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terça-feira, 11 de novembro de 2008

130 ANOS DO JARDIM BOTÂNICO: programa

09:00 – 17:00 – Workshop Científico "Conservação e Biodiversidade: o Papel dos Jardins Botânicos" (Anfiteatro Aurélio Quintanilha).

Apresentação:
Neste workshop, que dá início às comemorações dos 130 anos do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e se insere nos 125 anos de saber tropical promovidos pelo Instituto de Investigação Científica Tropical (que integra o Jardim Botânico Tropical), pretende-se responder a perguntas de relevância nacional e internacional: Como é que os Jardins Botânicos, como instituições científicas, têm contribuído para a avaliação da biodiversidade nacional? Que compromissos internacionais e nacionais foram ou puderam ser cumpridos? Como têm procurado divulgar as suas colecções e os seus trabalhos de investigação? Qual a motivação dos investigadores para a disponibilização e o "conhecimento mútuo" da biodiversidade nacional?

09:00 - Recepção dos convidados e participantes
09:30 - Sessão de Abertura

1ª sessão - O papel dos Jardins Botânicos na estratégia da conservação
Moderadores: Dalila Espírito Santo/Rui Figueira
09:45 – Suzanne Sharrock (Botanical Garden Conservation International) - The role of botanic gardens in plant conservation
10:15 – 11:15 – Comunicações orais
11:15 – Coffee-break

2ª sessão - A conservação ex situ
Moderadores: Adelaide Clemente/Helena Cotrim
11:30 – Simon Linington (Kew Garden - ENSCONET) - Seed conservation strategy
12:00 – 12:30 – Comunicações orais
12:30 – 14:00 – Lunch

3ª Sessão - A estratégia global da conservação
Moderadores: Mário Silva/Cristina Antunes
14:00 – Instituto Conservação da Natureza e Biodiversidade - A estratégia de conservação a nível nacional
14:30 – 15:30 – Comunicações orais
15:30 – Coffee-break

4ª Sessão - Disponibilização da informação e "conhecimento mútuo"
Moderadores: Jorge Braga de Macedo/Maria Amélia Martins Loução
15:45 – 17:00 – Painel de Discussão

17:00 - Inauguração da exposição "Olhares intimistas - exercícios de autoretratos " alunos finalistas de escultura da Faculdade de Belas Artes (antigo Palmário do Jardim Botânico). Abertura ao público da exposição "Olhares"- esculturas de ar livre.

18:30 - Lançamento do livro "Jardim Botânico da Universidade de Lisboa - Flores". Apresentação Fernando Catarino (Anfiteatro Aurélio Quintanilha).

19:00 - Inauguração da exposição de jóias e objectos "E da Semente fez-se Jóia" da autoria de Maria João Bahía (Banco de Sementes do MNHN).

Magusto e Água Pé

130 ANOS DO JARDIM BOTÂNICO: 11-11-2008

UM PARAÍSO A DESCOBRIR NO CORAÇÃO DA CIDADE

O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (MNHN), criado em 1878, comemora 130 Anos. Dia 11 de Novembro, dia do armistício da I Grande Guerra foi a data institucionalizada para estas comemorações.

Esta instituição foi desde o início vocacionada para a divulgação, ensino, investigação e conservação dos recursos vegetais. Com enormes carências em recursos financeiros e humanos, o Jardim Botânico tem conseguido desenvolver, nos últimos 5 anos, um valioso programa de Educação Ambiental, sempre com conteúdos inovadores sobre a biodiversidade, suas ameaças e conservação, dando resposta às solicitações mais actuais.

O Jardim Botânico tem assumido a sua missão de sensibilizar políticos e populações para o imperativo estabelecimento de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável.
Encontrando-nos em contagem decrescente para 2010, ano em que pelo menos 60% da flora ameaçada deveria estar conservada, é tempo de balanço e de avaliar o que foi feito e o que está por fazer. É neste contexto que os Jardins Botânicos têm papel relevante por serem locais de conservação, museus vivos de colecções de plantas, amostras de ecossistemas com uma biodiversidade particular, mas sobretudo locais de investigação com responsabilidade de alterar ou evitar a perda de diversidade a nível nacional, contribuindo com os compromissos globais a nível internacional.

O nosso compromisso é cada vez maior no desenvolvimento de investigação credível e continuada sobre a biologia e ecologia das espécies, na integração desse conhecimento nos sectores públicos e político-económicos, na definição de medidas de gestão mais adequadas de forma a adaptar os interesses económicos à preservação dos habitats naturais, no apoio aos decisores políticos para o cumprimento das metas a nível internacional e na disponibilização e divulgação dos dados das nossas colecções e conhecimento.

As comemorações dos 130 anos vão procurar mostrar a vertente científica, de divulgação, artística, cultural e formativa que o Jardim Botânico do MNHN pode oferecer. O programa é ambicioso mas pretende continuar a linha de trabalho iniciada há 5 anos: virar-se e estar aberto à cidade de Lisboa, desenvolvendo conhecimento sobre a biodiversidade e sua conservação, estimulando a cultura, educação e o desenvolvimento económico e social, e procurando integrar os interesses da cidade.

FOTO: a extraordinária biodiversidade do Jardim Botânico

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

PDM vai contemplar "pulmão verde" nos terrenos do aeroporto

Lusa, 7 de Outubro de 2008

O vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, afirmou hoje que o novo Plano Director Municipal (PDM) vai contemplar a zona do aeroporto da Portela como futuro "pulmão verde" da cidade, depois da desactivação da infra-estrutura.

"O novo PDM vai prever o pulmão verde na zona do aeroporto", disse Manuel Salgado aos jornalistas, à margem da Assembleia Municipal de Lisboa, onde hoje está a ser discutido o "Estado da Cidade".

O presidente da Câmara, António Costa (PS), anunciou que o novo PDM de Lisboa será apresentado em Março do próximo ano.

"A revisão prevê o tal parque verde na zona do aeroporto, mas não na totalidade porque há zonas edificadas", como as dos actuais escritórios da TAP, acrescentou o vereador do Urbanismo.

O presidente da Câmara anunciou também a construção de um "grande interceptor entre Alfama e o Cais do Sodré que vai permitir finalmente que a totalidade do esgoto da cidade de Lisboa tenha tratamento". "Este mandato ficará também a ser o mandato em que o Tejo deixará de ser poluído pelo esgoto de Lisboa", declarou.

No caderno de balanço da actividade distribuído aos jornalistas e aos deputados municipais, é apontada a data de Janeiro de 2009 para o início das obras do interceptor de esgotos entre o Largo do Chafariz de Dentro e o Cais do Sodré e a sua conclusão prevista para Setembro do mesmo ano.

Na sua intervenção, António Costa destacou também o "aumento de 125 por no licenciamento de obras e 365 por cento das licenças de utilização emitidas" alcançados este mandato, com a concretização do programa de simplificação administrativa Simplis.

O autarca referiu igualmente o licenciamento de 11 unidades hoteleiras e a aprovação de projectos de arquitectura para mais seis hotéis.

Costa anunciou ainda para "breve" a assinatura de um protocolo com a Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Técnica e ISCTE para a transformação da capital numa "cidade Erasmus". O objectivo é aumentar em dois anos de dois mil para cinco mil o número de estudantes estrangeiros a estudarem em Lisboa ao abrigo daquele programa de intercâmbio.

Para isso, a autarquia quer promover o aumento de "mais duas mil camas" para estudantes e investigadores, com a construção e reabilitação de edifícios para residências universitárias.

NOTA: A LAJB aplaude a decisão de criar um «pulmão verde» nos terrenos do aeroporto da Portela. São boas notícias para Lisboa. A capital precisa de um «pulmão direito» uma vez que o Parque Florestal de Monsanto é actualmente o seu único pulmão. Aguardamos ansiosamente pela plantação da primeira árvore do futuro Parque Florestal da Portela.

FOTO: Marechal Carmona planta a primeira árvore no Parque Florestal de Monsanto em 1938. Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

«As misteriosas caixas negras dos museus portugueses»

in Público, 23 de Setembro de 2008

As colecções de instrumentos científicos dos museus e instituições científicas portuguesas foram visitadas pelos maiores especialistas do mundo durante uma semana. Há instrumentos que ganharam nome e relíquias reveladas.

Entre as cerca de 15 mil peças que compõem a reserva do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa, três centenas delas permaneciam por catalogar. Autênticas peças mistério que ninguém sabe o que são ou para que servem. Assim foi até à semana passada. Foi quando chegaram os cerca de 120 especialistas convidados do 27º simpósio da Scientific Instrument Comission. Conseguiram identificar 15 dos instrumentos mistério. E gostaram do que viram.

Há um antes e o depois desta visita dos maiores especialistas mundiais em instrumentos científicos, que correram as reservas dos museus científicos portugueses ao longo da semana passada. É o que defende Marta Lourenço, do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, instituição que acolheu o simpósio."São os maiores especialistas. Vêm preparados, com luvas de algodão puro e lupa no bolso, como nos filmes, pedem chaves de parafusos e viram de pernas para o ar os instrumentos dos quais se desconhece a função ou a história. E decifram-nos".

Foi assim com 20 instrumentos "mistério" que a equipa do Museu de Ciência escolheu entre os 300 que não conseguia identificar. Foram todos expostos numa vitrina. E mostrados ao grupo de especialistas. "Imediatamente viraram-se para um e disseram - este é um polarímetro", diz Marta Lourenço que acrescenta que se tratam de objectos muito gastos pelo uso ao longo dos anos na instituição que já foi Noviciado da Cotovia (Séc. XVII), Colégio dos Nobres (Séc. XVIII) e Escola Politécnica (Séc. XIX), todas elas instituições que marcaram o ensino das ciências em Portugal. E que depois acolheu a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa antes desta se mudar para o pólo do Campo Grande. As últimas aulas só acabaram ali no início já do século XXI. Sobre a vasta colecção do Museu de Ciência Marta Lourenço revela aquela que é a opinião dos especialistas que se reuniram em Lisboa: "Temos pelo menos cinco instrumentos únicos no mundo".

Colecções escondidas
Ana Eiró, directora do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, que acompanhou o périplo dos especialistas em instrumentos científicos pelo país, lembra o fascínio de muitos deles pelas colecções que visitaram, do gabinete de física da Universidade de Coimbra à colecção de instrumentos científicos do Instituto Superior Técnico. Aqui, a colecção de cerca de cinco mil instrumentos da instituição foi tão elogiada que o presidente Carlos Matos Ferreira mostrou vontade de tentar criar um pequeno museu para que possam ser apreciadas por todos, algo que não é possível actualmente. O que estes especialistas fazem é extrair história da ciência a partir dos instrumentos científicos. "Há muitos instrumentos que não se conseguem perceber bem", diz Ana Eiró. "Mesmo que se saiba para que servem, a sua datação e quem os construiu não sabemos a sua história, como aqui vieram parar e por que mãos já passaram. É o conhecimento profundo de história da ciência destes especialistas que ajuda a recuperar a história perdida".

Paolo Brenni, do Museu de História da Ciência de Florença e presidente da Comissão de Avaliação de Instrumentos Científicos, lembrou, numa intervenção realizada no último dia da visita do grupo de especialistas a Lisboa, a importância de se inventariar as colecções de instrumentos de ciência pelo mundo, a bem da história: "Há colecções esquecidas e negligenciadas", apesar de frisar que nos últimos 25 anos termos aprendido muito sobre o que os instrumentos científicos nos podem contar. "Mas há muito para explorar ainda nesta área."Por sua vez John Heilbron, especialista em história da física e da astronomia, um dos maiores especialistas mundiais em instrumentos científicos, actualmente a leccionar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, alertou, na mesma conferência de encerramento, para o perigo das "caixas negras", onde são guardados os instrumentos científicos sem que se possa, à luz do dia, revelar e mostrar o seu valor às massas. "Há que combater esta filosofia de caixa negra, que permaneceu impune durante anos e que só é vencida quando conseguimos mostrar a força dos instrumentos".

Stephen Johnston veio do Museu de História da Ciência da Universidade de Oxford, no Reino Unido, instituição que detém a maior colecção de astrolábios planisféricos do mundo. E no sábado deixou-se fascinar precisamente por essa força dos instrumentos referida por Heilbron. Johnston ouvia atentamente as lições do comandante José Manuel Malhão Pereira sobre as particularidades do astrolábio náutico, a adaptação do astrolábio feita pelos navegadores portugueses, que o usavam para "pesar o sol", como diziam os navegadores. A expressão vem do facto do peso do instrumento símbolo dos descobrimentos concentrar o peso na parte inferior e ser usado quase como um fio-de-prumo para medir a altura dos astros. Era a partir daí que era traçada a localização, talvez não muito precisa, mas que servia bem as necessidades das viagens dos descobrimentos. Malhão Pereira, que é oficial da Armada, mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa e investigador do Centro de História da Ciência da Universidade de Lisboa, é coleccionador de réplicas de instrumentos náuticos portugueses "Mando fazer as minhas réplicas aos únicos três artesãos que os fabricam ainda". Usa-os para dar aulas e para "experimentar". "Os instrumentos são vistos mas raramente experimentados", afirma.
Johnston não podia estar mais de acordo: "Todos os miúdos da escola deviam ter um astrolábio", disse, de chapéu na cabeça, sob o Sol quente que batia no terraço do Museu de Ciência, de onde se pode avistar toda a cidade de Lisboa e o rio Tejo. "Um dia estava a explicar a um amigo como é que o astrolábio funcionava e ele exclamou passado um bocado: 'Isto é um relógio!' Mas é muito mais do que isso, é uma máquina do tempo. E é ecológico, não usa pilha ou qualquer outra energia a não ser a do Sol. É o que eu costumo explicar aos meus filhos", remata.Entre a colecção de astrolábios do museu de Oxford existe apenas um astrolábio náutico. "Veio de um navio espanhol naufragado", acrescenta Johnston. Existirão, segundo Malhão Pereira apenas 64 astrolábios náuticos em todo o mundo. A maior colecção pertence ao Museu de Marinha, em Belém, onde estão oito. Também por lá passaram os especialistas em instrumentos científicos durante a visita a Lisboa.
FOTO: Fachada da Escola Politécnica pelo fotógrafo Augusto Bobone (1852-1910). Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal.