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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Orçamento Participativo 2010: projecto da LAJB passou para a 2ª fase

Começou ontem, dia 14 do corrente a 2ª fase do processo do Orçamento Participativo 2010 (OP). O projecto da LAJB - Arborização da Rua Borges Carneiro - foi escolhido para a 2ª fase! Lembramos que este projecto surgiu após um pedido de apoio de um grupo de moradores da Freguesia da Lapa, associados da LAJB.

Os projectos mais votados nesta 2ª fase serão integrados no orçamento municipal até ao valor de 5 milhões de euros, montante definido pela Câmara para afectar ao orçamento participativo.

Apelamos a todos os interessados que votem, até ao dia 20 de Dezembro, no projecto apresentado pela LAJB. Basta aceder ao sítio do OP:

http://www.cm-lisboa.pt/index.php?idc=618

Para votar, seleccione primeiro "Espaço Público e Espaço Verde" e de seguida procure a proposta da LAJB sob a designação «Reperfilamento da Rua Borges Carneiro» (na pág. 4).

PARTICIPE! Vote no projecto da LAJB e ajude-nos a arborizar uma rua de Lisboa!

FOTO: Rua Borges Carneiro sem árvores de alinhamento numa fotografia de 1975 do fotógrafo Armando Serôdio (Arquivo Municipal). Desde a abertura da rua em 1876 que se espera por um projecto de arborização!

domingo, 20 de setembro de 2009

Mais árvores e passeios para o Bairro Azul!

Mais árvores, passadeiras bem identificadas, passeios mais largos e apenas uma faixa de rodagem em cada sentido na Rua Ramalho Ortigão marcam a nova imagem de uma das principais artérias do Bairro Azul, em Lisboa.

"Parecia que estávamos perto de uma auto-estrada. Era muito difícil atravessar e os carros circulavam a uma velocidade impressionante. Espero que a situação se altere, já que havia muitos atropelamentos", sublinhou Ana Luísa Bolsa, da Comissão de Moradores do Bairro Azul, junto à Rua Ramalho Ortigão, onde já começaram as obras para criar a primeira das cinco "Zonas 30" que a Câmara pretende colocar em marcha, destinadas a "acalmar" o tráfego e dar mais espaço e segurança aos peões, mas que integram também a valorização do espaço público.

No Bairro Azul, essencialmente residencial, o projecto não podia ter melhor acolhimento. Há anos que os moradores clamavam por medidas que acabassem com o intenso tráfego de atravessamento criado pela proximidade do El Corte Inglés, Universidade Nova ou Mesquita. No Bairro Azul, as medidas de acalmia de tráfego estendem-se até 2012. Para a semana, serão cridas passadeiras sobrelevadas em mais duas ruas. A requalificação do espaço público junto à Rua Marquês da Fronteira, pelo do Metropolitano de Lisboa, poderá arrancar ainda este ano.

Nos próximos dois, será criado um desenho urbano de acalmia de trânsito na Rua Ressano Garcia e uma ligação directa da Avenida José Malhoa à Praça de Espanha, bem como um espaço público franco em frente à Mesquita.

Os bairros do Alvito, da Madre Deus, Boavista e de São Miguel, também vão ter "Zonas 30" para criar uma coabitação mais harmoniosa entre peões, bicicletas e automóveis nos arruamentos interiores dos bairros.

Sem referir datas, António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, prometeu para breve o início das intervenções nestes bairros, referindo que as alterações no Bairro Azul estão a servir para "testar a metodologia". Não descarta ainda a hipótese de levar o projecto a outras áreas da cidade. A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados já veio defender que as "Zonas 30" deveriam chegar às Avenidas Novas. in Jornal de Notícias, 20-9-09

FOTO: Av. Ressano Garcia, na década de 60 do séc. XX, já sobrecarregada de carros. Imagem de Artur Goulart, Aquivo Municipal. Estas são boas notícias para a nossa cidade. Esperemos que a CML implemente brevemente o projecto de arborização da Rua Borges Carneiro, uma iniciativa dos moradores apoiada pela LAJB e a Associação Lisboa Verde.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A CIDADE CARECA

in DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 28 de Julho de 1935, 1ª página

«A CIDADE CARECA - Vão ser cortadas em Lisboa mais de 110 árvores e entre elas ainda algumas da Avenida da Liberdade, do tempo do Passeio Público»

«Que espécie de gente será esta que vive em Lisboa - e pior: que manda em Lisboa - tão apostada sempre contra as árvores?! Que mal podem fazer as árvores, maravilhas da Natureza, a certa gente que tanto e tanto as odeia?! Porque, no fundo, se não há uma razão máxima de perigo ou de utilidade para o Homem, só por ódio se compreende que um homem possa cortar ou mandar cortar uma árvore. A teoria peregrina de que se cortam e queimam árvores por estarem doentes e para não pegarem a doença ás da mesma espécie não convence ninguém de bom senso. Nesse caso, e pelo mesmo raciocínio, a Direcção-Geral de Saúde tinha de mandar matar e queimar todos os pestiferos, os tifosos, os tuberculosos, todos os que tivessem, numa palavra, molestia contagiosa. E os médicos passariam a ser magarefes ou carvoeiros. A Câmara Municipal de Lisboa parece não pensar desta maneira, e mandou que se derrubassem, a golpes de machado, mais 110 (!) árvores da cidade, que estão na Avenida Almirante Reis, Calçada de Carriche, Largo do General Pereira de Eça nessa Avenida da Liberdade, a que se poderia chamar, mais propriamente, Avenida Mártir. (...)

«As razões - queira-nos a CML desculpar a franqueza - são outras. São as mesmas que levam Lisboa a ser uma das cidades menos arborizadas da Europa; a não ter parques; a ter uns jardinzinhos raquiticos, assim uma espécie de pátios mouriscos... São as mesmas que mandaram, na Figueira da Foz, por exemplo, rapar á escovinha certas ruas lindamente arborizadas, sob o pretexto de que as pobres atiravam ás casas a terra! E as mesmas que imperaram no recente vandalismo de Coimbra, quando escanhoaram todo o cais, em frente ao Hotel Astória. E as que determinam a fúria contra os gigantes, saudáveis e salutares eucaliptos de estrada do Alentejo. São as mesmas razões que levam os berberes e os seus irmãos de Portugal á ulmeirofobia, á plantonofobia, a todas as fobias contra e qualquer árvore que vejam em diante. (...)

«Se a CML, de cada vez que manda decepar uma árvore, mandasse plantar um cento por essas ruas, avenidas e colinas, ainda se remia um pouco das suas culpas e das câmaras que a precederam. Mas não o faz. E dentro em pouco os estrangeiros e os portugueses que não são berberes chamarão a Lisboa tristíssimamente... a Cidade Careca.»

FOTO: Ama com criança na Av. da Liberdade, 1912. Imagem de Joshua Benoliel (1873-1932). Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal

Com este artigo de primeira página de 1935, corajosamente crítico para a época, iniciamos a série "A CIDADE CARECA" onde iremos reflectir sobre a importância da arborização dos arruamentos da nossa cidade. Também alertaremos para os maus tratos e falta de protecção das árvores de alinhamento. Tudo porque ainda existem muitas ruas carecas em Lisboa...