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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Observatório Astronómico de Lisboa: 150 anos

Astrofesta

O ano de 2011 é de comemorações. Além da celebração dos 100 anos da FCUL e da UL, comemoram-se os 150 anos do Observatório Astronómico de Lisboa. Para assinalar a data, irá ser organizada uma ASTROFESTA, a decorrer no fim-de-semana de 5, 6 e 7 de Agosto, quando a Lua está em quarto-crescente.

Além das observações no céu de Lisboa, estão previstas palestras e vários workshops relacionados com a utilização de telescópios e a astrofotografia. O local escolhido para a Astrofesta foi, naturalmente, o Observatório Astronómico de Lisboa, localizado no Campus do Instituto Superior de Agronomia, na Tapada da Ajuda.

A organização está a cargo do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Constância, o Observatório Astronómico de Lisboa e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.

Foto: Observatório Astronómico, Tapada da Ajuda, Abril de 1912, J. Benoliel (Arquivo Fotográfico de Lisboa)

terça-feira, 22 de março de 2011

UNIVERSIDADE - O Desejo do Saber

Convite para sessão de apresentação do filme documentário

Universidade - O Desejo do Saber

22 de Março 19h.

AULA MAGNA - Reitoria da Universidade de Lisboa

Realização - Catarina Alves Costa
Pesquisa - Maria João Torgal
Produção - Laranja Azul

ENTRADA LIVRE

Universidade de Lisboa nasceu há 100 anos

O Movimento Republicano assentou numa teia multimodal de centros, escolas, associações, grémios e ligas - formando uma rede de estruturas nominalmente variadas, mas que funcionalmente convergiam na prossecução das grandes linhas do ideário republicano: a educação, a cidadania, a solidariedade social, a laicidade, o livre pensamento, a participação democrática. A actividade educativa, nas vertentes de formação escolar e cívica, era o elemento comum à quase totalidade desta rede onde, para além das associações que a tinham por objecto específico, predominavam os centros políticos e escolares que ministravam aulas a crianças e adultos. E porque a educação era um dos esteios do ideário republicano, coube à República criar, logo em 1911, a Universidade de Lisboa.

Por decreto de 22 de Março de 1911, foi constituída a Universidade de Lisboa, agregando as unidades de ensino já existentes: a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e a Escola de Farmácia deram lugar à Faculdade de Medicina (repartida entre o Campo de Santana e o Hospital Escolar de Santa Marta, mantendo anexa a Escola Superior que só em 1921 ascenderia a Faculdade de Farmácia); a Escola Politécnica (na rua do mesmo nome) tornou-se Faculdade de Ciências, mantendo-se esta a funcionar no mesmo edifício da sua antecessora; o Curso Superior de Letras passou a designar-se Faculdade de Letras, mantendo-se o funcionamento, até 1958, nas instalações da Academia das Ciências de Lisboa. Em 1913, foi criada a Faculdade de Ciências Económicas e Políticas, dirigida por Afonso Costa, a qual dará lugar, em 1918, à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que funcionará, até 1957, no Palácio Valmor, no Campo dos Mártires da Pátria.

Foto: Jardim Botânico visto da Colina de Santana/Miradouro do Torel

quinta-feira, 10 de março de 2011

«CEM LOCAIS»: a UL em LX

Arranca este fim de semana o programa CEM LOCAIS, mais uma iniciativa integrada nas comemorações do Centenário da Universidade de Lisboa.

Os CEM LOCAIS pretende dar a conhecer as marcas deixadas pela Universidade na cidade de Lisboa. São 24 passeios, conduzidos por cerca de 150 convidados, que se realizam durante os fins de semana de Março, Abril e Maio de 2011.

Os passeios incluem as Faculdades, Institutos, Laboratórios, Observatórios e Museus da Universidade hoje, mas também os locais onde a Universidade esteve no pasado, como Alfama, os Hospitais de Santa Marta e São José, o Instituto de Medicina Legal, a Academia das Ciências, o Museu Nacional de Arqueologia, o Instituto Gama Pinto, o Instituto Bento da Rocha Cabral e o Instituto Português de Oncologia, entre outros. Outros passeios incluem ainda novos projectos da Universidade para a cidade, como o Caleidoscópio no Jardim do Campo Grande ou os Museus da Politécnica.

Quase todos os locais são desconhecidos do grande público e de acessoreservado. Porém, encontram-se recheados de memórias, histórias, vidas,investigação, colecções e património.É uma oportunidade única para ficar a conhecer os mais importanteslocais das artes, ciências e humanidades na cidade de Lisboa.

ESTE FIM DE SEMANA:

Passeio 1
REITORIA
12 de Março, 15 h
Com: António Nóvoa, Maria João Neto (FLUL) e João Paulo Martins (FA-UTL).

Passeio 2
Faculdade de Ciências Médicas (UNL) e Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana
13 de Março, 15 h
Com: Madalena Esperança Pina (FCM-UNL) e José Pedro Sousa Dias (FFUL).

Os passeios são gratuitos, mas as inscrições são limitadas.


Foto: MNHN, Sala Portugal (fotógrafo Bobone, Arquivo CML)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Centenário da UL: 100 Lições

Sala de conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa
18h – 20h
Programação 100 Lições: 28 Fevereiro a 4 Março

Seg. 28 Fevereiro

Lição 38 - João Pinharanda

Tema: Arte depois da Revolução: “Os Anos 80”Historiador e crítico de arte. N. Moçambique, 1957. Antigo aluno de História na Faculdade de Letras da UL. Professor (UAL), consultor (F. EDP) e director (Museu de Arte Contemporânea de Elvas) artístico. Organizador de numerosas exposições.

Lição 39 - Fernando Catarino

Tema: 100 Flores para o Centenário. Biólogo. N. Vila Nova de Ourém, 1932. Antigo aluno da Faculdade de Ciências da UL, onde chegou a professor catedrático. Foi director do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa durante duas décadas.

Ter. 1 Março

Lição 40 - Isabel Alçada. Tema: Leitura e EducaçãoProfessora e autora. N. Lisboa, 1950. Antiga aluna de Filosofia na F. Letras da UL. Autora, com Ana Maria Magalhães, da série de livros juvenis “Uma aventura”. Professora da Escola Sup. Educação do IPL. Actual Ministra da Educação.

Lição 41 - João Barroso Soares. Tema: A memória pessoal que guardo dos meus anos de UniversidadeAdvogado e político. N. 1949, Lisboa. Antigo aluno da F. Direito da UL. Deputado (AR e PE). Foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1995-2002).

Qua. 2 Março

Lição 42 - Francisco Pinto Balsemão. Tema: Segurança e Liberdade. Empresário. N. 1937. Antigo aluno da F. Direito da UL. Como político, pertenceu à Ala Liberal na Assembleia Nacional nos finais do Estado Novo, foi fundador do actual PSD, deputado e primeiro-ministro. Presidente da Impresa, grupo que detém, entre outros, a SIC, o Expresso e a Visão.

Lição 43 - Miguel Real. Tema: O Romance Português no Século XXI. Pseudónimo literário de Luís Martins. Escritor, ensaísta e professor de filosofia.. N. 1953. Antigo aluno de Filosofia pela Faculdade de Letras da UL. É, actualmente, colaborador do Jornal de Letras, Artes e Ideias onde faz crítica literária.

Qui. 3 Março

Lição 44 - Vasco Vieira de Almeida. Tema: Cidadania e AdvocaciaAdvogado. N. Lisboa, 1932. Antigo aluno da F. Direito da UL. Iniciou a actividade na banca. Foi Ministro da Coordenação Económica no I Governo Provisório (1974) e exerceu funções como representante do Governo (1975-76). Fundou a Vieira de Almeida & Assoc.

Lição 45 - Maria Filomena Mónica. Tema: Segurança e Liberdade. Socióloga. N. Lisboa, 1943. Antiga aluna de Filosofia da F. Letras da UL, doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford. Investigadora-coordenadora emerita do Instituto de Ciências Sociais da UL. Autora de vasta obra sobre temas oitocentistas.

Sex. 4 Março

Ciclo de Palestras “Ciência em Português”- Susana Serrazina. Investigadora do Centro de Biodiversidade, Genómica Integrativa e Funcional, FCUL: “Como respondem as plantas ao stress?” com a presença de Maria Salomé Pais Telles Antunes, do Departamento de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências da UL

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Centenário da UL: 100 Lições

Programação 100 Lições 21 a 25 de Fevereiro

Lição 33 – Seg. 21 Fevereiro
Alberto Costa. Tema: Momentos decisivos – da Cidade Universitária ao Terreiro do Paço Advogado e político. N. Évora de Alcobaça, 1947. Antigo aluno de Direito na UL. Foi dirigente estudantil. Leccionou em várias universidades. Foi deputado, Ministro da Administração Interna e da Justiça.

Lição 34 – Seg. 21 Fevereiro
Júlio de Castro Caldas. Tema: Crise e Estado de Excepção Advogado. N. Lisboa, 1943. Antigo aluno da Faculdade de Direito da UL. Foi Bastonário da Ordem dos Advogados (1993-1999) e Ministro da Defesa (1999-2001). Actualmente é sócio da firma CSA & Associados.

Lição 35 – Ter. 22 Fevereiro
Raúl Rosado Fernandes. Tema: Dos cânticos Homéricos, aos Servo-Croatas, aos Albaneses a Ismail Kadaret.Professor universitário. N. Lisboa, 1934. Antigo aluno de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da UL, onde chegou a Catedrático de Língua e Literatura Gregas. Foi Reitor da UL (1979-1982), universidade da qual é actualmente Professor Jubilado.

Lição 36 – Ter. 22 Fevereiro
António Galopim de Carvalho. Tema: O Quartzo na Ciência, na Tecnologia e na Arte. N. em Évora, em 1931. É doutorado em Geologia e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É autor de vasta bibliografia científica, de divulgação e de ficção. Foi director do Museu Nacional de História Natural, a partir do qual continua a desenvolver acções de divulgação, salvaguarda e valorização do património geológico nacional.

Lição 37 – Qua. 23 Fevereiro
Diogo Freitas do Amaral. Tema: Como e para quê reformar a Administração Pública? Professor de Direito Administrativo. N. Póvoa de Varzim, 1941. Antigo aluno da F. Direito da UL, onde chegou a professor catedrático. Actualmente na U. Nova de Lisboa. Fundador do CDS, foi deputado e várias vezes membro do governo. Presidiu à Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Lição 38 – Qui. 24 Fevereiro
Fernando Ribeiro. Tema: Filosofia e Rock - como viver no mundo da poesia eléctrica. Músico, vocalista e letrista da banda portuguesa de heavy metal Moonspell. N. Lisboa, 1974. Antigo aluno de Filosofia na Faculdade de Letras da UL.

Ciclo Palestras “ Ciência em Português” - 25 Fevereiro – Sexta

José Camões. Investigador do Centro de Estudos de Teatro, FLUL: “ Investigação em Humanidades e novas tecnologias.”, com a presença de Rui Vieira Nery, da Fundação Calouste Gulbenkian e Instituto de Etnomusicologia da UNL.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Centenário da UL: 100 Lições

Lição 29 – Qua. 16 Fevereiro
Miguel Galvão Teles

Tema: O caso de Timor Leste (Portugal c. Austrália) no Tribunal Internacional de Justiça. Advogado. N. Porto, 1939. Antigo aluno da F. Direito da UL, onde também foi docente e regeu Direito Constitucional. Foi membro do Conselho de Estado (1982 a 1986). Pertence à sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados.


Lição 30 – Qua. 16 Fevereiro
Martim de Albuquerque

Tema: Considerações à volta da Soberania. Professor universitário e advogado. N. S. Domingos de Rana, 1936. Antigo aluno da F. Direito da UL, donde é Professor Jubilado. Autor de vasta obra nas áreas da História do Direito e do Pensamento Jurídico. Fundador da Albuquerque & Associados, Sociedade de Advogados.

Lição 31 – Qui. 17 Fevereiro
António Marques

Tema: A Reflexão Filosófica: Limites e Dinâmica. Professor universitário e historiador. N. São Pedro do Estoril, 1933. Antigo aluno da F. Letras da UL. Foi professor nesta Faculdade e na de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Lição 32 – Qui. 17 Fevereiro
Luciano Pinto Ravara

Tema: O Valor do Conhecimento. Médico e professor universitário. N. Lisboa, 1939. Antigo aluno da Faculdade de Medicina da UL, onde se doutorou e chegou a Professor Catedrático, jubilando-se em 2009. Dirigiu o Serviço de Medicina I do HSM. Foi um dos fundadores da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Arte Integrada nos Edifícios da Universidade de Lisboa

Em 2011 alguns dos Seminários de Cultura Material serão dedicados a estudos associados à Universidade de Lisboa, particularmente ao seu património. É uma forma do Museu de Ciência se associar às Comemorações do Centenário da Universidade e de divulgar o seu vasto património artístico, científico e arquitectónico.

No próximo dia 10 de Fevereiro Ana Mehnert Pascoal falará sobre o programa decorativo associado ao projecto do Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para o conjunto da Reitoria, Faculdade de Letras e Faculdadede Direito. A Ana Menhert, bolseira associada ao programa do Centenário, defendeu recentemente uma tese de mestrado sobre este assunto, com a máxima classificação.

"A Cidade do Saber: Património Artístico Integrado nos Edifícios projectados por Porfírio Pardal Monteiro para a Universidade de Lisboa (1934-1961)"

Ana Mehnert Pascoal
10 Fevereiro, 17 h

Seminários de Cultura Material
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

Foto: detalhe de um dos painéis de Almada Negreiros na UL. Imagem de Nuno Barros Roque da Silveira, 1971, Arquivo Fotográfico Municipal

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Centenário da UL: 100 LIÇÕES

As Cem Lições, integradas na celebração do Centenário, serão dadas por cem antigos alunos da Universidade de Lisboa. O tópico da lição é de livre escolha de quem a profere. É talvez natural que a experiência universitária e o seu prolongamento, eufórico ou menos eufórico, na vida desses antigos alunos possam ser objecto das suas lições. É igualmente natural que as actividades profissionais ou áreas disciplinares a que, com reconhecido brilho, se dedicaram nas suas vidas, nelas sejam objecto de análise. A Universidade acolhe com júbilo o seu regresso.

PROGRAMAÇÃO 2 e 4 FEVEREIRO

Lição 12 - QUA. 2 Fevereiro
Rui Sanches

Pintor e escultor. N. Lisboa, 1954.
Antigo aluno da F. Medicina da UL, donde saiu para estudar sucessivamente no Ar.Co (Lisboa), no Goldsmiths' College (Londres) e na Univ. Yale. Dirige o Dep. Escultura do Ar.Co. Vive e trabalha em Lisboa.

Lição 13 - QUA. 2 Fevereiro
Lídia Jorge

Tema: Escrita como Experiência. Escritora. N. Boliqueime, 1946. Antiga aluna de Filologia Românica na F. Letras da UL. Viveu em Angola e Moçambique no final do período colonial. A Costa dos Murmúrios (1988) é um dos mais conhecidos de dezena e meia de livros, editados em várias línguas. Recebeu vários prémios em Portugal e no estrangeiro.

Lição 14 - Qui. 3 Fevereiro
Pedro Mário Soares Martinez

Tema: A Economia e o Homem. Professor universitário. N. Lisboa, 1925. Antigo aluno da Faculdade de Direito da UL, onde se doutorou e foi Professor Catedrático (1958) de C. Político-Económicas. Dirigiu a FDUL de 1971 a 1974. Foi Procurador à Câmara Corporativa e Ministro da Saúde e Assistência (1962-1963).

Lição 15 - Qui. 3 Fevereiro
João Seabra

Tema: No centenário da Lei da Separação. Igreja e Estado nos alvores do séc. XX. Padre católico. N. 1949. Antigo aluno da Faculdade de Direito da UL. Estudou Teologia na U. Católica Portuguesa e Direito Canónico na U. Pontifícia de Salamanca. Foi Capelão na UCP e Prior de Santos-o-Velho. Colabora actualmente com as paróquias do Chiado. Ciclo de Palestras “Ciência em Português”

Lição 16 - SEX. 4 Fevereiro
Tjerk Hagemeijer

Investigador do Centro de Linguística da FLUL: “Línguas, genes, e história: a crioulização no Golfo da Guiné” com a presença da Prof. Isabel Castro Henriques do Departamento de História da Faculdade de Letras da UL.

domingo, 10 de outubro de 2010

«Faltam 30 milhões de euros para um novo museu de ciência em Lisboa»

A Universidade de Lisboa vai fazer 100 anos em 2011 e quer recuperar a sua história e valorizar o património. O programa das comemorações é anunciado amanhãA Universidade de Lisboa (UL) quer criar um importante pólo museológico, reunindo grande parte das suas colecções científicas, no que são hoje os Museus da Politécnica. O centenário da universidade - que se assinala em 2011, mas cujo programa de comemorações é anunciado oficialmente amanhã, na abertura do ano académico - seria o momento ideal para lançar esse projecto. Para o concretizar falta essencialmente uma coisa, segundo o reitor António Sampaio da Nóvoa: trinta milhões de euros para o investimento inicial.

Cem anos é uma idade respeitável, e a UL quer aproveitá-la para recuperar muito da sua história e da sua memória na cidade. "Queremos mostrar como a Universidade esteve ligada à cidade desde o século XIII. Há um património vastíssimo do ponto de vista dos edifícios, que as pessoas conhecem mal", explica António Nóvoa. Neste momento está já a fazer-se o registo deste património e a planear-se percursos pela cidade para o quem quiser conhecer melhor.

Para além dos edifícios, existem as colecções, que também estão a ser inventariadas. "Gostaríamos de publicar um livro sobre elas e aproveitar este balanço para revalorizar a dimensão museológica da Universidade e conseguir construir pelo menos um grande pólo museológico nos actuais Museus da Politécnica, e um segundo pólo mais centrado nas questões da saúde no edifício histórico do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana", diz Nóvoa.

A discussão sobre o projecto já foi lançada - e tem estado rodeada de alguma polémica. O reitor pediu um parecer a um grupo internacional de peritos presidido por Rosalia Vargas, presidente da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, e uma das recomendações foi a de fundir os dois principais museus da Politécnica, sob o nome de Museu Nacional de História Natural. Uma hipótese que implicaria o "desaparecimento" do actual Museu da Ciência com este nome e a integração das suas colecções no novo museu.

Apresentado no final de Junho numa sessão pública, o relatório foi alvo de muitas críticas por parte de pessoas ligadas à comunidade museológica e científica, que viam com preocupação essa diluição do Museu da Ciência. António Nóvoa prefere salientar os pontos mais consensuais. "O debate foi muito conclusivo em relação à necessidade de requalificação de todo aquele espaço." Até porque, sublinha, "a situação que se vive actualmente [nos Museus da Politécnica] é impensável, quase do domínio do degradante."

"Ter um olhar nacional"

É preciso melhorar, portanto. "Criou-se um movimento genuíno para a requalificação daquele espaço e isso é muito importante porque havia gente, dentro e fora da universidade, com uma atitude muito conservadora. O discurso de que é preciso proteger é muito importante, mas a protecção sem alternativas leva à decadência. Se não se fizer nada as coisas vão desaparecendo e um dia alguém fecha a porta porque já não há nada para proteger."

Mas, como reitor da UL, é sensível às preocupações manifestadas em relação ao futuro do Museu da Ciência? "Sou extraordinariamente sensível a isso, mas julgo que temos que ser inteligentes e audazes. Todos reconhecemos que Portugal tem museus a mais. Acho que a Universidade não deve reproduzir essa lógica. Temos que perceber como é que se consegue preservar o trabalho de grande qualidade que se faz no Museu da Ciência. Mas sabemos que há outras universidades que também têm planos para fazer museus da Ciência e da Técnica. Temos que olhar para isto do ponto de vista do país e não dos interesses locais. Um dos problemas de Portugal - e isto é verdade para os museus como para as universidades - é que temos um olhar muito local." Aponta para uma cadeira vazia à sua frente. "Achamos que esta cadeira é muito importante e que temos que a preservar e depois desconhecemos que há duas mil cadeiras destas espalhadas pelo país. A preservação e divulgação das colecções têm que ter um contexto nacional."

Uma segunda conclusão do debate, na leitura do reitor, foi a de que "é preciso haver um projecto integrado para aquele espaço". Ou seja, "a ideia de que há um Museu de História Natural e um Museu da Ciência e um Jardim Botânico e mais um museu disto e daquilo, é impensável. A certa altura é uma coisa completamente balcanizada, que não tem leitura para o visitante, não tem capacidade de gestão integrada e sobretudo não tem nenhuma contemporaneidade do ponto de vista do que é um projecto museológico."

Por fim, parece ser pacífica a ideia de que é importante que aquele espaço se abra à cidade. A Câmara Municipal de Lisboa lançou um concurso de ideias para a zona que vai do Parque Mayer, junto à Avenida da Liberdade, até à Rua da Escola Politécnica, e a proposta vencedora foi do arquitecto Manuel Aires Mateus. Até que ponto os planos para o pólo museológico da UL estão dependentes de este projecto avançar ou não?

O projecto "não intervém" directamente sobre o património da Universidade (Museus da Politécnica e vários outros edifícios que os rodeiam), explica o reitor. Com duas pequenas excepções: "a requalificação das casotas que existem à volta do Picadeiro, mas que correspondem a um espaço mínimo", e "a possibilidade de, no prolongamento da alameda das palmeiras, fazer um edifício que crie uma ligação com o parque de estacionamento em baixo". Esta última solução ajudaria a resolver aquele que é um dos principais problemas dos Museus da Politécnica: os acessos.

Mas se para todas estas questões em aberto - e que deverão ser resolvidas por uma comissão instaladora a criar em breve - António Nóvoa acredita que serão encontradas soluções relativamente consensuais, há um outro problema que o reitor considera o mais complicado: a falta de dinheiro. "O grande problema vai ser arranjar os fundos para investir a sério naquele espaço."

Para manter os museus a funcionar como estão actualmente - num "estado de sobrevivência" - a UL gasta anualmente três milhões de euros. "É uma verba que, para um orçamento como o nosso, é muito significativa. Retiramos um bocadinho a Direito, outro a Medicina, outro a Letras... Não temos tido apoio de ninguém. O Jardim Botânico custa fortunas em água e nunca tivemos qualquer apoio. Estamos sozinhos nesta batalha."

Apesar disso, Nóvoa acredita que a UL poderá continuar a dispor dessa soma todos os anos e que ela será suficiente para assegurar o funcionamento do novo museu, juntamente com algumas receitas próprias que este viesse a gerar e uma ou outra loja que abrisse no local. Mas deixa uma crítica: "Há uma forma de financiamento das universidades em Portugal que não considera o património nem os museus, contrariamente ao que acontece em países como o Reino Unido. E isso obviamente penaliza as universidades mais antigas, em primeiro lugar Coimbra, com todo o património histórico que tem que cuidar, mas também a UL."

Quanto aos trinta milhões, a Universidade põe a hipótese de "recorrer a empréstimos, associar outras entidades, fundações, a câmara municipal, o Governo, e ir buscar alguns fundos europeus, embora isso seja muito difícil no caso de Lisboa". Mas "tudo isto é curto", lamenta o reitor. "O plano de sustentabilidade de um museu a sério consegue-se. O nosso grande problema é onde vamos encontrar os trinta milhões." in Público, 10-10-2010