, este será sem dúvida um dos mais importantes criadores de arquitectura para a jovem República Portuguesa, nomeadamente para a capital. Afinal, Ventura Terra foi candidato, e eleito, Vereador Republicano para a Câmara de Lisboa em 1908.

Os edifícios que projectou para Lisboa foram verdadeiros modelos, pois fundaram um padrão de qualidade que faltava à capital. Muitos construtores civis copiaram elementos da sua arquitectura ajudando assim a criar uma determinada imagem de prédios de rendimento nas primeiras duas décadas do séc. XX.

Lisboa já demoliu várias obras suas (ex: Av. António Augusto de Aguiar e Rua Duque de Palmela 35-37) mas ainda sobrevivem cerca de 26. Destas, algumas estão em sério risco de demolição como a Casa de Júlio Gualberto Costa Neves na Rua Rosa Araújo 37 e o conjunto de três prédios erguidos pelo republicano Joaquim dos Santos Lima na Av. da República 46 / Av. Elias Garcia 62.

A 11 de Julho de 2005 a CML, mais precisamente a Vereadora Eduarda Napoleão, aprovou a demolição integral dos interiores. Apenas ficam as fachadas principais pois as posteriores serão também demolidas.

Obras com projecto de 1906, constituiem exemplos raros dos prédios de rendimento de luxo da Av. da República. Os interiores, perfeitamente recuperáveis, são de grande qualidade espacial e construtiva. Apresentam tectos de estuques artísticos, paineis de azulejo Arte Nova e portas de madeiras exóticas. A entrada do prédio de gaveto, marcada com um grande arco de cantaria, é um trabalho notável. Após transposto o átrio circular (que se repete em todos os pisos), uma elegante escadaria elíptica ainda mantém o elevador de origem (que já teve oferta de compra da parte de estrangeiros!). Na fachada podemos observar barras de azulejos Arte Nova da famosa Fábrica das Devezas.

Vergonhosamente, e em vésperas do centenário da primeira vereação republicana, a CML aprovou a demolição destes imóveis de autor. A sua qualidade aquitectónica e construtiva foram ignoradas apesar da sua protecção estar consagrada na Carta Municipal do Património anexa ao PDM. Estes não são meros prédios de pato-bravo do princípio do séc. XX. São testemunhos do que melhor se fazia na capital da jovem República Portuguesa. São obras de Arquitectura criadas por Ventura Terra.

Mais do que lançar foguetes e tocar a banda, celebrar o centenário da República é salvaguardar testemunhos arquitectónicos notáveis, como este, para as próximas gerações.

Mas será que Lisboa vai passar pela vergonha extrema de assistir à demolição deste conjunto arquitectonico de Ventura Terra na Av. da República e no ano do centenário da República?

Fórum Cidadania Lx

NOTA: A Av. da República faz parte do primeiro edital de alteração de toponímia da vereação republicana datado de 5 de Novembro de 1910. A Câmara republicana alterou a toponímia de 10 arruamentos, substituindo os nomes das individualidades demasiado comprometidas com o regime anterior e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos novos ideais republicanos. Da lista do primeiro edital fazia parte a Av. da República (para substituir a artéria até aí designada por Av. Ressano Garcia) e a Av. Elias Garcia (propagandista e jornalista republicano, para substituir a artéria até aí designada por Av. José Luciano).

FOTO: Os três prédios de luxo levantados por Joaquim de Santos Lima numa fotografia de c. 1910. Notar os jovens plátanos da avenida. Arquivo Fotográfico Municipal

As Árvores e a Cidade: Av. da República 46

As Tipuanas em frente do prédio do Arquitecto Ventura Terra vão perder a sua distinta e fiel companhia arquitectonica. Esta obra pioneira na Avenida da República 46 (com projecto de 1906) vai ser demolida em 2010. Tudo aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, apesar do imóvel fazer parte da Carta Municipal do Património anexa ao PDM. É mais um crime contra o nosso património arquitectónico. Lisboa vai ficar mais pobre.